Las Vegas Boulevard

Las Vegas: entenda como funciona para saber onde se hospedar

Na primeira vez que fui a Las Vegas, nos EUA, olhando o mapa da cidade e os hotéis da principal avenida, achei que tudo fosse perto. Ao chegar lá, me deparei com uma realidade completamente diferente. Cada quadra da Las Vegas Boulevard – a avenida dos grandes hotéis, também conhecida como Strip – tem pelo menos 1 km.

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E muitos complexos hoteleiros ocupam uma quadra toda. Não são simples hotéis, e sim resorts com inúmeras opções de gastronomia, vida noturna e os famosos cassinos da cidade de Nevada. Uma boa notícia sobre Las Vegas é que os preços das habitações são bem mais baixos que em outros locais dos EUA, mesmo em tempos de inflação – no país, os preços de hospedagem estão altíssimos.

Por isso, Las Vegas é uma excelente oportunidade para investir naquele hotel de luxo, pois por US$ 150 por dia já dá para encontrar opções incríveis. Por outro lado, há propriedades menos luxuosas, mas também sofisticadas, a partir de US$ 50 a diária.

Mas tome cuidado, em Vegas, é cobrada uma taxa de resort, que pode chegar a US$ 40 por dia. Esse valor inclui coisas como uso da academia e Wi-Fi. No entanto, não é opcional. O pagamento é obrigatório.

Em mina última visita, na qual consegui uma super promoção para o Westgate Las Vegas, paguei em taxa de resort e impostos o mesmo que desembolsei pelas diárias. Além disso, tome cuidado com a empolgação. Apesar dos hotéis mais em conta, tudo em Las Vegas é caríssimo. Até o tradicional hambúrguer.

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O que fazer em Las Vegas

O coração de Las Vegas é a Strip, onde estão os principais hotéis da cidade. Cada um não é apenas uma opção de hospedagem: são verdadeiras atrações turísticas. Certamente, você não ficará restrito ao local que escolheu. Visitará também os outros resorts.

Os principais programas turísticos em Vegas são eles. Não dá para passar pela cidade, especialmente em uma primeira visita, sem ver o show de águas no Bellagio, a reprodução de Roma no Caesars Palace ou as da Cidade luz e de Nova York nos resorts Paris e New York New York, respectivamente.

Isso sem contar os canais de Veneza reproduzidos no complexo formado pelo The Venetian e o Palazzo. Mas não é só de atrações de hotéis que vive Las Vegas. Um dos programas imperdíveis é visitar o Grand Canyon. De carro ou ônibus (entre uma hora e meia e duas horas de viagem), se chega à parte oeste, com opção de passar pela impressionante barragem da represa Hoover (Hoover Dam). Você pode até não saber, mas já deve ter visto muitas vezes esse local no cinema.

Caesars Palace tem inspiração italiana em Las Vegas
Caesars Palace tem inspiração italiana

Dá também para pagar o passeio de helicóptero e ir até o Grand Canyon sul, que é mais impressionante que o oeste. A formação rochosa natural fica, na verdade, no Estado de Arizona, vizinho a Nevada.

Outra boa pedida em Las Vegas é fazer compras. As lojas mais exclusivas do mundo estão espalhadas pela Strip, em locais como o shopping Crystals, o Bellagio e o complexo de resorts formado pelo Encore e o Wynn. Se alta costura e grifes europeias não são o seu objetivo, a cidade tem dois grandes outlets que valem a visita.

Festa em Vegas

Mas gastronomia e vida noturna são mesmo os destaques de Las Vegas. Restaurantes dos chefes mais renomados do mundo têm filiais espalhadas pelos hotéis da cidade, que oferecem também seus bares e casas noturnas.

Muitos investem em salas de espetáculos: o Cirque du Soleil é um clássico, e astros do pop estão quase sempre em cartaz. Outra peculiaridade de Vegas são as pool parties, as famosas festas nas piscinas dos hotéis. Ganham força entre abril e outubro, quando o clima quente é praticamente uma certeza (em outros meses, pode fazer frio na cidade).

Entendendo Las Vegas

Durante a tarde, o legal mesmo é caminhar pela Strip e ir entrando de hotel e hotel, principalmente em uma primeira visita. Você vai caminhar bastante, e o calor pode ser um sofrimento, especialmente de maio a setembro.

Por outro lado, a maior parte dos hotéis está interligada por passagens. Com isso, poucas vezes você terá de passar muito tempo caminhando pela Strip.

The Venetian em Las Vegas
The Venetian

Para se locomover em Las Vegas sem precisar andar demais, há o monorail (trem suspenso). Ele interliga os hotéis do norte ao sul da Strip, mas “pula” algumas paradas – como no Encore/Wynn e no The Venetian/Palazzo. Para não-moradores, o bilhete custa US$ 5 (cerca de R$ 25). Dá para amenizar os gastos comprando um ticket para vários dias.

Outras opções são táxi, bem abundantes em Las Vegas, e serviços de carros particulares como Uber e Lift (bem popular nos Estados Unidos). Aqui, a dica é cadastrar no app seu cartão de débito internacional (se tiver) para não pagar spread cobrado pelos bancos tradicionais e o alto IOF dos cartões de crédito.

O epicentro

Já me hospedei em vários locais de Las Vegas, e cheguei à conclusão que a melhor opção é estar no local que chamo de epicentro da Strip. É a área entre as avenidas Tropicana e Flamingo. Nela, você encontrará opções como os complexos MGM Grand/Park MGM, Planet Hollywood, Aria/Vdara/Cosmopolitan/Waldorf Astoria e Caesars/Bellagio.

Com a hospedagem no epicentro, divida seu tour pelos hotéis em dois dias. Em um deles, vá ao norte, para ver o Paris, o The Venetian, o Wynn/Encore e o Resorts World. Este é o mais novo complexo de Las Vegas. Formado por Conrad, Hilton e Crockfords, se destaca pelo luxo e as dimensões do cassino.

Bellagio e Caesars Palace em Las Vegas
Bellagio e Caesars Palace

Ao sul, há temáticos como Luxor e Excalibur, e luxuosos como Delano e Four Seasons. Outra vantagem do epicentro é a chance de, na maior parte dos dias da visita, estar mais próximo de seu quarto após o jantar, bar ou balada.

Claro que há sempre a chance de desfrutar essas atividades da vida noturna em um hotel ao sul ou norte. Porém, fica mais tranquilo ir conhecer um dos hits gastronômicos de Las Vegas, o Top of the World, no The Strat (ao norte), estando no Aria, ao centro, que no Four Seasons, no extremo sul.

Dicas sobre hotéis

Com isso em mente, ficam agora as dicas de hospedagem de acordo com o perfil e prioridades do viajante. Se o epicentro é bom para deslocamentos rápidos, não é tão legal para quem quer, por exemplo, fugir das ruas lotadas.

Então, escolha os seguintes hotéis se você:

Quer exclusividade, luxo e serviços personalizados – Waldorf Astoria, Four Seasons

Quer um hotel luxuoso com preços mais acessíveis – Hilton e Conrad (Resorts World), Caesars Palace, Nobu, The Cromwell.

Está em Las Vegas pelas compras de luxo – Complexo Aria/Vdara/Cosmopolitan/Waldorf Astoria (shopping Crystals), Bellagio, Encore/Wynn.

Wynn e Encore

Odeia hotéis temáticos – Complexo Aria/Vdara/Cosmopolitan/Waldorf Astoria, Four Seasons, Delano, Resorts World.

É fã de hotéis temáticos – Caesars, The Venetian, Paris, New York, New York, Treasure Island.

Não gosta do clima dos cassinos – Vdara, Four Seasons, Trump.

Quer aproveitar as melhores opções gastronômicas sem sair do resort – MGM Grand, Aria, Bellagio/Ceasers, Wynn/Encore, The Venetian.

Pretende passar a maior parte do tempo no cassino – Bellagio, Caesars, MGM Grand, Resorts World.

Paris Las Vegas
Paris Las Vegas

Vai a Vegas pelas baladas e pools parties – Aria, Cosmopolitan, Encore/Wynn.

Visita a cidade para um evento no centro de convenções – Westgate (tem ligação direta com o espaço), Wynn/Encore, Resorts World, SpringHill Suítes by Marriott (em frente ao pavilhão oeste).

Restaurantes que indico

Top of the World – tem vista panorâmica para a Strip e um menu de vários passos que está fazendo sucesso em Las Vegas. Fica no The Strat.

Brasserie Bardot – o melhor francês de Las Vegas. Está no Aria.

Catch – tem unidades em Los Angeles e Nova York e é conhecido pelos jantares com alta dose de agito. Também no Aria.

Joel Robuchon – o renomado chefe francês tem dois restaurantes lado a lado no MGM Grand, um casual e outro sofisticado. Ambos são muitos concorridos. Não se esqueça de fazer reserva.

Grand Canyon: passeio imperdível a partir de Las Vegas

Edge Steakhouse – No despretensioso Westgate, é um dos melhores restaurantes de carnes de Las Vegas, e oferece um steak tartare inesquecível.

Nobu – os fãs de culinária japonesa não podem deixar de experimentar um dos melhores do mundo. Fica no hotel de mesmo nome, dentro do Caesars.

Não recomendo – Cipriani, no Wynn/Encore. Muito famoso em Nova York, deixa bastante a desejar na qualidade dos pratos em Las Vegas. Só tem preço (alto).

Marine Restô

Vida noturna e agito são apostas do Fairmont Rio de Janeiro Copacabana

O antigo Sofitel de Copacabana foi substituído por outra bandeira da rede francesa Accor. Com localização privilegiada, no fim da praia mais famosa do Brasil, o Fairmont Rio de Janeiro Copacabana foi inaugurado em agosto de 2019.

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Trata-se da primeira propriedade de bandeira Fairmont no Brasil. Porém, cerca de seis meses após a inauguração, veio a pandemia, que gerou um colapso no setor de turismo mundial, inclusive no de hotelaria.

Já em 2021, o Fairmont Rio de Janeiro Copacabana voltou a poder destacar seus pontos fortes: vida noturna, gastronomia e agito. O restaurante e o bar do hotel viraram referência na zona sul carioca. Música ao vivo é uma constante na programação da propriedade, seja no próprio hotel ou no Tropik, clube de praia em frente.

A badalação, as vistas e o clima de festa são o que mais chamam a atenção no Fairmont. Bem mais que os quartos e suítes, que são luxuosos e bonitos, mas não impressionam. Hospedei-me no hotel recentemente e, aqui, conto como foi minha experiência.

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Localização

Copacabana é um ponto de interesse mundial. Praia mais famosa do Brasil, chama muito a atenção dos estrangeiros, mas há muito tempo perdeu o glamour que já teve um dia. Para bares, restaurantes e vida noturna, tanto cariocas quanto visitantes brasileiros que estão em busca de bares e restaurantes badalados e exclusivos encontram opções melhores em Ipanema e no Leblon.

Fairmont Rio de Janeiro Copacabana
Por dentro do Tropik, beach club com vista para o Forte de Copacabana

No entanto, o Fairmont Rio de Janeiro está em um ponto privilegiado de Copacabana. O fim da orla fica ao lado da festejada Praia do Arpoador, e garante vistas impressionantes tanto para esse local quanto para o famoso Forte de Copacabana. Pela manhã, inclusive, dá para assistir de camarote o ensaio da banda militar do forte, dependendo da habitação em que o cliente está hospedado.

Outro ponto positivo dessa localização é a vista panorâmica para toda a extensão das praias de Copacabana e Leblon. É um visual altamente instagramável, e o ambiente da piscina principal garante fotos ainda mais belas. Aliás, ela está aberta a não hóspedes, por meio de day use.

Fairmont Rio de Janeiro Copacabana
Piscina principal do Fairmont

Marine Restô

O epicentro do Fairmont está no sexto andar, que concentra recepção e todas as áreas comuns do hotel. Para os adeptos da vida saudável, há uma academia grande bem equipada e um spa, batizado de Willow Stream.

O restaurante Marine Restô se transformou em uma referência gastronômica do Rio. Tem um estilo francês, de brasserie, mas seu ponto forte fica por conta da grelha e da brasa. Os pratos são variados, com destaque para carnes e frutos do mar.

Fairmont Rio de Janeiro Copacabana
Marine Restô

Sazonalmente, o Marine Restô promove alguns eventos, como o que estava ocorrendo no sábado de minha hospedagem. Era um encontro de seis chefs, cada um responsável por um dos pratos da inesquecível experiência gastronômica. Para saber sobre a programação de eventos, acesse o site do Fairmont.

Além do ambiente interno, o Marine tem mesas externas para apreciar a vista que domina todo o hotel, com direito ao famoso Morro Pão de Açucar. Então, sentar lá fora é mais legal durante o almoço, principalmente para quem gosta de apreciar ou participar do agito da piscina e do Spirit, bar no lado oposto do restaurante.

Fairmont Rio de Janeiro Copacabana
Experiência gastronômica

Além de almoço e jantar, o Marine serve café da manhã no sistema buffet, com opções de pratos quentes. O serviço não está incluído nas diárias mais baratas. Então, se fizer questão, certifique-se de que sua tarifa inclui café da manhã na hora de reservar.

Bares do Fairmont Rio de Janeiro

O Spirit é o principal bar do hotel, agitado no almoço e no jantar. Ele fecha durante um período à tarde, mas o serviço continua no bar da piscina. E por falar nela, tem borda infinita, deck molhado e seu ambiente quase sempre lembra uma festa no estilo “pool party”.

Fairmont Rio de Janeiro Copacabana
Piscina alternativa

Se isso é um atrativo para alguns hóspedes, para outros pode ser um problema. Até por isso, no lado oposto da recepção há uma segunda piscina, mais privada e quase sempre bem vazia. Por ali o hóspede conta com o mesmo serviço de bar e restaurante, e tem camas confortáveis para passar seu dia, além das cadeiras de sol. Só não tem a vista.

O Tropik é o beach club em frente o hotel. Tem cadeiras e estrutura na praia, além de restaurante especializado em culinária grega. É aberto a hóspedes e não hóspedes e também oferece programação com música ao vivo – como o Spirit.

Hospedagem

Minha hospedagem foi na suíte mais incrível do hotel, a One Bedroom. São quatro sacadas com vista 180 para todos os pontos: Morro Pão de Açúcar, panorâmica de Leme e Copacabana, Forte e Arpoador.

São 70 metros quadrados divididos em dois ambientes: sala, quarto e banheiro. A decoração mistura tons de bege com verde e vermelho. Dá vida ao ambiente sem exagerar, garantindo um estilo sofisticado.

Fairmont Rio de Janeiro Copacabana
Sala da suíte One Bedroom

Há estação de trabalho, minibar, máquina de café, cama king size com travesseiros de plumas e amenidades da Trosseau no banheiro, que conta ainda com roupão. O que achei mais simples na suíte foi justamente o banheiro, sem soluções espetaculares como as do Suíte Spa do Emiliano Rio – que tem ducha cascata, sauna e jaccuzi com vista, para citar alguns diferenciais.

Na mesma viagem, me hospedei também no Emiliano. Esse hotel impressiona mais nas habitações, mas, dependendo da categoria, o preço pode ser o dobro. Ele está uma categoria acima quando o assunto é sofisticação. Nas áreas comuns, no entanto, o Fairmont não fica para trás.

Na One Bedroom, o banheiro, revestido principalmente de granito, é básico, apenas com uma ducha de excelente pressão e sem banheira. Eu já havia me hospedado no Sofitel e pude perceber que os quartos mudaram pouco com a chegada da bandeira Fairmont – porém, já eram muito bons.

As diárias do Fairmont Rio de Janeiro Copacabana partem de R$ 1.490 no mês de abril. Para a suíte One Bedroom, começam em R$ 3.690. Associados no programa de fidelidade da Accor têm desconto.

W Cidade do México

Hotel balada, W Cidade do México é visão do luxo para a geração Z

A rede de hotéis W, da Marriott, é classificada pelo grupo na categoria luxo distinto. Eu prefiro chamar de luxo descolado, impressão que se confirmou em minha terceira hospedagem em uma propriedade do hotel. Desta vez, foi no W Cidade do México, na capital do país norte-americano.

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Minhas duas primeiras experiências de hospedagem foram no W Barcelona, na Espanha. Ao menos na época – entre 2011 e 2017 -, o hotel era um marco da vida noturna da cidade catalã.

A proposta do W combina com a atmosfera da Cidade do México, uma das maiores do mundo, e de Barcelona, um destino que se destaca pela arte contemporânea, cultura e vida noturna.

Quase sempre, o W tem um bar ou casa noturna que é referência na cidade. Em Santiago, havia o night club Whiskey Blue, que infelizmente encerrou as atividades. Em Barcelona, o badalado bar Eclipse tem como destaque a vista para o skyline da cidade.

Na Cidade do México, durante minha estadia, o bar no lobby foi sede de uma festa para lá de descolada, repleta de fashionistas da Geração Z. Esse público, aliás, é um dos focos do W, que mira em jovens bem sucedidos com personalidade disruptiva.

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W Cidade do México: hotel balada

Os bares e night clubs da rede W não são focados apenas nos hóspedes, mas na cidade da propriedade. Já o clima de balada está em praticamente todos os ambientes.

Na Cidade do México, músicas animadas, de ritmos como chill-out e lounge, são presença constante no restaurante, corredores e até nos elevadores. Estes, aliás, têm um clima escurecido que lembra o de um bar sofisticado.

E por falar em bar, há um dentro do principal banheiro social do W Cidade do México. Em alguns eventos, garçons servem drinks naquele ambiente, que acaba virando uma extensão da festa.

Localização e serviços do W Cidade do México

O W Cidade do México fica em Polanco, um dos bairros mais descolados e sofisticados da capital mexicana. Por ali o hóspede encontra praças arborizadas, lojas de grandes grifes internacionais, restaurantes descolados e museus.

A decoração tem a tradicional orientação contemporânea da rede W, seja nos quartos e suítes ou nas áreas comuns. A iluminação indireta também é item de série.

W Cidade do México academia

Além do bar do lobby, há um outro no segundo andar, que fica em uma varanda e tem uma vista agradável. Está localizado no segundo andar, ao lado do único restaurante.

Lá é servido um café da manhã que merece destaque, com buffet variado de hits mundiais de breakfast e especialidades mexicanas. Esse mix também dá o tom aos cardápios do almoço e jantar.

W Cidade do México
Restaurante na hora do café da manhã

Peixes, frutos do mar, massas e carnes se reúnem a tortilhas, tacos e muita pimenta. Os pratos que experimentei estavam muito saborosos, e o couvert incluía uma espécie de bruschetta de polvo. Um toque de classe.

Mas o serviço deixou a desejar. Era demorado e confuso, talvez por causa da grande convenção que estava sendo realizada no W Cidade do México – da qual eu fazia parte.

O hotel tem ainda uma bem equipada sala de ginástica, um spa e uma piscina coberta.

W Cidade do México bar
Bar no segundo andar

O quarto

O interessante do W Cidade do México é que os quartos, desde o mais simples, são como suítes junior de 40 m². Tudo fica no mesmo ambiente: quarto, sala e banheiro.

W Cidade do México quarto Espetacular

Minha categoria era a Espetacular, acima apenas da Wonderful. A decoração contemporânea investe bastante no branco, quebrado por móveis de madeira clara, azul nos revestimentos de cadeiras e almofadas e um imenso quadro que é a reprodução de uma foto moderna com ar retrô.

Há área de trabalho na sala e um pequeno armário, também branco. Sobre a cama king size com inúmeros travesseiros de plumas, um painel de LEDs lembra um aquário. Toda a iluminação é comandada por botões sensíveis ao toque distribuídos pelo quarto.

Box no quarto Espetacular

O banheiro tem box e toalete separados, pia dupla e uma imensa janela do chão ao teto, com vista para as imensidão de áreas verdes do bairro de Polanco.

Pontos negativos do quarto

Senti falta de amenidades no banheiro. Havia roupão (milagrosamente e, creio que de maneira inédita, do meu tamanho), xampu, condicionador e sabonete líquido, todos de ótima qualidade.

Fora isso, o hotel oferece sabonete de barra para a pia, lenços e secador de cabelos. Senti falta de kits de higiene com cotonete e algodão, toca de banho e outras amenidades típicas de hotéis de luxo.

Vista para o bairro de Polanco

No armário destinado ao minibar, havia máquina de café na parte de cima. Mas, na parte de baixo, nada de minibar. Eles retiraram o refrigerador do quarto e, estranhamente, alegaram que esse era reflexo da pandemia.

Depois de algumas horas de insistência, no entanto, consegui que levassem uma mini geladeira a meu quarto. Em dois dias de hospedagem, o serviço de arrumação foi realizado muito tarde, depois das 16h. E olha que, em ambos, deixei a hospedagem antes das 8h.

Cadê o minibar?

Preços do W Cidade do México

As diárias partem de cerca de R$ 1.100 no mês de maio no quarto Wonderful, e de R$ 1.200 no Espetacular. Há ainda as hospedagem Fabulous, e as suítes de canto, Fantastic e Marvelous.

Já a Extreme Wow é uma penthouse de 121 m² com diárias a quase R$ 19 mil no período.

Marriott Bonvoy

Uma das possibilidades de se hospedar no W é o acúmulo de pontos no programa Bonvoy, da Marriott. A rede tem mais de 30 marcas em todo o mundo.

Os participantes podem usar esses pontos acumulados para reservar hospedagens em uma das propriedades do grupo, como nos programas de fidelidade de companhias aéreas.

United Polaris

Como é voar na classe executiva United Polaris

Foram dois anos e meio sem sair do Brasil, por causa da pandemia de covid-19. Meu retorno a territórios estrangeiros foi no início do mês de março, com destino a Las Vegas e conexão em Houston, nos Estados Unidos. Para chegar ao destino escolhi a United Polaris, classe executiva da companhia americana.

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Das três maiores dos EUA, nunca havia voado de United em trechos internacionais – apenas dentro do território americano. Já havia voado nas classes executivas da Delta e da American Airlines, então dá para compará-las à da concorrente.

O que não dá é para comparar os atuais serviços da United com os oferecidos antes da pandemia. Sabemos que tudo mudou muito na aviação por causa dos protocolos de prevenção à covid-19.

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Escolha do voo

Dois fatores me levaram a escolher a United para meu voo a Las Vegas. O primeiro foi o preço. Comprei o ticket em data próxima à partida e paguei R$ 7 mil pelo trecho, já com impostos.

Pode parecer muito, mas as demais companhias tinham bilhetes que chegavam a R$ 20 mil para conexões com duração semelhante. Este, aliás, foi o segundo fator de escolha.

A United oferecia a conexão mais curta a Las Vegas, via Houston. Havia a opção, pelo mesmo preço, de fazer a parada em Nova Jersey. Mas, nesse caso, além do trecho internacional mais longo, o voo nacional é de cinco horas.

Poltrona ímpar

De Houston a Vegas são 3 horas de voo. E de São Paulo à cidade do Texas, cerca de nove horas e meia. A conexão durou uma hora e 40 minutos, tempo exato para os demorados processos nos aeroportos norte-americanos.

Quase sempre (e isso não mudou) há imensas filas na imigração e na checagem de segurança, um processo bem minucioso. Em Houston, os deslocamentos entre terminais também são longos, demorados e podem exigir transporte em monorail (meu caso).

Em resumo, fazer conexão em aeroportos americanos é um processo desgastante. Infelizmente, no meu caso era inevitável. Não há voos diretos de São Paulo a Las Vegas.

Compra do bilhete da United Polaris

A compra do bilhete foi no site da companhia. O preço era um pouco melhor que no de parceiros como Decolar, Submarino e Viajenet. No 123 Milhas, saía por R$ 300 a menos, mas apenas para pagamento no pix ou boleto.

Então decidi não fazer essa economia, pois perderia tanto as milhas do voo (no 123, os tickets já são emitidos com milhas) quanto as do cartão de crédito. Além disso, só o site da United oferece opção de cancelamento gratuito em até 24 horas.

Há menos privacidade nas poltronas pares da united polaris
Há menos privacidade nas poltronas pares

Por falar em milhas, o programa da United é o MileagePlus. No Brasil, dá para pontuar os voos da companhia americana no Tudo Azul.

Eu optei por usar o Miles&More, da Lufthansa, da qual era passageira frequente antes da pandemia. A United, como a companhia alemã, faz parte da aliança Star Aliance.

Check-in e salas vips da United Polaris

Logo após a compra do bilhete, a United envia um formulário para apresentação de documentos necessários para o check-in. Entre eles, o teste de covid, que deve ser feito no dia anterior à data do voo – não necessariamente 24 horas antes. Pode ser RT-PCR ou antígeno. Essa é uma das exigências para entrada aos Estados Unidos.

Como é preciso inserir as informações do visto e o meu, de emergência, saiu poucas horas antes de meu voo, deixei para fazer todo o processo de check-in no balcão, no aeroporto de Guarulhos.

Lounge do Banco Safra

Graças ao atendimento preferencial para os passageiros da United Polaris, foi tudo bem rápido e sem burocracia. Apresentei o teste de covid e o certificado internacional de vacinação, outra exigência dos EUA – além de passaporte com visto. Passageiros da United Polaris têm direito a despachar gratuitamente duas malas até 32 kg.

Em poucos minutos já havia passado pela checagem de segurança e a imigração no moderníssimo Terminal 3 de Cumbica, em que a United opera. Não há fila preferencial para passageiros de classe executiva de nenhuma companhia aérea nesse aeroporto. Porém, todos os processos são rápidos.

A sala VIP da United em Cumbica é a do Banco Safra, que antigamente era a da Star Alliance. Esta “fechou” durante a pandemia, mas a nova administração não fez nenhuma mudança. A decoração é a mesma, assim como o layout. Quase todas as companhias da aliança fizeram parceria com o espaço.

A vista no lounge do Banco Safra

No lounge do Banco Safra há diversos ambientes. Entre eles, salas com TV e sofás, poltronas com vista panorâmica para a área de compras do terminal de embarque, cadeiras com mesinhas semelhantes às de avião e uma área com mesas de restaurante. Outro destaque fica por conta do bar e das cabines com chuveiros.

O buffet inclui lanches rápidos e uma variedade de pratos quentes. Já a carta de bebidas tem vinhos, champagne, drinks variados e destilados.

Em Houston, os passageiros que chegaram ao destino de United Polaris têm acesso ao lounge de mesmo nome, mas não tive a oportunidade de conhecê-lo. Não havia nenhum em meu terminal de embarque, o C. Acabei usando uma sala VIP United Club, mais simples, mas muito bem equipada, à espera de meu voo para Las Vegas.

United Club

De acordo com a United, os lounges Polaris são apenas para passageiros voando de classe executiva ou primeira classe em voos internacionais de longa duração – sejam eles realizados com a própria companhia ou com outras empresas da aliança Star Alliance. Nos EUA, são seis lounges United Polaris, que oferecem uma experiência mais exclusiva: Houston, Nova York (Newark), Washington, Chicago, São Francisco e Los Angeles.

Para passageiros voando de primeira classe ou executiva em voos dentro dos EUA, ou internacionais de curta distância, os lounges disponíveis são United Club. Há 45 salas espalhadas pelos principais aeroportos dos Estados Unidos.

Cabine e poltrona da United Polaris

O embarque foi rápido, pois quem viaja de United Polaris tem prioridade. A cabine apresenta layout 1-2-1, com acesso de todos os passageiros ao corredor. Nas duas poltronas do meio, há uma divisória para garantir a privacidade. Porém, ela pode ser removida, caso os dois ocupantes estejam viajando juntos.

Já nas poltronas das extremidades, o melhor negócio é reservar as ímpares (como a minha, 5L). Além de ficar mais próximo à janela, o passageiro conta com um console que o deixa afastado do corredor, garantindo mais privacidade.

Posição cama na United Polaris
Posição cama

Nas poltronas pares, a posição é invertida. O console fica ao lado da janela e o passageiro, mais exposto. Mas nem tanto, pois há uma espécie de “casulo” para garantir privacidade.

As poltronas da United Polaris têm três posições pré-definidas: pouso e decolagem, descanso e cama. Porém, dá para fazer qualquer combinação entre o apoio para os pés integrado ao assento e o encosto.

Manta e travesseiro são da Saks 5th Avenue na United Polaris
Manta e travesseiro são da Saks 5th Avenue

A poltrona vira uma cama flat bed, ficando a 180 graus, sem aquela posição de tobogã de outras classes executivas. Assim é chamada a posição em que os pés ficam para baixo. Felizmente, atualmente é cada vez mais rara.

O apoio para os pés à frente da poltrona, no entanto, afunila. Isso, para mim, não é um incômodo, mas costuma ser para passageiros altos ou com pés maiores.

Entretenimento e amenidades

Há um pequeno controle para comando remoto das telas individuais da United Polaris, mas elas também são sensíveis ao toque. Rápido e fácil de usar, o sistema apresenta um amplo catálogo de filmes e séries, muitos deles com opção de legendas em português.

O legal de viajar nessa época do ano é que dá para ver diversos filmes indicados ao Oscar que ainda podem estar no cinema. Entre eles, “Spencer”, “King Richard” e “Casa Gucci” (que não está na premiação, mas era um dos destaques).

Cada cabine da United Polaris tem abajur com controle de iluminação e uma grande mesinha que pode ser movimentada para o fundo mesmo com as bandejas sobre ela – o que facilta a saída da poltrona após as refeições, antes que a louça seja recolhida. Há ainda diversos porta-objetos, tomada e entrada USB.

A cabine conta com armário, onde são colocadas água e o kit de amenidades da United Polaris – que vem em uma bolsinha de couro. Traz máscara de dormir, cremes, álcool em gel e outros mimos. Já a manta oferecida aos passageiros é da Saks 5th Avenue.

Kit de amenidades da United Polaris
Kit de amenidades

Serviço de refeições

Esse foi o ponto crítico do voo na United Polaris. Não havia cardápio. Então, antes da decolagem, os comissários diziam aos passageiros quais eram as opções de prato principal e anotavam os pedidos.

O serviço começou logo após o aviso de cinto de segurança ser apagado, com bebidas. Havia vinhos, champagne, destilados, drinques e licores, além de água, refrigerantes e suco. Para acompanhar, castanhas e amendoas.

A refeição veio logo a seguir, sem toalhas para forrar a mesa. Foi servido tudo de uma vez, em uma bandeja, sem possibilidade de escolher a entrada, que era a mesma para todos. Sobremesa elaborada? Qua nada! Havia um bolinho industrial apenas.

E nada de cestinha com pãozinhos quentes. Foi servido um pão embalado, acompanhado por manteiga. Reflexos da pandemia. Ao menos, diferentemente do que ocorria na retomada dos voos antes do início da vacinação, os talheres não eram de plástico.

Em classes executivas, antes da pandemia, as refeições eram servidas em passos, com opção de entradas, sobremesas, queijos. Agora, ao menos na United Polaris, tudo mudou. O lado positivo é que o serviço terminou rapidamente e sobrou mais tempo para dormir.

Durante a noite, as galerias são abastecidas com água, refrigerantes, sanduíches, batatas Ruffles e doces. E, se o serviço de refeições deixou a desejar, com a tripulação, cordial, prestativa e eficiente, foi o contrário.

De acordo com a United, a companhia está retomando aos poucos os serviços de bordo aos níveis de pré-pandemia. Ainda conforme a empresa, alguns exemplos são o retorno do drink de boas-vindas e da louça no jantar e café da manhã. “Ainda não temos, no entanto, uma data para retorno do serviço completo, que está sendo avaliado de acordo com a retomada das viagens”, informou a United.

Na retirada de bagagens, já em Las Vegas (após conexão em Houston), a esteira demorou quase 40 minutos para começar a girar. Porém, o selo de prioridade das bagagens foi respeitado – a minha foi uma das primeiras entregues.

A United opera diariamente voos de São Paulo para Houston, Nova York e Chicago, e do Rio de Janeiro para Houston. A rota entre São Paulo e Washington é operada três vezes por semana.

Emiliano Rio

Emiliano promove experiência personalizada de bem-estar no Rio

É difícil escolher o que me impressionou mais no hotel Emiliano do Rio de Janeiro, segunda propriedade da marca nascida em São Paulo. As vistas são sem dúvidas espetaculares e a qualidade gastronômica em seus dois restaurantes, esplêndida.

No Instagram: @rafaelatborges

A localização também é privilegiada, especialmente para um dos principais públicos-alvos do hotel, os estrangeiros. A Suíte Ocean Spa, de 90 metros quadrados, é um capítulo à parte. A suíte tem como foco privilegiar a saúde física e mental dos hóspedes em um cenário cotidiano cada vez mais conturbado e estressante.

O Emiliano é um dos símbolos do fortalecimento da hotelaria de alto luxo no Rio de Janeiro, que vem ganhando cada vez mais espaço na capital fluminense. Junto com o tradicional Copacabana Palace e com o moderno Fasano, forma a tríade dos hotéis mais sofisticados do Rio.

Hospedei-me na suíte Ocean Spa do Emiliano no início de fevereiro e aproveitei também vários outros aspectos do hotel, como a gastronomia. Aqui, divido com vocês como foi minha experiência.

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Localização e design do Emiliano

O posto 6 é um dos mais badalados da Praia de Copacabana, o coração do Rio de Janeiro. Quando o assunto é público brasileiro, o alvo do Emiliano certamente prefere locais como Ipanema e Leblon. Copacabana já viveu dias de mais glamour, ainda não retomados.

No entanto, não é apenas a praia mais famosa do Rio, como também a do Brasil. Por isso, é o ponto mais procurado por estrangeiros que visitam o Brasil – e formavam boa parte do grupo de hóspedes do Emiliano em meu período de hospedagem.

Sala de visitas e palco de shows intimistas para os hóspedes - Hotel Emiliano
Sala de visitas e palco de shows intimistas para os hóspedes

O hotel ocupa o lugar em que antigamente havia uma casa pertencente à República da Áustria, na Avenida Atlântica (em frente à Praia de Copacabana). O imóvel original foi colocado abaixo. Por isso, o Emiliano nasceu do zero, sem preservar partes da antiga construção.

Inaugurado em 2017 e com projeto de Arthur Casas, o edifício tem a parte externa revestida por um painel branco que o arquiteto descreve como uma “pele”. O objetivo foi quebrar a continuidade dos blocos de concreto ao redor da orla, dando destaque ao Emiliano.

Morro do Pão de Açúcar é onipresente - Hotel Emiliano
Morro do Pão de Açúcar é onipresente

Por dentro, o design moderno tem inspiração na orla de Copacabana, criada por Burle Marx. Mais especificamente, em um painel do paisagista que está exposto no hotel. Na prática, o visual é contemporâneo e minimalista, seguindo o exemplo da matriz, em São Paulo.

Por todo o hotel, as vistas da praia, do Morro do Pão de Açúcar e do Forte de Copacabana estão presentes. Eles podem ser vistos em locais como as suítes e apartamentos frente mar, a piscina e a pequena academia.

Bares, restaurantes, piscina

A recepção do Emiliano Rio é bem intimista, e o atendimento personalizado começa já no estacionamento. Ao descer do carro, o funcionário do hotel já me chamou pelo nome, algo que se repetiu durante toda a estadia. Após um rápido check-in, fiz um tour pelo hotel, que tem 90 apartamentos e suítes, com o Lacerda, chefe da mordomia.

Logo na entrada há um bar de coquetéis e, atrás dele, a belíssima adega. Em seguida, está o restaurante Emile, já eleito o melhor francês do Rio de Janeiro. Em sua área externa, há um jardim vertical. Comandado pelo chef Camilo Vanazzi, tem café da manhã a la carte com seleção de pães, frutas, sucos naturais, doces e pratos quentes (R$ 120).

Restaurante Emile, no Emiliano
Emile

Também é famoso por seu brunch com vários passos (R$ 287). Durante a semana, o almoço executivo sai por R$ 85 com entrada e prato principal e vai a R$ 98 com sobremesas. Eu optei por um delicioso tartar e um peixe com aspargos (que não estava legal de apresentação, mas esplêndido de sabor).

Ainda no primeiro piso há uma sala em que os hóspedes podem receber seus convidados. Em algumas noites, funciona como bar e tem shows de música ao vivo. Já recebeu nomes como a saudosa Elza Soares.

No rooftop está um dos destaques do Emiliano, a piscina em forma de L com borda infinita e deck molhado (apenas para hóspedes). À noite, a partir das quartas-feiras, o bar da piscina se transforma em um restaurante também comandado por Vannazi, e aberto a não-hóspedes.

Restaurante no rooftop do hotel Emiliano
Restaurante no rooftop

Por ali, o investimento é a gastronomia saudável e os carros-chefes, pratos que combinam alguns elementos brasileiros a frutos do mar. Não deixe de provar a lagosta balotinada grelhada.

Suíte dentro do spa

No 12º e penúltimo andar estão a academia e o Spa Santapele, marca que também dá nome aos produtos oferecidos como amenities nos apartamentos e suítes, exclusivos do Emiliano. E as duas suítes Spa.

Elas ficam literalmente dentro do spa do hotel, e todos os tratamentos podem ser feitos sem que o hóspede saia de sua acomodação. Alguns já estão incluídos. Entre eles, um escalda-pés e uma massagem de cortesia de 30 minutos.

Caixa barra ondas eletromagnéticas de smartphones

Antes da massagem, a chefe do spa, Brisa, foi conversar comigo e fez perguntas sobre meu estilo de vida e necessidades, para decidir qual seria o tratamento ideal para mim. Enquanto isso, o chefe da mordomia desfazia minha mala e organizava meus itens no armário.

Ao entrar na suíte, já havia música ambiente e um presente concedido a todos os hóspedes do Emiliano, independente da categoria de hospedagem. No meu caso, uma bolsa de praia da Havaianas. Outro destaque é um compartimento que barra as ondas eletromagnéticas dos smartphones, um convite a deixar o aparelho de lado por um tempo e relaxar sem necessariamente se desconectar de eventuais chamadas urgentes.

O bem-estar é prioridade. Por isso, há atividades exclusivas para o hóspede. Eu escolhi uma aula de yoga, também feita dentro da própria acomodação. No balcão, havia material da pintura, outra atividade relaxante. Um convite a captar a belíssima paisagem à frente.

Outro toque incrível de atendimento personalizado vem da equipe do spa, que está à inteira disposição dos hóspedes dessas duas suítes. Eles atuam como uma segunda recepção. Ofereceram a mim participar de algumas atividades na praia disponíveis para os hóspedes: stand-up paddle, canoa havaiana e beach tennis. Escolhi a última, pois o mar não estava dos mais calmos no período.

A suíte Ocean Spa

Das duas suítes do spa, uma delas apenas é frente mar, a Ocean. As diárias são de R$ 5.750 e a vista, espetacular. Está dividida em quatro ambientes, além do balcão. O hall, com iluminação baixa, é para os tratamentos oferecidos pela equipe do spa, como massagem.

Em seguida, há uma antessala, separada do quarto por uma porta de correr – os dois ambientes têm TV. Quando o hóspede se cansa da vista, é só acionar a cortina blaclout automática.

A organização dos travesseiros verticais é uma assinatura do Emiliano, e eles são de pluma de ganso húngaro. Na cama king, os lençóis são de 400 fios, feitos com algodão egipício. Dos 90 m² da suíte, 30 m² pertencem ao quarto ambiente, o banheiro em formato retangular.

Em uma das extremidades está o box com ducha com efeito chuva e cascata, ao lado da jacuzzi. Por ali, há uma porta de vidro que dá acesso ao balcão e à mesma vista que domina todo o hotel.

Os hóspedes da suíte podem solicitar à equipe do spa a preparação de banhos aromáticos na jacuzzi. Ao lado do box, há uma pia dupla e os armários e, no fundo, uma segunda área.

Nela, o hóspede encontra um vaso sanitário japonês, outra pia e uma sauna úmida exclusiva. Na sauna, há uma segunda ducha. Se há alguma crítica a toda a experiência no Emiliano, ela fica apenas para a iluminação fraca dessa parte do banheiro.

Kitzbühel estação de esqui

Kitzbühel, a estação de esqui da nova série do Netflix

Navegando entre as estreias do Netflix, me chamou a atenção o título “Kitz”. Não pelo enredo, e sim pela locação, Kitzbühel. A cidadezinha medieval na região de Tirol, na Áustria, é uma das mais badaladas entre o público alemão, especialmente os da região de Munique.

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Aqui no Brasil, no entanto, acredito não ser um local muito popular, nem mesmo conhecido. Eu mesma nunca tinha ouvido falar. Não que seja grande fã de locais que têm o esqui como principal atração; nunca nem tentei esquiar na neve.

Porém, já visitei algumas estações, por trabalho ou lazer, já que considero esses locais extremamente charmosos. Estive na região de Lake Tahoe, nos EUA, Vale Nevado, no Chile, Saint Moritz, na Suíça e Bariloche, na Argentina. De amigos que adoram esquiar, os locais preferidos são Aspen (EUA), Courchevel (França), Gstaad (Suíça)… De Kitzbühel, nada ouvi falar.

Mas fui, em uma viagem a Munique. A cidade alemã é um bom ponto de partida para viagens de carro. De lá, já parti para Elmau, na própria Alemanha (opa, olha aí mais uma estação de esqui para o currículo), Salzburgo, na Áustria e o famoso castelo Neuschwanstein, que inspirou o da Cinderela, na Disney.

Além, é claro, de Kitzbühel. O centro da cidadezinha é simpático e, bem pequeno e de estilo medieval. Mas é nas montanhas que se concentra o epicentro do local, que é repleto de hotéis de design, bem contemporâneos.

Na série “Kitz”, inclusive, um hotel é um dos palcos da trama. O carismático personagem Kosh é proprietário de um hotel fictício na encosta de uma montanha.

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Kitzbühel na neve

O teleférico que dá acesso às montanhas Hahnenkamm (1.712 m) e Kitzbühler Horn (1.996 m), entre as quais se situa a cidade, está nas imediações do centro. Todas as manhãs, durante a temporada de inverno, os praticantes de esqui se dirigem a ele para um dia de atividades na neve.

Minha visita a Kitzbühel foi um bate-e-volta a partir de Munique (são 123 km entre vias rápidas, sem limite de velocidade, e estradas secundárias). A viagem de carro já foi um espetáculo à parte, pois passamos por diversos trechos entre montanhas.

Por lá, escolhemos o hotel Maierl-Alm para passar o dia. Tecnicamente, ele fica em Kirchberg, a 7 km do centro de Kitzbühel. Porém, está localizado sobre as montanhas, com acesso direto às estações de esqui.

Por isso, uma cena é bem comum no restaurante: praticantes de esqui ainda com suas roupas térmicas e sapatos apropriados para o esporte circulando na parte do terraço, que tem vista para as pistas. Por ali, inclusive, a especialidade é a culinária da região de Tirol.

Maierl-Alm

No meio da tarde, uma cena típica de estações de esqui: o terraço do restaurante começa a virar uma balada, com um DJ acompanhando o por do sol. O restaurante do Maierl é aberto a não-hóspedes.

Le Grand Contrôle

Le Grand Contrôle é hotel de luxo no palácio de versailles

Construído por Luis XIV, o Palácio de Versailles, a 20 km do centro de Paris, é o grande símbolo do período absolutista. Um dos pontos históricos mais visitados na França, ele agora é também oferece experiência de hospedagem para uma imersão nos tempos da monarquia. É que em julho deste ano foi inaugurado em um de seus anexos o hotel Le Grand Contrôle, da rede Airelles.

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O hotel de luxo tem apenas 17 quartos e suítes e foi construído em um prédio ao sul da construção central do palácio. A área já serviu de moradia para integrantes da nobreza francesa. Posteriormente, passou a abrigar juízes da monarquia, o que serviu de inspiração para o nome do empreendimento de luxo.

Cada uma das acomodações do Le Grand Contrôle leva o nome de um dos juízes que fizeram parte das cortes dos três reis Luís que comandaram Versailles: XIV, XV e XVI. O último monarca, tataraneto do fundador, foi derrubado pela Revolução Francesa e degolado junto à sua esposa, a famosa Maria Antonieta.

Destaques do Le Grand Contrôle

A decoração do hotel é inspirada no século XVIII, e os móveis foram todos comprados em antiquários. Isso tanto nos salões quanto nas acomodações. Papéis de parede forram também objetos como caixas de amenidades, e muitos detalhes são revestidos de couro (até a chaleira).

O Le Grand Contrôle, porém, também tem seu toque de modernidade. Cada acomodação tem uma caixa com tablet, para controle de funções do quarto, e smartphone (com informações sobre o hotel e canal para contato com a equipe de atendimento).

Outro toque de modernidade é a piscina coberta e aquecida disponível para os hóspedes. O restaurante do hotel comandado pelo renomado chef Alain Ducasse.

Além disso, quem se hospeda no Le Grand Contrôle tem direito a um exclusivo tour guiado pelo Palácio de Versailles no fim do dia, quando os turistas já foram embora.

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Acqua

Restaurantes na Rio-Santos para curtir o por do sol

A Rio-Santos é uma das estradas mais emblemáticas do Brasil. À beira mar, o trecho da BR-101 entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro é conhecido pelos lindos destinos de praia, mas traz também diversas atrações gastronômicas. Em uma road trip pela via, visitei dois restaurantes que são verdadeiras experiências: Acqua e Gastromar.

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O Acqua fica no alto de um morro na Estrada de Camburi, entre esta praia e Baleia, em São Sebastião (SP). O Gastromar está na Marina Porto Imperial, em Paraty, no Rio de Janeiro. Entre vários coisas em comum, ambos têm um destaque: o por do sol inesquecível.

Por isso, são ideais para aquele almoço tardio, também conhecido como “late lunch”.

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Acqua

O restaurante tem como destaque a varanda com vista 180 graus para as praias de Camburi e Baleia. Embora ofereça lugares na parte interna, a externa é a mais concorrida por seus clientes, que são bem fiéis e se deslocam de diversas outras praias da região para desfrutar o cardápio e o visual.

Acqua fica na Estrada de Camburi, entre esta praia e Baleia (Fotos: Levi Pinheiro)
Acqua fica na Estrada de Camburi, entre esta praia e Baleia (Fotos: Levi Pinheiro)

A vista é uma das mais lindas de todo o litoral de São Paulo a qualquer hora do dia. Mas o por do sol é um espetáculo e uma grande experiência.

Por isso, o ideal é chegar ao Acqua a partir das 15h e curtir a tarde em casal, família ou grupo de amigos – esses três públicos são bem frequentes no restaurante. Para isso, há uma excelente carta de vinhos e um cardápio com muitos drinks bacanas.

A cozinha comandada pelo chefe Natanael Azevedo é diversificada. O cardápio tem massas, risotos, carnes e muitos ingredientes típicos da culinária nacional. Uma das tradições do restaurante é o risoto de frutos do mar, com camarões, lula, polvo e marisco.

Varanda do Acqua
Varanda do Acqua

Mas há também espaço para experimentação, a exemplo de um dos novos pratos do cardápio, capellini com camarões contornado por molho de frutas vermelhas. A combinação é extraordinária.

Entre as sobremesas, o carro-chefe é um cheesecake de goiaba crocante, que está para o Acqua assim como o petit gateau de doce de leite está para o restaurante El Gordo, em Trancoso – quem conhece sabe do que estou falando.

Prato novo do Acqua
Capellini com camarões de contorno de frutas vermelhas

Os preços dos pratos no Acqua ficam entre R$ 80 e R$ 200. No caso das sobremesas, o valor é em torno de R$ 50. O restaurate está aberto de quinta-feira a domingo, e tem estacionamento gratuito.

Gastromar Paraty

Para quem visita Salvador, um programa gastronômico imperdível é a Bahia Marina, de preferência para acompanhar o por do sol. Por lá, há diversidade de ótimos restaurantes, alguns com vista para a Baía de Todos os Santos e os barcos da marina.

Para quem vive nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, não é preciso ir a Salvador para ter uma experiência semelhante. O Gastromar Paraty, assim como o Acqua, tem varanda com vista panorâmica para a Marina Porto Imperial.

Ali, você curte um almoço e um fim de tarde com drinks e um por do sol de parar o coração, observando os barcos da marina. O universo náutico foi o combustível para a criação do Gastromar. A paulistana Gisela Schmitt sempre frequentou Paraty. Chef de cozinha, começou a oferecer seus serviços na cidade secular fazendo catering marítimo, para os barcos da região.

Gisela Schmitt

Então Gisela criou sua própria experiência náutica, o Sem Pressa. O barco retrô promove uma experiência de pelo menos cinco horas pelas ilhas da região de Paraty, com menu gastronômico, drinks e uma ótima trilha sonora. O programa é para grupos, exige reservas e os preços devem ser consultados por meio do telefone 24-99844-3788.

Após o Sem Pressa, nasceu o Gastromar, especializado em comidas típicas do mar combinadas a ingredientes cultivados e produzidos na região de Paraty. Além da varanda com vista panorâmica, há bar, ambiente com mesa de sinuca e lounge.

O restaurante também tem uma loja de produtos culinários e bebidas. O estacionamento é gratuito. O acesso é pela própria Rio-Santos, pouco antes da entrada para o centro de Paraty.

Itamambuca Ecoresort

Itamambuca é resort para imersão na natureza no coração da Rio-Santos

Quando o brasileiro pensa em resorts familiares de praia, o Nordeste sempre vem à cabeça como primeira opção. Mas a pandemia levou o turista a procurar locais que podem ser atingidas de carro a partir de suas cidades de origem. No caso de São Paulo, as opções do litoral. O Itamambuca Eco Resort foi um dos que ganharam com essa nova onda.

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Localizado na praia de Itamambuca, em Ubatuba, famosa por competições de surf, tem uma origem curiosa. Surgiu como um camping, foi crescendo e se tornou resort premium. O foco é em famílias e no contato com a natureza.

Rio Itamambuca
Rio Itamambuca

Por isso, em sua grande área (30 mil metros quadrados), em que o camping ainda é mantido – em região mais próxima à praia -, há muito verde e locais para trekking e observação de pássaros. Além disso, traz infraestrutura caprichada, com duas piscinas, restaurante, bares e deck na praia, entre outras facilidades.

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É também um dos hotéis do litoral de São Paulo a oferecer carregador para carros elétricos, um atributo que vem sendo valorizado pelos clientes de hotéis premium em tempos de road trips. Hospedei-me durante duas noites no Itamambuca Ecoresort e conto o que ele tem de bacana.

Localização

Área da piscina

Ubatuba se estende por pelo menos 30 km de praias na rodovia Rio-Santos, o trecho da BR-101 entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A Praia de Itamambuca fica a 15 km do centro, na direção de Paraty, para quem vem de São Paulo.

O resort é praticamente pé na areia. Praticamente porque está às margens do rio Itamambuca, e é preciso atravessá-lo para atingir a praia. No entanto, a travessia é por uma parte rasa do rio. Quem preferir pode pegar uma pequena balsa.

O rio, com suas águas calmas e claras, é uma grande vantagem de um resort com apelo familiar, pois Itamambuca, com ondas fortes, não é das melhores praias para banho, especialmente para crianças. Por isso, é mais comum ver os hóspedes aproveitando o banho de rio.

Há uma estrutura com bar e deck muito bonito (de onde também se observa um inesquecível nascer do sol) às margens do rio, e serviço de praia com guarda-sol e cadeiras na praia. Da recepção a essa área do hotel, são 200 metros de caminhada por um caminho repleto de árvores, também às margens do rio.

Estrutura

Além da estrutura de praia, área de trekking e as duas piscinas, o hotel tem duas quadras de tênis e uma poliesportiva. Recentemente, lançou também sua quadra de beach tennis, o novo esporte da moda.

Itamambuca Ecoresort

Há ainda salão de jogos, playground, quiosques com churrasqueira e aluguel de equipamentos para atividades como snorkel e stand-up paddle. O restaurante Taioba serve um café da manhã bem completo e diverso das 7h às 10h. Além das opções do buffet, o hóspede pode solicitar omeletes e tapiocas a la carte. Há opção para veganos.

No jantar, eventualmente há show de piano, especialmente em finais de semana e datas mais movimentadas, como férias e feriados. O cardápio é bem diversificado e, como era de se esperar em um resort de praia, com muitas opções de frutos do mar.

Entre os destaques do Taioba há o Festival da Lula e o Festival do Camarão. Já o spa é focado em tratamentos relaxantes, mas há também alguns estétivos. Muitos podem ser realizados ao ar livre.

Outro destaque é a observação de pássaros. Há cerca de 250 espécies catalogadas na área do Itamambuca Ecoresort. as saíras-de-sete-cores, picapaus, tucanos e inúmeras famílias de beija-flor. Os hóspedes também podem observar muitos animais silvestres que habitam a Mata Atlântica, como esquilos e lagartos.

Piscina principal do Itamambuca Ecoresort
Piscina principal do Itamambuca Ecoresort

A decoração é rústica, bem ao estilo praia, com muito uso de madeira em todos os ambientes do resort – dos comuns aos quartos.

Acomodações no Itamambuca

Os quartos não são o ponto forte do Itamambuca. Precisam de reforma. São 76, divididos nas categorias Luxo, Bangalô e Master. Me hospedei na suíte Master, a mais alta categoria. São 46 metros quadrados divididos por um bonito armário de madeira em dois ambientes.

A cama king size é muito confortável e os travesseiros e toalhas têm excelente qualidade. A ducha tem ótima pressão e o toalete ocupa uma área exclusiva. Há ainda uma grande sacada com vista para a Mata Atlântica.

Porém, falta sofisticação na decoração, que tem cortinas em um tom muito alegre e móveis já antigos. Equipamentos como TV, frigobar e ar-condicionado precisa de renovação. Ainda assim, como dispõe de muito conforto, não são um ponto que deve afastar o hóspede da beleza, as comodidades e o contato com a natureza oferecidos por esse pedacinho de paraíso na Rio-Santos.

Preços

Para quem não quer se hospedar, o Itamambuca Ecoresort oferece a opção de day use. São R$ 88 para usar estruturas como piscina, praia e restaurante, entre outras. Já as diárias partem de R$ 574 em novembro – durante a semana.

Aos finais de semana, aumentam para R$ 640. Para a suíte Master, o melhor preço é de R$ 694 no mês de novembro. Esses valores são os praticados apenas em reservas realizadas no site do resort.

Praia de Itamambuca
Praia de Itamambuca
Deck da praia
Deck da praia: belíssimo nascer do sol
Recepção do hotel Itamambuca
Recepção do Itamambuca
Avignon

Como é explorar a Provença de carro

É uma grande alegria poder voltar ao conteúdo sobre roteiros de viagem fora do Brasil. A medida que as fronteiras da Europa vão se abrindo para brasileiros vacinados, começo a postar aqui conteúdos sobre regiões incríveis do continente. Começo pela França, um dos primeiros países a anunciar a abertura. Mais precisamente, pela Provença, o local que mais me surpreendeu nos últimos anos.

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Para quem gosta de fazer road trips explorando estradinhas secundárias com lindas paisagens, a Provença é um destino ideal. Conhecida pelas lavandas, os vinhos, a gastronomia e a arquitetura de estilo provençal, a região do sul da França é muito diversificada. A maioria das atrações está no interior. Porém, há também algumas cidades na praia, além de atrações naturais como cânions lindos de parar o coração.

Avignon, Proveça
Ponte de Avignon

Com cinco dias dá para ver o básico. Mas o ideal mesmo é já aproveitar a viagem e ver tudo. Eu recomendo dez dias. Fiquei onze, e não foram suficientes (mas teve GP de Fórmula 1 no meio do caminho, e dediquei três desses dias completos à competição).

É importante fazer duas ou três bases para conhecer direitinho a região, porque alguns lugares ficam distantes dos outros. Eu escolhi três: Luberon (o parque), Aix-en-Provence e Saint-Tropez.

Chegada a Fontaine-de-Vaucluse

Em minha opinião, é essencial alugar um carro para explorar a Provença. Há trens, por exemplo, em Avignon e Aix-en-Provence. Porém, no Luberon, sem carro a visita fica praticamente impossível. E esta é a parte mais legal da região.

A melhor época para ir à Provença é a segunda quinzena do mês de junho. Para quem quer ver os campos de lavanda, não há outra ocasião. E também não é tão quente nem lotado quanto em julho.

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Primeira parte da Provença: Luberon

Eu fiz minha base em uma cidadezinha chamada L’isle-sur-la-sorgue, conhecida pelas feirinhas provençais e ao lado do parque Luberon.

Antes de ir ao Luberon, recomendo que você assista o filme “Um Bom Ano”. Ele mostra a essência do local, com sua vida pacata, lenta, regada a bons vinhos, culinária e paisagens deslumbrantes.

https://blog.panrotas.com.br/viagem-e-estilo/2020/05/07/filmes-de-viagem-para-desbravar-o-mundo/
Gordes, Provença

No Luberon, as estradas são estreitas, mas com ótima pavimentação. A paisagem é sempre marcada por campos de lavandas, videiras ou árvores altas. É recomendável redobrar o cuidado, pois há muitos ciclistas pelo caminho. Aliás, eles estão por quase toda a região de Provença, conhecida também pela prática do ciclismo – o tour de France passa por lá.

A cidade essencial é Gordes , um vilarejo provençal no alto de uma montanha. O local é dominado pela arquitetura típica da região, com inspiração medieval, além de hotéis e restaurantes charmosos. No primeiro caso, o mais badalado é o La Renassaince, ao lado da famosa fonte do vilarejo.

Chateau La Canorgue

No caminho de Gordes a Bonnieux, você verá alguns campos de lavanda. Visite a vinícola Chateau La Canorgue, cenário de “Um Bom Ano”. Faça degustação e escolha o vinho topo de linha, que custa 20 euros e é excelente.

Termine o dia em Lourmarin, para ver o por do sol no belíssimo Chateau de Lourmarin, visitar galerias de arte, comprar sabonetes da Provença e jantar. Eu fui ao restaurante do simpático hotel Le Moulin, um dos melhores em que já estive na vida. Paixão total.

Chateau de Loumarin, Provença
Chateau de Loumarin

Avignon: quando Roma foi à França

No segundo dia, acordei e, de bike (programa que vale muito a pena na Provença), fui até a cidade de Fontaine-de-Vaucluse. Além do caminho cheio de áreas verdes e construções medievais, o destino é um espetáculo.

Rio Sorgue

Por lá, está a nascente subterrânea do rio de águas cristalinas Sorgue, de um tom esverdeado impressionante. O trajeto de bike foi de 15 km na ida e mais 15 km na volta. Aluguei a bicicleta no hotel, por 16 euros a diária.

Palácio dos Papas

Em seguida, fui visitar a famosa cidade de Avignon, que tem como principal atração o suntuoso Palácio dos Papas. Ele fica na cidade murada, onde há outra visita imperdível, a Ponte de Avignon. A partir dela, dá para ver toda a parte histórica da cidade.

Pedras e vida noturna

Depois, fui a Les Baux-de-Provence, a 40 km de Avignon. O caminho é espetacular, com a estrada rodeada por maciços de pedras. O vilarejo, aliás, fica sobre um deles.

Antes de chegar, dá para vê-lo a partir de um observatório, e a paisagem é inesquecível. Em Les Baux, além da arquitetura medieval, há diversas lojinhas de queijos e trufas.

Les-Baux-de-Provence, Provença
Les-Baux-de-Provence

A parada seguinte foi Saint-Remy, a apenas 10 km. Cidade murada, plana, cheia de fontes, foi inspiração para alguns quadros de Van Gogh.

O ponto forte de Saint-Remy é a noite, a mais animada desta região de Provença. Em frente bares e restaurantes (excelentes para experimentar a culinária provençal), na hora do por do sol (entre 20h e 21h no verão), há bandas de estilos variados, que vão do pop ao tradicional flamenco espanhol.

Lojas de queijos artesanais são destaque em Les-Baux

As ruas viram uma festa, com pessoas dançando. É um clima muito legal.

O manhã seguinte foi dedicado às cidades de herança romana de Arles e Nimes. Na primeira há um anfiteatro que lembra o Coliseu. Na outra, pontes romanas e uma cópia do Pathernon. Depois, visitei a famosa vinícola Chateauneuf du Pape. À tarde, mudei de base.

Aix-en-Provence e Marselha

Minha segunda base foi Aix-en-Provence, a mais escolhida por quem vai à Provença. Trata-se de uma cidade média, universitária, com excelente rede hoteleira.

Seu centro histórico é um charme, cheio de lojas, restaurantes e animados bares. Nele, está a Cours Mirabeau, que carrega o apelido de “avenida mais bonita do mundo”.

Aix-en-Provence, Provença
Aix-en-Provence

Aix fica a 38 km de Marselha, a maior cidade da Provença. A chegada à região de avião é por lá. Porém, dá também para desembarcar em Nice, se o plano for combinar essa viagem com a Riviera Francesa.

Não é a base ideal, pois não tem o espírito das cidadezinhas provençais. Porém, vale a visita. Há diversos pontos históricos incríveis, como a antiga prisão Chateau D’if (para chegar, é preciso pegar um barco no porto de Marselha).

Outro ponto turístico interessante é a bela basílica Notre-Dame de la Garde. Porém, o melhor programa é o passeio às Calanques de Cassis.

Marselha

Ele também exige que se saia de barco do porto de Marselha. Optei por um programa em um barco que só leva seis pessoas, por isso paguei 60 euros (com a empresa Turquoise Calanques, que faz reservas por internet). Porém, a partir de 20 euros, há passeios em barcos maiores (e cheios), saindo tanto de Marselha quanto de Cassis, cidade ao lado.

Dá ainda para fazer uma trilha, para observar as calanques (que são cânions) de cima. A água esverdeada e cristalina entre montanhas forma um cenário deslumbrante, bom para a prática de snorkel.

Calanques de Cassis

Lavandas e mais cânion

Em toda a região de Provence, em junho e julho, dá para ver campos de lavanda. Os mais belos, no entanto, estão em Valensole, 100 km ao norte de Marselha e a 70 km de Aix.

E há ainda mais um cânion que vale a visita na região. Trata-se do Gorges du Verdon, ou Garganta do Verdon, o cânion mais profundo da Europa. A cor verde da água é impressionante.

Saint-Tropez


A badalada cidade pode ser combinada tanto com a região de Provença quanto com a Riviera Francesa. Trata-se também de um bom ponto transição para quem quer fazer as duas em uma viagem só, algo que exige entre 15 e 20 dias (apenas de carro, sem necessidade de outro tipo de transporte).

Saint-Tropez, Provença
Saint-Tropez

Saint-Tropez foi minha terceira base. A cidade litorânea é conhecida pela vida noturna, pelo porto repleto de imensos iates e pelos clubes de praia. É uma das sensações do verão europeu, e tem também um belo centro histórico. Por lá, passei três noites.

Estradas da Provença

Os preços na Provença, especialmente os de restaurantes, são bem mais baixos que os praticados em outras regiões da França, como a vizinha a Riviera Francesa.

A maior parte dos deslocamentos na Provença é feito por estradas secundárias, boas de dirigir, com muitas curvas e velocidades máximas de 100 km/h. Já as rodovias têm máxima entre 120 km/h e 130 km/h, dependendo da região.

A maioria dos pedágios tem apenas cobrança automática, e alguns guichês só aceitam cartões (os com chip muitas vezes não são aceitos). Fique atento aos letreiros no alto das cabines para passar por um com a opção de pagamento em notas ou moedas. Sempre há um ou dois guichês com essa funcionalidade.

Vida noturna em Aix-en-Provence

Tanto nas cidadezinhas medievais quanto nas maiores, é muito fácil encontrar vagas de estacionamento. Estão por toda a parte – no caso das muradas, fora delas. Os preços variam de 1 a 5 euros pelo dia todo.