Piscinas da pousada Estrela d'Água, em Trancoso | Foto: Carla Lencastre

Estrela d’Água: hospedagem pé na areia em Trancoso

Que saudade que eu estava da Bahia! Estou recomeçando a viajar pelo Brasil e priorizando destinos de natureza. Depois de uns dias perfeito no Kilombo Villas, ao lado da Praia da Pipa (RN), sobre o qual escrevi aqui, voltei ao Nordeste. Desta vez, o destino foi o Sul da Bahia. Em Trancoso, me hospedei na Estrela d’Água, uma das pousadas mais charmosas e confortáveis da região, a 1h30m de carro do Aeroporto de Porto Seguro.

Foram dias deliciosos de sal e sol. A Estrela é conhecida em Trancoso por ter sido “a casa da Gal”. No caso, Gal Costa, a cantora. A pousada é um clássico local, que vai completar 23 anos. Fica em um terreno 23 mil m² de frente para o mar, em meio a Mata Atlântica e com acesso direto à Praia dos Nativos. O Quadrado está a dez minutos de carro, e o preço do trajeto de táxi é tabelado: cada trecho de ida e volta da pousada custa sempre R$ 30.

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Como são as acomodações

A Estrela d’Água tem 20 suítes (a partir de 40 m²), com jardim ou varanda, e oito bangalôs, que podem chegar a 200 m², distribuídos pelos jardins da propriedade. Fiquei em um dos bangalôs com piscina, ótimo para quem busca privacidade. O jardim privativo do bangalô, além da piscina com espreguiçadeiras, tem um gazebo daqueles onde dá vontade de passar horas, inclusive à noite, admirando o céu estrelado e ouvindo o silêncio.

O espaçoso quarto, com objetos de artistas locais na decoração, dispõe de cama de casal com mosquiteiro, sofá que pode virar cama extra, escrivaninha, armário e minibar bem abastecido, incluindo cafeteira e cápsulas de café expresso de cortesia, o que é sempre gentil. O amplo banheiro, com duas pias, tem ainda uma banheira de hidromassagem. As amenidades são Trousseau, em embalagens de vidro reutilizáveis. O Wi-Fi funciona bem.

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Gastronomia na Estrela d’Água

A pousada tem o Bar da Costa e o restaurante Aldeia de São João, de cozinha brasileira e contemporânea, além de um sushi bar em parte da semana. As mesas são decoradas com álcool em gel e ficam em varandas abertas. O bar, entre as duas piscinas e a praia, serve petiscos e refeições ao longo do dia e o menu está disponível também por QR code. Há um serviço de praia para atender quem estiver nas espreguiçadeiras em frente.

No restaurante é servido o jantar e o café da manhã, esta sem dúvida a melhor refeição da Estrela e incluída em todas as diárias. O delicioso café é à la carte, com um menu que muda ligeiramente a cada dia, sempre privilegiando o que é feito na própria pousada. Nas outras refeições não tive muita sorte. À noite, o melhor foi um negroni perfeito ao som das ondas quebrando na praia. Tudo em Trancoso custa caro, a gente sabe, e na Estrela d’Água não é diferente.

Toda as garrafas de água da pousada são de plástico, tanto no restaurante quanto nos quartos. Conversei com vários funcionários, a maioria da região, sobre o excesso de plástico de uso único em uma propriedade tão bem integrada à natureza. Ouvi frases como “outras pessoas já falaram sobre isso” ou “os hóspedes agora deram para reclamar de garrafa de plástico”. Os comentários só reforçam a minha convicção de que é fundamental que cada um de nós faça a sua parte.

O bar da piscina tem água filtrada nas torneiras e é um bom lugar para abastecer a sua garrafinha antes de sair para caminhar na praia quase deserta. A minha garrafa era sempre devolvida com um simpático “as tartarugas-marinhas agradecem” ou “os corais agradecem”. O restaurante, se você pedir, serve água filtrada no copo. Para amenizar o excesso de descartáveis, a Estrela começou recentemente a separar as tampinhas das garrafas para a Recicla Sul da Bahia, empresa de eventos sustentáveis que produz objetos com plástico reciclado.

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Serviço

A Estrela d’Água faz parte das associações Roteiros de Charme, Tablet Hotels, Condé Nast Johansens e Brazilian Luxury Travel Association (BLTA). Foi reconhecida com o CN Johansens Awards for Excellence por duas vezes consecutivas, em 2019 e 2020. Diárias para duas pessoas, no final de outubro, custam a partir de R$ 2.015, com café da manhã incluído.

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Amanhecer no Kilombo Villas

Kilombo Villas: distanciamento social nos arredores da Praia da Pipa (RN)

Como um destino que era mais conhecido pelo turismo de massa está se portando na pandemia? Foi com essa pergunta na cabeça que fiz minha primeira viagem de avião depois de quase um ano e meio. Voei do Rio de Janeiro para Natal, no Rio Grande do Norte, e de lá fui de carro até a Praia da Pipa. Ou melhor, até Sibaúma, onde fica o Kilombo Villas.

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Para quem procura um hotel boutique no litoral do Nordeste fazendo tudo certo na pandemia, o belo e discreto Kilombo Villas pode ser uma gostosa opção. São somente dez villas ou suítes em um amplo jardim de frente para o mar, no alto da falésia da isolada e deserta Praia de Sibaúma. Reduto de tartarugas-marinhas e monitorada pelo Projeto Tamar, Sibaúma fica a 15 minutos de carro do centrinho da Pipa e a duas horas do Aeroporto de Natal.

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O Kilombo na pandemia

O Kilombo é um hotel tranquilo desde tempos pré-pandêmicos. O que o tornou facilmente adaptável às novas expressões do vocabulário de viagens, como distanciamento social ou mesmo turismo de isolamento. O check-in é feito online, inclusive o envio do documento de identidade.  No local, o serviço por WhatsApp funciona bem. É atencioso e personalizado.

O espanhol Eduardo Gilles, o sócio à frente da operação do hotel, está sempre por ali e supervisiona todos os encantadores detalhes. Um deles: flores e folhas que caem pelos jardins ganham vida extra em outras áreas comuns e nas acomodações. Os pequenos arranjos podem aparecer nos lugares mais inesperados, como no bolso do roupão de banho. Outro detalhe charmoso: a embalagem de álcool em gel logo na entrada do hotel fica dentro de um coco, o coco gel. Mais um: a trilha sonora perfeita aqui e ali, às vezes quase imperceptível. São delicadezas que fazem bem ao corpo e à alma em tempos tão duros.

O bar e restaurante ficam ao lado da piscina, com mesas ao ar livre ou na área coberta com ventilação cruzada, e o menu é enviado por WhatsApp logo depois da chegada ao hotel. A cozinha é ótima, com pratos frescos e bem apresentados, e atende diariamente o dia todo. As cartas de drinques e de vinhos também são boas. Jantar à beira da piscina em noite de lua cheia é memorável. Ou seja, é possível ficar isolado no Kilombo, se for essa vontade do hóspede. Quem se sentir confiante para ir a restaurantes, tem várias opções na Pipa ao ar livre ou em lugares cobertos com amplas janelas e ventilação cruzada. Jantei em lugares bons, bonitos e charmosos, nos quais me senti segura. Todos fazem parte da associação de empresários Preserve Pipa, que quer tentar fazer com a retomada do turismo na região seja mais sustentável e menos de massa. O pessoal do Kilombo tem dicas de restaurantes e agenda táxis de ida e volta para quem estiver sem carro.

Dá para passear pela região de Tibau do Sul, onde estão Pipa e Sibaúma, passando longe de aglomerações. De carro, barco, bicicleta, cavalo ou simplesmente andando, como cada um se sentir melhor. Optei por combinar passeios privativos de carro organizados pelo hotel e caminhadas pelo Santuário Ecológico e pela falésia e a praia desertas. Fotos e dicas destes passeios e dos restaurantes da Pipa estarão no meu Instagram @CarlaLencastre.

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Como são as acomodações

Inaugurado em 2007, o Kilombo passa por manutenções constantes. A renovação mais recente foi em meados do ano, quando o hotel esteve fechado por um mês para reforma. Entre as novidades, uma das villas, a romântica das Rosas, com 140 m², passou a oferecer uma pequena piscina privativa ao ar livre e de frente para o mar. Além de uma jacuzzi.

As acomodações têm entre 35 m² e 230 m² (esta última é uma villa para quatro pessoas) e estão espalhadas em uma área verde de 1,6 mil m² frente para o mar, com ar puro, paisagismo exuberante e silêncio. Há uma bonita piscina no jardim, e algumas villas têm terraços com banheiras de hidromassagem. Com decorações únicas, todas as acomodações são repletas de luz natural.

A villa na qual me hospedei tinha um jardim de inverno com duas redes; varanda, e um solarium com jacuzzi e vista para o amanhecer no mar. Havia álcool em gel; minibar com águas, cervejas e refrigerantes, e cafeteira expresso. Um único ponto negativo: as cápsulas de café expresso são pagas à parte. Para quem pode trabalhar remotamente, o Wi-Fi é ótimo em toda a propriedade, e permite inclusive reuniões em vídeo. Há também muitas tomadas por toda a parte, tanto nas acomodações quanto em pontos estratégicos do jardim.

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O café da manhã pode ser servido na acomodação, ao livre no restaurante à beira da piscina, ou em um bangalô debruçado sobre a falésia. Neste último caso há uma taxa extra, mas vale a pena: a sensação é de estar no deque de um navio. A hora e o local devem ser marcados de véspera, por WhatsApp, e de manhã é possível ajustar o horário. O dia começa com delícias feitas na cozinha do hotel, como pães, bolos, tapiocas, geleias, ovos, queijo coalho na brasa com mel de abelhas nativas da região, doce de leite, um iogurte inesquecível, sucos frescos.

O serviço de arrumação e de abertura de cama são sob demanda e o horário também deve ser combinado por mensagem, assim como qualquer outro pedido, como água de coco gelada. À noite, a arrumação do quarto (somente se e quando o hóspede quiser) inclui aromaterapia, com uma linha exclusiva criada pela aromaterapeuta Fernanda Masson. São três aromas diferentes: alecrim, baunilha e patchouli. Escolhi a leveza do alecrim, e fui feliz.

Ações sustentáveis

Todos os funcionários do Kilombo são da região, e a maioria é descendente da comunidade quilombola homenageada no nome do hotel. Além de empregar a comunidade local, o Kilombo tem outras práticas sustentáveis, como água mineral extraída de um lençol freático a 72 metros de profundidade e energia solar para aquecer a água. Nos banheiros, as amenidades são em dispensers, diminuindo o plástico de uso único. Peixes e frutos do mar são da região, assim como o mel. Os talheres chegam em embalagens de papel reciclado. O terreno irregular não facilita a inclusão de pessoas com deficiência, mas o hotel está se preparando para receber quem tem dificuldades de locomoção. Até o final do ano, uma das villas será adaptada.

Serviço

As diárias do Kilombo para duas pessoas, em outubro, começam em R$ 824 por noite e incluem café da manhã e chá da tarde. É necessário reservar um mínimo de três noites. Fui do Rio para Natal no voo inaugural da Itapemirim (que também voa a partir de São Paulo), convidada pela Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur).

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Casa Marambaia: novo hotel de luxo em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro

Casa Marambaia: novo hotel de luxo em Petrópolis, região serrana do Rio

Abrir um novo hotel em plena pandemia não é decisão fácil. Porém pode dar certo, e já temos alguns exemplos pelo Brasil. No Estado do Rio, o case de sucesso no atual momento é a Casa Marambaia, em Corrêas, um dos distritos de Petrópolis. O mais novo hotel de luxo da região serrana fluminense começou 2021 cauteloso, funcionando nos fins de semana. Hoje abre todos os dias e seu restaurante recebe o público em geral para café da manhã, almoço ou jantar. Há ainda atividades ao ar livre como piqueniques nos jardins desenhados por Burle Marx ou almoços à beira da piscina que podem ser reservadas por hóspedes ou não hóspedes.

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O ambiente e o serviço são impecáveis, mas os maiores luxos do hotel boutique são a beleza da imensa área verde, voltada para as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, e a ótima ventilação do casarão. Lobby, recepção, quartos, bar, restaurante, salões de estar… os cômodos são espaçosos e luminosos, com amplas portas e janelas sempre abertas para os jardins. Até o corredor no piso superior que leva aos oito quartos é bem ventilado e iluminado. Outro ponto fortíssimo é a alta gastronomia francesa, assinada pelos chefs Villard (ex-Sofitel Rio/Le Pré Catelan) e David Mansaud (ex-Copacabana Palace).

A sensação é de estar sendo recebido na casa de amigos que pensaram em todos os detalhes, como chinelos no seu número e orquídeas floridas inclusive nos banheiros. O casarão parece uma propriedade particular, o que de fato foi por sete décadas. Porém a até agora bem-sucedida transição para hotel de luxo é conduzida por um grupo experiente, o Promenade. A empresa administra hotéis e apart-hotéis no Estado do Rio e em Minas Gerais, e está em expansão para Mato Grosso do Sul (o Bonito All Suites tem inauguração prevista para o segundo semestre).

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O casarão faz parte da Fazenda Marambaia, empreendimento imobiliário com cinco diferentes loteamentos. O primeiro tem 20 casas e fica bem perto do hotel, com vista para os jardins. Conversei com Emir Penna, diretor da Promenade, que me explicou a ideia por trás dessa parte do projeto: “Essas primeiras casas já estão vendidas e em construção. Os proprietários vão usar algumas das residências, mas a Promenade vai administrar uma parte delas, aumentando as opções de hospedagem oferecidas pelo hotel”.

Casa Marambaia funciona para buyout (quando um único grupo reserva todos os quartos) e, também, como hotel destino, para quem está em busca de turismo de isolamento, porém não quer necessariamente ficar no meio do nada. É um hotel mais voltado para adultos, que aceita crianças. Alguns quartos podem receber uma cama extra.

Casa Marambaia; jardins desenhados por Burle Marx na década de 1950 | Foto de Carla Lencastre
Casa Marambaia: hotel tem jardins desenhados por Burle Marx na década de 1950 | Foto de Carla Lencastre

Como é se hospedar no novo hotel Casa Marambaia

Mês passado estive por uns dias na Casa Marambaia. Foi minha primeira viagem depois de 14 meses em casa, no Rio de Janeiro, e não poderia ter recomeçado melhor. Como meu trabalho remoto permite, fui durante a semana. O hotel segue todos os “novos protocolos”: check-in e check-out sem contato, álcool gel à vontade (em embalagens grandes para evitar desperdício de plástico), uso obrigatório de máscara nas áreas comuns (e, no restaurante, envelopes em papel para guardá-la), distanciamento social sem esforço, funcionários testados de 15 em 15 dias.

Localização

A cerca de 1h30m, do Rio, dependendo do ponto de partida e do trânsito. Para quem chega de avião de outros estados, o melhor aeroporto é o Galeão, a 80 km do hotel. A estrada (BR-040) está em boas condições. Apesar de estar imersa na natureza, a Casa Marambaia fica a meio caminho entre o Centro de Petrópolis e o distrito de Itaipava, a apenas 20 minutos de cada. É uma região com muitos bons hotéis, restaurantes e lojas charmosas.

Leia também: A transformação do Fairmont Rio durante a pandemia

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A Pedra do Cone e o jardim vistos de um dos quartos da Casa Marambaia | Foto de Carla Lencastre
A Pedra do Cone e o jardim vistos de um dos quartos da Casa Marambaia | Foto de Carla Lencastre
Área verde

Roberto Burle Marx desenhou os jardins na década de 1950. A paisagista Daniela Infante assina a restauração. É difícil escolher o canto mais bonito, mas acho que o meu favorito foi a escada d’água. O painel em cerâmica assinado por Burle Marx e seu parceiro Haruyoshi Ono ainda será recuperado. Para quem quiser ir além da contemplação, há quadras de tênis e trilhas para caminhadas. Os percursos, sempre montanha acima, são de diferentes níveis de dificuldade e podem ser guiados. De volta ao dolce far niente, o hotel tem ainda uma bonita piscina, original da construção. À noite, um programa delicioso é comer a sobremesa ou tomar a saideira no jardim sob as estrelas e em torno de uma fogueira.

Gastronomia

Os chefs Roland Villard e David Mansaud, presentes em alguns dias da semana, criaram os menus. A competente e simpática chef Bruna Mello comanda a cozinha no dia a dia. As técnicas são de alta gastronomia francesa, porém a ênfase é nos ótimos produtos locais. Por exemplo, todos os queijos são da região assim como as verduras que chegam de uma horta vizinha ao hotel. O café da manhã tem um minibufê com pequenas porções de pães, bolos, geleias, iogurtes e sucos (tudo feito na casa) e um serviço à mesa, que oferece pratos tradicionais internacionais, como um ovo beneditino perfeito; clássicos dos chefs, entre eles o brioche do chef Roland, tão leve que quase derrete na boca, e itens brasileiríssimos, como frutas e pão de queijo quentinho. A dupla de chefs assina ainda jantares “imperiais” com menus inspirados nos tempos de Dom Pedro II, realizados uma vez por mês.

O bar, com mesa de sinuca e sofás confortáveis, e o restaurante têm mesas largas e espaçadas umas das outras, que se espalham pela varanda voltada para o verde ou as estrelas. Há aquecedores para as noites frias de inverno (a temperatura pode baixar a um dígito) e você pode levar o seu próprio vinho com taxa de rolha de R$ 70. A combinação da cozinha francesa com a exuberante beleza tropical dos jardins proporciona experiências gastronômicas únicas, como piquenique no gramado em torno do lago ou almoço leve na área da piscina.

Leia também: Como fica o bufê de café da manhã de hotel durante a pandemia

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Quartos

As oito acomodações em cores diferentes têm decorações únicas, elegantes e aconchegantes, com detalhes originais e objetos dos antigos proprietários mesclados a itens contemporâneos, como a assistente virtual Alexa. Os quartos têm pé-direito alto, sacada com vista estonteante, cafeteiras com cápsulas de café de cortesia, minibar (sem bebidas em garrafas de plástico), banheiros (alguns com banheira) em mármore, amenities Bvlgari. É possível agendar uma massagem relaxante ou revigorante no quarto. Fiz um ótimo tratamento com uma terapeuta que trabalhou por duas décadas no Copacabana Palace e se mudou para a serra durante a pandemia. Por conta das especificidades da construção, há quartos mais bem resolvidos do que outros em relação a tomadas e saídas USB. O Wi-Fi funciona bem para uma workcation, mas sinal de telefone é difícil.

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História

O casarão da Fazenda Marambaia foi erguido no final da década de 1940 para ser a residência de Odete Monteiro, a primeira proprietária da fazenda e amiga de Burle Marx. Mais recentemente a fazenda pertenceu ao ex-banqueiro Luiz Cezar Fernandes, um dos fundadores do Pactual. O design de interiores da versão hotel é do Projeto Mix Arquitetura, de Petrópolis. Claudia Aguiar, do Empório Maria Maria, em Itaipava, assina a decoração.

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Fairmont Rio na pandemia: nascer do sol | Foto de Carla Lencastre

A transformação do Fairmont Rio durante a pandemia

O executivo estrangeiro faz check-out, o turista brasileiro chega para o check-in. Um dos efeitos da pandemia na hotelaria de luxo de Rio de Janeiro e São Paulo foi a mudança de perfil dos hóspedes. Hotéis como Fairmont e JW Marriott, no Rio, ou Palácio Tangará e Renaissance, em São Paulo, eram voltados principalmente para o viajante internacional de negócios, espécie em risco de extinção no momento. Já turistas brasileiros que privilegiavam outros países em viagens de lazer se viram confinados dentro das fronteiras do país, uma vez que atualmente somos bem-vindos em pouquíssimos destinos turísticos pelo mundo. Esse público nacional tem formado a grande maioria dos hóspedes durante a pandemia no Fairmont Rio, por exemplo, e em outros hotéis urbanos de luxo.

Durante a minha mais recente staycation no Fairmont, entrevistei Michael Nagy, diretor de Vendas e Marketing do hotel carioca, aberto em 2019 e o único da marca de luxo do grupo francês Accor na América do Sul. O Fairmont Rio virou um hotel-destino. Nagy conta como a operação foi ajustada para atender ao novo perfil do viajante de luxo no Brasil:

“Foi uma transformação antes inimaginável. Nosso público hoje é predominantemente de turistas brasileiros, com muitos moradores da cidade vindo se hospedar para comemorar alguma data especial. E os cariocas passaram a frequentar o bar e o restaurante. Com todas as restrições impostas pela covid-19, percebemos que a maioria dos hóspedes sequer sai do hotel ou do entorno. Então resolvemos olhar para dentro e abrir nosso leque de experiências. Com o valor atual do dólar e do euro, acredito que ainda receberemos viajantes domésticos mesmo depois que os brasileiros voltarem a serem aceitos em outros países.”

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Leia mais: Como é se hospedar no Sheraton Rio e no Praia Ipanema Hotel

Fairmont Rio na pandemia: varanda de uma das suítes | Foto de Carla Lencastre
Varanda de uma das suítes do Fairmont Rio, em Copacabana | Foto de Carla Lencastre

Fairmont Rio na pandemia: refeições ao ar livre

Entre as novas atividades às quais Nagy se refere estão jantares na varanda dos apartamentos, com serviço à francesa; aulas de coquetelaria no bar Spirit Copa; visitas guiadas pelo acervo de móveis, objetos e obras de arte de designers e artistas brasileiros que decora o hotel. Programas ao ar livre na Praia de Copacabana, como aulas de stand-up paddle, no Posto 6, a tranquila faixa de areia em frente ao hotel, são oferecidos dependendo das medidas restritivas da Prefeitura. No momento, as praias do Rio estão liberadas.

O Marine Restô e o Spirit Copa Bar têm mesas largas, espaçadas uma das outras, a maioria ao ar livre em volta da piscina. A vista para a praia, com o Pão de Açúcar ao fundo, é espetacular, e fica ainda mais especial em noite de lua cheia. O restaurante e o bar acabam de lançar um menu de outono criado pelos chefs Jérôme Dardillac e Carlos Cordeiro, com doces da chef pâtissier Leticia Cruz e drinques do head bartender Cassino Melo.

Leia mais: De predador a construtor, é a vez do turismo regenerativo

Fairmont Rio na pandemia: A piscina principal do hotel fica entre o restaurante e o bar | Foto de Carla Lencastre
A piscina principal do Fairmont entre o restaurante e o bar | Foto de Carla Lencastre
Menus de outono no Marine Restô e no Spirit Copa Bar

O ambiente de bar e restaurante do Fairmont Rio é elegante, mas o dress code segue o padrão carioca e vai do chinelo com areia no pós-praia ao terno e gravata. Dá para ir ao Marine ou ao Spirit para um café com vista ou para fazer uma degustação. No novo menu do restaurante, destacam-se o vinagrete de frutos do mar e o levíssimo capeletti na brasa com berinjela assada, cogumelos e raspas de castanha. Quem não dispensa sobremesa pode apostar no vacherin de sorvete de coco com maracujá. Mostrei os pratos no Instagram @HotelInspectors. A vista do almoço numa linda tarde de outono você pode conferir no meu Instagram @CarlaLencastre.

Entre os novos drinques, meu favorito foi o Duas Polegadas, batizado em homenagem a ex-miss Brasil Martha Rocha. De sabor intenso e com uma bonita apresentação, leva gim, azeite de ervas, Ramazzotti Rosato, Jerez fino e bitter de cacau. O Spirit tem boa carta de g&t (destaque para o gim tônica com sálvia e infusões de maçã desidratada, hibisco e casca de laranja), spritz, drinques com cachaça e não-alcoólicos, além de coquetéis clássicos. Para beliscar, vale investir no camarão na brasa ao alho e óleo e batata rústica.

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Como funciona o Fairmont Rio na pandemia

O hotel de 375 quartos segue os protocolos do selo AllSafe da Accor e hoje está com lotação média de 92%, operando com ocupação máxima de 50%, o que permite que as acomodações sejam arejadas por pelo menos 24 horas entre um hóspede e outro. Muitos ajustes na operação do Fairmont Rio foram em função de novas demandas, mas outras têm a ver com as medidas de biossegurança necessárias para enfrentar a pandemia. A seguir, alguns pontos que observei durante as minhas mais recentes hospedagens.

Piscinas e spa

As duas piscinas do hotel são amplas e climatizadas. A principal, entre o restaurante e o bar, tem vista para a praia. A outra, na parte de trás, recebe o sol da tarde e é mais tranquila. Preste atenção às paredes verdes no entorno: numa delas são cultivados os temperos usados no Marine Restô. Tive uma boa experiência no spa Willow Stream. As saunas seguem desligadas.

Serviço de quarto

Os pedidos são feitos pelo novo aplicativo do hotel, e entregues em embalagens biodegradáveis, sem pratos e com talheres em bambu. Tudo em um saco de papel. Prático para um sanduíche rápido, mas um pouco decepcionante no contexto do Fairmont fazer uma refeição em uma caixa de papelão, por mais sustentável que seja. A nova opção de jantar na varanda do quarto servido por um garçom deve preencher essa lacuna.

Café da manhã

É obrigatório o uso de máscara para circular pela área do Marine Restô, onde é servido o café, e os funcionários estão atentos. Mas se há um ponto que poderia fluir melhor é o bufê de refeições de hotel na pandemia.

O Fairmont optou pelo modelo híbrido. Há uma mesa com pães e sucos self-service, com boa área para circulação no entorno. O restante do bufê (frutas, queijos, frios etc.) fica na cozinha aberta para o salão, atrás de uma barreira transparente, e é servido pelos funcionários. São pequenos pratos previamente montados e embalados em plástico um a um. O resultado é um insustentável excesso de plástico descartável. Já na estação de pratos quentes, feitos na hora, o espaço para fazer e receber os pedidos é apertado, o que acaba dificultando o distanciamento social. A fila única, tanto para pedir quanto para pegar o prato quente, também não ajuda. Se você se afasta, quando volta tem que entrar na fila de novo. A melhor opção para quem busca tranquilidade é pedir o café da manhã no quarto.

Serviço

Continua atencioso e impecável em todas as áreas, como já tive oportunidade de constatar em diversas ocasiões, hospedada ou apenas de passagem. Poucos hotéis no Rio de Janeiro conseguem ter (e manter) esse padrão de excelência no atendimento.

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Four Seasons Napa Valley

Trabalho remoto contribui para a recuperação da hotelaria

Hotel office, resort office, room office, anywhere office. Você seguramente já leu e ouviu várias vezes essas expressões nos últimos meses. Afinal, nestes longos mais de treze meses de pandemia, muita gente ainda segue em trabalho remoto. E, graças também a ele, a indústria da hospitalidade – aqui e lá fora – tem conseguido se manter nesses tempos complicados. Sim, o trabalho remoto contribui para a recuperação da hotelaria. 

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Durante a pandemia, muitos profissionais começaram a aproveitar o pretexto do trabalho remoto para eventualmente mudar por alguns dias o seu local de home office, mantendo algum distanciamento social em outro endereço. Afinal, sabemos que não é nada fácil passar 24h por dia no mesmo lugar, com vida profissional e pessoal se misturando o tempo todo.

Assim, lazer e trabalho foram ganhando limites mais tênues e o escritório de casa começou a ser substituído para algumas pessoas por uma casa alugada por uma semana na praia, um chalé na montanha, uma villa isolada, uma pousadinha discreta, um hotel à beira-mar. Desde, é claro, que tenham uma conexão bem potente à internet para que o trabalho possa ser executado sem absolutamente nenhum percalço durante a estadia.

LEIA TAMBÉM: Pandemia pode transformar home office em road office.

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Crédito: Divulgação

Como O trabalho remoto contribui para a recuperação da hotelaria

A tendência do bleisure (mistura de business e leisure) ou das chamadas workcations (mistura de work e vacations) nunca fizeram tanto sentido quanto nesses tempos. E assim, com cada vez mais importância, o trabalho remoto contribui para a recuperação de parte da hotelaria – inclusive aqui no Brasil. 

LEIA TAMBÉM: Os termos do turismo popularizados durante a pandemia.

Diversas famílias com crianças em idade escolar que conseguem flexibilizar o trabalho também já utilizaram o ensino à distância como pretexto para mudar um pouquinho o endereço do seu isolamento social para um imóvel de temporada, pousada ou hotel. Muitos hotéis começaram a investir ainda em julho do ano passado em divulgação com uso do termo hotel schooling

Dados recentes da Abear mostram que em novembro passado o Brasil operou o equivalente a 60% dos voos do mesmo período de 2019. Em destinos como Salvador esses números chegaram a impressionantes 81% no mesmo mês. Muitos hoteleiros, agentes e consultores de viagem atribuem tais índices justamente à “virtualização” do trabalho em muitas empresas e parte das instituições de ensino brasileiras.

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Aposta bem sucedida em propriedades com diferentes perfis

De hotéis fazenda (como o Dona Carolina, no interior de São Paulo) a resorts (como Royal Palm Plaza, Mavsa Resort, Sofitel Jequitimar, Hotel Fazenda Mazzaropi, Tauá), diversos hotéis e pousadas têm focado cada vez mais nos conceitos de hotel office e hotel schooling para atraírem hóspedes durante a pandemia. Principalmente durante os dias da semana.

Grandes hotéis de luxo também vêm aproveitando a tendência com sucesso, do Palácio Tangará, em São Paulo, ao icônico The Dorchester, em Londres. Alguns resorts de luxo focados em turistas americanos no México e algumas ilhas no Caribe chegaram a oferecer inclusive o serviço de monitores de home schooling como parte das amenidades incluídas nas diárias de hotel office durante a semana.

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Aqui no Brasil, trabalho e ensino remotos têm sido grandes responsáveis pelas taxas de ocupação de muitas propriedades durante a semana. As estadias prolongadas com foco em hotel office e hotel schooling também têm sido cada vez mais requisitadas por distintos perfis de turistas e profissionais.

Fora do Brasil, o trabalho remoto também contribui para a recuperação da hotelaria em geral desde meados do ano passado. Plataformas especializadas em reservar hotéis por apenas algumas horas fizeram bastante sucesso desde então, como a dayuse.com.

VEJA TAMBÉM: O crescimento das estadias prolongadas em 2020

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Crédito: Accor/Divulgação

Como tem funcionado o conceito de hotel office

Devagarinho, o home office começa a virar eventualmente uma espécie de road office para alguns brasileiros. Afinal, muita gente já vinha mesmo tendo problemas em se adaptar ao home office desde o começo da pandemia, com dificuldades de trabalhar e morar no mesmo endereço.

Ainda em maio de 2020, algumas propriedades em São Paulo começaram a transformar seus quartos ociosos em escritórios que poderiam ser alugados por um dia, semana ou mesmo um mês. Primeiro foi a rede Accor que apostou no conceito de room office em seus hotéis; depois, diversas outras propriedades independentes também começaram a apostar no mesmo modelo de day use dos quartos como escritório, incluindo até o pequeno Guest Urban, em São Paulo.

Mas, sem dúvidas, a possibilidade de migrar de mala e cuia por alguns dias para um outro destino e poder, além de trabalhar e estudar em outro ambiente, aproveitar também benefícios do local em si (muitas vezes sem ter que pensar no que cozinhar para o almoço e o jantar) tem outro sabor. 

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Bleisure, Workcation, anywhere office

Em muitas propriedades brasileiras, graças à difusão do conceito de hotel office (ou anywhere office), quartos ganharam nos últimos meses conexões mais potentes à internet e mesas e cadeiras mais confortáveis e eficientes. Afinal, o hóspede agora passará horas sentado ali, trabalhando naquele espaço antes pensado exclusivamente para o lazer.

Até mesmo propriedades que nunca tinham cogitado receber esse tipo de hóspede antes – como a remota Canto do Papagaio, em Aiuruoca, Minas Gerais – se viram obrigadas a fazer modificações estruturais importantes para atender à nova demanda. 

Alguns resorts e grandes hotéis de rede aproveitaram o crescimento da tendência do hotel office para transformar suas salas de eventos, completamente ociosas desde o começo da pandemia. Os espaços foram transformados em estruturas compartilhadas (com o devido distanciamento social, é claro) de trabalho e estudo.  Em muitos casos, com design que segue a tendência dos chamados “co-working” (que já existiam desde muito antes da pandemia), incluindo até mini-bar cortesia com café, água, sucos e lanches.

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Tendência parece ter vindo para ficar 

A indústria da hospitalidade já entendeu que investir em transformações e adaptações para atender a essa nova demanda de hóspedes em busca de espaços para misturar trabalho e lazer é inevitável. A tendência do hotel office parece ter vindo para ficar: muitas grandes corporações já anunciaram que pretendem manter o trabalho remoto ao menos parcialmente para muitos dos seus funcionários após o fim da pandemia.

Hotéis inaugurados durante a pandemia já abriram suas portas com isso em mente. Caso, por exemplo, do Canto do Irerê, em Atibaia, interior de São Paulo, que desde sua abertura tem recebido majoritariamente hóspedes procurando conjugar isolamento, trabalho e lazer no mesmo endereço. 

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Prova de que o trabalho remoto também contribui para a recuperação da hotelaria é que, para muitas propriedades brasileiras, investir no hotel office e no hotel schooling gerou aumento de pelo menos 40% nas taxas de ocupação durante a semana. E contribuiu imensamente para as arrecadações durante todo o período, mesmo com as tarifas mais camaradas geralmente praticadas durante a semana.

Além disso, muitas vezes, viajantes que se hospedaram durante a semana em determinada propriedade para praticar hotel office e hotel schooling, variando um pouquinho o cenário do trabalho e do estudo remoto destes tempos, gostam tanto da experiência que acabam voltando semanas ou meses depois em um final de semana. Mas, desta vez, apenas para descansar e curtir os serviços da boa hospitalidade.

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