RevPAR alto e GOP baixo tem solução!

Todo gestor hoteleiro já sabe que precisa gerenciar proativamente a distribuição para lidar com dezenas de novos parceiros e canais, e para que os custos não comprometeram os lucros.

Mas por causa dos variados modelos de comissão, muitos gestores não tem a verdadeira visão do quanto esses custos impactam seu status financeiro. Resultado? o RevPAR até pode subir, mas o GOP (Lucro Operacional Bruto) não.

E 2 são os motivos:

  1. Custos operacionais mal gerenciados.
  2. Gestão deficiente das despesas de aquisição de cliente (vendas, marketing, distribuição, etc).

Partindo do pressuposto que você tenha um bom gerenciamento do item 1, vamos ampliar a análise para o item 2.

A verdade é que muitos hotéis ainda não tem a definição de objetivos para um mix de canais ideal, descobrindo o lucro de cada um, e gerenciando essas metas.

Mas quanto custa realmente adquirir um cliente?

Existem 3 tipos de custos, com objetivos diferentes:

Lembra do Funil de Vendas?

     1. Atrair o cliente (‘Namoro‘) – É preciso desenvolver uma relação, fazer com que o cliente prefira sua marca sobre a outra.

Ações: branding, publicidade, esforços de vendas, programas de parceria, redes sociais, visibilidade nacional (e até internacional), etc.

   2. Conseguir a reserva (‘Noivado’) – É o momento em que o cliente já decidiu ficar com você, mas pode fazer a reserva de várias maneiras.

Ações: otimização do site, treinamento do Depto. de Reservas, boas parcerias com OTAs e outros intermediários, ótimo motor de reservas, excelente channel manager, Recepção preparada para a venda ao telefone, upselling e walk-ins, etc. A maioria dessas transações inclui um componente tecnológico e todas tem algum custo associado. A gestão desse custo, que inclui comissões, taxas por transação, etc, é importante para o hoteleiro saber qual o custo da venda direta x indireta, conseguindo tomar decisões bem mais assertivas.

     3. Levá-lo a comprar novamente (‘Casamento’) – Também conhecidos como ‘esforços de retenção’.  Item ainda desprezado por muitos hoteleiros, a Retenção de Clientes deve ser uma das prioridades estratégicas da empresa.

Ações: email marketing, promoções exclusivas para quem retorna, links especiais, presentes, etc. A tendência é (ou deveria ser) que o cliente volte ao hotel através de um canal direto. Isso pode minimizar custos de reservas, mas sempre haverá algum custo em qualquer método de reserva.

Obs.: Todos os 3 itens fazem parte do budget de vendas & marketing, e dividi-los vai te possibilitar uma gestão bem mais assertiva.

Dicas Finais:

  1. Saiba os custos exatos de cada canal (comissões, taxas de transação, etc)
  2. Estabeleça o melhor mix de canais com base na Diária Média Líquida.
  3. Determine a eficiência das suas estratégias de Marketing e Vendas. É preciso saber responder: Quanto tenho de retorno a cada R$ 1 gasto em vendas e marketing?

Resumo

Gerir de forma assertiva os custos de distribuição significa direcionar seu orçamento de aquisição de cliente em ações que valorizem sua Diária Média Líquida. Seu GOP agradece!

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Porque alguns hotéis dão certo e outros não?

Fórum Panrotas, momentos para aprofundar e parabenizar…

Sei que estou meio em falta com o blog, mas os 2 motivos são ótimos: férias + muito trabalho! E nada melhor do que voltar à ‘programação normal’ com o Fórum Panrotas. Como sempre, muito bem organizado, e com conteúdo super atualizado. E mesmo não conseguindo ficar o tempo todo, acompanhei as palestras pelo Facebook ao vivo. ‘Smart move, guys!

Abaixo destaquei 2 momentos em que gostaria de ter aprofundado o assunto. Logo depois, as frases que valeram o evento:

  • Momento 1: Painel de Hotelaria com Presidentes da ABIH, ABR, FBHA e FOHB.
  • O que foi falado:Precisamos da liberação de vistos, reforma trabalhista, melhor divulgação da Embratur, tributação para Airbnb, Airbnb, Airbnb, Airbnb, etc.
  • Para aprofundar o assunto:
    1. O aluguel de quartos através do Airbnb pelos proprietários é uma questão séria para muitas administradoras. Convenções e contratos antigos não previram essa disrupção, e isso está corroendo a estratégia comercial de muitas marcas. Qual a solução no curto ou médio prazo?
    2. Retenção de clientes e gestão dos custos da distribuição direta e indireta são os assuntos mundiais da hotelaria. O quanto esses 2 tópicos estão presentes no dia a dia do hoteleiro brasileiro?
    3. E quando (se…) o Airbnb começar a distribuir hotéis oficialmente? Qual será o discurso da hotelaria?

Obs.: Só eu fiquei morrendo de vontade de convidar o CEO do Airbnb no Brasil para esse painel?  Ficaram até em dias separados…

Brincadeiras à parte, muito bom ver essas entidades falando sobre o assunto. Durante anos participei de eventos hoteleiros no exterior onde a pauta principal era essa, e por aqui parecia que o Airbnb não existia.

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  • Momento 2 : Palestra AirbnbLeonardo Tristão – CEO Airbnb Brasil
  • O que foi falado: “…….” – A apresentação foi sobre o quanto o Airbnb é legal, como surgiu e como funciona. Entendo o quanto aquele ambiente poderia ser um tanto ‘hostil’, e talvez eu também optasse por uma palestra institucional. Fiquei morrendo de vontade de perguntar tantas coisas…
  • Para aprofundar o assunto:
    1. Como estão os planos para a comercialização de entretenimento, tours e…até vôos? Com o lançamento do Trips (clique aqui para ver reportagem em inglês de Nov/16), o Airbnb entra mesmo para a concorrência com OTAs, e completa seu plano de 2014 para se tornar a ‘agência de viagens do futuro’ (lei aqui meu post ‘Airbnb se reinventa para ganhar o mundo’ de 2014)?
    2. Será que o DNA do Airbnb é mesmo vender experiências, ou será que estamos falando de diferencial por preço? Suas tarifas variam de 6% à 17% abaixo da diária média da hotelaria americana e européia. Quais os números do Brasil?
    3. O share do Airbnb com o segmento corporativo foi 12% em 2015, 18% em 2016 e previsão de 23% em 2017. Até então, as grandes redes não entraram para valer nessa briga, pois vocês não estão mexendo com os 70% dos viajantes corporativos do mercado. Sabemos que os travel managers anseiam por mais opções, e vocês querem ampliar essa fatia de mercado. O que está sendo feito para resolver questões de pagamento e segurança?

Fora as provocações, sou fã do modelo de negócios do Airbnb, e acredito que ainda veremos muitas novidades.

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FRASES QUE MERECEM :

  • Frase 1 : “Com todo o dinheiro que invisto em marketing, quem dera as pessoas fechassem comigo. Mas muitas vezes elas pesquisam no meu portal e vão comprar na cia. aérea ou hotel. Quem decide é o cliente, não adianta culpar a OTA. Quando ele chega no hotel, eu não tenho mais controle sobre ele.” André Alves (Decolar.com)
  • Frase 2: “Para ter um negócio, tem que ter estratégia. Para ter estratégia, tem que ter posicionamento. Falta posicionamento. O hotel é detentor do seu preço. Ele decide por onde quer se distribuir. Estamos educando o cliente errado. A tarifa média é um absurdo. Temos que aprender a vender! A paridade é importante até o capítulo 2″. Luis Paulo Luppa (Trend) — Concordo, leia meu post sobre Paridade AQUI)
  • Frase 3: “A hotelaria precisa falar mais do cliente final, e na sua retenção.” Marcelo Bicudo (AllPoints) — Como diz Sebastien Bazin (CEO da Accor) – leia o post  ‘A Hotelaria está dormindo há 15 anos‘ – tudo bem a OTA te trazer um cliente novo, mas se ele faz a segunda reserva ainda por um intermediário, o problema está com você, que não sabe reter clientes.
  • Frase 4: “Nada proporciona mais benefício para o consumidor do que a concorrência. O regime de liberdade tarifária é a base do capitalismo. E ele é que permitiu a existência da Gol.” Sérgio kakinoff (Gol). — Antes de julgar, ser contra ou a favor da cobrança de bagagens, clique AQUI e veja o que acontece no mundo, e como as cias. aéreas atuam. Obs.: como consumidora, claro que não quero pagar mais, mas entendo perfeitamente a lógica comercial por trás desse movimento.
  • Frase 5: “Estejam em mais canais.” Nate Huff — Perfeito Nate, mas é preciso ‘saber estar’!
  • Frase 6 (a melhor do evento, na minha opinião) : “Precisamos frear o intervencionismo estatal, avançar com a privatização, e acabar com essa ideologia socialista, bolivariana, que tomou conta do Brasil nos últimos anos. Para resolver, é preciso MENOS ESTADO.” Carlo Kawall (Banco Safra) —-Fiquei sem graça de aplaudir de pé, mas a vontade era essa!

Não, não tem frase do Ministro do Turismo…sorry!

Parabéns equipe Panrotas, Imaginadora, R1 e todos os envolvidos! Arrasaram!!!


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Como lidar com a nova realidade da Distribuição

Vou para a concorrência, tchau!