Casa Marambaia: novo hotel de luxo em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro

Casa Marambaia: novo hotel de luxo em Petrópolis, região serrana do Rio

Abrir um novo hotel em plena pandemia não é decisão fácil. Porém pode dar certo, e já temos alguns exemplos pelo Brasil. No Estado do Rio, o case de sucesso no atual momento é a Casa Marambaia, em Corrêas, um dos distritos de Petrópolis. O mais novo hotel de luxo da região serrana fluminense começou 2021 cauteloso, funcionando nos fins de semana. Hoje abre todos os dias e seu restaurante recebe o público em geral para café da manhã, almoço ou jantar. Há ainda atividades ao ar livre como piqueniques nos jardins desenhados por Burle Marx ou almoços à beira da piscina que podem ser reservadas por hóspedes ou não hóspedes.

Veja também: outras fotos da Casa Marambaia no instagram do @HotelInspectors

O ambiente e o serviço são impecáveis, mas os maiores luxos do hotel boutique são a beleza da imensa área verde, voltada para as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, e a ótima ventilação do casarão. Lobby, recepção, quartos, bar, restaurante, salões de estar… os cômodos são espaçosos e luminosos, com amplas portas e janelas sempre abertas para os jardins. Até o corredor no piso superior que leva aos oito quartos é bem ventilado e iluminado. Outro ponto fortíssimo é a alta gastronomia francesa, assinada pelos chefs Villard (ex-Sofitel Rio/Le Pré Catelan) e David Mansaud (ex-Copacabana Palace).

A sensação é de estar sendo recebido na casa de amigos que pensaram em todos os detalhes, como chinelos no seu número e orquídeas floridas inclusive nos banheiros. O casarão parece uma propriedade particular, o que de fato foi por sete décadas. Porém a até agora bem-sucedida transição para hotel de luxo é conduzida por um grupo experiente, o Promenade. A empresa administra hotéis e apart-hotéis no Estado do Rio e em Minas Gerais, e está em expansão para Mato Grosso do Sul (o Bonito All Suites tem inauguração prevista para o segundo semestre).

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O casarão faz parte da Fazenda Marambaia, empreendimento imobiliário com cinco diferentes loteamentos. O primeiro tem 20 casas e fica bem perto do hotel, com vista para os jardins. Conversei com Emir Penna, diretor da Promenade, que me explicou a ideia por trás dessa parte do projeto: “Essas primeiras casas já estão vendidas e em construção. Os proprietários vão usar algumas das residências, mas a Promenade vai administrar uma parte delas, aumentando as opções de hospedagem oferecidas pelo hotel”.

Casa Marambaia funciona para buyout (quando um único grupo reserva todos os quartos) e, também, como hotel destino, para quem está em busca de turismo de isolamento, porém não quer necessariamente ficar no meio do nada. É um hotel mais voltado para adultos, que aceita crianças. Alguns quartos podem receber uma cama extra.

Casa Marambaia; jardins desenhados por Burle Marx na década de 1950 | Foto de Carla Lencastre
Casa Marambaia: hotel tem jardins desenhados por Burle Marx na década de 1950 | Foto de Carla Lencastre

Como é se hospedar no novo hotel Casa Marambaia

Mês passado estive por uns dias na Casa Marambaia. Foi minha primeira viagem depois de 14 meses em casa, no Rio de Janeiro, e não poderia ter recomeçado melhor. Como meu trabalho remoto permite, fui durante a semana. O hotel segue todos os “novos protocolos”: check-in e check-out sem contato, álcool gel à vontade (em embalagens grandes para evitar desperdício de plástico), uso obrigatório de máscara nas áreas comuns (e, no restaurante, envelopes em papel para guardá-la), distanciamento social sem esforço, funcionários testados de 15 em 15 dias.

Localização

A cerca de 1h30m, do Rio, dependendo do ponto de partida e do trânsito. Para quem chega de avião de outros estados, o melhor aeroporto é o Galeão, a 80 km do hotel. A estrada (BR-040) está em boas condições. Apesar de estar imersa na natureza, a Casa Marambaia fica a meio caminho entre o Centro de Petrópolis e o distrito de Itaipava, a apenas 20 minutos de cada. É uma região com muitos bons hotéis, restaurantes e lojas charmosas.

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A Pedra do Cone e o jardim vistos de um dos quartos da Casa Marambaia | Foto de Carla Lencastre
A Pedra do Cone e o jardim vistos de um dos quartos da Casa Marambaia | Foto de Carla Lencastre
Área verde

Roberto Burle Marx desenhou os jardins na década de 1950. A paisagista Daniela Infante assina a restauração. É difícil escolher o canto mais bonito, mas acho que o meu favorito foi a escada d’água. O painel em cerâmica assinado por Burle Marx e seu parceiro Haruyoshi Ono ainda será recuperado. Para quem quiser ir além da contemplação, há quadras de tênis e trilhas para caminhadas. Os percursos, sempre montanha acima, são de diferentes níveis de dificuldade e podem ser guiados. De volta ao dolce far niente, o hotel tem ainda uma bonita piscina, original da construção. À noite, um programa delicioso é comer a sobremesa ou tomar a saideira no jardim sob as estrelas e em torno de uma fogueira.

Gastronomia

Os chefs Roland Villard e David Mansaud, presentes em alguns dias da semana, criaram os menus. A competente e simpática chef Bruna Mello comanda a cozinha no dia a dia. As técnicas são de alta gastronomia francesa, porém a ênfase é nos ótimos produtos locais. Por exemplo, todos os queijos são da região assim como as verduras que chegam de uma horta vizinha ao hotel. O café da manhã tem um minibufê com pequenas porções de pães, bolos, geleias, iogurtes e sucos (tudo feito na casa) e um serviço à mesa, que oferece pratos tradicionais internacionais, como um ovo beneditino perfeito; clássicos dos chefs, entre eles o brioche do chef Roland, tão leve que quase derrete na boca, e itens brasileiríssimos, como frutas e pão de queijo quentinho. A dupla de chefs assina ainda jantares “imperiais” com menus inspirados nos tempos de Dom Pedro II, realizados uma vez por mês.

O bar, com mesa de sinuca e sofás confortáveis, e o restaurante têm mesas largas e espaçadas umas das outras, que se espalham pela varanda voltada para o verde ou as estrelas. Há aquecedores para as noites frias de inverno (a temperatura pode baixar a um dígito) e você pode levar o seu próprio vinho com taxa de rolha de R$ 70. A combinação da cozinha francesa com a exuberante beleza tropical dos jardins proporciona experiências gastronômicas únicas, como piquenique no gramado em torno do lago ou almoço leve na área da piscina.

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Quartos

As oito acomodações em cores diferentes têm decorações únicas, elegantes e aconchegantes, com detalhes originais e objetos dos antigos proprietários mesclados a itens contemporâneos, como a assistente virtual Alexa. Os quartos têm pé-direito alto, sacada com vista estonteante, cafeteiras com cápsulas de café de cortesia, minibar (sem bebidas em garrafas de plástico), banheiros (alguns com banheira) em mármore, amenities Bvlgari. É possível agendar uma massagem relaxante ou revigorante no quarto. Fiz um ótimo tratamento com uma terapeuta que trabalhou por duas décadas no Copacabana Palace e se mudou para a serra durante a pandemia. Por conta das especificidades da construção, há quartos mais bem resolvidos do que outros em relação a tomadas e saídas USB. O Wi-Fi funciona bem para uma workcation, mas sinal de telefone é difícil.

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História

O casarão da Fazenda Marambaia foi erguido no final da década de 1940 para ser a residência de Odete Monteiro, a primeira proprietária da fazenda e amiga de Burle Marx. Mais recentemente a fazenda pertenceu ao ex-banqueiro Luiz Cezar Fernandes, um dos fundadores do Pactual. O design de interiores da versão hotel é do Projeto Mix Arquitetura, de Petrópolis. Claudia Aguiar, do Empório Maria Maria, em Itaipava, assina a decoração.

Leia também: Tudo o que publicamos sobre hotelaria na pandemia no Hotel Inspectors

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Fairmont Rio na pandemia: nascer do sol | Foto de Carla Lencastre

A transformação do Fairmont Rio durante a pandemia

O executivo estrangeiro faz check-out, o turista brasileiro chega para o check-in. Um dos efeitos da pandemia na hotelaria de luxo de Rio de Janeiro e São Paulo foi a mudança de perfil dos hóspedes. Hotéis como Fairmont e JW Marriott, no Rio, ou Palácio Tangará e Renaissance, em São Paulo, eram voltados principalmente para o viajante internacional de negócios, espécie em risco de extinção no momento. Já turistas brasileiros que privilegiavam outros países em viagens de lazer se viram confinados dentro das fronteiras do país, uma vez que atualmente somos bem-vindos em pouquíssimos destinos turísticos pelo mundo. Esse público nacional tem formado a grande maioria dos hóspedes durante a pandemia no Fairmont Rio, por exemplo, e em outros hotéis urbanos de luxo.

Durante a minha mais recente staycation no Fairmont, entrevistei Michael Nagy, diretor de Vendas e Marketing do hotel carioca, aberto em 2019 e o único da marca de luxo do grupo francês Accor na América do Sul. O Fairmont Rio virou um hotel-destino. Nagy conta como a operação foi ajustada para atender ao novo perfil do viajante de luxo no Brasil:

“Foi uma transformação antes inimaginável. Nosso público hoje é predominantemente de turistas brasileiros, com muitos moradores da cidade vindo se hospedar para comemorar alguma data especial. E os cariocas passaram a frequentar o bar e o restaurante. Com todas as restrições impostas pela covid-19, percebemos que a maioria dos hóspedes sequer sai do hotel ou do entorno. Então resolvemos olhar para dentro e abrir nosso leque de experiências. Com o valor atual do dólar e do euro, acredito que ainda receberemos viajantes domésticos mesmo depois que os brasileiros voltarem a serem aceitos em outros países.”

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Fairmont Rio na pandemia: varanda de uma das suítes | Foto de Carla Lencastre
Varanda de uma das suítes do Fairmont Rio, em Copacabana | Foto de Carla Lencastre

Fairmont Rio na pandemia: refeições ao ar livre

Entre as novas atividades às quais Nagy se refere estão jantares na varanda dos apartamentos, com serviço à francesa; aulas de coquetelaria no bar Spirit Copa; visitas guiadas pelo acervo de móveis, objetos e obras de arte de designers e artistas brasileiros que decora o hotel. Programas ao ar livre na Praia de Copacabana, como aulas de stand-up paddle, no Posto 6, a tranquila faixa de areia em frente ao hotel, são oferecidos dependendo das medidas restritivas da Prefeitura. No momento, as praias do Rio estão liberadas.

O Marine Restô e o Spirit Copa Bar têm mesas largas, espaçadas uma das outras, a maioria ao ar livre em volta da piscina. A vista para a praia, com o Pão de Açúcar ao fundo, é espetacular, e fica ainda mais especial em noite de lua cheia. O restaurante e o bar acabam de lançar um menu de outono criado pelos chefs Jérôme Dardillac e Carlos Cordeiro, com doces da chef pâtissier Leticia Cruz e drinques do head bartender Cassino Melo.

Leia mais: De predador a construtor, é a vez do turismo regenerativo

Fairmont Rio na pandemia: A piscina principal do hotel fica entre o restaurante e o bar | Foto de Carla Lencastre
A piscina principal do Fairmont entre o restaurante e o bar | Foto de Carla Lencastre
Menus de outono no Marine Restô e no Spirit Copa Bar

O ambiente de bar e restaurante do Fairmont Rio é elegante, mas o dress code segue o padrão carioca e vai do chinelo com areia no pós-praia ao terno e gravata. Dá para ir ao Marine ou ao Spirit para um café com vista ou para fazer uma degustação. No novo menu do restaurante, destacam-se o vinagrete de frutos do mar e o levíssimo capeletti na brasa com berinjela assada, cogumelos e raspas de castanha. Quem não dispensa sobremesa pode apostar no vacherin de sorvete de coco com maracujá. Mostrei os pratos no Instagram @HotelInspectors. A vista do almoço numa linda tarde de outono você pode conferir no meu Instagram @CarlaLencastre.

Entre os novos drinques, meu favorito foi o Duas Polegadas, batizado em homenagem a ex-miss Brasil Martha Rocha. De sabor intenso e com uma bonita apresentação, leva gim, azeite de ervas, Ramazzotti Rosato, Jerez fino e bitter de cacau. O Spirit tem boa carta de g&t (destaque para o gim tônica com sálvia e infusões de maçã desidratada, hibisco e casca de laranja), spritz, drinques com cachaça e não-alcoólicos, além de coquetéis clássicos. Para beliscar, vale investir no camarão na brasa ao alho e óleo e batata rústica.

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Como funciona o Fairmont Rio na pandemia

O hotel de 375 quartos segue os protocolos do selo AllSafe da Accor e hoje está com lotação média de 92%, operando com ocupação máxima de 50%, o que permite que as acomodações sejam arejadas por pelo menos 24 horas entre um hóspede e outro. Muitos ajustes na operação do Fairmont Rio foram em função de novas demandas, mas outras têm a ver com as medidas de biossegurança necessárias para enfrentar a pandemia. A seguir, alguns pontos que observei durante as minhas mais recentes hospedagens.

Piscinas e spa

As duas piscinas do hotel são amplas e climatizadas. A principal, entre o restaurante e o bar, tem vista para a praia. A outra, na parte de trás, recebe o sol da tarde e é mais tranquila. Preste atenção às paredes verdes no entorno: numa delas são cultivados os temperos usados no Marine Restô. Tive uma boa experiência no spa Willow Stream. As saunas seguem desligadas.

Serviço de quarto

Os pedidos são feitos pelo novo aplicativo do hotel, e entregues em embalagens biodegradáveis, sem pratos e com talheres em bambu. Tudo em um saco de papel. Prático para um sanduíche rápido, mas um pouco decepcionante no contexto do Fairmont fazer uma refeição em uma caixa de papelão, por mais sustentável que seja. A nova opção de jantar na varanda do quarto servido por um garçom deve preencher essa lacuna.

Café da manhã

É obrigatório o uso de máscara para circular pela área do Marine Restô, onde é servido o café, e os funcionários estão atentos. Mas se há um ponto que poderia fluir melhor é o bufê de refeições de hotel na pandemia.

O Fairmont optou pelo modelo híbrido. Há uma mesa com pães e sucos self-service, com boa área para circulação no entorno. O restante do bufê (frutas, queijos, frios etc.) fica na cozinha aberta para o salão, atrás de uma barreira transparente, e é servido pelos funcionários. São pequenos pratos previamente montados e embalados em plástico um a um. O resultado é um insustentável excesso de plástico descartável. Já na estação de pratos quentes, feitos na hora, o espaço para fazer e receber os pedidos é apertado, o que acaba dificultando o distanciamento social. A fila única, tanto para pedir quanto para pegar o prato quente, também não ajuda. Se você se afasta, quando volta tem que entrar na fila de novo. A melhor opção para quem busca tranquilidade é pedir o café da manhã no quarto.

Serviço

Continua atencioso e impecável em todas as áreas, como já tive oportunidade de constatar em diversas ocasiões, hospedada ou apenas de passagem. Poucos hotéis no Rio de Janeiro conseguem ter (e manter) esse padrão de excelência no atendimento.

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Fuso Hotel Florianópolis

Novos hotéis abrem suas portas em plena pandemia

Apesar de toda a crise sem precedentes gerada no turismo em 2020, o mercado hoteleiro continua aquecido em termos de novas aberturas.  Novos hotéis abrem suas portas em plena pandemia, aqui e lá fora, focados nos mais distintos públicos. As novas aberturas se concentram mais no turismo de luxo, é claro; mas cada vez mais redes com diferentes targets anunciam novas propriedades para os próximos anos.

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Além dos inúmeros hotéis que abriram suas portas em 2020, vários outros confirmaram suas inaugurações para 2021 durante a última edição da ILTM, em dezembro passado – como relatei em uma matéria bem completa sobre o tema para o UOL. Alguns hotéis modificaram recentemente sua data oficial da abertura – algo extremamente comum mesmo em tempos pré-pandemia -, mas confirmaram as inaugurações ainda para este ano. Muitas delas acontecendo neste primeiro semestre, inclusive.

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Novos hotéis abrem suas portas em plena pandemia

Do Fauchon L’Hotel Tokyo ao esperadíssimo Airelles Château de Versailles, Le Grand Contrôle, teremos excelentes adições ao portfólio internacional da hotelaria de luxo neste 2021. A hotelaria de luxo segue firme na pandemia. A maioria destes novos hotéis já está nascendo adaptada à necessidade de distanciamento social em todos os seus espaços, e priorizando ainda mais os serviços personalizados e customizados. 

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A Leading Hotels of the World, por exemplo, acaba de adicionar seis propriedades ao seu seleto portfólio e espera a abertura de um total doze novos hotéis até o final de 2021 – alguns deles já inaugurados nesse comecinho do ano.

Vale destacar também que muitos dos novos hotéis estão contrariando totalmente as expectativas mais pessimistas do setor para esta época. Apesar das necessárias restrições a deslocamentos de viajantes em tempos de pandemia, muitas propriedades estão tendo desempenho bastante acima do esperado. É o caso, por exemplo, do novo One&Only Mandarina, na Riviera Nayarit, que já está se tornando um verdadeiro hot spot mexicano. 

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Fuso Hotel Florianópolis
O novo Fuso Hotel Florianópolis. Foto: Divulgação

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Novos hotéis abrem suas portas no Brasil

O cenário não é tão diferente por aqui. Afinal, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas pelo setor, novos hotéis abrem suas portas em plena pandemia também no Brasil. E estudos indicam que os brasileiros dão cada vez mais importância à hotelaria.

No segundo semestre do ano passado, de Florianópolis ao litoral do Ceará, diferentes hotéis foram inaugurados em terra brasilis – e vêm tendo bom desempenho neste começo de ano. 

Muitos destes hotéis fizeram adaptações em seus projetos originais – sobretudo espaciais – para se adaptar aos novos tempos e necessidade de distanciamento social. Afinal, todos estão procurando escapadas possíveisnesses tempos, certo?

Hotéis nascidos com foco no turismo de isolamento têm tido especial sucesso nestes últimos meses. E muitos hotéis urbanos vêm investindo pesado na acertada tendência da staycation, que vem mesmo beneficiando sobremaneira a hotelaria nacional nesta fase.

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Barracuda Beach Hotel (Itacaré-BA), Makena Hotel (Icaraí-CE), WK Design Hotel (Florianópolis-SC) são alguns muitos novos hotéis brasileiros que vêm sendo bem sucedidos nos últimos meses. O Carmel Taíba, no Ceará, que abriu suas portas poucos meses antes do início da pandemia, vem tendo índices de ocupação e procura bastante favoráveis também. 

Também em Florianópolis, o novo Fuso Concept Hotel, pensado para causar o menor impacto ambiental possível, vem fazendo sucesso. Localizado a 250 metros das praias de Jurerê Internacional e do Forte, tem apenas 13 bangalôs com máxima privacidade. E tem design bem contemporâneo em um terreno de 7000m², próximo à Fortaleza da Ponta Grossa, construção do século 18 tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). 

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O novo Canto do Irerê, em Atibaia

Dos hotéis novinhos em folha no Brasil, inaugurados em tempo de pandemia, acabo de me hospedar por alguns dias no Canto do Irerê, inaugurado em dezembro passado em Atibaia, no interior de São Paulo.

O novo hotel boutique, localizado na periferia da cidade e exclusivo para adultos, vai totalmente ao encontro da tendência do turismo de isolamento – por sinal, uma das que mais cresce nos últimos meses.  Ocupa uma área tomada por mata nativa, com relativo distanciamento entre suas acomodações, boa gastronomia e constante contato do hóspede com a natureza.

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Por enquanto, são apenas sete chalés duplos distribuídos pela propriedade, todos com muito espaço e conforto (metragens a partir de 80 metros quadrados de área) – mas os proprietários planejam chegar em 20 chalés no pós pandemia. 

O restaurante do Canto do Irerê é pequeno e com pouca ventilação natural, mas durante a pandemia os hóspedes podem fazer todas as suas refeições no próprio chalé, sem custos extras. Porque capacidade de adaptação é mais do que nunca essencial para o sucesso na hotelaria em qualquer canto. 

Há trilhas de diferentes níveis de dificuldade na propriedade, além da possibilidade de fazer passeios guiados (pagos à parte) pelos arredores. E ainda uma belíssima piscina comum, charmosos jardins por todo canto e um chalé que funciona no momento exclusivamente como mini-spa, atendendo apenas um hóspede (ou chalé) por vez. 

CONFIRA AQUI O REVIEW COMPLETO DO NOVO HOTEL CANTO DO IRERÊ

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Vista do Praia Ipanema Hotel, no Rio de Janeiro

Staycation: Praia de Ipanema sem aglomeração

Como é fazer uma staycation na Praia de Ipanema e evitar aglomeração? Staycation vem do inglês stay + vacation e é o termo usado no setor de viagens para quando somos turistas na própria cidade ou nos arredores. Aqui no Hotel Inspectors somos fãs desde antes da pandemia.

Minha primeira escapada na pandemia foi justamente uma staycation. Passei dias deliciosos no Sheraton Grand Rio, resort urbano na praia, com ampla área ao ar livre e muito verde. Contei aqui como foi a minha experiência. Minha segunda escapada foi outra staycation. Desta vez a vontade de mudar de cenário, inclusive para o trabalho remoto, me levou ao Praia Ipanema Hotel, também à beira-mar. As staycations e as workcations (ou workations) cresceram muito e têm beneficiado a hotelaria das grandes cidades brasileiras, especialmente a do Rio de Janeiro, como já mostramos aqui.

Leia também: A transformação do Fairmont Rio durante a pandemia

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Praia Ipanema: boa relação custo x benefício

Completando 40 anos este ano o hotel fica no final de Ipanema, já quase no Leblon. A localização é muito boa para quem se sente confiante para aproveitar o melhor da gastronomia e do comércio carioca. Para os mais reclusos, o endereço à beira-mar torna descomplicado admirar a paisagem e dar um mergulho no mar nos horários em que a praia estiver menos cheia. Para começar e encerrar o dia com distanciamento social, o restaurante Espaço 7zero6, no 16º andar, é literalmente um ponto alto do hotel.

O Praia Ipanema não é um endereço de luxo, mas foi renovado para as Olimpíadas de 2016 e está bem conservado. Oferece boa relação custo x benefício e é confortável. Inclusive para trabalho remoto, com um ótimo Wi-Fi. Afinal, a staycation pode ser também uma workcation, quando o quarto do hotel vira um room office.

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Como o Praia Ipanema Hotel está funcionando na pandemia

No rápido check-in, uma barreira em acrílico protege os funcionários. Há álcool em gel por toda parte, inclusive dentro dos elevadores, e sinalização lembrando do distanciamento social. O uso de máscara é obrigatório nas áreas comuns, com exceção da piscina e à mesa do restaurante.

O 7zero6 (o nome vem do endereço, Avenida Vieira Souto 706), sobre o qual já escrevi aqui, é daqueles lugares frequentados por cariocas e procurado para pequenas comemorações. Para quem quiser ir ao restaurante sem estar hospedado no hotel, é importante fazer reserva.

O restaurante tem paredes em vidro e oferece vista panorâmica estonteante, da Lagoa Rodrigo de Freitas e do Cristo Redentor às Ilhas Cagarras. Com pé direito alto, as mesas estão espaçadas e a capacidade foi reduzida, permitindo uma melhor circulação de ar. Os funcionários estão adaptados aos novos procedimentos, inclusive para impedir de maneira gentil mas firme que um hóspede negacionista circulasse sem máscara pelo salão.

O café da manhã, chamado de Café Boulanger, é servido à mesa em etapas. Sucos, frutas, iogurte, pães, bolos, waffle, queijos, frios, ovos e salmão defumado estão no percurso, que inclui uma taça de espumante. Os menus de almoço e jantar também são bons. Quem preferir pode pedir as refeições no quarto, ainda que o cardápio seja menor e menos interessante.

Leia também: O que mudou no bufê de café da manhã de hotel

Praia Ipanema Hotel: cenário do pôr do sol de verão | Foto de Carla Lencastre
Cenário do pôr do sol de verão | Foto de Carla Lencastre
Restaurante e piscina estão com capacidade reduzida

Outro ponto alto do Praia Ipanema também fica no topo do hotel: a pequena piscina de borda infinita com vista para o mar e o Morro Dois Irmãos, onde o sol se põe no verão. Choveu ao final da tarde da minha staycation e vou ficar devendo a foto do pôr do sol no cartão-postal. Mas estou passando o verão no Rio e no meu Instagram @CarlaLencastre há muitas outras imagens de dias ensolarados (e quentes) em Ipanema e Leblon.

Tanto o restaurante quanto a área da piscina podem ser fechados para eventos particulares. A maré não está boa para o setor, mas não custa conferir antes de fazer planos. O hotel está funcionando com capacidade reduzida nos quartos e áreas comuns. Dependendo da lotação, pode ser necessário marcar hora para o café da manhã e para usar a piscina.

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A maioria dos quartos tem vista para a Praia de Ipanema

Na hora de escolher entre um dos cem quartos com sacada, invista no mar. Com exceção dos andares mais baixos, a maioria oferece pelo menos vista parcial. Afinal, dar um upgrade no cenário da janela é um dos objetivos de uma staycation. Os quartos são claros, com cama confortável, armário, minibar abastecido com água, refrigerante e cerveja e algumas guloseimas, e um pequeno balcão com espaço o suficiente para puxar a cadeira e apreciar o panorama. Nas acomodações superiores, as amenidades de banheiro são Trousseau. O Praia Ipanema é pet friendly e aceita animais de até 10kg.

O hotel oferece serviço de praia, com cadeiras e guarda-sóis. Vale lembrar que estamos no alto verão e as praias do Rio, mesmo com a pandemia ainda longe do final, ficam cheias até tarde. O trecho em frente ao Praia Ipanema não a chega a ser dos mais concorridos, mas a dica para quem quiser evitar aglomeração é acordar cedo para caminhar e dar um mergulho. Na volta, aproveite o café da manhã com calma, vendo a praia do alto.

Leia também: Como é o Fairmont Copacabana, novo hotel de luxo no Rio

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Bath, locação da série da Netflix "Bridgerton"

Como é dormir em uma locação da série ‘Bridgerton’

Lady Featherington tem um objetivo na vida: casar suas três filhas. Quem já assistiu a Bridgerton, série da Netflix que estreou no Natal, sabe de quem estamos falando. Produzida por Shonda Rhimes (de Grey’s Anatomy) e inspirada nos livros de Julia Quinn, a obra de época está no topo do top 10 Brasil do serviço de streaming. Bridgerton se passa em Londres no período regencial, no início do século XIX, e mostra nobres e aristocratas britânicos às voltas com romances. A maioria dos fabulosos cenários internos foi recriada em estúdio. Já as cenas externas foram filmadas principalmente na adorável Bath. Várias no Royal Crescent, onde fica o Royal Crescent Hotel & Spa. E como é dormir em uma locação de Bridgerton?

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Bath, Patrimônio Mundial

No sudoeste da Inglaterra, a 1h30m de Londres a partir da Estação de Paddington, Bath é muitas vezes visitada em programas de bate-e-volta. Um desperdício de tempo. Patrimônio da Humanidade pela Unesco, a cidade tem atrações o suficiente para ao menos uma ou duas noites. A arquitetura predominantemente do período georgiano está muito bem preservada.

Leia também: De predador a construtor, é a vez do turismo regenerativo

O Royal Crescent, conjunto de 30 prédios da década de 1770 formando uma meia-lua em torno de um gramado, é um dos cartões-postais de Bath. E endereço da fachada da casa dos Featherington. Logo no primeiro episódio dá para ver bem o local, quando os personagens vão a um encontro com a rainha no qual quem brilha é a protagonista Daphne Bridgerton (Phoebe Devynour) e não a família de Lady Featherington (Polly Walker).

Leia também: Novos hotéis de luxo previstos para abrir em 2021

rOYAL cRESCENT, OBRA-PRIMA GEORGIANA

Ainda hoje cerca de um terço das construções do Royal Crescent permanecem como residências únicas. O restante foi dividido em apartamentos, com duas exceções. No Royal Crescent número 1 há um museu, previsto para reabrir em abril, que mostra como era o interior das casas locais no final do século XVIII. Já os números 15 e 16, bem no centro do semicírculo, abrigam o Royal Crescent Hotel & Spa, hotel boutique de luxo que faz a gente se sentir em um episódio de Bridgerton. Ainda não sabemos quando poderemos viajar tranquilamente para o Reino Unido e, no momento, o Royal Crescent Hotel está fechado. Mas é permitido sonhar e fazer planos para dormir em uma locação de Bridgerton.

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Como é se hospedar no Royal Crescent Hotel

O conjunto arquitetônico do Royal Crescent é considerado de Grau 1 pelo Reino Unido, o que significa que é de “interesse excepcional” e não pode ser demolido ou alterado. As duas construções ocupadas pelo Royal Crescent Hotel são de 1775 e foram meticulosamente restauradas para manter o esplendor original. Com os selos de qualidade da hotelaria de luxo Virtuoso e Traveller Made, o hotel é hoje um destino em si. Fica em uma silenciosa área residencial e a menos de 15 minutos de caminhada das principais atrações turísticas de Bath, como as Termas Romanas, a abadia do século XVI e a Pulteney Bridge sobre o Rio Avon (foto no início do texto).

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Locação da série Bridgerton em Bath: Royal Crescent Hotel | Foto de Carla Lencastre
Royal Crescent Hotel em Bath | Foto de Carla Lencastre
Elegância do Século XVIII, cOMODIDADES DO SÉCULO xxi

Antes uma residência, como todas as casas do Royal Crescent, o número 16 virou hotel somente em 1950. Em 1971 o número 15 foi anexado à propriedade, que recebeu o nome de Royal Crescent Hotel. Os donos mudaram ao longo das últimas décadas, mas o nome foi mantido. Os proprietários atuais assumiram o hotel na década de 2010 e fizeram novas restaurações e obras de renovação, inclusive no spa com seis salas de tratamento (com produtos naturais da grife britânica Elemental Herbology), saunas seca e a vapor e uma deliciosa piscina aquecida e coberta com 12 metros de extensão e cercada por paredes em pedra. O ambiente é do século XVIII; os confortos, do século XXI. O serviço é impecável.

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Suítes à la Bridgerton

O hotel tem 45 elegantes acomodações, com decorações únicas e banheiros em mármores. Os quartos de entrada, com 23 m² e móveis de época, podem ser um pouco apertados. Mas as 11 suítes com pé-direito alto, tetos ornamentados, lustres, bustos e pinturas a óleo valem o investimento. A sensação de dormir em um prédio de quase 250 anos é a de estar em um cenário de Bridgerton. Ainda que o ambiente seja extremamente romântico, o Royal Crescent Hotel é family friend. Há quartos interligados e outros que podem receber camas extras. O hotel oferece serviço de babysitting e maiores de 12 anos podem usar a piscina do spa.

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O Royal Crescent Hotel tem ainda uma villa com quatro quartos e jardim privativo, procurada por celebridades do cinema e da música. E oferece buyout muito antes de a pandemia ter transformado em tendência a opção de reservar um hotel inteiro para você, sua família e seus amigos. Rolling Stones e U2 já fecharam o Royal Crescent Hotel apenas para convidados.

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bAR, RESTAURANTE E SPA SÃO ABERTOS AO PÚBLICO

Um belo jardim separa os quartos da construção onde ficam o Dower House Restaurant, o Montagu Bar & Champagne Lounge e o spa, todos abertos ao público em geral mediante reserva. O nome do bar homenageia a socialite, incentivadora da literatura e escritora Elizabeth Montagu (1718-1800), que morou no número 16 e organizou muitos eventos literários em seus salões. No site do hotel há detalhes saborosos da história do Royal Crescent e de seus personagens, que renderiam outras séries de TV. Mas é a literatura que é parte indissociável de Bath, como bem sabem os leitores de Jane Austen. A escritora inglesa (1775-1817) viveu na cidade e a usou como inspiração e cenário em suas obras. Royal Crescent incluído.

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