Moda e arte em Paris material artístico e costura com Torre Eiffel ao fundo

Moda, Arte e Comércios

Como mencionado aqui no blogue há poucos dias, a moda e a arte estão vivendo um encontro intenso na capital francesa, revelando suas ligações intrínsecas através de inúmeras exposições.

Museus e comércios põe em destaque a arte da estampa, da tecelagem, as artes gráficas e decorativas e até mesmo nossa querida arte brasileira.

Au fil de L’Or, no Museu de Quay de Branly

Do Magreb ao Japão, a exposição Au Fil de L’Or oferece uma viagem no tempo e no espaço, para descobrir a fascinante origem do ouro e seu casamento com as artes têxteis.

Descoberto há quase 7000 anos, o ouro nunca deixou de fascinar a humanidade, tornando-se o metal mais precioso e nobre do mundo, objeto de desejo, símbolo de riqueza e esplendor.

Desde os primeiros ornamentos costurados nas roupas mortuárias até os vestidos extravagantes do artista chinês contemporâneo Guo Pei que pontuam a exposição, desde as sedas tecidas em ouro dos mundos indiano e indonésio até os quimonos brilhantes do período Edo, a exposição desvenda a história milenar do ouro nas artes têxteis.

Em um diálogo que combina descoberta científica e perspectiva artística, ela revela a beleza deslumbrante, a diversidade, a tecnicidade e a riqueza dos figurinos de uma vasta região que vai do Magrebe ao Japão, passando pelos países do Oriente Médio, Índia e China.

O museu oferece também uma série de atividades ligadas ao evento: visitas guiadas, cinema, espetáculos

Museu Quay de Branly de 11 Fevereiro ao 6 Julho 2025. Fechado as Segundas-feiras, aberto 10:30-19:00, Quinta-feira -10h30-22h00

A Arte em moda

Arte em moda é no nome da exposição que acontece na Loja Printemps.  

Em 2025, a loja de departamentos Printemps celebra o seu 160º aniversário com uma série de eventos destacando a sua rica história e o seu espírito inovador. 
 
O primeiro ato deste aniversário, a exposição “Primavera, l’Art à la Mode” abriu as portas aos visitantes no dia 14 de janeiro no coração do estabelecimento.

Fundada pela loja Le Printemps em 1912, o ateliê “Primavera” foi o primeiro estúdio de design integrado a uma grande loja de departamentos, com a ambição de democratizar o acesso à arte.

A exposição “Primavera, Art à la Mode” foi concebida como uma reflexão sobre as ressonâncias entre as Artes Decorativas e as tendências atuais, com um viés imersivo.
 
Pela primeira vez numa exposição desta envergadura, a loja expõe uma seleção de reproduções XXL de têxteis concedidas especialmente para ocasião pelo Museu de Artes de Decorativas de Paris e pela Biblioteca Forney, bem como catálogos e uma centena de peças em cerâmica das décadas de 1920-1930 de seu próprio acervo.   
Em um átrio excepcional com ares de ateliê e museu, os motivos decorativos florais, geométricos e as cores formam um fio condutor que ainda hoje sublinha a modernidade do estúdio de Design “Primavera”! 

Esses trabalhos dialogam harmoniosamente com roupas e conjuntos das coleções primavera-verão 2025 de diferentes marcas.

De 14 de Janeiro até final de Abril

Ernesto Neto – A Serpente, no Le Bon Marché

Para a edição de sua décima exposição de arte que ocorre nos meses de janeiro, a loja mais elegante da margem esquerda do Rio Sena, Le Bon Marché Rive Gauche convidou o artista brasileiro Ernesto Neto para tomar posse do lugar com suas instalações de crochê.

Feliz coincidência ou real restrição imposta ao artista? Trabalhar em torno da cor branca, em referência ao mês do branco iniciado por Aristide e Marguerite Boucicaut, fundadores do Le Bon Marché Rive Gauche no século XIX. Teriam Aristide e Marguerite passado um Réveillon no Brasil??  

A exposição “A Serpente” é composta por várias obras monumentais, feitas de crochê e criadas a partir de seu ateliê no Rio de Janeiro.

Sob os telhados centrais de vidro, atravessando a escada rolante, no segundo andar e nas janelas da rue de Sèvres, rue du Bac e rue de Babylone, o artista entrega sua interpretação alegre e espiritual do mito fundador da humanidade, na cultura ocidental, através das figuras essenciais de Eva, Adão e a Serpente.

Até 23 de Fevereiro de 2025 no Le Bon Marché Rive Gauche.

Confesso que ainda não tive tempo de visitar as exposições, mas assim que tiver um tempinho, vou tentar. Enfim, não tenho tanto tempo para turistar como gostaria. Porém, se você estiver turistando em Paris e for amante de arte, moda ou simplesmente bom gosto, aproveite!

Fontes- Le Bon Marché, Musée du Quay de Branly e Printemps.

Exposições em Paris, imagem decorativa

Paris mais que nunca capital da moda

Paris capital da moda- Paris inicia 2025 com uma agenda cultural que a reafirma como capital mundial da moda. A famosa Fashion Week e os luxuosos estabelecimentos de criadores situados na avenida Montaigne “saíram de suas casinhas” e invadiram diversas salas de exposições da cidade. 

Iniciativas que devem trazer uma nova clientela para os museus, passando um espanador na visão daqueles que acreditam que neles só há coisas chatas ou simplesmente referentes ao passado. 

LOUVRE COUTURE 

O Louvre apresenta Louvre Costura, Objetos de Arte, Objetos da Moda. 

Pela primeira vez na sua história, o museu do Louvre apresenta uma exposição dedicada à moda. 

Com a presença de mais de 65 trajes e 30 acessórios criados por grandes costureiros entre os anos 1960 e os dias de hoje espalhados pelas salas do departamento de Objetos de Arte da instituição, o Louvre cria um espaço de comunicação entre diferentes expressões artísticas. 

Nos 9000 m² de exposição, peças de casas como Chanel, Dior, Yves Saint Laurent, combinam harmoniosamente com obras de arte, demonstrando claramente as ligações entre ambos os mundos. 

De 24 de janeiro a 21 de julho de 2025. 

GRAND PALAIS 

O Grand Palais apresenta a exposição Dolce & Gabbana, Do Coração à Mão

A exposição dedicada ao gênio criativo de Domenico Dolce e Stefano Gabbana apresenta mais de 200 vestidos únicos, 300 acessórios feitos à mão, 130 peças de mobiliário e antiguidades Dolce & Gabbana. Concebida como uma carta de amor aberta à cultura italiana, a exposição traça o itinerário estético de suas criações. 

Uma abordagem singular no mundo do luxo, feita de elegância e sensualidade, mas também de humor, impertinência e extravagância. 

A exposição acontece ao longo de um percurso temático e sensorial, refletindo a riqueza das inspirações da famosa casa, extraídas da história da arte italiana. 

Arquitetura, artesanato, culturas regionais, música, ópera, balé, cinema, tradições folclóricas, teatro e, claro, “la dolce vita” estão no centro das atenções. Uma verdadeira ode ao saber-fazer italiano, onde a tradição e a inovação se encontram. 

Em exibição no Grand Palais de 10 de janeiro a 31 de março de 2025. 

PETIT PALAIS 

Charles Frederick Worth, o inventor da alta costura 

Fundador de uma casa que rapidamente se tornou um símbolo do luxo parisiense, Charles Frederick Worth (1825-1895) é uma figura-chave na moda. 

À frente de um comércio localizado no número 7 da rue de la Paix em 1858, e cuja história se estende por um século e quatro gerações, o costureiro é conhecido como o inventor da alta costura. 

A exposição espalhada por 1100 m² nas galerias do Petit Palais promete ser um marco na história da moda do século XIX e início do século XX. Primeira retrospectiva dedicada a Worth em Paris, o evento reúne algumas das peças mais emblemáticas de uma casa cuja história lendária permaneceu desconhecida. 

Reunindo as criações de Charles Frederick Worth e seus herdeiros, a exposição relembrará a história da casa, suas inovações e estética, seus clientes de prestígio – de cabeças coroadas europeias a americanos ricos – bem como as personalidades dos filhos e netos do fundador e suas respectivas contribuições. 

A exposição retraça a história da moda a partir das inovações e produções da casa de Worth e relembra os critérios da alta costura estabelecidos por Worth: a implementação da sazonalidade das coleções e desfiles de moda, os métodos de atendimento aos clientes, a organização da produção, assim como a organização do comércio transatlântico. 

Petit Palais – Musée des beaux-arts de la Ville de Paris 2 avenue Winston-Churchill, Paris 8th 

De 7 de maio a 7 de setembro de 2025 Terça a domingo das 10h às 18h 

Paris capital da moda outras EXPOSIÇÕES

E isso não é tudo. Ainda sobre moda no Petit Palais, Desenho de Joias, o segredo da criação e através da capital francesa outras exposições :

As Flores de Yves Saint-Laurent

Carbon Footprint a exposição – No “Musée des Arts et Métier”: Uma abordagem sustentável sobre os temas moda e consumo.

Galeria Dior até 4 de maio exposição Dior & Peter Lindbergh. Tour virtual do endereço 30 Avenue Montaigne

Quem paga a reforma do Louvre?

Macron anuncia grande reforma do Louvre. Após um apelo da direção do estabelecimento, o presidente do país, como não podia deixar de ser, se prontificou ao resgate do edifício quase milenar (construção 1202).

mudança da Joconde

Uma sala e um bilhete específico serão reservados exclusivamente para a Mona Lisa. A mudança é anunciada com o objetivo de oferecer uma melhor apreciação da obra e diminuir o fluxo de turistas apertados em uma mesma sala. Apesar dos anúncios em grande pompa do “Renascimento do Louvre”, acredito que a mudança servirá, sobretudo, para permitir ao museu a cobrança diferenciada para esta parte da visita, aumentando assim os custos de quem deseja ver tanto a integralidade do museu quanto a obra de Leonardo da Vinci. 

A Sala dos Estados, 1° andar Pavilhão Denon abriga a Joconde, sempre cheia. A Mona Lisa (em italiano: La Gioconda) ou Retrato de Mona Lisa, é uma pintura de Leonardo da Vinci, pintada entre 1503 e 1506 ou entre 1513 e 1516 e talvez até 1517 (o artista morreu em 2 de maio de 1519), que retrata meio corpo da florentina Lisa Gherardini, esposa de Francesco del Giocondo. A pintura a óleo mede 77 × 53 cm sobre painel de madeira.
A Joconda pode ser considerada uma das representações mais famosas de um rosto feminino no mundo e no século 21, tornou-se o objeto de arte mais visitado do mundo. Fonte Wikipédia

Reforma do Louvre – o que importa

De fato, o mais importante é impedir que o tempo e a água do Rio Sena deteriorem o edifício, mas esse tipo de notícia não interessa a quase ninguém. 

Pátio chamado Carrossel onde encontra-se a Pirâmide do Louvre
Pirâmide do Louvre é uma pirâmide feita de vidro e metal, localizada no meio do Cour Napoléon do Museu do Louvre, em Paris. Abriga a entrada principal do museu. Foi inaugurada pela primeira vez pelo Presidente da República François Mitterrand em 4 de março de 1988 e projetada pelo arquiteto sino-americano Ieoh Ming Pei.

Sendo assim, como François Mitterrand, Macron também quer deixar seu nome na história e legar à cidade uma nova entrada para o palácio/museu, sob o pretexto de que as entradas atuais entradas “da pirâmide” e no subsolo do “Carrossel” não são suficientes. 

Vista exterior do Louvre e obra em bronze A Noite de Aristide Maillol
A Noite, escultura em bronze de Aristide Maillol 1909, Nu feminino, parte do conjundo de esculturas do artista espalhadas pelo Jardin de Tuilerie, à proximidade de onde será construída uma nova entrada para o Museu do Louvre. ( Projeto submetido a concurso)

Milhões serão investidos em um conjunto de obras e, em princípio, esta é uma boa notícia. 

Pátio Puget, interior do Louvre, esculturas do 17° ao 19° séculos
Esculturas de exterior em bronze e sobretudo mármore datando do XVII ao XIX séculos, expostas no Pátio Interior denominado Cour Puget. Originárias de diversos castelos da realeza e aristocracia, incluindo Versalhes.

No entanto, um fato me chamou a atenção e tirou meu sossego: cidadãos não residentes da comunidade europeia terão uma tarifa diferenciada e, por consequência, mais cara! 

Reforma do Louvre- Quem Paga?

Gente, eu nem imaginava que esse tipo de distinção pudesse ser feita. Em outras épocas, isso seria chamado de discriminação. “Peraí” que eu vou buscar aqui. Um minuto, por favor… 

Fui verificar e segundo o que acabo de ler ainda hoje: “a discriminação oferece tratamento diferenciado a um indivíduo devido a características pessoais.” Neste caso, a origem (e o fato de não ser eleitor europeu ou francês). Detalhe: a distinção poderia ter sido anunciada como uma discriminação positiva, tal qual para crianças e idosos, membros da comunidade europeia terão tarifas preferenciais. Mas nem isso esse cuidado foi tomado.

Talvez a diferença seja tão sutil entre NÃO Membros da Comunidade Europeia pagarão mais caro e Membros da Comunidade Europeia terão tarifas preferencias que ninguém note mesmo. No final, é a mesma coisa.

Assim, concluindo, se você NÃO é cidadão europeu, prepare-se para pagar mais caro para visitar o Louvre em 2026 e ajuda-lo a pagar sua reforma.  

Géricault, Le Radeau de La Méduse,
O “Radeau de la Méduse”, Théodore Géricault,  inspirada em naufrágio ocorrido em 1816, ao largo da atual Mauritânia.  
Quando a fragata Méduse encalhou em um banco de areia, cerca de 150 passageiros foram forçados a embarcar em uma balsa improvisada e frágil.  
Enquanto isso, oficiais e passageiros de alta patente conseguiram escapar em botes salva-vidas.  
Para os mais pobres, passageiros da barca que levava marinheiros e soldados deixados à deriva a situação rapidamente se deteriorou, com escassez de alimentos e água, levando ao desespero e ao canibalismo entre os sobreviventes. 
Após quinze dias de sofrimento, apenas uma pequena fração dos passageiros da balsa sobreviveu para contar a história. Géricault, ao tomar conhecimento do trágico evento, decidiu criar uma pintura monumental que capturasse a angústia e o desespero dos náufragos. A obra provocou controvérsia, por denunciar a discriminação entre oficiais e subalternos, trazendo notoriedade a Géricault e imortalizando o naufrágio da Méduse na memória coletiva. Fonte https://www.geo.fr/histoire