Tivoli Maiorana Belém Pará

Review: Tivoli Maiorana Belém do Pará

Fazia tempo que uma inauguração hoteleira não movimentava tanto a região Norte do Brasil. MUITO tempo mesmo. A expectativa do mercado foi enorme. Mas o Tivoli Maiorana Belém Pará conseguiu abrir as portas no final de 2025, ainda que em soft opening, bem a tempo da COP30 em Belém, e continua causando (bom) barulho até hoje.

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A capital paraense ganhou a mais nova unidade da Tivoli Hotels, marca portuguesa fundada em 1933 que já tinha outras duas propriedades no Brasil (Tivoli Mofarrej, em São Paulo, e Tivoli Praia do Forte, na Bahia) e que integra o portfólio da Minor Hotels.

Tivoli Maiorana Belém Pará
foto: Mari Campos

Quase seis meses após a abertura das portas, mas ainda em fase de ajustes operacionais, o Tivoli Maiorana pretende ser primeiro hotel de luxo de Belém. E é sem dúvidas um marco importante para a hospitalidade amazônica em geral.

A localização do hotel é imbatível na cidade, seja para lazer ou negócios. Localizado no bairro de Campina, fica realmente vizinho a algumas das principais atrações turísticas de Belém, como a Estação das Docas, o Ver-o-Peso e o Theatro da Paz – e a poucos metros da orla da Baía do Guajará, visível de boa parte de suas acomodações.

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Tivoli Maiorana Belém Pará
foto: Mari Campos

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Como é se hospedar no Tivoli Maiorana Belém do Pará

Batizado em homenagem à cidade e à família investidora do hotel, o Tivoli Maiorana Belém Pará tem 176 acomodações, incluindo duas suítes presidenciais. A maioria delas são unidades deluxe bastante espaçosas, com janelas do chão ao teto. Vale cacifar a categoria “vista rio”, sobretudo a partir do sétimo andar, para ter uma bela vista da orla, do rio e da floresta sem nem sair da cama.

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Há cápsulas de café cortesia, serviço de turndown com os clássicos chocolatinhos da marca Tivoli e a propriedade também deixa eventualmente seus próprios “mimos” locais, como biscoitos tradicionalmente feitos na região.

O hotel ocupa um edifício de arquitetura brutalista que passou por um grande retrofit e por muito tempo abrigou a Receita Federal. Durante a COP, hospedou diversas delegações internacionais – inclusive o Príncipe William, do Reino Unido, que se hospedou em uma acomodação deluxe comum, no nono andar.

Tivoli Maiorana Belém Pará
foto: Mari Campos

O Tivoli Maiorana Belém Pará conta também com duas piscinas em um amplo espaço com solário, uma pequena academia e cinco oportunidades gastronômicas, entre restaurantes e bares. A expectativa é inaugurar também uma unidade do Anantara Spa nos próximos meses.

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Embora importante ajustes de adequação ainda se façam necessários em vários setores da propriedade, inclusive A&B, é a oferta gastronômica que está transformando o hotel também em um ponto de encontro de alguns dos moradores de Belém.

O maior destaque fica por conta do SEEN Belém, o restaurante e bar instalado no rooftop do andar 17 e assinado por Olivier da Costa. O local oferece realmente belíssimas vistas panorâmicas da cidade – vale visitar especialmente ao pôr do sol e depois ficar para ver as luzes de Belém se acendendo. O menu, tanto de comes quanto de bebes, é bem similar ao de São Paulo, sem importantes novidades locais. Há DJs nos finais de semana.

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O hotel também oferece o Must Restaurant (que serve o café da manhã diariamente, almoço e também feijoada aos sábados); o Itália Wine Bar & Trattoria, com menu de inspiração italiana; e o The Lobby Café, logo à entrada da propriedade, para cafés, drinks e lanches rápidos. Há ainda um bar na piscina, quase anexo ao Must.

Bastante focado no setor MICE na cidade, inclusive em termos de hospedagem em geral, o Tivoli Maiorana Belém Pará tem ainda um andar exclusivo para eventos, com capacidade para até 500 pessoas.

A Tivoli Hotels & Resorts tem propriedades também em Portugal, Qatar, China, Itália, Espanha e Holanda, operando 20 empreendimentos diferentes no total, e com novos hotéis no pipeline.

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Rosewood São Paulo

Review: Rosewood São Paulo

Não é tarefa nada simples inovar na hotelaria de luxo paulistana. Mas o Rosewood São Paulo definitivamente conseguiu: criou um resort urbano que se orgulha dessa “urbanidade”. E, principalmente, que mostra ter orgulho também do próprio destino no qual decidiu se instalar.

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Grande “case” da hotelaria nacional recente, a primeira propriedade da marca Rosewood na América Latina é o típico hotel-destino: tem hóspede que sequer sai de seus limites físicos durante a estadia, numa conquista comum a várias outras propriedades da mesma bandeira.

Rosewood São Paulo
foto: Mari Campos

Com ambientes que o tempo todo fazem pequenas (e grandes) declarações de amor a São Paulo e ao Brasil, não por acaso, seus espaços sociais são diariamente frequentados por moradores da capital paulista e as reservas domésticas são tão numerosas quanto as internacionais.

Inaugurado em 2022 e tomado por certo estardalhaço nos anos seguintes, o Rosewood São Paulo está finalmente sob nova gerência, os maus tempos para a equipe do hotel parecem ter ficado definitivamente para trás. Ufa, ainda bem! E o hóspede percebe isso claramente na própria coreografia diária dos serviços, seja nos corredores, na piscina ou nos restaurantes.

Foi um prazer passar alguns dias em completa imersão no hotel no começo deste ano. E o resumo desta estadia você confere agora, nos próximos trechos deste texto.

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Rosewood São Paulo
foto: Mari Campos

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Ode à brasilidade

Parte do projeto de revitalização arquitetônica batizado de Cidade Matarazzo, na Bela Vista (que engloba também residências, centro cultural, capela, espaço de eventos, edifício empresarial e shopping center), o Rosewood São Paulo ocupa dois edifícios do complexo.

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Um deles é novinho, torre projetada por Jean Nouvel; o outro é antigo, dos anos 1940, e foi completamente restaurado – embora diversos sinais de que funcionava como maternidade originalmente sigam visíveis.

Os dois edifícios estão imersos em um cenário de belos jardins horizontais e verticais de vegetação tropical muito exuberante, tomados majoritariamente por espécies nativas da Mata Atlântica.

Muitas delas, aliás, estão estampadas também nos elevadores em adoráveis e divertidos desenhos, agrupados por “finalidade” (há um ilustrado apenas com itens alucinógenos). 

O design interior de Philippe Starck não é em nada extravagante como em diversas propriedades que elevaram sua fama na hotelaria internacional. Pelo contrário: é extremamente elegante e acolhedor. E muito, muito brasileiro.

Inclui, além de peças icônicas do design nacional compradas ou garimpadas por aí (móveis, objetos, tecidos, tapetes, papéis de parede etc), outras feitas sob medida, especialmente para o hotel. Tem ainda 30 tipos de mármore diferentes na propriedade, distintas variedades de madeira e obras de 57 artistas brasileiros espalhados por literalmente todos os ambientes – tudo orgulhosamente made in Brazil.

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Rosewood São Paulo
foto: Mari Campos

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Como é se hospedar no Rosewood São Paulo

O Rosewood São Paulo tem acomodações em suas duas torres e com várias categorias diferentes. São 180 unidades no total, todas com discretos tons de madeira e estampas coloridas ou toques de cores vibrantes em objetos ou tecidos – além de livros, gravuras, fotos e até um violão na parede.

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Mesmo a categoria de entrada tem cama king-size, enxoval Trousseau, bastante espaço e vista para o verde. Os grandes banheiros em mármore branco e preto são ponto altíssimo, todos com rain shower, vasos sanitários TOTO e belo set de amenidades Votary.

No turndown, um detalhe muito querido: colocam sobre a cama um livro aberto em uma poesia ou música brasileira.

Há também café e água cortesia, confortáveis pantufas de quarto e belos chinelos de plástico produzidos em parceria com a Melissa (esses últimos infelizmente cobrados à parte). A única parte desagradável nas acomodações fica por conta do excesso de produtos à venda na própria bancada do banheiro, desnecessário e poluindo demais o visual.

Nos ambientes públicos do Rosewood São Paulo, a playlist baixinha com MPB é discreta, nunca atrapalhe as conversas que se desdobram ao vivo. Até a entrada do hotel é diferente, com jeito meio de sala de estar (embora exista uma câmera bem em cima do honesty bar do lobby, que talvez não ande lidando com tanta honestidade assim…).

Há também (muita) literatura nacional forrando colunas e ganhando destaque sobre móveis. Até os tapetes feitos sob medida também homenageiam a nossa flora. E a oferta gastronômica é excelente.

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O charmoso Le Jardin é o coração do hotel, aberto o dia todo. Com um áreas interna e externa, serve um excelente café da manhã à la carte também. E se vale da iluminação para criar ambientações bem diferentes a cada refeição.

Nas laterais do Le Jardim, de um lado fica o delicioso Blaise, de sotaque francês, sob comando do chef Fernando Bouzan; do outro, o impecável Rabo di Galo, de coquetéis e serviço excelentes e ótima música ao vivo. Integrado às estruturas originais da Maternidade, fica o Taraz, do chef Felipe Bronze, inspirado na culinária sul-americana e à lenha.

A propriedade ainda tem o Emerald Garden Pool & Bar, que charmosamente contorna a linda piscina principal, servindo pratos leves e rápidos durante o dia; e o discreto Bela Vista Rooftop Pool & Bar, no topo da torre de Novel, com drinks e petiscos.

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A imperdível piscina principal, aliás, exclusiva para hóspedes, é ladeada não apenas por espreguiçadeiras como também por belíssimas cabanas que garantem serviço exclusivo e muita privacidade.

O Rosewood São Paulo oferece para o lazer duas piscinas externas, estúdio de ioga/pilates, excelente academia 24 horas e um belíssimo Asaya Spa by Guerlain (a Sala de Cristal é imperdível). Para os negócios, tem mais de 9.300 metros quadrados de espaço para reuniões e eventos.

Agora ficou mesmo muito, muito difícil, não se encantar por esse novo monumento à hospitalidade nacional.

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Silver Whisper Silversea

Cruise Review: Silver Whisper, Silversea

Não é simples manter a consistência do serviço em uma frota de navios com estilos e tamanhos hoje tão diversos entre si. E talvez esse seja um dos pontos mais notáveis da Silversea atualmente, como pude confirmar em mais uma viagem a bordo do Silver Whisper.

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Em fevereiro, viajei mais uma vez com a armadora (que se juntou ao grupo Royal Caribbean e, por isso mesmo, agora faz paridade de status para todos os programas de fidelidade do grupo em suas viagens) em um roteiro que tinha o Brasil como principal atração.

Ao longo de duas semanas, naveguei entre Buenos Aires e o Carnaval na cidade do Rio de Janeiro, com direito a um excelente show temático dentro do próprio navio na data.

Silver Whisper Silversea
foto: Mari Campos

Construído em 2001 e reformado pela última vez em 2024, o Silver Whisper é uma das embarcações mais antigas da Silversea mas conserva bem seu charme com ares old fashioned. Tem capacidade máxima para 392 passageiros (em ocupação dupla) e um contingente de 302 membros do staff sempre a bordo, criando uma excepcional proporção de quase 1 para 1 entre tripulantes e hóspedes.

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É claro que o tamanho bastante reduzido em relação aos novos navios da armadora (sobretudo em relação ao Silver Ray e ao Silver Nova, seus dois últimos lançamentos) traz menos espaços sociais e, sobretudo, menos opções gastronômicas. O décor também é inegavelmente mais cansado, mas nem por isso menos eficiente e acolhedor. E o mais importante: a qualidade dos serviços continua impecável.

Silver Whisper Silversea
foto: Mari Campos

Foi uma delícia retornar a uma das primeiras embarcações da Silversea que conheci, tendo a chance de vê-la reformada, justamente em um dos itinerários mais procurados (em geral) por brasileiros que embarcam em seu primeiro cruzeiro.

Confira a seguir como foi viajar a bordo do Silver Whisper, com escalas em Buenos Aires, Punta del Este, Camboriú, Paranaguá, Ilhabela, Ilha Grande, Búzios e Rio de Janeiro, ao longo de duas semanas do verão brasileiro – com excelentes pernoites no porto tanto em Buenos Aires quanto no Rio de Janeiro, em pleno Carnaval.

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Silver Whisper Silversea
foto: Mari Campos

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Como é viajar a bordo do Silver Whisper

Composto 100% por suítes, como toda a frota da Silversea, o Silver Whisper (“irmão gêmeo” do navio Silver Shadow) navega atualmente por destinos da América do Sul, Ásia, Polinésia Francesa e Mediterrâneo. Passou o último verão praticamente todo no cone sul das Américas.

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Seu tamanho reduzido agrada bastante os hóspedes mais fiéis da armadora, principalmente os de mais elevada faixa etária e que viajam com a Silversea desde o começo. Afinal, num navio menor há menos decks, menos percursos entre suítes e áreas comuns, e definitivamente maior entrosamento entre hóspedes.

Como em todos os itinerários da Silversea, a tripulação se esforça para aprender rapidamente nomes e/ou sobrenomes dos hóspedes, assim como preferências em drinks, cafés etc. E é um esforço genuíno do processo de treinamento contínuo da armadora, até porque ela opera sempre com política que desestimula fortemente a prática de gorjetas (que já estão sempre incluídas em todas as tarifas) a bordo.

E é adorável como essa “memória adquirida” para cada viagem perdura: tive o enorme prazer de reencontrar no Silver Whisper alguns tripulantes com os quais já tinha viajado antes, em outras embarcações da armadora, e que se lembraram rapidamente não apenas do meu nome como do meu coquetel favorito e de como gosto do meu café pela manhã. Um padrão de serviço e atenção aos detalhes consistente, realmente louvável.

Todos os cruzeiros nos navios da Silversea incluem em sua tarifa acomodações 100% suítes com serviço de mordomo, todas as refeições (com liberdade inclusive para frequentar mais de um restaurante por vez), room service, bar aberto 24h, minibar, todas as taxas e gorjetas, wifi e até caviar&champagne servidos a qualquer hora, durante todo o itinerário. Transfer cortesia para o centro das cidades também é oferecido sempre que o porto ficar afastado.

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Silver Whisper Silversea
foto: Mari Campos

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100% suítes e gastronomia de primeira

Todas as acomodações do Silver Whisper são suítes e a maioria possui varanda privativa mobiliada. Há bastante espaço disponível entre quarto, living, banheiros com ducha e banheira separada, pias duplas e excelentes walk-in closets, mesmo nas menores suítes.

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O minibar é reabastecido diariamente com as bebidas alcoólicas e não alcoólicas favoritas de cada hóspede e agora (felizmente!) há máquinas de café disponíveis em todas as acomodações.

As amenidades de higiene disponíveis em todas as suítes no dia de embarque são da as da linha própria da Silversea, mas é possível pedir a troca delas, a qualquer momento e como cortesia, pela linha da Bulgari, ainda a favorita dos hóspedes mais fiéis à armadora.

Apesar do tamanho reduzido, o Silver Whisper oferece quatro ótimos restaurantes diferentes: o The Restaurant (o principal restaurante do navio, com serviço sempre à la carte e aberto em todas as refeições, sem necessidade de reserva); o italiano La Terrazza (que oferece café da manhã e almoço em sistema buffet e jantar à la carte); o informal The Grill (ao ar livre, aberto para almoço e jantar); e o sofisticado francês La Dame (aberto exclusivamente para jantar e o único que cobra uma taxa de reserva de US$ 60 por pessoa).

Uma adição importantíssima na última reforma do navio foi o Atrium Bar & Café, no deck principal, que funciona mais ou menos como o adorado Arts Café das embarcações mais novas da Silversea.

Aberto todo o dia, serve os melhores cafés a bordo, frutas, sanduíches, snacks e uma caprichada pâtisserie o dia todo, além de drinks em geral. Com um acolhedor lounge e impecável serviço, é o grande ponto de encontro dos hóspedes a qualquer hora do dia – ou da noite.

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Há que se considerar também o excelente serviço de quarto do navio, com os mordomos servindo atenta e cuidadosamente as refeições solicitadas, passo a passo, 24h por dia. Não à toa, todo hóspede acaba fazendo pelo menos alguma de suas refeições na própria suíte.

Ah! Os excelentes bares a bordo também servem não apenas todos os clássicos como cada um deles (são quatro, no total, além do Atrium, já mencionado aqui) tem seu próprio menu de drinks signature. Para mim, os melhores coquetéis do Silver Whisper estão sempre no The Bar, no deck 5.

Ao longo da viagem, há também palestras, seminários, excelentes (e bem variadas) performances no teatro, demonstrações de culinária, degustações, piscina de água salgada (sempre com muitas espreguiçadeiras sempre disponíveis ao redor), lavanderias self-service espalhadas pelo navio, um pequeno e discreto cassino, espaço para bocha, golfe e uma excelente academia. Aliás, a Silversea oferece (sem custo extra) aulas de ioga, circuitos, Pilates e dança de salão. Apenas os serviços do spa são cobrados à parte.

Sempre uma excelente, impecável viagem, em qualquer destino.

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Kurotel

Kurotel chega a São Paulo com o Kur Wellness

O Kurotel – Centro Contemporâneo de Saúde e Bem-Estar, propriedade focada em prevenção, medicina integrativa e longevidade de Gramado, RS, acaba de abrir sua primeira filial: o Kur Wellness São Paulo, que representa um passo histórico para a instituição fundada há mais de quatro décadas pelo médico Luis Carlos Silveira.

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No começo deste 2026, tive o prazer de passar alguns dias no Kurotel para conhecer a fundo seu método, que agora passa a ser aplicado também no Kur Wellness São Paulo. Inaugurado em 1982, foi a primeira propriedade brasileira com foco em saúde e bem-estar, numa época em que termos como “turismo de bem-estar” nem existiam.

Hoje, a propriedade é administrada pela dra. Mariela de Oliveira Silveira, filha do dr. Luis, e ocupa impressionantes 10 mil m² de área construída rodeada de muito verde. A decisão de inaugurar uma segunda unidade na capital paulista foi estratégica e uma resposta à própria demanda de clientes, já que a cidade concentra uma parcela significativa de usuários do método. Dra. Mariela ficará à frente da equipe de São Paulo também.

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Kur Wellness São Paulo
Kur Wellness São Paulo. foto: divulgação

O Kur Wellness, que trabalhará sem a possibilidade de hospedagem no local, tem o mesmo foco em saúde e wellness da propriedade em Gramado, oferecendo sobretudo cuidados voltados à longevidade e qualidade de vida através de técnicas, terapias e tecnologias exclusivas do Kurotel

No entanto, muitos dos equipamentos que passam a ser utilizados em São Paulo foram desenvolvidos especialmente para o novo local, como uma banheira de microbolhas (para hiperoxigenação, estimulação da renovação celular, melhora da circulação e revitalização da pele) e a sauna de infravermelho (com ondas específicas de calor profundo para auxiliar na redução de dor muscular, no aumento da performance física, na desintoxicação metabólica e na melhora da qualidade do sono).

No Kur Wellness passam a ser oferecidas, a partir de agora, terapias avulsas, circuitos e também programas completos de 6 e 12 meses, com acompanhamento semanal ou quinzenal da equipe do Kur, como uma espécie de clube.

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Kurotel
foto: Mari Campos

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Como é se hospedar no KUROTEL

A minha hospedagem no Kurotel neste começo de 2026 mudou a minha relação com a prática de atividade física. A dra Mariela e sua equipe médica foram pioneiras em entender como reintroduzir a prática frequente e disciplinada de atividade física na vida de alguém que não tem rotina e está constantemente em viagem.

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Fica claro desde nossa chegada que ali cada estadia é 100% customizada, das consultas aos exercícios, das terapias às refeições. Todo hóspede pode passar, como parte do programa que escolher (anti-stress, longevidade, pós-cancer etc) por atendimentos de clínicos gerais, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas.

Mas nada é obrigatório, nunca. Toda a programação personalizada é, na prática, 100% maleável, podendo ser facilmente adaptada às preferências de cada hóspede. A alimentação também é sugestiva; afinal, todo mundo ali é adulto e sabe de suas próprias necessidades e vontades na busca por qualidade de vida e longevidade.

Mas vale destaque: a gastronomia do Kurotel é realmente excelente, com refeições servidas sempre à la carte, em três passos, com apresentação perfeita, porções generosas e cheias de sabor. Peixes, carnes (exceto vermelha), risotos e até feijoada fazem parte do farto menu. E, para os amantes de café como eu, o café ali também é ótimo.

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As acomodações são muito espaçosas (fiquei na ala nova, mais contemporânea), com ótimo serviço de hotelaria dia e noite.  E há equipamentos médicos excelentes, novinhos, para garantir avaliações físicas bem precisas – recebi ali, aliás, a análise de composição física mais detalhada da minha vida.

E, ao contrário das experiências que tive em outras propriedades do nicho, no Brasil e no exterior, foi no Kurotel que, pela primeira vez, me deram orientações para ter uma vida mais saudável que são realmente plausíveis de execução dentro da minha agenda maluca de trabalho, viagens e fusos.

Os instrutores criaram inclusive um treino com exercícios de calistenia que, associados ao uso de elásticos/faixas, podem se ajustar fácil e regularmente aos meus horários e à minha impossibilidade de rotina – e essa prática está dando bem certo nas minhas viagens desde então, mesmo nos itinerários mais corridos.

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E mais importante ainda: a estadia no Kurotel é realmente prazerosa, do começo ao fim. Afinal, ao invés de encher a agenda do hóspede com cansativas palestras cheias de blablablá, eles apostam majoritariamente em atividades individuais personalizadas associadas a momentos de socialização (a grande aposta do wellness tourism em 2026), como as hilárias aulas de “dança” com o instrutor Rodrigo e as ótimas “noites musicais” no living.

Há ainda uma grande academia de ginástica, piscinas interna e externa (ambas climatizadas), spa com diversas salas para terapias e massagens e o Espaço das Águas, voltado para ótimos tratamentos termais.

Para o hóspede do Kurotel, que já passou por esse importante processo da hospedagem completa em Gramado, o novo Kur Wellness São Paulo pode também representar uma ótima maneira de testar novos produtos e serviços do método de maneira mais dinâmica.

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Espanha Futebol

Como o Futebol movimenta a hospitalidade espanhola

O mercado global de turismo esportivo está em plena – e contínua – expansão neste 2026. Deverá atingir dois trilhões de dólares até 2030. E, dentre efeitos claramente sentidos por grandes eventos internacionais (como Copa do Mundo, Olimpíadas, NFL, abertos de tênis etc), tem sido muito interessante observar como o futebol movimenta a hospitalidade espanhola ao longo de todo o ano.

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O turismo esportivo tem se revelado um dos segmentos com maior potencial para reduzir a sazonalidade destinos. E a Espanha vem se destacando bastante neste segmento, diversificando através dele o setor turístico nacional – em grande parte graças aos jogos da LALIGA, a “primeira divisão” do futebol profissional masculino espanhol.

E, em se tratando de viajantes da América Latina, o crescimento parece estar sendo ainda mais rápido quando o assunto é futebol, em movimento em boa parte impulsionado pelos jogadores latinos na LALIGA – inclusive brasileiros, é claro.

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Espanha Futebol
foto: Mari Campos

O último relatório do nicho da CHUBB Seguros (uma das maiores companhias de seguros do mundo, seguradora oficial do campeonato de futebol LALIGA na América Latina) garante que mais de 5,1 milhões de turistas latino americanos viajaram à Espanha motivados pelo turismo esportivo, com gasto médio 47% maior que o de um viajante convencional.

Relatório do Instituto Nacional de Estatística Espanhola mostra que o país recebeu, sozinho, no ano passado, mais de 3 milhões de turistas internacionais cuja principal razão de visita foi assistir a ou participar de eventos desportivos. Só entre 2023 e 2024 esse nicho cresceu 17% na Espanha, e o gap parece estar ficando positivamente maior a cada ano.

O Observatório Espanhol de Esportes divulgou que o turismo esportivo injetou bilhões de euros à economia espanhola em 2024 e 2025. Cada vez mais especialistas do setor acreditam que a Espanha se torne a grande potência internacional deste tipo de turismo até 2030 – quando o nicho pode atingir dois trilhões de dólares. E a hospitalidade no país vem ganhando bastante com isso.

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Four Seasons Madrid
Four Seasons Madrid. Foto: Mari Campos

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Turismo esportivo como motor econômico para hospitalidade

O relatório Perspectivas do Turismo da Exceltur do ano passado já indicava que a demanda por atividades esportivas e do chamado “lazer ativo” cresceu 12,4% só em 2024. Dados preliminares do setor mostram que esse recorde foi batido com folga em 2025 – e os prognósticos para este 2026 são excelentes.

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Só no Brasil, segundo o relatório da CHUBB Seguros (que opera em mais de 50 países), três em cada quatro viajantes afirmam já ter visitado um destino motivados por eventos e experiências esportivas. E 68% dos entrevistados dizem ser muito provável escolher um próximo destino de férias pela possibilidade de vivenciar ali algo relacionado ao seu esporte favorito.

O turismo esportivo se tornou uma espécie de mina de ouro para o setor turístico e o futebol movimenta a hospitalidade espanhola, o ano todo, colaborando para diminuir a sazonalidade do setor.

Há um aumento significativo nas reservas hoteleiras em períodos de jogos, da capital espanhola (hotéis como Four Seasons Hotel Madrid, Mandarin Oriental Ritz Madrid e Intercontinental Madrid têm visto de perto o aumento no número de reservas nestas datas) aos destinos espanhóis menos conhecidos.

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Mandarin Oriental Ritz Madrid
Mandarin Oriental Ritz Madrid. Foto: Mari Campos

Hotéis dos mais variados nichos, da capital ao interior, têm criado pacotes especiais para estadias em períodos de jogos da LALIGA ou de outros grandes eventos esportivos. O The Palace, a Luxury Collection Hotel, Madrid é um dos que frequentemente oferece estadias com experiências relacionadas ao futebol, incluindo acesso a camarotes VIP nos estádios ou o disputado tour do Santiago Barnabéu.

O clássico Hotel de la Reconquista, em Oviedo, propriedade histórica tombada que agora é administrada pelo grupo Eurostars, vê as reservas dispararem nas semanas de jogos do Real Oviedo na cidade.

A Meliá Hotels International e a LALIGA têm um acordo de patrocínio que une as duas grandes marcas espanholas e também beneficia os hóspedes das propriedades da rede. Membros do programa de fidelidade MeliáRewards podem receber ingressos cortesia para jogos, fazer tours exclusivos pelos estádios e participar de encontros com jogadores, por exemplo.

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Intercontinental Madrid
Intercontinental Madrid. Foto: Mari Campos

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Turismo esportivo colaborando para o fim da sazonalidade

Essa busca, ao contrário de outros nichos do turismo, tem se mantido estável durante todo o ano, e não apenas na alta temporada. E o perfil do turista esportivo vem se tornando mais “internacional”, com cada vez mais gente de diferentes nacionalidades viajando especificamente para acompanhar um evento esportivo – e, claro, conjugar a experiência com boa mesa e outras atrações turísticas.

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A despesa média do turista esportivo é consideravelmente maior que a do turista de lazer padrão. O esporte tornou-se importante motor da economia local, regional e nacional – e também da saúde financeira de hotéis e restaurantes.

Assim, a buena onda não se restringe à hotelaria: há cada vez mais renda proveniente dos estádios da LALIGA, nas mais distintas frentes de negócios, de compras a gastronomia.

Espanha Futebol
Detalhe do restaurante de Fernando Canales no estadio do Athletic Bilbao. foto: Mari Campos

O chef celebridade Fernando Canales, por exemplo, abriu até um restaurante de alta gastronomia dentro do espetacular estádio do Athletic de Bilbao. E se tornou a maior e mais bem sucedida de suas casas. E muitos outros negócios agora também têm seu sucesso atrelado às equipes e ao calendário do futebol espanhol.

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Pude acompanhar isso na prática, no finalzinho de 2025, viajando de Madri a San Sebastián, no País Basco, enquanto acompanhava jogos e eventos da LALIGA e visitava alguns dos destinos mais gostosos da Espanha. Uma viagem deliciosa, conhecendo mais sobre equipes como Real Madrid, Atletico de Madrid, Real Oviedo, Athletic Club, R.Racing Club e Real Sociedad de Fútbol.

Espanha Futebol
foto: Mari Campos

Ao longo de pouco mais de uma semana viajando pela Espanha, pude entender como seus emocionantes jogos, eventos diversos e seus ótimos museus de futebol estão diretamente ligados à alta ocupação da hotelaria local e regional, e como interferem em toda a arrecadação turística dos destinos nos quais se localizam.

Como bem disse Lucas Burón, vice-presidente regional de Seguro Viagem da Chubb na América Latina, “viajar motivado pelo futebol é sempre uma experiência emocionante”. Viva o turismo esportivo!

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