Calor em Paris: O que fazer

Não há quem não tenha ouvido falar da onda de calor em Paris. Talvez você tenha visto vídeos on-line de jovens pulando das pontes no Canal Saint-Martin ou escutado no noticiário sobre mortes por afogamento e desidratação. O fato é que não se fala de outra coisa quando o assunto é França — e até mesmo Europa.

E como aparentemente todo mundo já sabe o que está acontecendo, resta-me falar sobre o que fazer quando você está turistando na cidade durante esse fenômeno climático, que aqui chamamos de canicule. Sim, porque na cidade mais visitada do mundo o turismo não para — e não precisa parar. A seguir, 10 dicas práticas para enfrentar o calor na capital e em seu território.

Onda de Calor Dicas úteis

1.A primeira dica é evitar ficar no último andar do edifício, seja ele hotel ou alojamento, pois esses andares acumulam mais calor.

2.A segunda é não abrir as janelas durante o dia. Parece contraintuitivo, mas abrir a janela não refresca; ao contrário, deixa o ar quente entrar. A regra é simples: janelas e cortinas fechadas durante o dia, abrir somente à noite, quando a temperatura cai.

3. Economize: Traga seu cantil e use as bicas da cidade tranquilamente — Paris tem fontes potáveis por toda parte, gratuitas e seguras.

4. Fuja das multidões: Evite o imenso Louvre nos dias mais quentes. O museu está sempre lotado, e multidão com celulares em ambiente fechado é sinônimo de calor e cansaço. Prefira museus menores e mais frescos, como o Museu de Cluny, com suas termas romanas subterrâneas e amplo acervo Antigo e Medieval por exemplo. Paris tem inúmeros pequenos museus, com coleções exclusivas e sem multidões oferecendo condições mais intimistas para um visita.

5.Para desfrutar do charme arquitetônico do século XIX, com lojas tradicionais, alternativas e de criadores locais, as passagens cobertas ou galerias de Paris oferecem um percurso ventilado e pitoresco. Situadas entre os bairros 2, 9 e 10, não muito longe da Ópera, do Printemps e das Galeries Lafayette, elas revelam um charme parisiense como poucos lugares da capital.

6.Adegas e subsolos são outros segredos fresquinhos da cidade. Raramente acessíveis, incluem antigas pedreiras, catacumbas e espaços subterrâneos de imóveis históricos. As Catacumbas de Paris são famosas e abertas ao público, eu pessoalmente me sinto oprimida lá dentro e não optaria por essa visita em busca de frescor. Já o Museu do Vinho, instalado em uma antiga pedreira e com artefatos de mais de 2.000 anos de produção vinícola, ou ainda as Caves du Louvre, são tipos de subsolos pelos quais eu optaria.

7.Nadar no Rio Sena pode ser uma opção: a área autorizada para banho estará aberta de 5 de julho até 3 de agosto.

8. Mas mesmo que você não entre na água, um cruzeiro pelo Sena é obrigatório para aproveitar o frescor do rio e observar a população desfrutando de suas margens.

9. Para quem vem pela primeira vez ou quer garantir máximo conforto, um motorista e ar-condicionado superam todas as expectativas de sombra, amor e água fresca em termos de visita a Paris.

10. E, por fim, sair de Paris. Eu devo admitir que, embora vir à capital seja maravilhoso e um sonho para muita gente, neste momento, se vir a Paris é bom, sair de Paris é ainda melhor.

Show Noturno em Versalhes

Fontes magníficas, espetáculos de som e luz, música barroca, bosques iluminados e um grande show de fogos de artifício no final — um momento impressionante de pura poesia e frescor. Os espetáculos acontecem todos os sábados à noite, de 7 de junho a 20 de setembro de 2025.

O frescor e Art de Vivre franceses

Eu por exemplo, me retirei para Provins por alguns dias. Os muros espessos das casas, as pedras milenares, os inúmeros parques, rios e uma piscina pública de excelente qualidade me pareceram mais adequados para sobreviver à onda de calor. Afinal, eu já conheço bem a capital e o que significa ficar entre quatro paredes vendo o sol brilhar e torrar o asfalto la fora. Daqui, vou enfrentando o calor, mas também aproveitando da qualidade da vida local.

Se falta festa junina, não faltou festa medieval e da música, exposições de arte e animações. Amanhã por exemplo é dia de festa do branco em um dos castelos da região, o castelo de Motte Tilly. Apesar do frescor noturno , a festa promete ser quente.

No fim de semana seguinte, no maior estilo Monet, brunch campestre.

A onda de calor acaba em poucos dias, mas as dicas ainda podem ser úteis, afinal o verão está somente começando.

Aventura Egípcia no Parque Astérix

Falei brevemente em Dicas para Viver a Primavera Parisiense sobre as novidades do parque Astérix em 2026.

O terceiro parque mais visitado da França ficando atras somente dos dois parques da Disneyland Paris*, reabriu sua zona Egípcia completamente renovada.

Para apresentar a novidade que integra seus 34 hectares dedicados à diversão, o parque lançou dia 22 de maio um vídeo bem legal.

Assista abaixo e viaje um pouco você também.

No programa:

  • A Descida do Nilo: a oportunidade perfeita para se presentear com uma viagem aquática, risadas extras e sensações
  • O Voo de um Íbis: no meio de um jardim exuberante, uma experiência tão leve quanto revigorante
  • Les Comptoirs d’Épidemaïs (inauguração em 6 de junho de 2026): uma pausa gourmet é indispensável, especialmente para experimentar as especialidades do buffet com sabores orientais
  • As Ofertas de Cleópatra: a Rainha das Rainhas e seus servos convidam você para um grande show que mistura dança e música
  • OzIris: embarque em uma aventura em velocidade máxima, pés no ar, uma série de loops e giros garantidos
  • O Tour de Numérobis: uma atividade para amantes de escaladas vertiginosas e vistas panorâmicas surpreendentes!
  • Os Fasto do Nilo: Escolha entre um hambúrguer merguez e uma doçura de flor de laranjeira (ou não )
  • O Souk: uma parada obrigatória nesta loja para trazer uma lembrança

Entre novos recursos, tematização e uma atmosfera faraônica, a viagem à zona egípcia promete ser legendaria! ( fonte Parque Astérix)

conheça O PARQUE

O parque lançou também uma nova página em seu site que permite a visita virtual.

Visite virtuelle | Parc Astérix

Acesse e conheça o destino e as atrações que trazem com humor e criatividade a vida aos personagens e épocas retratadas nas revistas em quadrinhos de Uderzo e Goscinny.

Localizado a apensas 35 km de Paris, o parque merece a visita, seja on-line ou ainda melhor, pessoalmente.

Parque astérix Como chegar

Shuttle oficial Parc Astérix

  • Saída diária da Place du Louvre
  • Tempo médio: 45 minutos
  • Bilhetes podem ser comprados junto com a entrada do parque

PS *Classificação nacional 2024

  1. Disneyland Park – 10,2 milhões de visitantes
  2. Walt Disney Studios – 5,6 milhões de visitantes
  3. Parc Astérix – 2,842 milhões de visitantes
Pont Neuf embalada pelo artista Christo em 1985. Neste momento ele refaz uma nova embalagem

Paris: passado inspirador, presente vibrante

É sempre muito tentador escrever sobre as atualidades parisienses — elas são inúmeras e todas de grande interesse: a Noite dos Museus, dia 23 de maio de 2026, a instalação de JR no Pont Neuf, atualmente em realização, a Parada LGBTQIA+ de Paris dia 27 de junho de 2026, o Dia da Música, em 21 de junho de 2026

Abaixo: JR homenageia o artista Christo, que em 1985 embalou o Pont Neuf como na imagem acima. Em 2026 JR cria uma caverna sobre a ponte mais antiga da capital.

Mas nem só de atualidades festivas vive o homem. Especialmente neste momento em que certos dirigentes mundiais tentam apagar atualidades e histórias menos glamorosas, em que leis proíbem livros e centros de detenção são construídos em países miseráveis para acolher imigrantes, é mais importante do que nunca lembrar fatos históricos, sobretudo aqueles que mudaram o curso da história e que, com desfechos positivos, nos mostram quantas coisas boas nós, humanos, somos capazes. E como Paris e fonte inesgotável de inspiração para essas coisas

Histórias para contar ou Boas notícias de outrora

Quero contar hoje um evento muito emocionante e bonito que começou em Paris, se alastrou pela França e mudou o século XX, transformando as condições de vida de muita gente.

Paris vibrante, como chegamos aqui

Tudo começa por meados de 1934. O poder é detido por um partido anticlerical populista de centro esquerda que ora parece se importar com a classe trabalhadora, ora compactua com a elite capitalista emergente: o Partido Radical Socialista. A situação financeira do país não é boa, a crise de 1929 ainda ronda e, apesar do desenvolvimento fulgurante trazido pela Revolução Industrial, o povo vive miseravelmente, trabalhando mais de 48 horas por semana, pago muitas vezes segundo o rendimento diário. Quantos sacos de café você embalou? Quantas câmaras de pneus costurou ou encheu? E assim por diante. Nos campos, a situação não era melhor. A insatisfação era geral.

Os partidos de esquerda eram relativamente bem representados junto ao proletariado, porém estavam fortemente divididos: socialistas e comunistas tinham convicções próprias e brigavam farouchement. Já a direita estava dividida entre monarquistas, republicanos conservadores e facções mais radicais, como a associação Cruz de Fogo, que embora detestasse judeus e imigrantes, renegava tanto a cruz nazista quanto a foice e o martelo.

Na Alemanha, um certo Hitler, no poder desde 1933 impunha seus ideais políticos duvidosos. Na França e na Europa, as tensões políticas se aceleravam. Franco assumiria o poder na Espanha em 1939, Salazar já governava Portugal desde 1932, e na Itália Mussolini estava no comando desde 1922. Enquanto Citroën, pela primeira vez na história, iluminava a Torre Eiffel, nas fábricas e nos campos a situação não parecia tão brilhante.

Como paris escapa do fascismo

É nesse cenário que os partidos comunista e socialista marcam a data para uma manifestação memorável, dia 14 de julho de 1935— duas manifestações de partidos concorrentes (SFIO e PCF- Seção Francesa da Internacional Operária e Partido Comunista Francês ). E, de repente, os dois cortejos se encontram na Praça da Nação. Após um grande momento de dúvida e tensão pairando no ar, uma explosão de fraternidade e companheirismo invade as ruas da capital. O povo parou, pensou e de repente, se abraçou, compartilhando o que seria apenas o início de uma nova revolução.

Tal demonstração de força não ficou sem reação da direita, que aproveitou para se unir e se radicalizar ainda mais, intensificando seu discurso de medo e apontando os bodes expiatórios habituais. De um lado, temia‑se uma ditadura fascista como nos países vizinhos; do outro, temia‑se simplesmente caos.

Apesar do nome, o Partido Radical não demonstrava tendências radicais nem para um lado nem para o outro — apenas para a corrupção. Envolto em um grande escândalo e desacreditado, o então presidente Camille Chautemps foi obrigado renunciar e convocar novas eleições.

Paris 1936, como o povo toma o poder

E justamente foi aquele encontro entre os dois cortejos, onde o povo decidiu se unir que permitiu sua vitória. O novo presidente Léon Blum era líder da nova Frente Popular, nascida dos abraços inesperados entre membros do SFIO e do PCF na Praça da Nação. Aquele momento de união histórica evitou que a França também entrasse para a lista de países que adotariam o nazismo como ideologia política! E, no entanto, as boas notícias não terminam ai.

Em reação à “força vermelha” eleita, e como represália autoritária, o patronato demitiu sob pretextos falaciosos os operários mais ativos e militantes. A classe trabalhadora havia ganho as eleições, mas não sentia em seu cotidiano nada que indicasse reais melhorias. Na Citroën — orgulho nacional com seu nome brilhando no monumento mais famoso da cidade — as demissões foram o estopim. Os trabalhadores pararam, mas, para grande surpresa, não foram para casa: ocuparam a fábrica. No dia seguinte, a Michelin parava. E o gesto teve efeito dominó. A França parou e, dentro das fábricas, o movimento se organizou.

Durante duas semanas, com o auxílio de comerciantes e da comunidade, a França reivindicou — e em espírito de festa.

No momento em que o novo presidente Leon Blum convidou os parceiros sociais, trabalhadores e patronado para conversar, não foi necessário muito tempo para que um dos melhores regimes de proteção social fosse criado, tanto para operários quanto para agricultores: menos horas de trabalho, primeiras férias e remuneradas! Convenções coletivas, auxílios ao campo, nacionalizações estratégicas...

Primeiras férias da classe operária na França

E quando isso aconteceu? Quando dois grupos, inspirados por ideias de igualdade e conscientes das responsabilidades tanto do Estado quanto do patronado, se juntaram para reclamar o que era simplesmente justo.

Eu costumo dizer que, neste mundo, não há coincidências: Paris é uma cidade que vibra, e quando olhamos para o passado entendemos exatamente o porquê.