Diretório de Hotéis: (um dos) pesadelo(s) do Travel Manager

Não é culpa de nenhum hotel, mas também não é culpa nossa. Quem aí, seja de Compras ou da Gestão direta de Viagens, gasta pelo menos uns 30% de seu tempo gerenciando o Diretório de Hotéis de sua empresa? E quando se trabalha em uma joint-venture, onde são 2 Diretórios? É de chorar.

A categoria de Hotéis dá trabalho de gente grande e envolve muitos interesses. Gerenciá-la requer organização, foco, uma enorme capacidade de coordenação de dados, ótimos contatos nas redes hoteleiras e cada vez mais profissionalismo, tanto do gestor/negociador quanto dos Hoteleiros. Não dá mais pra pedir uma tarifa-acordo pra rede inteira quando sua empresa não utiliza todas as cidades onde a rede tem Hotéis, e não dá mais pra prometer 500 Room Nights pra 5 hotéis na mesma cidade, quando você tem 1.000 room nights por ano naquela cidade (o fornecedor está mais atento e cobrando os 1500 room nights de déficit dessa conta, assim como as Cias Aéreas com seus shares).

Outra ação importante é obter aprovação da área de Segurança, que precisa avaliar em cada estabelecimento as rotas de fuga em caso de incêndio, os sprinklers (aqueles dispositivos no teto que espirram água em caso de incêndio), detectores de fumaça, número seguranças na recepção e na parte externa do prédio, instalações da cozinha, arredores do hotel e tantos outros detalhes. (Gestor, não se esqueça de envolver sua área de segurança para validar o Diretório!).

Financeiramente, precisamos trazer para nossos Diretórios hotéis dentro do rate cap (teto por cidade), tanto para manter o budget sob controle, quanto para efetivamente entregar savings para a Companhia (caso não tenha visto, sugiro ler o post da semana passada aqui deste blog sobre Savings). E se você não tem ainda um rate cap, providencie um imediatamente! Não deixe isto solto.

Além disto tudo, ainda tem os VIPs que precisam de hotéis de mais alto padrão, as secretárias que desenvolvem contatos pessoais com alguns hotéis (vão a almoços, happy hours, jantares) e continuam utilizando os “fora da política” por conta disto, coordenar o carregamento e a auditoria das tarifas no GDS (e quando o hotel é independente, rezar para que o consultor de viagens ou a secretária consultem antes o Diretório e se certifiquem de que aquela é realmente a tarifa negociada), o engajamento dos consultores da TMC com o Diretório (pois eles são metade do sucesso por estarem na ponta com os usuários)…. Não disse que era difícil?

Ah, e tem mais os novos players do mercado, concorrentes do GDS… distribuidores de conteúdo voltados para o corporativo, como HRS (empresa de sourcing e plataforma de conteúdo proveniente da Alemanha), Hotelli (empresa brasileira que traz hotéis com last-minute bookings, ou seja, aquele hotel que está com um apartamento vazio e que o disponibiliza com uma tarifa mais baixa para não ficar com o prejuízo de um apartamento com despesas correndo mas sem receita nenhuma entrando), Skyline (empresa que trabalha com estadias de longa permanência, “key turn” – ou troca de chaves), a Booking.com se integrando com uma grande TMC até o fim de 2015… o Gestor ainda tem de se manter antenado com estas novidades do mercado e se possível, trazê-las para dentro de sua empresa. É complicado, mas os resultados são promissores.

E a dica da semana, atrelada ao tema deste post, é:

Quais informações são importantes de se ter em um Diretório de Hotéis para seus usuários? Para não ser nem muito enxuto, nem muito poluído, sugiro o seguinte:

– Cidade
– Nome do Hotel
– Endereço
– Início da validade da tarifa
– Término da validade da tarifa
– Inclui ISS? S ou N (informar o valor em caso negativo)
– Inclui Taxa de Serviço e Taxa de Turismo? S ou N (informar o valor em caso negativo)
– Inclui café da manhã? S ou N (informar o valor em caso negativo)
– Inclui Wi-fi? S ou N (informar o valor em caso negativo)
– Tarifa Single Standard (ou da segunda melhor categoria dependendo da política de sua empresa)
– Tarifa Double Standard (ou da segunda melhor categoria dependendo da política de sua empresa)
– Política de Cancelamento (de preferência coloque 48 horas para os viajantes mais “desmemoriados”)

P.S: no caso das tarifas, padronize. Não coloque tarifas LRA (last-room availability) para alguns e NLRA (non last-room avilability) para outros… torne a vida do seu leitor mais fácil! Coloque LRA ou NLRA para todos.

Outra dica: divida seu Diretório com a área de Eventos e peça a eles para utilizá-los também! Assim você ganha maior poder de barganha para a próxima negociação… Eventos tem um potencial enorme para ajudar a cumprir metas, não conte apenas com o Corporativo!

Um grande abraço e até semana que vem.

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Fernão Loureiro

Eleito em 2017 um dos 75 Profissionais de Turismo Mais Influentes do Brasil pelo Panrotas, premiado em Boston (EUA) pela Global Business Travel Association (GBTA) com o The Business Travel Service Awards e pelo Instituto Prêmio Caio como Personalidade do Ano (2017) na categoria Clientes. Fernão Loureiro atualmente é o Strategic Travel & Events Manager na Philips América Latina, responsável por 8 países - e com apenas 7 meses de empresa recebeu em 2016 o prêmio Act-Accelerate-Anticipate em Amsterdam, matriz da empresa. No mercado de Viagens e Eventos Corporativos, atua como blogueiro do Panrotas (blog.panrotas.com.br/gestordeviagens), é colunista na revista espanhola TravelManager Redacción (https://revistatravelmanager.es/author/floureiro/) - com reprodução de conteúdo em diversos outros blogs e eventos. Atua ainda como: • Professor visitante no SENAC-SP nos cursos de Turismo e Hospitalidade • Foi Presidente da GBTA Brasil - Global Business Travel Association e Instrutor da GBTA Academy • Conselheiro da HSMAI Brasil - Hospitality Sales & Marketing Association International e Coordenador do Comitê de Viagens Corporativas da mesma • Participante do tradicional grupo de gestores TMG – Travel Managers Group. Formado em Turismo pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Pós-Graduado em Gestão de Negócios em Serviços pela FECAP e com MBA em Gestão Empresarial pela Brazilian Business School, Fernão trabalhou por 6 anos na Carlson Wagonlit Travel, onde iniciou sua carreira como estagiário e durante 1 ano atuou na Austrália; por 1 ano como Gestor de Viagens da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil; e por 2 anos como Comprador LATAM de Viagens, Eventos e Frota na Agrega Intelligent Procurement, uma empresa dos grupos Ambev e Souza Cruz. Ativo participante de debates e palestras, tais como Corporate Travel Forum (HRS), GBTAs 2014 a 2017, LACTE 2016, Connect Meeting GOL 2016, Vila do Saber ABAV 2013, Fóruns de TMCs, Fórum Abracorp 2017, Convenções de Vendas de Redes Hoteleiras como Blue Tree, Arco, Atlantica, BHG, Encontro Nacional de Estudantes de Turismo (ENATUR) na USP e Encontro de Estudantes do IFTO e IFSP.

9 thoughts on “Diretório de Hotéis: (um dos) pesadelo(s) do Travel Manager

  1. Meu caro amigo, mais um post objetivo e completo, Parabéns! Só faltou incluir o AIRBNB que está chegando com força. Será mais uma tarefa do nosso pequeno atarefado dia ou uma solução? Abraço.

    1. Meu amigo Hitalo, obrigado pelo feedback mais uma vez! E obrigado pela dica também, não conhecia esta produto… respondendo sua pergunta, acho que tudo vem pra ser solução, mas acaba contribuindo para aumentar nossos afazeres rsrs. Abraços!

  2. Fernão, parabéns pelo post! Extremamente útil, objetivo e que aborda um tema altamente relevante de uma uma forma tão técnica quanto deveria ser. Forte abraço!

  3. Wender meu caro, muito obrigado pela visita e pelo comentário! 🙂

    Tenho procurado ser realmente objetivo e mexer em alguns vespeiros, falar de coisas realmente do nosso dia-a-dia. Fico feliz de estar conseguindo!

    Abraços
    Fernão.

    1. Mauricio, muito obrigado meu caro!
      Fico muito feliz mesmo de saber que estou contribuindo verdadeiramente e com dicas efetivas.

      Um abraço,
      Fernão

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