Torre da Universidade de Cartagena

Onde ficar em Cartagena, no Caribe colombiano

Em cima do muro não é uma opção. Do lado de cá ou do lado de lá é a principal dúvida na hora de escolher o hotel na belíssima Cartagena das Índias, no noroeste da Colômbia. Dentro da muralha de dez quilômetros de extensão, a cidade tem um colorido Centro Histórico do século 16, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, repleto de hotéis boutique, lojas, bares e restaurantes (estes até em cima do muro). Do lado de fora da muralha está o Mar do Caribe.

As praias não são aquelas dos cartões-postais caribenhos, com água azul turquesa e areia branca e fofa. Mas a hospedagem nos grandes hotéis à beira-mar é opção a ser levada em conta para quem viaja com crianças pequenas. Ou não dispensa a infraestrutura de um resort. Ou simplesmente quer combinar história com praia na mesma cidade.

Jacuzzi com vista para o Mar do Caribe no hotel Radisson Cartagena Ocean Pavillion | Foto de Carla Lencastre
Jacuzzi com vista para o Mar do Caribe no Radisson Cartagena | Foto de Carla Lencastre

Tive as duas experiências, dentro e fora do muro. A mais recente foi mês passado, quando voltei a Cartagena a convite do Radisson Ocean Pavillion. O hotel fica na praia de La Boquilla, entre 20 e 30 minutos de carro do Centro Histórico. Passa por reformas, principalmente na decoração das áreas comuns e dos 233 quartos. A parte principal da renovação deve estar concluída em dezembro. Contarei mais sobre o hotel em reportagem que será publicada na revista Panrotas (vou botar o link aqui mais adiante). Ainda ao norte do Centro, entre 30 e 40 minutos de carro, na região de Manzanillo del Mar, há duas novas opções de grandes redes hoteleiras: o Meliá Karmairi, somente para adultos, aberto em meados deste ano, e o Conrad Cartagena, inaugurado no final de 2017.

Prédios modernos ponta da península de Bocagrande, em Cartagena | Foto de Carla Lencastre
Prédios modernos na ponta da península de Bocagrande | Foto de Carla Lencastre

A área hoteleira de praia mais perto do Centro é Bocagrande, península repleta de arranha-céus que, vista do mar, lembra Downtown Miami. Está a cerca de 15 minutos de carro da principal entrada da cidade murada, a Porta do Relógio. Um clássico na área é o Hilton, em El Laguito, no sul da península. Há outras opções de redes, em diferentes faixas de preço. Em Bocagrande, como em La Boquilla, geralmente a areia e o mar são acinzentados, com águas mornas. Há vendedores, o assédio é grande; as praias são seguras.

O conjuntos histórico que vai abrir o Four Seasons Cartagena | Foto de divulgação
Como vai ficar o conjunto histórico que abrigará o Four Seasons Cartagena| Divulgação

Também ao sul do Centro, fica Getsemaní, um dos bairros mais antigos de Cartagena. É lugar para aproveitar a vida noturna, com muitos bares de salsa. Há alguns meses, a rede Four Seasons anunciou que sua terceira propriedade na Colômbia (há dois hotéis em Bogotá) será justamente em Getsemaní, em um conjunto de prédios históricos a apenas cinco minutos de caminhada da Porta do Relógio. Passei por lá, as obras ainda não começaram. Será a 15ª propriedade da coleção Four Seasons Historic Hotels.

Em fase de gentrificação, o bairro tem hostels e hotéis como o Selina, inaugurado há menos de um ano, com quartos individuais e comunitários.

O novo Selina Vila Madalena, em São Paulo

Como é o Selina Rio, o primeiro hotel da rede no Brasil

Para quem vai a Cartagena em busca da vida do século 21 pelas ruas do século 16, o lugar para ficar é do lado de dentro do muro. Em uma vez passada, tive ótima experiência no Charleston Santa Teresa, o que contribuiu muito para o meu amor à primeira vista pela cidade. Com 87 quartos, instalado em um antigo convento do século 17 perto da Torre do Relógio, o hotel tem piscina no terraço, com vista para as torres da Catedral em primeiro plano, e o selo Traveller Made. Revisitei as áreas comuns, e a impressão continua boa. No belo claustro central estão as mesas do Harry’s, restaurante de Harry Sasson, um dos chefs colombianos mais famosos.

Outro convento, também do século 17, abriga o Sofitel Legend Santa Clara, com 123 quartos. Já conhecia o bar El Coro, que continua bom, e o restaurante 1621. El Coro é o endereço da cripta que inspirou Gabriel García Márquez no livro Do amor e outros demônios. A casa do escritor colombiano, ainda hoje com sua família, é vizinha ao Santa Clara. As áreas comuns do hotel são lindas, especialmente o pátio central repleto de plantas e com um poço de água. A piscina, razoavelmente grande para uma área histórica, está em um pátio ao lado. Este é o hotel do Centro Histórico com melhor estrutura para receber crianças pequenas.

Nesta viagem de agora, conheci a Casa San Agustín, membro da Leading Hotels of the World, a convite do próprio Radisson Cartagena. O restaurante Alma, especializado em frutos do mar com leitura contemporânea, é bem gostoso. Tem vista para a pequena piscina em formato de L, por sua vez emoldurada pela parede em pedra de um aqueduto do século 17. Os 30 quartos, com decorações únicas, oferecem mix charmoso de detalhes contemporâneos e históricos, alguns com afrescos originais nas paredes. O hotel tem spa e solário com vista para a torre da universidade do século 19, onde estudou García Márquez (foto na abertura deste texto).

E agora? Qual o seu lado do muro?

A estrutura hoteleira na República Dominicana

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O novo Selina Vila Madalena, em São Paulo

A rede de hotéis Selina, sobre a qual a inspector Carla Lencastre já falou neste texto aqui, chega agora também à cidade de São Paulo. A nova unidade, Selina Madalena, está instaladana Rua Aspicuelta, em São Paulo, e abriu as portas há pouco mais de um mês.

A propriedade mescla hostel e hotel, com 164 camas divididas em 46 quartos, entre suítes, quartos privativos e dormitórios compartilhados. No começo de outubro, fiquei hospedada em uma das suítes do local, no segundo andar.

A suíte era bem espaçosa, com mural de um artista local em uma das paredes, mesa de trabalho, poltrona, cama king e excelentes roupas de cama. O banheiro também era grande, com pia dupla, e amenidades ecologicamente corretas, em grandes recipientes reutilizáveis. A suíte também conta com uma belíssima varanda voltada para a frente do edifício.

Visitei também um dos quartos privativos, bastante menor e sem a bossa da suíte (nada de grafites, poltronas ou pontos mais coloridos no quarto). Não há telefone em nenhum dos quartos e apenas a suíte conta com um projetor de smartTV. Vale saber que, como os quartos e suítes contam com imensas janelas de vidro, e como a propriedade está em uma das mais animadas ruas da Vila Madalena, boa parte da animação do lado de fora “vaza” para o lado de dentro durante a noite, sobretudo de quinta a sábado.

Tanto para os dormitórios compartilhados como para os quartos privativos e suítes, vale saber que apenas o wifi (de bem boa qualidade) está incluído. Todos os demais ítens, inclusive café da manhã, são cobrados à parte.

A área do hotel batizada de Selina Home permite que os hóspedes do Selina Madalena tenham acesso a uma cozinha comunitária, biblioteca e cinema.

Os espaços comuns são o grande trunfo da propriedade, a começar pela decoração descontraída e muito colorida, com obras de artistas locais como Hanna Lucatelli, Apolo Torres, Verdeee e Filipe Grimaldi mescladas com diversos objetos de décor.

Além do gostoso lounge em frente à recepção, o hotel conta com um lounge ao ar livre repleto de mesas comunitárias, que faz sucesso dia e noite com hóspedes e visitantes. É bem em frente a esse espaço que ficam um descolado restaurante+bar e um food truck com ítens grab&go (café, refrigerantes, salgados, doces e até cervejas). O food truck funciona até 19h apenas e o restaurante até 23h. As áreas comuns estão todas abertas a não hóspedes e já estão sendo frequentadas por moradores da região.

A propriedade conta ainda com uma disputada área de cowork, cuja utilização se dá mediante um fee mensal, para profissionais que realmente desejem usar o espaço como local de trabalho.

A rede panamenha Selina administra 39 propriedades em 12 países da América Latina e em Portugal, sempre neste mesmo estilo de hospedagem, e bastante voltada para os millennials. Os planos ambiciosos da rede, que andou recebendo novos aportes milionários, a chegar a 350 endereços diferentes nos próximos anos. Até o final deste ano, uma nova unidade em Florianópolis e os primeiros hotéis nos EUA (Miami e Nova York) devem ser inaugurados. No ano que vem, novos hotéis em Portugal e no Peru.

Dá para conferir mais informações sobre o Selina Madalena aqui.

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Arcos da Lapa Selina Rio

Como é o Selina Rio, o primeiro hotel da rede no Brasil

A rede panamenha Selina chegou ao Brasil pelo Rio de Janeiro. Assumiu o hotel 55 Rio, na Lapa, bairro histórico e boêmio no Centro da cidade. Poderia ser apenas uma mudança de administração, mas chama a atenção o modelo de negócio da Selina. A plataforma de mídia americana Skift, voltada para viagens, disse no final de 2018 que esta é a rede na qual você deve ficar de olho se quiser entender um pouco mais sobre como os millennials viajam.

Um dos quartos do Selina Lapa Rio
Um dos quartos do Selina Lapa Rio, novidade na hotelaria carioca | Foto de Carla Lencastre

Criada em 2015, a marca geralmente aluga um hotel que já existe, como era o caso do 55, inaugurado às vésperas das Olimpíadas do Rio, e faz ajustes na decoração e na distribuição dos espaços e suas ocupações. As 39 propriedades administradas pela rede em 12 países da América Latina e em Portugal oferecem quartos privativos, camas avulsas em quartos compartilhados, áreas comuns abertas aos moradores da cidade, como bares e restaurantes, e espaço de coworking.

Mural no Selina Lapa Rio
Mural na área ao ar livre que separa os dois prédios do Selina | Foto de Carla Lencastre

Em 2018, o até agora bem-sucedido modelo multiuso da rede, tendência na hotelaria mundial, chamou a atenção de investidores e recebeu dois aportes milionários, um de US$ 95 milhões, no início do ano, e outro de US$ 150 milhões, em dezembro. Os planos de expansão são ambiciosos. Segundo a revista americana Forbes, a marca pretende alcançar 350 endereços e um total de cem mil camas nos próximos anos.

Ainda neste 2019, há uma unidade prevista para São Paulo, na Vila Madalena, e outra para Florianópolis, na Praia Mole, onde o bar já está funcionando. Os primeiros hotéis nos Estados Unidos também devem ser inaugurados este ano, com Miami (Little Havana) e Nova York (Lower Manhattan) liderando a lista. Já com data marcada de abertura, entre março e maio, e aceitando reservas, há o segundo e o terceiro hotel em Portugal e o quarto no Peru.

O novo Selina Rio fica ao lado dos Arcos da Lapa

Fundada em 2015, a rede Selina se promove como um hotel para nômades digitais, que teoricamente podem morar e trabalhar em qualquer lugar. Quando visitei o hotel carioca, mês passado, a convite da marca, ainda não existiam o espaço de coworking nem a cozinha comunitária (outra característica da rede). Ambos estavam previstos para breve.

Um dos quartos compartilhados do Selina Lapa Rio
Um dos quartos compartilhados do Selina carioca | Foto de Carla Lencastre

O Selina Lapa Rio ocupa dois prédios no Largo da Lapa, um histórico, onde no início do século passado funcionou o Grande Hotel Bragança, e outro de 2016, construído nos fundos do terreno para abrigar parte do 55 Rio. O hostel está concentrado nesta construção mais nova, de oito andares. O Selina aproveita toda a infraestrutura do 55, inclusive nas acomodações que foram transformadas em dormitórios, com banheiro dentro do quarto.

Banheiro do Selina Lapa Rio
O banheiro é sempre assim. Só muda o tamanho | Foto de Carla Lencastre

Os dormitórios têm quatro, seis ou oito camas, com decoração clean, bem simples. Os banheiros são iguais em todo o hotel, apenas com variação de tamanho. Todos são em preto, branco e cinza, inclusive nos quartos mais caprichados do prédio histórico. O prédio novo tem ainda quartos privativos, com decoração minimalista, alguns com vista para Santa Teresa.

Quarto para casal no prédio novo do Selina Lapa Rio
Um dos quartos para casal no prédio novo | Foto de Carla Lencastre

No edifício histórico de três andares e terraço, o tom é outro. Não há dois quartos iguais, nem em tamanho nem em decoração, já que todos se adaptam à estrutura original do prédio. Toda a cor que falta no hostel está nesta parte da propriedade (com exceção dos banheiros monocromáticos). Os quartos mantêm o design do 55 Rio, que preservou elementos da construção, como paredes em pedra, e têm pisos em madeira e cores fortes nas paredes. Portas e janelas em madeira do prédio original também foram aproveitados na decoração.

Quarto do Selina Lapa Rio
Porta do antigo Grande Hotel Bragança usada como biombo | Foto de Carla Lencastre

O Selina Lapa Rio tem capacidade para 406 pessoas. Nas áreas comuns, todo mundo se encontra. O terraço fica entre as duas cúpulas do topo do prédio. Tem vista para os Arcos, logo ao lado, e também para o Aterro do Flamengo, um pouco mais distante. A ideia é que, a partir de março, seja endereço de festas noturnas. No térreo ficam o restaurante e o bar, que já abriga happy hours com DJs. Alguns hotéis da rede têm piscina, mas não é o caso aqui.

As duas cúpulas no terraço. Ao fundo, o Aterro do Flamengo | Foto de Carla Lencastre

O hostel, com 100% de ocupação neste carnaval, atende ao jovem viajando sozinho, a grupos de amigos, jovens casais e até famílias com filhos adolescentes (há quartos com cama de casal e beliches). O hotel é bom para quem já conhece o Rio e quer investir em uma programação cultural pelo Centro e nas noites da Lapa com algum conforto. O Selina fica pertíssimo de todos os bares e restaurantes da região e do Circo Voador e da Fundição Progresso, dois dos principais endereços de shows no Rio. Além do Teatro Municipal, do Museu Nacional de Belas Artes, das ruas do Rio Antigo… A estação Cinelândia do metrô está perto e dali se vai para as praias de Copacabana, Ipanema e Leblon. O VLT leva até o Aeroporto Santos Dumont.

O Selina não é a única novidade na hotelaria carioca. Acabou de reabrir o Hotel Arpoador, em um dos endereços mais privilegiados do Rio, na Praia de Ipanema. Vem aí o Fairmont, na Praia de Copacabana, a grande abertura do Brasil este ano. E no final do ano passado, foi inaugurado o Janeiro, de Oskar Metsavaht, no prédio do antigo Marina All Suites, na Praia do Leblon. Já o Hotel Marina, também no Leblon, continua em obras. Dizem que o Four Seasons está de olho, mas, por enquanto, são apenas rumores.

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