Comunicação humana na era digital

Você já reparou como é “normal” ver várias pessoas no mesmo ambiente e todas usando o celular ao mesmo tempo? Será que é raro alguém estar 100% presente em uma conversa? Tenho observado muito no restaurante, sala de espera, reunião de trabalho… Sempre existe pelo menos um celular entre as pessoas. Essa presença constante das telas mudou o jeito como nos relacionamos, trabalhamos e até como nós nos percebemos uns aos outros. Mas olha que contradição, diversas pesquisas em diferentes países mostram que o contato cara a cara continua sendo o tipo de interação que as pessoas preferem. Parece que a tecnologia avançou, mas a nossa necessidade de conversar de verdade continua a mesma.

Comunicação é só trocar informação?

Muita gente ainda reduz comunicação a “falar” ou “passar um recado”. Mais ainda: “mandar um áudio” que a outra pessoa vai acelerar e ouvir só uma pare. Só que, do ponto de vista da comunicação interpessoal, comunicar é um processo de construir sentido junto com o outro, não apenas despejar informação.

Ainda pior, você fala com alguém e a pessoa está lá, rolando a tela… Nada relevante. A pessoa não escuta, nem escuta! Me diz, como fica a comunicação? As frases, “mas eu te falei”, “lembra que falamos nesse assunto ontem em tal lugar?”. Gente, o negócio está complicado demais. E resolvi trocar umas ideias sobre isso. No trabalho, por exemplo, essa diferença é decisiva: equipes com conversas abertas e claras tendem a confiar mais umas nas outras e a colaborar melhor, enquanto ambientes cheios de ruído e mal-entendidos vão acumulando desconfiança em silêncio. Quantas vezes você já ficou (ou ainda está!), desconfortável com alguém por que acha que a pessoa não entendeu seu gesto ou o que você quis dizer?

A essência da relação humana está baseada na comunicação. Ela pode acontecer do ponto de vista verbal, não verbal, gestual. O fato é que o mundo digital muda muito tudo o que é relação entre as pessoas. Existem várias tendências de comportamentos e estudos realizados recentemente que mostram como as pessoas vêm voltando a querer as interações pessoais, sem a interferência da tecnologia.

Meu convite hoje é para você comentar como tem sido sua comunicação humana na era digital, você sente que a forma, o tom, o jeito como você se comunicam no trabalho tem interferência no seu bem-estar e nos relacionamentos profissionais?

Jeanine Pires, Estrategista de vozes e lugares.

Like garantido, mas banho proibido?

O turismo de sol e praia é um dos principais diferenciais do Brasil quando se trata de visitantes nacionais ou internacionais. Praias são, definitivamente e historicamente, o maior ativo da nossa atividade turística. Em um contexto de viajantes cada vez mais informados e exigentes, a qualidade ambiental deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito básico para a escolha de destinos.

Não basta um lugar ser divulgado como “turístico” ou apresentar altos números de visitantes. Aquele que muitas vezes chamamos de consumidor ou comprador atualmente tem o poder de observar, comprar e decidir com base na experiência real. E, quando falamos de destinos litorâneos, essa experiência começa pela pergunta mais simples e decisiva: a praia está própria para banho? A cor do mar é maravilhosa! 

Ter ou não ter praia, nesse cenário, não pode ser narrativa de post ou belas fotos. O que chamamos de experiência é a realidade que encontra e vivência quem chega pra desfrutar do sol e da praia. 

Praia limpa, sem lixo, própria para banho é atribuição da gestão pública, dos atores privados que levam e acompanham o visitante e dos órgãos que fiscalizam nossas praias e oceanos. Quando esses fatores apresentam irregularidades, o impacto não é apenas prejudicial à experiência de quem chega, de quem mora e aos ecossistemas locais, mas também é prejudicial economicamente e na reputação do lugar.

Essas informações são fundamentais para o planejamento do turismo, ignorá-las ou minimizá-las compromete a confiabilidade do destino, o turista que investe tempo e recursos em uma viagem espera segurança e transparência. Segundo a Folha de S.Paulo, apenas 30,2% das praias brasileiras estão próprias para banho, o que torna cada vez mais importante priorizar essa questão do cuidado com os espaços destinados ao lazer e à preservação da vida marinha. 

Você trabalha com turismo? Já deu uma olhada em como estão as praias da sua região?

Comenta aqui e conta pra gente como esse tema é tratado na sua praia?

O que a taxonomia muda no Turismo Brasileiro? – Parte 2

Como detalhamos na Parte 1, a taxonomia estabelece parâmetros objetivos para que empresas, investidores e governos identifiquem o que realmente contribui para metas climáticas, ambientais, sociais e econômicas. 

A implementação da TSB vai alterar três áreas críticas, inclusive no turismo, que vamos acompanhar de perto: 

1. Acesso a Financiamentos: Empreendimentos turísticos alinhados à taxonomia terão prioridade em editais e linhas de crédito verdes (BNDES, Banco Mundial, fundos climáticos), além de acesso a investidores ESG e fundos de desenvolvimento sustentável. 

2. Políticas Públicas e Fomento: O governo federal, progressivamente, vai incluir os critérios da TSB em todas as políticas públicas, incluindo PAC do Turismo, emendas parlamentares, incentivos fiscais e programas de capacitação; transformando a conformidade com a taxonomia em requisito estruturante. 

3. Valorização Competitiva: Empresas, hotéis, restaurantes e destinos enquadrados na TSB ganharão reconhecimento internacional, diferenciação no mercado consumidor, certificações globais e maior atratividade para investidores e turistas conscientes. 

Mesmo tratando-se de um processo de inclusão que vai privilegiar as empresas enquadradas na taxonomia, teremos mais detalhes a partir da regulamentação de cada atividade e de suas leis. O mais relevante é que teremos parâmetros claros e as empresas, destinos e profissionais saberão como fazer sua parte para a mitigação do processo de aquecimento global que impacta nosso setor de forma contundente (falaremos mais na Parte 3) 

Taxonomia Sustentável Brasileira: o papel do Turismo – Parte 1

O Brasil chega à COP 30, em Belém (10 a 21 de novembro de 2025), com um feito histórico: a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), recém-instituída pelo Decreto nº 12.705, que torna o Brasil o primeiro país do mundo a incluir o turismo de forma abrangente e integrada em sua taxonomia de sustentabilidade. Esta é uma decisão estratégica que não apenas ajuda a consolidar a liderança brasileira em turismo sustentável, mas também sinaliza uma transformação profunda na maneira como o setor opera, investe e contribui para o desenvolvimento sustentável do país. 

O que é a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB)? 

A TSB funciona como um “dicionário da sustentabilidade” – um sistema de classificação oficial que define, com critérios técnicos e científicos, quais atividades econômicas, projetos e ativos são realmente sustentáveis. Coordenada pelo Ministério da Fazenda a taxonomia estabelece parâmetros objetivos para que empresas, investidores e governos identifiquem o que realmente contribui para metas climáticas, ambientais, sociais e econômicas.  

A TSB é orientada por três objetivos estratégicos. O primeiro é: mobilizar e reorientar o financiamento e os investimentos públicos e privados para atividades com impactos positivos, visando desenvolvimento sustentável, inclusivo e regenerativo. Em segundo lugar promover o adensamento tecnológico voltado à sustentabilidade, com elevação de produtividade e competitividade em bases sustentáveis. E por último criar bases para produção de informações confiáveis dos fluxos de finanças sustentáveis, estimulando transparência, integridade e visão de longo prazo. 

Por que o Brasil incluiu o Turismo na TSB? 

O Brasil é o primeiro país no mundo a incluir o turismo na TSB, e isso não é por acaso. O setor é responsável por cerca de 7% do PIB brasileiro e emprega mais de 7 milhões de pessoas, sendo fundamental para a economia regional, especialmente em áreas com biodiversidade significativa e comunidades tradicionais. Ao integrar o turismo na taxonomia, o Brasil reconhece o setor como parte essencial da transformação ecológica, criando um marco regulatório que alinha competitividade com sustentabilidade. 

A decisão reforça o compromisso brasileiro com a Agenda 2030 da ONU e as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Acordo de Paris, posicionando o turismo como vetor de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, proteção da biodiversidade e geração de trabalho decente em comunidades. 

Brasil Lidera Recuperação Turística na América Sul 2025 | +14,6% Crescimento

O relatório World Tourism Barometer (Set 2025) da ONU Turismo (OMT), mostra dados de um cenário extraordinariamente favorável para o turismo brasileiro. Os indicadores mostram que superamos consistentemente as médias globais e que o Brasil é líder na recuperação turística das Américas. Os dados revelam não apenas números robustos, mas principalmente oportunidades que demandam mobilização imediata do setor privado, gestores de destinos e lideranças governamentais.

Performance Excepcional em Contexto Global Desafiador

Enquanto o turismo mundial cresceu 5% no primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou expansão de 14,6% nas chegadas internacionais, recebendo 6,8 milhões de visitantes estrangeiros. Este desempenho nos coloca acima da média global, e também, supera significativamente o crescimento das Américas (3%). Influente no dinamismo da América do Sul (14%), o Brasil colabora para a região que desponta como a mais pujante do continente.

A análise comparativa revela contrastes marcantes: enquanto América do Norte apresentou crescimento nulo e o Caribe estagnou, o Brasil consolidou-se como o segundo maior receptor de turistas nas Américas, atrás apenas do México. Esta posição estratégica, combinada com o crescimento sustentado acima de dois dígitos, sinaliza um momento decisivo para investimentos em infraestrutura turísticaqualificação profissional e desenvolvimento de produtos turísticos diferenciados.

Receitas Turísticas: O Diferencial Competitivo Brasileiro

O indicador mais impressionante e importante na análise desse contexto, vem das receitas: o Brasil registrou crescimento de 22,5% nos gastos de turistas internacionais, mais que o dobro da média global (10,6%) e da América do Sul (14,5%). Esta métrica crucial indica não apenas maior volume de visitantes, mas principalmente a capacidade do destino Brasil em gerar maior valor por turista, elemento fundamental para a sustentabilidade econômica do setor.

Para o setor privado, operadoras, redes hoteleiras e prestadores de serviços, estes números traduzem-se em oportunidades concretas de maior rentabilidade, desenvolvimento de experiências premium e segmentação de mercado. A elevação do ticket médio sugere espaço para produtos de maior valor agregado, desde roteiros de turismo de luxo até experiências imersivas em ecoturismo e turismo cultural.

Conectividade Aérea: Catalisador do Crescimento

O crescimento de 11% no transporte aéreo doméstico brasileiro, acima da média internacional, representa um facilitador crítico para a distribuição dos fluxos turísticos pelo território nacional. Para companhias aéreasaeroportosdestinos regionais, este indicador sinaliza a viabilidade de novas rotas, aumento de frequências e desenvolvimento de hubs regionais que potencializem a interiorização do turismo.

A recuperação da malha aérea doméstica cria condições favoráveis para o desenvolvimento de roteiros integrados, conectando destinos icônicos como Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu a destinos emergentes no interior, ampliando o tempo de permanência e o gasto médio dos visitantes internacionais.

Os dados do World Tourism Barometer delineiam uma agenda clara para o setor:

Para o Setor Privado:

  • Hotelaria e Hospedagem: Expansão da capacidade instalada em destinos de alta demanda, modernização de equipamentos e implementação de práticas que atendam ao turista consciente
  • Operadoras e Agências: Desenvolvimento de produtos segmentados para mercados emissores em crescimento e visitantes que precisam de experiências diferenciadas de outros concorrentes
  • Tecnologia e Inovação: Investimento em soluções digitais, plataformas de distribuição e ferramentas de big data para análise preditiva de demanda; além de melhor experiência do client

Para Gestores de Destinos:

  • Planejamento Integrado: Articulação entre municípios para criação de roteiros regionais que maximizem a permanência média
  • Sustentabilidade: Implementação de políticas de turismo regenerativo que preservem ativos naturais e culturais
  • Qualificação: Programas eficientes de capacitação profissional alinhados às demandas do turismo internacional

Os números do World Tourism Barometer não deixam dúvidas: o Brasil não apenas recuperou-se dos impactos da pandemia, mas emergiu mais forte e competitivo. O desafio agora é converter este desempenho excepcional em transformação estrutural do setor, garantindo que o turismo cumpra seu potencial como vetor de desenvolvimento econômicoinclusão social e preservação ambiental.


Fonte: World Tourism Barometer – UNWTO, Setembro 2025.

2025 pode ser o melhor ano da história do setor no Brasil

O turismo brasileiro mantém ritmo forte no primeiro semestre de 2025. Os dados indicam que o desempenho vai além da retomada pós-pandemia e mostra um setor mais diversificado e conectado.

📊 Principais resultados

  • Turismo corporativo: R$ 58 bilhões em gastos (jan–mai), alta de 8% segundo a ALAGEV
  • Turismo internacional: quase 6 milhões de visitantes (jan–jul), +48% sobre 2024, segundo maior avanço global, empatado com o Chile. Receita cambial de R$ 23 bilhões (+13%)
  • Turismo doméstico: 94% da receita do setor
  • Aviação: +10% no total de passageiros (quase 62 milhões no semestre), com destaque para Galeão (+26%) e Confins (+15%)
  • PIB do turismo: R$ 903,4 bilhões (7,7% do PIB nacional), 8,2 milhões de empregos diretos e indiretos

🔍 Quatro fatores que explicam a alta

1. Força do turismo doméstico
O mercado interno é o motor principal, sustentado por mais opções de transporte, infraestrutura aprimorada e diversidade de destinos.

2. Crescimento do turismo internacional
Mais voos, campanhas segmentadas e abertura para novos mercados emissores trouxeram quase 6 milhões de visitantes até julho, com gasto médio mais alto.

3. Expansão da conectividade e turismo regional
O aumento de 10% no transporte aéreo é reforçado por viagens de carro e ônibus, que fortalecem o turismo regional e integram cidades médias e pequenas à rota de viajantes.

4. Ascensão de destinos fora do eixo
Ecoturismo, turismo histórico e experiências de natureza atraem visitantes para lugares como Jalapão, Chapada Diamantina, Serra da Capivara, Alter do Chão e Bonito.

📈 Perspectiva
A expectativa é encerrar 2025 com 125 milhões de viajantes aéreos no doméstico e 8 milhões de estrangeiros, os maiores números já registrados. O cenário favorece um Brasil mais competitivo e diverso no mapa turístico mundial.

💬 Para quem atua no setor, entender e acompanhar esses vetores de crescimento é essencial para transformar números positivos em desenvolvimento sustentável para destinos e comunidades.

Que outros fatores você aponta como importantes nesse cenário?

Sustentabilidade como Vantagem Competitiva no Turismo Urbano


A crescente conscientização ambiental e social da população tem transformado o comportamento de turistas em todo o mundo. Hoje, fatores sustentáveis não são apenas desejáveis, mas decisivos na escolha de destinos urbanos. Cidades que investem em sustentabilidade não apenas melhoram a qualidade de vida de seus moradores, como também atraem visitantes em busca de experiências mais responsáveis, autênticas e significativas.

De acordo com estudos recentes, atributos ligados à sustentabilidade correspondem a mais de um terço das razões pelas quais uma pessoa decide viver ou visitar uma cidade. Entre esses atributos, destacam-se a limpeza urbana, o cuidado com o meio ambiente e a presença de infraestrutura verde, como parques, ciclovias e transporte público eficiente. Tais características aumentam a sensação de segurança, bem-estar e qualidade de vida — valores cada vez mais procurados pelos turistas.

Cidades líderes, como Copenhague, Zurique e Vancouver, têm se destacado internacionalmente por metas ambiciosas de neutralidade de carbono, investimentos em energias renováveis e iniciativas inovadoras que envolvem os próprios visitantes. Em Copenhague, por exemplo, turistas são recompensados por ações sustentáveis, como usar bicicleta ou reduzir o consumo de plástico. Essas práticas não apenas melhoram a imagem da cidade, como também geram impacto econômico positivo ao atrair um perfil de visitante mais consciente e disposto a gastar com experiências sustentáveis.

Por outro lado, o crescimento desordenado do turismo, conhecido como “overtourism”, representa um desafio real para muitos destinos. Para combatê-lo, é fundamental diversificar atrações, adotar políticas de controle de fluxo e envolver a comunidade local na gestão turística. Isso garante que os benefícios do turismo sejam compartilhados de forma justa, evitando sobrecarga em áreas sensíveis e promovendo um desenvolvimento mais equilibrado.

Por fim, mais do que discursos, os turistas buscam evidências concretas de compromisso ambiental. Relatórios periódicos, metas claras de emissões e comunicação transparente são fundamentais para construir uma reputação sólida. Ao transformar a sustentabilidade em prática cotidiana e integrá-la à experiência turística, as cidades não só se diferenciam no cenário global, como também constroem legados duradouros para as próximas gerações.


O que você precisa saber para atrair visitantes europeus

A nova edição do relatório “Monitoring Sentiment for Intra-European Travel”, da European Travel Commission (ETC), oferece insights estratégicos para quem trabalha com turismo — inclusive aqui no Brasil. O estudo, publicado em abril de 2025, revela que os europeus continuam priorizando as viagens, mesmo diante de um cenário econômico ainda instável.

Embora a intenção geral de viajar tenha caído ligeiramente (de 75% para 72%), os viajantes planejam mais viagens, estadias mais longas e orçamentos mais altos. Entre abril e setembro, 27% dos europeus pretendem fazer três ou mais viagens — um crescimento de 6%. E o tempo médio de permanência também aumentou: 42% planejam ficar entre 7 e 12 noites.

No aspecto financeiro, os sinais são positivos: 30% dos viajantes planejam gastar entre €1.501 e €2.500 por viagem, e 17% devem ultrapassar a marca de €2.500. A hospedagem lidera os gastos (27%), seguida por alimentação (20%) e atividades no destino (16%).

Uma das mudanças mais significativas é a queda de 8% no interesse pelos destinos tradicionais do sul da Europa, como os litorais mediterrâneos. Em contrapartida, cresce a busca por destinos alternativos e menos explorados, inclusive em países menos óbvios como Albânia, Bósnia e Bulgária. Quem opta por esses destinos também tende a gastar mais e a permanecer por mais tempo.

Outro fator decisivo é a consciência climática: 81% dos europeus já afirmam que o clima influencia suas decisões de viagem. Evitar destinos com calor extremo, procurar climas mais amenos e monitorar o clima com mais atenção são comportamentos em ascensão.

O que isso significa para o Brasil?

Este é um sinal claro para destinos brasileiros que buscam atrair o mercado europeu: é hora de pensar em diferenciação, autenticidade e sustentabilidade. Destinos com menor densidade turística, experiências culturais e gastronômicas autênticas, e iniciativas concretas de sustentabilidade ambiental podem se destacar neste novo cenário.

Será que somente sol e praia continuam tão atrativos? E destinos muito cheios? E o lixo nas praias e cidades?É também uma oportunidade para repensar os pacotes e a comunicação com esse público: valorizar a permanência mais longa, oferecer experiências significativas e posicionar o Brasil como uma alternativa viável em tempos de mudanças climáticas. O turismo europeu nos mostra que o “novo viajante” busca profundidade, responsabilidade e conexão. O Brasil está preparado ou se movimentando para acolher esse perfil com inteligência e estratégia?

EUA perdem visitantes

A guerra comercial desencadeada pelos Estados Unidos sob a nova administração Trump vem impactando também o turismo. Um recente estudo da Oxford Economics traz informações sobre que o ocorre com visitantes do Canadá, México, China e Europa. Na verdade, a reputação dos EUA no primeiro governo Trump já foi bastante abalada, com impacto direto no turismo. De acordo com Simon Anholt, que cuida do Nation Brand Índex, o projeto “America First” impacta diretamente a imagem do país e o turismo.

No cenário pessimista projetado pelo estudo da Oxford Economics, as viagens internacionais aos EUA devem cair 5,1% em relação a 2024, resultando em uma perda econômica estimada em US$ 64 bilhões somente em 2025. Esse quadro inclui a redução de 0,8% na demanda por quartos de hotel, refletindo uma diminuição na confiança dos turistas internacionais causada pela desaceleração econômica e pela valorização do dólar frente a outras moedas. Em 2023, os Estados Unidos receberam aproximadamente 20,4 milhões de visitantes canadenses, que gastaram cerca de US$ 20,5 bilhões no país.  

Para turistas brasileiros, especialmente, essa valorização cambial é particularmente preocupante. Com o dólar mais caro, viagens para os EUA ficam mais caras, afetando diretamente os planos de milhares de viajantes brasileiros. Custos com passagens aéreas, hospedagem, alimentação e lazer aumentam consideravelmente, e isso pode fazer com que os brasileiros revejam suas escolhas de destinos; podem optar por destinos alternativos ou a reduzirem o tempo de estadia no exterior. Podem, ainda, preferir ficar no Brasil.

Por outro lado, essa situação representa oportunidades significativas para o Brasil. O país pode se posicionar estrategicamente como um destino competitivo entre tradicionais visitantes aos EUA ( ingleses, alemães, franceses ), aproveitando a chance para atrair turistas internacionais, especialmente europeus, que busquem alternativas mais econômicas e receptivas. Com um câmbio favorável para os estrangeiros, o Brasil pode explorar sua diversidade cultural e geográfica para ganhar espaço como uma opção atrativa em relação a destinos prejudicados pela guerra comercial.

Além disso, o aumento do turismo doméstico, impulsionado pela alta do dólar, também se apresenta como uma grande oportunidade. Os brasileiros podem direcionar seus recursos para viagens internas, movimentando a economia local e estimulando investimentos em infraestrutura e inovação no setor turístico nacional.

Neste contexto, os esforços na promoção turística internacional podem ter foco direcionado, destacando o clima, a hospitalidade brasileira e a estabilidade geopolítica. Ao mesmo tempo, é crucial aprimorar continuamente a oferta turística doméstica, respondendo à demanda crescente e proporcionando experiências únicas e de alta qualidade para turistas locais.

O que você tem sentido no dia a dia do seu trabalho em relação a esse tema?

Relatório de Tendências Globais de Viagem 2025 American Express

American Express Travel divulgou hoje (13 março 2025) seu Relatório de Tendências Globais de Viagem 2025, destacando as fontes de inspiração e as tendências que estão impulsionando as reservas de viagens globais este ano.

O relatório, baseado em dados de pesquisas com viajantes dos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Índia, Japão, México e Reino Unido, revelou que a demanda por viagens continua alta, com 77% dos entrevistados planejando fazer mais ou o mesmo número de viagens internacionais em comparação a 2024. Além disso, 70% dos Millennials e da Geração Z afirmam gostar de planejar viagens que proporcionem tanto prazer na jornada quanto no destino, incluindo experiências de luxo em trens e cruzeiros.

As quatro tendências que impulsionam as decisões de reserva de viagem são:

1. Memórias Memoráveis: Viajantes, especialmente Millennials e Geração Z, estão redefinindo o conceito de souvenir e formas de lembrar seus destinos mesmo depois de voltarem para casa.

2. Aventuras em Família: Desde pais Millennials e da Geração Z que deixam seus filhos participarem do planejamento da viagem até viagens multigeracionais com familiares estendidos, esse tipo de experiência está cada vez mais popular.

3. Amantes de Benefícios: Viajantes estão se tornando mais estratégicos ao maximizar recompensas de cartões de crédito e combinar programas de fidelidade, benefícios e pontos para obter o máximo de suas despesas.

4. Conecte-se e Parta: Os viajantes estão recorrendo a novas tecnologias – de aplicativos a inteligência artificial generativa – para tornar a jornada mais fluida.

Principais insights do Relatório de Tendências Globais de Viagem 2025 da American Express Travel:

1. Viajantes querem mais do que lojas tradicionais de souvenirs

• 82% dos Millennials e da Geração Z procuram produtos únicos que os façam lembrar de sua viagem e possam compartilhar histórias com amigos e familiares (comparado a 68% da Geração X e Baby Boomers).

• 57% dos Millennials e da Geração Z viajam para um destino com o objetivo de encontrar itens de alta qualidade feitos à mão e autênticos.

• 73% dos entrevistados globais afirmam que é importante apoiar pequenos negócios locais ao visitar um novo destino.

• 67% dos entrevistados globais costumam buscar recomendações locais ou em redes sociais para dicas de compras durante a viagem.

2. Famílias estão viajando juntas, desde roteiros inspirados pelas crianças até viagens com parentes estendidos

• 81% dos entrevistados globais preferem destinos voltados para famílias e que ofereçam atividades para todas as idades, como cruzeiros e resorts.

• 89% dos pais Millennials e da Geração Z dizem que viajam com familiares estendidos para passar mais tempo de qualidade juntos.

• 68% dos pais Millennials e da Geração Z afirmam que seus filhos ajudam a decidir aspectos da viagem, como destino e duração (comparado a 56% dos pais da Geração X e Baby Boomers).

• 72% dos pais Millennials e da Geração Z estão dispostos a tirar seus filhos da escola para viajar fora da alta temporada.

• 67% dos entrevistados globais que são “ninhos vazios” (cujos filhos já saíram de casa) afirmam que agora viajam mais do que nunca.

3. Viajantes estão aproveitando benefícios de cartões de crédito para maximizar suas experiências

• 75% dos Millennials e da Geração Z dizem que reservar viagens usando pontos do cartão de crédito os faz sentir que estão sendo recompensados.

• 61% dos Millennials e da Geração Z utilizam cartões de crédito para maximizar benefícios, como café da manhã gratuito em hotéis, upgrades e acesso a lounges de aeroporto (comparado a 36% da Geração X e Baby Boomers).

• 58% dos entrevistados globais combinam benefícios de múltiplos programas de fidelidade para conseguir upgrades que normalmente não pagariam.

• 45% dos entrevistados globais escolhem destinos de viagem com base nos benefícios que podem obter ao usar pontos do cartão de crédito.

• 66% dos entrevistados globais afirmam que combinar pontos de cartão de crédito com outros programas de fidelidade oferece o melhor valor para viagens internacionais.

4. Tecnologia está facilitando a experiência de viagem, especialmente para Millennials e Geração Z

• 83% dos Millennials e da Geração Z acham útil pelo menos um aspecto da inteligência artificial generativa para planejamento de viagens, sendo recomendações de atividades a funcionalidade mais apreciada (40%) – comparado a 64% da Geração X e Baby Boomers.

• 80% dos Millennials e da Geração Z gostam da praticidade de usar aplicativos de planejamento de viagens ou redes sociais para organizar suas viagens.

• 66% dos Millennials e da Geração Z baixam aplicativos de viagem antes da viagem para ajudar com barreiras linguísticas e escolha de atividades (comparado a 51% da Geração X e Baby Boomers).

• 39% dos Millennials e da Geração Z buscam as melhores ofertas no smartphone ou tablet, mas finalizam a compra no computador.

Texto traduzido diretamente do site da American Express. O relatório completo da American Express Travel 2025 Global Travel Trends Report pode ser acessado aqui.