Casa Marambaia: novo hotel de luxo em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro

Casa Marambaia: novo hotel de luxo em Petrópolis, região serrana do Rio

Abrir um novo hotel em plena pandemia não é decisão fácil. Porém pode dar certo, e já temos alguns exemplos pelo Brasil. No Estado do Rio, o case de sucesso no atual momento é a Casa Marambaia, em Corrêas, um dos distritos de Petrópolis. O mais novo hotel de luxo da região serrana fluminense começou 2021 cauteloso, funcionando nos fins de semana. Hoje abre todos os dias e seu restaurante recebe o público em geral para café da manhã, almoço ou jantar. Há ainda atividades ao ar livre como piqueniques nos jardins desenhados por Burle Marx ou almoços à beira da piscina que podem ser reservadas por hóspedes ou não hóspedes.

Veja também: outras fotos da Casa Marambaia no instagram do @HotelInspectors

O ambiente e o serviço são impecáveis, mas os maiores luxos do hotel boutique são a beleza da imensa área verde, voltada para as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, e a ótima ventilação do casarão. Lobby, recepção, quartos, bar, restaurante, salões de estar… os cômodos são espaçosos e luminosos, com amplas portas e janelas sempre abertas para os jardins. Até o corredor no piso superior que leva aos oito quartos é bem ventilado e iluminado. Outro ponto fortíssimo é a alta gastronomia francesa, assinada pelos chefs Villard (ex-Sofitel Rio/Le Pré Catelan) e David Mansaud (ex-Copacabana Palace).

A sensação é de estar sendo recebido na casa de amigos que pensaram em todos os detalhes, como chinelos no seu número e orquídeas floridas inclusive nos banheiros. O casarão parece uma propriedade particular, o que de fato foi por sete décadas. Porém a até agora bem-sucedida transição para hotel de luxo é conduzida por um grupo experiente, o Promenade. A empresa administra hotéis e apart-hotéis no Estado do Rio e em Minas Gerais, e está em expansão para Mato Grosso do Sul (o Bonito All Suites tem inauguração prevista para o segundo semestre).

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O casarão faz parte da Fazenda Marambaia, empreendimento imobiliário com cinco diferentes loteamentos. O primeiro tem 20 casas e fica bem perto do hotel, com vista para os jardins. Conversei com Emir Penna, diretor da Promenade, que me explicou a ideia por trás dessa parte do projeto: “Essas primeiras casas já estão vendidas e em construção. Os proprietários vão usar algumas das residências, mas a Promenade vai administrar uma parte delas, aumentando as opções de hospedagem oferecidas pelo hotel”.

Casa Marambaia funciona para buyout (quando um único grupo reserva todos os quartos) e, também, como hotel destino, para quem está em busca de turismo de isolamento, porém não quer necessariamente ficar no meio do nada. É um hotel mais voltado para adultos, que aceita crianças. Alguns quartos podem receber uma cama extra.

Casa Marambaia; jardins desenhados por Burle Marx na década de 1950 | Foto de Carla Lencastre
Casa Marambaia: hotel tem jardins desenhados por Burle Marx na década de 1950 | Foto de Carla Lencastre

Como é se hospedar no novo hotel Casa Marambaia

Mês passado estive por uns dias na Casa Marambaia. Foi minha primeira viagem depois de 14 meses em casa, no Rio de Janeiro, e não poderia ter recomeçado melhor. Como meu trabalho remoto permite, fui durante a semana. O hotel segue todos os “novos protocolos”: check-in e check-out sem contato, álcool gel à vontade (em embalagens grandes para evitar desperdício de plástico), uso obrigatório de máscara nas áreas comuns (e, no restaurante, envelopes em papel para guardá-la), distanciamento social sem esforço, funcionários testados de 15 em 15 dias.

Localização

A cerca de 1h30m, do Rio, dependendo do ponto de partida e do trânsito. Para quem chega de avião de outros estados, o melhor aeroporto é o Galeão, a 80 km do hotel. A estrada (BR-040) está em boas condições. Apesar de estar imersa na natureza, a Casa Marambaia fica a meio caminho entre o Centro de Petrópolis e o distrito de Itaipava, a apenas 20 minutos de cada. É uma região com muitos bons hotéis, restaurantes e lojas charmosas.

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A Pedra do Cone e o jardim vistos de um dos quartos da Casa Marambaia | Foto de Carla Lencastre
A Pedra do Cone e o jardim vistos de um dos quartos da Casa Marambaia | Foto de Carla Lencastre
Área verde

Roberto Burle Marx desenhou os jardins na década de 1950. A paisagista Daniela Infante assina a restauração. É difícil escolher o canto mais bonito, mas acho que o meu favorito foi a escada d’água. O painel em cerâmica assinado por Burle Marx e seu parceiro Haruyoshi Ono ainda será recuperado. Para quem quiser ir além da contemplação, há quadras de tênis e trilhas para caminhadas. Os percursos, sempre montanha acima, são de diferentes níveis de dificuldade e podem ser guiados. De volta ao dolce far niente, o hotel tem ainda uma bonita piscina, original da construção. À noite, um programa delicioso é comer a sobremesa ou tomar a saideira no jardim sob as estrelas e em torno de uma fogueira.

Gastronomia

Os chefs Roland Villard e David Mansaud, presentes em alguns dias da semana, criaram os menus. A competente e simpática chef Bruna Mello comanda a cozinha no dia a dia. As técnicas são de alta gastronomia francesa, porém a ênfase é nos ótimos produtos locais. Por exemplo, todos os queijos são da região assim como as verduras que chegam de uma horta vizinha ao hotel. O café da manhã tem um minibufê com pequenas porções de pães, bolos, geleias, iogurtes e sucos (tudo feito na casa) e um serviço à mesa, que oferece pratos tradicionais internacionais, como um ovo beneditino perfeito; clássicos dos chefs, entre eles o brioche do chef Roland, tão leve que quase derrete na boca, e itens brasileiríssimos, como frutas e pão de queijo quentinho. A dupla de chefs assina ainda jantares “imperiais” com menus inspirados nos tempos de Dom Pedro II, realizados uma vez por mês.

O bar, com mesa de sinuca e sofás confortáveis, e o restaurante têm mesas largas e espaçadas umas das outras, que se espalham pela varanda voltada para o verde ou as estrelas. Há aquecedores para as noites frias de inverno (a temperatura pode baixar a um dígito) e você pode levar o seu próprio vinho com taxa de rolha de R$ 70. A combinação da cozinha francesa com a exuberante beleza tropical dos jardins proporciona experiências gastronômicas únicas, como piquenique no gramado em torno do lago ou almoço leve na área da piscina.

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Quartos

As oito acomodações em cores diferentes têm decorações únicas, elegantes e aconchegantes, com detalhes originais e objetos dos antigos proprietários mesclados a itens contemporâneos, como a assistente virtual Alexa. Os quartos têm pé-direito alto, sacada com vista estonteante, cafeteiras com cápsulas de café de cortesia, minibar (sem bebidas em garrafas de plástico), banheiros (alguns com banheira) em mármore, amenities Bvlgari. É possível agendar uma massagem relaxante ou revigorante no quarto. Fiz um ótimo tratamento com uma terapeuta que trabalhou por duas décadas no Copacabana Palace e se mudou para a serra durante a pandemia. Por conta das especificidades da construção, há quartos mais bem resolvidos do que outros em relação a tomadas e saídas USB. O Wi-Fi funciona bem para uma workcation, mas sinal de telefone é difícil.

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História

O casarão da Fazenda Marambaia foi erguido no final da década de 1940 para ser a residência de Odete Monteiro, a primeira proprietária da fazenda e amiga de Burle Marx. Mais recentemente a fazenda pertenceu ao ex-banqueiro Luiz Cezar Fernandes, um dos fundadores do Pactual. O design de interiores da versão hotel é do Projeto Mix Arquitetura, de Petrópolis. Claudia Aguiar, do Empório Maria Maria, em Itaipava, assina a decoração.

Leia também: Tudo o que publicamos sobre hotelaria na pandemia no Hotel Inspectors

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Búzios, Rio de Janeiro

Desafios do turismo no Rio de Janeiro

O turismo representa cerca de 3% do PIB do Estado do Rio em 2019, segundo a Secretaria estadual de Turismo (Setur-RJ). O índice já foi maior, mas ainda é significativo. Atrair visitantes durante uma pandemia que não acabou, estimular viagens pelo estado e promover o turismo seguro e consciente passa por sustentabilidade, tanto do ponto de vista ambiental quanto social. Conversei sobre caminhos, desafios e tendências do turismo no Rio de Janeiro com Adriana Homem de Carvalho, secretária de Turismo do estado; Alexandre Sampaio, da FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação); Fernando Alves da Silva, diretor de programas sociais do Sesc Rio; Fernando Blower, presidente do SindRio (Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro), e Pedro Guimarães, diretor-presidente da Apresenta Rio, associação de promotores de eventos. Destaco a seguir pontos importantes relacionados à hotelaria.



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Impacto social e ambiental

Com a palavra Fernando Alves da Silva, do Sesc Rio, integrante do sistema Fecomércio: “Agora é a hora das empresas valorizarem os critérios ESG (Environmental, Social and Governance, ou meio ambiente, social e governança). As companhias que vão sobreviver são as que seguem estas premissas, envolvendo de colaboradores e fornecedores a clientes. É preciso planejar as ações ambientais e sociais parar gerar resultados tangíveis, auditáveis”.

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Fernando Blower, do SindRio, destaca a premência da questão social: “Para cada emprego informal gerado, você perde um formal. Sustentabilidade é o caminho. Temos que abraçar o social e o ambiental. Limpeza e higiene são itens básicos em bares e restaurantes. Logo em seguida estão a origem e a qualidade dos ingredientes, e o acolhimento e a empatia com colaboradores, fornecedores e clientes. Bares e restaurantes atraem turistas. E as pessoas procuram cada vez mais marcas que combinem com seus valores”.

Leia mais: Como estão funcionando os restaurantes de hotéis do Rio

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Números da hotelaria no Estado do Rio

Dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) mostram que, entre março e agosto de 2020, mais de 40 mil estabelecimentos do setor de viagens e turismo fecharam definitivamente, sendo 5.400 meios de hospedagem. Alexandre Sampaio, da FBHA, que reúne oito sindicatos patronais do Rio de Janeiro, destaca que 70% dos hotéis da cidade do Rio estão abertos (no país o índice chega a 90%), ainda que não com oferta plena de quartos. O panorama é similar nos principais polos hoteleiros fluminenses: “A ocupação média na cidade do Rio e em algumas outras cidades do estado durante a semana está entre 18% a 25%, podendo chegar a 35%. Nos fins de semanas a taxa de ocupação passa de 40%. Com protocolos gerando confiança esperamos superar a crise. Biossegurança é fundamental para que o turista retorne aos hotéis”.

Leia mais: Como estão funcionamento os hotéis do Rio durante a pandemia

Sobre protocolos, Fernando Alves, do Sesc, ressalta a importância de cada um fazer a sua parte: “O público precisa entender que cada cidade tem os seus protocolos, e que eles podem ser diferentes entre si. A sociedade deve exigir informação em tempo real, de maneira transparente”.

Leia mais: O que realmente mudou nos hotéis na pandemia

Morro Dois Irmãos visto da piscina do hotel Praia Ipanema, no Rio | Foto de Carla Lencastre
Eventos e os desafios do turismo no rio de janeiro

O Rio de Janeiro sediou em meados de outubro um dos primeiros eventos presenciais em tempos de Covid-19: a feira de artes plásticas ArtRio, realizada na Marina da Glória. Eventos atraem visitantes e aumentam a taxa de ocupação dos hotéis. Impacto ambiental e social faz parte da concepção de eventos, que são o primeiro emprego de muita gente. Mas eles geram aglomeração. Pedro Guimarães, da Apresenta Rio, acredita que a união do setor em relação aos protocolos é o caminho. “Medidas de biossegurança serão por muito tempo incorporadas à rotina do dia a dia. Quem não cumprir pode impactar o outro. Sabemos que os eventos estão no final da fila. Mas somos habituados a trabalhar com medidas cíclicas e flexíveis de organização de processos, de adaptação de rotinas e de implementação de experiências.”

Leia mais: Como hotéis e eventos podem neutralizar as pegadas de carbono

Lumiar, na serra fluminense | Foto de Carla Lencastre
O Estado do Rio e o selo do WTTC

A Secretaria de Turismo do Estado do Rio é embaixadora do selo Safe Travels do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC na sigla em inglês) e pode certificar prestadores de serviço públicos e privados do Estado. Os candidatos precisam ter o selo Turismo Consciente, com protocolos de biossegurança criados pela própria Setur-RJ e validados pela Secretaria estadual de Saúde. Tanto o Safe Travels do WTTC quanto o Turismo Consciente do Estado Rio são selos de conscientização. Ou seja, a empresa se compromete com os protocolos de biossegurança, mas não há fiscalização.

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A reabertura para o turismo de Búzios, Angra e Paraty

Entre os estados brasileiros com o Safe Travels estão São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Ceará. No Rio de Janeiro, além de criar protocolos de biossegurança para os 92 municípios do estado, mais recentemente a Setur-RJ começou a elaborar campanhas para atrair visitantes do próprio estado e de estados vizinhos. A Mais Rio por Menos, por exemplo, tem vários hotéis parceiros como Fairmont Copacabana, Miramar by Windsor, Santa Teresa MGallery e Sheraton Grand.

Leia mais: Como é o Fairmont Copacabana, inaugurado em 2019

Copacabana refletida no Alloro by Miramar | Foto de Carla Lencastre

A minha conversa sobre os desafios do turismo no Rio de Janeiro foi promovida pelo Sesc e realizada pelo jornal carioca O Globo. Está no disponível no YouTube. Para assistir não é preciso ser assinante do jornal nem fazer cadastro. Basta clicar aqui.

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Uso de plástico nos resosrts do Brasil na era covid-19: garrafas PET recolhidas no mar

Plástico é a nova obsessão dos resorts no Brasil na era covid-19

O turismo nacional está recomeçando lentamente e já dá para perceber que plástico descartável por toda a parte é a nova obsessão dos resorts no Brasil na era covid-19. Nas últimas semanas assisti a vídeos mostrando toalhas, tapetes de banheiro e papel higiênico envelopados um a um e até amenidades e garrafas de plástico embrulhadas em… plástico. É como se o material tivesse um poder sobrenatural de garantir que um objeto não está contaminado pelo novo coronavírus.

O apego desmedido ao plástico não faz sentido do ponto de vista da ciência. Nem do bom senso. Como garantir que o filme de PVC que embala a garrafa não está contaminado? Plástico tem um grande impacto na poluição marinha e o setor de hospitalidade precisa reduzir o uso e cuidar do descarte adequado. É fundamental que hóspedes e agentes de viagem cobrem novos protocolos não apenas de biossegurança mas também de sustentabilidade. Afinal, turismo sustentável começa pelas escolhas que cada um faz.

Algumas pessoas que já voltaram a viajar me disseram que se sentem mais seguras em um mundo embalado a plástico. Entendo a sensação, afinal é um material fácil de limpar. Porém, de um modo geral, contágio por superfície é evitado mantendo mãos limpas, seja com água e sabão ou com álcool 70%. O hóspede assintomático na piscina ou no restaurante pode ser vetor de transmissão do novo coronavírus. Já embalagens de amenidades ou de bebidas em alumínio, plástico e vidro são facilmente laváveis com água e sabão caso o cliente desconfie da higiene do quarto.

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Leia mais: É seguro usar de piscina de hotel durante uma pandemia?

Plástico é a nova obsessão dos resosrts do Brasil em tempos de covid-19: piscina de hotel brasileiro pré-pandemia
Piscina de hotel brasileiro pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

As insustentáveis luvinhas Do bufê self-service

Há excesso de plástico também no bufê de refeições de self-service dos resorts, atividade classificada como de alto risco na pandemia e que muitos hotéis insistem em manter. Além de ser cada vez menos justificável a exaltação ao desperdício de comida, os bufês agora fazem uma elegia ao plástico de uso único. Os talheres são embalados, às vezes um a um, e os hóspedes recebem luvas descartáveis cada vez que vão se servir.

Quando o bufê é assistido, com funcionários servindo, o uso de plástico diminui. Vale ressaltar que talheres envelopados em plástico chegaram a hotéis que oferecem apenas serviço à la carte. É um problema ambiental gigantesco criado pela hotelaria, e ainda não encontrei um empreendimento brasileiro que deixe claro como pretende descartar a novidade.

Leia mais: Como ficam os bufês de hotel em tempos de covid-19

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O que diz a Resorts Brasil

Passei algumas semanas observando nas redes sociais fotos e vídeos de hóspedes de resorts que fazem parte da Associação Brasileira de Resorts. Dos 52 hotéis associados, 51 estão funcionando (o 52º é o Ocean Palace, em Natal, com reabertura marcada para o próximo dia 30). A Resorts Brasil tem em seu site um Guia para o Viajante Responsável, feito em parceria com 27 (!) entidades, e detalhados protocolos para os hoteleiros.

Leia mais: Os desafios da retomada do turismo no Estado do Rio

Na cartilha com procedimentos de higiene e segurança, validados pela Anvisa e por sete associações, não há nenhuma orientação sobre plástico descartável. No caso dos bufês, a recomendação é que o serviço seja assistido, com estações de alimento protegidas por acrílico e funcionários servindo os hóspedes. Para os frigobares, a orientação é abastecer sob demanda ou higienizar cada item individualmente entre um hóspede e outro. Um dos itens do manual destaca o uso de canais de comunicação digitais para informar sobre protocolos de segurança, o que a maioria dos hotéis brasileiros ainda não faz mesmo depois de seis meses de pandemia.

Já no guia do viajante o texto até chama a atenção para o uso excessivo de plástico, lembrando da importância de se evitar consumir produtos em embalagens plásticas, e orienta sobre o descarte de máscaras, que não podem ser misturadas com lixo reciclável. Sustentabilidade aparece como uma prioridade em um dos três eixos de atuação da associação e há um grupo de trabalho dedicado ao tema. Mas nenhuma informação sobre como lidar com a overdose de plástico de uso único gerada pela pandemia.

Mesmo resorts que têm em seus sites páginas dedicadas a promover medidas sustentáveis de verdade, como o uso de energia 100% limpa e ações de impacto voltadas para as comunidades locais, não fazem menção às medidas de redução do plástico ou ao descarte.

Leia mais: O que realmente mudou nos hotéis em sete meses de pandemia

‘Plástico é medida cosmética’

Conversei sobre o uso indiscriminado do plástico na hotelaria nacional com a jornalista Ana Lucia Azevedo, há mais de três décadas especializada em ciência e saúde. Com vários prêmios na área, ela está cobrindo a pandemia para o jornal O Globo. Ao longo de seis meses entrevistou muitos especialistas sobre o novo coronavírus. “Embalar produtos em plástico é medida de efeito cosmético no que diz respeito à covid-19 e potencialmente poluente. Ao abrir o plástico, o cliente se exporá da mesma forma ao novo coronavírus. O importante é garantir a higienização. O aumento do consumo de plástico impacta os oceanos, que já sofrem com uma poluição sem precedente, comprometendo a qualidade da água e mata animais”.

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Plástico pode, e deve, ser substituído

Semana passada, saí pela primeira vez para ir almoçar fora na pandemia. Escolhi o Arp, agora com mesas ao ar livre no calçadão do Arpoador. É um dos meus restaurantes de hotel preferidos no Rio de Janeiro, onde moro. O cliente recebe em embalagens de papel álcool em gel 70% e um envelope para guardar a máscara. Talheres e guardanapos chegam em embalagens de papel. É possível trilhar bons caminhos em meio a pandemia.

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Bufê de café da manhã de hotel na pandemia | Foto de divulgação

O que mudou no bufê de café da manhã de hotel na pandemia

Comida exposta por horas. Talheres de servir compartilhados. Comensais andando e parando em frente a todos os pratos, ou quase todos, e conversando. Fila. Aquele que muda de ideia e volta algumas travessas, passando por quem está se servindo. Réchauds abertos e fechados quantas vezes a dúvida impulsionar. O bufê de café da manhã de hotel morreu na pandemia. Vida longa ao bufê de café da manhã de hotel na pandemia.

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Nem a covid-19 foi capaz de deter este impávido clássico na hotelaria nacional. Uma tabela elaborada por epidemiologistas, infectologistas e especialistas em saúde pública da Associação Médica do Texas (TMA, na sigla em inglês) listou os riscos de contágio de diversas atividades em níveis vão de 1 (baixo risco) a 9. Comer em bufê está no nível 8, de alto risco. É uma atividade apenas menos arriscada do que ir a um show, evento esportivo ou culto religioso com mais de 500 pessoas. A classificação levou em conta que todos estariam usando máscaras, lavando as mãos com frequência e mantendo distanciamento social.

Leia também: Como funcionam os spas de hotel do Rio na pandemia

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Higiene X sustentabilidade

Como no caso da piscina de hotel, em que nada indica que a água clorada seja transmissora do novo coronavírus, nos bufês self-service o problema não é a comida. São as pessoas e o entorno.

Com a flexibilização das medidas restritivas em todo o país surgiram vídeos de hotéis com piscinas e bufês self-service repletos de destemidos aglomerados. Em imagens de outros resorts nota-se o uso surreal de plástico descartável em nome de higienizar o bufê, com talheres embalados, luvas para os hóspedes e até frutas com cascas embrulhadas em filme PVC. Com um agravante: os hotéis não deixam claro como descartam o material. O plástico de uso único é um dos maiores vilões da poluição dos oceanos e o setor de hospitalidade tem responsabilidade nisso.

Leia também: Plástico é obsessão dos resorts brasileiros na era covid-19

Pequenas porções à mesa na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre
Minibufê à mesa na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre

alternativas ao serviço de bufê

A área de alimentos e bebidas é responsável por parte significativa do custo operacional de um hotel. Hoje protocolos devem ser ainda mais rigorosos, incluindo os seguidos pelos fornecedores. Afinal, de nada adianta ter todas as precauções na manipulação de alimentos se o fornecedor não fizer o mesmo. O custo final de uma refeição à la carte é mais caro do que em um bufê, e isto também tem que ser levado em conta nesta complicada fase da hotelaria.

Há caminhos do meio que estão sendo seguidos por alguns resorts, como o dos bufês híbridos. No Club Med, com suas três unidades no Brasil reabertas, o bufê é assistido. Ou seja, funcionários com equipamento de proteção individual montam os pratos dos hóspedes, que não encostam nos utensílios nem nas máquinas de café, por exemplo. Com a equipe a postos também é mais simples garantir que nenhum hóspede será servido se não estiver usando máscara e que o distanciamento social será respeitado. Em outros hotéis, como já acontecia antes, o bufê tem itens em porções individuais, enquanto outros são pedidos à la carte. Há ainda uma espécie de minibufê servido à mesa, com pequenas porções de diferentes pratos.

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Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião | Foto de Carla Lencastre
Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião, na Amazônia | Foto de Carla Lencastre
O Papel de cada um

Faço a ressalva de que nunca fui fã de bufês, por razões de gosto pessoal e, principalmente, por conta do imenso desperdício de alimentos. Mas reconheço que um bom bufê de hotel tem o seu apelo e pode ser uma experiência em si. Como em tudo nesta delicada fase pela qual a hotelaria está passando, fica mais fácil se cada um fizer a sua parte.

Ao hoteleiro que optar por manter o bufê à moda pré-pandemia cabe detalhar as medidas de biossegurança e de sustentabilidade. Não apenas em relação ao descarte de plástico, mas também ao desperdício de comida. Ao hóspede e ao agente de viagens que oferece o hotel ao cliente cabem cobrar informações claras sobre higienização, controle de ocupação de espaço, distanciamento social e cuidados com o meio ambiente. E sempre seguir as regras. A revista Panrotas fez uma reportagem com 15 perguntas que se deve fazer antes do check-in no hotel. Conferir as adaptações no setor de alimentação é uma delas.

Leia também: Você sabe o que é turismo regenerativo?

Bufê de café da manhã de hotel brasileiro à moda pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre
Bufê de café da manhã de hotel brasileiro pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

Enquanto isso em las vegas…

Bufê de café da manhã de hotel é tradição brasileira, mas não é exclusividade. Há bufês de diferentes estilos em todos os continentes, e a origem histórica deste tipo de serviço está na Europa. Mas foi em Las Vegas, na década de 1940 que nasceu o conceito de bufê americano moderno, o all-you-can-eat. Ou coma o quanto aguentar. No café, no almoço e no jantar.

Leia também: O que realmente mudou nos hotéis na pandemia

O Buffet at Wynn foi um dos primeiros da Strip (o Las Vegas Boulevard, onde estão os principais cassinos da cidade) a retomar as atividades, em meados de junho. O cliente fazia o pedido a um garçom, e o prato era trazido à mesa. O bufê-que-não-era-bufê fechou de novo menos de três meses depois, sem previsão de reabertura. Já o Caesars Palace pretendia reabrir o Bacchanal Buffet, com 600 lugares, em agosto. Pequenos pratos previamente montados seriam entregues por funcionários e vários itens seriam servidos diretamente nas mesas. A reabertura foi adiada para o fim do ano.

Atualização: Em meados de setembro de 2020 o Wynn Las Vegas anunciou que 548 funcionários testaram positivo para covid-19. Todos eram assintomáticos. Desde junho o Wynn já recebeu mais de 500 mil hóspedes.

E no Brasil, onde você aposta as suas fichas? Encontraremos alternativas mais seguras? Ou o bufê self-service de hotel e de restaurantes de comida a quilo seguirão como na era pré-Covid-19?

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Piscina do Carmel Taíba, resort no Ceará | Foto de divulgação

Como ser um bom hóspede durante a pandemia

Na semana passada, acompanhamos atônitos as imagens das câmeras de segurança de um hotel em Varginha, Minas Gerais, mostrando um hóspede se recusando a ter a temperatura medida e agredindo verbal e fisicamente o recepcionista que avisou que sem tirar a temperatura não haveria check-in. Definitivamente um péssimo exemplo de como ser um bom hóspede durante a pandemia. 

Não têm sido raros os relatos de viajantes e hoteleiros sobre situações similares neste princípio de retomada do turismo. Episódios que não necessariamente cheguem à agressão física, mas cada vez mais corriqueiros desrespeitos por parte de alguns hóspedes às regras e aos protocolos de algumas propriedades, colocando em risco a segurança de todos os demais hóspedes e, obviamente, também do staff do local. 

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Foto: Mari Campos

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É preciso mais do que nunca seguir as regras

Na semana passada, denúncias de hóspedes do Grand Palladium Imbassaí, na Região Metropolitana de Salvador, registraram descumprimento de protocolos de saúde e segurança contra a disseminação do novo coronavírus. Fotos de hóspedes do resort recém-aberto mostravam aglomerações nas piscinas, nas áreas de lazer e até mesmo em filas nos restaurantes.

Por outro lado, a gente sabe que a maioria dos hotéis tem se esforçado imensamente (e investido enormemente) para criar protocolos e medidas que garantam o máximo de segurança para seus hóspedes. Já comentamos sobre novas medidas da hotelaria em tempos de pandemia em diversos textos, como esse aqui. E para tais medidas funcionarem, elas precisam ser sistematicamente respeitadas.

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Máscaras vieram para ficar nas nossas vidas (e, obviamente, nas nossas viagens) até que tenhamos uma vacina contra a Covid-19. Estar “preparado para viajar novamente em tempos de pandemia” pressupõe respeitar o uso de máscara em qualquer lugar onde ele for exigido, do avião ao hotel.

“O uso da máscara onde a mesma for exigida não é uma opção do viajante; é uma obrigação e ponto”, defende Bruno Vilaça, proprietário da agência Superviagem, de Vitória, no Espírito Santo.

LEIA MAIS: Como funciona um hotel durante a pandemia

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CURADORIA DO AGENTE DE VIAGEM

Mais do que nunca é preciso pesquisar ativamente opções antes de decidir por qual hotel você pretende retomar suas viagens. É aí que entra a curadoria sempre essencial do agente de viagens. Antes de reservar um hotel, é preciso que o viajante saiba questionar o agente de viagens sobre como cada hotel que pretende visitar está lidando com a pandemia para não ter surpresas desagradáveis (para dizer o mínimo) durante sua estadia.

Se você não consegue ver segurança, por exemplo, em resorts que ainda insistem nas refeições em sistema buffet, é preciso deixar isso claro para o agente de viagens quando estiver considerando sua reserva. Ele seguramente indicará boas opções com refeições à la carte dentro do seu perfil. A curadoria de um bom agente leva a encontrar o hotel que realmente atenda suas necessidades e expectativas.

Confira aqui como pousadas brasileiras se prepararam para a reabertura.

Bruno Vilaça hospedou-se recentemente em diferentes resorts brasileiros, como Ponta dos Ganchos, em Santa Catarina, e Carmel Taíba e Carmel Charme, ambos no Ceará. Embora tenha pego alguns voos mais tensos e lotados em alguns dos deslocamentos, nos hotéis não enfrentou problemas de nenhum tipo.

Encontrou staff extremamente preparado em todos eles e hóspedes cordatos com os novos requerimentos destes tempos de pandemia.  Vale lembrar que, neste caso, os hotéis escolhidos já eram naturalmente predispostos ao distanciamento entre hóspedes, mesmo quando em sua capacidade máxima, por sua própria arquitetura e filosofia. 

A mensagem que Bruno e sua equipe da Superviagem têm passado aos clientes nestes tempos tem sido exatamente essa: “Neste momento, a melhor dica é realmente se isolar, onde quer que você esteja, para onde quer que você vá. Tentar procurar hotéis que realmente permitam se distanciar e viajar de uma maneira diferente. E, claro, respeitar todas as normas de segurança estabelecidas pela propriedade”.

Confira aqui dez hotéis no Brasil para praticar turismo de isolamento.

Bangalô com piscina privativa no Carmel Charme | Foto de divulgação

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Check-list do bom hóspede Durante A pandemia

É necessário entender que nossa vida, seja em casa ou viajando, mudou definitivamente com a Covid-19. Seguir os protocolos determinados por cada hotel (e companhia aérea, atração turística ou destino) é fundamental para garantir a segurança de todos até que tenhamos uma vacina disponível em larga escala. 

Confira aqui o que pode mudar e o que já está mudando na hotelaria com o novo coronavírus.

Mas é absolutamente vital que cada hóspede tenha a postura e o comportamento adequado. Aqui alguns lembretes para ser um bom hóspede em tempos de pandemia quando você se sentir realmente seguro para retomar suas viagens:

  • procure por hotéis, pousadas e resorts cuja filosofia vá de encontro à segurança que você espera neste momento. Informe-se, questione, envie mensagens para o hotel se tiver dúvidas sobre alguns procedimentos, confie na curadoria do seu agente de viagem.
  • distanciamento social continua sendo regra no dia a dia e também nas viagens. Evite qualquer tipo de aglomeração e procure manter pelo menos 1,5 metro de distância de outros hóspedes em qualquer ambiente (inclusive na piscina). Se acha a recomendação complicada de seguir em alguns lugares, procure por hotéis propícios para o turismo de isolamento.
  • respeite TODAS as normas da propriedade que você escolheu. Leia com atenção o comunicado entregue no check-in ou na reserva. Muitos hotéis já estão começando a exigir um termo de compromisso do hóspede para garantir o cumprimento das normas básicas de segurança e saúde. A partir do momento que você faz o check-in num hotel, você está concordando com todos os protocolos do local.
  • não mude mesas, cadeiras, espreguiçadeiras ou quaisquer outros móveis e objetos de lugar. Estes itens são higienizados e descontaminados pela equipe do hotel seguindo uma rígida ordem pré-estabelecida. SE realmente precisar mudar algo de lugar, PEÇA a um membro do staff que ele saberá exatamente qual item pode ser deslocado para onde. 
  • não compartilhe elevadores com outros hóspedes, mesmo que seja “rapidinho”.
  • respeite os horários de reserva prévia obrigatória se realmente fizer questão de usar a academia ou o spa do hotel.

Leia mais: Oito pousadas no Brasil para escapar quando você retomar suas viagens.

Foto: Mari Campos

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GarantA que você esteja preparado

Sabemos que a maioria dos hotéis está se encarregando exemplarmente em zelar pelos melhores protocolos de higiene e segurança enquanto aposta na retomada do setor. Mas é preciso que o hóspede esteja igualmente preparado.

Se você acha que está preparado para retomar suas viagens, reflita se realmente está disposto a seguir todas as regras estabelecidas atualmente por hotéis, companhias aéreas, aeroportos, atrações e destinos. Se já estiver preparado, ótimo; informe-se bastante sobre as políticas dos lugares a serem visitados e respeite todas as diretrizes para que todos possam aproveitar uns dias fora de casa, em segurança. Mas se ainda não estiver confortável com todas as novas exigências que agora vêm junto com o ato de viajar nestes tempos de pandemia, fique em casa mais um pouquinho até se sentir realmente pronto para sair por aí em segurança.

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