A ver navios

Em recente participação no programa “Gente que Fala”, exibido pela All TV e Rádio Trianon, nos questionaram sobre um segmento que já foi a menina dos olhos do turismo nacional e que, nos últimos anos, vem sofrendo uma intensa decadência: os cruzeiros marítimos.
A Abracorp acredita que a diversificação é o caminho mais acertado para as agências de viagens corporativas conquistarem mercado e melhorar suas performances. Por isso, um setor de cruzeiros forte é o que vislumbramos como ideal para a nossa área e, mais ainda, para o turismo em geral.
Embora não represente nem 0,1% do segmento corporativo, que ano passado movimentou R$ 14,9 bilhões, os cruzeiros merecem a nossa atenção. Em 2011, por exemplo, foram vendidos pouco mais de 5 mil viagens pelas associadas Abracorp, segundo dados de nossa Pesquisa de Vendas. Já na pesquisa de 2014, o segmento foi o que apresentou a maior queda nos indicadores, com uma diminuição de 37,1% nas vendas nacionais e de 15,9% nas internacionais, em relação ao ano anterior.
Fato é que a falta de infraestrutura de nossos portos tem afastado os navios de nossa costa. Na temporada 2010/2011 eram 20 navios. Na 2013/2014, apenas 12. Na atual temporada, que ainda não terminou, menos ainda: 10. Mesmo assim, segundo dados da FGV, apresentados pela Clia Abremar Brasil, a movimentação econômica total dos cruzeiros marítimos no Brasil na temporada 2013/2014 foi de R$ 1,15 bilhão. Os poucos navios estão fazendo mais roteiros e os minicruzeiros tem sido a forma que o segmento encontrou para não perder ainda mais.
Um dos fatores dessa queda no mercado de cruzeiros no Brasil, em especial nas agências de viagens corporativas, é a qualidade de nossos portos. O novo ministro da Secretaria de Portos, Edinho Araújo, tem a árdua tarefa de buscar apoio para modernizar os portos de nosso país. Não apenas para uso do turismo, mas para melhorar nossas exportações e ajudar nosso país a se desenvolver com qualidade e sustentabilidade.
Para que isso seja possível, além de investimentos diretos da União, é preciso fortalecer parcerias estratégicas e criar sinergia entre os modais de transportes rodoviário, ferroviário, hidroviário, portuário e aeroportuário para a expansão e modernização da infraestrutura dos portos brasileiros.
Pelo lado do turismo, é essencial melhorar o acesso aos principais portos brasileiros e criar uma infraestrutura mais adequada para receber os turistas em áreas portuárias.
No que depender da Abracorp, estaremos de olho nas ações da Secretaria de Portos e abertos para apresentar soluções em conjunto que ajudem a trazer cada vez mais navios para o nosso país.
Edmar Bull

Não endossável

Como sabemos, passagem aérea não é endossável, ou seja, não pode ser transferida para outra pessoa. Esse procedimento é proibido por resolução da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que determina que “o bilhete de passagem é pessoal e intransferível”. Quando um passageiro adquire um bilhete e não deseja utilizá-lo, é preciso cancelar a passagem e pedir reembolso, ocorrendo em multa, ou apenas desmarcar os voos e deixar o bilhete em aberto para utilizá-lo em até um ano.
Mas um projeto de lei do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que cria a possibilidade de transferência de bilhete aéreo entre passageiros (PLS 394/2014), aguarda designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Para entrar em vigor, o projeto alteraria o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7.565/1986), estabelecendo que o bilhete, embora pessoal, possa ser transferido de uma pessoa a outra.
Na apresentação do projeto, o senador argumenta que a possibilidade de transferência de bilhetes aéreos entre passageiros aumenta o poder de escolha do consumidor e beneficia o mercado concorrencial do setor.
Impossível endossar esta ideia.
Mas vamos lá… Apesar deste projeto mostrar desconhecimento, por parte do senador, da complexidade do setor de viagens e, em especial, do setor aéreo, não podemos ignorá-lo. Vez por outra, vemos nossos congressistas adentrando em temas que pouco dominam e aprovando leis que afetam a vida de empresas, trabalhadores e cidadãos, sem se preocuparem se esta é ou não viável.
Além de tirar o controle do setor aéreo daqueles que realmente entendem do assunto, como as comissões da Anac, composta por profissionais do setor, mudanças como esta causariam uma relação custo-benefício bastante negativa para os usuários, uma vez que seria necessário criar uma série de novos processos e procedimentos em todas as empresas envolvidas no setor. Temos que ficar atentos para que ideias como esta não ganhem eco no nosso renomado Congresso.
Neste caso, sugeriria aos políticos que guardassem suas energias para assuntos mais relevantes. Afinal, não faltam demandas urgentes para que nosso país possa alcançar o desenvolvimento que tanto desejamos.
Edmar Bull

Sem crise

Apesar do atual nível de pessimismo diante da economia, que atinge a marca recorde de 55%, conforme aponta pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), superando o índice de 54%, apurado em janeiro de 1991, quando o Brasil estava no auge do plano Collor, o mercado de viagens corporativas deve manter investimentos em tecnologia, gestão de processos e desenvolvimento de talentos, ao menos no que diz respeito às agências de viagens que ampliam a sua competitividade no setor.

Um dos aspectos que motivam o treinamento e a constatante capacitação profissional é que para promover um funcionário o custo é muito menor do que buscar alguém fora. Os critérios adotados sob essa perspectiva de gestão empresarial não ficam limitados apenas à obtenção de ganhos financeiros, mas focam também o grau de comprometimento demonstrado pelos colaboradores – fator determinante para a conquista de resultados.

Neste cenário, objetividade e iniciativa voltadas ao encontro de soluções são atributos que diferenciam o desempenho de quem busca estudar o desconhecido, é capaz de “deixar a sua zona de conforto e desenvolver novas habilidades” – como recomendam os especialistas em RH, que enfatizam ainda a importância do ter e saber manter um bom networking, cumprir as metas estabelecidas, contribuir com o ambiente corporativo, compreender bem a dinâmica do mercado e o significado de uma sábia expressão: “A união faz a força”.

Edmar Bull