Mais que cartão postal, um lugar sagrado

Para muita gente, o Cristo Redentor é sinônimo de Rio de Janeiro. Um lugar para admirar a vista, tirar fotos e sentir a grandiosidade da cidade aos pés do Corcovado. Mas quem sobe até lá com um pouco mais de atenção percebe que o Cristo é mais do que um monumento famoso. Ele é, antes de tudo, um espaço sagrado, onde a fé católica acontece de forma concreta, viva e cotidiana.

Em 2025, essa dimensão espiritual ficou ainda mais clara. Ao longo do ano, cerca de 2300 celebrações religiosas foram realizadas no Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor. Não se trata de eventos pontuais, mas de uma rotina de fé que inclui missas, batismos, casamentos e peregrinações, integrando o Cristo à vida espiritual de milhares de pessoas.

As missas foram as celebrações mais frequentes, com 1036 celebrações ao longo do ano, um crescimento expressivo em relação ao período anterior. As peregrinações também aumentaram e chegaram a 204, mostrando que muitas pessoas escolhem subir ao Corcovado não apenas por turismo, mas como gesto de devoção, agradecimento ou busca interior. Os casamentos celebrados no santuário somaram 128, revelando o desejo de muitos casais de viver esse momento em um lugar carregado de simbolismo e espiritualidade. Já os batismos se mantiveram em torno de mil celebrações, confirmando o Cristo Redentor como espaço de acolhimento para novas vidas e novos começos.

Por trás desses números estão histórias simples e profundas. Famílias reunidas, crianças apresentadas à fé, casais iniciando uma nova etapa da vida, grupos que caminham juntos em peregrinação. Entre turistas e fiéis, o santuário encontra seu equilíbrio, oferecendo tanto a beleza da paisagem quanto a experiência do encontro com o sagrado.

O Cristo Redentor também abriga espaços de oração e celebração que reforçam essa vocação espiritual, como a Capela de Nossa Senhora Aparecida e a Capela de Adoração Laudato Si’. Em 2025, foi inaugurada ainda a Sala da Gratidão, um espaço dedicado a testemunhos e agradecimentos, onde fiéis deixam mensagens, objetos e relatos como sinal de reconhecimento por graças recebidas.

Tudo isso ajuda a lembrar que o Cristo Redentor não é apenas um símbolo visto de longe. Ele é um lugar vivido, onde fé, cidade e pessoas se encontram. Um espaço onde a paisagem impressiona, mas onde o que realmente marca é a experiência de pertencimento, acolhimento e espiritualidade.

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Ricardo Hida

Doutorando, Mestre em Ciência da Religião e pesquisador da PUC-SP em Turismo religioso. Autor e coautor de 9 livros, 3 deles best sellers. Graduado pela FAAP e pós-graduado pela Casper Líbero, trabalhou na Air France, Accor, Atout France e hoje dirige a Promonde. Está à frente também do Fórum de Turismo e Espiritualidade. Viaja o mundo para viver experiências transformadoras e místicas.

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