O novo modelo de trabalho das empresas

work from anywhere, que na tradução literal significa “trabalhe de onde você quiser”, veio para ficar. Vou fazer uma simples analogia com um dos hobbies que mais gosto: o ciclismo. Vejo esse modelo das empresas como pedalar: as pessoas têm a oportunidade de apreciar os mesmos caminhos mas com outros olhos, ou seja, estamos alcançando bons resultados, porém de outras maneiras. 

Durante a pandemia, podemos observar de perto o crescimento desse estilo de trabalho, em que cada vez mais os funcionários estabelecem seus escritórios em lugares diferentes, como, por exemplo, restaurantes, hotéis e coworkings. Nota-se ainda que é muito comum encontrar profissionais com notebook na beira da piscina e fazendo reuniões de bermuda e chinelo. 

Outro ponto interessante é que os colaboradores que precisam viajar a trabalho, o nosso conhecido “turismo de negócios”, pedem períodos mais longos para as suas empresas com o objetivo de expandir a estada e acrescentar atividades de lazer. Como exemplo temos o executivo que antes viajava dois ou três dias e, agora, aumenta para cinco e aproveita para conhecer a gastronomia, cultura e atrações do destino, fomentando assim a economia e o turismo local. Estamos vivendo em um sistema sem rótulos, que permite que a pessoa se sinta à vontade unindo o corporativo ao lazer.

De acordo com um levantamento da Boston Consulting, que entrevistou mais 200 mil pessoas, 89% dos respondentes esperam trabalhar em casa pelo menos algumas vezes na semana após o fim da pandemia. Esse resultado representa um aumento considerável em relação ao índice pré-pandêmico, em que apenas 31% dos indivíduos tinham esse desejo.

Grandes marcas já adotaram essas práticas remotas. O Twitter anunciou em maio de 2020 que os seus colaboradores poderiam fazer home office em tempo integral mesmo depois do fim da pandemia. O Facebook lançou uma nota similar no início de 2021. 

Nós, da ALAGEV, na segunda Jornada Virtual pré-LACTE POP-UP TRAVEL, um aquecimento para as reflexões da LACTE17, trouxemos o tema “Mobilidade” e discutimos práticas, desafios e soluções desse estilo de emprego. Percebemos que estamos vivendo momentos desafiadores e nos redescobrindo. Os empresários que não se adequarem a essa realidade e olharem para o mercado começarão a perder o seu espaço. Ao escutar esses especialistas, refletimos sobre o atual cenário e apresentamos tendências para uma retomada consciente. O futuro que parecia mais uma possibilidade para empresas modernas, virou uma realidade para quase todas, até mesmo as mais tradicionais, e, com isso, surgiram novos desafios. 

Daniel Hoe, um dos painelistas e vice-presidente de Marketing América Latina da Salesforce, destacou um pensamento com o qual concordo plenamente: “O trabalho é uma atividade e não um lugar que você vai”. 

Vale ressaltar que as empresas precisam se adaptar e proporcionar o suporte necessário para que o colaborador possa exercer os seus serviços de qualquer lugar. Percebo organizações fornecendo auxílio financeiro com a internet, cadeiras, mesas e projetos de apoio psicológico, já que estamos vivendo momentos complicados com perdas de familiares e amigos por conta da covid-19. 

Ao conversar com diversos líderes, o que vejo em comum é que para conseguir adotar esse modelo de negócio é necessário realmente ESCUTAR o funcionário e entender o que é o melhor para ele. Muitas vezes, ele prefere o presencial, pois em casa pode ter muitas interferências, desde filhos, pets ou espaço; outros decidem por mesclar, desenvolvendo suas tarefas  virtual e presencialmente; já outros querem o 100% home office. Para conquistar o sucesso, acredito que os gestores precisam ter clareza de estratégia, organização e acompanhamento das entregas.

Já no segundo painel da Jornada Virtual, liderado por Daniela Swiatek, profissional de inovação, mobilidade urbana e transformação digital, foram apresentados dados da pesquisa de índice de mobilidade corporativa realizada pela Bynd em 2019. Ao mostrar o deslocamento dos funcionários de grandes marcas, foram identificados os custos, tempo de locomoção, classe social, localização e distância das moradias dos entrevistados até o local de trabalho. 

Nesse debate, percebemos que a realização do work from anywhere muitas vezes não se encaixa para qualquer colaborador. A painelista instigou a reflexão sobre o abismo social e as mudanças pré, durante e pós-pandemia. No contexto histórico, os empregados precisavam estar nas fábricas, o que aumentou o número de moradias próximas às indústrias e, automaticamente, o comércio e o transporte expandiram. Mas os locais valorizaram e, hoje, as pessoas não trabalham próximas de seus empregos. Alguns funcionários levantam às 3h para chegar na empresa às 7h, por conta da mobilidade. Qual a qualidade de vida desse profissional?

Daniela destacou também a questão das empresas retomarem os velhos hábitos. Desde o passado, não mudou o fato de que as organizações continuam exigindo que as pessoas fiquem juntas fisicamente em horário comercial. Estamos voltando aos índices de 2019, porém com mais desigualdade.

work from anywhere já é uma realidade do brasileiro. Não é novidade esse abismo social, mas se aprendermos a escutar os colaboradores e sermos mais flexíveis, vamos alcançar bons resultados de maneira sustentável. 

Líderes autoritários e controladores não terão mais espaço no nosso mercado. Ao proporcionar uma qualidade de vida para os funcionários, será mais fácil e prazeroso ele vestir a camisa da sua empresa. 

Por fim, desejo que possamos continuar nessa jornada JUNTOS e promover um setor mais igualitário, inclusivo e responsável!

Giovana Jannuzzelli, diretora executiva da ALAGEV

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ALAGEV

Roberta Moreno é atualmente presidente da ALAGEV e atua na indústria farmacêutica há 15 anos. Desde 2016, Roberta é líder da área de Eventos & Contratos no Brasil na Bristol Myers Squibb, onde participa ativamente em projetos corporativos globais.

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