Paris-A volta ao normal

Paris– Desde o dia 11 de maio os parisienses e franceses começaram a desfrutar da abertura de comércios e de áreas ao ar livre. Este foi o primeiro passo para a volta ao normal.

No entanto, dia 2 de junho, dia de início da fase 2 do desconfinamento, foi um dia esperado com ansiedade pela população da cidade.

Eu fiquei tão feliz ao acordar que sai tirando fotos.

terraços abertos

E assim que possível, parei para um primeiro cafezinho pela manhã. Quis testemunhar a volta à normalidade em Paris, ainda que parcial.

Pela tarde tive que evacuar meu lugar de trabalho por causa de um incêndio. Advinha o que fiz! ?

No decorrer do dia 2, nas ruas, nos bares e cafés, o movimento foi aumentando.

O “burburinho” das pessoas felizes podia ser ouvido em todos os lados.

Veja as imagens de Paris no vídeo abaixo, filmadas nos dias 2 e 3 de junho em diferentes horários .

Em Paris somente os terraços ou parte externa dos restaurantes estão abertos e os trabalhadores devem usar máscaras.

Quanto ao comércio, a atividade registrou uma queda de 30% em relação ao mesmo período do ano passado.

As lojas que obtiveram franco sucesso foram butiques de marcas que ofereceram promoções. O movimento intenso nas lojas e terraços prova que o francês não perde um bom desconto e nem uma “boquinha”.  

aberturas

  • As fronteiras entre os países da União Europeia estão abrindo desordenadamente, é esperado que no mês de julho todas estejam abertas.
    • ATRAÇÕES EM PARIS
  • O museu d’Orsay abre dia 23 de junho.
  • O espetáculo Atelier de Lumières Monet, Renoir, Chagall está aberto.
  • O Parque Asterix abre dia 15 de junho. Todos venderão seus bilhetes de acesso somente on-line.
  • A Euro Disney aguarda dia 22 de junho, data da terceira fase do desconfinamento, para anunciar quando voltará a receber visitantes.

O uso de máscaras é obrigatório nos transportes em comum e ambientes fechados, incluindo os museus e atrações acima.

O número de visitantes nas atrações será restrito, como é restrito o número de pessoas nos comércios, garantindo desta maneira o distanciamento social.

E assim, a vida na França vai aos poucos voltando ao normal. Acreditem, é possível! E logo ocorrerá aí no Brasil também.

Nota: A França tem atualmente 13 101 pessoas hospitalizadas, 1163 em reanimação e registrou 44 óbitos no dia de ontem. A curva segue descendo.

Direto de Paris distrações e esperanças

A França continua seu processo de « desconfinamento » progressivo. Parisienses e franceses redescobrem felizes esse semblante de retomada à vida, deixando lentamente para trás os piores capítulos dessa tragédia infinda.

Apesar da inconveniente restrição de locomoção há mais de 100 quilômetros de suas residências, dos bares e restaurantes ainda fechados, das medidas de distanciamento social, do triste luto, das desastrosas perdas financeiras, os pesares causados pelo Codiv-19 parecem se dissipar um pouco enquanto as pessoas buscam retornar a uma pseudo normalidade.

As notícias apresentam mudanças a cada dia. Enquanto escrevo o governo prepara a segunda fase desse processo de “desconfinamento” em função dos resultados numéricos.

Alguns franceses aguardam para saber quando abrirão seus estabelecimentos, outros quando cessará o sistema home office de trabalho, outros querem saber se poderão viajar fora do território francês durante as férias de julho e agosto ou ainda se seus filhos terão aulas em junho.

Neste mar de incertezas vamos flutuando como podemos. Cada um se apega aonde dá .

Justamente! Cada um busca consolo moral onde pode. E como minha bóia durante esse processo foi a própria cidade de Paris compartilho com vocês imagens desse percurso de 2 meses entre confinamento e redescoberta da “liberdade”, ainda que uma semiliberdade condicional.      

Projeto 1 hora e 1 km

Como mencionado em postagem anterior, o Francês teve durante o confinamento o direito a uma saída diária e o deslocamento num raio de um quilômetro de sua residência. A burocracia exigida para esse deslocamento através da obrigatoriedade de apresentação de atestado justificativo e a presença massiva de imponentes policiais controlando e multando nas ruas serviam como agentes dissuasivos para as escapadas. Assim, em dois meses, eu sai aproximadamente 8 vezes.

As notícias dos óbitos, a insegurança continua, a tristeza rebentando pediam alívio.

E foi nestes momentos de desespero que encontrei distração descobrindo que 1 hora e 1 km são suficientes para qualquer pessoa se apaixonar por Paris.  

Vejam algumas imagens do meu projeto 1 hora, 1 km:

Portas e Portais

Perspectivas

redescobertas

Passagens

Encontros

A Arte

O Rio Sena

O Louvre

E assim, a beleza da cidade me ajudou a passar pela tristeza dos acontecimentos. Como Paris é linda!

No entanto, acho mesmo que serão as imagens à seguir que trarão à você uma luz de esperança.

Neste retorno parcial à normalidade, as lojas com menos de 40 000 mil metros quadrados estão abertas, pequenos museus igualmente, alguns castelos também começaram a receber visitantes, restaurantes fazem pronta entrega.

As fronteiras da França com a Europa devem abrir completamente em julho, assim como os grandes museus e atrações.

Para você que está em meio ao confinamento, espero que as imagens tenham lhe distraído um pouco também. E peço: querido leitor, tenha paciência e não perca as esperanças. Como dizem os italianos: Chi va piano, va sano e se va lontano.

Novo Trocadero. E a (r) evolução continua.

Em 2018 aproximadamente 50 milhões de pessoas visitaram Paris, um recorde para o destino. A hotelaria registrou 35 milhões de entradas e um aumento de 3,7 milhões de clientes comparativamente ao ano precedente.

Essas pessoas vêm a Paris para admirar a paisagem, sem muitas vezes imaginar as obras gigantescas pelas quais a cidade passou para chegarmos aqui.  Tente imaginar: sessenta por cento da superfície da cidade foi elaborada e construída em 17 anos de obras!

TRANSFORMAÇÃO DE PARIS – da Idade Média para o futuro

Ouço parisienses reclamarem do trânsito e penso nestes 17 anos.

De fato, em 1853, Napoleão III confiou ao Barão Haussmann, então prefeito do Sena, uma importante missão: transformar a Paris.  

Foi a partir deste momento que através da mobilização de centenas de arquitetos e os trabalhadores, Haussmann melhorou e revolucionou as técnicas de construção existentes e deu à Paris a forma que têm hoje.

Porém, para concluir com êxito este projeto entre os mais controversos do século, o político teve que enfrentar muitos obstáculos e reclamações. Tendo sido, inclusive, afastado antes dos final das obras .

64 quilômetros da vias e 600 quilômetros de esgotos foram construídos, 20.000 edifícios destruídos e 30.000 erigidos, 80.000 árvores foram plantadas.

A superfície da capital passou de 3.000 a 7.000 hectares e sua população dobrou, atingindo  2 milhões de habitantes em 1870. Haussmann empreendeu uma tarefa faraônica, refletindo perfeitamente a visão que Napoleão III tinha sonhado para sua cidade.

Grandes avenidas e belas perspectivas substituíram prédios medievais e sórdidas ruelas escuras.

fotos Charles Marville/Les Éditions du Mécène et Gilles Leimdorfer para Le Figaro Magazine

Em poucos anos brotaram

  • Os bulevares : Sébastopol, de Strasbourg, Magenta, Arago, Voltaire, Diderot,  Malesherbes, Saint-Germain, Saint Michel e Cours de Vincennes,
  • As avenidas: Kléber, Foch, Victor Hugo, Carnot, Niel, Friedland, Iéna, George V.
  • As ruas: Soufflot, Réaumur, Quatre-Septembre, Rennes, Turbigo, des Ecoles e a Rua Rivoli foi expandida.
  • A convergência de 12 avenidas para a Praça da Etoile, os Champs Elysées,
  • As Praças:  République, Léon Blum (atual Place de l’Alma),
  • Reconstrução de estações de trem e acessos viários para as mesmas: nova estação Gare de Lyon 1855, Gare du Nord 1865 e  Gare Saint-Lazare 1885,
  • Salas de espetáculos: Opera Garnier, teatro du Châtelet e o teatro da cidade,
  • Igrejas: Saint-Eugène (Sainte-Cécile), Sainte-Trinité, Saint-Amboise e Saint-Augustin,
  • Instalações à gás,
  • Iluminação em vias públicas,
  • O imóvel de estilo “Hausmanniano” se impõe como verdadeiro estilo de vida e padrão burguês. 
  • Áreas verdes ( parques Monceau, Boulogne e Vincennes.
fotos Charles Marville/Les Éditions du Mécène et Gilles Leimdorfer para Le Figaro Magazine

Enfim, nada escapou ao Barão de Haussmann e seu desejo de sanear, modernizar e embelezar a cidade.  Hoje o sonho de qualquer parisiense é viver num apartamento construído nesta época. (Quem não ia querer um apartamento na Avenue Foch?)

PARIS E OS POLÍTICOS

E assim, cada personalidade política que passa pela cidade sonha em marcar sua passagem como fez Hausmann.

Jacques Chirac conseguiu marcar Paris e ser lembrado pela pirâmide do Louvre, Macron quer mudar Notre-Dame e Anne Hidalgo ( prefeita de Paris) quer construir a cidade de 2050.

Inicialmente, Anne Hidalgo restaurou varias perspectivas de Haussmann obstruídas por estacionamentos, rotundas ou construções que se sobrepuseram. Hoje essas perspectivas podem ser admiradas como outrora.

Agora, Anne Hidalgo sonha com o futuro.  E para Anne, a Paris do futuro será ainda mais arborizada e com menos veículos motorizados.

PARIS EM EVOLUÇÃO CONTÍNUA

Para você ter uma ideia, atualmente a cidade tem mais de 6000 canteiros de obras e novos projetos são apresentados todos os dias.  

A última grande novidade de Anne Hidalgo e sua gestão é o projeto para o Novo Trocadero à ser realizado entre 2021 e 2023.

O NOVO TROCADERO

Um dos lugares mais emblemáticos da cidade será completamente restaurado.

E assim , como Haussmann e Jacques Chirac, Anne Hidalgo garante que seu nome será lembrado por todos os guias da cidade e também parisienses. Parisienses que hoje sofrem e reclamam com as obras, mas que no futuro se orgulharão ainda mais de sua cidade.

Conheça agora o projeto para o NOVO TROCADERO!

PARIS CONTINUA LINDA

No entanto, apesar das aparências, não pense você que as reclamações dos parisienses são fundadas.

Veja em 3D como Paris, apesar das obras, continua linda. Como você pode ver nas imagens, de Montmatre ao Rio Sena tudo é encanto e beleza!

PASSEIO EM PARIS 3D