RESTAURANTES DE HOTÉIS NO RIO DE JANEIRO: Vista do 7zero6 Praia Ipanema Hotel

Como estão funcionando os restaurantes de hotéis no Rio de Janeiro

A pandemia está sendo particularmente dura com alguns setores da economia, entre eles o de alimentos e bebidas. Conversei sobre a situação dos restaurantes de hotéis no Rio de Janeiro com Fernando Blower, presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio Janeiro, que me chamou a atenção para dados preocupantes. O setor de alimentos e bebidas é o que mais emprega jovens entre 18 e 24 anos no município e no estado do Rio de Janeiro. Antes da Covid-19 eram 110 mil empregos diretos nos bares e restaurantes do Rio e 170 mil no estado. Durante a pandemia, a capital perdeu 17 mil empregos na área; o estado, 27 mil.

“Os números podem ser de quatro a cinco vezes maiores se contarmos empregos indiretos, como pequenos fornecedores e distribuidores. E ainda temos os comerciantes que vivem do dia a dia sem garantias sociais, já que 75% de empresas do setor são de pequeno porte”, diz Blower.

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O SindRio é uma associação patronal fundada em 1911 e que hoje reúne mais de dois mil associados. Blower acredita que biossegurança e economia podem caminhar juntas e que bares e restaurantes têm função estratégica na retomada do turismo com responsabilidade:

“Ainda estamos na pandemia e não podemos dizer que há risco zero. Mas bares e restaurantes fazem parte do DNA do Rio de Janeiro, já tinham cultura de responsabilidade e biossegurança por conta dos alimentos. Uma pesquisa com nossos associados mostra que 96% dos empresários intensificaram os processos de limpeza e higiene e 76% foram além do exigido pelos novos protocolos. Porém a recuperação será muito lenta e gradual. No momento vendas de balcão e salão não são o suficiente. É preciso manter o delivery”.

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Restaurantes de hotéis no Rio de Janeiro: Final de tarde visto do Arp, bar e restaurante do Arpoador Rio | Foto de Carla Lencastre
Final de tarde visto do Arp, bar e restaurante do Arpoador Rio | Foto de Carla Lencastre

Rio, cidade cobiçada nas pesquisas

O Rio de Janeiro está entre as cidades mais procuradas neste momento de reabertura do turismo doméstico. Dados da Omnibees do final de outubro mostram o Rio como o destino nacional mais buscado e o segundo efetivamente mais reservado (depois de São Paulo). Também no mês passado a Booking.com apresentou uma pesquisa na qual o Rio aparece como o lugar mais desejado em toda a América Latina, à frente de Cancún.

Ainda não viajei desde o início da pandemia. Mas como moro no Rio, ao longo das últimas semanas fui conferir como estão funcionando alguns restaurantes de hotéis do Rio de Janeiro. Para recomeçar a comer fora escolhi lugares que já frequentava antes da Covid-19. Em todos os restaurantes de hotéis no Rio de Janeiro visitados, a máscara só pode ser retirada à mesa e há álcool em gel por toda a parte. Se você se sente confortável para ir a restaurantes, e mora no Rio ou está pensando em visitar a cidade nas próximas semanas, compartilho as minhas (boas) experiências.

Leia mais: Hotéis para respirar ar puro no Estado do Rio

Texto atualizado em 2 de dezembro de 2020 com o Gero, um dos novos restaurantes de hotéis no Rio de Janeiro

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Restaurante novo na Praia de Ipanema

O Fasano Rio tem desde novembro um novo restaurante: a filial carioca do Gero. Que já existia na cidade, em Ipanema mesmo, mas em outro endereço. Com a pandemia, o Fasano substituiu o Al Mare, mais sofisticado, pelo Gero. O lugar é o mesmo: o térreo do hotel. Mas o ambiente mudou um pouco. O impressionante lustre de Murano, peça-chave na decoração do Al Mare, foi recolhido; as paredes receberam os tijolinhos característicos do Gero e fotografias em preto e branco do Rio. Agora há mesas ao ar livre em uma varanda na calçada e as do salão estão mais espaçadas. Todas com álcool gel, cardápio por QR code e talheres em envelopes de papel.

O menu é um mix de clássicos dos dois restaurantes e novidades. As irresistíveis abobrinhas crocantes do Gero continuam no couvert. Apostei no carpaccio de atum, no tortelli de abóbora com amêndoas e no risoto de lula e tomate, finalizado à mesa. O chef continua o mesmo, Luigi Moressa. E o chef, enólogo e sommelier Danio Braga é o diretor de vinhos do grupo Fasano.

Leia mais: O que realmente mudou nos hotéis durante a pandemia

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Restaurante gourmet na Praia de Copacabana

O elegante Alloro, no Miramar by Windsor, é um dos melhores restaurantes italianos do Rio. Na Praia de Copacabana, no térreo do hotel, o salão tem parede envidraçada e pé direito alto. Cortinas leves deixam entrever o mar e o vaivém no calçadão. Reabriu em setembro com mesas bem espaçadas, permitindo distanciamento social. O ambiente é um oásis entre os muitos restaurantes de qualidade duvidosa da Avenida Atlântica. Na entrada, há álcool em gel, medição de temperatura e tapete sanitizante. O cardápio agora é por QR Code. Para quem mora no Rio, o Alloro al Miramar oferece a opção de delivery por aplicativo.

Ponto alto:

A cozinha do chef italiano Renato Ialenti passeia por diferentes regiões da sua terra natal. Fiquei pela Campânia e apostei na cremosa e impecável burrata alla putanesca, com azeitonas pretas, alcaparras e alici, seguida de risoto de frutos do mar. Para a sobremesa, fui para o Vêneto. O tradicional tiramisù é servido em uma linda xícara de vidro transparente.

Pode melhorar:

Há um excesso de plástico de uso único. A manteiga do couvert, em embalagem industrializada, vem embrulhada em filme PVC. Também chegam plastificados a colher do café (os outros talheres estão em embalagens de papel) e os petit fours.

Leia mais: Plástico é a nova obsessão da hotelaria nacional

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Restaurante com vista na Praia de Ipanema

O Espaço 7zero6 fica no Praia Ipanema Hotel, na divisa com o Leblon. O nome faz referência ao endereço: Avenida Vieira Souto 706. Com paredes em vidro, o restaurante está na cobertura e tem vista panorâmica para a praia e a Lagoa Rodrigo de Freitas (foto no início do texto). A quantidade de mesas foi reduzida e elas estão bem espaçadas. Há medição de temperatura e álcool em gel inclusive dentro no elevador que leva ao terraço no 16º andar.

O menu do chef Kadu Soares tem inspiração francesa. Aposte no queijo Saint Marcelin com mel trufado, que tanto pode ser entrada quanto sobremesa, e nas lentilhas com ovo pochê ou no risoto de aspargos e burrata. O 7zero6 é também ótima opção para um café da manhã caprichado e com vista.

Ponto alto:

O panorama que vai da Lagoa e do Corcovado às Ilhas Cagarras no Oceano Atlântico. Reserve uma mesa à janela.

Pode melhorar:

O menu apenas em papel. Um contato que pode ser evitado.

Leia mais: O que mudou no bufê de café da manhã de hotel na pandemia

Restaurantes de hotéis no Rio de Janeiro: drinques no Arp, bar à beira-mar do Arpoador Rio | Foto de Carla Lencastre
Bons drinques no Arp, o bar à beira-mar do Arpoador Rio | Foto de Carla Lencastre

Restaurante ao ar livre na Praia do Arpoador

O Arp, no Hotel Arpoador, já tinha uma gostosa varanda voltada para o mar. Desde setembro, quando reabriu, passou a oferecer também mesas no calçadão. Agora a cozinha está sob o comando da chef argentina Alê Maidana, do bom Quitéria, no Ipanema Inn (os donos são os mesmos do Hotel Arpoador). As deliciosas vieiras na brasa com manteiga queimada e pão de fermentação natural seguem no menu. E a mixologista Néli Pereira continua assinando a original carta de drinques, com ênfase em ingredientes brasileiros. O cardápio pode ser acessado por QR code. Há a opção de versão plastificada, desinfetada na hora por um funcionário. Os talheres estão em embalagem de papel. Cada cliente recebe um sachê de álcool em gel e um envelope, também em papel, para a máscara.

Ponto alto:

Os drinques criativos e as mesas com vista para o pôr do sol atrás do Morro dos Irmãos, um dos mais bonitos cartões-postais do verão carioca.

Pode melhorar:

As sempre irresistíveis Arp fritas chegam com um potinho de maionese de limão. Como geralmente são compartilhadas, seria melhor o molho vir em potes individuais.

Leia mais: Como estão funcionando os hotéis do Rio durante a pandemia

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A evolução dos hotéis durante a pandemia

Que 2020 foi um ano de crise sem precedentes para a hotelaria e toda a indústria turística nacional e internacional nós já sabemos. O desaparecimento dos hóspedes e hotéis fechados em março ao processo de reabertura de propriedades e destinos neste segundo semestre, passamos por um sem fim de protocolos, ajustes e transformações não apenas para adequação aos novos tempos como também de muita criatividade para tentar driblar a crise. E, no processo, houve uma incrível evolução dos hotéis durante a pandemia. 

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Afinal, com muita cautela, hotéis precisaram este ano não apenas adaptar-se aos novos protocolos de higiene e segurança desenvolvidos pela indústria, como também flexibilizar-se diante das novas expectativas dos viajantes.

LEIA AQUI: Como é a reabertura de um hotel na pandemia

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A tendência do isolamento

A popularização do termo turismo de isolamento, por exemplo, impulsionou nestes dois últimos meses a procura por propriedades que garantam distanciamento entre hóspedes que realmente não querem ter contato frequente com outras pessoas – e, sobretudo, hotéis rodeados de natureza.

Já contei aqui na coluna que os lodges na Amazônia brasileira finalmente estão vendo crescimento significativo no número de hóspedes domésticos (e finalmente também estão direcionando seus esforços de comunicação e divulgação a eles). Na Europa, essa mesma tendência provocou um avanço do turismo rural em países como Itália, Espanha e França neste último verão do velho continente que já passa dos 40%.

LEIA TAMBÉM: Os desafios da hotelaria na Amazônia durante a pandemia

A onda do staycation também vem “salvando” propriedades urbanas em grandes cidades aqui e lá fora. Hotéis na orla do Rio de Janeiro, por exemplo, têm investido bastante na ideia de que vale a pena mudar de bairro na sua própria cidade para viver uma nova experiência em viagem e recarregar energias com vistas deslumbrantes da capital carioca e bom serviço – sobretudo enquanto viagens de longa distância ainda são consideradas arriscadas pela maioria dos viajantes (ou mesmo impossíveis atualmente para os brasileiros, dependendo do destino).

LEIA TAMBÉM: 10 hotéis no Brasil para fazer turismo de isolamento.

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Foto: Shangri-La Istanbul at Bosphorus

Novas funções

A evolução da hotelaria na pandemia trouxe novidades antes consideradas impensáveis que podem ter vindo, de fato, para ficar. Se parte do mercado demitiu muitos funcionários no começo da pandemia, a reabertura vem forçando algumas dessas propriedades a recontratar pessoal para se adaptar adequadamente às exigências para reabertura, como novos formatos de serviço de café da manhã etc.

LEIA TAMBÉM: Como a hotelaria está redesenhando empregos na pandemia

E a hotelaria de luxo segue criando inclusive novas funções para o mercado – vide o interessante exemplo do Shangri-La Istanbul at Bosphorus, que criou o primeiro “mordomo de Baklava” do mundo, dedicado exclusivamente a servir de maneira pomposa a clássica sobremesa acompanhada de sorvete (que passou a ser ofertada a todos os hóspedes do hotel). 

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NOVOS USOS PARA ESPAÇOS ANTIGOS

Outras propriedades passaram a criar novos usos para seus espaços de negócios (que ainda devem ficar ociosos por muito tempo, dados os prognósticos para este setor), como estruturas para home office e school office (como já contei aqui). Ou mesmo para exibições privadas de disputadas partidas esportivas televisionadas (de futebol, por exemplo) para pequenos grupos, com serviço dedicado de alimentação e bebidas (exemplo do Shangri-La Toronto que começa a chegar a alguns hotéis em São Paulo e Londres). 

LEIA TAMBÉM: Como hotéis estão driblando a crise na pandemia.

Depois da bem sucedida onda dos “room offices” – termo desenvolvido pela Accor mas já adotado por inúmeras outras propriedades, de rede ou independentes, que transformaram parte de seus quartos em escritórios para uso diário como workplaces -, tem hotéis convertendo quartos em academias privativas.

É o caso, por exemplo, dos hotéis da marca Westin, que transformaram alguns de seus quartos e suítes em salas fitness de uso privado, com equipamento personalizado e esterilizado – e que ainda permitem também a contratação por hora de um personal trainer para quem desejar (além, é claro, de banheiro completo e exclusivo para a ducha pós treino). 

A Meliá International criou nos Estados Unidos uma estratégia digital chamada BeDigital360 com a premissa de se aproximar do hóspede e criar novas experiências diversas dentro do hotel. O foco são clientes que morem em um raio de até 200km da propriedade, mesmo que não fiquem hospedados. Quartos para serem usados como escritórios ou academias durante o dia, ou mesmo experiências gastronômicas ou de day use estão entre as possibilidades oferecidas pelo serviço. 

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Alimentos e bebidas na dianteira

O setor de Alimentos & Bebidas, como já comentei aqui há algumas semanas, tem sido um dos grandes ativos da hotelaria na recuperação do setor desde o começo dos processos de reabertura. Hotéis estão se esforçando não apenas para criar opções gastronômicas para levar visitantes a seus restaurantes como – e principalmente – criando opções sedutoras para que o hóspede da casa se sinta seguro para fazer todas as suas refeições ali mesmo. 

LEIA MAIS: Como Alimentos e Bebidas vêm ajudando a recuperação hoteleira na pandemia

A estratégia tem dado certo em grandes cidades brasileiras e também no exterior, sobretudo em destinos com toques de recolher ou limitações de horários de funcionamento permitidos para bares e restaurantes, como cidades na França, Itália ou Espanha.

Vale destaque o exemplo do The Balmoral de Edimburgo, na Escócia, parte da RoccoForte Hotels, que criou o The Curfew Club (algo como “clube do toque de recolher”), com experiências diversas disponíveis apenas após das dez da noite. As experiências incluem, por exemplo, um “tour” por uma seleção de uísques do bar Scotch (que conta com mais de 500 rótulos) servida diretamente no quarto e com degustação conduzida pelo “Whisky Ambassador” do hotel. Ou uma aula de mixologia para criar seus próprios coquetéis madrugada adentro, em sua suíte. 

A inovação também está levando os caprichados restaurantes de hotéis de luxo a investirem pela primeira vez em serviços de delivery. É o caso, por exemplo, do Hotel Unique, em São Paulo. Membro da Preferred Hotels, seu badalado restaurante SKYE lançou o STAAR @SKYE, serviço de entrega dos pratos e drinks do seu menu através do aplicativo iFood.  

Mais do que nunca, a evolução da hotelaria na pandemia mostrou que o mercado precisa ficar atento tanto às transformações do planeta como às transformações dos próprios hóspedes (estilos, prioridades, necessidades, focos) neste processo para evoluir de fato junto com eles.

LEIA TAMBÉM: Revolução cultural na hotelaria em tempos de coronavírus.

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Uso de plástico nos resosrts do Brasil na era covid-19: garrafas PET recolhidas no mar

Plástico é a nova obsessão dos resorts no Brasil na era covid-19

O turismo nacional está recomeçando lentamente e já dá para perceber que plástico descartável por toda a parte é a nova obsessão dos resorts no Brasil na era covid-19. Nas últimas semanas assisti a vídeos mostrando toalhas, tapetes de banheiro e papel higiênico envelopados um a um e até amenidades e garrafas de plástico embrulhadas em… plástico. É como se o material tivesse um poder sobrenatural de garantir que um objeto não está contaminado pelo novo coronavírus.

O apego desmedido ao plástico não faz sentido do ponto de vista da ciência. Nem do bom senso. Como garantir que o filme de PVC que embala a garrafa não está contaminado? Plástico tem um grande impacto na poluição marinha e o setor de hospitalidade precisa reduzir o uso e cuidar do descarte adequado. É fundamental que hóspedes e agentes de viagem cobrem novos protocolos não apenas de biossegurança mas também de sustentabilidade. Afinal, turismo sustentável começa pelas escolhas que cada um faz.

Algumas pessoas que já voltaram a viajar me disseram que se sentem mais seguras em um mundo embalado a plástico. Entendo a sensação, afinal é um material fácil de limpar. Porém, de um modo geral, contágio por superfície é evitado mantendo mãos limpas, seja com água e sabão ou com álcool 70%. O hóspede assintomático na piscina ou no restaurante pode ser vetor de transmissão do novo coronavírus. Já embalagens de amenidades ou de bebidas em alumínio, plástico e vidro são facilmente laváveis com água e sabão caso o cliente desconfie da higiene do quarto.

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Leia mais: É seguro usar de piscina de hotel durante uma pandemia?

Plástico é a nova obsessão dos resosrts do Brasil em tempos de covid-19: piscina de hotel brasileiro pré-pandemia
Piscina de hotel brasileiro pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

As insustentáveis luvinhas Do bufê self-service

Há excesso de plástico também no bufê de refeições de self-service dos resorts, atividade classificada como de alto risco na pandemia e que muitos hotéis insistem em manter. Além de ser cada vez menos justificável a exaltação ao desperdício de comida, os bufês agora fazem uma elegia ao plástico de uso único. Os talheres são embalados, às vezes um a um, e os hóspedes recebem luvas descartáveis cada vez que vão se servir.

Quando o bufê é assistido, com funcionários servindo, o uso de plástico diminui. Vale ressaltar que talheres envelopados em plástico chegaram a hotéis que oferecem apenas serviço à la carte. É um problema ambiental gigantesco criado pela hotelaria, e ainda não encontrei um empreendimento brasileiro que deixe claro como pretende descartar a novidade.

Leia mais: Como ficam os bufês de hotel em tempos de covid-19

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O que diz a Resorts Brasil

Passei algumas semanas observando nas redes sociais fotos e vídeos de hóspedes de resorts que fazem parte da Associação Brasileira de Resorts. Dos 52 hotéis associados, 51 estão funcionando (o 52º é o Ocean Palace, em Natal, com reabertura marcada para o próximo dia 30). A Resorts Brasil tem em seu site um Guia para o Viajante Responsável, feito em parceria com 27 (!) entidades, e detalhados protocolos para os hoteleiros.

Leia mais: Os desafios da retomada do turismo no Estado do Rio

Na cartilha com procedimentos de higiene e segurança, validados pela Anvisa e por sete associações, não há nenhuma orientação sobre plástico descartável. No caso dos bufês, a recomendação é que o serviço seja assistido, com estações de alimento protegidas por acrílico e funcionários servindo os hóspedes. Para os frigobares, a orientação é abastecer sob demanda ou higienizar cada item individualmente entre um hóspede e outro. Um dos itens do manual destaca o uso de canais de comunicação digitais para informar sobre protocolos de segurança, o que a maioria dos hotéis brasileiros ainda não faz mesmo depois de seis meses de pandemia.

Já no guia do viajante o texto até chama a atenção para o uso excessivo de plástico, lembrando da importância de se evitar consumir produtos em embalagens plásticas, e orienta sobre o descarte de máscaras, que não podem ser misturadas com lixo reciclável. Sustentabilidade aparece como uma prioridade em um dos três eixos de atuação da associação e há um grupo de trabalho dedicado ao tema. Mas nenhuma informação sobre como lidar com a overdose de plástico de uso único gerada pela pandemia.

Mesmo resorts que têm em seus sites páginas dedicadas a promover medidas sustentáveis de verdade, como o uso de energia 100% limpa e ações de impacto voltadas para as comunidades locais, não fazem menção às medidas de redução do plástico ou ao descarte.

Leia mais: O que realmente mudou nos hotéis em sete meses de pandemia

‘Plástico é medida cosmética’

Conversei sobre o uso indiscriminado do plástico na hotelaria nacional com a jornalista Ana Lucia Azevedo, há mais de três décadas especializada em ciência e saúde. Com vários prêmios na área, ela está cobrindo a pandemia para o jornal O Globo. Ao longo de seis meses entrevistou muitos especialistas sobre o novo coronavírus. “Embalar produtos em plástico é medida de efeito cosmético no que diz respeito à covid-19 e potencialmente poluente. Ao abrir o plástico, o cliente se exporá da mesma forma ao novo coronavírus. O importante é garantir a higienização. O aumento do consumo de plástico impacta os oceanos, que já sofrem com uma poluição sem precedente, comprometendo a qualidade da água e mata animais”.

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Plástico pode, e deve, ser substituído

Semana passada, saí pela primeira vez para ir almoçar fora na pandemia. Escolhi o Arp, agora com mesas ao ar livre no calçadão do Arpoador. É um dos meus restaurantes de hotel preferidos no Rio de Janeiro, onde moro. O cliente recebe em embalagens de papel álcool em gel 70% e um envelope para guardar a máscara. Talheres e guardanapos chegam em embalagens de papel. É possível trilhar bons caminhos em meio a pandemia.

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Bufê de café da manhã de hotel na pandemia | Foto de divulgação

O que mudou no bufê de café da manhã de hotel na pandemia

Comida exposta por horas. Talheres de servir compartilhados. Comensais andando e parando em frente a todos os pratos, ou quase todos, e conversando. Fila. Aquele que muda de ideia e volta algumas travessas, passando por quem está se servindo. Réchauds abertos e fechados quantas vezes a dúvida impulsionar. O bufê de café da manhã de hotel morreu na pandemia. Vida longa ao bufê de café da manhã de hotel na pandemia.

Nem a Covid-19 foi capaz de deter este impávido clássico na hotelaria nacional. Uma tabela elaborada por epidemiologistas, infectologistas e especialistas em saúde pública da Associação Médica do Texas (TMA, na sigla em inglês) listou os riscos de contágio de diversas atividades em níveis vão de 1 (baixo risco) a 9. Comer em bufê está no nível 8, de alto risco. É uma atividade apenas menos arriscada do que ir a um show, evento esportivo ou culto religioso com mais de 500 pessoas. A classificação levou em conta que todos estariam usando máscaras, lavando as mãos com frequência e mantendo distanciamento social.

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Higiene X sustentabilidade

Como no caso da piscina de hotel, em que nada indica que a água clorada seja transmissora do novo coronavírus, nos bufês self-service o problema não é a comida. São as pessoas e o entorno.

Com a flexibilização das medidas restritivas em todo o país surgiram vídeos de hotéis com piscinas e bufês self-service repletos de destemidos aglomerados. Em imagens de outros resorts nota-se o uso surreal de plástico descartável em nome de higienizar o bufê, com talheres embalados, luvas para os hóspedes e até frutas com cascas embrulhadas em filme PVC. Com um agravante: os hotéis não deixam claro como descartam o material. O plástico de uso único é um dos maiores vilões da poluição dos oceanos e o setor de hospitalidade tem responsabilidade nisso.

Leia mais: Plástico é a nova obsessão dos resorts brasileiros na era covid-19

Pequenas porções à mesa na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre
Café da manhã na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre

alternativas ao serviço de bufê

A área de alimentos e bebidas é responsável por parte significativa do custo operacional de um hotel. Hoje protocolos devem ser ainda mais rigorosos, incluindo os seguidos pelos fornecedores. Afinal, de nada adianta ter todas as precauções na manipulação de alimentos se o fornecedor não fizer o mesmo. O custo final de uma refeição à la carte é mais caro do que em um bufê, e isto também tem que ser levado em conta nesta complicada fase da hotelaria.

Há caminhos do meio que estão sendo seguidos por alguns resorts, como o dos bufês híbridos. No Club Med, com suas três unidades no Brasil reabertas, o bufê é assistido. Ou seja, funcionários com equipamento de proteção individual montam os pratos dos hóspedes, que não encostam nos utensílios nem nas máquinas de café, por exemplo. Com a equipe a postos também é mais simples garantir que nenhum hóspede será servido se não estiver usando máscara e que o distanciamento social será respeitado. Em outros hotéis, como já acontecia antes, o bufê tem itens em porções individuais, enquanto outros são pedidos à la carte. Há ainda uma espécie de minibufê servido à mesa, com pequenas porções de diferentes pratos.

Leia mais: Os desafios da retomada do turismo no Estado do Rio

Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião | Foto de Carla Lencastre
Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião, na Amazônia | Foto de Carla Lencastre
O Papel de cada um

Faço a ressalva de que nunca fui fã de bufês, por razões de gosto pessoal e, principalmente, por conta do imenso desperdício de alimentos. Mas reconheço que um bom bufê de hotel tem o seu apelo e pode ser uma experiência em si. Como em tudo nesta delicada fase pela qual a hotelaria está passando, fica mais fácil se cada um fizer a sua parte.

Ao hoteleiro que optar por manter o bufê à moda pré-pandemia cabe detalhar as medidas de biossegurança e de sustentabilidade. Não apenas em relação ao descarte de plástico, mas também ao desperdício de comida. Ao hóspede e ao agente de viagens que oferece o hotel ao cliente cabem cobrar informações claras sobre higienização, controle de ocupação de espaço, distanciamento social e cuidados com o meio ambiente. E sempre seguir as regras. A revista Panrotas fez uma reportagem com 15 perguntas que se deve fazer antes do check-in no hotel. Conferir as adaptações no setor de alimentação é uma delas.

Leia mais: Hotel carbono neutro, quando a hospedagem não deixa pegadas

Bufê de café da manhã de hotel brasileiro à moda pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre
Bufê de café da manhã de hotel brasileiro pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

Enquanto isso em las vegas…

Bufê de café da manhã de hotel é tradição brasileira, mas não é exclusividade. Há bufês de diferentes estilos em todos os continentes, e a origem histórica deste tipo de serviço está na Europa. Mas foi em Las Vegas, na década de 1940 que nasceu o conceito de bufê americano moderno, o all-you-can-eat. Ou coma o quanto aguentar. No café, no almoço e no jantar.

Leia mais: O que realmente mudou nos hotéis na pandemia

O Buffet at Wynn foi um dos primeiros da Strip (o Las Vegas Boulevard, onde estão os principais cassinos da cidade) a retomar as atividades, em meados de junho. O cliente fazia o pedido a um garçom, e o prato era trazido à mesa. O bufê-que-não-era-bufê fechou de novo menos de três meses depois, sem previsão de reabertura. Já o Caesars Palace pretendia reabrir o Bacchanal Buffet, com 600 lugares, em agosto. Pequenos pratos previamente montados seriam entregues por funcionários e vários itens seriam servidos diretamente nas mesas. A reabertura foi adiada para o fim do ano.

Atualização: Em meados de setembro o Wynn Las Vegas anunciou que 548 funcionários testaram positivo para covid-19. Todos eram assintomáticos. Desde junho o Wynn já recebeu mais de 500 mil hóspedes.

E no Brasil, onde você aposta as suas fichas? Encontraremos alternativas mais seguras? Ou o bufê self-service de hotel e de restaurantes de comida a quilo seguirão como na era pré-Covid-19?

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Chalés do Parador Lumiar, no Estado do Rio

Hotéis para respirar ar puro na serra do Rio de Janeiro

Ar puro é uma das commodities mais importantes da hotelaria em tempos de pandemia. Aparentemente, é mais difícil o vírus se propagar ao ar livre do que em ambientes fechados. Há vários hotéis para respirar ar puro na serra do Rio de Janeiro e praticar turismo de isolamento. Nas montanhas fluminenses, as cidades de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo oferecem boas opções, fora do Centro, para uma escapada com distanciamento social.

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Hotéis na serra do Rio de Janeiro: Parador Lumiar
Um dos 13 chalés do Parador Lumiar, na serra fluminense | Foto de Carla Lencastre
Parador Lumiar, opção imbatível nos arredores de Friburgo

A cerca de 40km de Nova Friburgo, o Parador Lumiar é uma gostosa opção. Fica em Lumiar, distrito de Nova Friburgo, na serra fluminense, a 850 metros de altitude e a 160 km do Rio. Membro da associação Roteiros de Charme, a pousada reabriu no mês de agosto. São 13 chalés de 37m² (três deles com ofurô em uma varanda envidraçada) em torno de um lago e em diferentes níveis de terreno, o que garante privacidade, além de distanciamento. Cada chalé fica a cerca de 10 metros de distância um do outro e o hóspede decide se quer que o quarto seja arrumado ou não. A piscina está liberada.

Leia mais: É seguro usar piscina de hotel durante a pandemia?

O Parador foi construído seguindo padrões de sustentabilidade, como o uso de madeira de demolição, e empregando mão de obra local. Dá para passar dias sem sair de lá, apreciando flores coloridas em meio ao verde exuberante da Mata Atlântica, contemplando o vale, observando os pássaros, ouvindo o coaxar dos sapos quando a noite cai. O hotel oferece passeios de jipe e de cavalo que levam a rios e cachoeiras da região. O Wi-Fi funciona bem.

Leia mais: Plástico é a nova obsessão dos resorts brasileiros na era covid-19

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cozinha do parador

Com um cardápio contemporâneo que valoriza os produtos locais, o chef baiano Isaías Neries revolucionou o Cozinha do Parador e sua espaçosa varanda debruçada sobre o verde. Pioneiro do farm to table, o chef usa ingredientes que ele mesmo planta na horta orgânica da pousada ou encomenda de produtores da região, como queijos e trutas.

Para beber, a água mineral vem da fonte do hotel. As frutas usadas na caipirinha também. O Parador tem ainda uma adega com paredes em pedra e 450 garrafas. O restaurante é famoso na região pela feijoada de sábado e pelas massas frescas (os nhoques são divinos).

Atualização: O Cozinha do Parador é aberto ao público em geral, mas está funcionando com capacidade reduzida. Reservar é fundamental.

Leia mais: Como fica o bufê de café da manhã de hotel na pandemia

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Para famílias com crianças nos arredores de Petrópolis

O Parador Lumiar é um hotel pet friendly e recebe bem crianças. Mas para quem procura um lugar mais voltado para famílias na serra fluminense, o Solar Fazenda do Cedro é certificado pelo Circuito Elegante com o selo Safe & Clean, criado em parceria com o Bureau Veritas. Entre outras medidas, os itens do minibar são escolhidos na hora da reserva.

Como no Parador Lumiar, a temperatura é aferida no check-in e a bagagem, desinfetada. Os apartamentos são para três ou quatro pessoas e os chalés abrigam até cinco hóspedes. O hotel fica entre Pedro do Rio e Areal, a 40km de Petrópolis.

Leia mais: O que realmente mudou nos hotéis em sete meses de pandemia

No Centro da cidade histórica, o Museu Imperial continua fechado. Também no Centro, o restaurante e o bar da Cervejaria Bohemia funcionam com capacidade reduzida e sob reserva.

Atualização: A visita à fábrica foi retomada e os ingressos para três diferentes tipo de tour podem ser comprados no site da cervejaria.

Leia mais: A reabertura para o turismo de Búzios, Angra e Paraty

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Para uma experiência mais exclusiva na serra

Uma opção confortável para viagens multigeracionais ou de um grupo de amigos são os roteiros personalizados oferecidos pela Passion Brazil. Especializada em atender visitantes estrangeiros, com a pandemia a operadora criou um segmento para brasileiros. Neste primeiro momento, os roteiros são para lugares remotos ou sem aglomeração para passar alguns dias cercado apenas de familiares ou amigos e aproveitar a infraestrutura de lazer e a gastronomia da região.

Leia mais: Como estão funcionando os restaurantes de hotéis no Rio

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Na serra fluminense, a hospedagem pode ser na deliciosa Pousada Tankamana, com chalés de 25 ou 40 m², estes com ofurô ou hidromassagem. Reaberta no mês passado, a pousada fica no Vale do Cuiabá, em Itaipava, entre Petrópolis (40km) e Teresópolis (30km).

Leia mais: Os desafios da retomada do turismo no Estado do Rio  

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