Novidades na hotelaria novaiorquina

Já tem um tempinho que Nova York entendeu que era preciso inovar para renovar a hotelaria da cidade. Nos últimos cinco anos, diversos hotéis passaram por renovações e super liftings, e vários novos hotéis abriram suas portas na cidade, em distintos cantos.

Uma grande mudança foi a abertura da segunda unidade do grupo Four Seasons na até então mais isolada Downtown em 2016. O Four Seasons New York Downtown contribuiu enormemente para redesenhar a região, que se configura cada vez mais como uma excelente localização de hospedagem para quem quer explorar a cidade tanto em distintos cantos de Manhattan como também em outros distritos e vizinhanças. E o hotel ainda tem um belíssimo spa e uma filial do CUT by Wolfgan Puck.

Hoje, Downtown conta com um clima muito mais gostoso e tipicamente novaiorquino, com excitantes novos bares, novos cafés, novos restaurantes e dois grandes complexos de compras mais upscale, o Brooksfield Place e o mall Westfield, anexo à genial obra de Calatrava, o Oculus – e com muito menos fluxo de turistas que outros cantos da cidade. A região também ganhou diversas novas atrações, como o imperdível One World Observatory e o Museu e Memorial de 11 de setembro. E ganhou também novas opções em hospedagem, como as residências do AKA Wall Street, hotel membro da Preferred Hotels, para quem fica mais tempo na cidade e quer contar com a conveniência de um apartamento completo, com serviço incluído.

Mesmo os hotéis mais clássicos entenderam que é preciso reinventar e se adaptar aos novos tempos e novos perfis de público – principalmente na hotelaria de luxo. Um caso excelente é o do Mandarin Oriental New York que passou por remodelação, mas segue sendo um clássico na cidade – e adicionou aos seus atrativos grandes sacadas, como o genial bar The Aviary, filial da unidade premiada de Chicago. Instalado no 35o andar, oferece pratos e drinks fora do comum (espere malabarismos, cozinha molecular, nitrogênio líquido etc) e vistas panorâmicas para o Central Park.

Detalhe de uma das estrelas do cardápio do The Aviary, no Mandarin Oriental New York. Foto: Mari Campos

Fora de Manhattan, hotéis cada vez mais transados e focados nos millennials e hipsters entenderam que uma bela vista é fundamental para quem explora outros boroughs. Bom exemplo disso são os novos hotéis no Brooklyn e Williamsburg, sempre investindo em rooftop bars e/ou piscinas externas com vista. O belo Equinox Hotel New York, aberto recentemente em Hudson Yards, também entendeu esta máxima rapidinha e acertou imensamente nos janelões dos quartos, no delicioso rooftop e na escandalosa piscina com vista para Manhattan e uma visão privilegiada do The Vessel (que já é, aliás, o monumento mais fotografado de Nova York hoje).

O The Vessel visto do rooftop do Equinox Hotel, em Nova York. Foto: Mari Campos.

Em visita à cidade na semana passada (com apoio do NYCgo e da Copa Airlines), acompanhei pessoalmente a abertura de outros dois novos hotéis de estilos e budgets bem diferentes, e em pontos distintos de Manhattan. Primeiro, o belo Conrad New York Midtown, que abriu suas portas oficialmente no último dia primeiro de setembro. O hotel, que ocupa o edifício do antigo London Hotel, passou por um extreme makeover e reabriu inteiramente reformado.

Os quartos (que incluem sempre cápsulas de café e chás sem custos) ficaram todos espaçosos e elegantes, com cores discretas, e há obras de arte espalhadas por toda a propriedade. As suítes mais caras ficam nos andares mais altos e têm belas vistas para a cidade – como a suíte presidencial, com dois andares e vista para o Central Park. Há bom serviço de conciergerie e atendimento em geral bastante simpático. E o hotel ganha ainda um novo bar e restaurante até o final desta semana; com jeito de brasserie, a ideia do hotel é que o espaço atraia tanto turistas quanto novaiorquinos no almoço e no jantar.

Com foco nos millennials, a Moxy Hotels, marca budget jovem da Marriott Hotels, acaba de abrir no East Village o Moxy East Village, bem em frente ao lendário Webster Hall. Com design do Rockwell Group, o décor das áreas comuns chama a atenção, com homenagens a figuras históricas da música e da região. Os 286 quartos são em sua grande maioria bastante espartanos, com cama e banheiro integrados, inspirados nas cabines de navios – incluindo alguns com beliches. Mas as roupas de cama são de ótima qualidade e os chuveiros também.

Não há coffee/tea facilities nos quartos e água engarrafada custa exorbitantes (para uma propriedade que se diz econômica) 5 dólares a garrafa – mas há café e chá disponíveis gratuitamente no lobby pelas manhãs cedo. Há acesso gratuito à academia e empréstimo de bicicletas. Mas os maiores atrativos do hotel estão mesmo nas áreas sociais: no gostoso Alphabet Bar&Café no lobby, no belo restaurante de cozinha mediterrânea by Jason Hall Cathédrale e no underground lounge Little Sister, que mal abriu e já anda concorrido. O hotel anunciou também que tem planos de abrir um rooftop bar na primavera americana do ano que vem.

Em breve vai dar para ler review completinha destes hotéis clicando aqui.

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Fachada do Park MGM em Las Vegas

Como é se hospedar no Park MGM, o mais novo hotel de Las Vegas

Acabei de chegar de Las Vegas, onde participei da Wyndham Global Conference, sobre a qual ainda vou escrever aqui. Quando a convenção terminou, fiquei mais uns dias e, na hora de escolher o hotel, apostei na novidade, o Park MGM. Parte do grupo MGM Resorts, com uma dezena de outras propriedades na cidade, o Park MGM não é um hotel de luxo. Mas é bem localizado; tem boas opções gastronômicas, incluindo um Eataly, e os quartos são bonitos e confortáveis. Ótima relação custo x benefício.

Localização. O Park MGM é o antigo Monte Carlo, que aos 22 anos passou por dois anos de reforma em um rebranding de US$ 500 milhões. O novo nome do resort de três mil quartos foi adotado em maio de 2018, mas as obras só foram concluídas no final do ano. A boa localização continua a mesma: na porção Sul da Strip, como é conhecido o Las Vegas Boulevard, separado do New York New York por uma nova e bem-vinda área verde, The Park. O parque invade o lobby em mármore do hotel com uma escultura de galhos de árvores que se espalha pelo teto e se mistura aos lustres originais do Monte Carlo. Em vez de balcão de check-in, há diversas máquinas de autoatendimento e funcionários estão por ali para qualquer dificuldade. Os pisos superiores da construção de 32 andares são ocupados pelos 292 quartos do NoMad Las Vegas. Um trem, que já existia, liga o Park MGM ao Aria (meu favorito, com ótima coleção de restaurantes), ao lindo centro comercial de luxo The Shops at Crystals e ao clássico Bellagio e suas fontes dançantes. O percurso também pode ser feito a pé. Entre o Park MGM e o Bellagio, ficam ainda o Waldford Astoria (ex-Mandarin Oriental), o Vdara e o Cosmopolitan, este também com bons bares e restaurantes.

Quarto do novo Park MGM Las Vegas | Foto de Carla Lencastre

Quartos. Vencido o longo corredor, um clássico de Vegas, o quarto bonito e espaçoso lembrava mais o de um charmoso hotel boutique em uma metrópole, e não em um cassino gigante no meio do deserto. O meu era em agradáveis tons fechados de verde (a cor predominante no hotel), mas vi que há também versões em vermelho. Ao longo da janela, fica a área de estar, com sofá com almofadas em veludo, poltrona estofada e mesa oval em madeira, tudo com um ar vintage, acolhedor e confortável. Nas paredes, desenhos e fotografias, que são diferentes em cada quarto. O banheiro é prático, com chuveiro walk-in, sem banheira ou roupão. O Wi-Fi funcionou perfeitamente e há tomadas e entradas USB em diferentes locais do quarto. No 12º andar, eu tinha vista para parte das piscinas, os hotéis vizinhos e as montanhas do deserto, com direito ao pôr do sol. Pena que os vidros sujos impediam qualquer foto mais ambiciosa. O quarto não tem frigobar. Quando estava pesquisando sobre o hotel, antes de reservar, reparei que isso incomoda muita gente. Não é o meu caso, mas fica a ressalva. Também não há cafeteira. Água na temperatura ambiente e snacks estão à disposição em uma bandeja que funciona no esquema pegou-pagou. Há um balde de gelo que pode ser abastecido na máquina perto dos elevadores.

A entrada do novo Eataly Las Vegas, no Park MGM | Foto de Carla Lencastre

Gastronomia. Um dos pontos altos do Park MGM. São muitas as novas opções: Primrose, opção para o café da manhã, com um terraço ao ar livre voltado para a área das piscinas; Bavette’s, steakhouse de Chicago; Juniper Cocktail Lounge, especializado em gim, com bons drinques e aberto para o cassino; a mezcaleria Mama Rabbit; o coreano Best Friend by Roy Choi, e o NoMad, restaurante e bar, entre outros, em diferentes faixas de preço. A novidade mais impressionante é, sem dúvida, o novo Eataly Las Vegas, aberto há menos de um ano. São dois restaurantes e numerosos bares, com diferentes comes e bebes, de bar de cannoli a bar de negroni. Dá para passar uma semana no Park MGM sem repetir restaurante.

Serviços. O Park MGM tem spa e quatro piscinas, uma delas somente para adultos e outra exclusiva para os hóspedes do NoMad Las Vegas. O cassino está renovado, com alguns bons detalhes do Monte Carlo preservados, como lustres e vitrais. A transformação do Monte Carlo em Park MGM começou em dezembro de 2016, quando foi inaugurado o Park Theater, que tem 5.200 lugares e Lady Gaga como residente pelos próximos meses. Entre a Haus of Gaga e o New York New York Hotel fica o novo The Park, rara área verde ao ar livre com bares e restaurantes. Em abril de 2016, foi inaugurado no “bairro” a T-Mobile Arena, palco de shows e competições esportivas com capacidade para 20 mil pessoas. Fica em frente ao Park MGM.

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Hall dos elevadores do Mandarin Oriental Hyde Park London

Como é se hospedar no renovado Mandarin Oriental Hyde Park, em Londres

Welcome, Ms. Lencastre, me disse o porteiro assim que abriu a porta do táxi na entrada do Mandarin Oriental Hyde Park London. Reconhecimento facial pelos funcionários é um luxo da hotelaria que sempre me impressiona e não poderia ter começado melhor minha hospedagem no Molon.

O hotel pegou fogo em junho do ano passado, logo depois de o prédio centenário ter passado, ao longo de dois anos, pela maior renovação da sua histórica. O jeito foi, como diz o clichê, renascer das cinzas. E que renascimento. Mês passado, a gerente geral do hotel, Amanda Hyndman, que assumira a função poucos dias antes do incêndio, foi escolhida a hoteleira do ano pela associação de viagens de luxo Virtuoso.

Depois de seis meses fechado, no final de 2018 o Molon reinaugurou seus três restaurantes, o bar e o spa. A reabertura para hóspedes foi em 15 de abril deste ano. Fiz check-in dias depois, a convite do VisitBritain, órgão de promoção do turismo britânico. A seguir, alguns destaques da hospedagem.

Localização

Um dos hotéis mais luxuosos de uma cidade repleta de estabelecimentos de primeira, o Mandarin Oriental Hyde Park London fica no elegante bairro de Knightsbridge, em frente à loja de departamentos Harvey Nichols e perto da Harrods e do V&A Museum. A melhor maneira de se locomover por Londres é de metrô, e a estação de Knightsbridge está na calçada em frente, a cem metros. A entrada do hotel leva ao lobby com mármores em diferentes cores, colunas e imenso lustre de cristal que lembra uma flor aberta.

A outra fachada é voltada para o parque, como o nome do hotel indica, onde há uma entrada usada apenas pela Família Real e convidados especiais, geralmente chefes de Estado. A rainha Elizabeth II e sua irmã, princesa Margaret, tiveram aulas de dança no ballroom, na primeira metade do século 20. O prédio em estilo eduardiano é de 1889. Funciona como hotel há 117 anos, e como Mandarin Oriental desde o ano 2000.

Quartos

O novo design dos 181 quartos é assinado por Joyce Wang, que vive entre Londres e Hong Kong. A ideia foi “trazer o parque para dentro do hotel”, e há muitas referências a folhagens, patos e cavalos, inclusive na bela curadoria de obras de arte moderna distribuídas por toda a propriedade. O mobiliário tem referências art déco e o resultado é sofisticado e acolhedor.

A espaçosa suíte onde me hospedei, voltada para a Knightsbridge, era silenciosa, com sala, quarto e dois banheiros em mármore, um deles com banheira, ambos com vasos sanitários japoneses, com aquecimento. No quarto, há mesa, poltrona e tomadas e entradas USB por toda a parte. Na sala, sofá, poltrona, mesa de centro, mesa de trabalho, estante com livros interessantes e um bonito armário com frigobar e máquina de café expresso. Menção especial para as lindas luminárias em todos os ambientes.

A água mineral vem da fonte do Blenheim Palace, palácio onde nasceu Winston Churchill a cerca de cem quilômetros a noroeste de Londres. O primeiro-ministro britânico foi um dos muitos hóspedes ilustres do hotel, e é homenageado também na carta de drinques do bar.

Gastronomia

O Molon é o endereço do Dinner, restaurante do chef britânico Heston Blumenthal, com duas estrelas Michelin. E, também, do sempre bom Bar Boulud, menos formal, do chef francês radicado em Nova York Daniel Boulud. Como bom hotel inglês, tem um concorrido afternoon tea com champanhe servido no bonito Rosebery, um salão de chá que funciona desde 1920, e um bar com drinques inspirados na história e na localização do prédio. O café da manhã, com bufê e serviço à la carte, é servido salão do restaurante de Blumenthal, com janelões voltados para o Hyde Park. O Bar Boulud tem entrada independente pela rua. O novo décor do bar, os restaurantes e do spa no subsolo, com piscina de 17 metros de extensão e 13 salas de tratamento, é assinado pelo designer nova-iorquino Adam D. Tihany.

Serviço

Impecável, como se espera em um hotel deste porte. Do reconhecimento na chegada aos pequenos detalhes, como um pequeno prendedor em velcro para manter enrolados os fios dos eletrônicos espalhados pelo quarto. Funcionários gentilíssimos em todas as áreas.

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O patrimônio das pousadas brasileiras

Como alguém que viaja o Brasil e o mundo desde sempre e que presta muita, mas muita atenção em hotelaria desde muito antes de escrever sobre isso, se tem uma coisa que me faz feliz é encontrar bom serviço em meios de hospedagem brasileiros. Qualidade de serviço em hotelaria brasileira, felizmente, é algo que tem evoluído bastante e temos inclusive propriedades que figuram todo ano em diversos rankings especializados entre as melhores do mundo neste quesito, como o Ponta dos Ganchos, em Santa Catarina.

Hoje temos também grandes hotéis no país, de distintos perfis, incluindo também novas redes internacionais famosas pelo serviço primoroso que acabam de chegar ao país, como a canadense Four Seasons. Mas qualidade em serviço não é, nem nunca foi, diretamente associada ao tamanho de uma propriedade. Porque se tem um setor da hotelaria em que realmente caprichamos em serviço de um jeitinho só nosso é nas pousadas.

Pousada no Brasil é algo sem comparação em nenhum outro país. Claro que há pousadas e pousadas, e a gente não pode de jeito nenhum meter todas no mesmo balaio; mas as pousadas de charme brasileiras são mesmo um ponto fora da curva – positivamente. O atendimento cálido, super personalizado, chamando hóspede pelo nome, aprendendo rapidinho suas preferências… tudo isso faz uma diferença imensa numa experiência de viagem.

Vista para o mar imbatível na Villa D’Este, em Búzios. Foto: Mari Campos

Somem-se a isso ambientes charmosos, poucos quartos/hóspedes, roupa de cama e banho caprichada, camas e travesseiros super confortáveis, amenidades de qualidade, equipes sempre afinadas e solícitas e aquele café da manhã “de rei” são alguns dos atrativos facilmente encontrados em pousadas deste tipo. Gosto de muitas, e de perfis bem diferentes entre si, como as deliciosas Casa Turquesa (Paraty), L.A.H (Campos do Jordão), Provence Cottage (Monte Verde), Barra do Bié (Cunha), Villa d’Este (Búzios), Quinta dos Pinhais (Santo Antonio do Pinhal), Maui (Maresias) e tantas outras.

Algumas perfeitas para escapadas românticas, outras na medida para passar dias bem felizes em famiília; o denominador comum nestas pousadas incríveis costuma ser o mesmo: ter ali, in loco, os próprios donos se encarregando de ajudar o hóspede se sentir realmente em casa, mimado e satisfeito. O olho do dono, dizem, é que engorda o gado – e nas pousadas brasileiras isso parece ser mesmo verdade. Das minhas hospedagens favoritas no Brasil, boa parte é composta justamente por pousadas charmosas para as quais sinto um prazer imenso em voltar – justamente pelo serviço tão caprichado e, ao mesmo tempo, tão pessoal e cálido.

Na semana passada, a inspector Carla Lencastre escreveu aqui sobre a excelente oferta de pousadas de alta qualidade da cidade de Tiradentes, em Minas Gerais. A fartura de boas pousadas nesta cidade mineira realmente impressiona – inclusive pela diversidade da oferta, tanto em termos de budget como em variedade de estilos.

Da minha estadia em Tiradentes em julho passada, voltei bem feliz com a Pousada Solar da Serra. Localizada no alto de uma das colinas de Tiradentes, já na estrada para o município vizinho de Bichinho, ela tem a vista mais bonita da cidade, com Tiradentes e o incrível paredão da Serra de São José no horizonte, de cabo a rabo – inclusive da piscina de borda infinita.

Espere encontrar ali quartos espaçosos e confortáveis todos com varandas privativas, novas suítes com direito até a jacuzzi com vista, fartíssimo café da manhã (com os pratos quentes preparados na hora) e chá da tarde completo incluídos nas diárias (que começam em, acredite, 300 reais por quarto). E, claro, as irmãs proprietárias e sua afinada equipe estão sempre por ali garantindo que os hóspedes estejam satisfeitos – com direito a mimos até na hora de ir embora. Tem review completinha da Solar da Serra aqui.

E se você estiver pensando em aproveitar um dos próximos finais de semana ou feriados para escapar para destinos no Sudeste brasileiro, vale a pena ler este post meu com dica de sete pousadas imperdíveis em destinos deliciosos de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. Todas testadas e aprovadas, cheias de charme e conforto, no melhor estilo das pousadas brasileiras – vale espiar.

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Fachada da pousada Solar da Ponte, em Tiradentes, Minas Gerais

Onde ficar em Tiradentes, Minas Gerais

A mais charmosa das cidades históricas mineiras é também uma das mais cuidadas e preservadas. Foi uma alegria reencontrar Tiradentes tão bem, semana passada, depois de alguns anos sem visitá-la. Com fiação subterrânea e emoldurada pelo paredão da Serra de São José, o encantador Centro Histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) proporciona uma viagem a um passado bucólico combinada com a infraestrutura do presente. A sete horas de carro de São Paulo, cinco do Rio de Janeiro e três de Belo Horizonte, é programa para mínimo de três ou quatro dias.

Por mais fascinante que seja Tiradentes, a cidade de 300 anos e com pouco mais de sete mil habitantes sofre com a queda de demanda no quente verão. Como o turismo é sua principal fonte de renda, empresários e artistas locais organizaram o grupo Tiradentes Mais para promover a cidade, garantir a qualidade do serviço e criar festivais durante a baixa temporada. Reunindo hoje mais de 50 empreendimentos locais, o grupo está programando um calendário de eventos natalinos, que deve começar em novembro.

A convite do Tiradentes Mais, me hospedei no pioneiro Solar da Ponte, membro do Roteiros de Charme, e aproveitei para visitar outras pousadas mais novas que não conhecia. Não há um número oficial, mas o grupo estima que Tiradentes e arredores reúnam mais de 200 tipos de hospedagens, de casa de família a resort. Quinze delas fazem parte do Tiradentes Mais.

Gostei muito da Armazém 26, comandada por três irmãs da vizinha São João del-Rei, que se revezam na administração com muita simpatia. Na entrada da cidade, a pousada tem 26 quartos e decoração “Minas chic” que combina objetos contemporâneos e peças que vieram da antiga tecelagem da família.

Outro endereço que me chamou a atenção foi o Solar da Serra. Este fica um pouco mais afastado do Centro, mas tem a melhor vista da cidade para a belíssima Serra de São José. A inspector Mari Campos se hospedou lá recentemente e conta mais aqui.

Serra de São José Vista da piscina da pousada Solar da Serra, em Tiradentes, Minas Gerais
Solar da Serra: a vista compensa a distância do Centro | Foto de Carla Lencastre

Na categoria low profile, achei interessante a Pousada do Largo, com localização central. Com apenas sete quartos, é da mesma família da Pequena Tiradentes, na entrada da cidade, que tem uma grande loja de móveis e objetos de decoração, 61 quartos, piscina ao ar livre, piscina aquecida e jacuzzi cobertas, sauna e as autoproclamadas melhores balas de coco de Tiradentes (são mesmo boas). Os hóspedes da Pousada do Largo podem ser levados de carro até a Pequena Tiradentes para tomar café da manhã, um dos mais fartos da região.

Leia mais: o patrimônio das pousadas brasileiras

O pioneiro Solar da Ponte (foto no alto do post), aberto em 1972, época em que Tiradentes carecia de infraestrutura turística, é um dos fundadores da associação brasileira Roteiros de Charme. Fica na melhor localização da cidade para quem prefere dispensar o carro e gosta de estar perto das principais atrações. Tiradentes é segura inclusive à noite, quando luzes amareladas iluminam as ruas com calçamento pé-de-moleque. Uma pequena ponte sobre um córrego separa o belíssimo e silencioso casarão do século 18 do movimento de lojas, cafés, bares e restaurantes do Centro.

Dividi minha hospedagem em dois dos 18 quartos. Ambos ficavam no térreo, eram decorados com móveis em madeira, tinham amenidades Natura e um hall de entrada com minibar abastecido com águas, cervejas e refrigerantes. Um dos quartos era perfeito para uma pequena família, com uma cama extra, mesa redonda com cadeiras, duas poltronas, e espaçoso banheiro com uma linda banheira em pedra-sabão. O outro quarto era mais romântico, com delicada pintura no forro. Os dois eram voltados para áreas diferentes do jardim interno, ambos silenciosos e indevassáveis graças à vegetação. O Wi-Fi funcionou bem nos quartos, mas não nas áreas comuns.

Piscina do Solar da Ponte e um dos muitos ipês-amarelos da cidade | Foto de Carla Lencastre

No jardim, o Solar da Ponte tem uma piscina ao ar livre e sem aquecimento, sauna e um salão com cozinha gourmet para pequenos eventos. Na casa principal, além dos quartos, há salas bonitas e confortáveis para uso dos hóspedes e um triste bar desativado. De um modo geral, a elegante decoração mostra sinais do tempo e está um pouco envelhecida aqui e ali.

O café da manhã é servido em um amplo salão no segundo andar com janelas voltadas para o verde. O bufê tem sucos, frutas, cereais, queijos, frios e vários itens feitos na casa, como pão de queijo, iogurte, geleias, broas e bolos variados, incluindo um inesquecível de gengibre. Os utensílios são da grife mineira de objetos em estanho John Somers, de São João del-Rei. Há máquina de café expresso e alguns itens são preparados na hora, como ovos e café coado. No mesmo salão, é servido um chá no final da tarde, incluído em todas as diárias.

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O assunto deste blog é hotelaria, mas vale registrar que Tiradentes também está repleta de novidades na área de gastronomia. Anote os nomes do mineiro-chique Angatu, com menu degustação harmonizado com vinhos mineiros; do mineiro-tailandês Uathai; do mineiro-caseiro Empório Santo Antônio; do mineiro-contemporâneo Pacco & Bacco, e do ítalo-mineiro Gourmeco. Cervejas e chope artesanal estão no LuTh Bistrô e no Barouk.

Para compras, destaco os queijos divinos da Ouro Canastra Q’jaria; as maçãs carameladas e os objetos de decoração do café e loja Jane’s Apple; as almofadas e os colares de Daniela Karam; as fragrâncias da Ligno Vitaee, e, um pouco fora do Centro, as peças em cerâmica do RM, ateliê do simpático e talentoso casal Rose Valderde e Maurilio Souza. A Marcas Mineiras, em frente ao Solar da Ponte, tem um café lindo e gostoso em meio a um jardim e um pouco de tudo nas prateleiras, incluindo os incríveis cristais de Poços de Caldas Cá d’Oro (que também podem ser encontrados, em menor variedade, na nova loja conceito da H Stern no Fairmont Rio de Janeiro Copacabana). Tudo testado e aprovado durante uma deliciosa semana mineira.

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