O Turismo – com pessoas e inteligência – é Tech

Lembro-me muito bem, como se fosse ontem, do meu primeiro post neste blog, em outubro de 2019. O tema era: “Vivemos em tempos de Fígital – físico + digital”. De lá para cá, esse assunto não foi deixado de lado.

Desde o começo da minha gestão na BRAZTOA, falo sobre a tecnologia, sobre sua importância para o presente e para o futuro não apenas do nosso setor, mas do planeta. Ao mesmo tempo, sempre defendi o fator humano, que as pessoas e sua capacidade única e intransferível de enxergar o outro com profundidade, fosse o elo de conexão entre o tech e as demandas existentes.

Hoje, a poucos meses do término da minha gestão, demos um passo muito importante e prático neste caminho. 

A BRAZTOA integra o time de fundadores do Turistech Hub, coletivo que oferecerá diversos programas, incluindo aceleração de startups, desafios de negócio, provas de conceito (POCs), entre outros. Recém-lançado no Latin All Connected Travel Events (LACTE), o projeto acabou de inaugurar sua sede, no Cubo Itaú, em São Paulo – um dos principais hubs de inovação da América Latina.

O programa ainda realizará um  evento anual, o Turistech Summit, para promover conexões e networking entre os principais atores do setor e do ecossistema. 

Vocês não imaginam a satisfação de fazer parte de um projeto que traduz o que almejamos há tanto tempo: aproximar demanda, solução e, principalmente, adesão de mercado, para que as colheitas sejam positivas, longevas e sustentáveis. 

Esperamos que o Brasil possa se tornar um líder global em inovação no turismo, beneficiando não apenas empresas do setor, mas também turistas e a sociedade como um todo. Essa iniciativa será liderada por um time de profissionais experientes do turismo e da inovação, envolvidos na promoção do ecossistema turistech no mundo, e conta com o apoio de diversas empresas e organizações da área. 

Ao todo, serão mais de 600 horas de atividades, mais de 20 eventos ao longo do ano, mais de 50 mentores envolvidos nos programas, além de relatórios de inteligência de mercado e cursos de formação de líderes.

Os associados BRAZTOA serão acionados para diversas destas atividades, incluindo encontros de negócios com novos desenvolvedores de soluções – e também podem integrar o HUB de forma direta. Com certeza, teremos uma troca muito rica.

A BRAZTOA tem desempenhado com muito foco e dedicação seu papel de inovar, descomplicar, abrir caminhos e antecipar tendências para seus associados e, consequentemente, para o mercado. Nossa inteligência de dados está em pleno vapor com o Anuário Braztoa, que será lançado em breve, e as dezenas de Boletins,  lançados desde o começo da pandemia. 

A tecnologia já é parte do nosso dia a dia e esse grande passo trará ainda mais inovação. Os operadores poderão agilizar os processos e atendimentos, além de criar um ambiente tecnológico que atraia novas gerações para a área do Turismo, trazendo mais players e aumentando o potencial econômico do Brasil.

O futuro, com humanos e inteligência, é realmente Tech – e promissor.

Quais desafios e oportunidades nos esperam em 2023?

2022 está quase acabando, mas nosso olhar também está em 2023. Quero falar de futuro, desafios e OPORTUNIDADES que não podem ser perdidas.

Segundo o Boletim Braztoa, lançado no fim de novembro, entre as tendências para 2023 estão:

*os clientes viajando mais vezes por ano

*a busca por novos destinos brasileiros

*viagens em família e viagens internacionais também estão neste ranking.

Com as pessoas VIAJANDO MAIS VEZES POR ANO, há espaço para Brasil, para internacional, para praia, para região central. Há espaço de sobra para todos os perfis.

24% das operadoras também apontaram como forte tendência a programação de viagens em datas aleatórias durante todo o ano, independente de feriados ou datas comemorativas. O restante se divide entre feriados, férias e alta temporada.

Também segundo o Boletim Braztoa, entre os principais DESAFIOS do setor para a retomada estão o custo do aéreo, seguido da retomada da malha aérea e do custo da hospedagem. 

Posso listar outros, como instabilidade política, melhorar a imagem do nosso país, ter políticas de planejamento contínuas, desenvolver novos destinos e melhorar a qualidade e a diversidade dos produtos e serviços oferecidos, entre muitas outras questões.

Com uma vasta diversidade de atrações e biomas, o Brasil tem perfil para ser protagonista do Turismo mundial. Mas ainda não alcançamos esse patamar. 

Já que ficar de braços cruzados esperando as coisas melhorarem não funciona. O que podemos fazer para alavancar nossos negócios e elevar o Turismo e a economia do Brasil?

Nada acontece em um passe de mágica. Requer conversa, pesquisa, planejamento, ação!

Exemplo de uma excelente ação é a Academia de Excelência Braztoa, que reúne programas de capacitação e de parcerias público-privadas para acelerar o processo de transformação dos negócios e dos destinos turísticos. 

O que buscamos? Entre outras coisas, almejamos auxiliar na criação de novos produtos turísticos pelos quatro cantos do país. Queremos ser parte ativa da evolução do portfólio de viagens do Brasil e do Mundo.

2023 será desafiador, mas o que nos desafia também nos move para frente. Apesar das dificuldades, o Turismo se consolida cada vez mais como um artigo importante para as pessoas, que, ao invés de deixarem de viajar por questões financeiras, focam em alternativas que façam as viagens caberem no seu momento econômico atual. 

Mas não podemos ficar “deitados eternamente em berço esplêndido”. É preciso estar acordado e atento aos recursos que o Brasil tem no Turismo. Se o nosso país enxergar e investir no segmento turístico como uma fonte de crescimento econômico (como muitos países já fazem), teremos um terreno fértil para superar os 6,5 milhões de visitantes estrangeiros anuais, número que está estagnado há décadas. 

Precisamos, sim, de empresários especialistas, produtos especializados e governantes que encarem o turismo como uma política de estado e não partidária.

Espero, sim, que os novos dirigentes do turismo sejam técnicos e que amem o Brasil e suas possibilidades. Que planejem não apenas para o seu curto mandato, mas para décadas. Que deixem os empresários criarem novas oportunidades de viagens. E é aqui que desempenhamos  nosso papel de especialistas, oferecendo os roteiros mais adequados a cada perfil, além da possibilidade de parcelamento, o que reforça a força e o impacto do agenciamento no desenvolvimento do turismo e da economia. 

Precisamos, sim, de especialistas e governantes comprometidos. Temos esperanças.

Feliz 2023 a todos!

Redução do IRRF: primeiro passo dado na busca por um ambiente justo e competitivo

Quero falar sobre competitividade. Essa foi a nossa grande conquista, alcançada com muito trabalho e senso de justiça, para o início de 2023. O ano que aparece em muitas pesquisas como o período de retorno do Turismo aos patamares pré-pandemia, acaba de ganhar mais um aliado para que essa excelente projeção se torne realidade.

É nesse contexto que dou início a esta edição do Blog, trazendo um tema que há muito tempo esperava escrever neste canal: o IRRF. Na verdade, ele já esteve aqui, mas em forma de protesto, de demanda, de preocupação, e, agora, ele vem como uma vitória, como paridade, como oferecimento de um ambiente saudável e competitivo para as empresas do nosso setor. 

O dia 21 de setembro foi emblemático para todo o Turismo. A assinatura da Medida Provisória que reduz dos atuais 25% para 6% o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre remessas ao exterior, veio como uma luz que esperávamos poder voltar a enxergar no nosso horizonte.

Esse imposto prejudicava o desenvolvimento das empresas turísticas nacionais e esteve por anos na pauta dos pleitos trabalhados pela BRAZTOA, ABAV e CLIA Brasil. Foram viagens, estudos, cálculos, reuniões, documentos, ligações, mensagens, encontros e muita mobilização para que chegássemos ao nosso objetivo inicial: a redução da alíquota.

Para que fiquemos todos na mesma página, esse assunto merece um storytelling mais completo. O tributo, que entrou em vigor em 1999, esteve isento até dezembro de 2015, quando voltou a vigorar e, em seguida, se manteve reduzido a 6% até o último dia de 2019.

Em 26/11/2019, pouco antes do término do prazo, foi editada a MP907, que estabeleceria um primeiro escalonamento da alíquota, até 2024. Entretanto, durante a tramitação da referida MP 907, o texto específico sobre o imposto foi vetado, ocasionando o retorno ao patamar de 25%.

Tal tributo, aliado aos desafios da pandemia, além de encarecer as viagens para o consumidor, que já se vê limitado à viajar pela redução do seu poder aquisitivo, ocasiona uma concorrência desleal já que tira a competitividade das empresas  brasileiras, que geram emprego, renda e o pagamento de impostos, em detrimento às que estão sediadas no exterior.

No começo deste ano, fizemos um cálculo para ilustrar os impactos da alíquota. Tomando como base o ano de 2019, o imposto significaria uma perda de faturamento para as empresas estimada em R$ 11,3 bilhões e um choque negativo de R$ 5,2 bilhões sobre o setor de turismo, além de redução de cerca de 358,3 mil vagas no mercado de trabalho. No que se refere aos impostos, o governo deixaria de arrecadar mais de R$ 1,3 bilhão.

Nossa conquista começou com a inserção dos respectivos valores no PLOA –  Projeto de Lei Orçamentária Anual para 2023 -, que, entre as diretrizes orçamentárias do Governo Federal, aponta os incentivos e desonerações fiscais prioritárias que serão trabalhadas no próximo ano.

O que conseguimos? A partir de janeiro de 2023, a alíquota se estabelecerá em 6% por dois anos e será escalonada anualmente, até 2027, ficando em 7% em 2025, 8% em 2026 e 9% em 2027.

Com a medida, será possível proporcionar uma concorrência mais justa entre as agências e operadoras sediadas no Brasil e outras no exterior que pagam menos impostos. 

Estamos muito felizes com essa importante correção tributária, que onerava injustamente o nosso setor. Mas, calma, ainda não chegamos aonde queremos. Esse é um primeiro passo em busca da nossa meta de que esse imposto seja zerado, possibilitando que o Turismo, que já gera expressivos impactos na economia nacional além de milhões de empregos, possa crescer e evoluir ainda mais.

Nosso trabalho continua. Na verdade, ele nunca parou. Mas comemorar cada passo é essencial.