A força do setor de viagens corporativas em momentos de imprevisibilidade

Imagino que você, leitor, durante a pandemia, fez remotamente uma pós-graduação, MBA em gestão de crise, gestão de caixa ou capacitações em diversas áreas para lidar com tantas imprevisibilidades. Nós, que sempre tivemos uma atuação dinâmica, fomos impactados por condições externas e de mercado. Foi preciso nos adaptarmos ainda mais e rapidamente com a nova realidade, além de revisar as habilidades necessárias para auxiliar na jornada da viagem corporativa. 

Após o avanço da vacina, parecia que estávamos mais perto da efetiva retomada. Mas a disputa de poder deflagrou uma guerra na Ucrânia que muito rapidamente impactou o nosso setor, sem falar no aumento da inflação e juros altos, que automaticamente esfriam os negócios. A situação é complexa e estamos novamente em um cenário pouco previsível. 

Porém, como sempre, batalhamos para o sucesso e estamos conseguindo nos reerguer. Afinal, lidar com a pressão e imprevisibilidade é um exercício que fazemos todos os dias; julgo dizer que é até mesmo um sinônimo constante nesses últimos dois anos. 

Vejo também, que com a enxurrada de eventos realizados em plataformas digitais, as pessoas estão órfãs de interações face a face, conexões pessoais, qualidade de relacionamento, ampliação do networking e mais confiança na hora de fechar um negócio com o famoso aperto de mãos, pequenos atributos que fazem a diferença para que as empresas decidam investir em viagens corporativas, pois são parte fundamental no processo de desenvolvimento de muitos setores. 

Segundo o relatório mensal de dados da US Travel Association de março de 2022, mais de 77% dos viajantes de negócios e 64% dos americanos empregados concordam que é mais importante do que nunca trazer de volta as viagens corporativas.

E como resultado desse trabalho em conjunto da indústria, estamos cada vez mais próximos dos números pré-pandemia. De acordo com dados do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), criado pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (ALAGEV), referente ao mês de fevereiro, o faturamento dos setores ligados às viagens de negócios foi de R$ 5,4 bilhões, o que remete a 143,7% de crescimento em relação ao mesmo período de 2021, quando o valor foi de R$ 2,2 bilhões.

O LVC aponta que esse resultado expressivo tem duas explicações. A primeira delas é por conta da retomada da economia com a vacinação avançada e do menor receio da população e das empresas em realizar deslocamentos pelo país. Por mais que o cenário no mês tenha sido, em parte, impactado pela variante Ômicron, não houve restrições relevantes e a oferta de serviços manteve-se em alta.

A segunda explicação é pela base fraca de comparação. Neste período de 2021, o país vivia a segunda onda da pandemia do coronavírus, com recordes de mortes e restrições significativas das atividades, sobretudo a de eventos. A oferta de serviços, como transporte aéreo e meios de hospedagem, ainda estava longe de regressar a patamares razoáveis. Com isso, os dados do mês são muito positivos, mas devem também ser contextualizados com o cenário pré-pandemia. Em relação a fevereiro de 2020, mês que antecedeu a primeira onda do coronavírus, o faturamento atual está 34,6% abaixo. Ou seja, quase R$ 3 bilhões menor.

O indicador também apresenta que os próximos meses serão decisivos, pois ainda existem obstáculos como, por exemplo, o preço das passagens, que afetam as decisões das viagens, principalmente do setor corporativo. E, consequentemente, com menos viagens, a cadeia do turismo em geral é afetada. Portanto, a conjuntura econômica de inflação e juros altos deve trazer um ritmo menor do que o esperado meses atrás.

Mesmo com diversos desafios e um longo caminho para a efetiva recuperação, estamos observando uma retomada confiante. Esses dados mostram que as empresas estão retornando os seus investimentos em eventos e viagens, o que favorece o desempenho das áreas de transporte aéreo, locação de veículos e meios de hospedagem, entre outros. Vale ressaltar também que o nosso setor tem um peso importante no aumento das oportunidades de emprego.  Ainda estamos em um período de incertezas, mas podemos colocar em prática as estratégias elaboradas durante o período de pandemia, mantendo sempre a palavra que representa o nosso cenário: a flexibilidade. 

Por fim, desejo que possamos continuar nessa jornada JUNTOS e promover um setor mais igualitário, inclusivo e responsável!

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ALAGEV

Roberta Moreno é atualmente presidente da ALAGEV e atua na indústria farmacêutica há 15 anos. Desde 2016, Roberta é líder da área de Eventos & Contratos no Brasil na Bristol Myers Squibb, onde participa ativamente em projetos corporativos globais.

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