Reflexão sobre o prazo de pagamento a perder de vista

 

Rubens Schwartzmann

O tema é recorrente e já foi objeto de manifestação da Abracorp aqui nesse espaço. Continuamos assistindo, estarrecidos, à falta de limites e de bom senso de players do mercado de viagens corporativas no que tange a prazos de pagamentos aos serviços oferecidos pelas nossas TMCs. Os disparates vão de 30, 60, 90 e até 120 dias! São prazos impraticáveis sob todos os aspectos – e não há como sustentá-los. Basta lembrar que o prazo IATA é semanal e dos hotéis é, em média, 15 dias da data do check-out.

Sustentabilidade. Observem onde chega a ironia desta situação que em nada contribui para a harmonização das relações comerciais entre as agências e o mercado. Depois da imposição de prazo fora de qualquer propósito, registram no documento licitatório (BID) indagação a respeito das práticas de sustentabilidade da TMC

Aqui cabe recapitular o conceito universalmente conhecido e aceito de sustentabilidade. Há cerca de 25 anos, o sociólogo e consultor britânico John Elkington formulou o Triple Bottom Line – o tripé da sustentabilidade. A expressão também é conhecida como ‘os três ps’: people, planet and profit, que em português é o ppl – pessoas, planeta e lucro.

Durante muito tempo se acreditou, de forma equivocada, que a sustentabilidade estaria diretamente relacionada ao meio ambiente. Então as empresas começaram a fomentar projetos de preservação da flora e da fauna, de reflorestamento, de proteção a espécies ameaçadas de extinção, entre outras ações pontuais. Embora válidas, não representam, em si, o conceito mais amplo do desenvolvimento sustentável.

Portanto, o tripé da sustentabilidade (social, ambiental e econômico) determina que uma empresa deve atuar de forma que esses três pilares coexistam e interajam entre si de forma harmoniosa. O social envolve todo capital humano direta ou indiretamente relacionado às atividades desenvolvidas. O ambiental se refere às condutas que impactem o meio ambiente, no curto, médio e longo prazos. O plantio de árvores, com intento compensatório à emissão de gases na atmosfera, raramente vai além de estratégia de marketing.

Por fim, o pilar econômico. Para que uma empresa seja economicamente sustentável, deve ser capaz de produzir, distribuir e oferecer seus produtos ou serviços de forma que estabeleça uma relação de competitividade justa em relação aos demais concorrentes do mercado. E os três pilares devem estar alinhados com os objetivos da empresa. Não podem ser definidos com base em ações pontuais ou simplesmente compensatórias.

Voltando ao tema da imposição de prazos, nada indica que os adeptos desta visão distorcida estejam preocupados com o conceito correto de sustentabilidade. É uma pena, porque se esquecem do básico: sem resultado econômico, o tripé se desfigura e o resto não para em pé.

IATA prorroga prazo para cumprimento do PCI-DSS

Rubens Schwartzmann
No último dia 29 de março, recebi carta assinada por Carlos Ebner, Country Director – Brazil da International Air Transport Association (IATA), em que dá conta do cumprimento do padrão PCI-DSS. O texto enfatiza que o tema, de impacto global, teve o seu cumprimento estendido até março de 2018, “apesar de a data efetiva ser 1º de junho de 2017”. Acrescentou que a IATA está trabalhando para apoiar as associadas Abracorp, de modo que o processo seja bem sucedido e que “venha minimizar a fraude em nossa indústria. A IATA continuará atualizando constantemente o website dedicado ao tema PCI-DSS”.
Diante da relevância da decisão e o impacto dela no âmbito das nossas associadas, abrimos nossa reunião mensal, no dia 30 de março, com o PCI-DSS em pauta. Contamos com a participação de Carlos Caetano, Associate Regional Director – Brazil, da PCI Security Standards Council (foto). Sua explanação sucinta e didática, incluiu a informação de que, segundo a IATA, as perdas anuais com fraudes chegam a 1 bilhão de dólares.
Embora o tema PCI-DSS possa parecer novo entre nós, sua instituição se deu em 2006, por iniciativa das cinco principais marcas de cartões de pagamento – American Express, Discover Financial Services, JCB International, MasterCard e Visa Inc. Não há dúvida que as fraudes, especialmente aquelas praticadas por meio de cartões de pagamento, se tornaram em autêntico transtorno para os players da indústria como um todo. E, em especial, para a indústria de viagens corporativas.
Diante disso, não há como nem porque se colocar contra a decisão da IATA em relação ao PCI-DSS. Porém, é preciso ter claro que a conformidade ao padrão PCI-DSS exigirá investimentos e mudanças de processos na cadeia de valor, buscando minimizar as perdas por fraudes.