Por do sol em Salvador

Carnaval: dicas para curtir salvador além da folia

O carnaval de Salvador começa oficialmente nesta quinta-feira, dia 20. Foliões do Brasil inteiro já começam a chegar à capital da Bahia em busca de trios elétricos e camarotes cada vez mais sofisticados no circuito Barra-Ondina.

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Mas existe uma Salvador muito além da folia de rua para explorar no carnaval. Ela é igualmente alegre, mas mais sofisticada. Dá para curtir blocos com exclusividade, passar o dia em um clube de praia, apreciar alta gastronomia, conferir o por do sol em diversos ângulos, entre outros programas. Veja as dicas.

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Barra-Ondina de barco

Lá no chão, são 4 quilômetros de circuito, e um bloco atrás do outro para uma tarde inteira – e parte da noite – de folia. Alguns blocos têm cordas, para vendas de abadá. Outros, não.

Se correr atrás do trio não é seu negócio, dá para ver toda essa movimentação a uma pequena distância, em um espaço exclusivo. Há empresas especializadas em aluguel de lanchas e barcos para grupos privados.

Entre elas, há opções como a Bahia Passeios e a RR Náutica. Como no carnaval tudo é congestionado, convém reservar – a maioria dos barcos sai da Bahia Marina, próxima ao circuito Campo Grande, o maior do carnaval soteropolitano.

Os preços partem de R$ 900. Mas, se preferir tentar a sorte, aqui vai uma dica de ouro. Dá para chegar à Bahia Marina e, se houver mais demanda que oferta, alugar o barco na hora.

Seguindo essa receita, houve um carnaval em que aluguei uma lancha (com banheiro) para seis pessoas por R$ 600. O período foi de quatro horas, em que eu e meu grupo pudemos curtir, diante do Barra-Ondina, desfiles de blocos como o de Bell Marques e Durval Lélys. Com direito a um belo por do sol, antes do retorno à Bahia Marina.

Por do sol na Baía de Todos os Santos

A baía que disputa com a de Guanabara o posto de mais famosa do Brasil é, comparada à sua irmã fluminense, bem mais bela. A Baía de Todos os Santos, de águas esverdeadas, proporciona vistas que são um lindo espetáculo, especialmente no por do sol.

O contraste entre mar, céu e os barcos estacionados na marina formam um cenário inesquecível – e proporcionam belas fotos. Por ali, há ainda alguns restaurantes badalados, além de lojas.

Bahia Marina

Dá para assistir o por do sol sentado em um banquinho diante do mar, ou sentado em uma das mesas do DAS, o único restaurante que não fecha entre o almoço e o jantar.

Se quiser observar a baía do alto, ao por do sol, a dica é o Hidden. O bar itinerante, que é de Brasília, fica em Salvador até abril. Funciona em um casarão na tradicional rua Chile (a primeira rua do Brasil), próxima ao elevador Lacerda e ao Pelourinho, no centro histórico.

Vista noturna no Hidden

Abre às 17h, exatamente para o por do sol. A cada noite, se apresentam duas bandas e um DJ. Os temas musicais são variados, mas no carnaval há foco em grandes sucessos da música baiana dos anos 80, 90 e início dos 2000. O couvert artístico é de R$ 30, pagos na entrada.

Não é à toa que, na noite em que visitei a casa, com decoração rústica-chique, o público variava de 30 a 50 anos. Por lá, também há boa variedade de vinhos e cervejas artesanais, que podem ser acompanhados por queijos, jamon e castanhas, entre outros snacks.

Hidden Salvador

ONDE COMER EM SALVADOR

Salvador tem uma bela diversidade gastronômica, mas a especialidade fica por conta de peixes e frutos do mar. Se quiser variar um pouco, vá ao Lafayette, um clássico da capital baiana.

As opções de pratos com carnes em destaque, e massas sem frutos do mar, são variadas e muito saborosas. Recomendo o filé mignon com nhoque trufado.

A variedade de opções com peixes e frutos do mar do Lafayette também são destaques – e valem muito a pena. No salão, tente sentar nas mesas encostadas ao vidro com vista para os barcos da Bahia Marina – a sensação é de estar flutuando.

DAS

Também na Bahia Marina, o DAS, além de restaurante, tem uma pegada de bar, no qual as pessoas vão para passar a tarde e ver o por do sol. Se for esse o seu caso, há excelentes opções de petiscos.

Os inspirados na culinária mediterrânea dominam o cardápio. Tente o carpaccio de polvo.

Atualmente, meu restaurante preferido em Salvador é o Mistura do Contorno. Visto da rua Lafayette Coutinho, parece uma caixa de vidro.

Sua entrada é pelo condomínio Marina Residence, um dos empreendimentos comerciais de luxo que fazem parte da revitalização do bairro do Comércio, no centro. A vista da Baía de Todos os Santos é panorâmica.

Mistura do Contorno (Foto: Divulgação)

A decoração contemporânea com toques retrô é peculiar e os pratos, verdadeiras obras de arte. Peixes e frutos do mar dominam o cardápio. Experimente os camarões com risoto trufado e amêndoas.

Ali do lado, está mais um clássico que sempre vale a pena revisitar, o Amado.

PRAIA SEM SUPERLOTAÇÃO

São cerca de 40 km do centro e das praias mais conhecidas de Salvador. Uma pequena viagem. E ao chegar à praia do Flamengo, a paisagem muda tanto que dá mesmo para pensar que se trata de uma pequena vila litorânea.

Apesar disso, Flamengo ainda faz parte da cidade de Salvador – está quase na divisa com Lauro de Freitas. É a praia mais ao norte da capital baiana, e a mais tranquila para passar o dia. Tem águas cristalinas e, dependendo da maré, calmas, com ondas leves.

Praia do Flamengo

Por ali, não há nada que lembre as congestionadas Barra e Ondina no período do carnaval, ou mesmo a famosa Itapuã, também ao norte de Salvador. Mas o melhor mesmo dessa praia é a estrutura.

Há alguns restaurantes que em Salvador são chamados de barracas, mas que são verdadeiros clubes de praia. Meu preferido é a barraca do Loro.

Além do restaurante especializado em frutos do mar (experimente as moquecas) e de cadeiras e guarda-sois na praia, há uma área com confortáveis cabanas (lá, eles chamam essa estrutura de bangalôs). A Barraca do Loro também tem piscina, loja de roupas e biquinis e salas para massagem.

Barraca do Loro

Para quem quiser repor as energias antes, durante ou depois da folia, relaxar em um dia de praia longe do agito pode ser ótima opção.

Endereços

Bahia Marina – Avenida Lafayette Coutinho, 1010
Hidden Salvador – Rua Chile, 6
Mistura do Contorno – Ladeira do Gabriel, 334
Amado – Avenida Lafayette Coutinho, 660
Barraca do Loro – Rua Des. Manuel de Andrade Teixeira, 266

Villa Laura

A TOSCANA VISTA PELOS CENÁRIOS DO CINEMA

A semana começa com a repercussão do Oscar 2019, que premiou o sul-coreano “Parasita” como melhor filme. E no embalo do cinema, que tal visitar uma região que já emprestou seu cenário para diversos filmes.

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Em minha recente visita à Toscana, fiz um “tour cinematográfico”, passando por locais que emprestaram sua beleza a três produções de que gosto bastante: “Hannibal”, “A vida é bela” e “Sob o sol da Toscana”.

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São três filmes bem diferentes, mas que se encontram nas paisagens impressionantes dessa romântica região italiana.

Cortona é encanto no topo de uma colina

Da lista, a história da americana traída e abandonada pelo marido que se muda para a Toscana é a que menos me atrai. O que sempre me encantou em “Sob o sol da Toscana” não foi o roteiro, e sim os cenários e a fotografia.

Paisagens rurais dessa região da Itália se alternam com o epicentro geográfico do filme, a cidade de Cortona, que fica no topo de uma colina – como outras da Toscana.

Escadaria do Palazzo Comunale (Foto: Divulgação)

Como me hospedei em um hotel agriturismo nas imediações da cidade, ela foi minha primeira visita do roteiro de cinema. Cortona, como vários locais da região, tem lindas vistas e vielas repletas de construções históricas.

Um cenário bem comum em “Sob o sol da Toscana” é a escadaria do Pallazzo Comunale. Já na Piazza de la Repubbica a personagem principal, Frances Mayes (Diane Lane), escreve uma carta endereçada à mãe de um dos seus companheiros de excursão – antes de decidir abandonar o grupo e se mudar para a Itália.

O filme é baseado na experiência real de Frances, que comprou a antiga e bela, mas fora de ordem Villa Bramasole, em um impulso, durante uma viagem de férias pós-divórcio. Escritora, ela transformou essa experiência no livro “Sob o sol da Toscana”, que depois virou filme.

A cena em que Frances abandona a excursão e chega à Villa Bramasole (Foto: Divulgação)

A casa que “interpretou” a Villa Bramasole é a Villa Laura, a seis quilômetros do centro de Cortona. O local está disponível para aluguel para temporadas. A Villa Bramasole de verdade fica nas imediações da cidade, e até hoje e a casa de Frances.

Toscana dos anos 30 e 40 em clássico italiano

Premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro – categoria que passou a se chamar “filme internacional” na edição deste domingo do prêmio -, “A Vida é Bela” é um dos filmes mais consagrados do cinema italiano. A história de Guido (Roeberto Benigni) e Dora (Nicoleta Braschi) se passa nas ruas de Arezzo.

Duomo de Arezzo (Foto: Rafaela Borges)

A cidade, a 30 km de Cortona, sabe explorar bastante sua conexão com o filme. Em todos os locais que serviram de cenário para a produção, há uma placa explicando a cena.

Um desses locais, em uma rua entre a estação de trem de Arezzo e o centro da cidade, é o prédio que foi cenário da escola em que Dora, professora, trabalhava.

Guido e Dora nas escadas do Duomo

Ao lado está a basílica de São Francisco. Lá, Guido corteja Dora e a convida para tomar um sorvete.

Já o Duomo di Arezzo emprestou suas escadarias para a cena em que Guido estende um tapete vermelho para Dora, evitando que sua amada molhasse seus pés.

A escola em que Dora trabalhava, em Arezzo (Foto: Rafaela Borges)

A Florença de Hannibal Lecter

No final de “O silêncio dos inocentes”, o psicopata Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) foge da prisão. Anos depois, volta à lista dos criminosos mais procurados, ação impulsionada pela pressão do bilionário Mason Verger (Gary Oldman), que foi vítima do assassino e quer se vingar.

Acessórios na Ponte Vecchio

É nesse ponto que tem início “Hannibal”, de Ridley Scott. Clarice Starling está de volta à trama, mas desta vez interpretada por Julianne Moore, que substitui Jodie Foster (premiada com o Oscar pelo papel).

Em um vídeo de segurança de uma loja, Clarice descobre o destino de Lecter em seus anos foragido: Florença, a mais importante cidade da Toscana. E parte do roteiro se passa em uma das capitais mundiais da cultura e arte, além de berço do Renascimento.

Vista a partir da Ponte Vecchio (Foto: Rafaela Borges)

Uma das cenas mais chocantes de “Hannibal”, quando Lecter assassina o policial italiano Pazzi, mostra a fachada do Palazzo Vecchio. Já a residência do psicopata é o Palazzo Capponi.

Um dos principais cartões-postais de Florença, a Ponte Vecchio é repleta de lojas de joias, além de bijuterias e outras acessórios. É lá que o policial Pazzi, disposto a capturar Lecter para entregá-lo a Verger e conseguir uma gorda recompensa, compra um bracelete para tentar registrar as impressões digitais do psicopata.

Palácio Vecchio (Foto: Rafaela Borges)

Depois, Pazzi lava suas mãos cheias de sangue na fonte do Porcellino, na qual, dia a dia, turistas jogam suas moedinhas e fazem pedidos, além de registrarem o momento com uma foto.

A fonte do porquinho é ao lado do Mercado Novo. Por lá, há diversos artigos de couro italiano à venda – com preços bem interessantes.

Bônus: Montepulciano é a Volterra das telas

Esse filme não está na minha lista dos favoritos, mas o assisti. A parte que gostei? O Porsche amarelo percorrendo as estradas da Toscana. Estou falando de “Lua Nova”, o segundo capítulo da saga vampiresca adolescente “Crepúsculo”.

Ali no fim do filme, a mocinha Bella (Kristen Stewart) vai à Volterra, na Itália, “casa” dos grandes vilões da história, os Volturi. A missão? Resgatar seu amado Edward Cullen (Robert Pattinson).

Pallazzo del Comune e piazza Grande (Foto: Rafaela Borges)

Volterra de fato existe e fica na Toscana. É uma cidade medieval que funciona muito bem em um passeio combinado com a não muito distante San Gimignano. Porém, o cenário para as cenas de “Lua Nova” foi o centro medieval de Montepulciano.

O palácio dos Volturi é o principal da cidade, o Pallazzo del Comune. Fica no alto de Montepulciano e em frente à piazza Grande, cenário para uma festa típica, com pessoas vestidas de vermelho, encenada em “Lua Nova”.

Toscana já emprestou seus cenários para grandes produções do cinema
Cena do filme em Montepulciano

Ao visitar Montepulciano, aproveite para degustar e comprar trufas e azeites trufados. E, se é fã de vinhos, os da cidade são uma das referências na Itália. Nos arredores, aliás, há algumas boas vinícolas para visitar.

Restaurantes que deram origem a hotéis de luxo

O descolado hotel Nobu terá uma unidade em São Paulo, com previsão de inauguração em 2021. No ano passado, também foi aberta na capital paulista o primeiro restaurante da marca no Brasil.

Mas o que veio primeiro? O hotel ou o restaurante? O Nobu é um dos casos de restaurante badalado cuja marca ganhou tanta força que acabou estendendo seu ramo de atuação. Nesse caso, virou também hotel.

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Um outro exemplo importante está no mercado brasileiro. Trata-se da rede Fasano, que tem hotéis em diversas cidades brasileiras e até uma filial no Uruguai.

A filial de São Paulo do Nobu

NOBU, A MARCA DESCOLADA


O Nobu é o restaurante japonês mais famoso do mundo, com filiais em diversas capitais e cidades cosmopolitas do mapa. Seu sócio mais famoso é um dos mais consagrados atores de todos os tempos, Robert De Niro.

Porém, o nome por trás do sucesso do restaurante é o de seu fundador, Nobu Matsuhisa, que inaugurou a primeira casa da rede mundial nos anos 80. Atualmente, são cerca de 30 restaurantes em 20 países.

Restaurante Nobu Downtown é uma das duas unidades em Nova York

O estilo do restaurante é conhecido como “Nobu style”. Sua assinatura é dar um toque da culinária peruana na gastronomia japonesa.

Os Estados Unidos são o país em que o Nobu é mais famoso. Por lá, há duas filiais em Nova York, duas em Las Vegas e uma em Malibu, com vista para o mar.

Em Las Vegas, Nobu é restaurante e hotel

O público dos restaurantes é bastante jovem e descolado. Celebridades e influenciadores das mais variadas áreas são presença constante no Nobu. Um local que, além de boa gastronomia, é também para ver e ser visto.


HOTÉIS NOBU

A rede de hotéis comandada por Matsuhisa e De Niro é focada no mesmo público do restaurante. A começar pela escolha dos locais.

Além das cidades mais cosmopolitas do mundo, como Londres, Nova York, Chicago e Palo Alto (o epicentro do Vale do Silício), o Nobu também tem filiais em locais famosos por serem badalados destinos de viagem, especialmente os de verão.

Barcelona tem a mais nova unidade do hotel de De Niro e Matsuhisa

Exemplos são Miami, Las Vegas e Malibu, nos EUA, e Marbella e Ibiza, na Espanha. A unidade mais recente da rede foi inaugurada recentemente, em Barcelona, também na Espanha.

Os hotéis têm decoração luxuosa e bastante contemporânea, e costumam sediar bares badalados. Mais que locais de hospedagem, são também pontos de encontro.

Na Espanha, também há filiais em Ibiza (acima) e Marbella

FASANO E O EXTREMO LUXO

O Fasano foi, por anos, o restaurante mais famoso de São Paulo, e de todo o Brasil. Claro que, com o passar dos anos, e o fortalecimento da capital paulista como uma forte referência gastronômica mundial, ganhou muitos rivais.

Porém, seus domínios já vão muito além da gastronomia. O hotel Fasano São Paulo foi o primeiro de uma pequena rede que é uma das referências do luxo na hotelaria nacional.

Hotel da rede Fasano em Salvador

Depois, vieram filiais no Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Porto Feliz (no condomínio de luxo Boa Vista, no interior de São Paulo) e Punta del Este, no Uruguai.

As mais recentes inaugurações da rede, em 2018 e neste ano, foram respectivamente em Salvador e Belo Horizonte.

A mais nova unidade do Fasano é em Belo Horizonte

Em breve, haverá uma unidade em Trancoso, a estação de veraneio mais badalada do Brasil, e outras duas na cidade de São Paulo.

COMO É VOAR NA CLASSE EXECUTIVA DA AIR EUROPA

Mas e aí, vale a pena voar na classe executiva da Air Europa? A companhia aérea espanhola opera voos de Madri a algumas capitais brasileiras – e vice-versa. Pela diversidade de cidades que atende, e por preços que, na maioria das vezes, são menores que os da concorrência, a empresa vem atraindo a atenção.

Pesquisei bastante sobre a Air Europa antes de meu voo. Só havia resenhas da classe executiva em inglês, e nada muito profundo. Já as avaliações da classe econômica, feitas em português, não eram nada animadoras.

Mas, após os voos, concluí que as críticas negativas sobre as experiências na econômica não se confirmaram na executiva. Houve alguns contratempos.

Na Air Europa, a ida foi um mar de rosas. A volta, nem tanto. Os problemas, no entanto, foram menos da empresa, e mais do terminal em Barajas no qual ela opera.

Terminal em Guarulhos, check-in e sala VIP


O Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos ficou tão funcional e bonito que, sempre que tenho de fazer um voo internacional, fico infeliz ao saber que terei de usar outro. E a Air Europa é a única companhia europeia a operar no Terminal 2.

A princípio, julguei que esse seria um ponto negativo para a Air Europa. Por outro lado, foi uma boa experiência para avaliar como está o terminal depois da reforma que o ampliou, transformando-o, junto com o Terminal 1, em um único.

Foto: Divulgação

Julguei mal. O Terminal 2 já não deixa a desejar. Recebeu estrutura bem semelhante à do 3, com máquinas de leitura eletrônica de bilhetes e de passaportes para brasileiros, na imigração.

Já a área de check-in é mais tumultuada que no Terminal 3, mas, na Air Europa, ele foi feito sem filas, de maneira rápida e eficiente. A sala VIP, por sua vez, é a da Smiles, da Gol. Recentemente, a brasileira anunciou parceria com a espanhola, para emissão de bilhetes com pontos do programa nacional.

Porém, ainda não dá para pontuar no Smiles ao se pagar pelo bilhete na Air Europa. A espanhola, no entanto, gera pontos nos programas da KLM, Air France e de outras companhias da aliança da qual faz parte, Skyteam.

A sala VIP da Smiles é ampla e confortável, tem vista para a pista do aeroporto, boas poltronas com tomadas para carregar eletrônicos portáteis e cabines individuais com chuveiros. Como o voo era às 14 horas, foi servido almoço enquanto estávamos na sala VIP. Bem variado, inclui salada, queijos, sopas e pratos quentes, além de diversidade de bebidas.

EMBARQUE

Como não há primeira classe, a prioridade para embarque é dos passageiros da classe executiva. E é recomendável embarcar na primeira chamada. Diferentemente do que ocorre no Terminal 3, a Air Europa não usa duas portas de embarque nem em São Paulo nem em Madri.

Assim, tanto na ida quanto na volta, por ter demorado a embarcar, enfrentei uma fila formada no corredor do finger. O embarque da econômica, com número muito maior de passageiros, já havia começado.

CABINE DA CLASSE EXECUTIVA DA AIR EUROPA


A companhia espanhola opera o trecho São Paulo – Madri, e vice-versa, com um moderno Boeing 787-800, aquele sem cortinas na janela. A intensidade de entrada da luz é controlada automaticamente, por meio de um botão, da total iluminação ao completo blackout.

Poltronas reclinam em 180° (Fotos: Rafaela Borges)

A disposição das poltronas é 2-2-2. Elas são flat-beds, com inclinação em 180°, e se transformam em confortáveis camas. Além de três posições pré-determinadas (decolagem/pouso, descanso e cama), dá para combinar outras configurações de inclinação.

À frente das poltronas, há o apoio para os pés. Além disso, há uma divisória entre as duas poltronas, para garantir a privacidade de quem não está viajando acompanhado.

MIMOS E ENTRETENIMENTO


A Air Europa oferece forro para a poltrona, além de cobertor e travesseiros confortáveis. O kit de amenidades é completo e com produtos de boa qualidade. Inclui cremes para pés, mãos e rosto.

Há forro para as poltronas e travesseiro e cobertor de boa qualidade

A tela individual é grande e sensível ao toque. Também pode ser comandada por um dispositivo remoto, que tem a opção de exibir programações diferentes das que estão no monitor principal.

A seleção de filmes não é extensa, mas tem diversos títulos recem-saídos dos cinemas, além de uma coleção de clássicos de diversas épocas. Também há algumas temporadas completas de filmes de sucesso.

SERVIÇOS


A bordo são servidas bebidas de boas-vindas: espumante, água e sucos. O serviço de alimentação tem início pouco tempo após o piloto desligar o aviso de cintos de segurança.

Não é preciso escolher a entrada. Vem tudo o que está no cardápio. O passageiro só escolhe o prato principal, servido separadamente. Eu comi um peixe com legumes, extremamente saboroso, assim como as entradas.

Foto: Divulgação

Isso no voo de ida, de São Paulo a Madri. Na volta, na direção oposta, o prato principal foi servido junto com as entradas. E estava tudo muito ruim. Escolhi um frango com gosto tão estranho que não consegui comer.

E mesmo os aperitivos disponíveis na galeria da executiva, durante o voo, foram diferentes nos dois trechos. No primeiro, havia variedade de sanduíches e doces. No segundo, apenas um tipo de sanduíche. E mais nada.

Além do jantar, é servido também café da manhã – a cerca de uma hora e meia da chegada ao destino.

O cardápio de bebidas é bem diversificado. Além de não-alcoólicos, há destilados, drinks e vinhos espanhol e português.

Porém, tanto na ida quanto na volta vale destacar a extrema cordialidade da tripulação.

OUTROS DESTAQUES


Outro ponto positivo é o tamanho da mesinha de refeições, maior e mais fácil de operar que a média. Por outro lado, só havia um banheiro em operação na classe executiva.

Ainda assim, não houve filas – até por se tratar de uma cabine pequena, para 24 passageiros apenas.

Tanto em São Paulo quanto em Madri, as malas chegaram rapidamente, respeitando a prioridade da classe executiva.

A bordo do 787-8 da Air Europa, minha principal crítica é o serviço de internet. O passageiro da executiva ganha um voucher de 10 MB, que não dá para nada. Só serve para instigar a comprar mais.

Foto: Rafaela Borges

São três opções, sendo a mais cara tabelada em 20 euros. Porém, só 100 MB estão disponíveis, que também não são suficientes para quase nada. Na Lufthansa, por esse valor a internet é ilimitada, durante todo o voo – e, quando fiz dois, de São Paulo a Frankfurt e então ao Bahrein, ainda pude usar o que sobrou do primeiro trecho no segundo.

A American Airlines também oferece plano de internet ilimitada. Nas demais companhias, não testei o serviço. Aqui, ponto negativo para a Air Europa.
Vale destacar que não consegui fazer marcação de assento por meio do site da Air Europa na internet. Era preciso entrar em contato com a central de atendimento por telefone. Desisti.

TERMINAL 1, EM MADRI


As diferenças entre os trechos de São Paulo a Madri e de Madri a São Paulo eu já expliquei um pouco no tópico “Serviços”. Na volta, o espaço para a bagagem sobre minha poltrona estava quebrado. Porém, acomodei tranquilamente minha mala de mão no compartimento ao lado.

O grande problema da experiência com a Air Europa é o terminal em que ela opera no Aeroporto de Barajas, em Madri. Trata-se do Terminal 1, onde estão a maioria das aéreas que fazem parte do SkyTeam.

Para quem conhece o T4 e o T4S desse mesmo aeroporto, modernos e funcionais, a impressão é de estar em um local totalmente diferente. Estes são usados pela Iberia e as companhias da aliança One World, principalmente.

Feio, tumultuado e pouco funcional, o Terminal 1 parece um pesadelo. Lembra muito os antigos terminais 1 e 2 de Guarulhos, antes da reforma.

O check-in foi lento e os funcionários, mal educados. Há fast track (passagem exclusiva) para os passageiros da executiva no Raio-X. Na imigração, as filas são imensas. Dependendo do horário, dá para perder uns bons 40 minutos por ali.

SALA VIP EM BARAJAS


A sala VIP usada pela Air Europa no Terminal 1 em Barajas chama-se Cibeles. Não é exclusiva; várias companhias a utilizam.

Ao me aproximar, notei uma imensa fila. Procurei me informar: a sala estava lotada e aquela fila era para pessoas que queriam pagar para usar o lounge, bem como para passageiros com status mais baixos em programas de fidelidade das companhias.

Quem voava de executiva poderia passar direto. Porém, a recepcionista logo avisou: não havia lugar para sentar.

Sala Cibeles, no Terminal 1, em Barajas (Foto: Divulgação)

Já coloquei meu nome na lista para usar uma das cabines com chuveiro logo ao chegar ao lounge. A recepcionista avisou que demoraria. Havia oito pessoas em minha frente, mas cinco cabines disponíveis. Eu não me preocupei tanto: teria uma hora e meia na sala Cibeles.

Porém, eu só consegui tomar um banho “relâmpago” porque meu voo atrasou uma hora. Descobrimos que havia só uma pessoa para fazer a limpeza, e só uma das cinco cabines em operação. Mesmo com a sala lotada.

A sala Cibeles é até bonita, ampla e com muitas poltronas e mesas. Porém, estava muito cheia e sem pessoal suficiente para atender à demanda. Quase nada era reposto.

Além disso, o ar-condicionado não estava funcionando. Então, a sala VIP virou um verdadeiro forno. Ao menos, há uma varanda aberta, com vista para a pista, que acabou sendo a salvação.