Como estão funcionando os hotéis do Rio de Janeiro durante a pandemia

Com a quarentena sendo flexibilizada em todo o país, começaram a surgir nos termos de busca do Hotel Inspectors perguntas sobre a reabertura dos hotéis. E como estão funcionando os hotéis do Rio de Janeiro durante a pandemia? Duas pesquisas recentes mostram que o Rio está entre os destinos mais desejados do país para viagens em um futuro pós-isolamento.

Porém, com uma média de mais de mil pessoas morrendo todo dia no Brasil pela covid-19 (em um total até agora de mais de 87 mil mortes) e curvas de contágio sem sinais significativos de queda, taxas de ocupação da hotelaria urbana no país continuam baixas. Parece pouco provável que o quadro mude enquanto não houver redução importante de novos casos e mortes. Não por acaso a maioria dos hotéis cariocas mais conhecidos continua fechada.

O Rio como destino: expectativa x realidade

Pesquisa da Hoteis.com apresentada semana passada mostra o Rio entre os cinco destinos mais cobiçados do país para viagens futuras. Outra, da Booking, divulgada na primeira quinzena de julho e baseada nas listas de desejos de viagem dos usuários do site de reservas, apresenta o Rio em segundo lugar, atrás de Gramado (RS). Esta é a expectativa.

A realidade é outra. Também deste mês, um estudo do Hotéis Rio, sindicato patronal carioca, mostra que 66 hotéis da cidade continuam fechados, e 56% não têm data prevista de reabertura. O restante pretende retomar as atividades entre agosto e dezembro. Selecionei exemplos emblemáticos em Ipanema e Copacabana, os dois principais bairros turísticos, para mostrar como estão funcionando os hotéis no Rio de Janeiro durante a pandemia.

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Como estão funcionando os hotéis do Rio durante a pandemia: a piscina do Fasano Rio com vista para as Ilhas Cagarras não pode ser usada
Piscina do Fasano e a vista para as Ilhas Cagarras | Foto de Carla Lencastre
Fasano Rio

O Fasano Rio reabriu em 17 de julho e é um dos hotéis do Rio que estão funcionando durante a pandemia. Há mais de uma década em um endereço privilegiado no Arpoador, o trecho da praia entre Ipanema e Copacabana, o Fasano carioca, membro da Leading Hotel of the World, retomou as atividades com ocupação máxima de 50% e a certificação SafeGuard do prestigioso Bureau Veritas. Entre outras medidas, a limpeza segue padrão hospitalar e os quartos ficam 24 horas vazios com janelas abertas. Todos têm a temperatura checada quando entram no hotel. As espreguiçadeiras na área da piscina, uma das mais fotografadas do Rio (acima e no início do texto), podem ser usadas, mas não é permitido entrar na água.

Atualização: No início de agosto o Fasano Rio reabriu a piscina e o spa. Ambos estão funcionando somente para hóspedes.

Leia mais: É seguro usar piscina de hotel durante a pandemia?

O restaurante também está aberto apenas para hóspedes e não voltará como Fasano Al Mare. Em meados de setembro, será a nova filial carioca do Gero (a filial original, também em Ipanema, retorna em outubro como Gero Panini). Já o quiosque Marea, posto avançado no calçadão de Ipanema, está aberto em horário reduzido. Vale lembrar que no momento só é permitido ir às praias cariocas para praticar algum esporte seja na areia ou na água. O outro Fasano no Estado do Rio, em Angra dos Reis, a 200km de distância de Ipanema, reabre em 15 de agosto seguindo as mesmas orientações.

Terraço do Hotel Arpoador com vista para o Morro Dois Irmãos
Terraço do Arpoador e a vista para o Morro Dois Irmãos| Foto de Carla Lencastre
Hotel Arpoador

A menos de 300 metros do Fasano Rio, o charmoso Hotel Arpoador, o único pé na areia na Zona Sul carioca, reinaugurado no verão de 2019 depois de um retrofit, não tem data de reabertura. Enquanto isso, o hotel vende vouchers de diárias para uso até dezembro de 2021 com até 50% de desconto, incluindo pacotes para o próximo Ano Novo e diversas experiências no hotel, como café da manhã no Arp, ótimo restaurante de Roberta Sudbrack, ou yoga no terraço com vista para o mar. O dinheiro arrecado está sendo usado para pagar parte do salário dos funcionários.

Atualização: No início de agosto, o Arpoador anunciou sua reabertura para 1º de setembro.

Leia mais: Como é o Hotel Arpoador, pé na areia no Rio de Janeiro

Piscina do Fairmon Copacabana Rio de Janeiro com vista para o Pão de Açúcar
Uma das duas piscinas do Fairmont Copacabana | Foto de Carla Lencastre
Fairmont Copacabana

Menos de dez minutos de caminhada levam do Arpoador ao Posto 6, onde fica o Fairmont Copacabana. O mais novo hotel de luxo da cidade, inaugurado há menos de um ano, está com reabertura marcada para 1º de setembro com o selo AllSafe, certificação global criada pela AccorHotels também em parceria com o Bureau Veritas. Os protocolos são similares aos do Fasano, como temperatura medida na entrada do hotel e quarto vazio por 24 horas entre um hóspede e outro. Em princípio, as duas piscinas estarão abertas. O bufê de café da manhã no Marine Bistrô será substituído por serviço à la carte, com cardápio por QR Code.

Leia mais: Como é o Fairmont Rio, o primeiro da marca na América do Sul

Piscina do Miramar by Windsor com vista para o Pão de Açúcar
Miramar by Windsor: reabertura em setembro sem piscina | Foto de Carla Lencastre
Miramar by Windsor

Primeiro de setembro também é a data para a qual o elegante Miramar by Windsor, integrante da Preferred Hotels and Resorts no Posto 5, aceita reservas. A piscina no terraço, com vista panorâmica para a Praia de Copacabana e o Pão de Açúcar, em princípio não funcionará.

Leia mais: Hotel carbono neutro, a hospedagem que não deixa pegadas

Emiliano Rio: piscina com vista para o Pão de Açúcar
Emiliano Rio: outra piscina com vista para o Pão de Açúcar | Foto de Carla Lencastre
Emiliano Rio

Também no Posto 5, entre o Fairmont Copacabana e o Miramar, o Emiliano Rio aceita reservas pelo site para a partir de 14 de setembro. O retorno às atividades tem o selo Safe&Clean, lançado este mês pela associação Circuito Elegante. A certificação foi criada por hoteleiros associados, apoiada pela Unilever e auditada pelo onipresente Bureau Veritas.

Leia mais: Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria

Como estão funcionando os hotéis do Rio na pandemia: piscina do Copacabana Palace
A mais famosa da cidade: a piscina do Copa em versão noturna | Foto de Carla Lencastre
Belmond Copacabana Palace

Na outra ponta da Praia de Copacabana a grande dama da hotelaria carioca, o Belmond Copacabana Palace, anunciou a retomada de atividades para 20 de agosto. Mesma data prevista para a reabertura do Belmond Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu.

Leia mais: Como será a hotelaria de luxo na era covid-19

Os pontos turísticos do Rio

Além de saber como estão funcionando os hotéis do Rio durante a pandemia, é importante ressaltar que as principais atrações turísticas do Rio de Janeiro continuam fechadas. Há previsão de reaberturas a partir de agosto, mas ainda sem datas confirmadas. Pão de Açúcar, Corcovado, AquaRio, a roda-gigante Rio Star, nada disso voltou a receber visitantes. Uma exceção é o Jardim Botânico, que retomou as atividades este mês com visitas com hora marcada. Os ingressos devem ser reservados online.

Atualização: No início de agosto o AquaRio anunciou a reabertura para o dia 15 do mesmo mês.

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Vista aérea do Soneva Jani, nas Maldivas

Hotel carbono neutro: quando a hospedagem não deixa pegadas

Um hotel deve ter como meta ser carbono neutro. Até porque quatro meses depois de declarada a pandemia, e passada a surpresa inicial com algumas imagens de recuperação do meio ambiente, está claro o efeito arrasador do novo coronavírus na sustentabilidade. E a preservação do meio ambiente terá cada vez mais importância na retomada da economia.

Resolver como a energia é gerada pode estar além das ações cotidianas. Mas valorizar uma propriedade que se preocupa em mitigar o impacto das emissões de carbono nas mudanças climáticas é algo que todos os viajantes podemos fazer quando for seguro viajar novamente.

Estudo publicado em maio na revista Nature Climate Change mostra que a pandemia diminuiu em 17% no mundo as emissões de carbono, que voltaram ao patamar de 2006. O dado é de abril de 2020 em relação a 2019. O número sem precedentes foi alcançado por conta das restrições à mobilidade e da redução do uso de energia elétrica. Como não reflete alterações estruturais, o efeito nas mudanças climáticas é mínimo. Mas diz muito sobre o quanto ainda precisamos reduzir nossas pegadas de carbono e tentar fazer viagens mais sustentáveis.

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No meu texto anterior, escrevi sobre como já estamos vendo um retrocesso na eliminação do plástico de uso único. Continuar investindo em redução e neutralização de carbono será mais um desafio. Economistas de diferentes escolas de pensamento apontam que a descarbonização do planeta é pilar fundamental para a retomada da economia em geral, viagens incluídas. E, provavelmente, nos próximos anos novas certificações globais serão criadas.

O que é um hotel carbono neutro

Ser carbono neutro não significa que o hotel não tem emissões de carbono. Uma propriedade carbono neutro se preocupa em reduzir pegadas e compensar as restantes. A neutralização pode ser feita com o plantio de árvores ou investindo em fazendas de energia eólica, por exemplo.

Hotéis que levam a sério a diminuição de pegadas de carbono também podem exigir baixas emissões de seus fornecedores. Como já acontece no caso de alguns programas da hotelaria para eliminação do plástico de uso único. O que não quer dizer que seja tarefa fácil: a cadeia de fornecedores é um dos maiores obstáculos para um hotel ser plastic free.

Leia mais: O difícil adeus ao plástico nos hotéis

Bons exemplos de grandes redes

Piscina do Sofitel Dubai The Palm,  hotel da Accor
Sofitel Dubai The Palm: hotel da Accor com energia renovável e baixas emissões de carbono Foto @SofitelDubaiPalm

Entre as grandes redes, a AccorHotels se destaca na neutralização de carbono. O grupo francês pretende que todos os prédios dos quais é proprietária (cerca de 30% de 4.800 hotéis) sejam carbono neutro até o final deste ano. Já todos os novos hotéis e os renovados, inclusive os que são apenas administrados pela rede, serão em construções com baixas emissões de carbono, privilegiando o uso de energia renovável como a solar ou a eólica. Um exemplo de hotel da Accor sustentável e que usa energia renovável atualmente é o Sofitel Dubai The Palm Resort & Spa.

NH Hotels, parte da tailandesa Minor Hotels, é outra rede a se destacar com metas de redução de carbono. No final do ano passado, o grupo NH anunciou que vai diminuir em 20% as pegadas até 2030. O objetivo pode parecer pouco ambicioso, mas a rede espanhola reduz emissões desde 2007. Em 2018, 70% da energia usada em seus 380 hotéis já era renovável.

Nos eventos
Salão de destas no Radisson Cartagena
Casamento no Radisson Cartagena: evento carbono neutro | Foto de divulgação

Desde 2019, o Radisson compensa as pegadas de carbono de todos os eventos em seus mais de 1.100 hotéis pelo mundo. Neutralizar as emissões de carbono de eventos também é o que faz o Aria Resort & Casino, como no Forbes Travel Guide Luxury Summit. Contei neste link como foi a compensação de carbono da conferência do FTG, que levou em conta o transporte dos participantes até Las Vegas, em fevereiro deste ano.

Entrada do Aria Resort & Casino em Las Vegas
Aria: reunião do FTG com emissões de carbono compensadas | Foto de Carla Lencastre

Pequenos grupos e hotéis independentes

O comprometimento de grandes empresas com baixas emissões e neutralização é fundamental para a descarbonização do planeta, mas todos os exemplos são importantes. O Soneva, com dois hotéis (a foto em destaque no início do texto é do Jani) e um iate nas Maldivas e um hotel na Tailândia, tem sólida história de mais de duas décadas de sustentabilidade. Atualmente o Soneva é 100% carbono neutro. O grupo de luxo descarboniza toda a operação, incluindo emissões indiretas como as do voos dos hóspedes.

Outro modelo vindo das Maldivas é o Kudadoo, inaugurado em 2018 e reconhecido ano passado pela revista HD com o Hospitality Design Award na categoria Resort Sustentável. Com apenas 15 villas em uma ilha privativa, o Kudadoo Maldives usa somente energia solar e se preocupa em eliminar outras pegadas de carbono. A água é dessalinizada em uma ilha próxima, reduzindo as emissões do transporte. E é engarrafada em vidro, eliminando a garrafa de plástico de uso único.

Painéis de energia solar no Kudadoo Maldives
Alguns dos 984 painéis de energia solar no Kudadoo Maldives | Foto de divulgação

Um exemplo bem recente chega do México. Foi inaugurado este mês em Playa del Carmen o Palmaïa, The House of Aïa, que nasce com o objetivo de ser carbono neutro em 2021. Para isso, o Palmaïa, membro da Preferred Hotels, anunciou que está instalando painéis de energia solar no resort e em diferentes áreas do país para compensar suas pegadas.

Varanda com vista para o Caribe no Palmaïa, na Riviera Maya
Palmaïa: investimento em energia solar para neutralizar emissões | Foto de divulgação

No Brasil

Afinal, se no mundo ainda não há muitos hotéis independentes ou de pequenos grupos preocupados em compartilhar o que fazem para mitigar as emissões de carbono, nem certificações amplamente reconhecidas, no Brasil a quantidade é ainda menor. Mas há alguns bons exemplos.

Um deles fica no Estado do Rio. É a Pousada Águas de Paratii, que participou do Programa de Carbono Compensado do Lepac, Laboratório de Extensão da Unicamp em Paraty. Assim como o Go Inn, hotel econômico bem localizado no Centro de Manaus, reconhecido pelo Projeto Neutro de Carbono do Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN), organização sem fins lucrativos. Ambos investiram na redução das pegadas (usando energia solar e separando e reciclando o lixo, por exemplo) e compensaram as baixas emissões com o plantio de árvores. Como resultado, são carbono neutro.

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Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria: piscina do Mandarin Oriental Lake Como

Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria

A covid-19 afetará negativamente as metas de redução do plástico de uso único na hotelaria? Pelo menos a curto prazo, sim. A médio ou a longo termo ainda é cedo para dizer, até porque ainda não sabemos o que significa pouco ou muito tempo para o novo coronavírus. Todo ano a Euromonitor International, especializada em pesquisa de mercado, aponta tendências globais de consumo. Para 2020, os “revolucionários da reutilização” (“reuse revolutionaries” no original em inglês) empenhados em encontrar alternativas para produtos de plástico descartável estavam no top 10 de tendências. Era um mundo diferente do atual. Poucos meses depois, com a pandemia, a empresa revisou suas previsões.

Parece que demos um passo atrás na busca por um turismo mais sustentável e os “revolucionários da reutilização” ficaram em segundo plano. Com a covid-19, a prioridade é limpeza, e não redução de plástico descartável na hotelaria. Há propriedades reabrindo com toalhas embaladas em sacos de plástico, assim como controles remoto, talheres, alimentos. Hotéis adicionaram máscaras e luvas descartáveis, em invólucros plásticos, e frascos de álcool gel às amenidades de banheiro. E há os essenciais equipamentos de proteção individual dos funcionários, além de embalagens de produtos de limpeza e desinfetantes usados em quantidades maiores.

Leia mais: O difícil adeus ao plástico nos hotéis

O plástico aumenta a percepção de higiene e passa sensação de segurança sanitária. É barato, leve, fácil de produzir e de limpar. Mas o uso excessivo e o descarte irresponsável poluem os oceanos, matam espécies marinhas, incluindo aves, e fazem mal para a saúde. Reportagens na imprensa europeia anunciaram que conservacionistas franceses recolheram máscaras, luvas descartáveis e frascos de álcool gel no Mediterrâneo. Meio mundo adiante, em Hong Kong, também foram encontradas máscaras no mar. A publicação britânica The Economist destacou que a pandemia de poluição plástica chegou ao Rio Tâmisa, em Londres. Para dar ideia da dimensão do mar de problemas dos plásticos de uso único, as Nações Unidas estimaram, em 2018, que 13 milhões de toneladas de plástico chegam ao mar a cada ano.

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Leia mais: Hotel carbono neutro, hospedagem que não deixa pegadas

Piscina do Mandarin Oriental Lago di Como, reaberto mês passado
Piscina do Mandarin Oriental Lago di Como, reaberto mês passado | Foto de divulgação

Pandemia x ecologia: as metas de redução de plástico na hotelaria

Como já apontamos aqui, os ajustes por conta da covid-19 na hotelaria de luxo serão menores em várias áreas, inclusive no uso de plástico descartável. Amenidades de banho em embalagens de cerâmica ou de plástico em formatos maiores e não descartáveis, água em garrafas de vidro, sacos de lavanderia em tecido, iogurte em copos individuais de vidro, tudo isso já fazia parte da rotina de vários hotéis. Mas há novos desafios a serem enfrentados. A rede asiática Mandarin Oriental se comprometeu, no final do ano passado, a eliminar o plástico de uso único até 2021. Em maio deste ano, o grupo prestou contas do progresso já levando em conta a covid-19.

Por enquanto, a meta está mantida. Mas o grupo MO admite que novos protocolos de limpeza dos hotéis podem vir a atrasar o processo. O plástico descartável em estoque, como garrafas de água e amenidades de banheiro, vai demorar mais a acabar. A rede também ressalva que está enfrentando dificuldades em convencer fornecedores a mudar procedimentos.

Six Senses Con Dao, no Vietnã: alimentos em embalagens sustentáveis
Six Senses Con Dao, no Vietnã: alimentos em embalagens sustentáveis | Foto de divulgação

as dificuldades no caminho

O uso de plástico pela cadeia de fornecedores é um obstáculo que havia sido destacado, antes da pandemia, pela reconhecidamente sustentável rede Six Senses. Six Senses, que aboliu as garrafas de plástico na década de 1990, tem o ambicioso objetivo de ser plastic free em 2022.

Para uma propriedade que nasce com a preocupação de ser sustentável, talvez seja mais simples manter distância do plástico. Um hotel inaugurado este mês na Riviera Maya, Palmaïa, The House of Aïa, parte da coleção L.V.X. da Preferred Hotels, anunciou que não terá amenidades de banheiro em embalagens descartáveis nem garrafas de plástico na propriedade.

Leia mais: Cinco inovações que vão mudar a hotelaria

Covid-19 na hotelaria: banheiro sem amenidades em plástico no novo Palmaïa
Banheiro sem amenidades em plástico no novo Palmaïa | Foto de divulgação

O que as redes hoteleiras podem fazer agora

Não há comprovação de que uma garrafa de água de plástico seja mais segura em relação ao novo coronavírus do que uma de vidro. Mas redes hoteleiras realmente comprometidas com o meio ambiente podem se ver obrigadas a aumentar o consumo de plástico de uso único. Na situação excepcional de uma pandemia, ambientalistas dizem que uma das soluções a curto prazo é os hotéis se preocuparem cada vez mais com o descarte correto. EPIs devem ser incinerados. Frascos de álcool podem ser reciclados, ainda que custe mais caro reciclar plástico do que comprar um novo. Consumidores conscientes podem levar a própria garrafa de água e produtos de higiene em embalagens recicladas ou recicláveis. E, na hora de escolher onde gastar o dinheiro, priorizar hotéis que levam a sério a sustentabilidade.

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Hotel em tempos de pandemia de covid-19: piscina do Six Senses Con Dao Vietnam

É seguro usar piscina de hotel durante a pandemia de covid-19?

Nas últimas duas semanas, apareceram algumas vezes nos termos de pesquisa do Hotel Inspectors buscas sobre piscina de hotel e pousada em tempos de pandemia de covid-19. A pergunta do título não tem resposta simples. Não há evidências de que o novo coronavírus sobreviva em água com cloro, tratada segundo padrões químicos adequados. Mas as pessoas ao redor podem ser um problema. Aglomerações dentro da piscina do hotel na pandemia de covid-19 e fora dela oferecem os mesmos riscos de transmissão do vírus. Assim como nadar perto de alguém na água clorada. Ou seja, é importante manter o distanciamento social também dentro da piscina.

Em tempos incertos para o turismo, há condutas distintas anunciadas por hotéis e pousadas que estão reabrindo. Tanto no Brasil, onde os números de casos e de mortes aumentam a cada dia e ainda não é seguro viajar, quanto em países da Europa, que conseguiram conter o vírus. Em algumas propriedades, piscinas e spas voltarão a funcionar somente em uma próxima fase. Como no Botanique, na Serra da Mantiqueira. O hotel, com 18 acomodações, reabriu este mês com ocupação reduzida e seguindo seus novos próprios protocolos de limpeza, com 135 tópicos. Mas mantém fechados spa, piscina e academia de ginástica (assim como o restaurante, funcionando apenas para serviço de quarto).

Leia mais: Como estão funcionando os hotéis do Rio de Janeiro na pandemia

Nos hotéis com acesso liberado à piscina, espreguiçadeiras podem ser um problema, ainda que sejam afastadas umas das outras e limpas após o uso. O Marbella Club, hotel de luxo no glamouroso balneário da Costa do Sol espanhola, adotou a política de reservar um lugar fixo ao sol para cada hóspede. Na reabertura, em 2 de julho, cada espreguiçadeira de frente para o Mar Mediterrâneo será usada por um único hóspede por dia.

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Leia mais: Como será a hotelaria de luxo na era covid-19

É seguro fazer massagem no spa em tempos de covid-19?

Piscina hotel pandemia covid-19: yoga na praia no Six Senses Con Dao, no Vietnã
Yoga na praia no Six Senses Con Dao, no Vietnã | Foto de divulgação

Viajantes mais ansiosos não estão procurando apenas piscina de hotel na pandemia de covid-19. E sim bem-estar de um modo geral, uma das palavras-chaves mais buscadas atualmente. Academias de ginástica, quando abertas, já sabemos que são com hora marcada, com um hóspede de cada vez, desinfecção entre um uso e outro, e banheiros e vestiários fechados. Muitos hotéis estão adotando o mesmo protocolo em relação a saunas, ainda que não haja comprovação que o novo coronavírus suporte altas temperaturas, e a spas. Tratamentos corporais, em vez de faciais, e sem toques com as mãos ganham destaque, assim como aulas de yoga ou alongamento individuais ou com grupos reduzidos e, sempre que possível, ao ar livre.  

Leia mais: Como é um spa cinco estrelas na lista do Forbes Travel Guide

Piscina hotel pandemia covid-19: cabana de spa ao ar livre e com vista para o Caribe no Four Seasons Anguilla
Cabana de spa ao ar livre e com vista para o Caribe no FS Anguilla | Foto de divulgação

Como analisei neste outro texto (clique para ler), a hotelaria de luxo é a que terá que fazer menos ajustes na era covid-19, porque sempre priorizou bem-estar, espaço e privacidade, independentemente da pandemia. Há muitos quartos, suítes e villas com jacuzzi e piscinas privativas, e áreas amplas. Os tratamentos do spa podem ser na acomodação ou ao ar livre. É o caso do caribenho Four Seasons Anguilla, com reabertura em 22 de outubro.

Leia mais: O que vai mudar na limpeza dos hotéis

Ainda não passou, mas vai passar: um exemplo otimista na Ásia

Hotel pandemia covid-19: Piscina do Six Senses Ninh Van Bay, no Vietnã
Piscina do Six Senses Ninh Van Bay, no Vietnã | Foto de divulgação

Uma declaração do COO do grupo Six Senses, Guy Heywood, sobre as adaptações dos hotéis na Ásia, continente semanas à frente na contenção do vírus, me chamou a atenção em uma reportagem deste mês da revista britânica Condé Nast Traveller. A rede Six Senses, que sempre foi voltada para o bem-estar, reabriu seus dois hotéis no Vietnã, país que conseguiu conter o vírus. Heywood conta que se surpreendeu com os hóspedes pouco preocupados com protocolos de higiene: “Podemos dizer que quem está preocupado ainda não está viajando. Estamos operando com 100% de ocupação e surpresos com a tranquilidade. As pessoas chegam de máscara, mas tiram assim que entram no resort e parecem felizes nas piscinas”.

Leia mais: O difícil adeus ao plástico nos hotéis

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Quarto com piscina no Six Senses Shaharut, em Israel

Como será a hotelaria de luxo na era covid-19

Junho chegou, e a reabertura de hotéis de luxo na Europa e nos Estados Unidos se torna mais frequente. Já dá para visualizar algumas mudanças neste setor. Ou não. Na realidade, por razões diversas, a hotelaria de luxo na era covid-19 não será muito diferente. Claro que protocolos de limpeza foram modificados, e todas as redes já criaram os seus. Esta semana a associação de hotéis de luxo independentes Leading Hotels of the World anunciou o programa Health Stays. O Baccarat Hotel, em Nova York, foi além e criou o cargo de Diretor de Saúde e Segurança Ambiental. Grandes grupos e pequenas propriedades terão que fazer ajustes em função da segurança sanitária para funcionários e hóspedes. Mas o maior impacto para a hotelaria de luxo, principalmente no Brasil e para os hoteleiros independentes, será mesmo o econômico.

Hotelaria de luxo na era covid-19: fachada do hotel Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro
Copacabana Palace, Rio de Janeiro: reabertura em agosto | Foto de Carla Lencastre

No início de junho, a pesquisa “Recuperação da hotelaria urbana no Brasil”, realizada pela HotelInvest em parceria com Omnibees, STR e FOHB, e lançada pela Panrotas, indicou que o setor será o último segmento da hotelaria a sair da crise. Somente lá para 2023, em um cenário otimista. O levantamento, que não considerou resorts, faz a ressalva de que hotéis de luxo voltados para o lazer no Rio de Janeiro e em capitais do Nordeste podem ter recuperação menos lenta. O Rio começou a promover o relaxamento do isolamento, e teoricamente os hotéis podem funcionar. Mas a situação na cidade continua crítica e ícones da hotelaria, como o Belmond Copacabana Palace, seguem fechados. Os poucos hotéis abertos recebem profissionais da área de saúde e pessoas que necessitam de um local para se isolar.

Piscina do Memmo Baleeira, no Algarve
Memmo Baleeira, Algarve: reabertura em junho | Foto @MemmoBaleeira

Na Europa, neste momento a prioridade da hotelaria de luxo na era covid-19 é salvar as férias de verão com o turismo interno, até porque a maioria dos países ainda está com restrições nas fronteiras. Para citar um que lidou bem com a crise, em Portugal as primeiras notícias de reabertura de hotéis independentes de luxo ou lifestyle, todos com a certificação nacional Clean&Safe, são no litoral, como o Sublime Comporta, a pouco mais de uma hora de Lisboa. O Memmo Hotels, com duas propriedades na capital e uma no Algarve, reabre primeiro o Baleeira, no litoral, em 6 junho. Também no Algarve será reaberto no dia 19 o Vila Vita Parc.

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Leia mais: É seguro usar a piscina do hotel durante a pandemia de covid-19?

Hotelaria de luxo na era covid-19: piscina em um dos quartos do novo Six Senses Shaharut, no Deserto de Negev, em Israel
Six Senses Shaharut, no Deserto de Negev: inauguração em setembro | Foto de divulgação/Assaf Pinchuk

Enquanto os independentes se preocupam com o verão no Hemisfério Norte, redes seguem expandindo as marcas da hotelaria de luxo na era covid-19. Depois do Regent Shanghai Pudong, ex-Four Seasons que trocou de bandeira em plena pandemia, o grupo britânico IHG confirmou para este ano a inauguração do Regent Phu Quoc, no Vietnã. E anunciou um InterContinental em Roma em 2022. Também parte do IHG, Six Senses chega em dezembro a Israel (Shaharut, no Deserto de Negev, foto de uma das suítes no topo do texto) e anunciou, no início da pandemia, um hotel em Roma para 2021, entre outros já previstos.

Leia mais: Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria

O que pode mudar na hotelaria de luxo na era covid-19, além dos protocolos de limpeza

A seguir, listamos algumas novidades que já estão sendo postas em prática.

Serviço

Item de luxo essencial que terá que ser ajustado sem perder a graça. Principalmente em hotéis butique nos quais serviço caloroso é característica importante. Check-in virtual não é comum neste segmento, mas muitas vezes a operação já era realizada em uma área exclusiva para garantir privacidade. No Rosewood Little Dix, nas Ilhas Virgens Britânicas, hóspedes que chegarem pelo mar farão check-in na embarcação.

Há serviços que hotéis de alto padrão continuarão oferecendo, entre eles levar a mala até o quarto e o de abertura de cama. O hóspede decide se quer ou não, como já acontecia antes. A apresentação do quarto pode ser substituída por um telefonema. Hotéis de rede podem investir em tours virtuais para mostrar as amenidades dos quartos, apps para contato em tempo real e até robôs para atender a alguns pedidos de room service.

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Alimentos & bebidas

A maioria dos hotéis de luxo já oferecia serviço à la carte, mesmo quando havia também um bufê. Este será outro ajuste relativamente simples. Assim como o dos minibares, que podem ser abastecidos sob demanda, quando e se o hóspede quiser, como anunciou o novo 1 Hotel West Hollywood, em Los Angeles. Já no hotel boutique Esencia, na Riviera Maya, uma novidade para a reabertura em 10 de junho é o menu digital do restaurante. O hóspede pode fazer o pedido pelo próprio celular.

O Esencia faz parte do Forbes Travel Guide. O guia fez uma extensa lista de hotéis de luxo que estão abertos ou vão reabrir nos próximos meses. O único representante brasileiro (na lista atualizada em 16 de julho) é o Belmond Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu, com reabertura está prevista para 20 de agosto. Mesma data do Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Design

Em hotéis de luxo, espaço e distanciamento social sempre foram importantes. A maioria das propriedades não terá que fazer grandes mudanças no desenho das áreas comuns. Mas marcar hora para usar a academia de ginástica ou ir ao restaurante passa a ser recomendável ou mesmo obrigatório. A decoração de quartos e suítes está sendo repensada aqui e ali, com objetos menos fáceis de serem limpos deixados de lado. O menu de tratamentos do spa, por exemplo, pode ser acessado por QR code. É mais uma novidade no Hotel Esencia, em Tulum.

Leia mais: O que vai mudar na limpeza dos hotéis com o novo coranavírus

Há um ponto de convergência entre os mais luxuosos e os mais econômicos: serão poucos os ajustes nos desenhos de quartos e áreas comuns. Nos hotéis de luxo, não falta espaço; nos econômicos modernos, como os operados sob a bandeira da Wyndham, menos é mais. Estas propriedades privilegiam, nos últimos anos, um design minimalista e funcional. O que facilita muito alcançar a limpeza almejada na hotelaria na era covid-19.  

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