Fachada do Park MGM em Las Vegas

Como é se hospedar no Park MGM, o mais novo hotel de Las Vegas

Acabei de chegar de Las Vegas, onde participei da Wyndham Global Conference, sobre a qual ainda vou escrever aqui. Quando a convenção terminou, fiquei mais uns dias e, na hora de escolher o hotel, apostei na novidade, o Park MGM. Parte do grupo MGM Resorts, com uma dezena de outras propriedades na cidade, o Park MGM não é um hotel de luxo. Mas é bem localizado; tem boas opções gastronômicas, incluindo um Eataly, e os quartos são bonitos e confortáveis. Ótima relação custo x benefício.

Localização. O Park MGM é o antigo Monte Carlo, que aos 22 anos passou por dois anos de reforma em um rebranding de US$ 500 milhões. O novo nome do resort de três mil quartos foi adotado em maio de 2018, mas as obras só foram concluídas no final do ano. A boa localização continua a mesma: na porção Sul da Strip, como é conhecido o Las Vegas Boulevard, separado do New York New York por uma nova e bem-vinda área verde, The Park. O parque invade o lobby em mármore do hotel com uma escultura de galhos de árvores que se espalha pelo teto e se mistura aos lustres originais do Monte Carlo. Em vez de balcão de check-in, há diversas máquinas de autoatendimento e funcionários estão por ali para qualquer dificuldade. Os pisos superiores da construção de 32 andares são ocupados pelos 292 quartos do NoMad Las Vegas. Um trem, que já existia, liga o Park MGM ao Aria (meu favorito, com ótima coleção de restaurantes), ao lindo centro comercial de luxo The Shops at Crystals e ao clássico Bellagio e suas fontes dançantes. O percurso também pode ser feito a pé. Entre o Park MGM e o Bellagio, ficam ainda o Waldford Astoria (ex-Mandarin Oriental), o Vdara e o Cosmopolitan, este também com bons bares e restaurantes.

Quarto do novo Park MGM Las Vegas | Foto de Carla Lencastre

Quartos. Vencido o longo corredor, um clássico de Vegas, o quarto bonito e espaçoso lembrava mais o de um charmoso hotel boutique em uma metrópole, e não em um cassino gigante no meio do deserto. O meu era em agradáveis tons fechados de verde (a cor predominante no hotel), mas vi que há também versões em vermelho. Ao longo da janela, fica a área de estar, com sofá com almofadas em veludo, poltrona estofada e mesa oval em madeira, tudo com um ar vintage, acolhedor e confortável. Nas paredes, desenhos e fotografias, que são diferentes em cada quarto. O banheiro é prático, com chuveiro walk-in, sem banheira ou roupão. O Wi-Fi funcionou perfeitamente e há tomadas e entradas USB em diferentes locais do quarto. No 12º andar, eu tinha vista para parte das piscinas, os hotéis vizinhos e as montanhas do deserto, com direito ao pôr do sol. Pena que os vidros sujos impediam qualquer foto mais ambiciosa. O quarto não tem frigobar. Quando estava pesquisando sobre o hotel, antes de reservar, reparei que isso incomoda muita gente. Não é o meu caso, mas fica a ressalva. Também não há cafeteira. Água na temperatura ambiente e snacks estão à disposição em uma bandeja que funciona no esquema pegou-pagou. Há um balde de gelo que pode ser abastecido na máquina perto dos elevadores.

A entrada do novo Eataly Las Vegas, no Park MGM | Foto de Carla Lencastre

Gastronomia. Um dos pontos altos do Park MGM. São muitas as novas opções: Primrose, opção para o café da manhã, com um terraço ao ar livre voltado para a área das piscinas; Bavette’s, steakhouse de Chicago; Juniper Cocktail Lounge, especializado em gim, com bons drinques e aberto para o cassino; a mezcaleria Mama Rabbit; o coreano Best Friend by Roy Choi, e o NoMad, restaurante e bar, entre outros, em diferentes faixas de preço. A novidade mais impressionante é, sem dúvida, o novo Eataly Las Vegas, aberto há menos de um ano. São dois restaurantes e numerosos bares, com diferentes comes e bebes, de bar de cannoli a bar de negroni. Dá para passar uma semana no Park MGM sem repetir restaurante.

Serviços. O Park MGM tem spa e quatro piscinas, uma delas somente para adultos e outra exclusiva para os hóspedes do NoMad Las Vegas. O cassino está renovado, com alguns bons detalhes do Monte Carlo preservados, como lustres e vitrais. A transformação do Monte Carlo em Park MGM começou em dezembro de 2016, quando foi inaugurado o Park Theater, que tem 5.200 lugares e Lady Gaga como residente pelos próximos meses. Entre a Haus of Gaga e o New York New York Hotel fica o novo The Park, rara área verde ao ar livre com bares e restaurantes. Em abril de 2016, foi inaugurado no “bairro” a T-Mobile Arena, palco de shows e competições esportivas com capacidade para 20 mil pessoas. Fica em frente ao Park MGM.

Leia mais

Outras novidades nos hotéis de Las Vegas

Um hotel que é oásis de luxo no Vale da Morte, a duas horas de Las Vegas

Como é se hospedar no Andaz West Hollywood, em Los Angeles

Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel

Hall dos elevadores do Mandarin Oriental Hyde Park London

Como é se hospedar no renovado Mandarin Oriental Hyde Park, em Londres

Welcome, Ms. Lencastre, me disse o porteiro assim que abriu a porta do táxi na entrada do Mandarin Oriental Hyde Park London. Reconhecimento facial pelos funcionários é um luxo da hotelaria que sempre me impressiona e não poderia ter começado melhor minha hospedagem no Molon.

O hotel pegou fogo em junho do ano passado, logo depois de o prédio centenário ter passado, ao longo de dois anos, pela maior renovação da sua histórica. O jeito foi, como diz o clichê, renascer das cinzas. E que renascimento. Mês passado, a gerente geral do hotel, Amanda Hyndman, que assumira a função poucos dias antes do incêndio, foi escolhida a hoteleira do ano pela associação de viagens de luxo Virtuoso.

Depois de seis meses fechado, no final de 2018 o Molon reinaugurou seus três restaurantes, o bar e o spa. A reabertura para hóspedes foi em 15 de abril deste ano. Fiz check-in dias depois, a convite do VisitBritain, órgão de promoção do turismo britânico. A seguir, alguns destaques da hospedagem.

Localização

Um dos hotéis mais luxuosos de uma cidade repleta de estabelecimentos de primeira, o Mandarin Oriental Hyde Park London fica no elegante bairro de Knightsbridge, em frente à loja de departamentos Harvey Nichols e perto da Harrods e do V&A Museum. A melhor maneira de se locomover por Londres é de metrô, e a estação de Knightsbridge está na calçada em frente, a cem metros. A entrada do hotel leva ao lobby com mármores em diferentes cores, colunas e imenso lustre de cristal que lembra uma flor aberta.

A outra fachada é voltada para o parque, como o nome do hotel indica, onde há uma entrada usada apenas pela Família Real e convidados especiais, geralmente chefes de Estado. A rainha Elizabeth II e sua irmã, princesa Margaret, tiveram aulas de dança no ballroom, na primeira metade do século 20. O prédio em estilo eduardiano é de 1889. Funciona como hotel há 117 anos, e como Mandarin Oriental desde o ano 2000.

Quartos

O novo design dos 181 quartos é assinado por Joyce Wang, que vive entre Londres e Hong Kong. A ideia foi “trazer o parque para dentro do hotel”, e há muitas referências a folhagens, patos e cavalos, inclusive na bela curadoria de obras de arte moderna distribuídas por toda a propriedade. O mobiliário tem referências art déco e o resultado é sofisticado e acolhedor.

A espaçosa suíte onde me hospedei, voltada para a Knightsbridge, era silenciosa, com sala, quarto e dois banheiros em mármore, um deles com banheira, ambos com vasos sanitários japoneses, com aquecimento. No quarto, há mesa, poltrona e tomadas e entradas USB por toda a parte. Na sala, sofá, poltrona, mesa de centro, mesa de trabalho, estante com livros interessantes e um bonito armário com frigobar e máquina de café expresso. Menção especial para as lindas luminárias em todos os ambientes.

A água mineral vem da fonte do Blenheim Palace, palácio onde nasceu Winston Churchill a cerca de cem quilômetros a noroeste de Londres. O primeiro-ministro britânico foi um dos muitos hóspedes ilustres do hotel, e é homenageado também na carta de drinques do bar.

Gastronomia

O Molon é o endereço do Dinner, restaurante do chef britânico Heston Blumenthal, com duas estrelas Michelin. E, também, do sempre bom Bar Boulud, menos formal, do chef francês radicado em Nova York Daniel Boulud. Como bom hotel inglês, tem um concorrido afternoon tea com champanhe servido no bonito Rosebery, um salão de chá que funciona desde 1920, e um bar com drinques inspirados na história e na localização do prédio. O café da manhã, com bufê e serviço à la carte, é servido salão do restaurante de Blumenthal, com janelões voltados para o Hyde Park. O Bar Boulud tem entrada independente pela rua. O novo décor do bar, os restaurantes e do spa no subsolo, com piscina de 17 metros de extensão e 13 salas de tratamento, é assinado pelo designer nova-iorquino Adam D. Tihany.

Serviço

Impecável, como se espera em um hotel deste porte. Do reconhecimento na chegada aos pequenos detalhes, como um pequeno prendedor em velcro para manter enrolados os fios dos eletrônicos espalhados pelo quarto. Funcionários gentilíssimos em todas as áreas.

Leia mais

Como é se hospedar no La Réserve, o melhor hotel de Paris

Como será o primeiro Mandarin Oriental da América Latina, em Santiago

The Beaumont, joia da hotelaria londrina

A nova carta do Gong Bar, no Shangri-La Hotel at The Shard London

O melhor bar de hotel do mundo: American Bar, no Savoy, em Londres 

Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel

Fachada da pousada Solar da Ponte, em Tiradentes, Minas Gerais

Onde ficar em Tiradentes, Minas Gerais

A mais charmosa das cidades históricas mineiras é também uma das mais cuidadas e preservadas. Foi uma alegria reencontrar Tiradentes tão bem, semana passada, depois de alguns anos sem visitá-la. Com fiação subterrânea e emoldurada pelo paredão da Serra de São José, o encantador Centro Histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) proporciona uma viagem a um passado bucólico combinada com a infraestrutura do presente. A sete horas de carro de São Paulo, cinco do Rio de Janeiro e três de Belo Horizonte, é programa para mínimo de três ou quatro dias.

Por mais fascinante que seja Tiradentes, a cidade de 300 anos e com pouco mais de sete mil habitantes sofre com a queda de demanda no quente verão. Como o turismo é sua principal fonte de renda, empresários e artistas locais organizaram o grupo Tiradentes Mais para promover a cidade, garantir a qualidade do serviço e criar festivais durante a baixa temporada. Reunindo hoje mais de 50 empreendimentos locais, o grupo está programando um calendário de eventos natalinos, que deve começar em novembro.

A convite do Tiradentes Mais, me hospedei no pioneiro Solar da Ponte, membro do Roteiros de Charme, e aproveitei para visitar outras pousadas mais novas que não conhecia. Não há um número oficial, mas o grupo estima que Tiradentes e arredores reúnam mais de 200 tipos de hospedagens, de casa de família a resort. Quinze delas fazem parte do Tiradentes Mais.

Gostei muito da Armazém 26, comandada por três irmãs da vizinha São João del-Rei, que se revezam na administração com muita simpatia. Na entrada da cidade, a pousada tem 26 quartos e decoração “Minas chic” que combina objetos contemporâneos e peças que vieram da antiga tecelagem da família.

Outro endereço que me chamou a atenção foi o Solar da Serra. Este fica um pouco mais afastado do Centro, mas tem a melhor vista da cidade para a belíssima Serra de São José. A inspector Mari Campos se hospedou lá recentemente e conta mais aqui.

Serra de São José Vista da piscina da pousada Solar da Serra, em Tiradentes, Minas Gerais
Solar da Serra: a vista compensa a distância do Centro | Foto de Carla Lencastre

Na categoria low profile, achei interessante a Pousada do Largo, com localização central. Com apenas sete quartos, é da mesma família da Pequena Tiradentes, na entrada da cidade, que tem uma grande loja de móveis e objetos de decoração, 61 quartos, piscina ao ar livre, piscina aquecida e jacuzzi cobertas, sauna e as autoproclamadas melhores balas de coco de Tiradentes (são mesmo boas). Os hóspedes da Pousada do Largo podem ser levados de carro até a Pequena Tiradentes para tomar café da manhã, um dos mais fartos da região.

Leia mais: o patrimônio das pousadas brasileiras

O pioneiro Solar da Ponte (foto no alto do post), aberto em 1972, época em que Tiradentes carecia de infraestrutura turística, é um dos fundadores da associação brasileira Roteiros de Charme. Fica na melhor localização da cidade para quem prefere dispensar o carro e gosta de estar perto das principais atrações. Tiradentes é segura inclusive à noite, quando luzes amareladas iluminam as ruas com calçamento pé-de-moleque. Uma pequena ponte sobre um córrego separa o belíssimo e silencioso casarão do século 18 do movimento de lojas, cafés, bares e restaurantes do Centro.

Dividi minha hospedagem em dois dos 18 quartos. Ambos ficavam no térreo, eram decorados com móveis em madeira, tinham amenidades Natura e um hall de entrada com minibar abastecido com águas, cervejas e refrigerantes. Um dos quartos era perfeito para uma pequena família, com uma cama extra, mesa redonda com cadeiras, duas poltronas, e espaçoso banheiro com uma linda banheira em pedra-sabão. O outro quarto era mais romântico, com delicada pintura no forro. Os dois eram voltados para áreas diferentes do jardim interno, ambos silenciosos e indevassáveis graças à vegetação. O Wi-Fi funcionou bem nos quartos, mas não nas áreas comuns.

Piscina do Solar da Ponte e um dos muitos ipês-amarelos da cidade | Foto de Carla Lencastre

No jardim, o Solar da Ponte tem uma piscina ao ar livre e sem aquecimento, sauna e um salão com cozinha gourmet para pequenos eventos. Na casa principal, além dos quartos, há salas bonitas e confortáveis para uso dos hóspedes e um triste bar desativado. De um modo geral, a elegante decoração mostra sinais do tempo e está um pouco envelhecida aqui e ali.

O café da manhã é servido em um amplo salão no segundo andar com janelas voltadas para o verde. O bufê tem sucos, frutas, cereais, queijos, frios e vários itens feitos na casa, como pão de queijo, iogurte, geleias, broas e bolos variados, incluindo um inesquecível de gengibre. Os utensílios são da grife mineira de objetos em estanho John Somers, de São João del-Rei. Há máquina de café expresso e alguns itens são preparados na hora, como ovos e café coado. No mesmo salão, é servido um chá no final da tarde, incluído em todas as diárias.

Leia mais sobre outros hotéis no Brasil

O assunto deste blog é hotelaria, mas vale registrar que Tiradentes também está repleta de novidades na área de gastronomia. Anote os nomes do mineiro-chique Angatu, com menu degustação harmonizado com vinhos mineiros; do mineiro-tailandês Uathai; do mineiro-caseiro Empório Santo Antônio; do mineiro-contemporâneo Pacco & Bacco, e do ítalo-mineiro Gourmeco. Cervejas e chope artesanal estão no LuTh Bistrô e no Barouk.

Para compras, destaco os queijos divinos da Ouro Canastra Q’jaria; as maçãs carameladas e os objetos de decoração do café e loja Jane’s Apple; as almofadas e os colares de Daniela Karam; as fragrâncias da Ligno Vitaee, e, um pouco fora do Centro, as peças em cerâmica do RM, ateliê do simpático e talentoso casal Rose Valderde e Maurilio Souza. A Marcas Mineiras, em frente ao Solar da Ponte, tem um café lindo e gostoso em meio a um jardim e um pouco de tudo nas prateleiras, incluindo os incríveis cristais de Poços de Caldas Cá d’Oro (que também podem ser encontrados, em menor variedade, na nova loja conceito da H Stern no Fairmont Rio de Janeiro Copacabana). Tudo testado e aprovado durante uma deliciosa semana mineira.

Como é o novo Fairmont Rio, o primeiro da marca na América do Sul

Como é o Selina Rio, o primeiro hotel da rede no Brasil

Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel.

Torre Eiffel vista do La Réserve Apartments Paris

Como é se hospedar no La Réserve, o melhor hotel de Paris

A revista americana Travel+Leisure anunciou mês passado sua esperada lista anual dos 100 melhores hotéis do mundo. Este World’s Best Awards 2019 apresenta também rankings locais com os dez melhores hotéis de diversos destinos. Dois dos dez melhores de Paris foram considerados bons o suficiente para estarem também no ranking dos cem melhores do mundo: La Réserve Paris Hotel and Spa, em 55º lugar global (o sexto europeu mais bem classificado), e Le Meurice, da Dorchester Collection, em 89º lugar. Aos leitores da prestigiada publicação, a T+L pede que avaliem quesitos como serviço, localização e gastronomia, entre outros.

Aberto há apenas quatro anos e parte da associação Leading Hotels of the World, o reconhecimento do La Réserve chama a atenção. Principalmente se levarmos em conta as muitas boas opções na hotelaria de luxo em Paris. Para citar apenas outras menções mais recentes, ainda em julho, a publicação britânica Condé Nast Traveller incluiu o La Réserve no seu top 10 de “hotéis mais sensacionais de Paris”. Na semana passada o restaurante Le Gabriel, com duas estrelas Michelin, ganhou o prêmio Best of the Best 2019 de “melhor experiência gastronômica”, anunciado durante a Virtuoso Travel Week, em Las Vegas.

Grupo La Réserve inaugura nova propriedade na França

Leela Palace New Delhi: terceiro melhor hotel urbano da Ásia na lista da T+L

Gastronomia, localização e serviço se destacam no La Réserve Paris

Estive no La Réserve pela segunda vez em março deste ano, a convite do hotel. A gastronomia, a localização e a qualidade do serviço de fato são pontos de destaque. O endereço é elegante desde o século 19, na Avenue Gabriel, em frente ao Grand Palais, ao lado da Champs-Elysées e do Palais de l’Elysée (sede da República francesa) e perto das lojas de grife da Rue du Faubourg Saint-Honoré. Neste acolhedor hotel boutique com jeito de palácio, a decoração assinada pelo designer parisiense Jacques Garcia é intimista nas 40 acomodações (várias com vistas para cartões-postais da cidade; 25 suítes e 15 quartos a partir de 40 metros quadrados) e suntuosa nas áreas comuns. Meu ambiente preferido é a confortável biblioteca em tons de verde escuro, que tem ainda um bar secreto apenas para hóspedes.

Outro ponto alto deste belo hotel fica no subsolo: a piscina de 16 metros de extensão, com água aquecida, aberta 24 horas. É só chegar para nadar que as cortinas da parede de vidro que separa a piscina do restante do spa são fechadas, garantindo privacidade. Ao redor estão apenas três salas de tratamentos personalizados de rejuvenescimento com produtos suíços.

A brasserie comandada por Jérôme Banctel, chef do Le Gabriel | Foto de Carla Lencastre

As mesas da brasserie Le Pagode des Cos, voltadas para um jardim interno, são disputadas no almoço. O cardápio tem a assinatura do chef Jérôme Banctel, que conquistou as estrelas Michelin para o Le Gabriel em seu primeiro ano. Ter liberdade de pedir café da manhã no horário em que der vontade é um dos maiores luxos da hotelaria. No caso do La Réserve, o Pagode des Cos muda o menu para o almoço. Mas quem acorda mais tarde pode ser servido no próprio quarto, bien sûr, ou no bar, tranquilo durante o dia. Conforme as horas passam, é lugar para um drinque autoral ou clássico.

Quartos e suítes são decorados em estilo Haussmann com confortos tecnológicos, como iPad para controle de temperatura e iluminação. Do balcão da minha suíte via-se a cúpula do Grand Palais e, à distância, a Basílica do Sacré-Coeur, em Montmartre. No closet, confortáveis roupões em tons pastel, as peças mais vendidas do hotel. A sala de banho, em mármore de Carrara preto e branco, dispõe de chão aquecido, duas pias e banheira.

Com fachada em pedra e porta vermelha, a construção de 1854, pertenceu ao Duque de Morny, meio-irmão de Napoleão III e, no século 20, ao estilista Pierre Cardin. Hoje faz parte do exclusivo portfólio La Réserve, do empresário francês da área de hospitalidade Michel Reybier. O grupo inaugurou agora La Maison d’Estournel, em Sainte-Estèphe, a uma hora de carro de Bordeaux. É possível se hospedar também em La Chartreuse, casa na premiada vinícola Château Cos d’Estournel, residência da família de Reybier.

Com a marca La Réserve, há ainda os Apartments Paris, com serviços, na Place du Trocadéro (na foto no alto do post, a vista da Torre Eiffel é de um dos apartamentos) ; o Ramatuelle, no Sul da França, a 15 minutos de carro de Saint-Tropez; o restaurante À la Plage, em parceria com o designer Philippe Starck, em Pampelonne, também na região de St-Tropez), e o Genève, na Suíça, o pioneiro. Para o final do ano está previsto o Eden au Lac Zurich. Tanto os apartamentos quanto os hotéis têm o exclusivo selo Traveller Made.

Como é se hospedar no renovado Mandarin Oriental Hyde Park, em Londres

Traveller Made: novos hotéis de luxo para ficar de olho

Traveller Made antecipa tendências e novidades da hotelaria de luxo

Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel.

Fairmont Rio: piscina com vista para a Praia de Copacabana

Como é o novo Fairmont Rio, o primeiro da marca na América do Sul

A mais esperada abertura hoteleira do Brasil em 2019 aconteceu esta semana, discretamente. O Fairmont Rio de Janeiro abriu as portas segunda-feira no Posto 6, no final de Copacabana, a cinco minutos a pé do Arpoador e do início de Ipanema. Em uma das localizações mais privilegiadas da cidade, é o primeiro hotel na América do Sul da marca de luxo da Accor. E fomos um dos primeiros a visitá-lo.

De frente para o Oceano Atlântico, o Fairmont ocupa um prédio importante na hotelaria de luxo carioca. Nas décadas de 1980 e 1990 chamava-se Rio Palace e era endereço de celebridades em visita ao Rio, que usavam uma discreta saída pelos fundos. Paul McCartney, por exemplo, foi um dos que se hospedou ali em 1990, quando se apresentou pela primeira vez no Brasil, no Maracanã. Mais recentemente, já parte do portfólio da Accor, o hotel funcionou como Sofitel Copacabana. O restaurante Le Pré Catelan, comandado pelo chef francês Roland Villard, com uma estrela Michelin, fez história na alta gastronomia da cidade.

Os detalhes do hotel de luxo Fairmont Rio, em Copacabana

Depois de dois anos de obras, no Fairmont o glamour e as boas vibrações do passado ecoam em um ambiente contemporâneo. A começar pela chegada do hóspede. Na entrada, na Avenida Atlântica, há o Coa&Co Café e uma loja conceito da H.Stern com objetos criados por designers brasileiros. Entre o café e a loja, esta integrada ao lobby, há um balcão onde o hóspede é encaminhado para o check-in, no sexto andar. Aí entra em ação o “fator uau”.

Loja de design brasileiro, com curadora H.Stern, integrada ao lobby | Foto de Carla Lencastre

O sexto andar é onde bate o novo coração do hotel. A recepção dá acesso direto a uma das duas piscinas do Fairmont, com vista espetacular para toda a praia, com o Forte de Copacabana à direita e o Pão de Açúcar à esquerda (foto no alto em destaque). As portas que separam a piscina da recepção são espelhadas, refletindo a paisagem carioca e permitindo um panorama em 360 graus. O sol bate na parte da manhã. Para o sol da tarde, há uma outra piscina, na parte de trás do hotel, ao lado do fitness center e do spa Willow Stream. Com cinco salas de tratamento, o spa característico dos hotéis Fairmont deve ser aberto na próxima semana.

Fairmont Rio: vista do bar Spirit of Copa
A vista do bar Spirit of Copa em uma manhã de inverno carioca | Foto de Carla Lencastre

A piscina principal, voltada para o mar, é ladeada pelo Marine Restô e o bar Spirit of Copa, ambos com paredes em vidro. O novo diretor de bebidas do hotel é o premiado bartender Tai Barbin. O francês Jérôme Dardillac, que assumiu a cozinha do então Sofitel na saída de Roland Villard, continua como chef executivo. A ideia é oferecer cardápio internacional com toque brasileiro. No bufê de café da manhã, por exemplo, tem pain au chocolat e brigadeiro.

É difícil sair do sexto andar, onde a mágica acontece, mas os hóspedes da exclusiva categoria Fairmont Gold têm ainda um lounge exclusivo para café da manhã e happy hour. Fica no quarto andar, onde funcionava o Le Pré Catelan. São 54 apartamentos nesta categoria, todos no último andar do hotel, o 13º, com serviço de mordomo 24 horas.

Divididos em duas torres interligadas, os 375 quartos com varandas, sendo 68 suítes, têm décor elegante e sóbrio, com móveis de designers brasileiros, pisos em tacos de madeira espinha de peixe, banheiros em mármore (alguns com banheira) e os confortos tecnológicos que se espera em um hotel de luxo moderno. Janelas corta ruído garantem o silêncio. O design valoriza materiais brasileiros e obras de arte originais. É assinado pelo escritório da arquiteta Patricia Anastassiadis, de São Paulo, que também desenhou o paulistano Palácio Tangará, da Oetker Collection.

As acomodações estão divididas em quatro categorias: Signature Suite (apenas duas, nos andares mais altos, com dois quartos, living e sala de jantar), outros dois tipos de suíte e os quartos standard, estes com 35 m². Há três opções de vista: praia, que vale cada centavo; lateral, com visão parcial do mar, e cidade, com quartos voltados para o pôr do sol em Ipanema.

Com a inauguração do Fairmont, a AccorHotels continua investindo no Rio e fecha para obras de renovação o Sofitel Ipanema. Na categoria luxo, a rede francesa tem ainda na cidade o charmoso Santa Teresa Hotel Rio MGallery, sobre o qual escrevemos aqui recentemente.

A fachada do Fairmont Rio, em Copacabana
A fachada do Fairmont Rio, em Copacabana | Foto de Carla Lencastre

Como é o Selina Rio, o primeiro hotel da rede no Brasil

Três restaurantes de hotéis no Rio de Janeiro

O novo Four Seasons São Paulo

Novidades do Sheraton Reserva do Paiva

Hotel Inspectors está no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel.