Alerta aos governantes

Falta competência à gestão pública no Brasil. Não faltam exemplos que comprovam este fato. Mas, no que diz respeito ao mercado de viagens, a visão imediatista, reforçada pelas difíceis condições e circunstâncias econômicas atuais, que impõem rigoroso controle dos custos, agrava ainda mais a situação.

Ao invés de recorrer à consultoria qualificada das agências de viagens que possuem competência reconhecida por corporações privadas, dos mais variados portes e ramos de atividade; para que façam a gestão de vultosos recursos que elas destinam ao deslocamento de seus colaboradores diretos e indiretos, além de seus clientes, a miopia governamental ganha um novo impulso. Em outras palavras, com o argumento de que para economizar o poder público pensa comprar passagens aéreas, diárias hoteleiras e locar veículos, por exemplo, sem recorrer à consultoria profissional de uma TMC, o risco de déficit só faz ampliar.

Para quem é do ramo fica fácil compreender quais são as consequências nefastas que a compra direta gera para o mercado de viagens e o quanto essa prática pode causar ao já combalido erário público, fruto em sua maioria de impostos recolhidos da população. Para quem não é, a tese da desintermediação pode até parecer plausível. A ideia de eliminar um dos elos que compõem a rede de distribuição soa como “comprar direto da fábrica”, ou seja, “comprar mais barato”. Certo? Errado. Agir assim se assemelha a assumir os perigos da “automedicação”.

O limitado conceito da compra “pelo menor preço”, pressuposto em todos os processos de licitação pública e referenciados na famosa Lei 8666, possibilita que fornecedores apresentem propostas para fazer a gestão de viagens e vençam concorrências ofertando serviços “gratuitos” ou para serem remunerados a preços ínfimos. Resultado: por alguma via, certamente, tais prestadores encontram meios para lucrar.

Assim, pensando justificar um erro com outro erro, o despreparo gerencial no Brasil clama por mudanças!

Edmar Bull
Presidente do Conselho de Administração da Abracorp

Queremos crescer

O Brasil quer crescer. Embora nos últimos anos nosso PIB tenha sido vergonhoso (0,1% em 2014 e 2,3% em 2013) e a balança cambial venha operando no vermelho (déficit de US$ 3,9 bilhões ano passado), nossas empresas estão buscando caminhos para prosperar. Um dos principais termômetros para medir o apetite por novos negócios, todos nós sabemos, é o mercado de viagens corporativas. Para crescer (ou se manterem vivas), as empresas viajam mais.
As agências de viagens corporativas também querem crescer. No ano passado, segundo dados da Pesquisa de Vendas Abracorp, nosso segmento obteve aumento comparado com o ano anterior. Para continuar com números positivos, no entanto, não devemos torcer para que a crise se mantenha e as empresas continuem viajando. É preciso entender as necessidades do mercado. Leia-se: as necessidades das empresas.
Uma pesquisa realizada em conjunto pela Amadeus e a empresa Concomitance com gestores de viagens corporativas do Brasil, México, Argentina e Chile traz dados muito interessantes e serve para entender um pouco melhor os anseios das empresas em relação ao nosso segmento. De forma geral, o principal dado revelado é que o orçamento para viagens corporativas na América Latina aumentou 32% no ano passado em comparação com 2013. O maior motivo para elevar o orçamento seria a busca por desenvolver o mercado e a própria empresa.
Para driblar a crise econômica, as empresas não ficam paradas. Isso é explicado na pesquisa quando é perguntada a motivação das viagens. Segundo o estudo, 52% das empresas viajam para conquistar novos clientes ou manter os já existentes, 17% para organização interna, 12% para visitas a fornecedores, 11% para reuniões e eventos do setor e 7% para eventos corporativos internos.
O controle de despesas também foi medido pela pesquisa e apontou que apenas 56% das organizações têm controle completo de suas despesas, enquanto 40% dão total ou quase total autonomia para seus viajantes.
Ainda segundo a pesquisa, no Brasil, 78% do orçamento da viagem é destinado a passagem aérea e hospedagem e 55% dos entrevistados consideram os gastos com viagens uma importante contribuição para o desenvolvimento do negócio.
Para finalizar, o estudo apontou os maiores desejos das empresas em relação à área de viagens – o que considero os dados mais importantes desta pesquisa. Em primeiro lugar ficou “melhorar o controle de custo”, com 73%, seguido de “ter uma visão ampla dos gastos”, com 50% e “melhorar a proteção e a segurança dos viajantes”, com 44%. Ou seja: aperfeiçoar a organização do orçamento dedicado à gestão e ao controle de custos com viagens é essencial.
Entender o que os números dizem é primordial para a evolução do segmento de viagens corporativas. Quem dita as tendências que devemos seguir são os clientes. Não adianta inovar, investir em tecnologia, se não ouvirmos o clientes.
Como conclusão, fica claro que precisamos trabalhar, cada vez mais, não só na venda de bilhetes aéreos, hotéis e locadoras, mas também na gestão de despesas a quatro mãos entre o agente de viagens e o cliente final. Já foi o tempo em que bastava atuar com foco no cliente. É preciso atuar com o foco do cliente. Por isso, ao investir em tecnologia, capacitação e inovação, as agências de viagens corporativas conquistam cada vez mais a preferência de seus clientes.
Edmar Bull
Presidente do Conselho de Administração da Abracorp

Decadência no ar

É triste constatar que a pobre e decadente aviação comercial brasileira se rende às forças estrangeiras. A TAM anunciou esta semana a troca das soluções tecnológicas ofertadas pelo GDS Amadeus em favor do Sabre, que já atendia a LAN – o que, certamente, também terá efeitos em reservas e no operacional para as agências de viagens.
Foi-se o tempo em que tínhamos uma grande empresa brasileira de aviação com background suficiente para encarar e espanar as águias do além-fronteiras.
Aliás, desde o ano 2000 as empresas aéreas no país perderam o foco e passaram a tecer uma colcha de retalhos sobre a rede de distribuição. Uma colcha hoje repleta de cores, fios e texturas discrepantes, de elevadíssimos custos, que promove contínuos impactos negativos sob a rentabilidade do setor como um todo.
Vale lembrar que, o início deste vai e vem “estratégico” contou com o suporte do Sabre ao projeto E-TAM e, ainda, por iniciativas “inovadoras” semelhantes patrocinadas por outras empresas aéreas, incluindo aquelas que sucumbiram e nem existem mais.
Afinal, o objeto social das empresas aéreas mudou? Ao invés de prestarem bons serviços de transporte de passageiros e de cargas, elas agora focam em tecnologias embarcadas em outros interesses comerciais? Quem é que paga essa conta?
Edmar Bull
Presidente do Conselho de Administração da Abracorp