*Por Joyce Macieri, presidente da Alagev
Receber, pelo segundo ano consecutivo, o reconhecimento entre os 100+ Poderosos do Turismo Panrotas é motivo de muita alegria e, principalmente, de gratidão.
Um prêmio como esse nunca é resultado de uma trajetória individual. Ele carrega as pessoas, os projetos, as parcerias e os aprendizados que fazem parte do caminho.

Por isso, obter novamente essa conquista do Panrotas tem um significado especial, sobretudo em um ano que marca o início de um novo capítulo da minha trajetória à frente da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev).
Em fevereiro deste ano, fui anunciada como presidente da entidade para o biênio 2026-2028. Assumir essa responsabilidade trouxe, naturalmente, muitos desafios, mas também a oportunidade de ampliar um trabalho que já vinha sendo construído por muitas mãos.
Estar diante desta associação representa, antes de tudo, ouvir desde os profissionais, as empresas, os associados e os parceiros e entender quais são as necessidades de um mercado que está em constante transformação.
Os números mostram a dimensão e a importância desse mercado. O Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a ALAGEV, aponta que as viagens corporativas movimentaram R$ 114,1 bilhões de janeiro a julho de 2026, alta de 5,6% em relação ao mesmo período de 2025. Apenas em julho, o setor registrou R$ 11,9 bilhões, novo recorde para o mês. Para o fechamento do ano, a projeção é de R$ 205,6 bilhões, crescimento de 5% e novo recorde para o setor.
É um resultado significativo, principalmente quando consideramos um cenário econômico marcado por juros elevados, inflação, maior cautela das empresas e um ritmo de crescimento mais moderado.
Mas o dado mais importante pode ser justamente o que ele representa. Por trás desses bilhões estão profissionais viajando para encontrar clientes, participar de eventos, visitar operações, fechar negócios, compartilhar conhecimento e fortalecer relações.
As viagens corporativas movimentam uma cadeia ampla, que envolve companhias aéreas, hotéis, agências, empresas de tecnologia, locadoras, espaços de eventos, restaurantes, mobilidade e muitos outros segmentos.
É um ecossistema que precisa estar conectado. E, ao mesmo tempo em que o mercado alcança novos recordes, os desafios também aumentam.
Crescer exige planejamento
A expectativa apresentada no Index 2026 para Viagens e Eventos Corporativos, iniciativa da Alagev que contou com a participação do economista Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, que também recebeu o tributo da Panrotas, é de um crescimento mais moderado para 2027.
Juros, inflação, câmbio, custos dos serviços, combustível, Reforma Tributária e o próprio comportamento da economia estão entre os fatores que precisam entrar no planejamento das empresas.
Isso mostra que definir um orçamento de viagens não pode ser apenas aplicar um percentual sobre o que foi gasto no ano anterior. É preciso acompanhar os indicadores, entender os movimentos do mercado e trabalhar com diferentes cenários.Nesse sentido, acredito que uma das principais contribuições que uma associação pode oferecer ao setor é justamente transformar informação em conhecimento que ajude na tomada de decisão.
O LVC e o Index cumprem um papel importante nesse processo. Eles auxiliam gestores a olhar para os números não apenas como estatísticas, mas como ferramentas para compreender o presente e se preparar para o que vem pela frente.
Uma construção coletiva
Quando penso nos 100+ Poderosos do Turismo, é justamente essa perspectiva que me vem à cabeça.Recebo essa homenagem também como um reconhecimento de um trabalho que é coletivo. Nenhum resultado positivo se consolida sozinho.
Existe uma equipe, associados, parceiros, profissionais do mercado e muitas pessoas que diariamente contribuem para que a Alagev continue cumprindo seu papel.
Acredito que os espaços de liderança precisam ser cada vez mais plurais e abertos à participação de diferentes profissionais e perspectivas. E fico honrada de poder fazer parte desse movimento dentro de um setor tão dinâmico como o Turismo.
Mais do que uma homenagem, portanto, prefiro enxergar esse destaque como um incentivo para continuar ouvindo, aprendendo, aproximando pessoas e trabalhando para fortalecer as viagens e os eventos corporativos no Brasil.
O mercado está crescendo, mas também está mudando. E acompanhar essa transformação exige diálogo, conhecimento e colaboração. E que bom poder fazer esse caminho ao lado de tantas pessoas que acreditam na força e no futuro do nosso setor.
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