Paris ganha patinete elétrica self-service

A empresa californiana Lime acaba de lançar em Paris uma nova frota de patinetes elétricas em livre serviço ou como gosto de chamar self-service. A empresa já opera em Berlim, Frankfurt, Zurique e tem a intenção de se instalar em 26 outras cidades europeias até o final de 2018.

Assim como nas bicicletas em livre-serviço, basta fazer o download do programa e após criação de conta, “scannear” o código barra para desbloquear o aparelho. Sua velocidade máxima é de 24 Km/h. Provavelmente por essa razão é exclusivo para maiores de 18 anos e o uso de capacete é aconselhado.

Eu não sugiro o uso aos turistas, pois acho que não há nada mais chato que uma eventual queda e um ferimento ou torção durante uma viagem ao exterior. Só em pensar na possibilidade de perder um dia no hospital me faria perder a vontade. Mas com certeza o simpático meio de locomoção encontrará adeptos. 

A primeira corrida custa 1 euro e depois o custo é 15 centavos o minuto.

 

Início da revolução no transporte parisiense

Após o lançamento das bicicletas self-service Gobee e oBike, Paris inova na área do transporte em comum.

Mais um shuttle sem motorista acaba de ser lançado em Paris. O novo veículo percorre quatro quilômetros que ligam o Parque de Vincennes e a estação de metrô Chatêau de Vincennes a uma velocidade 10 km/hora.

Assim como seu homólogo em função desde junho 2017 na Esplanada da Defense  e também em fase experimental, o micro ônibus autônomo e elétrico de Vincennes transporta, por enquanto, os usuários gratuitamente. Gratuidade  esta que é certamente uma boa maneira de atrair “cobaias” e  conquistar os mais reticentes.

Uma inovação que não tardará a invadir nosso mundo do turismo. Em 2018 a empresa Navya, fundada em Lyon e criadora do ônibus autônomo começará a testar nas ruas de Paris seus taxis autônomos. Conheça abaixo:

Você e seus clientes já estão prontos para esta revolução?

Inclusive, fazendo as busca de imagens encontrei também este filme sobre a evolução do ônibus em Paris desde suas origens em 1900 até 1965. Verdadeiro testemunho do desenvolvimento contínuo nesta área. Como sou nostálgica desejei compartilhar. Espero que gostem.

Excelente semana e até o próximo post.

Turbulências no transporte terrestre: motoristas Uber fazem greve.

Ou ainda : Vivendo e aprendendo.

A  classe de trabalhadores prevê novas manifestações para os dias 15 e 16 de janeiro. Os dias 15 e 16 de dezembro já foram marcados por protestos, bloqueios aos acessos de aeroportos e grandes eixos, confrontos e manifestações em frente à sede da Uber na França.

Os motoristas autônomos reclamam melhores condições financeiras e “trabalhistas”. Clamam viver em estado de escravidão dos tempos modernos, presos entre as mensalidades do carros comprados para exercer a profissão e as baixa tarifas recebidas pelas corridas.

Não conheço o perfil desta nova classe trabalhadora no Brasil, aqui posso dizer que dentre a massa encontravam-se há pouco tempo desempregados de duas categorias: reais vítimas da crise obrigados a apelar para esse sub emprego e outros francamente não empregáveis. Há também aqueles que deixaram seus empregos no transporte pensando que com um site de venda direta ao público quebrando preços e um pouco de Uber lograriam viver muito bem, sem submissão a certa disciplina exigida por um empregador. Não sabiam : patrão, seja ele pequeno ou grande, se submete todo dia a  contrariedades e se conforma, cria, diversifica.., se sacrifica. Mas não os “uberistas”.

Prova dessa inconformidade com disciplina é a presença constante e ilegal desse povo na saída dos terminais aéreos oferecendo falsos serviços de taxis. Talvez não tivessem criado tanta polêmica e transtornos se conformando as normas. Lembrando que minha empresa teve um carro vandalizado pelos taxistas contrariados com essas táticas ilegais de veículos de transporte.

Agora chegou a vez dos Uberistas de manifestarem publicamente sua insatisfação. Os dois dias de manifestações ocorridos em dezembro causaram certo transtorno no ramo do transporte, porém não resolveram as questões financeiras e trabalhistas levantadas pela classe .

O mais engraçado é que dias antes recebi a ligação de uma “amiga de uma amiga” pedindo um precinho especial para um TFR aeroporto-hotel pois estava sem dinheiro, mas não falava a língua e ouviu dizer que eu ajudaria bla bla bla. Eu, como gosto muito da amiga em questão e por que nem sempre reflito claramente quanto me tocam o coração cedi a tentação de ajudar e cobrei um valor, digamos, simbólico. A passageira pediu que um chip internacional lhe fosse entregue durante o serviço sem custo extra. Porque não? Afinal estamos aqui para servir.

O motorista que fazia o traslado a tarde teve o dia monopolizado, se ausentou de uma reunião pela manhã para não chegar atrasado e ainda assim chegou 15 minutos depois do horário previsto. Eu pessoalmente estive em contato com a passageira explicando sobre a barragem dos Uberistas no caminho e da “greve”, mas acho que ela não entendeu. Será que meu medo que o motorista e o carro sofressem algum tipo de vandalismo impediu que eu fosse clara ou o conceito de Uberista manifestando foi difícil de entender?

Nosso chefe de operações também manteve a passageira informada durante esses quinze minutos. (Obrigada WhatsApp). Porém dois minutos antes da chegada do motorista a “amiga da amiga” deixou uma mensagem bem mal-educada, dizendo que não acreditava na minha pessoa e que estava pensando em chamar um Uber!! Ela me chamou de mentirosa e comparou meus serviços com Uber! Os mesmos que estavam impedindo nosso motorista de chegar ao aeroporto. Na hora lembrei do que li aqui no Panrotas outro dia: Preço baixo não fideliza ninguém mesmo.

Resta o orgulho de ter realizado a missão, a alegria pelo motorista e veículo terem saídos intactos e a lição de nunca mais ceder à tentação.

 

Post Scriptum

Origem da palavra

Aqueles que conhecem um pouco de história da França talvez já tenham lido ou ouvido “fulano de tal foi enforcado ou fulano de tal foi guilhotinado na Place des Gréves”.  No século XII, o local de nome Gréves designava uma praça na frente da atual prefeitura, com leve inclinação e pedrinhas (em francês gréves) mergulhando no Sena e permitindo uma fácil descarga de muitos bens transportados no rio e entregues a Paris onde era antes seu porto mais importante.  Naquele tempo, «gréves» significava, por associação ao lugar, ficar sem trabalho. Trabalhadores desempregados reuniam-se na Place de Grèves, e entre uma execução e outra aguardavam navegantes em busca mão de obra para carga e descarga de seus barcos.

O significado da palavra Grèves evoluiu no início do século XIX, quando trabalhadores, explorados pelos patrões sem escrúpulos, decidiram abandonar seus trabalhos e reunirem-se na mesma praça que teve um dia este nome. Em 1830 o lugar foi renomeado “Praça da Prefeitura”ou Place de l’Hotel de Ville.

Primeiras greves

As primeiras paralizações, antes mesmo de serem denominadas greves na França, datam do século XII, realizadas por mestres e sobretudo estudantes das grandes escolas da margem esquerda, após as quais obtiveram da Igreja maior liberdade de pensamento e do estado alojamento financiado.

As greves foram durante muito tempo reprimidas e proibidas por lei até 1834.

Imagem em destaque: Greve de transportes em Paris 1891, um ônibus é atacado pelo povo.