Quando a gente medita, os momentos de espera viram oportunidades

Viajar significa também saber esperar. É o voo que atrasa. A conexão que é cancelada, filas pra entrar no avião,  imigração lotada e tantos imprevistos que podem acontecer. Pra quem medita diariamente, esses momentos que muitas vezes irritam em uma viagem passam a ser oportunidades. São inúmeros os momentos pra gente meditar na viagem, seja de olhos fechados ou abertos. Inclusive dentro de voos longos. Eu amo meditar no avião. Acho que um voo é um dos lugares mais legais pra se meditar. Porque você está literalmente nas nuvens. 

Vila de santo andré, na bahia: destino de bem-estar

A minha história com a Vila de Santo André, na Bahia, começou há mais de dez anos, quando fui pra lá em janeiro fazer um retiro de Ashtanga Yoga na @pontadesantoandre e fiquei hospedada na Pousada @acasadalea. Por sinal, a Léa Penteado, uma das pioneiras da Assessoria de Imprensa no Brasil, se tornou uma grande amiga. E desde então volto sempre a Santo André, pelos mais variados motivos, muitas vezes para retiros de yoga e principalmente porque amo o lugar. Inclusive, há dois anos, celebrei meu aniversário lá. Mas estou contando um pouco minha relação com a Vila porque agora começou uma nova experiência lá. Em novembro do ano passando fizemos um pequeno retiro da meditação que pratico na Vila, que foi um sucesso, e este ano, pela primeira vez, vamos realizar um Retiro de Maestria do Ser, com duração de 15 dias, na Ponta de Santo André. Esse é um retiro muito especial da minha prática espiritual, que se chama “Ascensão dos Ishayas”, ensinada pelo @thebrightpathishayas (www.thebrightpath.com). É um retiro em que fazemos um mergulho interior profundo e onde os participantes têm a experiência direta do Silêncio. Santo André é uma vila com muito talento para atividades de bem-estar e com potencial de se tornar a capital do bem-estar no Brasil. Para saber mais sobre Santo André, visitem o Blog da Léa: https://santoandre-bahia.com/blog-da-lea.

Por que viajar combina com meditar?

A meditação é uma prática diária. Como escovar os dentes. Se não incluir diariamente na rotina, não percebe o impacto positivo que tem na vida. Mas para se aprofundar a experiência do Silêncio ou da Paz Interior as viagens são fundamentais. A viagem tira as pessoas das obrigações do dia a dia e permite que elas priorizem a prática. Outros dois fatores importantes que os retiros proporcionam são a meditação e compartilhamentos em grupo e o contato com a Natureza. Esses três elementos que só a viagem de bem-estar permite – distância das obrigações e deveres do dia a dia; contato com a Natureza; e a prática em grupo – são fundamentais para quem quer aprofundar a prática. Assim, meditar e viajar estarão sempre conectados.

Produzindo viagens de bem-estar

O mercado de viagens de bem-estar é um dos que mais cresce no mundo e no Brasil. Na área em que atuo, na meditação, e no meu caso é uma meditação específica, chamada “Ascenção dos Ishayas”(www.thebrightpath.com), eu acabo participando de todas as etapas do processo.
Eu dou aulas, eu assessoro os praticantes diariamente, e eu também organizo cursos e retiros, em que ensino ou aprofundo a experiência dos participantes. Falo isso porque a meditação me levou para um campo em que eu não atuava antes como profissional da área de turismo. Meu trabalho no turismo envolve marketing de destino e comunicação, mas não elaboro nem vendo viagens.

Já na meditação, faço de tudo. Não existe um setor que produz as viagens para retiros. Nós professores fazemos tudo. E é legal porque acabo sentindo na pele o que é criar, produzir e operar uma viagem de bem-estar. E eu já sabia disso, acompanhando o trabalho dos meus colegas de turismo; mas hoje, organizando retiros de meditação, tenho a experiência direta do trabalho intenso que é organizar uma viagem. Ainda bem que eu medito…

São Paulo crescendo como Hub

Posso estar em trânsito para uma viagem de meditação. Mas quem é da indústria do turismo não deixa se ser da indústria do turismo em qualquer circunstância. E nessa minha última viagem para Catalunha – voo direto da Latam para Barcelona – não passou despercebido o crescimento da importância de São Paulo como hub, com as questões geopolíticas que enfrentamos e o consequente impacto que a guerra teve em hubs globais como Dubai e Doha. No meu voo de volta para São Paulo havia mais viajantes internacionais conectando em São Paulo para outros destinos internacionais do que brasileiros voltando pra casa. Por sinal havia brasileiros voltando de Nova York via Barcelona. Na chegada em Guarulhos, a passagem pela imigração estava vazia para brasileiros e a de estrangeiros, lotada. E mal deu para passar até a saída com a quantidade de receptivos no aeroporto, já que para muitas conexões internacionais é necessário pernoitar na cidade. Meu voo chegou à noite. A mudança no cenário mundial já está acontecendo e é muito clara. E o Brasil sobe de patamar nessa nova realidade.

Alcover e reus, cidades medievais da catalunha

Hoje foi dia off para os monges Ishayas de vários cantos do mundo aqui reunidos em um povoado da Catalunha. Isso significa que podemos, se quiser, sair pra passear. E é bem divertido porque cada grupo vai fazer uma coisa diferente e depois nos encontramos para almoçar.
Eu e amigas monjas da Catalunha, Nova Zelândia, Canada e UK fomos visitar umas cidadezinhas lindas medievais e fazer compras. Eu queria muito ir numa cooperativa de pequenos produtores locais comprar 2 litros de azeite maravilhoso, avelãs, queijo de ovelha, azeitona e outras delícias gastronômicas da região. Fomos a uma cooperativa em Alcover e se eu pudesse levava a loja toda. Essas cidadezinhas são lindas, sempre com um centro histórico medieval, de pedras, com aquela cor rosada. Depois, fomos pra Reus, outra cidade medieval, onde acontecia uma mercado de rua, com roupas de linho lindas por uma pechincha…E pra almoçar um restaurante de comida espanhola em Reus, chamado Vermuts Rofes, super descolado, onde se fabrica vermute em barril de carvalho. Nos reunimos em uma mesa pra 15 pessoas falando mais de 6 línguas diferentes -menos catalão – e quase deixamos o garçon maluco.Bem, tudo isso pra desmistificar um pouco o que significa meditar. Não deixamos de aproveitar a vida porque nos dedicamos a encontrar a Paz interior e levar isso para o mundo.

Sol nascendo, lua se pondo…

Acordamos por volta de 6h. 6h50 saímos para uma caminhada, pois seria o dia em que poderíamos ver Sol nascendo e Lua se pondo ao mesmo tempo, no mesmo horizonte.

Fizemos uma linda caminhada passando pela antiga cidade de pedra de Mont Ral e subindo uma deliciosa trilha por um bosque catalão.

Na nossa prática, meditamos de olhos fechados mas também de olhos abertos. Meditar de olhos abertos não significa que, em grupo, ficamos quietos, em silêncio. Significa estar presente em cada instante, vivendo 100% aquilo que se apresenta. Foi uma manhã mágica. Aqui seguem fotos para vocês verem parte da experiência.

Screenshot

Retiro de meditação: como é?

Existe uma variedade de retiros de meditação. Vou contar um pouco como é o meu, como é um retiro Ishaya. Bem, primeiro quero dizer que estou em um lugar lindo, uma montanha na Catalunha que se chama Mont Ral. Em um quarto com uma vista privilegiada em que vejo o Sol e a Lua nascerem. Ontem vi a lua cheia saindo do horizonte em um céu cor de rosa.

A gente medita bastante sim. Fecha os olhos em grupo e é uma delícia. Mas também conversamos, rimos, passeamos e comemos muito bem. Na minha perspectiva é uma combinação perfeita de descanso profundo, conexão consigo mesmo , com a natureza e com os demais. Não falta nada. A plenitude está em todos os momentos. Pra quem nunca foi parece difícil, parece que você vai se privar das coisas que gosta. Mas não, não falta nada; você se nutre com o essencial da vida. Eu recomendo!

Viajando para meditar

DESTINO: Mont-Ral, Catalunha


Nesta segunda embarco para mais uma viagem que se encaixa na categoria “Turismo com Significado” – uma tendência com potencial enorme de crescimento. São viagens que nos transformam no bom sentido e estão conectadas com nosso propósito de vida ou que corroboram para dar sentido à vida.
Eu faço pelo menos uma viagem internacional por ano pra meditar com outros monges da minha tradição de vários lugares do mundo. É uma experiência sem igual. É uma experiência de cura, de conexão, de encontro à nossa essência mais profunda.
Além de uma ou duas viagens internacionais, faço também diversas nacionais em que ensino a meditação que pratico ou realizo retiros para aprofundar a experiência dos alunos que já meditam. São viagens sempre maravilhosas. O tipo de profundidade que alcançamos quando meditamos em grupo não é possível traduzir em palavras. Só mesmo experimentando.
Meditação é a minha praia. Natureza também. Conservação e sustentabilidade também. Qual é a sua? É importante descobrir aquilo que é mais importante na vida pra gente. Pra que o Universo se alinhe e nos entregue o que buscamos. Mas precisamos ter clareza; se estamos confusos, o Universo não consegue nos ajudar. Uma vida com sentido resulta em viagens com sentido.

Mont-Ral, Catalunha

Turismo com significado

A matéria de Panrotas mostrando as tendências do Turismo até 2030 não me surpreendeu. Em um mundo de intempéries de todos os tipos – sejam climáticas, geopolíticas com guerras e polarizações ou ainda aquelas que dizem respeito ao que eu mais me dedico, as intempéries mentais e emocionais – a viagem tem sim que trazer uma experiência que regenere. E essa regeneração pode ter significados diferentes para as diferentes pessoas e personalidades. Eu só espero que a ânsia do prazer a qualquer custo, que reflete uma tentativa desesperada de felicidade em meio a uma pandemia de sofrimento da humanidade, leve em consideração nosso planeta. Não da mais pra gente viver ignorando o impacto ambiental que causamos. Mas muito feliz com a demonstração dessas pesquisas e curiosa pra ver o que o Turismo Consciente do Futuro vai nos oferecer.