“Coolcations” e floresta líquida

Você já ouviu falar de algum desses temas aí do título? Confesso que só nesta semana ouvi falar sobre “coolcations”… O termo define a preferência de turistas por lugares mais frescos e frios, em substituição às tradicionais localidades mais quentes. No entanto, não se trata apenas de uma preferência particular, mas sim da “fuga” de destinos quentes demais no verão, como podem ser algumas das principais capitais europeias em julho e agosto, ou cidades como Orlando e Miami, na Flórida, durante o verão no Hemisfério Norte.

A Bloomberg publicou matéria sobre o tema na semana passada e a pauta veio à tona na última reunião do Comitê de Sustentabilidade Adibra & Sindepat, realizada na terça-feira. Foi a doutoranda em Desenvolvimento Sustentável na UnB, Jaqueline Gil, ex-diretora de Marketing Internacional, Negócios e Sustentabilidade da Embratur, que abordou o assunto, em apresentação sobre as oportunidades que a COP 30 no Brasil pode representar para o Turismo nacional. Além de trazer números alarmantes sobre as mudanças climáticas e seus impactos, Jaqueline preocupou-se em mostrar a necessidade de financiamentos para que a descarbonização do turismo, ou seja, das empresas privadas que atuam no turismo, realmente aconteça.

Ela contou que o Brasil está desenvolvendo seu Plano de Adaptação da Indústria do Turismo para as Mudanças Climáticas, que deve ser lançado neste ano, antes da COP 30, e ressaltou que isso é fundamental para que a descarbonização de fato aconteça. Esse plano deve apontar caminhos para que as empresas de turismo atuem de forma organizada pela neutralização das emissões de gases de efeito estufa.

E o que os parques e atrações turísticas têm a ver com isso? Tudo! Toda a indústria de Turismo é parte do problema e, por isso mesmo, peça fundamental na solução. E as soluções já começaram entre os parques e atrações, com investimentos privados e iniciativas independentes, que podem ser replicadas em outros parques, atrações e destinos. Foi esse o tema da segunda apresentação da reunião do Comitê de Sustentabilidade, que mostrou o que é e como funciona a primeira Floresta Líquida do mundo. Sabem qual é o endereço dela? Um parque! O Parque Capivari, em Campos do Jordão, no interior de São Paulo.

Conhecendo a Floresta Líquida

São cinco árvores tecnológicas que limpam o ar, produzindo oxigênio. Por meio de um sistema de microalgas, que capturam o dióxido de carbono, é feita a purificação do ar, como na fotossíntese natural. As cinco árvores instaladas no parque equivalem a cerca de 200 árvores no que diz respeito à capacidade de purificação do ar. “É muito importante ressaltar que não estamos falando em substituir árvores, pelo contrário”, destacou o CEO do Parque Capivari, Rafael Montenegro. “Continuamos plantando árvores, mas encontramos aqui uma solução que pode contribuir especialmente com os centros urbanos, com parques instalados em áreas urbanas, como é o caso do nosso”, disse.

As microalgas estão reunidas em um aquário, instalado no “tronco” da árvore, que tem suas folhas equipadas com painéis de captação de energia solar, para que toda a transformação ocorra de forma sustentável. Cada árvore conta com painéis explicando seu funcionamento aos visitantes, em uma ação educacional com o objetivo de alertar todos para a urgência da descarbonização da economia. Lançada em julho, durante a alta temporada em Campos do Jordão, a ação já sensibilizou milhares de visitantes que passaram pelo parque.

Há diferentes iniciativas em andamento nos parques e atrações do Brasil e em muitos outros segmentos do Turismo nacional. As boas práticas estão por todo lado, mas é urgente que os avanços sejam ampliados e feitos de forma coordenada. O Turismo é parte do problema e, reitero, fundamental para a solução. E você, conhece alguma outra iniciativa do setor? Compartilhe nos comentários! Vamos dar luz para que as boas práticas sejam conhecidas e replicadas!

Clique aqui para assistir ao vídeo sobre a Floresta Líquida do Parque Capivari.

Fotos: Divulgação/Parque Capivari

Parque Arvorar (CE) é prato cheio para educar e divertir

2024 vai chegando ao fim com a abertura, em soft opening, do parque mais aguardado do ano: o Arvorar. Além de pertencer ao Beach Park, um dos principais complexos de lazer do Brasil, o Arvorar leva para o Nordeste a proposta de ressignificar a experiência dentro dos parques. Não se trata apenas de diversão – embora ela exista e seja especialmente projetada para a criançada –, mas a proposta é vai além… Divertir, sim, mas ensinando, alertando e preparando as novas gerações para a preservação e o cuidado com a natureza.

Instalado na planejada Vila Terra Brasilis, a 25 minutos de carro do Beach Park, o Arvorar tem em sua entrada a escultura da ave símbolo do Ceará, uma jandaia, de asas abertas para nos receber. Mas antes mesmo do parque receber seus primeiros visitantes, a fauna cearense pode dar as boas-vindas a 18 pássaros reintroduzidos na Reserva Natural Serra das Almas, maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Ceará, em um dos primeiros sucessos do projeto Refaunar Arvorar, realizado pelo parque em parceria com ONGs ambientais do Estado. A jandaia e o periquito cara suja foram justamente as aves escolhidas para o início do projeto.  Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

Jandaia na entrada do Arvorar é ave símbolo do Ceará (Divulgação)

Uma vez dentro do parque, o visitante começa a ouvir os sons das aves mais animadas, o que pode variar bastante segundo o horário da visita. Logo após o portal, está a Casa dos Passarim, uma estrutura metálica revestida com materiais que lembram um gigantesco ninho de pássaro, que funciona como um mirante. Do alto, tem-se a vista para os aviários do parque e boa parte da região. Para os mais preguiçosos, aviso que a vista vale cada degrau dessa torre de quatro andares. 

Mas são os três aviários o ponto alto do parque. As visitas são monitoradas por educadores ambientais que auxiliam os visitantes a observarem características e comportamentos das espécies. Ao todo, o Arvorar reúne cerca de 250 pássaros, répteis e pequenos mamíferos, que estão divididos nos aviários segundo suas características e tamanhos. Assim, há o Aviário dos Pequenos e Barulhentos; dos Grandes e Coloridos; e dos Cantores e Velozes. Juntos, os aviários ocupam três mil dos 27 mil metros quadrados do Arvorar.

É no aviário dos Pequenos e Barulhentos que estão marrecos, macucos, jandaias e periquitos da cara suja. No habitat dos Grandes e Coloridos, estão tucanos e araras, além de jabutis. Não se engane, o ambiente também pode ser bastante barulhento se as araras estiverem ‘conversando’. No aviário dos Cantores e Velozes, a estrela é o guará-vermelho, que pode se aproximar bastante dos visitantes. A orientação é não interagir com os animais, apesar deles parecerem procurar essa interação… Cutias e mutuns também são outras espécies presentes nesse habitat.

Diversão

Mas o Arvorar não é apenas contemplativo. Para a criançada, foram criados os espaços Arvorão e Arvorinho. O primeiro é para aqueles com mais de 1,30 m de altura. É um circuito de arvorismo com redes para escalar, pontes de equilíbrio, túneis e outros desafios em meio às copas das árvores. O Redão é outra opção para quem já têm mais de 1 metro de altura, com escalada em redes tensionadas que também levam para junto da copa das árvores. Os menores, com até 1,30 metro, podem se divertir no Arvorinho, um playground em madeira, com escorregadores, parede de escalada e balanços, entre outras atrações infantis.

Antes de iniciar a visita, vale checar a programação do auditório Soldadinho do Araripe, um espaço para peças teatrais e apresentações educativas. No dia em que visitei o parque, acompanhando uma visita técnica, pude observar a maestria dos voos de uma coruja que se exibiu em rasantes sobre a cabeça da curiosa audiência. No último fim de semana, por exemplo, houve apresentação sobre a biodiversidade brasileira e a peça “Poxa, Póluis”, sobre um visitante interplanetário que gosta de ‘redecorar’ planetas, combinando educação sustentável em um ambiente teatral lúdico.

Por enquanto, o Arvorar abre somente às sextas-feiras, sábados e domingos, das 9h às 17h, com limitação no número de ingressos. Para o conforto das famílias, público-alvo do parque, a infraestrutura conta também com o restaurante Lagoa do Mato, com pratos típicos da culinária regional. Para saber mais, confira o site do parque.

Em tempo: já temos um novo parque para colocar na lista de mais aguardados! Afinal, o Cacau Park foi anunciado ainda neste mês, com a promessa de tornar-se o maior parque temático da América Latina. Mas, essa entrega não acontece antes de 2027… Então, me diz qual você acha que pode ser o parque ou atração mais aguardado do ano que começa na semana que vem! Palpites para as aberturas ao longo de 2025? Deixa aqui nos comentários!

Conquistas e desafios

Em semana marcada pelas retrospectivas, afinal, é a última de 2022, quero escrever sobre o que considero uma conquista do setor de parques e atrações, além de, ao mesmo tempo, ser uma esperança na construção de um futuro melhor.

No final do mês passado, o SINDEPAT (Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas) e a Adibra (Associação Brasileira de Parques e Atrações), associações parceiras, que compartilham alguns associados e muitos planos, concretizaram um projeto debatido há algum tempo: a criação de um Comitê de Sustentabilidade das duas associações. No último dia de novembro, o comitê teve sua primeira reunião, virtual, com a apresentação de três cases.

O objetivo é compartilhar boas práticas, trocar informações e experiências entre os associados relacionadas a questões ambientais, sociais e de governança, a tão utilizada sigla ESG (das palavras em inglês). Como norte, as associações utilizam os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da Organização das Nações Unidas (ONU). Assim, a primeira reunião tratou da gestão de resíduos sólidos, enquanto reuniões futuras abordarão a gestão da água, a conservação da biodiversidade, as mudanças climáticas, a gestão de fornecedores, a interação com a comunidade e o relacionamento social, a inclusão, entre outras.

São temáticas abrangentes e cada parques ou atração turística pode estar mais avançado em uma delas, enquanto seu par em outro Estado desenvolve outras. O objetivo do Comitê é justamente compartilhar as experiências bem-sucedidas, para replicá-las nas diferentes e contrastantes, muitas vezes, realidades deste vasto Brasil.

Na primeira reunião, foram apresentados os cases do Parque Vila Velha, no Paraná, e do Beach Park, no Ceará, além das políticas de resíduos sólidos do Grupo Cataratas, gestor de empreendimentos no Rio de Janeiro, como o AquaRio, o Paineiras-Corcovado e o BioParque do Rio, além da EcoNoronha, em Fernando de Noronha (PE), e do Parque Nacional do Iguaçu e Marco das Três Fronteiras, em Foz do Iguaçu (PR). A audiência questionou, compartilhou contatos e apresentou os desafios que encontram regionalmente. Os cases chegaram a emocionar a plateia, diante das significativas conquistas.

O Beach Park, por exemplo, conseguiu criar a partir das boias plásticas descartadas chinelos que são hoje comercializados dentro do parque, envolvendo a comunidade local na confecção e com renda revertida para o próprio projeto. No Grupo Cataratas, a implantação de políticas de resíduos sólidos consistentes nos parques e atrações são dos casos mais bem-sucedidos do setor. Entre os projetos destacados, o viveiro de mudas nativas da EcoNoronha e o programa socioambiental do Paineiras-Corcovado são modelos. O Parque Vila Velha, em Ponta Grossa, conquistou o selo Aterro Zero, que garante que todos os resíduos gerados na operação tenham destino correto, sem que qualquer grama de lixo seja direcionado a aterros.

Foi somente a primeira reunião, mas extremamente rica na troca de conteúdo. O Comitê volta a se reunir em 2023 e a expectativa é de que, a cada nova abordagem, mais parques e atrações apresentem suas contribuições. O objetivo maior, claro, é que nas reuniões futuras os parques/atrações que nesta primeira reunião compartilharam angústias e desafios mostrem o sucesso das ações implantadas. É para isso que o Comitê foi criado. Parabéns às associações, aos associados que já compartilharam experiências e deixo como desejo de ano novo que cada vez mais o assunto entre nas pautas de prioridades, não somente de parques e atrações, mas de toda indústria do Turismo. Que o próximo ano traga robustos avanços! Feliz 2023!

Oceanos ganham exposição imersiva no aquário do rio

Já esteve em alguma exposição imersiva, aquelas que usam diferentes recursos multimídia, com projeções, trilha sonora, muitas cores e luzes? Se você é assíduo do Instagram, certamente viu alguma foto da “piscina que não molha”, da exposição A Tensão, do argentino Leandro Erlich no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Uma das mais divulgadas, a Beyond Van Gogh, recebeu mais de 300 mil visitantes durante sua passagem pela capital paulista.

Famosas por reunirem obras de artistas em projeções, como as dos pintores Renoir, Monet e Portinari, essas exposições agora saem do mundo das artes e mergulham, literalmente, nos oceanos. O Aquário Marinho do Rio de Janeiro recebe até dezembro a exposição imersiva Oceano Sem Fronteiras, apresentando uma nova atração dentro do aquário, umas das atrações turísticas mais visitadas do Rio de Janeiro, que alcançou cinco milhões de visitantes em julho deste ano.

A exposição Oceano Sem Fronteiras propõe reflexões sobre a importância de garantir uma relação saudável com os mares. Por meio de projeções e diferentes recursos multimídia, é possível visitar o fundo do mar e interagir com as espécies que vivem por lá. São 170 metros quadrados com mapas, painéis e conteúdos que destacam a necessidade de conservação da biodiversidade dos mares. A exposição reúne ainda informações sobre economia oceânica, o litoral brasileiro e a relação dos seres humanos com o mar, alertando para a pesca predatória e o acúmulo de plástico nos oceanos.

Segundo a gerente de Sustentabilidade do Grupo Cataratas, responsável pela gestão do AquaRio, Talita Uzeda, o aquário prioriza, desde sua abertura, a conscientização do público sobre a importância da conservação da biodiversidade marinha. “Ao longo de mais de cinco anos, o atrativo trouxe diversas experiências aos visitantes. Com a exposição imersiva Oceano Sem Fronteiras, esperamos que o público se sinta engajado a ser o guardião dos mares, entendendo a relação única que a humanidade sempre teve com os oceanos”, defende.

A exposição tem ingresso independente do aquário e pode ser visitada das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira, e das 9h às 18h, nos finais de semana, ficando em cartaz até 11 de dezembro. A Oceano Sem Fronteiras é realizada pela Deeplab Project, em parceria com a Metaverse Agency e produzida pela Dellarte Soluções Culturais, responsável pela comercialização dos ingressos. Para mais informações sobre a exposição, clique aqui. O site do AquaRio e o www.aquariomarinhodorio.com.br.