O Cenário Geopolítico e as Oportunidades no Turismo: Uma Análise Estratégica

O setor de turismo, por sua natureza global, é interconectado e muito suscetível a eventos geopolíticos. Crises em determinadas regiões, como os conflitos no Oriente Médio, impõem desafios significativos de remanejamento e planejamento para operadores e viajantes. Contudo, é fundamental reconhecer que tais cenários, embora complexos, geram novas oportunidades, redirecionando fluxos turísticos e promovendo o crescimento de destinos alternativos que, em condições normais, poderiam ter um desenvolvimento mais lento ou, até serem esquecidos pela maioria dos turistas.

Sempre que um evento como o atual ocorre, observamos um redirecionamento de demanda para regiões menos ou não afetadas e que ofereçam propostas de valor diferenciadas. A Turquia, e em particular Istambul, tem se consolidado como um hub de stop-overs, absorvendo parte do tráfego aéreo que tradicionalmente utilizava Dubai ou Catar para conexões com o Oriente. Similarmente, a Europa tende a fortalecer sua posição como porta de entrada para o continente asiático.

Ressalto aqui que destinos na América do Sul ou da África, com voos diretos do Brasil e fora das zonas de conflito, apresentam-se como alternativas viáveis e seguras, aptas a capitalizar essa reconfiguração do mercado e que já temos percebido terem ganhado mercado com as dificuldades de encontrar voos mais econômicos para a Ásia.

Além dos fatores geopolíticos diretamente ligados a conflitos, as políticas regulatórias de entrada e saída de países exercem influência substancial na dinâmica do turismo. A recente reintrodução do visto eletrônico para o México ilustra como uma alteração na política de vistos pode revitalizar um destino, impulsionando a demanda que havia declinado. Resta saber se o aumento na procura pelo destino pode gerar um efeito cascata, impactando outras localidades no Caribe, como Curaçao e República Dominicana, que registraram um aumento significativo nas vendas durante o período de menor acessibilidade ao mercado mexicano. De qualquer maneira, quanto maiores as opções de viagem, melhor para o agente de viagem.

Outro exemplo é Cuba, que há anos enfrenta sanções comerciais e, mais recentemente, uma crise energética que impacta diretamente o turismo local. Ainda assim, posso dizer por experiência própria, que a ilha mantém uma estrutura notável diante desse contexto. O turismo segue viável e recomendável, especialmente para quem busca uma experiência mais autêntica e menos massificada.

Neste ambiente de constante mutação, a resiliência e a capacidade de adaptação do agente de viagens tornam-se essenciais. A busca proativa por oportunidades, a disposição para sair da zona de conforto e a dedicação em se tornar um especialista em novos destinos são atributos essenciais. A diversificação do portfólio e o aprofundamento do conhecimento sobre novos destinos permitem aos profissionais não apenas mitigar riscos, mas também identificar e capitalizar nichos de mercado que surgem em resposta às mudanças globais.

Finalmente, a complexidade inerente a estes cenários reforça a importância das agências de viagens para o consumidor. Em momentos de crise e incerteza, a expertise, o suporte e a capacidade de remanejamento oferecidos por um agente qualificado são inestimáveis. Essa relação de confiança e a personalização do serviço fortalecem a posição das agências frente às Online Travel Agencies (OTAs), consolidando-as como parceiras indispensáveis na jornada do viajante e garantindo a segurança e a tranquilidade necessárias para explorar o mundo, mesmo diante de desafios geopolíticos e regulatórios.

Reforma Tributária: Um Chamado à Ação e Estratégia para o Turismo em 2026

Temos de reforçar a importância de um tema que, mais do que nunca, exige nossa atenção contínua e estratégica ao longo de 2026: a Reforma Tributária. Embora ainda estejamos navegando por um cenário de definições em construção, com muitos detalhes dependendo de avanços legislativos e regulatórios nas próximas semanas e meses, uma certeza já se impõe: as mudanças terão um impacto profundo e estrutural na forma como nossas empresas se organizam, operam e planejam o futuro.

Não se trata apenas de uma alteração na carga de impostos. A Reforma Tributária transcende a esfera fiscal, podendo redefinir desde a maneira como realizamos nossas vendas e registramos operações, até a estrutura de contratos, o pagamento a fornecedores, a organização do fluxo financeiro e a adequação a novas exigências de compliance. É uma transformação que exige uma revisão abrangente de nossos modelos de negócio.

Compreendo que a rotina do agente de viagens é, por natureza, intensa. A gestão de equipes, o relacionamento com fornecedores, a negociação com operadoras, a vigilância constante sobre o câmbio e o controle financeiro consomem grande parte de nossa energia em demandas operacionais. É natural que temas complexos como a Reforma Tributária, por vezes, sejam postergados. Contudo, 2026 nos impõe uma atenção redobrada.

Este é um ano marcado por eleições, pela Copa do Mundo e por um ambiente de volatilidade cambial e macroeconômica. O cenário político e regulatório estará, por consequência, mais sensível, demandando que nosso radar econômico esteja permanentemente ligado.

Esses temas, amplamente discutidos no balanço de 2025 e nas projeções para 2026 (publicados aqui na  PANROTAS – clique aqui para rever), demonstram que não estamos diante de uma preocupação isolada, mas de um desafio concreto e coletivo, identificado pelo próprio setor. A mensagem é clara: mesmo sem todas as respostas, é imperativo que comecemos a reavaliar nossas estruturas internas. Isso inclui revisar processos, acompanhar de perto as regulamentações, buscar orientação contábil e jurídica especializada quando necessário e preparar-nos para possíveis ajustes em nossos modelos de negócio.

A cautela é sempre prudente, mas não podemos perder o otimismo que nos caracteriza. O turismo brasileiro já demonstrou sua resiliência diante de pandemias, crises econômicas, juros elevados e inúmeros outros cenários desafiadores. A necessidade de adaptação é inerente à dinâmica de quem empreende e inova.

O essencial é manter uma clareza estratégica inabalável, preservar a consistência na gestão e tomar decisões fundamentadas que garantam a solidez e a perenidade de nossos negócios. É o trabalho bem-feito, disciplinado e responsável que sustenta resultados consistentes, mesmo nos ambientes mais complexos.

A Braztoa, por meio de sua presidência, reitera seu compromisso em acompanhar de perto cada desdobramento da Reforma Tributária, atuando ativamente na defesa dos interesses do setor e na busca por um ambiente regulatório mais justo e favorável.

Convido a todos a acompanhar os próximos textos aqui no blog. Continuaremos a desdobrar esses temas, aprofundando reflexões sobre o ambiente regulatório, econômico e estratégico que impacta diretamente a sua empresa. Porque, em um cenário de constantes transformações, estar informado não é uma opção, mas um pilar fundamental de uma gestão eficaz.

2026 no radar do agente de viagens: dados, planejamento e decisões mais inteligentes

Em 2026, o turismo segue em movimento e em constante evolução. O mercado segue ativo, mas cada vez mais dinâmico e competitivo. Para entender como as operadoras estão lendo esse cenário e quais caminhos se desenham ao longo do ano, a Braztoa, em parceria com a SPRINT Dados, ouviu suas associadas e buscou identificar os principais eixos que devem orientar o setor neste ano.

Ao responderem à pergunta sobre o que define o futuro dos negócios das operadoras e das agências neste ano, as empresas apontaram um ambiente de movimento constante, adaptação e boas oportunidades, acompanhado de atenção e planejamento. Não se trata de prever o futuro, mas de criar capacidade de resposta. Para o agente de viagens, isso significa trabalhar com mais informação, mais estratégia e mais segurança na tomada de decisão.

Entre os conceitos mais citados pelas operadoras, a resiliência aparece como competência central. E ela dialoga diretamente com o dia a dia de quem vende viagens. Resiliência, aqui, é saber ajustar ofertas, rever argumentos comerciais, lidar com oscilações de preço, mudanças de demanda e comportamentos cada vez mais dinâmicos do consumidor. É manter consistência mesmo quando o cenário muda, usando conhecimento e planejamento como aliados.

Outro eixo que ganha força em 2026 é a tecnologia, especialmente o uso de inteligência artificial e ferramentas digitais. Para o agente, isso não significa substituir o atendimento humano, mas ampliá-lo. A tecnologia passa a apoiar decisões, facilitar comparações, personalizar ofertas, automatizar processos e ganhar eficiência. Os dados mostram que tecnologia e atendimento caminham juntos. Quanto mais bem informada a venda, maior tende a ser o valor percebido pelo cliente.

Esse avanço tecnológico está diretamente ligado à personalização, que se consolida como diferencial competitivo. Mas não qualquer personalização. O viajante busca experiências sob medida, construídas com inteligência, curadoria e conhecimento real de produto. É a combinação entre dados, expertise do agente e atendimento próximo que cria experiências mais relevantes e aumenta a confiança do cliente na decisão de compra.

Mesmo com tanta inovação, um ponto permanece claro e ganha ainda mais importância em 2026: as relações humanas seguem no centro do turismo. Confiança, cuidado, segurança e acolhimento continuam sendo decisivos para fidelizar clientes. Em um mercado cheio de opções, o agente que conhece o perfil do viajante, entende suas expectativas e oferece orientação qualificada se diferencia de forma natural.

Os dados também indicam mudanças no comportamento do viajante. Crescem as escolhas mais conscientes e planejadas, com interesse por experiências mais profundas, transformadoras e personalizadas. Viagens mais curtas, destinos nacionais, rotas alternativas e a busca por evitar superlotação tendem a se intensificar. Para o agente de viagens, isso representa novas oportunidades de venda, desde que o portfólio esteja alinhado a essas tendências e bem estruturado.

As respostas das operadoras reforçam ainda expectativas positivas para 2026, estimuladas por inovação, capacidade analítica e uma gestão mais estratégica. O setor se mostra realista diante dos desafios econômicos, políticos e sociais, mas confiante na própria capacidade de adaptação e reinvenção.

Nesse contexto, trabalhar com inteligência de dados deixa de ser apoio e passa a fazer parte da governança do negócio. Dados ajudam o agente a argumentar melhor, precificar com mais segurança, orientar o cliente com clareza e tomar decisões mais consistentes. É esse o papel da Braztoa ao reunir e compartilhar informações que apoiam operadoras, agentes e parceiros em um ambiente cada vez mais complexo.

2026 será um ano de oportunidades para quem estiver preparado. O turismo seguirá exigindo leitura de cenário, planejamento e capacidade de adaptação. Para o agente de viagens, avançar passa, cada vez mais, por decisões bem informadas, relações de confiança e uma atuação estratégica no dia a dia.