SOBRE FOCO E INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Estava lendo uma matéria d’O Globo, que ainda recebo em papel nos finais de semana, sobre o novo livro do Daniel Goleman, autor de “Inteligência Emocional”, que há 20 anos influencia o RH (ok, a Gestão de Pessoas) das empresas em todo o mundo.

Diferentemente da expressão cunhada para o título deste “best read” de 2 décadas atrás, o novo livro chama-se simplesmente “Foco”, cuja resenha e entrevista no caderno Boa Chance d’O Globo, apontam conceitos bem parecidos com os que levantamos em post aqui mesmo no Blog Distribuindo Viagens, em 08/12/2010, intitulado: GERAÇÃO 3D: DISPERSA, DESFOCADA E DISTRAÍDA

Naquela oportunidade, há pouco mais de 3 anos, eu comecei a perceber o fenômeno, que hoje agravou-se e tende a se tornar padrão de comportamento, mas o fato é que uma pessoa a quem atribui-se a alcunha de “multi-tarefa” não faz várias coisas ao mesmo tempo, mas um pouco de cada, com múltiplas interrupções e nenhum foco ou profundidade.

Curiosamente, o Fantástico de domingo passado apresentou matéria sobre uma pesquisa científica a respeito da (in)capacidade do ser humano em fazer bem mais de uma coisa ao mesmo tempo, testando coisas simples do cotidiano, como dirigir e falar ao celular ou dirigir e fazer contas bem simples.

O resultado é surpreendente (ou nem tanto), algo como “O cérebro humano é incapaz de dedicar-se, com qualidade, a mais de uma atividade simultaneamente !”

Ou seja, não é exclusividade da geração Y o fato de pular de um assunto ao outro, com deficit de atenção e incapacidade de concentração, fundamentais a uma análise crítica ou produção criativa, impedindo-o de aprofundar-se nos assuntos e de prestar atenção em qualquer coisa por mais do que 5 minutos.

Considerando a lentidão da evolução humana, seguramente essa habilidade não estará desenvolvida nesta ou na próxima geração.

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FRASES DO LACTE 9

Um LACTE 9 impecável, mas até aí não há novidade, pois todos foram.

Nossa equipe da ALAGEV não relaxa e Paulo Amorim segurou muito bem o rojão, com brilho e elegância.

Algumas frases que ouvi (ou li) e que suscitam pensamentos e dúvidas:

“Há vida após a Copa”, Viviânne Martins, sobre a expectativa de todos sobre o que acontecerá durante a Copa.

“Estamos felizes de liderar o corporativo da Abracorp”, Paulo Kakinoff, sobre os números divulgados pela Abracorp, em que a GOL ultrapassou pela primeira vez a TAM em TKTs emitidos, durante o primeiro semestre de 2013.

“Estamos felizes de liderar o corporativo da Abracorp”, Cláudia Sender, sobre os números divulgados pela Abracorp, em que a TAM retomou a liderança, segundo a medição do ano de 2013.

“A principal porta de entrada dos “hackers” é o comportamento inseguro do usuário”, Tadeu Cunha, sobre as fraudes com emissão de bilhetes, que chegaram ao mercado corporativo em 2013.

“Uma das características que marcam o exteligente, de modo geral, é o déficit de atenção”, Fernando Kimura, resgatando toda a Geração 3D: Dispersa, Desfocada e Distraída.

“Hoje o executivo não quer mais viajar. Os aeroportos estão lotados, eu levei duas horas do aeroporto até meu hotel…”, Greeley Koch, sobre o foco que deve ser dado ao viajante corporativo.

“O executivo jovem percebeu lacunas nas políticas de viagens e partiu para o open booking”, Rubens Schwartzmann, interpretando bem a sua própria geração.

“Não serei candidata a reeleição na Alagev”, Viviânne Martins, sobre as próximas eleições em 22 de abril.

E o ano está só começando…!!

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CVC X FLYTOUR

Não, o objetivo deste post não é comparar as duas gigantes brasileiras do mercado de viagens e turismo, tampouco promover um improvável confronto direto entre elas, mas analisar, de fora, suas diferentes estratégias empresariais de longo prazo.

Ambas têm origem familiar, iniciaram suas operações de forma bem tradicional, há muitos anos, baseadas no espírito empreendedor de seus fundadores e estão hoje na desafiadora posição de crescer ou crescer, mas curiosamente usam estratégias antagônicas.

Enquanto a CVC, como todos sabem, partiu pro M&A visando o IPO mais à frente (o que ocorreu em 2013), a Flytour seguiu a receita cartesiana do crescimento autossustentado, baseado no equilíbrio entre o controle familiar e a gestão profissional.

Alavancar o crescimento com a entrada de investidores e abertura de capital, dirigir todos os esforços para o negócio de sua especialização, focar na consolidação da sua liderança neste mercado e visar resultados acima de tudo, como faz a CVC, é uma fórmula vencedora e bastante conhecida no mercado financeiro.

Tão vencedora quanto capitalizar-se ao longo de anos de trabalho e resultados positivos, estabelecer uma estratégia de diversificação no longo prazo, equilibrar a contratação de talentos com a valorização da prata da casa, fortalecer a governança e visar a perpetuidade acima de tudo, como faz a Flytour.

Vejo aqui a principal diferença: enquanto uma foca exclusivamente um mercado, apostando todas as fichas no turismo de lazer, demonstrando enorme apetite por conquistar ainda mais market-share no curtíssimo prazo, a outra investe pesado na diversificação, distribuindo suas apostas nos 3 maiores segmentos do mercado de viagens e turismo (corporativo, consolidação e lazer), buscando um tripé de sinergias para voos de longo curso.

Apesar da evidente diferença entre essas estratégias, não seria fácil responder a pergunta que um consultor financeiro me dirigiu na semana passada:

“Apenas como hipótese, se você tivesse a oportunidade de investir em apenas uma dessas empresas, em qual você investiria?”

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