Uma Nova Ordem

Você ainda acha que a hierarquia tradicional vai prevalecer? Acredita em ambientes corporativos com portas fechadas e diretores em grandes salas? Adora longas reuniões? Resume a nova geração como imediatista e multitarefas?

Está na hora de mudar seus conceitos. Converso com muitos gestores de diversas indústrias e é quase unânime entre eles que liderar os jovens é o grande desafio do momento. Se você é um líder “X” ou “Boomer”, tenho certeza que já questionou alguma atitude “Y”.

Na verdade, a Geração dos “Millenialls” é a mais educada e diversificada. Em apenas 15 anos, o último “Boomer” vai se aposentar e os “jovens” de 47 anos estarão ocupando a maioria dos cargos de liderança.

Aliás, nesse momento, estamos vivenciando uma amostra do futuro da gestão. Essa é uma frase da Professora de História da PUC/RJ durante um debate sobre os protestos nas ruas do país: “Vocês notaram que não há líderes nas manifestações, somente porta vozes? Estamos diante de uma geração muito mais democrática.”

Os jovens atuais não querem ser liderados, mas representados, inspirados, trabalhar em conjunto, sem a necessidade de uma estrutura hierárquica formal. Na indústria de serviços e hospitalidade, a necessidade de gestores capacitados se torna ainda mais vital para o sucesso e longevidade das empresas.

Veja se você se enquadrará na nova mentalidade corporativa:

  1. Mais mulheres em cargos de liderança. Essa é a primeira geração com mais mulheres do que homens com nível superior.
  2. Liderança colaborativa em equipe, acabando com o estilo de liderança de cima para baixo. Espaços dos escritórios reduzirão em 17% até 2020, deixando mínimo de 6 mesas para cada 10 funcionários.
  3. Não há separação entre trabalho e vida. A “tal” qualidade de vida, perseguida pelos “Boomers”, será vivenciada de forma corriqueira entre os “Ys”. Esse negócio de 9 às 18hs é do Século XX!
  4. Adeus à emails e reuniões. O verdadeiro trabalho será feito em tempo real, através de mensagens instantâneas, via redes sociais.
  5. Resultados acima da presença. Os funcionários do futuro farão o que quiserem e quando quiserem, desde que o trabalho seja feito. A remuneração não será mais por tempo trabalhado, mas resultado alcançado.
  6. Feedback imediato e socializado. Eles querem comentários, curtidas e opinião o tempo todo, isso é fato. Com base nisso, a PricewaterhouseCoopers saiu na frente e usa um sistema chamado Acclaim Points. A empresa atribui um certo número de pontos para cada funcionário, que eles podem conceder aos colegas, gestores e subordinados diretos por um trabalho bem feito. Cada ponto equivale a US$ 1 e pode ser resgatado em uma loja online para tudo, desde iPads até viagens.

Por um mundo com menos paradigmas entre as gerações!

Esqueça os padrões “Boomers” e acredite, os jovens não são tão indecisos, alienados e preguiçosos como você imagina. Eles só precisam de INSPIRAÇÃO, pois ousadia, tem de sobra!

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Sem medo de ser feliz

Sabemos que viajar é uma experiência emocional, e não podemos simplificá-la ao simples fato de reservar um vôo, hotel, ou alugar um carro. OTAs e Motores de Reservas não satisfazem 100% nossas necessidades durante o processo de compra, mas tecnologias inovadoras estão sendo idealizadas com esse objetivo. Se a Amazon e outros estão humanizar a experiência online, com certeza agências de viagens também farão.

Essa realidade deixa muitos hoteleiros inseguros. E o que mais vemos por aí são números que transformam essa insegurança em um medo extremamente prejudicial para a indústria.

Expedia já vale U$ 34 Bi no mercado e Priceline, U$ 28 Bi (imagem acima).

Se as grandes redes trabalham com 65% de intermediação no Brasil, imagina os hotéis independentes. Alguns dados recentes:

* 65% à 98% dos hotéis midscale tem tarifas mais baratas em OTAs do que no seu próprio site. (Fonte: RateGain).

* 42% das reservas são online, sendo 24% dessas diretas (no site) e 76% via OTAs. (Fonte: STR e HSMAI). Talvez 10% das reservas das redes brasileiras seja online (Fonte: Painel de CEOs no Fórum Panrotas 2013), mas isso também muda de figura na realidade dos hotéis independentes.

* Falta de Gestão de Custos de Distribuição. Muitos dos hotéis nem consideram esses números ou não contabilizam tudo. Estou falando de GDS, Motor de Reservas, comissões de agências tradicionais e OTAs, etc).

* Muitos hotéis não possuem motor de reservas no seu site.

* Falta de investimento e estratégias de marketing multi-canal. Em muitas indústrias, o mínimo que se investe em marketing é 10% à 12%. Na nossa indústria não há regra. (Novidade!) Esse percentual só aparece na hotelaria nos contratos de franquia, por exemplo. Independentes deveriam pensar entre 4% à 6% pelo menos. Mas seja quem for, foque na internet. A Starwood direciona 75% de toda sua verba de marketing no on-line.

* 50% dos hóspedes das grandes redes (como Marriott, Hilton e Starwood) fazem parte dos seus programas de fidelidade. Já a maioria dos independentes não dispõem nem de um sistema de CRM.

Mas parece que a hotelaria está mudando. Tenho notado uma maior consciência de proprietários, gerentes e franqueados, preocupados em diminuir essa dependência e investir no seu site, canal que melhor preserva a paridade, evita erosão de preços, além de ser o mais rentável.

Mas o ritmo precisa acelerar de uma vez por todas. Como ainda temos medo dos comentários do TripAdvisor? Medo de negociar comissões? Medo de apostar em uma precificação adequada? Medo de não entregar o que prometemos?

Viver inseguro se tornou um estilo de vida dos hoteleiros.

Existem problemas, mas também muita gente competente, a fim de trabalhar e com vontade de fazer bem feito. Chega de ter medo!