Rinocerontes em safári na África do Sul

Safári na África do Sul: Shamwari, uma alternativa ao Kruger

Safári é uma das mais emocionantes experiências de viagens. Fiz, repeti, fui outra vez e continuo querendo mais. Vejo um único problema em safári na África do Sul: o preço. Na minha viagem passada ao país conheci a Shamwari Game Reserve, na Costa Leste. Tem os cinco grandes (rinoceronte, leopardo, leão, elefante e búfalo) e lodges confortáveis. Os valores são menores que os das áreas do Kruger Park e do Greater Kruger, ainda que não muito. Pode ser aquela diferença que permite ficar um número maior de noites. O custo com as passagens aéreas internas também ajuda a melhorar a conta final, já que a localização da Shamwari é mais conveniente para roteiros que incluem a Cidade do Cabo e a Rota Jardim.

Lodge em reserva de safári na África do Sul
Founders Lodge: o quarto original de Adrian Gardiner na reserva para safári na África do Sul / Foto de Carla Lencastre

Safári na África do Sul: o adorável Founders Lodge

A convite do South African Tourism, fiquei hospedada no Founders Lodge by Mantis, do conservacionista sul-africano Adrian Gardiner, criador da Shamwari (em 1992) e fundador do grupo hoteleiro Mantis Collection. A uma hora de carro de Port Elizabeth, no Cabo Oriental, o lodge foi aberto há dois anos. Como o nome indica, era a casa de Gardiner. Ele vendeu a Shamwari, mas manteve o imóvel e o direito de fazer safáris na reserva. O Founders Lodge tem apenas seis quartos, todos com varanda e confortos modernos. Dois estão na casa original da década de 1940, com decoração clássica. Outros quatro estão em uma construção anexa recente e oferecem ambientes mais contemporâneos. A piscina ao livre encontra-se em meio a um bonito jardim. O ambiente low profile, o serviço atencioso e a sensação de exclusividade me conquistaram imediatamente.

Lodge em reserva de safári na África do Sul
A área ao ar livre do lodge ao lado da Shamwari Game Reserve / Foto de Carla Lencastre

As diárias incluem dois safáris por dia e três refeições (com bebidas alcoólicas nacionais), como é comum neste tipo de hospedagem. O lodge mantém o jeito de casa, com lareira, livros por toda a parte, mesa de sinuca, poltronas e sofás confortáveis, obras de arte, vasos de flores. No bar, conheci um bom gim artesanal da Cidade do Cabo, o Cape Town Rooibos Red Gin. Nas refeições, servidas em um bufê caprichado, destacaram-se o pão assado lá mesmo, carnes e frutos do mar grelhados na hora e na frente dos hóspedes, a variedade de queijos e frutas frescas. As louças são feitas especialmente para o lodge e decoradas com desenhos de animais selvagens. Nos quartos, há uma garrafa de cristal com vinho de sobremesa. Perfeito para o fim de noite.

O mais importante: os safáris foram ótimos. Os quartos têm uma extensa lista com toda a fauna e a flora da região, inclusive deixando claro quais são os animais raros na área, como hipopótamos. Participei de dois games, um à noite e outro na manhã seguinte. Montanhas ao fundo criam um panorama diferente dos safáris no Kruger e arredores. Em momento algum vimos mais do que um outro veículo com passageiros. Na maior parte do tempo, estávamos sozinhos. Dos Big Five, só não encontramos leopardos, mas eles estão por lá. (Neste acaso, acho que o problema sou eu. Em mais de uma década de idas à África do Sul, com amplo currículo de safáris em diferentes áreas do país, o leopardo nunca apareceu para mim.)

Rinocerontes em safári na África do Sul
Rinocerontes no safári de fim de tarde (os da imagem no alto foram vistos pela manhã) / Foto de Carla Lencastre

Os safáris do Founders Lodge não têm trackers. A ausência desta figura importante para uma expedição bem-sucedida é compensada por rangers da região. O que nos acompanhou era bem treinado, divertido e não hesitava em sair das trilhas em busca de guepardos, por exemplo. Sem abrir mão da segurança em momento algum, o que é fundamental neste tipo de atividade. À noite, durante o jantar, contou histórias curiosas sobre a reserva e os arredores.

Os veículos do safári são abertos e o ranger organiza paradas para o café da manhã e os sundowners em meio à expedição, como acontece nos safáris dos lodges mais conhecidos do Kruger e do Great Kruger. No game drive no fim da tarde, a mesa ao ar livre tem vinhos sul-africanos branco e tinto, gim britânico, água tônica, frutas e frutos secos, chips salgados.

Há uma diferença importante em comparação a outros lodges mais luxuosos e integrados à savana. O Founders é cercado e fica em uma área adjacente à Shamwari, onde são feitos os safáris. Ou seja, não há possibilidade de ter elefante bebendo água na piscina. Dentro da reserva, há outras sete opções de hospedagem para diferentes perfis. Confira as outras opções para safáris na África do Sul, na Shamwari, clicando aqui. Como na maioria dos lodges de safáris, na Shamwari não são permitidas crianças menores de 4 anos.

Leão em safári na África do Sul
Não resisto à legenda clichê: acho que vi um gatinho… / Foto de Carla Lencastre

Safári no continente africano é como bangalô sobre as águas de Bora Bora, na Polinésia Francesa: você não espera que seja menos do que perfeito. E isso tem um custo. Safári não tem como ser barato. A inspector Mari Campos explica bem o porquê neste post aqui (e recomenda também lodges incríveis na área do Kruger). Dá para economizar dirigindo seu próprio carro em um parque nacional. Fiz isso no Hluhluwe-iMfolozi e não indico. O motorista até era acostumado com a mão inglesa (o que seria um problema se eu estivesse dirigindo). Ainda assim achei estressantes tanto a sensação de insegurança (este elefante está entretido derrubando a árvore ou vai vir para cima do veículo?) quanto a falta de conforto da hospedagem econômica do parque. O Founders Lodge foi uma surpresa de como gastar um pouco menos mantendo o conforto e a emoção de estar em meio à vida selvagem proporcionada por um bom safári.

Leia aqui sobre um roteiro de oito dias pelo Quênia, incluindo safári na reserva de Maasai Mara.

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A excelência dos lodges de safári na África do Sul

Sou apaixonada por safáris desde a primeira vez que me juntei a um. E, como boa amante da hotelaria, também sou apaixonada por safari lodges desde minha primeira hospedagem em uma propriedade do gênero. Depois de tantas andanças, com safáris colecionados em diversos países, para mim nenhum outro país consegue ter tanta consistência em bons lodges de safári (ou similares, como de expedição e vida selvagem em geral) como a África do Sul. 

Como alguém que já fez muitos safáris no país e se hospedou em muitos lodges diferentes por lá, sou frequentemente consultada por quem planeja sua primeira inserção neste universo – mas também por gente que quer voltar ao país para uma nova experiência com, digamos, upgrade (meu blog pessoa física tem uma série de posts e reviews para ajudar nessa tarefa).

A verdade é que nada nos prepara para a emoção de estar pela primeira vez com um leão ou elefante a passos do seu jipe, em plena savana – mas os bons lodges de safári sul-africanos sabem fazer isso com maestria e extrema segurança (item fundamental para um bom safári). É o bom lodge de safári, com seus bons trackers e rangers, super treinados e didáticos, que vai mudando a gente um pouquinho a cada game drive – os sentidos vão ficando mais aguçados, a audição mais atenta a qualquer som da savana, os olhos vão ficando mais treinados para procurar diferentes pássaros nas aves, e a gente não vê a hora de sair para o safári seguinte. 

Capricho e clima “out of Africa” no Tintswalo Safari Lodge. Foto: Mari Campos

Fiz safáris em diferentes cantos do país, do Kruger e Great Kruger (meus preferidos pela fartura incomparável de vida selvagem) à Garden Route, em lodges de diferentes estilos. Meus preferidos? De longe, Royal Malewane, Tintswalo, Thornybush River Lodge e Sabi Sabi. São lodges de luxo, sim, o que acarreta custos bastante elevados para hospedagem; mas que valem o investimento pela qualidade impressionante do serviço que entregam.  Dá pra ver toda a lista das minhas recomendações de hotéis de safári na África do Sul aqui

O alto investimento justifica-se também para quem opta pelos modelos all inclusive, extremamente recomendável em lodges de safári;  afinal, ali, como geralmente saímos antes do amanhecer para o primeiro safári e já no finalzinho da tarde para o segundo, passamos muito tempo dentro do próprio hotel e quanto melhores a infra e as inclusões, melhor. 

Há lodges, com o perdão do clichê, para todos os bolsos e gostos; mas não adianta esperar por um lodge “econômico”: os custos para manutenção de uma propriedade deste tipo, com este isolamento (tudo custa mais caro para chegar, como em qualquer hotel em localização remota), e com um staff qualificado e bem treinado, são altíssimos. Mas, sim, existem lodges mais e menos caros, dependendo do tipo de acomodação e do que está incluso no valor das diárias (já me hospedei em lugares que, acreditem, nem os safáris estavam incluídos, como o Botse Botse, a duas horas de carro de Joanesburgo). A inspector Carla Lencastre fala sobre uma boa opção mais econômica próxima a Port Elizabeth neste post aqui.

Staff do Thornybush River Lodge em ação nas savanas. Foto: Mari Campos

De todos os lodges que já experimentei (foram muitas e muitas viagens diferentes à África do Sul, e também safáris em outros países), apenas estes quatro – todos nas reservas do Kruger e Great Kruger – foram de fato irrepreensíveis, com instalações ultra confortáveis, gastronomia impecável e um staff absolutamente dedicado e bem treinado, capaz de me proporcionar algumas das melhores experiências de viagem que já tive. As experiências inesquecíveis foram também impulsionadas pelas incríveis reservas, isoladas e repletas de vida selvagem de todo tipo, nas quais estas propriedades se instalaram (bem diferentemente do que acontece quando nos hospedamos em lodges que se instalam em “game farms”).  

Mas foi staff, para mim, o que fez a maior diferença para estas quatro propriedades serem, de longe, as minhas favoritas. Bem instruídos, bem treinados, flexíveis, didáticos com hóspedes de todas as idades e backgrounds, esses staffs viraram peça fundamental nas minhas memórias de viagem. Foi no Tintswalo Safari Lodge (review completa aqui), por exemplo, que tive o melhor tracker de todos, o inesquecível Eric (que ficou internacionalmente famoso quando uma foto sua frente a frente com uma leoa viralizou na internet), um poço de conhecimento sobre as savanas e os animais.  E ,sim, sou bem old school quando o assunto é safári: pra mim faz diferença absoluta na qualidade do drive ter ranger E tracker no carro, e ter o carro todo aberto para a savana.

Ainda vamos falar mais de lodges de safári por aqui e vamos falar mais também sobre a África do Sul. Stay tunned.

 

 

 

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