Auditório Westgate Elvis Presley

Elvis Presley e ‘Proposta Indecente’: o hotel que é um ícone da cultura popular em Vegas

Em março deste ano, precisei ir a Las Vegas para cobrir um evento de trade no Centro de Convenções. Foi tudo meio corrido, e minha rotina de entregas a cada dia de cobertura seria intensa. Então, na hora de escolher o hotel, procurei o mais próximo do local da mostra, de preferência conectado.

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Foi aí que cheguei ao Westgate Las Vegas. Só de observar as fotos, já vi que não era um hotel de luxo. Parecia antigo, mas ainda assim os quartos eram decentes. Além disso, os preços estavam extraordinários. Geralmente, eles giram em torno de US$ 80 a US$ 90 por dia, a base de um quatro-estrelas na região da Strip (como o Treasure Island, o Paris ou o Planet Hollywood).

Por isso, há opções até bem mais em conta – em Vegas, dá para encontrar acomodações decentes por menos de US$ 50 a diária. Porém, achei uma promoção no site 123 Milhas e, no meu período, consegui as diárias por cerca de US$ 40.

Então, estava perfeito: ao lado do centro de convenções e barato mesmo para Vegas. Eu sou a favor de, na cidade de Nevada, optar por um hotel de luxo. Afinal de contas, a mais cara e luxuosa propriedade de Las Vegas consegue ser mais barata que a pior opção em Manhattan.

Bar e cassino no Westgate Las Vegas

Por isso, vale a pena aproveitar Vegas para viver uma experiência de luxo. Porém, eu já havia feito isso mais de uma vez e, para o meu propósito de viagem, que não era turismo, e sim trabalho duro, o Westgate estava ótimo.

Explico isso porque esse post não é uma recomendação para que você se hospede no Westgate. Pelo contrário. O objetivo aqui é contar o que descobri quando cheguei lá, e nos meses subsequentes. A descoberta me deixou fascinada: de maneira despretensiosa e nada planejada, eu estava simplesmente em um dos locais mais importantes da história de Las Vegas. Além disso, o hotel é um grande marco da cultura popular – mesmo que você ainda não saiba disso.

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Elvis Presley no Westgate Las Vegas

Quando cheguei ao Westgate, logo após o check-in, dei de cara com uma estátua de Elvis Presley bem ao lado do cassino. Sinceramente, não dei maior importância, mas o astro voltaria a chamar minha atenção durante os sete dias de hospedagem.

Pelos corredores, eu sempre me deparava com fotos de Elvis no palco, ou ao lado de outras pessoas, com aquelas trajes icônicos e na maior parte das vezes brancos que marcaram suas aparições nos anos 70. Me lembro de pensar: mas o que Elvis tem a ver com isso?

A estátua de Elvis Presley
A estátua de Elvis Presley

Ainda assim, na coreria da cobertura do evento, não dei maior importância ao fato. Afinal, eu não estava ali para cobrir o Westgate. Tanto que, como vocês podem ver, as únicas fotos de minha autoria são do quarto, que acabei mostrando no Instagram.

Voltei aos Estados Unidos no início de maio e passei no país quase o mês inteiro. Meu tour foi pelo sul, desvendando rotas de música, história e bourbon, muito bourbon. Obviamente, fui visitar Graceland, a mansão de Elvis Presley, e o museu dedicado ao astro em frente sua casa.

O programa completo dessa viagem começará a ser publicado aqui em breve. Mas, a quem possa interessar, o tour por Graceland e o museu sai por US$ 77, e foi um dos programas mais legais da jornada.

Aqui, vale ressaltar que o interesse em Elvis está renovado nesse ano de 2022. É que a cinebiografia do astro é um dos destaques do Festival de Cinema de Cannes, e estreará nos cinemas em 14 de julho.

Hotel International

De volta a Graceland e ao museu de Elvis, há muitos dados, imagens, vídeos e áudios sobre os mais de 600 shows que o cantor fez em Las Vegas entre 1970 e 1977, no International Hotel. As aparições de Presley, todas com ingressos esgotados, mudaram a história do entretenimento na cidade, atraindo muitos turistas não em busca de jogos de azar, mas do maior ídolo da música norte-americana.

Tanto que hoje o investimento em grandes shows, sejam eles fixos ou temporários, é uma das assinaturas de Vegas. E boa partes dos astros da música fazem temporadas na cidade.

International Hotel Elvis Presley
International Hotel foi palco das apresentações ao astro

Ao retornar ao Brasil, por curiosidade, coloquei no Google “International Hotel”. E o que apareceu no resultado? Westgate Las Vegas. A partir daí, descobri que o hotel em que estava hospedada é um dos mais importantes da história da cidade.

Ele foi inaugurado em 1969 na Paradise Road, atrás da parte norte da Las Vegas Boulevard, conhecida como Strip. Na época, era o maior hotel dos Estados Unidos, e um dos mais luxuosos. Cada um dos quartos tinha decoração sofisticada inspirada em diferentes países.

A abertura do hotel teve show de Barbra Streisand no auditório e Peggy Lee no lounge de hotel. O segundo show no auditório foi de Elvis Presley, e o sucesso foi tão estrondoso que logo o International fechou com o astro um contrato de cinco anos. Nesse período, ele passaria dois meses por ano em Vegas, se apresentando no hotel.

Las Vegas Hilton

Mas o nome International Hotel só foi usado de 1969 a 1971. Neste ano, a propriedade foi comprada e se transformou no Las Vegas Hilton, que usou até 2012. Então, por um pequeno período, passou a se chamar LVH – Las Vegas Hotel e Cassino, até ser comprado pela rede Westgate, em 2014.

A suíte em que Elvis se hospedava em seus períodos no hotel, a Imperial, tinha 460 meros quadrados. Após a morte do artista, foi rebatizada para Elvis Presley Suite. No entanto, foi demolida nos anos 90 para dar lugar ao conjunto de suítes batizadas de Sky Villas, no 30º andar.

Já a estátua em homenagem a Elvis Presley foi erguida logo após a morte do cantor, e lá permanece, apesar de todas as trocas de bandeira. A área de exposições do Westgate, aliás, já sediou uma mostra com móveis e objetos que marcaram o período do artista em Las Vegas – encerrada em 2016.

Proposta Indecente

No início da pandemia, eu me dediquei, aqui no blog, a produzir algumas reportagens sobre filmes que nos transportam a destinos de viagem. Afinal, passamos muito tempo sem poder viajar, e nos dedicamos muitos aos streamings de vídeos nesse período.

Planejava fazer um texto exclusivo para Las Vegas. Há muitos filmes rodados lá, como “Se Beber Não Case”, no Caesar’s Palace, “Última Viagem a Vegas”, no Aria, entre outros exemplos.

Acabei incluindo um dos filmes apenas em uma reportagem com locais mais variados, e desisti do post exclusivo para Vegas. Entre outras razões, fiz isso porque não consegui descobrir o cenário de “Proposta Indecente”, em minha opinião um dos melhores gravados em Vegas.

Li que as locações do longa foram no Las Vegas Hilton, um hotel já desativado. Cheguei a ver reportagens dizendo que o filme com Demi Moore, Robert Redford e Woody Harrelson nem mesmo teve gravações na cidade, e sim em um estúdio em Hollywood.

Recentemente, revendo o longa de 1993, notei que na cena em que Redford observa Demi Moore admirar um vestido, o cenário era muito parecido com o do Westagate. E eu estava certa. “Proposta Indecente” foi fimado no hotel, então chamado de Las Vegas Hilton.

Há cenas nas lojas e nos cassinos, e é lá que o personagem de Redford faz a proposta do título aos de Morre e Harrelson: uma noite com ela por US$ 1 milhão.

HOSPEDAGEM no Westgate Las Vegas?

É como eu disse no início do texto: em Vegas, o que vale mesmo é se hospedar em um hotel de luxo. A partir de US$ 150 dá para ter ótimas opções, dependendo da época. O Westgate é antigo e seu cassino, nada especial.

Além disso, tem uma oferta bem limitada de restaurantes, embora o Edge Steakhouse seja excelente. No bar, as bebidas são servidas em copos de plástico. Efeito da pandemia, talvez, mas outras propriedades da Strip não adotaram essa medida.

Há uma boa academia, mas ela fica aberta apenas das 9h às 17h. No meu caso, limitou o uso, pois era justamente o horário em que eu estava na convenção. Já a piscina é bem legal. O que mais incomodou foi o elevador.

Como havia convenção ao lado, no fim de semana estava impossível subir e descer. Levava muitos e muitos minutos, com o elevador parando de andar em andar – o meu era um dos últimos. Esse, no entanto, é um problema que atinge muitos dos imensos hotéis da cidade.

LOCALIZAÇÃO, PONTO POSITIVO E VERIDITO

O Westgate Las Vegas, embora fique atrás da Strip, exige uma caminhadinha para chegar lá. É que os quarteirões na cidade são imensos, com pelo menos um quilômetro cada. Além disso, o norte da avenida não é das partes mais badaladas – mesmo que tenha algumas propriedades muito interessantes, como a dupla Wynn/Encore e o novíssimo Resorts World.

Além disso, há uma estação de monorail bem ao lado do Westgate Las Vegas, para transporte até a parte mais badalada da Strip. Já os quartos são grandes e confortáveis. Não sei como são os mais básicos, pois recebi upgrade no check-in.

O meu tinha 30 metros quadrados, um bom banheiro, algumas amenidades a internet rápida – incluída na taxa de resort obrigatória de US$ 30 por dia, uma prática comum em 99% dos hotéis da região da Strip de Las Vegas.

Vale a pena ficar? Eu acho que, para quem está em férias, não. Até porque o Westagate nem é dos mais baratos. Em junho, por exemplo, as diárias estão partindo de US$ 110. Se for para economizar, há opções bem mais em conta, e no epicentro da Strip. Mas sem dúvidas vale a pena visitar, por ser um marco da história e da cultura popular.