ABAV EXPO 2019: DEU MAGDA NA CABEÇA !

Esperei a semana passar, a rotina voltar ao normal, para somente então redigir este texto sobre a ABAV Expo 2019, como faço todos os anos, desde antes de eu participar da diretoria da ABAV Nacional.

Foram muitos os desafios que Magda Nassar e equipe tiveram que encarar para fazer uma ABAV Expo à altura da maior entidade empresarial do mercado de viagens e turismo do Brasil e da natural expectativa de todos os profissionais que lidam com nossa atividade.

Com o presidente licenciado, nossa presidente encarou, apenas 4 meses antes do evento, a missão de colocar a ABAV Expo 2019 de pé, e o fez com competência, liderança e protagonismo.

Presidente em exercício, de fato e de direito, Magda exerceu a presidência em sua plenitude, mudou, reestruturou, escolheu com quem trabalhar, enxugou, comandou, distribuiu tarefas e redistribuiu poderes, planejou e mexeu no que julgou necessário, valorizou as regionais e suas lideranças, trazendo os jogadores pra dentro do campo e, assim, motivou um exército para vencer uma batalha (neste caso, a ABAV Expo 2019).

O resultado foi testemunhado por quem esteve no Expo Center Norte, dias 25 a 27/09/19: exposição linda, corredores cheios, palestras prestigiadas, expositores contentes e agentes de viagens orgulhosos de seu evento maior.

A venda direta (batizada nesta edição de Black Friday de Viagens) foi bem recebida pelo público (como já ocorrera em edição anterior) e agradou às 30 agências que apostaram na promoção, uma iniciativa que aproximou a ABAV Expo, no terceiro dia, de uma feira de varejo de turismo, mais do que de um evento empresarial em que fornecedores expõem seus produtos e serviços para agentes de viagens profissionais (como foram os ótimos primeiro e segundo dias do evento).

A Black Friday de Viagens provoca um importante ponto de atenção aos expositores fornecedores das agências de viagens, que investem no evento para buscar justamente agentes de viagens e não o público final. Por isso, apesar do sucesso de marketing desta ação, penso que é tema para ser reanalisado em próximas edições.

O foco no turismo desta ABAV Expo 2019 foi tão grande, que até a Abracorp abordou o tema Turismo é Pauta Econômica na 5a. edição do Forum Abracorp, no segundo dia do evento, com a participação do Secretário de Turismo do Estado de São Paulo e do nosso presidente do CA da Abracorp, Carlos Prado, debatendo com outras importantes lideranças do turismo brasileiro.

Outra clara evidência da força do turismo nesta edição foi o overbooking no Workshop ABAV Tech, o grupo de trabalho de tecnologia da ABAV, também no segundo dia, em especial no painel “Os benefícios e oportunidades tecnológicas para a gestão da sua agência de viagens”, tema que atraiu o interesse e a participação de mais de 300 agentes de viagens, todos desejando entender como usar as tecnologias disponíveis no mercado para captar a atenção, conquistar o interesse e atender o cliente consumidor de viagens e turismo.

Ao longo dos últimos 10 anos, a ABAV Expo vem, gradativamente, absorvendo outros eventos e acomodando projetos de potenciais eventos de diversas entidades congêneres, e isso faz todo o sentido. Tanto é que os espaços muiti-marcas têm crescido ao longo desse período, casos da Braztoa, Abracorp, Clia Abremar, Air-Tkt, entre outras, além dos espaços multi-marcas patrocinados, como o Inovação Travelport, entre outros, todos agregando expositores em torno de um conceito macro, representado pelas entidades ou pelo patrocinador que associa seu nome/marca à proposta daquele espaço.

O resumo da ópera é que, se antes ninguém tinha dúvidas de quem será o candidato imbatível para as próximas eleições da ABAV Nacional, após esta ABAV Expo 2019, já dá para prever que bastará partir para a aclamação: é Magda Nassar na cabeça.

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COMO CRIAR PRODUTOS QUE OS CLIENTES AMEM USAR

INSPIRED: HOW TO CREATE PRODUCTS CUSTOMERS LOVE

Por Pedro Concy, fundador do Estante Mágica

O Estante Mágica é um case fantástico que merece ser conhecido e aplaudido. Seu fundador, o Pedro Concy, é um entusiasta do desenvolvimento de produtos e resumiu assim o livro Inspired: How To Create Products Customers Love, uma das bíblias do assunto, escrito por Marty Cagan:

– Essência do trabalho de produto é o Customer Discovery.

– Customer Discovery ==> Validated Produt Backlog ==> Product Delivery.

– Pensarmos em “time to money”, que são as iterações até achar o valor.

– Devs sempre devem estar dentro das discussões do produto. Se não se engajam, não performam.

– Projeto é sobre output, produto é sobre outcome.

– Não é sobre desenvolver features, é sobre resolver problemas.

– Essencial termos uma Product Vision. O que será nosso produto entre 2 a 10 anos.

– Usar protótipos pra experimentar rápido e chegar no product discovery e então no product delivery pra alcançar o product/market fit, que é um caminho pra alcançar o product vision.

– MVP SEMPRE deve ser um protótipo, nunca um produto.

– Times de produto no mesmo ambiente performam mais.

– Existem várias formas de fazer a divisão dos produtos. Diferentes tipos de usuários, devices, workflows etc. Sempre que escolher uma forma, vai abdicar da outra. É sobre um trade-off.

– Essencial pro PM: saber muito sobre o cliente; saber sobre os dados, saber sobre o negócio e saber sobre o mercado/indústria; 

– PM levam 2-3 meses pra alcançar performance ótima na equipe.

– PMs deveriam fazer curso introdutório de programação pra poder dialogar melhor com devs. Devem também saber sobre business finance.

(OFF: curso bem legal pra aprender básico de programação se achar que faz sentido: https://teamtreehouse.com/)

Perguntas de um UX:

* Como cliente vai primeiro saber sobre o produto?

* Como vai fazer onboard do usuário, além de como vai revelar novas funcionalidades?

* Como usuários interagem ao longo do dia?

* O que tá competindo pela atenção do usuário?

* Como a vida vai ser diferente de um usuário de um mês do produto pra um usuário de um ano?

* Como vamos motivar o usuário a ter um algo grau de comprometimento com o produto?

* Como vamos criar momentos de gratificação?

* Como um usuário vai compartilhar a experiência dele com outros?

* Como os usuários vão receber o serviço offline?

* Qual a percepção de responsividade do produto?

Bíblia do desenvolvimento de produtos, por Marty Cagan

– Designer, tal como o dev, deve sempre estar dentro do que tá rolando no produto.

– Devemos implementar uma “cultura de produto”, que é dar relevância pros testes contínuos e rápidos. Entender que vamos cometer erros pra aprender. Devemos mitigar os riscos nesse processo.

– Não existe forma ideal de estruturar uma equipe de produto. Sempre vai otimizar algum ponto em detrimento de outro. Entender que a organização vai mudar com o tempo. 

– Times ficam mais engajados quando têm mais autonomia. Times podem ter mais autonomia quando têm clareza dos objetivos.

– Roadmaps tradicionais de produto são causa de grande desperdício nas organizações. Razões: grande parte de suas ideias vão falhar. Então se apegar a elas é se apegar ao erro. Outra razão é que podem ser tão complexas que vale a pena deixar de lado.

– O problema é que toda vez que você coloca num documento de “roadmap” uma lista com ideias que vão ser construídas ao longo do tempo, pessoas vão se apegar àquilo e querer construir de qualquer forma, ainda que não valha mais a pena.

– Importante é que tenha um product vision. É o “big picture” do que queremos alcançar. Deve estar casado também com os business objectives.

– Product vision não é a missão da empresa. Product vision é como vamos alcançar a missão da empresa. A grande relevância disso é comunicar a visão e inspirar as pessoas a entrarem nesse barco.

– Visão de produto efetiva: começa com o por quê, está ligada a um problema, é ousada, inspira, é flexível nos detalhes, é um salto de fé, evangeliza pessoas dentro e fora da empresa.

– OBESS OVER CUSTOMERS, NOT OVER COMPETITORES. Frase pra termos na parede!!!!!!!!!

– Comunicar sempre a estratégia de produto pra toda a empresa.

– Devemos criar os princípios do produto. Exemplo: Toda vez que houver conflito entre escola (empresa) e pai (agência), escola (empresa) será preponderante. Afinal, é ela nossa fonte de transformação.

– General Patton: “Nunca diga às pessoas como fazer as coisas. Diga a elas o que fazer e elas irão te surpreender com suas engenhosidades.”

– Product Evangelism = selling the dream. É ajudar as pessoas a imaginarem o futuro e inspirarem elas a criar esse futuro. PM e Head de Produto devem estar fazendo isso o tempo todo. É fundamental pra empresa ter missionários, e não mercenários. 

– Objetivo no customer discovery é validar as ideias do jeito mais rápido e barato.

– Uma das lições mais importantes pra produto é se apaixonar pelo problema, e não pela solução. Soluções iniciais não vão resolver o problema, ou não da melhor forma. Vai levar um montão de tentativas até chegar lá. E esse é um dos grandes riscos dos roadmaps de produtos. Eles se apegam a features, e não ao problema.

– Pra lançar um produto, um PM aplicou uma técnica em sua empresa: antes de lançar um produto ou ideia, deve escrever uma carta imaginária de um cliente MUITO satisfeito com aquele produto. A carta hipotética é endereçada ao CEO e explicam por que e como aquele produto/ideia mudou ou melhorou a vida dele.

– Sugestão de livro do autor (ainda não li): https://www.amazon.com.br/User-Story-Mapping-Martin-Fowler/dp/1491904909/ref=tmm_pap_swatch_0?_encoding=UTF8&qid=1545822108&sr=1-1

– Idealmente nas entrevistas com clientes deveriam ir um dev e um designer também. 

– Testes de MVP concierge (amo muito!).

– Cultura ágil: ideia de termos “hack days”. São “hackathons” diretas ou indiretas. Diretas são para resolver problemas já estabelecidos no início da dinâmica (ex: reduzir churn). Indiretas são pra fazer ideias aleatórias. Melhores inovações vêm da própria equipe.

– Equipe deve fazer entrevistas e testes com usuários TODA semana. Pelo menos 3x por semana.

– Todo produto ou toda feature deve ser acompanhada por métricas previamente estabelecidas. Data, data, data!!!

– Ótimo livro que o autor recomenda: https://www.amazon.com.br/Sprint-M%C3%A9todo-Google-Testar-Aplicar/dp/8551001523/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1545822882&sr=1-1&keywords=sprint

– “Defino inovação consistente como a habilidade de um time de repetidamente adicionar valor ao negócio”

O livro Inspired: How To Create Products Customers Lovepode ser comprado aqui: https://www.amazon.com/Inspired-Create-Products-Customers-Love/dp/0981690408/ref=mp_s_a_1_2?crid=2E91JAS78OZP0&keywords=how+to+create+products+customers+love&qid=1557027776&s=gateway&sprefix=how+to+creat+products&sr=8-2

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Nota do blogueiro: Este resumo do livro Inspired: How To Create Products Customers Love (por Marty Cagan), foi escrito e compartilhado por Pedro Concy, um entusiasta do desenvolvimento de produtos, fundador do projeto Estante Mágica, um case fantástico que merece ser conhecido e aplaudido.

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BOBAGEM CULPAR AS CIAS. AÉREAS…

Não tenho, e nem quero ter, procuração para defender nenhuma cia. aérea, e tampouco acho que elas precisem, mas o que está rolando no mercado de transporte aéreo de passageiros no Brasil beira o surrealismo.

Talvez por tantos anos de cultura econômica protecionista (leis de proteção e reserva de mercado dessa ou daquela indústria) e intervencionista (diversos planos econômicos, todos milagrosos), nós, brasileiros, temos uma certa dificuldade em lidar, entender ou aceitar a economia de livre mercado.

Ou, pior ainda, aqui no nosso país, a flutuação de preços de um determinado produto ou serviço só é aceita e defendida quando nos beneficia, seja como consumidor (a oferta está grande e o preço caiu) ou como fornecedor de um produto ou serviço que o preço subiu. Nestes dois únicos casos, somos defensores ardorosos do livre mercado, desde criancinhas, mas em todos os demais casos, achamos um absurdo a empresa tal estar ganhando dinheiro em cima de um desequilíbrio, mesmo que momentâneo, da oferta de seu produto ou serviço no mercado.

A moda agora é culpar Gol, Azul e Latam pelo preço da ponte aérea (e outras rotas) terem subido em relação ao mesmo período do ano passado. Ora bolas, se reduziu a oferta de cias. aéreas fazendo essas rotas, o preço da passagem aérea vai aumentar, nada mais natural, direto e automático do que isso, gostemos ou não !

Definitivamente, a culpa não é dessas cias. aéreas, as quais estão simplesmente reacomodando sua oferta em relação aos espaços (de rotas e de preços) que a Avianca deixou pra trás e, portanto, ganhando algum dinheiro com isso. E isso ocorreria se você, eu ou o Paulo Guedes fosse o presidente de qualquer uma das cias. aéreas citadas…

E elas o fazem através de sofisticados softwares que monitoram, praticamente em tempo real, a procura por determinado trecho, a oferta e a precificação da concorrência, o histórico de sazonalidade e a evolução das reservas e emissão de bilhetes para cada voo em relação à ocupação prevista, entre muitas outras variáveis. Não vão agora me dizer então que a culpa é da tecnologia…

Quem tem que se preocupar (e ser responsabilizado) com o equilíbrio entre oferta e procura de um dado segmento econômico é o governo, que tem delegação da sociedade para regular este e todos os demais mercados, neste caso através da ANAC, do Cade, e demais órgãos responsáveis pela livre concorrência.

Cias. aéreas e redes hoteleiras são empreendimentos intensivos em capital e, ambos, de alto risco devido à sua altíssima volatilidade (assento e apartamento vazios são irrecuperáveis). Assim como a hotelaria tem amargado imensa dificuldade desde a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, também as cias. aéreas vivem no fio da navalha, revezando exercícios com balanço vermelho ou azul e basta um aumento no ICMS do combustível (ou uma redução de um estado em relação a outro), para o jogo mudar completamente…

Não é mercado para desavisados.

Ninguém aumentaria os preços se não houvesse quem pagasse e ninguém pagaria, se não valesse a pena pagar. Isso não é ganância, como insistem alguns, pois as cias. aéreas são empresas privadas, com corpo de acionistas que cobram resultados, num mercado em que as tarifas aéreas flutuam livremente, conforme a demanda. Este processo deve ser chamado de livre concorrência.

Deixemos o mercado se reacomodar naturalmente, pela lei da oferta e da procura e, enquanto isso, cobremos das autoridades mais velocidade na desregulamentação e na captação de novos players para participarem deste nosso jogo doméstico.

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