Hall dos elevadores do Mandarin Oriental Hyde Park London

Como é se hospedar no renovado Mandarin Oriental Hyde Park, em Londres

Welcome, Ms. Lencastre, me disse o porteiro assim que abriu a porta do táxi na entrada do Mandarin Oriental Hyde Park London. Reconhecimento facial pelos funcionários é um luxo da hotelaria que sempre me impressiona e não poderia ter começado melhor minha hospedagem no Molon.

O hotel pegou fogo em junho do ano passado, logo depois de o prédio centenário ter passado, ao longo de dois anos, pela maior renovação da sua histórica. O jeito foi, como diz o clichê, renascer das cinzas. E que renascimento. Mês passado, a gerente geral do hotel, Amanda Hyndman, que assumira a função poucos dias antes do incêndio, foi escolhida a hoteleira do ano pela associação de viagens de luxo Virtuoso.

Depois de seis meses fechado, no final de 2018 o Molon reinaugurou seus três restaurantes, o bar e o spa. A reabertura para hóspedes foi em 15 de abril deste ano. Fiz check-in dias depois, a convite do VisitBritain, órgão de promoção do turismo britânico. A seguir, alguns destaques da hospedagem.

Localização

Um dos hotéis mais luxuosos de uma cidade repleta de estabelecimentos de primeira, o Mandarin Oriental Hyde Park London fica no elegante bairro de Knightsbridge, em frente à loja de departamentos Harvey Nichols e perto da Harrods e do V&A Museum. A melhor maneira de se locomover por Londres é de metrô, e a estação de Knightsbridge está na calçada em frente, a cem metros. A entrada do hotel leva ao lobby com mármores em diferentes cores, colunas e imenso lustre de cristal que lembra uma flor aberta.

A outra fachada é voltada para o parque, como o nome do hotel indica, onde há uma entrada usada apenas pela Família Real e convidados especiais, geralmente chefes de Estado. A rainha Elizabeth II e sua irmã, princesa Margaret, tiveram aulas de dança no ballroom, na primeira metade do século 20. O prédio em estilo eduardiano é de 1889. Funciona como hotel há 117 anos, e como Mandarin Oriental desde o ano 2000.

Quartos

O novo design dos 181 quartos é assinado por Joyce Wang, que vive entre Londres e Hong Kong. A ideia foi “trazer o parque para dentro do hotel”, e há muitas referências a folhagens, patos e cavalos, inclusive na bela curadoria de obras de arte moderna distribuídas por toda a propriedade. O mobiliário tem referências art déco e o resultado é sofisticado e acolhedor.

A espaçosa suíte onde me hospedei, voltada para a Knightsbridge, era silenciosa, com sala, quarto e dois banheiros em mármore, um deles com banheira, ambos com vasos sanitários japoneses, com aquecimento. No quarto, há mesa, poltrona e tomadas e entradas USB por toda a parte. Na sala, sofá, poltrona, mesa de centro, mesa de trabalho, estante com livros interessantes e um bonito armário com frigobar e máquina de café expresso. Menção especial para as lindas luminárias em todos os ambientes.

A água mineral vem da fonte do Blenheim Palace, palácio onde nasceu Winston Churchill a cerca de cem quilômetros a noroeste de Londres. O primeiro-ministro britânico foi um dos muitos hóspedes ilustres do hotel, e é homenageado também na carta de drinques do bar.

Gastronomia

O Molon é o endereço do Dinner, restaurante do chef britânico Heston Blumenthal, com duas estrelas Michelin. E, também, do sempre bom Bar Boulud, menos formal, do chef francês radicado em Nova York Daniel Boulud. Como bom hotel inglês, tem um concorrido afternoon tea com champanhe servido no bonito Rosebery, um salão de chá que funciona desde 1920, e um bar com drinques inspirados na história e na localização do prédio. O café da manhã, com bufê e serviço à la carte, é servido salão do restaurante de Blumenthal, com janelões voltados para o Hyde Park. O Bar Boulud tem entrada independente pela rua. O novo décor do bar, os restaurantes e do spa no subsolo, com piscina de 17 metros de extensão e 13 salas de tratamento, é assinado pelo designer nova-iorquino Adam D. Tihany.

Serviço

Impecável, como se espera em um hotel deste porte. Do reconhecimento na chegada aos pequenos detalhes, como um pequeno prendedor em velcro para manter enrolados os fios dos eletrônicos espalhados pelo quarto. Funcionários gentilíssimos em todas as áreas.

Leia mais

Como é se hospedar no La Réserve, o melhor hotel de Paris

Como será o primeiro Mandarin Oriental da América Latina, em Santiago

The Beaumont, joia da hotelaria londrina

A nova carta do Gong Bar, no Shangri-La Hotel at The Shard London

O melhor bar de hotel do mundo: American Bar, no Savoy, em Londres 

Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel

Fachada da pousada Solar da Ponte, em Tiradentes, Minas Gerais

Onde ficar em Tiradentes, Minas Gerais

A mais charmosa das cidades históricas mineiras é também uma das mais cuidadas e preservadas. Foi uma alegria reencontrar Tiradentes tão bem, semana passada, depois de alguns anos sem visitá-la. Com fiação subterrânea e emoldurada pelo paredão da Serra de São José, o encantador Centro Histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) proporciona uma viagem a um passado bucólico combinada com a infraestrutura do presente. A sete horas de carro de São Paulo, cinco do Rio de Janeiro e três de Belo Horizonte, é programa para mínimo de três ou quatro dias.

Por mais fascinante que seja Tiradentes, a cidade de 300 anos e com pouco mais de sete mil habitantes sofre com a queda de demanda no quente verão. Como o turismo é sua principal fonte de renda, empresários e artistas locais organizaram o grupo Tiradentes Mais para promover a cidade, garantir a qualidade do serviço e criar festivais durante a baixa temporada. Reunindo hoje mais de 50 empreendimentos locais, o grupo está programando um calendário de eventos natalinos, que deve começar em novembro.

A convite do Tiradentes Mais, me hospedei no pioneiro Solar da Ponte, membro do Roteiros de Charme, e aproveitei para visitar outras pousadas mais novas que não conhecia. Não há um número oficial, mas o grupo estima que Tiradentes e arredores reúnam mais de 200 tipos de hospedagens, de casa de família a resort. Quinze delas fazem parte do Tiradentes Mais.

Gostei muito da Armazém 26, comandada por três irmãs da vizinha São João del-Rei, que se revezam na administração com muita simpatia. Na entrada da cidade, a pousada tem 26 quartos e decoração “Minas chic” que combina objetos contemporâneos e peças que vieram da antiga tecelagem da família.

Outro endereço que me chamou a atenção foi o Solar da Serra. Este fica um pouco mais afastado do Centro, mas tem a melhor vista da cidade para a belíssima Serra de São José. A inspector Mari Campos se hospedou lá recentemente e conta mais aqui.

Serra de São José Vista da piscina da pousada Solar da Serra, em Tiradentes, Minas Gerais
Solar da Serra: a vista compensa a distância do Centro | Foto de Carla Lencastre

Na categoria low profile, achei interessante a Pousada do Largo, com localização central. Com apenas sete quartos, é da mesma família da Pequena Tiradentes, na entrada da cidade, que tem uma grande loja de móveis e objetos de decoração, 61 quartos, piscina ao ar livre, piscina aquecida e jacuzzi cobertas, sauna e as autoproclamadas melhores balas de coco de Tiradentes (são mesmo boas). Os hóspedes da Pousada do Largo podem ser levados de carro até a Pequena Tiradentes para tomar café da manhã, um dos mais fartos da região.

Leia mais: o patrimônio das pousadas brasileiras

O pioneiro Solar da Ponte (foto no alto do post), aberto em 1972, época em que Tiradentes carecia de infraestrutura turística, é um dos fundadores da associação brasileira Roteiros de Charme. Fica na melhor localização da cidade para quem prefere dispensar o carro e gosta de estar perto das principais atrações. Tiradentes é segura inclusive à noite, quando luzes amareladas iluminam as ruas com calçamento pé-de-moleque. Uma pequena ponte sobre um córrego separa o belíssimo e silencioso casarão do século 18 do movimento de lojas, cafés, bares e restaurantes do Centro.

Dividi minha hospedagem em dois dos 18 quartos. Ambos ficavam no térreo, eram decorados com móveis em madeira, tinham amenidades Natura e um hall de entrada com minibar abastecido com águas, cervejas e refrigerantes. Um dos quartos era perfeito para uma pequena família, com uma cama extra, mesa redonda com cadeiras, duas poltronas, e espaçoso banheiro com uma linda banheira em pedra-sabão. O outro quarto era mais romântico, com delicada pintura no forro. Os dois eram voltados para áreas diferentes do jardim interno, ambos silenciosos e indevassáveis graças à vegetação. O Wi-Fi funcionou bem nos quartos, mas não nas áreas comuns.

Piscina do Solar da Ponte e um dos muitos ipês-amarelos da cidade | Foto de Carla Lencastre

No jardim, o Solar da Ponte tem uma piscina ao ar livre e sem aquecimento, sauna e um salão com cozinha gourmet para pequenos eventos. Na casa principal, além dos quartos, há salas bonitas e confortáveis para uso dos hóspedes e um triste bar desativado. De um modo geral, a elegante decoração mostra sinais do tempo e está um pouco envelhecida aqui e ali.

O café da manhã é servido em um amplo salão no segundo andar com janelas voltadas para o verde. O bufê tem sucos, frutas, cereais, queijos, frios e vários itens feitos na casa, como pão de queijo, iogurte, geleias, broas e bolos variados, incluindo um inesquecível de gengibre. Os utensílios são da grife mineira de objetos em estanho John Somers, de São João del-Rei. Há máquina de café expresso e alguns itens são preparados na hora, como ovos e café coado. No mesmo salão, é servido um chá no final da tarde, incluído em todas as diárias.

Leia mais sobre outros hotéis no Brasil

O assunto deste blog é hotelaria, mas vale registrar que Tiradentes também está repleta de novidades na área de gastronomia. Anote os nomes do mineiro-chique Angatu, com menu degustação harmonizado com vinhos mineiros; do mineiro-tailandês Uathai; do mineiro-caseiro Empório Santo Antônio; do mineiro-contemporâneo Pacco & Bacco, e do ítalo-mineiro Gourmeco. Cervejas e chope artesanal estão no LuTh Bistrô e no Barouk.

Para compras, destaco os queijos divinos da Ouro Canastra Q’jaria; as maçãs carameladas e os objetos de decoração do café e loja Jane’s Apple; as almofadas e os colares de Daniela Karam; as fragrâncias da Ligno Vitaee, e, um pouco fora do Centro, as peças em cerâmica do RM, ateliê do simpático e talentoso casal Rose Valderde e Maurilio Souza. A Marcas Mineiras, em frente ao Solar da Ponte, tem um café lindo e gostoso em meio a um jardim e um pouco de tudo nas prateleiras, incluindo os incríveis cristais de Poços de Caldas Cá d’Oro (que também podem ser encontrados, em menor variedade, na nova loja conceito da H Stern no Fairmont Rio de Janeiro Copacabana). Tudo testado e aprovado durante uma deliciosa semana mineira.

Como é o novo Fairmont Rio, o primeiro da marca na América do Sul

Como é o Selina Rio, o primeiro hotel da rede no Brasil

Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel.

Torre Eiffel vista do La Réserve Apartments Paris

Como é se hospedar no La Réserve, o melhor hotel de Paris

A revista americana Travel+Leisure anunciou mês passado sua esperada lista anual dos 100 melhores hotéis do mundo. Este World’s Best Awards 2019 apresenta também rankings locais com os dez melhores hotéis de diversos destinos. Dois dos dez melhores de Paris foram considerados bons o suficiente para estarem também no ranking dos cem melhores do mundo: La Réserve Paris Hotel and Spa, em 55º lugar global (o sexto europeu mais bem classificado), e Le Meurice, da Dorchester Collection, em 89º lugar. Aos leitores da prestigiada publicação, a T+L pede que avaliem quesitos como serviço, localização e gastronomia, entre outros.

Aberto há apenas quatro anos e parte da associação Leading Hotels of the World, o reconhecimento do La Réserve chama a atenção. Principalmente se levarmos em conta as muitas boas opções na hotelaria de luxo em Paris. Para citar apenas outras menções mais recentes, ainda em julho, a publicação britânica Condé Nast Traveller incluiu o La Réserve no seu top 10 de “hotéis mais sensacionais de Paris”. Na semana passada o restaurante Le Gabriel, com duas estrelas Michelin, ganhou o prêmio Best of the Best 2019 de “melhor experiência gastronômica”, anunciado durante a Virtuoso Travel Week, em Las Vegas.

Grupo La Réserve inaugura nova propriedade na França

Leela Palace New Delhi: terceiro melhor hotel urbano da Ásia na lista da T+L

Gastronomia, localização e serviço se destacam no La Réserve Paris

Estive no La Réserve pela segunda vez em março deste ano, a convite do hotel. A gastronomia, a localização e a qualidade do serviço de fato são pontos de destaque. O endereço é elegante desde o século 19, na Avenue Gabriel, em frente ao Grand Palais, ao lado da Champs-Elysées e do Palais de l’Elysée (sede da República francesa) e perto das lojas de grife da Rue du Faubourg Saint-Honoré. Neste acolhedor hotel boutique com jeito de palácio, a decoração assinada pelo designer parisiense Jacques Garcia é intimista nas 40 acomodações (várias com vistas para cartões-postais da cidade; 25 suítes e 15 quartos a partir de 40 metros quadrados) e suntuosa nas áreas comuns. Meu ambiente preferido é a confortável biblioteca em tons de verde escuro, que tem ainda um bar secreto apenas para hóspedes.

Outro ponto alto deste belo hotel fica no subsolo: a piscina de 16 metros de extensão, com água aquecida, aberta 24 horas. É só chegar para nadar que as cortinas da parede de vidro que separa a piscina do restante do spa são fechadas, garantindo privacidade. Ao redor estão apenas três salas de tratamentos personalizados de rejuvenescimento com produtos suíços.

A brasserie comandada por Jérôme Banctel, chef do Le Gabriel | Foto de Carla Lencastre

As mesas da brasserie Le Pagode des Cos, voltadas para um jardim interno, são disputadas no almoço. O cardápio tem a assinatura do chef Jérôme Banctel, que conquistou as estrelas Michelin para o Le Gabriel em seu primeiro ano. Ter liberdade de pedir café da manhã no horário em que der vontade é um dos maiores luxos da hotelaria. No caso do La Réserve, o Pagode des Cos muda o menu para o almoço. Mas quem acorda mais tarde pode ser servido no próprio quarto, bien sûr, ou no bar, tranquilo durante o dia. Conforme as horas passam, é lugar para um drinque autoral ou clássico.

Quartos e suítes são decorados em estilo Haussmann com confortos tecnológicos, como iPad para controle de temperatura e iluminação. Do balcão da minha suíte via-se a cúpula do Grand Palais e, à distância, a Basílica do Sacré-Coeur, em Montmartre. No closet, confortáveis roupões em tons pastel, as peças mais vendidas do hotel. A sala de banho, em mármore de Carrara preto e branco, dispõe de chão aquecido, duas pias e banheira.

Com fachada em pedra e porta vermelha, a construção de 1854, pertenceu ao Duque de Morny, meio-irmão de Napoleão III e, no século 20, ao estilista Pierre Cardin. Hoje faz parte do exclusivo portfólio La Réserve, do empresário francês da área de hospitalidade Michel Reybier. O grupo inaugurou agora La Maison d’Estournel, em Sainte-Estèphe, a uma hora de carro de Bordeaux. É possível se hospedar também em La Chartreuse, casa na premiada vinícola Château Cos d’Estournel, residência da família de Reybier.

Com a marca La Réserve, há ainda os Apartments Paris, com serviços, na Place du Trocadéro (na foto no alto do post, a vista da Torre Eiffel é de um dos apartamentos) ; o Ramatuelle, no Sul da França, a 15 minutos de carro de Saint-Tropez; o restaurante À la Plage, em parceria com o designer Philippe Starck, em Pampelonne, também na região de St-Tropez), e o Genève, na Suíça, o pioneiro. Para o final do ano está previsto o Eden au Lac Zurich. Tanto os apartamentos quanto os hotéis têm o exclusivo selo Traveller Made.

Como é se hospedar no renovado Mandarin Oriental Hyde Park, em Londres

Traveller Made: novos hotéis de luxo para ficar de olho

Traveller Made antecipa tendências e novidades da hotelaria de luxo

Hotel Inspectors está também no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel.

Um Relais Chateaux na região de Champagne

Acaba de completar seu primeiro aniversário o hotel Royal Champagne Hotel & Spa, instalado na minúscula Champillon, em Champagne, França, a curta distância de Reims e Épernay.

O hotel, parte do portfólio Relais&Chateaux, era justamente o tipo de hotelaria – de luxo, com alta gastronomia, mas sem grandes afetações – que a região precisava. E foi justamente ali que me hospedei no final do ano passado, durante um tour pela região promovido pela Wine Paths.

Localizado a dez minutos de Épernay, o belíssimo hotel fica no alto de uma colina do vale Marne, rodeado por vinhedos. Por isso mesmo, todos os quartos e áreas comuns do hotel têm vistas para as os mesmos e as pequenas vilas de Champillon e Hautvilliers.

A antiga propriedade que existia ali (e também funcionou como hotel em outros tempos) foi totalmente renovada pelos novos proprietários, que souberam transforma-la em uma propriedade contemporânea e de décor sóbrio e delicado, que casa super bem com a região.

São apenas 49 quartos no total, todos extremamente espaçosos, com direito a área de living, um belo quarto, espaçosas varandas (sempre com vista para vinhedos e montanhas) e belíssimos banheiros, com banheiras que podem ser abertas para o quarto e luxuosas amenidades da Hermès. Serviço de café Illy e chás Jing gratuitos diariamente e champagne tasting na chegada também.

Foto: Mari Campos

Num destino que sempre oscilou entre os b&b’s mais simples e o luxo rococó, vibe “castelo”, o novo Relais&Chateaux inicia sem dúvidas uma nova geração na hotelaria na Champagne. Tudo ali é mais clean, mais fluido, mais harmônico; o serviço é simplesmente irretocável e antecipa nossas ideias e vontades, mas ao mesmo tempo a gente se sente incrivelmente à vontade o tempo todo.

A própria recepção é discreta, com uma mesa ao invés de balcões, num processo de check in e check out extremamente rápido e descomplicado. Para circular pela linda propriedade e arredores, há empréstimo de bicicletas elétricas, uma excelente pedida. O hotel conta também com um belo spa, com piscina interna e externa, e massagens sob demanda. Como a fachada do hotel é curva, cria “terraços” e desníveis e mesmo do spa e da piscina a gente tem sempre vista panorâmica.

Foto: Mari Campos

Mas é preciso enfatizar a excelente gastronomia da propriedade: são dois restaurantes que já seriam “destino” por si mesmos, com menus e serviços irrepreensíveis. O formal Le Royal é estrelado no Michelin e mais intimista e o delicioso Le Bellevue (que serve também o excelente café da manhã à la carte incluído nas diárias) aposta no conceito farm-to-table, com ingredientes frescos e sazonais – e vista belíssima para os terraços de vinhedos.

Excelente hotel, em um destino que realmente carecia de uma opção de luxo assim low profile. E excelente ver também como os novos associados Relais&Chateaux estão sabendo chegar ao mercado com muito mais bossa, e pondo de fato mais “luxo” nos serviços que oferecem.

Dá pra conferir minha review completinha sobre o Royal Champagne também aqui.

Siga também nossas redes sociais para ficar por dentro de todas elas: Instagram @ HotelInspectors,facebook @HotelInspectors e  Twitter @HotelInspectors.

Oasis at Death Valley | Divulção

Oásis no Vale da Morte, na Califórnia

Depois de quilômetros sem avistar uma única árvore, é reconfortante chegar ao Oasis at Death Valley e ver que o nome corresponde à realidade.  Com dois hotéis em uma área de palmeiras, devido a uma fonte de água subterrânea, o Oasis é de fato um oásis no quente e seco Vale da Morte, na Califórnia, quase Nevada. O deserto, ponto mais baixo da América do Norte, 86 metros abaixo do nível do mar, fica entre quatro e cinco horas de carro de Los Angeles e a duas horas de Las Vegas. Destino com paisagens áridas incríveis e pouco explorado por brasileiros, combina com uma road trip.

Conto mais sobre o Vale da Morte na revista Panrotas desta semana. Clique aqui para ler o texto na edição digital (a partir da página 14).

A piscina de água natural do Inn at Death Valley, no Vale da Morte, Califórnia
A piscina de água natural do Inn at Death Valley | Foto de Carla Lencastre

O Oasis at Death Valley terminou no final de 2018 uma renovação de US$ 100 milhões. O resort pertence ao grupo americano Xanterra Travel Collection, especializado em gestão de parques e com empresas como a Windstar Cruises no portfólio. São dois hotéis no Vale da Morte. The Inn at Death Valley é mais elegante, com 66 quartos e novas 11 casitas (com dois quartos cada). Ranch at Death Valley, com 224 quartos, é voltado para famílias. Ambos foram construídos pela Pacific Coast Borax Company entre as décadas de 1920 e 1930. A convite do Visit California, me hospedei mês passado no Inn, antes do IPW, feira de viagens dos EUA realizada este ano em Anaheim.

Andaz West Hollywood, hotel em Los Angeles repleto de histórias do rock

O novo (e surpreendente) design dos hotéis Marriott na Califórnia

Hotel novo no Aeroporto de Los Angeles

Um resort que é um oásis no deserto californiano do Vale da Morte

O histórico Inn (vista área no início do post) foi construído pela PCBC no final da década de 1920, quando a companhia começou a transição da mineração (os lucros estavam diminuindo) para o turismo. Desde o começo, o resort com arquitetura inspirada nas missões espanholas recebeu celebridades de Hollywood, como Clark Gable e Carole Lombard e, mais tarde, Marlon Brando. O hotel foi erguido de frente para o vale e para as Panamint Mountains, onde fica o Telescope Peak (3.366 metros), ponto culminante do Death Valley National Park. Criado em 1994, é um dos maiores parques dos EUA. O Ranch surgiu em 1933, ano em que o Vale da Morte foi reconhecido como Monumento Nacional, e vem sendo ampliado ao longo das décadas.

Quarto do Inn at Death Valley, no Vale da Morte, na Califórnia
Um dos 66 quartos do Inn no Vale da Morte | Foto de Carla Lencastre

Os quartos do Inn seguem o estilo old school no décor, mas são acolhedores e estão em bom estado de conservação. Somente o ar-condicionado, tão importante na região, poderia ser um pouco menos vintage. Os banheiros são claros e modernos. Meu quarto tinha escrivaninha e mesinha com poltronas, closet, minigeladeira, cafeteira e garrafas de água toda noite.

Como o hotel está no meio do Vale da Morte, que por sua vez está no meio do nada, não conte com sinal de celular. Nos três dias em que estive por lá, não houve sinal para o meu telefone nem para o das pessoas que me acompanhavam, em diferentes redes. O hotel tem Wi-Fi razoável no lobby e nos quartos mais perto da entrada. Para evitar decepções, o melhor é ver a viagem ao Vale do Morte como oportunidade para um curto detox digital.

O cenário é absurdamente fotogênico, e investir na área em torno na recepção pode ser a solução para postar fotos do dia. O amplo lobby é dos mais charmosos, com diversos cantos bonitos e confortáveis para se sentar e travar a longa batalha com o Wi-Fi. De preferência com uma bebida ao lado. O novo bar tem carta surpreendentemente criativa para um lugar tão remoto. O restaurante de cozinha internacional é bom e contempla vegetarianos. O serviço, principalmente quando o bar e o restaurante estão cheios, pode ser um pouco confuso, mas sempre muito gentil.

Painéis de energia solar no Oasis at Death Valley, Vale da Morte, Califórnia
Painéis de energia solar no resort Oasis at Death Valley | Foto de divulgação

O Inn tem ainda um lindo pátio ao ar livre repleto de sofás confortáveis para o assistir ao nascer do sol ou contemplar as estrelas (o céu é um dos mais escuros do mundo, e dá para ver a Via Láctea). A piscina de água natural, com temperatura em torno dos 30 graus Celsius, da fonte subterrânea do oásis e com vista para as montanhas, é extensa o suficiente para algumas braçadas. Parece uma miragem. Como água no deserto é ouro, a piscina não tem cloro e a água pode ser usada para irrigação. Práticas sustentáveis em geral foram um dos focos da renovação dos dois hotéis do Oasis, com destaque para medidas de economia de água e energia. O Inn tem também spa, duas quadras de tênis e jardins aqui e ali. O contraste da vegetação verde do oásis com os tons de areia e terra do vale é mais uma das maravilhas do deserto.

Last Kind Words, restaurante no Ranch at Death Valley, Vale da Morte, Califórnia
Last Kind Words, restaurante no Ranch at Death Valley | Foto de Carla Lencastre

No Ranch as atrações são um campo de golfe 65 metros abaixo do nível do mar; quadras de tênis, basquete e vôlei; o Museu do Bórax, e uma boa loja que vende de tâmaras a camisetas. Fica perto do Furnace Creek, o Centro de Visitantes do Vale da Morte. Um dos destaques é o restaurante Last Kind Words Saloon, decorado como no Velho Oeste, com pôsteres antigos e antiguidades em geral. Há uma carta de cervejas artesanais e a comida é boa. Justifica uma refeição para apreciar os mil detalhes originais do ambiente.

Como é se hospedar no Park MGM, o mais novo hotel de Las Vegas

Hotel Inspectors está no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e no Twitter @InspectorsHotel.