St Barth

Hospitalidade diversa é aposta de Saint-Barth

É bastante óbvio que a hospitalidade é parte fundamental da experiência do viajante, em qualquer lugar. Entretanto, em alguns destinos, a hotelaria tem papel ainda mais vital, sendo realmente capaz de criar uma jornada completamente diferente da que o hóspede experimentaria em outra propriedade. É o caso, por exemplo, de Saint-Barth (St.Barth, ou ainda Saint-Barthélemy), onde a hospitalidade cada vez mais diversa virou grande aposta do turismo local.

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Afinal, ali, em um território tão pequeno, bastante dependente de sazonalidade (a maior parte da ilha “fecha” para o turismo na temporada de furacões), com oferta bastante limitada de infraestrutura e mão de obra, hotéis são parte fundamental da engrenagem que faz a própria ilha francesa funcionar tão bem como destino turístico tão exclusivo quanto sustentável.

St Barth
foto: Mari Campos

Ou seja, mais do que nunca, a hotelaria pode não apenas determinar onde o turista fica, mas também quanto tempo permanece no destino, que lugares frequenta e, mais importante ainda, quanto gasta – e quanto deste investimento permanece na economia local.

Segundo levantamento de 2024, St Barth tinha então 26 estabelecimentos de hospedagem tradicional (hotéis de distintos tamanhos e estilos), somando mais de 500 acomodações no total. Quase metade dessa oferta estava concentrada em propriedades de altíssimo padrão – incluindo o único hotel palace do Caribe, o excepcional Cheval Blanc St Barth.

Esses números não consideravam a impressionante quantidade de villas privativas disponíveis para aluguel de temporada (muitas delas com serviço de alta hotelaria), um segmento que não para de crescer nesta ilha caribenha – e já soma mais de 2.500 unidades.

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St Barth
foto: Mari Campos

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Turismo controlado e planejado

As limitações geográficas de St Barth tornaram-se também um mecanismo de proteção ambiental – e isso inclui um turismo planejado e extremamente controlado. Na ilha, não existem grandes resorts com tudo incluído nem airbnbs fora de controle; a maior parte da hotelaria ali é composta por propriedades de pequeno e médio porte, e construções com mais de quatro andares não são permitidas.  

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Mas nem só de hotéis e villas de luxo vive a ilha, é claro; há também oferta de hospedagens voltada para orçamentos mais apertados, de airbnbs a cottages, espalhada pelo território. A ideia geral é que, mesmo com o turismo bastante controlado e planejado, cada vez mais gente possa de distintas origens e backgrounds possa aproveitar a mescla perfeita de belas praias, paisagens caribenhas, alma francesa e boa mesa que St Barth oferece.

A existência de pequenos hotéis, imóveis de temporada e ecolodges amplia o espectro de visitantes, permite estadias mais longas para muita gente e ajuda a manter a ocupação no destino sempre em alta. E cada viajante encontra ali seu pedacinho de paraíso.

St Barth
foto: Mari Campos

Assim, St Barth mostra cada vez mais sua pluralidade; até porque tentar reduzi-la a uma mera coleção de hotéis de luxo seria perder parte importante de sua dinâmica. Durante o ano todo, o fluxo turístico é cuidadosamente planejado e razoavelmente controlado. 

As praias bem preservadas, a enseada bem protegida e o estilo de vida discreto de seus moradores segue mais ou menos os mesmo preceitos de quando a ilha começou a pensar o turismo internacional, nos anos 1970.

Com uma permanência média geral de 5,5 noites por hóspedes em uma ilha que não dispõe de uma grande capacidade hoteleira, ocupar bem cada quarto disponível durante os meses mais importantes é decisivo.No entanto, ao contrário das demais ilhas caribenhas, Saint-Barth não compete jamais por número de visitantes; e por isso mesmo atrai um segmento cada vez mais disposto a pagar por exclusividade e sossego – inclusive brasileiros.

O Brasil, aliás, está entre os quatro maiores emissores internacionais de turistas para a ilha e os brasileiros se hospedam quase que exclusivamente em hotéis de luxo – preferência de mais de 70% dos viajantes dos EUA também. Já nos estabelecimentos mais econômicos, os próprios franceses são a maioria, ultrapassando os 34% do total de hóspedes.

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St Barth
foto: Mari Campos

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UMA ILHA CADA VEZ MAIS PLURAL

O Les Îlets de la Plage é um ótimo exemplo, e justamente tenta resgatar um pouco essa vibe do começo da atividade turística de St Barth. Não se trata de uma hospedagem econômica, mas propõe uma estadia confortável, simpática e bastante acessível em comparação com os valores praticados na maior parte da ilha.

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Instalado à beira-mar, tem apenas 12 unidades e um toque old fashion, que o faz ser adorado por franceses saudosos dos old times da ilha. Suas cottages individuais, com os típicos telhados vermelhos de St Barth, muitas em dois andares, ficam em meio a jardins ou ao longo da beira-mar e contam com cozinha (com geladeira grande, cooktop, micro-ondas, torradeira etc), living, quarto, banheiro e áreas de convivência externa bastante acolhedoras.

As quatro unidades em frente ao mar contam com deck externo privativo mobiliado, gramado e deliciosas espreguiçadeiras. Vale saber que não há academia e a pequena piscina comum esteve interditada durante toda a minha estadia por ali.

O acesso direto ao mar (é frente ao mar mas não pé na areia) pode ser feito diretamente das unidades em frente ao oceano através de escadas de madeira. Mas um dos pedacinhos mais gostosos da praia de St Jean, de águas turquesa tranquilas e cristalinas, sempre vazio, bem ao lado do aeroporto, fica a literalmente cinco minutos de caminhada – com direito a um cantinho com ombrelones e espreguiçadeiras reservado para os hóspedes.

A ideia do Les Îlets é ser um híbrido entre um hotel e um aluguel de temporada. Não há recepção 24h, concierge, nem serviço de café da manhã. Por outro lado, há cápsulas de café, leite, suco, manteiga e geleia na geladeira e todos os dias algo de uma padaria local (um croissant, um brioche ou algo do gênero) é deixado na varanda por volta das 8h da manhã. Por isso mesmo, é mais procurado por viajantes que desejam estadias mais longas.

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Cheval Blanc St Barth
Cheval Blanc St Barth. Foto: Mari Campos

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A excelência na hospitalidade

É justamente a combinação de poucos quartos, alto gasto médio, forte presença internacional, grande peso da hotelaria de luxo e uma camada menor de hospedagens independentes que faz de St. Barth um caso tão peculiar no Caribe: um destino que vive do turismo mas não depende de grandes volumes para sustentar sua economia.

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Talvez por isso mesmo a hotelaria de luxo sempre tenha feito tanto sucesso em St Barth, e siga se reinventando, mesmo quando a ocupação bate recordes. É também graças a essa excelência em hospitalidade que a ilha é capaz de arrecadar mais de €15 milhões em taxa turística por temporada – equivalente a 5% do valor líquido da diária, essa arrecadação arrecadado financia a manutenção de estruturas turísticas, infraestrutura, entretenimento e a própria promoção do destino.

É em St Barth que fica o único hotel com distinção palace de todo o Caribe: o irrepreensível Cheval Blanc St-Barth, única propriedade hoteleira a ocupar a paradisíaca praia de Flamands.

Nesse ecossistema privilegiado, hotéis como Eden Rock (que, além de seu delicioso restaurante à beira-mar, agora é pioneiro a oferecer tratamentos de K-Beauty em seu premiado spa, ambos sempre abertos também para não hóspedes), Rosewood Le Guanahani (que acaba de lançar uma coleção cápsula de beachwear com o artista Daniel Dugan, cujas obras de arte feitas especialmente para o hotel também ilustram agora diversos ambientes da propriedade), o clássico Fouquet’s St-Barth, Le Sereno (que reabrirá totalmente renovado), o encantador Le Manapany, o suntuoso Le Toiny ou o adorável hotel boutique Tropical St Barth se tornaram muito mais do que meros endereços de hospedagem.

São essas propriedades que ajudam majoritariamente a sustentar um modelo turístico de muito sucesso há tantas décadas, baseado em baixa densidade de visitantes, gasto per capita elevado e alto consumo em serviços, gastronomia, experiências e varejo local.

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St Barth
foto: Mari Campos

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Queridinho dos brasileiros

Como quarto maior emissor internacional de turistas para a ilha, o Brasil passou a ser um dos principais focos de promoção turística de St Barth. Com um adendo importante: além de gastar bastante em serviços, restaurantes e lojas no dia-a-dia no destino, o brasileiro que viaja à ilha francesa se hospeda majoritariamente em hotéis de alto luxo.

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Embora brasileiros sejam figurinha fácil em todos os hotéis de primeira linha em St Barth, o queridinho nacional das últimas temporadas segue sendo o charmoso Le Barthélemy. O português virou idioma tão frequente entre os hóspedes por lá que parte do staff já arranha algumas palavras, entende fácil os vícios de linguagem e já está totalmente acostumado aos hábitos e preferências desse hóspede.

Localizado à beira-mar na bela praia de Grand Cul-de-Sac, uma das mais bonitas da ilha, frequentemente visitada por tartarugas marainhas e baby sharks, o Le Barthélemy é uma propriedade 100% pé na areia e totalmente voltada para o descanso e o prazer.

Perfeitamente adaptado também a famílias com crianças pequenas, tem acomodações muito espaçosas, todas com excelentes banheiros, varanda privativa e vista para o mar, os jardins ou a lagoa. Algumas contam com plunge pool privativa e as mais disputadas são suites duplex com acesso direto à praia.

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As amenidades de higiene são da Diptyque, mas há tantas amenidades de outros gêneros que fica difícil computar todas elas. Algumas são lindamente ofertadas dentro de uma nécessaire pensada para o hóspede levar para casa. Há bolsa de praia, chinelos para quarto e praia, saquinhos customizados para roupa de banho molhada e vários outros mimos.

Há uma tecla no telefone específica para pedir champagne, que chega em poucos minutos, geladinha, em um case de madeira lindo, feito sob medida, para manter a bebida na temperatura ideal por mais tempo.

Há restaurante interno e pé na areia (o delicioso café da manhã é um serviço híbrito buffet + à la carte), uma bela piscina, vários lounges, dois bares, mesas de jogos ao ar livre e um excelente spa La Mer, imperdível. Tudo a cara da joie de vivre de St Barth.

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Rosewood São Paulo

Review: Rosewood São Paulo

Não é tarefa nada simples inovar na hotelaria de luxo paulistana. Mas o Rosewood São Paulo definitivamente conseguiu: criou um resort urbano que se orgulha dessa “urbanidade”. E, principalmente, que mostra ter orgulho também do próprio destino no qual decidiu se instalar.

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Grande “case” da hotelaria nacional recente, a primeira propriedade da marca Rosewood na América Latina é o típico hotel-destino: tem hóspede que sequer sai de seus limites físicos durante a estadia, numa conquista comum a várias outras propriedades da mesma bandeira.

Rosewood São Paulo
foto: Mari Campos

Com ambientes que o tempo todo fazem pequenas (e grandes) declarações de amor a São Paulo e ao Brasil, não por acaso, seus espaços sociais são diariamente frequentados por moradores da capital paulista e as reservas domésticas são tão numerosas quanto as internacionais.

Inaugurado em 2022 e tomado por certo estardalhaço nos anos seguintes, o Rosewood São Paulo está finalmente sob nova gerência, os maus tempos para a equipe do hotel parecem ter ficado definitivamente para trás. Ufa, ainda bem! E o hóspede percebe isso claramente na própria coreografia diária dos serviços, seja nos corredores, na piscina ou nos restaurantes.

Foi um prazer passar alguns dias em completa imersão no hotel no começo deste ano. E o resumo desta estadia você confere agora, nos próximos trechos deste texto.

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Rosewood São Paulo
foto: Mari Campos

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Ode à brasilidade

Parte do projeto de revitalização arquitetônica batizado de Cidade Matarazzo, na Bela Vista (que engloba também residências, centro cultural, capela, espaço de eventos, edifício empresarial e shopping center), o Rosewood São Paulo ocupa dois edifícios do complexo.

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Um deles é novinho, torre projetada por Jean Nouvel; o outro é antigo, dos anos 1940, e foi completamente restaurado – embora diversos sinais de que funcionava como maternidade originalmente sigam visíveis.

Os dois edifícios estão imersos em um cenário de belos jardins horizontais e verticais de vegetação tropical muito exuberante, tomados majoritariamente por espécies nativas da Mata Atlântica.

Muitas delas, aliás, estão estampadas também nos elevadores em adoráveis e divertidos desenhos, agrupados por “finalidade” (há um ilustrado apenas com itens alucinógenos). 

O design interior de Philippe Starck não é em nada extravagante como em diversas propriedades que elevaram sua fama na hotelaria internacional. Pelo contrário: é extremamente elegante e acolhedor. E muito, muito brasileiro.

Inclui, além de peças icônicas do design nacional compradas ou garimpadas por aí (móveis, objetos, tecidos, tapetes, papéis de parede etc), outras feitas sob medida, especialmente para o hotel. Tem ainda 30 tipos de mármore diferentes na propriedade, distintas variedades de madeira e obras de 57 artistas brasileiros espalhados por literalmente todos os ambientes – tudo orgulhosamente made in Brazil.

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Rosewood São Paulo
foto: Mari Campos

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Como é se hospedar no Rosewood São Paulo

O Rosewood São Paulo tem acomodações em suas duas torres e com várias categorias diferentes. São 180 unidades no total, todas com discretos tons de madeira e estampas coloridas ou toques de cores vibrantes em objetos ou tecidos – além de livros, gravuras, fotos e até um violão na parede.

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Mesmo a categoria de entrada tem cama king-size, enxoval Trousseau, bastante espaço e vista para o verde. Os grandes banheiros em mármore branco e preto são ponto altíssimo, todos com rain shower, vasos sanitários TOTO e belo set de amenidades Votary.

No turndown, um detalhe muito querido: colocam sobre a cama um livro aberto em uma poesia ou música brasileira.

Há também café e água cortesia, confortáveis pantufas de quarto e belos chinelos de plástico produzidos em parceria com a Melissa (esses últimos infelizmente cobrados à parte). A única parte desagradável nas acomodações fica por conta do excesso de produtos à venda na própria bancada do banheiro, desnecessário e poluindo demais o visual.

Nos ambientes públicos do Rosewood São Paulo, a playlist baixinha com MPB é discreta, nunca atrapalhe as conversas que se desdobram ao vivo. Até a entrada do hotel é diferente, com jeito meio de sala de estar (embora exista uma câmera bem em cima do honesty bar do lobby, que talvez não ande lidando com tanta honestidade assim…).

Há também (muita) literatura nacional forrando colunas e ganhando destaque sobre móveis. Até os tapetes feitos sob medida também homenageiam a nossa flora. E a oferta gastronômica é excelente.

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O charmoso Le Jardin é o coração do hotel, aberto o dia todo. Com um áreas interna e externa, serve um excelente café da manhã à la carte também. E se vale da iluminação para criar ambientações bem diferentes a cada refeição.

Nas laterais do Le Jardim, de um lado fica o delicioso Blaise, de sotaque francês, sob comando do chef Fernando Bouzan; do outro, o impecável Rabo di Galo, de coquetéis e serviço excelentes e ótima música ao vivo. Integrado às estruturas originais da Maternidade, fica o Taraz, do chef Felipe Bronze, inspirado na culinária sul-americana e à lenha.

A propriedade ainda tem o Emerald Garden Pool & Bar, que charmosamente contorna a linda piscina principal, servindo pratos leves e rápidos durante o dia; e o discreto Bela Vista Rooftop Pool & Bar, no topo da torre de Novel, com drinks e petiscos.

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A imperdível piscina principal, aliás, exclusiva para hóspedes, é ladeada não apenas por espreguiçadeiras como também por belíssimas cabanas que garantem serviço exclusivo e muita privacidade.

O Rosewood São Paulo oferece para o lazer duas piscinas externas, estúdio de ioga/pilates, excelente academia 24 horas e um belíssimo Asaya Spa by Guerlain (a Sala de Cristal é imperdível). Para os negócios, tem mais de 9.300 metros quadrados de espaço para reuniões e eventos.

Agora ficou mesmo muito, muito difícil, não se encantar por esse novo monumento à hospitalidade nacional.

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Four Seasons Madrid

Madri quer ser polo da hotelaria de luxo

Nos últimos doze meses, a capital espanhola testemunhou a (esperada!) inauguração de propriedades de três das mais luxuosas redes hoteleiras do mundo: Four Seasons Madrid, Mandarin Oriental Ritz Madrid e Rosewood Villa Magna Madrid. E isso parece ser só o começo de uma nova era: Madri quer ser polo da hotelaria de luxo.

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Isso mesmo: em plena pandemia, três das principais redes de hotéis de luxo abriram unidades em Madri, impulsionando um novo projeto da cidade de ser um novo pólo do turismo de luxo na Europa. Primeiro, a rede canadense Four Seasons abriu seu primeiro hotel na Espanha, o Four Seasons Madri, em pleno centro da cidade, começando uma transformação importante na região. Depois, agora em 2021, as duas reaberturas hoteleiras mais esperadas do país aconteceram: os agora Mandarin Oriental Ritz Madrid  (antigo e icônico Ritz Madrid) e Rosewood Villa Magna Madrid (antes Villa Magna, então parte do portfólio da Leading Hotels of the World).

Passei o último mês em viagem pela Espanha e, nos meus vários dias madrileños, fiz questão de me hospedar por alguns dias nas três propriedades recém abertas. Você pode conferir detalhes de todas elas também no meu Instagram @maricampos. 

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Four Seasons Madrid reestrutura turismo de luxo no centro de Madri

Inaugurado há cerca de um ano no número 3 da Plaza Canalejas, em pleno centro de Madri, a passos da Puerta del Sol, o Four Seasons Madrid (diárias desde 615 euros, mais detalhes sobre valores aqui) ganhou logo ao lado um gigante centro comercial de luxo, as Galerías Canalejas, e uma loja da Hermès no próprio lobby do hotel.

O lobby impressiona, com pé direito gigante, concierge e recepção discretos, bar de canto, uma imponente escadaria e a adorável escultura de KAWS em frente ao hall dos elevadores (parte da imensa coleção de arte espalhada por todo o hotel). Os house cars são inconfundíveis Porsche Panamera estampados com o logo del hotel, que chamam a atenção de todo turista que passa pela região.

Do lado de dentro, quartos espaçosos e muito confortáveis, com luxuosas amenidades Hermès. Os hóspedes todos recebem um safety kit com máscaras cirúrgicas e álcool em gel – e há fartura de displays de álcool em gel em todos os ambientes do hotel.

Os grandes destaques ficam por conta do belo spa na cobertura, com direito a piscina climatizada coberta e deliciosos lounges ao ar livre com vista panorâmica para Madri, e a imperdível Dani Brasserie, o mais gostoso rooftop da cidade, com bar e restaurante. A Dani Brasserie, do chef Dani Garcia, abre para todas as refeições também para não hóspedes e serve um excelente café da manhã com pratos à la carte e buffet assistido (com tudo devidamente protegido e individualizado) incluídos. O serviço ali é irretocável: eficiente e cálido na medida, para fazer jus às vistas espetaculares do local.

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Mandarin Oriental Ritz Madrid dá novo twist ao grande ícone hoteleiro da cidade

O novo Mandarin Oriental Ritz, Madrid (diárias desde 850 euros, mais detalhes sobre valores aqui), reaberto neste 2021 após três anos e 99 milhões de euros de reforma, conseguiu manter todo o charme e a história do hotel mais icônico da cidade, aliado agora a uma vibe contemporânea e cosmopolita. 

Até hoje ligado à realeza espanhola (rei e rainha estiveram por lá durante minha estadia no hotel em outubro, por sinal), o novo Ritz foi inteiramente reformado e remodelado e ganhou espaços incrivelmente convidativos – a começar pelo próprio lobby, que ganhou um balcão de canto e uma impressionante instalação de arte no teto que provoca reflexos lindos conforme a luz do dia e da noite vai mudando.

Os quartos todos contam com vista externa, amenidades da Natura Bissé e uma adorável maleta de couro com secador, difusor e chapinha. As suítes têm também serviço de mordomo incluído e impecáveis (nada mini) minibar e room service. O novo spa tem uma imperdível área de piscinas climatizada e aquecida (ambas cobertas), cujo décor foi pensado para ser uma extensão dos novos banheiros dos quartos de hóspedes. 

A gastronomia todinha do hotel está à cargo do chef Quique Dacosta – inclusive o room service, de longe o melhor de toda minha viagem. O restaurante Palm Court, com décor bastante clássico, mas agora sob uma encantadora cúpula de vidro, recebendo muita luz natural o dia todo (funciona o dia todo e ali é servido também o delicioso café da manhã). Tem um minúsculo Champagne Bar ao fundo, para jantares especiais. Ao lado do Palm Court fica o luxuoso Deessa, o restaurante gourmet de Quique Dacosta, com direito a muito dourado e décor bem contemporâneo. Com tempo bom e temperaturas mais quentes, abrem o El Jardín del Ritz, todinho ao ar livre, no delicioso jardim do hotel.

O maior destaque fica por conta do Pictura, o novíssimo e imperdível bar do hotel. Acessível através de uma porta espelhada ao lado da recepção, o visual do bar impressiona, com quadros de artistas contemporâneos espanhóis retratados como se fossem pinturas expostas no vizinho Museo del Prado. Os barmen parecem saídos de um filme de James Bond e são excelentes; e os drinks, divinos, vêm sempre acompanhados de deliciosas castanhas e amêndoas tostadas e temperadas. 

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Rosewood Madrid Villa Magna consolida a vocação para o luxo do bairro Salamanca

O Rosewood Madrid Villa Magna (diárias a partir de 700 euros, mais detalhes sobre valores aqui) acaba (literalmente) de abrir suas portas em Madri. Após a esperada remodelação dos últimos 15 meses, quando o grupo Rosewood assumiu de fato a propriedade, o hotel foi inaugurado no último dia 22 de outubro – e, menos de uma semana depois, lá estava eu, a primeira jornalista brasileira a se hospedar no hotel. 

A nova entrada inclui um charmoso acesso para os carros e escada e rampa independentes para quem está à pé. A localização no charmoso bairro de Salamanca é excelente, seja para atividades culturais, gastronômicas ou de consumo. Os novos quartos ganharam décor muito elegante e contemporâneo, incluindo belos bar, living e banheiro, com amenidades da Maison Caulières – e kits de segurança sanitária, com máscara e álcool em gel, repostos diariamente. 

O novo hotel ganhou charmosos restaurante e bar – Las Brasas de Castellana e Tarde.O, respectivamente – e deve ganhar um restaurante estrelado até o final do ano. O principal destaque pra mim é a espetacular cafeteria Flor y Nata, o café contemporâneo mais bonito que já vi em Madri.

Também aberta a não hóspedes, a Flor y Nata tem dois charmosos espaços – um sossegado, com poltronas e mesas, e outro com banquetas e mesa alta, para quem quer apenas trabalhar por ali. Cafés e doces excelentes dia e noite, inspirados nas melhores pâtisseries francesas, e atendimento impecável. Das 16 às 19h30 ainda serve diariamente um lauto afternoon tea à la carte, com suas deliciosas pâtisseries incluídas no completíssimo menu (reserva obrigatória). 

O hotel tem também duas charmosas terrazas ao ar livre, um gramado externo para eventos, impactantes recepção e escadaria e inaugurará em breve seu esperado spa.

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As duas suítes mais caras da Espanha

Como Madri quer ser pólo da hotelaria de luxo, seus novos hotéis trouxeram também as suítes mais caras de toda a Espanha. As suítes reais (Royal suite) dos hotéis Four Seasons Hotel Madrid e Mandarin Oriental Ritz, Madrid, podem chegar a impressionantes 20.000 euros mais impostos por noite. 

A do Mandarin Oriental Ritz, situada no primeiro piso e com vista para o Museo del Prado, é opulenta: 228 metros quadrados divididos em sala de jantar, living, studio privado, dormitório circular com closet, banheiro estilo spa (com sauna a vapor e ducha de pedra natural incluídas), dormitório adicional e lavabo. 

A do Four Seasons tem impressionantes 431 metros quadrados e ocupa o que um dia foi o escritório do antigo presidente do Banesto: além de living e espaços quarto e banheiro, tem um imenso closet, escritório, cozinha, dois dormitórios, sua própria academia e até uma curiosa chaminé. 

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Madri quer ser polo da hotelaria de luxo

De fato, Madri quer ser novo polo da hotelaria de luxo e do próprio turismo de luxo na Europa. Em outubro passado, foi lançada a plataforma MDL – Madrid Capital del Lujo, que reune autoridades locais, governo espanhol e diversos empresários e investidores para tentar alavancar o turismo de luxo na capital espanhola. 

Do final de 2021 a meados de 2022, outros hotéis de luxo devem abrir as portas na cidade, incluindo o primeiro hotel da marca W (bem em frente ao Four Seasons Madrid, contribuindo para transformar a Plaza Canalejas em novo hub de luxo madrileño), o primeiro hotel da marca Edition (também da Marriott), o primeiro da rede francesa Evok e ainda o Radisson RED e o CR7 Pestana.  Acompanhe meu instagram @maricampos para conferir mais detalhes sobre o tema e esta viagem.

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Leia tudo que já publicamos sobre hotelaria em tempos de pandemia.

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