União Europeia- Cacofonia nas fronteiras

Não vamos aqui descascar o abacaxi que se tornou hoje a gestão das fronteiras europeias e a questão da Covid-19. 

Mesmo porque os dois exemplos abaixo bastam para demonstrar a cacofonia entre os países da dita “união”neste momento.

Alemanha

A Alemanha classificou a França nesta sexta-feira (26 de março) como uma “zona de alto risco”, o que deverá levar a restrições adicionais de viagens entre os dois países.

A classificação de países por diferentes categorias é publicado pelo Instituto Robert Koch (RKI), o instituto alemão de vigilância da saúde.

“A fronteira não será fechada”, disse um porta-voz do Ministério do Interior à AFP no domingo, até porque as regiões alemãs que fazem fronteira com Mosela, Sarre e Renânia-Palatinado não pediram, mas também porque as autoridades regionais de ambos os lados da fronteira “cooperam de perto” sobre a questão.

As verificações policiais serão aleatórias e dentro do território alemão na área de fronteira, disse ele.  

A França, portanto, beneficiará de uma forma de tratamento preferencial porque a passagem para a categoria “zona de alto risco” implica um fechamento quase-total das fronteiras, como é o caso atualmente com o Tyrol e a República Tcheca.

No entanto, este tratamento de favor entre a Alemanhã e a França já suscitou comentários amargos por parte do chanceler austríaco Sebastian Kurz. “Há diferenças no rigor das regras de fronteira na Alemanha, dependendo das direções geográficas”, disse ele no fim de semana em entrevista ao diário alemão Merkur.

Assim, a partir de agora franceses desejando entrar na Alemanhã deverão:

  • Declarar sua entrada on-line através de uma plataforma dedicada ou através de preenchimento de um formulário.
  • Apresentar um teste negativo de menos de 48 horas.
  • Cumprir isolamento de 10 dias, com exceções dependendo do estado de destino. Os trabalhadores da fronteira e as pessoas em trânsito são, em sua maioria, isentos.

Madri, Espanha

Fechada para seus habitantes, mas aberta aos estrangeiros

Com seus bares abertos e toque de recolher às 23h, Madri tornou-se um refúgio para turistas europeus, especialmente franceses. Enquanto isso, seus habitantes foram proibidos de deixar a região. Uma diferença no tratamento que incomoda os espanhóis.

Desde o fim da primeira onda e o desconfineamento em junho de 2020, a região de Madri tem mantido suas portas abertas para estrangeiros mediante apresentação de teste PCR. E a chegada de dias ensolarados traz enxames diários de turistas atraídos pelos seus museus, bares, restaurantes ou teatros abertos.

Bares em Madri funcionam com 50% da capacidade nos interiores e 70% exteriores

Em outros lugares da Espanha, os alemães são esperados em massa, como em Mallorca, nas Ilhas Baleares, um de seus destinos de predileção.

Por outro lado, os espanhois não são autorizados a viajar entre as regiões espanholas, exceto para as Ilhas Canárias, até 9 de abril para evitar um aumento da contaminação durante a Semana Santa, uma verdadeira instituição no país.

É no minimo paradoxal que mesmo assolados por turistas europeus,os espanhóis, incluindo os 6,6 milhões de habitantes da região de Madri, não possam deixar sua região para visitar seus entes queridos durante a Páscoa.

A capital espanhola é considerada uma bomba-relógio epidêmica por causa da gestão da pandemia. O presidente da comunidade autônoma da Cantábria, Revilla, disse na quinta-feira que uma nova onda terá que ser preparada após a Páscoa, por causa da propagação da epidemia na capital espanhola.

Madri é responsável por cerca de 40% das infecções diárias na Espanha há pelo menos um mês. Especialistas em saúde pública acreditam que as medidas em Madri devem ser mais rigorosas, especialmente em termos de contatos sociais noturnos e mobilidade, incluindo medidas adotadas por Londres ou Paris. Atualmente, a taxa de incidência na cidade é de 235,32 casos por 100 mil habitantes.

Esta falta de harmonia entre os 27 países da União Europeia chega a ser impressionate para participantes de um projeto de união que já data do final dos anos quarenta. Não é à toa que a ideia pregada por Wiston Churchill com objetivo de lutar contra a ascensão do comunismo em prol dos “Estados Unidos da Europa”foi abandonada por seu próprio país.

A compra conjunta pela União Europeia da vacina anti-covid também gerou frustrações e imprevistos, mas isso é tema para outro post.

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Silvia Helena

Após breves passagens pela Faculdade Metodista de São Bernardo e Belas Artes de São Paulo, aos 18 anos fui estudar no Canadá, onde vivi durante 23 anos. Lá me formei em História da Arte pela Universidade de Montréal, estudei turismo no Collège Lasalle de Montréal e no Institut de Tourisme et Hôtellerie du Québec. Comecei minha carreira na área trabalhando em Cuba. Durante os anos vividos no Canadá, entre outras coisas, fui guia de circuitos pela costa leste e abri minha primeira agência de receptivo para brasileiros. Há dez anos um vento forte bateu nas velas da minha vida me conduzindo até França. Atualmente escrevo de Paris, onde vivo e trabalho dirigindo a empresa de receptivo, a Holatour.

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