PIB turismo do brasileiro cai 32,6% em 2020

Cenário global

O novo relatório do World Travel & Tourism Council, WTTC, mostra os profundos impactos sofridos pela indústria de viagens e turismo no mundo e no Brasil em 2020. Ao contrário do que ocorreu nos últimos 9 anos consecutivos, o PIB do turismo global caiu mais do que a economia em geral. A pandemia da COVID-19, em seu primeiro ano, impôs à economia global uma queda de -3.7%, enquanto o setor de turismo caiu 49,1% em 2020. Os gastos impactaram mais o setor de negócios do que o de lazer, com uma receita inferior à 2019 de -61% e -49% respectivamente. Também os gastos em viagens internacionais foram ainda menores (-69,4%) do que os realizados em viagens a lazer (-45%).

Os empregos no setor também foram amplamente afetados, com uma queda de 18,5%, o que representou a perda de 62 milhões de postos de trabalho em todo o mundo, desde pequenas até grandes empresas em vários segmentos. Esse segue sendo um tema muito sensível, já que 80% das empresas de turismo não pequenas e médias, e os auxílios dos governos nem sempre conseguem suportar a manutenção de empregos até que o setor se recupere totalmente.

O Brasil

“Menos” impactada pela crise em 2020 em seu PIB que o restante do mundo, a região das Américas sofreu mais, percentualmente, nas perdas de empregos no ano passado do que a maioria dos demais continentes (somente a África perdeu mais). Na América Latina foram 4 milhões de empregos perdidos e uma queda no PIB de -41,1% (- USD 110 bilhões).

No cenário específico do Brasil, também, o PIB do turismo mostra uma diminuição considerável, assim como a perda de postos de trabalho e a diminuição dos gastos realizados pelos viajantes na comparação com 2019. Veja os principais resultados:

  • o PIB total do turismo caiu de US$ 115,7 bilhões em 2019 para USD$ 78 bilhões em 2020 (-32,6%)
  • o PIB total do turismo representava 7,7% do PIB do Brasil em 2019 e passou a representar 5,5%
  • os gastos do turismo doméstico no Brasil caíram -35.6% em 2020
  • os gastos do turismo internacional caíram -39.1% em 2020
  • em 2020, 94,4% dos gastos realizados com a atividade de viagens em turismo vieram do turismo doméstico e 5,6% do internacional

2021 e perspectivas

Um outro estudo feito pela UNCTAD ainda existe muita diferença nos níveis de vacinação nos diversos países, com alguns já com mais de 60% da população imunizada e outros que ainda nem chegaram a 1%. Isso leva à pouca confiança nas viagens, numa maior lentidão na contenção do vírus e um cenário econômico muito deficiente. As perdas piores do que se esperava em 2021, estas devem chegar no patamar entre 1.7 a 2,4 bilhões de dólares na comparação com 2019. Segundo o estudo, as perdas no PIB do Brasil pela redução da atividade turística devem fazer o indicador cair entre 0,5 e 0,6% em 2021.

Qual o caminho ?

Olhando para esse cenário, e tendo a certeza de que o turismo é um dos grandes aliados da recuperação da economia e dos postos de trabalho no Brasil, seguimos observando a tendência de termos no turismo doméstico nossa grande fortaleza. Os menores riscos para o setor no curto e médio prazos estão na aposta das viagens dos brasileiros dentro do país e na supremacia das medidas de segurança e saúde. Empresas e governos só poderão acertar se fizerem diferente, melhor e de forma inovadora. Cooperação e coordenação são as saídas para recuperar a confiança nas viagens e trabalhar para a sobrevivência da indústria de forma sustentável. Qual o caminho para nosso setor na sua opinião ?

O negócio de viagens é agora um negócio de lazer?

O mercado de turismo vive transformações profundas e a aceleração de tendências. E uma das coisas que mudou radicalmente foi o turismo de negócios, trazendo o lazer para o foco do setor pelo menos no médio prazo. A Accenture elaborou o relatório Negócios ou Lazer? Esse texto mostra porque inspirar e capturar o viajante de lazer é uma nova prioridade para as empresas de viagens. Com base nesse estudo, escrito por Miguel Flecha, Managing Director de Turismo da Accenture na Europa, trago algumas reflexões importantes.

A afirmação o “negócio de viagens é agora um negócio de lazer e um negócio menor” pode parecer exagerada e até assustadora, já que o foco no turismo de lazer sempre foi secundário em grande parte da indústria de viagens. De acordo com o autor existe uma mudança muito forte e imediata que é necessária para garantir a sobrevivência dos negócios. Se antes as estratégias das empresas estavam acostumadas a atender um cliente frequente, com reservas em cima da hora, e um perfil conhecido, a partir de agora muita coisa muda na captura do cliente de lazer. Penso também que aqueles com histórico de foco no lazer terão que buscar entender um novo tipo de viajante, com desejos e necessidades diferentes.

Foco no cliente de lazer

Tudo, ou a maioria dos serviços, estava preparado e pensado para o cliente de negócios, e agora? Na verdade, o marketing das empresas terá que começar numa etapa bem anterior da jornada de compra para chegar ao viajante de lazer. Com a motivação da viagem radicalmente diferente, inspirar as pessoas virou questão de sobrevivência. Além de serem comportamentos e formas de compra totalmente diferentes, de precisar alcançar o viajante bem antes do período da viagem, temos que considerar que os próprios clientes a lazer também mudaram seus hábitos e vão exigir um processo de conhecimento mais personalizado para chegarmos até eles.

Voltando então às empresas, existem ainda outros temas para a adaptação além dos protocolos. Começando por entregar a própria promessa do protocolo, da experiência “sem toque” em todas as etapas das viagens. Recentemente tive uma experiência num hotel de cidade em que existe mais papel e mais demora no check-in do que antes. Menos pessoal e demanda imprevisível, como atender bem? Quais são as tecnologias que podem ajudar as empresas a serem mais rápidas e ajudarem o cliente? Vamos lembrar que os hábitos de compra on-line nos últimos dois anos foram acelerados, e as pessoas estão habituadas a sistemas rápidos e atendimento personalizado.

Todas as decisões terão que girar em torno de dados para possibilitar uma personalização e maior conhecimento do potencial cliente. Os bancos de dados das empresas, as análises de todo tipo de informação em tempo real são condições para direcionar recursos e ganhar clientes. A produção de conteúdo, além de ser chave, deverá incluir mídia digital personalizada e em escala para ganhar clientes num mercado de demanda menor. Junta-se aqui o tema da credibilidade, dos compromissos que a marca assumiu com seus clientes. Por exemplo, a flexibilidade de cancelamentos e alterações será mantida depois que os fluxos de clientes voltarem a melhorar? Ou por acaso, já imaginou o estrago que um comentário negativo pode trazer para sua marca em segundos, nas redes sociais?

Destinos e empresas de turismo que já tinham foco no lazer podem estar mais aptas a esse novo cenário, mesmo que com muitos desafios pela frente. Outras empresas encontram no novo cenário uma grande mudança no modelo de negócios, e essa adaptação necessita ser rápida e profunda em muitos setores. A volta das viagens a negócios e eventos apontam no cenário, provavelmente em moldes que ainda imaginamos e precisaremos viver para compreender como serão. Por enquanto, foco no lazer, foco no doméstico e muita inspiração para que as pessoas viajem. Qual tem sido a experiência em seu negócio?

5 motivos que ainda restrigem a abertura das viagens aos brasileiros (jun 2021)

Os desafios ao enfrentamento da pandemia do novo coronavírus no mundo e, especialmente, no Brasil, ainda são imensos. Quando analisamos a indústria de viagens e turismo vemos alguns movimentos de viagens domésticas e intra-regionais em alguns lugares do mundo, e grande parte dos estudos de demanda futura indicam um grande desejo reprimido para viajar. E que que falta no cenário atual para trazer confiança para viajar aqui no Brasil ?

O desejo dos brasileiros de viajar dentro do país e, também, ao exterior é citado por diversos estudos. Buscamos aqui uma análise de quais são os fatores podem impactar a ida de brasileiros ao exterior, e a chegada de estrangeiros ao Brasil. Selecionamos aqui os principais países emissores de turistas ao Brasil e aqueles para os quais os brasileiros mais viajam.

1. CASOS POR MILHÃO DE PESSOAS

Ainda temos muitos casos de pessoas sendo contaminadas. Abaixo verificamos nos dados de 1o. de maio até 20 de junho de 2021 o número de casos confirmados a cada duas semanas por milhão de pessoas. O Brasil e os principais emissores de turistas ao nosso país ou destinos que os brasileiros viajam estão em patamares de contaminação bastante diferentes, e a situação da América do Sul é bastante negativa em relação à Europa e América do Norte. Vamos lembrar que além do Brasil, todo o continente precisa apresentar números melhores.

2. VACINAÇÃO

Dados do Our World in Data mostram que o Brasil tem hoje somente 11% da população totalmente vacinada. Com as informações que temos hoje sabemos que a vacinação, seu ritmo e o percentual da população vacinada por milhão de habitantes é um dos critérios para que os países decidam ou não abrir as fronteiras para receber viajantes. Alguns de nossos vizinhos, como o Chile e o Uruguai já apresentam um percentual maior da população com 2 doses de vacina.

3. VARIANTES DA COVID-19

O alto número de contágios e o pouco percentual da população vacinada ainda trazem o surgimento de novas variantes no Brasil. As incertezas sobre a imunização e o nível de contágio das novas variantes fazem com que os países olhem com cautela para o surgimento de novas cepas do vírus. Um dos motivos para que a União Européia não tenha autorizado até agora a viagem de brasileiros já vacinados é a variante chamada de gamma pela OMS. Esta circula em todo o Brasil, é mais contagiante e pode reinfectar quem já teve a doença.

4. FRONTEIRAS

O mundo ainda olha para o Brasil como fonte de contágios e muitas mortes. Os temas ligados às variantes, vacinação, novos números de casos e a forma como o país “administra” a pandemia resultam em medidas de proibição de entrada de brasileiros em outros países por via terrestre, aérea e marítima. O mapa abaixo, ilustrado pelo KAYAK, mostra fronteiras abertas para 6 países, com restrições para outros 99 e 115 com fronteiras totalmente fechadas.

5. VOOS INTERNACIONAIS

A oferta de voos internacionais ainda é pequena, tornando as viagens mais longas e mais difíceis para o Brasil. A recuperação da oferta de voos internacionais ao patamar de 2019 ainda está longe no Brasil, e, dificilmente, ocorrerá antes de 2024. Todas as restrições mencionadas acima apontam a diminuição de voos internacionais de/para o Brasil, que, segundo os dados da Forwardkeys, encontram-se no patamar de -94,5% entre 1 de janeiro a 13 de junho de 2021 em relação ao mesmo período de 2019. As chegadas futuras, baseadas em bilhetes aéreos já comprados entre 13 de junho e 25 de julho encontram-se negativos em 90,5% em relação ao mesmo período de 2019.

O QUE PRECISAMOS URGENTE?

Além do controle da pandemia, da realização de testagens, do avanço mais rápido da vacinação, algumas medidas se tornam essenciais para que, quando o cenário atual melhorar, as pessoas tenham acesso às viagens internacionais. Dentre elas destaco a CERTIFICAÇÃO DE VACINAÇÃO. Os acordos multilaterais estabelecidos entre vários países como por exemplo na União Europeia ou o IATA TRAVEL PASS, são exemplos de procedimentos que serão aceitos de forma coordenada e universal em diversos países. Até agora a iniciativa que temos no Brasil é o Passaporte Sanitário que nasceu no Congresso já cheio de dúvidas. Mas destaco, para viajar ao exterior é preciso que a ANVISA e as autoridades diplomáticas brasileiras integrem acordos multilaterais para aceitar o certificado de vacinação do Brasil.

Estamos completamente DESAPARECIDOS do mercado mundial de turismo. Não tivemos nenhuma ação de viagens virtuais ou ações para mostrar o que as pessoas podem fazer aqui depois que as viagens se normalizarem. Desde agosto de 2019 que o número de passageiros pagos em viagens internacionais de/para o Brasil só diminuem. Entramos na pandemia em desvantagem ao resto do mundo no turismo quando a média mundial de chegadas internacionais de turistas foi de +3,4% e o Brasil teve queda de 4,7%. PRECISAMOS CUIDAR DA IMAGEM DE NOSSO PAÍS NUM CENÁRIO DE DEMANDA ESCASSA E MUITA COMPETITIVIDADE.

Qual é seu líder?

A mudança sempre é certa, e quando se trata de períodos de crise a rapidez e visão estratégica precisam acompanhar as transformações na sociedade e nos negócios.

Fizemos um bate-papo super proveitoso com três lideranças de Conventions & Visitors Bureaux para identificar as estratégias e desafios deles no atual cenário. Ivana Bezerra, Humberto Freccia e Toni Sando mostram sua percepção sobre o futuro dos CVBs, a relação com governos, os desafios da cooperação e os próximos passos do turismo de lazer e de eventos.

Você pode conferir em nosso podcast ou no YouTube

CORPUS CHRISTI tem -56.6% de chegadas em relação a 2019

Entre os dias 3 e 6 de junho, feriado de Corpus Christi, temos alguns dados de chegadas de viajantes por via aérea no Brasil para compartilhar. As informações são são coletadas pela Forwardkeys, empresa espanhola que trabalha com dados de demanda aérea global para auxiliar destinos e empresas em sua inteligência comercial. Destaco que a comparação é feita com dados de 2021 (3 a 6 de junho) com o mesmo período de Corpus Christi de 2019 (20 a 23 de junho). De acordo com Juan Gómez, Insight Expert da Forwardkeys, “essa comparação quer identificar a recuperação das viagens aéreas domésticas no Brasil em relação à níveis pré-crise, o que pode ajudar numa análise mais realista de 2021”. Para o período mencionado, estamos a níveis de -56,6% de chegadas aéreas de viajantes domésticos no Brasil.

As informações nos ajudam a entender, se, e como, está a recuperação das viagens aéreas domésticas no Brasil. Alguns destinos se mostram mais resilientes, ou, menos impactados no feriado de Corpus Christi de 2021 em relação a 2019. Todos ainda com números negativos, conforme abaixo. Importante destacar que esse não é um ranking de cidades, e sim o desempenho de cada cidade em relação a si mesma no período analisado. Por exemplo, o Recife, em relação ao número de chegadas aéreas que terá no Corpus Christi desse ano, tem uma diminuição de 5.9% em relação às chegadas na cidade no Corpus Christi de 2019. Os dados apresentados foram coletados no dia de hoje (02 de junho de 2021).

O mês de junho de 2021, conforme dados apresentados pela ABEAR, apresenta uma média diária de 1.319 partidas domésticas diárias, o que representa 55% do que tínhamos no período pré-crise, em março de 2020. Podemos indicar que as cidades com desempenho melhor do que 55% de chegadas domésticas em junho, em comparação com os níveis pré-crise, estão apontando uma recuperação melhor em 2021.

Acompanhe aqui a análise desses dados também nosso podcast HUB TURISMO.

O que você precisa cultivar se quer trabalhar com turismo?

Quais dos seus talentos foram transformados ou melhorados nos últimos 15 meses? Já parou para analisar quais são suas novas habilidades profissionais ? Inseriu isso no currículo? Mencionou numa entrevista?

Um artigo da MacKinsey me chamou a atenção. Entre 25 habilidades que foram pesquisadas as que mais cresceram nas buscas e desenvolvimento das empresas foram as relacionadas aos aspectos sociais, emocionais e cognitivos. Quais desses talentos são essenciais para os profissionais da indústria de viagens e turismo?

Tudo está focado no social e emocional

Esse estudo, se aplicado ao cenário de sensibilidade e novas formas de trabalho impostas a partir da pandemia, mostra que liderança e gerenciamento de equipe, ao lado de um pensamento crítico e a capacidade de decidir são aptidões muito valorizadas pelas empresas. Estes dois temas se juntam ao gerenciamento de projetos. Os outros três elementos que seguem na lista de importância são a adaptabilidade e aprendizado constante, as habilidades digitais básicas e a empatia e as aptidões de relacionamentos interpessoais.

Todos esses elementos num caldeirão em que o principal ingrediente é social e o tempero que dá gosto é emocional, podemos imaginar o quanto todos esses talentos serão necessários daqui pra frente. Agora vamos trazer isso ao setor de turismo que vive imensas e rápidas transformações (falamos mais aqui), altamente direcionado às pessoas. O significado das próximas viagens terá muitos aspectos subjetivos, como a valorização da liberdade, do bem-estar e dos relacionamentos entre os companheiros de jornada (também falamos aqui). Estamos capacitando e observando nossos times nesse sentido? Faz sentido essa reflexão em nosso setor?

5 habilidades pra turbinar sempre:

  1. Liderança e gerenciamento de pessoas
  2. Pensamento crítico e processo de tomada de decisões
  3. Adaptabilidade e aprendizado contínuo
  4. Habilidades digitais básicas
  5. Empatia e relacionamentos interpessoais

5 novas ideias do que pode mudar no turismo

No início da pandemia, quando o cenário que olhávamos era totalmente cego, escrevi esse post, o mais lido no meu blog desde que ele existe: 5 IDEIAS DO QUE PODE MUDAR NO TURISMO. Essa análise abordou esses temas: novas medidas de restrições às viagens; predomínio das viagens domésticas; minimizar impactos, garantir empregos e sobrevivência das empresas; mudança de hábitos dos consumidores e imagem das empresas e destinos. Vale a pena você ler no link acima, porque esse conteúdo foi escrito em 31 de março de 2020.

Sabe por que estou voltando a ele? Para avaliar se esses temas ainda são válidos e quais outros nós poderíamos acrescentar depois de mais de um ano de enfrentamento da pandemia. Eu diria que todas essas análises poderiam ter sido feitas hoje, não mudaram; ou, pioraram, pois muito daquilo que achávamos que poderia ser passageiro se tornou mais duradouro. Ok, então quais seriam as 5 NOVAS IDEIAS DO QUE PODE MUDAR NO TURISMO?

1.Turismo ou trabalho híbrido

Se há alguma tempo falávamos que as viagens a negócios eram estendidas para lazer (bleisure: business + leisure), agora as viagens devem se confundir com objetivos combinados e aumentar sua duração. Cada viajante e lugar tem suas especificidades, encontrar aquela de nosso negócio é crucial para inovar e fazer negócios de novas formas. Vale lembrar que somente medir a temperatura e o distanciamento social podem não ser suficientes em nosso negócio. É preciso comunicar de forma frequente, permanente e objetiva com novos e antigos clientes para mostrar como eles podem ficar seguros em nossos ambientes. Conquistar confiança.

2.LAZER, NEGÓCIOS E EVENTOs

Os modelos de negócios precisam se adaptar em cada segmento de atuação, isso está ligado ao tema 1. acima. Viagens a negócios estão sendo repensadas e devem assumir novos contornos com prioridades das empresas e seus orçamentos. As viagens a lazer, poderão ser mais frequentes ou assumir formatos combinados com trabalho em novas modalidades e períodos de tempo. E os eventos, com as opções presencial, on-line e híbrido devem se acomodar a depender do tipo de setor, necessidades e diversos públicos-alvo. Não podemos continuar pensando e agindo da mesma forma nas motivações de viagens.

3.SUPER SEGMENTAÇÃO DA DEMANDA

Pode ser que esse seja o maior desafio da indústria de hospitalidade. Além das mudanças de comportamento que esses tempos trazem, ter informações e compreender dados geográficos e sócio-econômicos somados a subjetividade das necessidades de cada viajante pode ser a chave para resgatar a confiança. Fortalecer estratégias de inteligência comercial e de marketing é uma tarefa diária que cada um pode desenvolver com seus bancos de dados e opções de big data disponíveis no mercado.

4.CONEXÃO PESSOAL

Provavelmente os momentos mais celebrados da vidas das pessoas são casamentos, nascimentos, formaturas e viagens. Bem, certamente as viagens terão esse caráter de libertação, afinal o isolamento forçado não é bem uma característica da natureza humana. Temos um desafio de continuar a nos comunicarmos com nossos clientes para resgatar, conquistar a confiança nas viagens; de fortalecer laços de relacionamento; de oferecer empatia e mostrar que viajar pode ser seguro com medidas eficazes.

5.SEM TOQUE COM TOQUE HUMANO

O máximo de pontos de relacionamento com o cliente que possam ser “sem toque” em todas as etapas de sua jornada certamente trará mais confiança para o turismo. E tem mais, além de investir em tecnologias para uma jornada segura do viajante, precisamos nos reinventar para mostrar nossos diferenciais e fortalecer laços emocionais no relacionamento com o consumidor. Combinar serviços “sem toque” com o desejo por interação e calor humano certamente vai preencher lacunas importantes para esse período diferente que vivemos.

Como já conversamos, a recuperação não será linear, e tampouco deve ser evolutiva, pode ter altos e baixos. Precisamos ser ágeis em nossas análises e ações, além de preparar nossos times emocionalmente e financeiramente para essa jornada futura sem data para acabar.

4 razões para viajar e se tornar uma pessoa melhor

Se eu te perguntar o que significa viajar para você o que vem a sua mente ? Pode ser que você pense numa paisagem linda, em relaxar, curtir amigos e familiares ou mesmo não fazer nada. Tudo bem, viajar é isso, porém, as viagens trazem muitos mais benefícios do que você possa imaginar. Nós vamos te contar por que as viagens podem mudar a sua qualidade de vida em vários aspectos. 

Ao contrário do que normalmente pensamos, saúde não é a ausência de uma doença, mas sim um estado de completo bem-estar físico, mental e socialE aí você pode me perguntar, mas o que as viagens têm a ver com esse estado completo de bem-estar ? Tudo a ver e vou te mostrar.

Saúde mental

Vou começar com a saúde mental. Durante uma viagem saímos totalmente do nosso ambiente cotidiano: dormimos em outra cama, comemos outra comida, ouvimos outros sotaques ou outras línguas e encontramos ambientes que nos tiram da nossa zona de conforto. Esse novo lugar nos faz ter atitudes e sentimentos positivos sobre nossas crenças e nossos valores; nesse estranho universo encontramos uma nova cultura e aprendemos muito. Ao colocar os nossos 5 sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar) nesse novo cenário, recebemos e gravamos informações que nos forçam a fazer um esforço de memória, de compreensão e expressão. Quem nunca tentou falar uma palavra em outra língua, estranhou o paladar de uma iguaria, ouviu um som diferente de um ritmo, sentiu um cheiro gostoso no ar ou nunca viu uma paisagem deslumbrante durante uma viagem ?

Saúde emocional

Viajar também é cuidar das emoções, é aliviar o estresse, a ansiedade, cuidar da memória e sobretudo, desenvolver a criatividade e a adaptabilidade. Muitos são os benefícios emocionais que poderíamos mencionar e, provavelmente, muitos de nós já experimentamos isso e até viajamos para praticar o distanciamento do cotidiano. Eu destacaria a importância da atenção focada nas nossas companhias de viagem, ou até mesmo em nós próprios, quando a viagem é solo. A proximidade dos companheiros de viagem nos harmonizam, até naquelas a trabalho esses benefícios ocorrem na medida em que passamos a conhecer melhor os companheiros da jornada.

Saúde física

Muitos estudos também já mostram os benefícios da atividade física; durante uma viagem você não só caminha, anda de bicicleta, pratica atividades ao ar livre, mas, também, experimenta emoções que beneficiam a saúde coronária, melhoram o desempenho físico e trazem qualidade de vida. Me recordo das recomendações do médico de meu pai, que tem 80 anos, ama viajar, mas tem muita dificuldade de locomoção; ele disse: “você precisa se preparar fisicamente para viajar, é como quem faz uma maratona, treina muito antes para enfrentar o dia da corrida”. Meu pai faz atividade física todos os dias, quer estar pronto na hora de viajar, preparado para caminhar e usufruir da experiência. O corpo ainda experimenta uma temperatura diferente, um ar incomum e uma atividade que ajuda a melhorar a saúde física. Afinal, fomos feitos para estar em movimento.

Pessoas melhores

Finalmente, algo muito significativo nos dias atuais, acredito que a viagem nos torna melhores seres humanos. Conhecer uma nova cultura e o diferente nos traz maior respeito ao estranho, nos faz perceber que diferentes costumes, religiões, sabores e linguagens são histórias autênticas de seres humanos que, ao final, nos afirmam sermos todos seres humanos. Durante as viagens existe muita socialização, são experiências que nos trazem interação mais profunda com a humanidade e nos  dão uma outra dimensão do mundo. Estudo da Harvard Business Review mostra que as pessoas podem voltar das férias mais alegres, com mais energia para trabalhar e com stress reduzido.

Dicas:

Deixo aqui algumas dicas para quem quer realmente melhorar a qualidade de vida por meio das viagens. Planejar e se preparar traz ainda mais benefícios quando você estimula as vantagens que a jornada traz para sua vida nos aspectos emocionais, físicos ou sociais. Segundo Janet G Stevens (2018), inúmeros estudos demonstram que uma atitude positiva diante das viagens pode trazer resultados importantes para a sua qualidade de vida, dependendo da forma como você responde e recebe as informações e eventos que acontecem durante a sua viagem. A estudiosa afirma que você precisa viajar com uma intenção. 

A confiança em viajar vai voltar assim que as medidas de contenção da pandemia estiverem mais efetivas e o mundo experimentar a vacina de maneira mais ampla. Aproveite agora e planeje sua viagem de acordo com suas necessidades, trazendo intenções objetivas e planejando uma escapada que possa desenvolver aqueles aspectos que você considera mais importantes no atual estágio de sua vida. 

3 lições que os lugares tiram da pandemia

A complexidade do marketing e da comunicação de destinos turísticos exige a compreensão de diversos fatores que podem influenciar os resultados de promoção. Trago aqui três aspectos que valem uma reflexão para que a gente possa continuar enfrentando cenários indefinidos e avance nos resultados desejados. Uma dica: cuidado pra não continuar fazendo tudo como fazia antes.

1. Adaptabilidade e flexibilidade

Desde o início de 2020 o cenário do Turismo está bastante nebuloso e deve seguir dessa forma por um bom tempo. Não só pelo enfrentamento da pandemia, mas também porque as mudanças no setor estão ainda mais rápidas e radicais. Pensar no que vem pela frente de forma planejada e com atualizações constantes parece ser a fórmula para não ficar parado. Não existem certezas, então ser flexível  é chave para o sucesso do  seu marketing. Aproveite estudos, dados e oportunidades de aprender para que seu planejamento seja baseado em informações seguras e possa acompanhar sempre as mudanças de mercado. Reflexão: Você tem um planejamento para 2021 e 2022?

2. Aprofundar-se na jornada do viajante

 Não deixe de ir fundo na compreensão da jornada do seu cliente. Não tem como olhar somente o perfil demográfico, mas é preciso aprofundar temas subjetivos que possam nos dar pistas de como superar expectativas e surpreender os que virão nos visitar.  Hoje existem ferramentas que nos permitem mapear comportamentos e conhecer os interesses do cliente.  É preciso entender cada micro momento da sua viagem para que o resultado final seja um sucesso. Sim, lembre-se do pós-venda ele pode ser uma futura nova venda. Reflexão: O que você faz com seu banco de dados de clientes?

3. A reputação do lugar

Invista recursos e agregue bons profissionais para entender mais profundamente a imagem do seu destino. A forma como a pandemia está sendo administrada, os temas ligados à segurança sanitária, a experiência do viajante no destino, e uma série de fatores estão diretamente relacionados àquilo que as pessoas pensam de seu lugar.  Monitorar e agir é uma forma de administrar a imagem e minimizar impactos negativos.  Os destinos precisam se preparar para outras crises e para cenários incertos, e o trabalho de comunicação pode ser crucial para que o marketing também tenha resultados positivos. Reflexão: Você sabe o que as pessoas pensam de seu lugar ?

3 dicas para foco no cliente

Realmente levar a sério as mudanças nas estratégias de marketing é uma questão de sobrevivência. O setor de hospitalidade e de viagens está entre os negócios B2B e BtoC que mais buscam se adaptar ao novo cenário de comunicação que enfrentamos. Para estar atualizado é necessário acompanhar a aceleração do digital, focar em marketing de conteúdo, na automação e ter uma atuação diretamente focada no cliente.

E como conhecer o cliente e suas famosas etapas de jornada? Vejo esse como um dos grandes desafios do marketing para o turismo no cenário ainda nebuloso e recuperação não linear. Como entender quem é o cliente e quais as mudanças de comportamento podem afetar cada negócio de forma significativa.

A experiência do cliente (CX Customer Experience) é a forma como um negócio interage com seus clientes em todos os pontos de sua jornada de compra: antes, durante, depois. CX é a soma de todas essas interações. E essa experiência não se concentra somente nas ações, mas muito nas emoções e sentimentos que ocorrem em cada “micro-momento”, como diz o Google. Só para termos uma ideia, 80% dos brasileiros tiveram novas experiências com compras; 88% com novas formas de compras on-line, segundo a McKinsey. E pretendem continuar com esses novos hábitos.

Dicas

Então vamos ver como o turismo pode tratar desse tema com alguns exemplos simples baseados em dados com o toque emocional:

1. Além de entender o perfil demográfico e as necessidades do cliente de uma maneira tão ampla, podemos pensar em pinçar algum segmento e esmiuçar sua jornada. DICA: Relatório 2021da We Are Social e da Hootsuite mostra que a hashtag #TRAVEL é a 16a. mais usada no mundo. Você usa essa # em seus posts ? Também são as mais usadas: #NATURE #HAPPY #FUN #SUMMER. As pessoas vão conectar uma viagem à sentimentos como liberdade, alegria, relaxamento, tranquilidade….

2. O e-commerce tem crescido muito em todos os setores, embora tenha caído no turismo, seguirá sendo cada vez mais o lugar de fechar vendas. Os brasileiros são os que mais fazem buscas na internet no mundo, antes de comprar algo, 75%. DICA: Tente fazer experiências de vendas em ações de transmissão ao vivo para trazer o cliente mais perto de seu produto e de sua marca. Trazer o sonho da viagem e a segurança para a experiência futura requer um relacionamento mais humanizado e próximo do cliente, imediatamente.

3. Gerenciar de forma eficaz a jornada do cliente trará mais lealdade, credibilidade e defesa de sua marca. Não é só responder a um comentário, é ultrapassar suas expectativas, surpreender e garantir a relevância de sua marca. DICA: Invista em profissionais com sensibilidade e empatia para falar por sua marca nas redes sociais, criar emoções positivas e por incrível que pareça, que tenham um bom português. Pode ter automação, mas a mensagem humana transmite emoções específicas que são reconhecidas pelas pessoas.

Comprometimento verdadeiro, é isso que os consumidores esperam das marcas. Imagina quando as pessoas tiverem seguras para viajar e quiserem a melhor experiência de suas vidas depois de mais de um ano sem liberdade de viajar ?