Entre o terrorismo e a renovação do turismo

Envolvidos com o turismo ou não, todos temos acompanhado a onda de terrorismo que vem se interpondo entre disputas políticas, econômicas e socio-culturais na Europa.

O último atentado, cujo alvo foi a cidade de Barcelona (um dos destinos mais visitados do mundo inteiro), foi o 7 deste ano no continente europeu e o mais recente de uma série ataques à Europa ao longo dos últimos dois anos.

O turismo é a indústria da paz. É sobre receber o que vem de longe, abraçar o desconhecido, aceitar o incomum e se surpreender com o novo.

Nesta segunda-feira (21), cerca de 1300 membros da comunidade muçulmana manifestaram-se nas ruas de Barcelona para condenar “a barbárie e a insanidade” alavancadas por ataques terroristas. A mensagem é clara: é importante que haja separação do islamismo como religião do terrorismo religioso. A questão social que se apresenta é também um dos pontos a serem considerados.

Barcelona, que já atravessava um momento delicado no turismo, terá de lidar com as consequências do imprevisível, assim como fizeram outras cidades atingidas por ataques, como Paris, por exemplo. O desempenho do setor, tão importante para a economia da cidade (representando 12% do PIB), terá que ser acompanhado ainda mais de perto.

Já comentei aqui no blog o quanto é espantoso que, diante da evolução das relações pessoais, tecnológicas e diplomáticas, ainda precisemos discutir terrorismo e soframos com as consequências dos ataques. Em contrapartida, o Turismo é uma das formas mais consistentes de se combater a intolerância, os preconceitos e de respeitar as diferenças.

Tendências para o turismo latino-americano

Dando sequência à lista de tendências que irão guiar o Turismo da América Latina nos próximos anos, nós, profissionais da indústria, percebemos que, no Brasil, algumas dessas tendências já têm moldado expressivamente o nosso setor.

Já comentei a respeito do relatório WTM Latin America Trends Report 2017, realizado pela WTM Latin America em parceria com a Euromonitor em dois posts anteriores (aqui e aqui), não deixe de conferir!

Seguimos com duas fortes tendências:

Empoderamento das mulheres: a independência das mulheres, a conquista pelo seu lugar no mercado de trabalho e voz mais ativa em casa são alguns dos fatores que têm influenciado diretamente o Turismo. É crescente o número de mulheres que viajam sozinhas (no primeiro semestre de 2017, uma em cada sete brasileiras entrevistadas pretendia realizar uma viagem desacompanhada, de acordo com o MTur) ou que, quando em família, escolhem o destino de férias, já que das decisões de consumo de uma família, 90% possui influência da mulher, segundo a FGV (2015).

Entre Brasil, Chile, Colombia, Argentina, Venezuela e México, a taxa de emprego das mulheres é a mais alta por aqui: 54,9%. Dentre estas que possuem emprego regular, 36,4% sustentam o lar, tendo a maior fonte de renda da família.

De acordo com o relatório, nos últimos anos surgiram sites e blogs escritos por mulheres que relatam sua experiência como viajantes autônomas. O estudo também afirma que, na maioria das vezes, as mulheres viajam sozinhas em busca da liberdade para organizar seu próprio itinerário de viagem, além de buscar experiências próprias e ganhar sentimento de confiança.

Compartilhamento de experiências: a busca pela experiência tem sido uma das grandes engrenagens das novas tendências do turismo no mundo inteiro. Na America Latina esta tendência se tornará mais evidente nos próximos anos, de acordo com o WTM Latin America Trends Report. O compartilhamento digital das experiências de viagem e o seu consumo atraem mudanças na forma de viajar: quando o turista é influenciado a experimentar não só determinado destino, mas de determinada forma.

Blogs, perfis no Instagram e páginas no Facebook são algumas das ferramentas de compartilhamento que irão modificar ainda mais a forma de viajar, não se restringindo apenas à promoção do destino. Experiências como: diferentes maneiras de se fazer o mesmo percurso, fuga dos pontos tradicionais do destino, serviços de gastronomia que são verdadeiros “achados”, são algumas das experiências compartilhadas que terão mais força, pois dizem respeito ao que foi vivido e não só visitado.

Ao longo dos anos temos acompanhado as mudanças da indústria do Turismo e o seu desenvolvimento. São inúmeras as motivações para as mudanças do setor: economia, política, comportamental etc., e é importante que estejamos atentos a cada transformação. Entretanto, uma coisa não muda: viajar permanece sendo uma das principais formas de lazer e a atenção aos consumidores e suas preferências é fundamental para que sejam desenvolvidas estratégias eficazes para o Turismo, na América Latina ou em qualquer lugar do mundo.