A locação de automóveis é certamente um dos segmentos com maior potencial de crescimento dentro do ambiente de viagens corporativas no Brasil. Enquanto a locação oscila em uma taxa de 1 a 1,5% do total dos gastos em viagens de negócios em nosso país, ela representa cerca de 4% nos Estados Unidos. Se seguirmos este parâmetro, temos potencial para, no mínimo, triplicar nosso valor atual. No entanto, para alcançarmos estes números, ainda precisamos fazer uma verdadeira lição de casa e investir, principalmente, em treinamento e tecnologia.
Na Pesquisa de Vendas Abracorp de 2014, por exemplo, houve aumento de 3,2% no total de diárias, comparando-se com o ano anterior, mas uma queda de 4,1% em vendas, movimentando R$ 183,5 milhões, contra R$ 191,3 milhões em 2013. Isso significa que, embora tenhamos aumentado o número de reservas, elas renderam menos dinheiro para as agências de viagens, demonstrando, entre outros fatores, que nossos clientes deram preferência por carros mais baratos.
Para melhorar esta performance, treinamento é fundamental. Fazer up-selling, ou seja, oferecer ao cliente produtos ou serviços adicionais que complementem a compra é uma ação que todos os consultores deveriam ter como padrão na hora de reservar automóveis. Muitos preferem fechar a venda da forma mais simples e rápida para não perder tempo com procedimentos demorados e, aparentemente, pouco rentáveis.
A Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis (Abla) e a Associação Nacional de Empresas de Aluguel de Veículos e Gestão de Frotas (Anav), através de suas associadas, têm buscado ações de relacionamento com o nosso segmento, porém ainda há muito a ser realizado. Cursos e capacitações são essenciais para otimizar as vendas. É fato que, agregar valor a uma reserva, além de aumentar a rentabilidade das agências e dos fornecedores, ajuda a fidelizar e reter o cliente e consolida a posição da empresa na cadeia de viagens e turismo.
Outro ponto crucial é o uso da tecnologia. O uso de plataformas que “conversem” com os sistemas de back-office das agências e eliminem, cada vez mais, o faturamento tradicional, é uma realidade que não pode demorar a ser regra. Algumas empresas, como a Shift e a Localiza, já estão oferecendo a possibilidade de faturamento eletrônico para as agências de viagens. Um avanço que vem ao encontro das necessidades do nosso segmento e que a Abracorp sempre defendeu como um passo necessário para o desenvolvimento de ambos, agências e locadoras.
Segundo dados da Abla, o segmento de locação passou de 155 mil carros em 2001 para mais de 300 mil em 2013. Além disso, o faturamento mais que triplicou. Mas há espaço para crescer muito mais. Nossa expectativa é de que todos os envolvidos possam se beneficiar em conjunto.
Edmar Bull
Como será o amanhã
Dados do Ministério do Turismo e de entidades como o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) são promissores quanto ao futuro da hotelaria no país. Desde meados de 2013, visando a Copa do Mundo, e até as Olimpíadas de 2016, mais de 400 empreendimentos já abriram ou estão para abrir suas portas, o que deve gerar um incremento superior a 70 mil quartos no mercado hoteleiro nacional.
Esse panorama positivo oxigena o segmento e estimula a concorrência entre os meios de hospedagem. Mas deixa todos com uma pulga atrás da orelha: será que a entrada de novos hotéis em operação, atrelada à redução das taxas de crescimento de demanda, vão impactar negativamente o desempenho da hotelaria?
Apesar do ritmo de investimentos no país hoje ser menor do que o observado em anos anteriores, graças à desaceleração da economia brasileira, acreditamos que alguns mercados devem conseguir manter bons níveis de crescimento, mesmo com a iminente redução das tarifas que verificaremos no médio prazo. Já outros, não terão a mesma sorte.
As viagens corporativas tem papel preponderante nesta performance. O setor de negócios representa cerca de 67% das diárias de hotéis urbanos em nosso país. Aqueles que priorizarem seus investimentos na busca pelo viajante corporativo certamente conseguirão sobreviver com maior tranquilidade a esta nova realidade que está se desenhando.
Por isso, além da abertura de novos empreendimentos, agrada-me o envolvimento das empresas hoteleiras na busca pela excelência operacional e pela qualidade, não só dos produtos, mas também dos serviços. Por isso, a Abracorp tem participado de debates com as entidades do setor e o Governo Federal para colaborar com o desenvolvimento da hotelaria no País. Temos buscado estimular, cada vez mais, o uso da tecnologia e o investimento na capacitação e qualificação dos trabalhadores de todos os segmentos do turismo.
A utilização de sistemas de gestão de reservas cada vez mais modernos e adaptados aos diferentes perfis de hotéis, como o B2B Reservas, por exemplo, ferramenta exclusiva das agências associadas Abracorp, oferece otimização de processos e redução de custos e contribui para o bom desempenho dos meios de hospedagem no segmento corporativo. Por isso, investir em plataformas seguras e consistentes é o que enxergamos como preponderante para manter os números da hotelaria nacional no azul.
Edmar Bull
Mais assentos, menos entraves
A equação para que a aviação seja viável no Brasil não é das mais fáceis. Depende de uma série de fatores que envolvem ações das empresas aéreas e políticas de governo. Nos últimos anos, observamos um crescimento setorial bastante significativo e a expectativa é de melhoria para o futuro. Dentro das viagens corporativas, por exemplo, houve um aumento de 16,3% no número de bilhetes emitidos para dentro do país.
A privatização de importantes aeroportos, como Galeão (RJ), Brasília (DF) e Guarulhos (SP), foi um importante passo para o desenvolvimento do transporte aéreo nacional. Porém, os altos custos operacionais e a falta de investimento em aeroportos menores ainda são problemas a serem enfrentados.
Temos o terceiro maior mercado doméstico do mundo, com 95,1 milhões de passageiros transportados em 2014, segundo dados da Abear, atrás apenas dos EUA e da China, e capacidade para aumentar ainda mais. De 2002 a 2013, nosso mercado aéreo cresceu 208% e a expectativa é de que aumente mais 109% até 2020. Isso dentro de um universo perfeito, em que empresas aéreas e Governo, cada um no seu lugar, invistam na infraestrutura dos aeroportos, diminuam impostos, melhorem a eficiência dos voos, ampliem a malha aérea, entre outros itens.
As quatro empresas que dominam o setor – Avianca, Azul, Gol e TAM – tem reagido positivamente, ampliando a oferta, diversificando os seus serviços e melhorando a eficiência operacional. Mas, com a demanda em alta, voltamos à complicada equação da aviação brasileira. É possível aumentar o número de assentos no mercado aéreo nacional para acompanhar a crescente procura por este tipo de transporte? As melhorias na infraestrutura aeroportuária são suficientes para absorver a elevação vertiginosa de passageiros? E a intervenção governamental no preço do QAV (querosene de aviação) assim como os elevados impostos e taxas aeroportuárias e aeronáuticas, vão continuar atrapalhando o desenvolvimento do setor no país?
Mesmo com tantos percalços, até hoje nosso setor aéreo conseguiu se desenvolver e é bem possível que a resposta para todas estas questões seja “sim”. Mas fico imaginando: como seria tudo muito melhor se não existissem tantos entraves.
Edmar Bull