A nova fronteira dos preços nos museus franceses

A partir de 14 de janeiro de 2026, um aumento tarifário no Museu do Louvre e outros monumentos franceses passa a ser aplicado aos visitantes não oriundos da Comunidade Europeia.

Como anunciado anteriormente pelo presidente Macron, o Museu do Louvre, o Castelo de Versalhes, a Sainte-Chapelle, a Conciergerie, assim como o Castelo de Chambord, terão tarifas mais caras para cidadãos não oriundos da União Europeia a partir de hoje.

Assim, apesar de seu lema Liberté, Égalité, Fraternité, a França “cria controles fronteiriços” em seus museus e redefine quem paga para ver arte.

A decisão, conduzida pelo Ministério da Cultura, responde a um duplo imperativo: preservar o patrimônio cultural e absorver uma frequência mundial em constante crescimento. A medida pretende, sobretudo, alavancar milhões de euros em receitas suplementares, que deverão ser destinadas a melhorias estruturais necessárias em um contexto orçamentário muito exigente.

Tarifas diferenciadas nos museus franceses: distinção baseada na origem

Segundo o comunicado publicado no site do Castelo de Versalhes, o sistema de tarifação dos visitantes está mudando de critério em diversos museus franceses. No Castelo de Versalhes, o bilhete de alta temporada chegará a 35 € para os visitantes de fora da União Europeia, enquanto os europeus pagarão 32 € nos períodos de maior demanda.

O Louvre fixará seu preço de entrada em 32 € para cidadãos de países externos ao Espaço Econômico Europeu — um acréscimo de 10 € em relação ao valor atual. O museu mais visitado do mundo espera que as novas tarifas gerem uma arrecadação adicional entre 15 e 20 milhões de euros. De fato, é sabido que o palácio necessita de investimentos significativos.

Louvre: “Liberté, Égalité, Fraternité“, onde está você?

No entanto, apesar do contexto orçamentário tenso e dos déficits públicos crônicos, o sindicato dos trabalhadores do museu, o SUD considera que o argumento de reabilitação do edifício, não justifica a aniquilação de dois séculos de universalismo do Louvre.

Obrigada SUD Solidaires, Unitaires, Démocratiques! Finalmente o bom senso ainda existe! Como não concordar com a posição do sindicato? Eu estou indignada, pois essa discriminação nega e despreza claramente a própria noção republicana de igualdade. Essa violação do princípio de igualdade é um grave retrocesso civilizatório e enfatiza a erosão do sonho de um universalismo cultural. Cade a Liberté, Égalité, Fraternité?

Os Estados seguem deslocando a Janela de Overton, onde práticas antes impensáveis — como diferenciar o acesso à cultura com base na origem do visitante — passam a ser tratadas como aceitáveis e até normais. Definitivamente, estes são tempos de vergonha alheia para muitas pessoas que ainda estão apegadas a princípios.

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Silvia Helena

Após breves passagens pela Faculdade Metodista de São Bernardo e Belas Artes de São Paulo, aos 18 anos fui estudar no Canadá, onde vivi durante 23 anos. Lá me formei em História da Arte pela Universidade de Montréal, estudei turismo no Collège Lasalle de Montréal e no Institut de Tourisme et Hôtellerie du Québec. Comecei minha carreira na área trabalhando em Cuba. Durante os anos vividos no Canadá, entre outras coisas, fui guia de circuitos pela costa leste e abri minha primeira agência de receptivo para brasileiros. Há 18 anos um vento forte bateu nas velas da minha vida me conduzindo até França. Atualmente escrevo de Paris, onde vivo e trabalho dirigindo a empresa de receptivo, LA BELLE VIE.

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