Peru lança Caminhos de Leão XIV

Caminhos do Papa Leão XIV, um roteiro para renovar sua oferta de viagens ao Peru

E o Peru se consolida mais uma vez como destino espiritual. Desta vez não é Machu Picchu o cenário principal. Nosso vizinho acaba de se posicionar de maneira estratégica com o lançamento da rota “Caminhos do Papa Leão XIV”. Inspirado na trajetória de Robert Prevost — missionário que fez do Peru sua segunda casa antes de se tornar o Papa Leão XIV —, o roteiro é muito mais que uma proposta espiritual: é um produto turístico completo, que combina fé, cultura, patrimônio histórico e identidade local. Para os agentes de viagens, trata-se de uma oportunidade rara de apresentar aos clientes católicos brasileiros um itinerário inédito e altamente atrativo, capaz de dialogar com diferentes perfis de viajantes.

A rota percorre quatro regiões peruanas — Piura, Lambayeque, La Libertad e Callao — reunindo 39 atrações entre igrejas coloniais, catedrais imponentes, conventos históricos, museus e sítios arqueológicos. Em Piura, o visitante pode reviver os primeiros passos missionários do Papa em cidades como Chulucanas, onde a fé se mistura à tradição artesanal das cerâmicas coloridas. Em Lambayeque, coração de sua atuação episcopal, a Catedral de Chiclayo e o Convento de Santo Agostinho dividem espaço com tesouros arqueológicos mundialmente conhecidos, como os Túmulos Reais de Sipán e o Complexo de Túcume. Já em La Libertad, a cidade de Trujillo oferece um mergulho no esplendor do barroco andino, com praças coloniais e conventos que preservam séculos de história. O trajeto se completa em Callao, próximo a Lima, onde igrejas e santuários se misturam à atmosfera cultural de um porto histórico.

O diferencial desse roteiro não está apenas na variedade de atrações, mas também no forte investimento público: estima-se que mais de 500 milhões de soles sejam aplicados em restauração de igrejas, ampliação de museus e melhorias de acesso, garantindo qualidade e segurança à experiência dos visitantes. Para os agentes, isso significa ter nas mãos um produto confiável, estruturado e pronto para ser comercializado de forma integrada aos roteiros já consolidados no Peru, como Lima, Cusco e Machu Picchu.

Além do aspecto religioso, os Caminhos do Papa Leão XIV oferecem múltiplas possibilidades de venda. Peregrinos e grupos paroquiais encontrarão no percurso uma vivência de fé e introspecção; famílias poderão explorar cultura, gastronomia e artesanato; viajantes curiosos terão a chance de descobrir um Peru diferente, autêntico e pouco explorado. Essa versatilidade torna o roteiro uma carta valiosa para ampliar a carteira de clientes, seja em viagens em grupo, pacotes personalizados ou extensões temáticas.

Mais do que vender uma viagem, os agentes de viagens têm aqui a chance de oferecer uma jornada transformadora: caminhar pelos mesmos lugares que moldaram a vida de um Papa e, ao mesmo tempo, vivenciar o encontro entre espiritualidade e cultura no coração do Peru. É a oportunidade de emocionar os clientes com um produto único, que une tradição, inovação e uma forte conexão com a identidade do povo peruano. E o melhor, com preços bem atrativos e sem grandes problemas burocráticos.

arac masin

casamento e o sagrado

Cerimônias de casamento podem ser encaixadas na categoria turismo de fé. Basta que o casal se submeta a um ritual religioso.

Até recentemente, casamentos grandes e tradicionais da Igreja Católica eram unânimes no Brasil, e cerimônias íntimas fora do país eram consideradas extravagantes. A ordem era o vestido branco, com véu, grinalda, coral e pompa nas igrejas tradicionais. Hoje a situação mudou e casais buscam experiências autênticas, cheias de simbologia, com duas ou três testemunhas em lugares paradisíacos. E a ideia de renovar os votos – após 1, 5, 10, 15 e 25 anos de casamento – também explica a popularidade das cerimônias a dois.

Cerimônias indígenas, assim como aquelas das religiões de matriz africana ganham popularidade. Basta ver a repercussão do casório da atriz Cléo Pires.  A tendência maior, no entanto,  é o Arac Masin – ou casamento andino. A cerimônia une milhares de casais incas há séculos e carrega uma série de elementos simbólicos muito bonitos e tradicionais de uma das civilizações mais antigas das Américas. O casamento, realizado no meio da natureza, é realizado por um Yachaq (sábio andino) que invoca os Apus (espíritos das montanhas), Pachamama (mãe terra), Chaskas (as estrelas) e Wilka Nina (o fogo sagrado) para celebrar um pacto eterno entre o casal. Tudo acontece no dialeto quéchua (língua dos incas) e tem duração média de uma hora.

A cerimônia não é restrita apenas aos moradores locais. Nos últimos anos, o casamento andino se tornou uma das experiências mais procuradas por viajantes de todo o mundo, mas só agora começa a atrair os brasileiros. É importante lembrar, porém, que a cerimônia, repleta de cores, pedras, velas, penas, coca, sementes, flores e incensos, é uma celebração simbólica, sem valor legal.

O casal, com trajes típicos andinos, cobertos por uma capa colorida, recebem as benção dos papa mensaqoc. Em seguida a noiva recebe uma coroa de flores e o casal segue para uma cabana. Há orações, incenso e juras de amor, com as mãos do casal entrelaçadas por uma fita.

Da mesma maneira, cerimônias pataxós têm feito muito sucesso no sul da Bahia, perto de Trancoso. Diferentemente do que acontece no hinduísmo, no protestantismo e na igreja católica, certos movimentos religiosos não exigem conversão para que a cerimônia possa acontecer. No caso da Itália e França, é possível se casar em igrejas católicas desde que uma série de protocolos sejam respeitados.

O importante é entender que múltiplas são as expressões do turismo de fé. Viagens e espiritualidade podem, sim, ser o casamento perfeito.