Diga-me como precificas teu hotel, e te direi quem és.

Como você define seus preços?

Para muitos hotéis, o desenvolvimento de estratégias de preços eficazes continua sendo uma questão complexa. Cada vez mais, os hoteleiros experientes estão contratando gerentes de receitas especializados em maximizar receita e lucro, enquanto criam fortes relacionamentos com intermediários. E é justamente o RM (Revenue Management) que está desmistificando a precificação, tendo como primeiro passo o entendimento da demanda de cada tipo de quarto do hotel.

A cultura de precificação no Brasil é recente, e encontramos poucos profissionais especialistas no assunto. Como auxilio muitos hotéis na construção de seus tarifários e políticas comerciais, chego à conclusão que o parâmetro ainda mais utilizado é o valor do concorrente. Exemplo disso foi a precificação para a Copa. Muitos hotéis esperaram o concorrente definir seus preços, e “foram atrás”.

Minha pergunta é: Quem garante que seu concorrente sabe o que está fazendo?

Acredite, com alguma experiência, é possível saber se existe estratégia assertiva somente analisando os movimentos de preço que um hotel faz online, e através de sua central de reservas.

Para não cair mais nessa “armadilha”, em um processo de precificação adequado, seu preço deve:

  • Ser definido a partir do valor percebido por cada indivíduo, ou cada segmento de mercado.
  • Ser dinâmico, atendendo a demanda do comércio eletrônico e otimizando a sazonalidade do nosso setor.
  • Maximizar margem ou participação de mercado.
  • Basear flexibilidade nos principais critérios de decisão de compra e comportamento do consumidor.

Passo a Passo + Dicas

1) Entender a importância da precificação – Desenvolver uma estratégia de preços que coloque sua marca e seus produtos em uma determinada posição em relação à concorrência.

Dica: Envolva Marketing nesse process, afinal Preço faz parte do mix de marketing, e está diretamente ligado ao posicionamento da marca.

2) Definir o objetivo dos seus preços – Qual a proposta da sua marca? Quer maximizar receitas de curto prazo ou focar no lucro? Busca maiores margens de lucro em um mercado de alto padrão, com menor volume? Precisa se diferenciar mais para aumentar market share? Ou está em um momento onde precisa simplesmente que o negócio sobreviva?

Dica: Sem um plano estratégico, ficará mais difícil obter essas respostas com o embasamento necessário.

3) Criar a matriz Valor x Preço

Dica: Existem metodologias específicas para essa matriz ser criada, mas a definição dos seus concorrentes “reais” são de vital importância no trabalho. Nada de superestimar ou subestimar seu hotel na hora de definir a concorrência, mantenha seus “pés nos chão”.

4) Definir tarifário e política comercial  – sem esquecer da elasticidade do mercado (leia post sobre o assunto aqui), e da rápida volatilidade que o comércio eletrônico incorporou aos preços.

Dica: Crie um tarifário com várias categorias de tarifas para cada categoria de apto., assim será possível flutuar. Mas de nada adianta se não houver um profissional competente para  gerenciar esses preços on e offline. 

Para finalizar, saiba que a maneira como você precifica revela muito sobre sua habilidade de ganhar dinheiro. Nem o melhor vendedor do mundo terá sucesso com um estratégia de preços errada.

Uma boa habilidade para ser desenvolvida!  

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“Me venda essa caneta!”. Sua equipe comercial faz a diferença?

Sua equipe de vendas faz mesmo a diferença no seu negócio?

Antes de responder, leia o texto abaixo…

“O Lobo de Wall Street” pode não ter ganhado o Oscar, mas ninguém saiu impassível do cinema. Além da atuação irrepreensível de Leonardo DiCaprio, que na minha opinião deveria ter levado o Oscar de melhor ator, o filme é impecavelmente bem produzido.

E entre as inúmeras cenas moralmente falidas da vida de Jordan Belford, Scorcese, que brilhou na direção, pudemos assistir momentos “únicos” (bons e ruins) sobre Técnicas de Vendas.

Na cena do bar (acima), o personagem de Leonardo tira uma caneta e pergunta para sua equipe (traficantes que ele “refina” e transforma em vendedores):

“Me venda essa caneta”.

As tentativas que se seguem são esperadas e nada originais:

“Esta é a melhor caneta porque … “

“Essa caneta é feita de… “

“Esta é a mesma caneta usada pelo presidente …

Finalmente, um membro da equipe entrega um pedaço de papel para Di Caprio e diz:

” Escreva seu nome”

Quando Di Caprio olha em volta procurando algo para escrever, o futuro vendedor responde:

“Ah, você não tem uma caneta? Aqui está…É oferta e procura, meu irmão.”

Para ver o vídeo com a cena clique AQUI.

Parece simplista? Então vamos analisar melhor o que essa cena banal pode nos ensinar, e outras perguntas para você:

1)  Identificar a (real) necessidade

Até que uma necessidade seja reconhecida, não importa o quão incrível seu produto é. As pessoas podem perder as necessidades reais de vista se sobrecarregadas com muitas responsabilidades ou decisões. E essa é uma oportunidade única para o vendedor. Essa é a base da venda consultiva. Se você não descobrir ou resolver uma necessidade/desejo durante uma conversa com seu cliente, provavelmente esse tempo foi desperdiçado. É preciso destacar o que ele tem hoje e o que ele pode potencialmente ter, oferecendo uma proposta de valor atraente.

Pergunta: Sua equipe é expert na arte de perguntar e saber ouvir?

2)  Criação da Urgência

O cliente não convencido que precisa resolver seu problema rapidamente, é uma venda que não sai do lugar.
Você pode ajudar o cliente a reconectar-se com suas necessidades, e a urgência de agir sobre elas, fazendo associações para priorizar uma decisão, e relembrar as conseqüências da indecisão ou de uma má escolha.

Pergunta: Sua equipe consegue fazer o cliente se imaginar utilizando seu produto/serviço? 

Veja o que o Sr.Belfort (o verdadeiro Lobo), que tenta pagar U$ 110 milhões de multa ao governo americano, e vive hoje fazendo palestras de vendas, fala sobre o desafio me venda essa caneta“Os vendedores medíocres falarão sobre as características da caneta, os menos piores apontarão os benefícios. Mas somente os verdadeiros vendedores responderão com outras perguntas para identificar as necessidades do potencial cliente, o que ele está procurando. Nesse momento, você passa a ter o controle da conversa.”

Vendedores médios ou novatos pensam em como vender a caneta. Um vendedor experiente pensa em como levar uma conversa de qualificação para descobrir o que o cliente precisa.

Existem somente 4 habilidades de vendas:
1)  Como você reúne informações
2) Como você reage à informação
3) Como você fornece informações
4) Como você pede algo (fechamento)

Agora pergunto novamente: Sua equipe de vendas faz mesmo a diferença em seu negócio?
Não há improviso em vendas, mas estratégia e preparo. Portanto, prepare sua equipe e boas vendas!

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Se quiser se aprofundar no assunto, leia também “Pare de Vender, Comece a Servir“.