Rio Sena

Saudades de quando a cheia do Sena era notícia importante

A situação do rio Sena. O rio Sena está em cheia há alguns dias e já se encontra entre 3,20 m e 3,70 m, bem acima de sua altura normal — que costuma variar entre 1,50 m e 2,00 m — mas quase ninguém ouviu falar sobre isso. Eu mesma, que saí muito pouco de casa nesses últimos 35 dias de chuva, não estava a par da situação até ter passado por lá esta semana (em um raro momento ensolarado)

Afinal, outras coisas vêm ocupando os noticiários: graves inundações no sul e no oeste da França, o caso Epstein, fraudes no Louvre e prisões preventivas, dois imigrantes baleados após atacarem as forças da ordem com faca nos Champs‑Élysées em menos de uma semana— o que é excepcional — e, para fechar uma lista não exaustiva, a morte de um jovem aparentemente ligado a um grupo de extrema direita após um linchamento por militantes aparentemente “antifascistas” em Lyon.

No meio de tantos acontecimentos trágicos, a cheia do Sena passa — merecidamente — despercebida. A última grande enchente amplamente mediatizada ocorreu em junho de 2016, quando a cheia obrigou o fechamento de vias marginais, a retirada preventiva de obras do Louvre e do Museu d’Orsay, assim como a interrupção de linhas de metrô e RER. Desde então, qualquer subida mais expressiva desperta preocupação — mas, desta vez, quase ninguém comentou.

Cheia do Sena SOB CONTROLE

Apesar de as autoridades terem declarado alerta amarelo para risco de enchentes e de as águas já terem provocado o fechamento de vias baixas ao longo do rio, por enquanto a situação está completamente sob controle, ficando longe dos últimos recordes: 6,10 m em 2016 e 5,88 m em 2018. Não se assuste com o que você verá nas redes sociais.

Ainda assim, devido a situação, muitas embarcações e cruzeiros ficam impossibilitados de passar sob algumas das 37 pontes que cruzam a via fluvial, afetando diretamente a navegação turística e comercial. Fora isso, como você pode ver nas imagens abaixo filmadas essa semana, a vida em Paris segue tranquila e lindamente.

Porém, diante dos fatos tão dramáticos mencionados mais acima, não consigo evitar uma certa saudade. Saudade de quando a cheia do Sena era notícia importante — e não apenas um detalhe diante de questões tão exdrúxulas para não dizer alarmantes.


Published by

Silvia Helena

Após breves passagens pela Faculdade Metodista de São Bernardo e Belas Artes de São Paulo, aos 18 anos fui estudar no Canadá, onde vivi durante 23 anos. Lá me formei em História da Arte pela Universidade de Montréal, estudei turismo no Collège Lasalle de Montréal e no Institut de Tourisme et Hôtellerie du Québec. Comecei minha carreira na área trabalhando em Cuba. Durante os anos vividos no Canadá, entre outras coisas, fui guia de circuitos pela costa leste e abri minha primeira agência de receptivo para brasileiros. Há 18 anos um vento forte bateu nas velas da minha vida me conduzindo até França. Atualmente escrevo de Paris, onde vivo e trabalho dirigindo a empresa de receptivo, LA BELLE VIE.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *