Piscina no Four Seasons Bangko

Novos hotéis de luxo para 2021

A ILTM Cannes, a maior e mais importante feira de viagens de luxo do mundo, todo dezembro na Riviera Francesa, e as versões regionais foram canceladas em 2020. O evento de Cannes no qual eu estaria pela nona vez se transformou no ILTM (International Luxury Travel Market) World Tour, dividido por três diferentes mercados. Participei da seção Americas, realizada virtualmente. De modo geral, a ILTM mostra que o setor de viagens de luxo é resistente. Na hotelaria, propriedades foram abertas em 2020 e há novos hotéis de luxo previstos para 2021 em todo o mundo.

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Ao longo de 2020 propriedades independentes e de pequenas e grandes redes fecharam, outras tiveram suas aberturas adiadas, mas o segmento continua sólido e se adaptando aos novos hábitos de consumo. Ben Trodd, vice-presidente de Vendas e Marketing do grupo canadense Four Seasons, destaca dois exemplos de hotéis da rede que, como muitos de nós, se “reinventaram” na pandemia. O FS Jackson Hole, no Wyoming, procurado por turistas estrangeiros, agora recebe 80% de público doméstico e garantiu boas taxas de ocupação no verão. É a staycation versão Estados Unidos.

Já o FS Punta Mita, no México foi pioneiro no hotelschooling voltado para o mercado americano. “Estamos tomando decisões baseadas na ciência e priorizando a segurança de nossos colaboradores”, diz Trodd.

Ainda não podemos viajar por aí sem preocupação, mas há muita coisa boa nos esperando pelo mundo. Nesta reportagem para o jornal O Globo escrevo sobre várias novas tendências do turismo de luxo.

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A seguir, alguns novos hotéis de luxo previstos para abrir as portas em 2021.

Cheval Blanc Paris

Um dos novos hotéis de luxo mais aguardados para 2020 está pronto para ser inaugurado em 2021. Anne-Laure Pandolfi, diretora de Relações-Públicas e Inovação da área de hotelaria do conglomerado de luxo LVMH (Moët Hennessy Louis Vuitton), diz que grife francesa pretende anunciar em fevereiro a data de abertura de seu quinto hotel. O Cheval Blanc Paris está instalado no impressionante prédio art déco da antiga loja de departamentos Samaritaine, um ícone às margens do Rio Sena, e terá 72 quartos e suítes. Pandolfi anunciou ainda que a marca trabalha em um projeto de longo prazo para 2025 em Los Angeles, na Rodeo Drive em Beverly Hills.

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Airelles Château de Versailles, Le Grand Contrôle

Outra grife francesa vai inaugurar uma propriedade das mais exclusivas em 2021. O Airelles Versailles terá apenas 14 acomodações, com móveis originais do século XVIII e design assinado pelo parisiense Christopher Tollomer, o mesmo dos outros hotéis franceses da marca criada em 2017. Os hóspedes terão acesso ao palácio em horários especiais, inclusive à noite, e jantares festivos assinados por Alain Ducasse. “Inicialmente pensamos que uma noite em Versailles é o suficiente. Mas como todas as experiências que vamos oferecer esperamos que os hóspedes fiquem duas noites”, diz Kevin Triboulet, diretor de Vendas e Marketing. Para 2023 e além, há planos de novos hotéis em Paris e Veneza (este seria o primeiro fora da França).

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Novos hotéis de luxo em 2021: One&Only Portonovi, Montenegro
Vista da varanda de um dos quartos do O&O Portonovi | Foto de divulgação
One&Only Portonovi

Em 21 de março de 2021 a O&O inaugura seu primeiro resort europeu, outro projeto adiado de 2020. Portonovi, em Montenegro, terá 140 acomodações e um spa holístico em Boka Bay, no Mar Adriático. O segundo hotel O&O na Europa, na ilha grega de Kéa, ficou para 2022.

Atualização: No início de fevereiro a O&O adiou novamente a abertura de Portonovi. A estreia europeia está remarcada para 1º de maio de 2021.

Marca que faz parte do grupo Kerzner International, a One&Only chegou ao evento da ILTM comemorando a abertura e as taxas de ocupação do Mandarina, o segundo resort O&O no México. “As 54 villas no Mandarina já foram concluídas levando em conta o distanciamento social”, diz David Solis, diretor regional de Vendas e Marketing.

Pelas fotos que mostramos em primeira mão no Instagram @HotelInspectors parece mesmo um lugar para ocupar o topo da lista de desejos. O hotel fica a uma hora de carro do aeroporto de Puerto Vallarta, cidade histórica na costa do Oceano Pacífico, e tem um restaurante do premiado chef Enrique Olvera.

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Four Seasons Napa Valley

O novo FS na principal região vinícola da Califórnia terá 85 acomodações, duas piscinas ao ar livre e spa com tratamentos voltados para o bem-estar. A inauguração está prevista para o início do ano, mas ainda sem data marcada.

A rede canadense planeja outras aberturas para 2021, entre elas Nova Orleans, com vista para o Rio Mississippi; Tamarindo, na Costa Oeste do México, e San Domenico Palace, endereço italiano histórico em Taormina, na Sicília. Já o FS Bangkok at Chao Phraya River (foto no início do texto) é um hotel novo que marca o retorno da rede à capital tailandesa, em 18 de dezembro de 2020.

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Novos hotéis de luxo em 2021: Crockfords Las Vegas
Sala de uma das suítes do Crockfords, em Las Vegas | Foto de divulgação
Crockfords Las Vegas, LXR

Previsto para julho de 2021, o hotel de 236 quartos e suítes está localizado no Las Vegas Boulevard, perto do Wynn e do centro de convenções. O Crockfords fará parte do complexo Resorts World Las Vegas, que terá ainda um Conrad (com 1.496 acomodações) e um Hilton, com cassino, boates, sete piscinas ao ar livre e teatro com capacidade para cinco mil pessoas.

LXR é a mais nova marca de luxo do grupo Hilton: “Na LXR os hoteleiros são independentes. Os hotéis têm características próprias e permitem que sejam criadas experiências diferentes em cada um deles. São destination experiences para atrair hóspedes de outros resorts”, conta Feisal Jaffer, chefe global da marca hoje com seis hotéis em diferentes países.

Entre eles está o Oceana em Santa Monica, Califórnia, que reabre como LXR em janeiro. Em setembro deve ser inaugurado o Roku Kyoto, no Japão. O hotel de Londres, The Biltmore, Mayfair, pode ser considerado uma novidade. Abriu as portas no final de 2019, fechou em março e reabre em abril de 2021.

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Novos hotéis de luxo para 2021: Waldorf Astoria Monarch Beach, na Califórnia
O beach club do Waldorf Astoria Monarch Beach, na Califórnia | Foto de divulgação
Waldorf Astoria Monarch Beach

A clássica marca de luxo do grupo Hilton acaba de assumir a operação do Monarch Beach Resort, em Dana Point, no Sul da Califórnia. A esperada reabertura do hotel de Nova York, ícone da hotelaria em Manhattan, ficou para 2022, assim como a inauguração em Londres no centenário Admiralty Arch. O histórico WA New York terá menos quartos e mais espaço. O projeto é de antes da pandemia (as obras de renovação começaram em 2017).

Dino Michael, chefe global da Waldford Astoria, chamou a atenção para os ajustes sutis da hotelaria de luxo sobre os quais já escrevemos aqui: “Somos abençoados com espaço e podemos facilmente oferecer um escritório com vista, uma workcation”. Para o futuro mais distante, em 2026, está previsto o primeiro WA japonês, em Tóquio.

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The Residences Dorchester Collection Dubai

O crescimento dos residenciais de luxo com serviços de hotelaria de grife é uma tendência do mercado. O grupo Dorchester Collection inaugura em 2021 The Residences Dubai. O hotel mesmo, o décimo da marca, só deve abrir as portas em 2022. Todos as nove propriedades do grupo estão funcionando, ainda que nem todos os restaurantes estejam abertos. Há planos de crescimento: “Certamente vamos nos expandir no futuro próximo para a Ásia e a América Latina. Estamos olhando o mercado latino-americano muito de perto, especialmente São Paulo”, diz o CEO Christopher Cowdray.

Com este rápido panorama dos novos hotéis de luxo em 2021, encerro meu ano por aqui. Foi duro para todos nós. No Hotel Inspectors nos esforçamos para trazer as novidades e as melhores análises das transformações pelas quais a hotelaria está passando em tempos de covid-19. Como resultado, vimos nossa audiência aumentar muito, aqui e no Instagram @HotelInspectors, e tivemos o reconhecimento da lista 100+ Poderosos do Turismo Panrotas Elo na categoria Conteúdo e Mobilização.

Muito obrigada pela companhia e até 2021!

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Bufê de café da manhã de hotel na pandemia | Foto de divulgação

O que mudou no bufê de café da manhã de hotel na pandemia

Comida exposta por horas. Talheres de servir compartilhados. Comensais andando e parando em frente a todos os pratos, ou quase todos, e conversando. Fila. Aquele que muda de ideia e volta algumas travessas, passando por quem está se servindo. Réchauds abertos e fechados quantas vezes a dúvida impulsionar. O bufê de café da manhã de hotel morreu na pandemia. Vida longa ao bufê de café da manhã de hotel na pandemia.

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Nem a covid-19 foi capaz de deter este impávido clássico na hotelaria nacional. Uma tabela elaborada por epidemiologistas, infectologistas e especialistas em saúde pública da Associação Médica do Texas (TMA, na sigla em inglês) listou os riscos de contágio de diversas atividades em níveis vão de 1 (baixo risco) a 9. Comer em bufê está no nível 8, de alto risco. É uma atividade apenas menos arriscada do que ir a um show, evento esportivo ou culto religioso com mais de 500 pessoas. A classificação levou em conta que todos estariam usando máscaras, lavando as mãos com frequência e mantendo distanciamento social.

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Higiene X sustentabilidade

Como no caso da piscina de hotel, em que nada indica que a água clorada seja transmissora do novo coronavírus, nos bufês self-service o problema não é a comida. São as pessoas e o entorno.

Com a flexibilização das medidas restritivas em todo o país surgiram vídeos de hotéis com piscinas e bufês self-service repletos de destemidos aglomerados. Em imagens de outros resorts nota-se o uso surreal de plástico descartável em nome de higienizar o bufê, com talheres embalados, luvas para os hóspedes e até frutas com cascas embrulhadas em filme PVC. Com um agravante: os hotéis não deixam claro como descartam o material. O plástico de uso único é um dos maiores vilões da poluição dos oceanos e o setor de hospitalidade tem responsabilidade nisso.

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Pequenas porções à mesa na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre
Minibufê à mesa na pousada Solar da Ponte, em Tiradentes | Foto de Carla Lencastre

alternativas ao serviço de bufê

A área de alimentos e bebidas é responsável por parte significativa do custo operacional de um hotel. Hoje protocolos devem ser ainda mais rigorosos, incluindo os seguidos pelos fornecedores. Afinal, de nada adianta ter todas as precauções na manipulação de alimentos se o fornecedor não fizer o mesmo. O custo final de uma refeição à la carte é mais caro do que em um bufê, e isto também tem que ser levado em conta nesta complicada fase da hotelaria.

Há caminhos do meio que estão sendo seguidos por alguns resorts, como o dos bufês híbridos. No Club Med, com suas três unidades no Brasil reabertas, o bufê é assistido. Ou seja, funcionários com equipamento de proteção individual montam os pratos dos hóspedes, que não encostam nos utensílios nem nas máquinas de café, por exemplo. Com a equipe a postos também é mais simples garantir que nenhum hóspede será servido se não estiver usando máscara e que o distanciamento social será respeitado. Em outros hotéis, como já acontecia antes, o bufê tem itens em porções individuais, enquanto outros são pedidos à la carte. Há ainda uma espécie de minibufê servido à mesa, com pequenas porções de diferentes pratos.

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Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião | Foto de Carla Lencastre
Minibufê no ecolodge Mirante do Gavião, na Amazônia | Foto de Carla Lencastre
O Papel de cada um

Faço a ressalva de que nunca fui fã de bufês, por razões de gosto pessoal e, principalmente, por conta do imenso desperdício de alimentos. Mas reconheço que um bom bufê de hotel tem o seu apelo e pode ser uma experiência em si. Como em tudo nesta delicada fase pela qual a hotelaria está passando, fica mais fácil se cada um fizer a sua parte.

Ao hoteleiro que optar por manter o bufê à moda pré-pandemia cabe detalhar as medidas de biossegurança e de sustentabilidade. Não apenas em relação ao descarte de plástico, mas também ao desperdício de comida. Ao hóspede e ao agente de viagens que oferece o hotel ao cliente cabem cobrar informações claras sobre higienização, controle de ocupação de espaço, distanciamento social e cuidados com o meio ambiente. E sempre seguir as regras. A revista Panrotas fez uma reportagem com 15 perguntas que se deve fazer antes do check-in no hotel. Conferir as adaptações no setor de alimentação é uma delas.

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Bufê de café da manhã de hotel brasileiro à moda pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre
Bufê de café da manhã de hotel brasileiro pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

Enquanto isso em las vegas…

Bufê de café da manhã de hotel é tradição brasileira, mas não é exclusividade. Há bufês de diferentes estilos em todos os continentes, e a origem histórica deste tipo de serviço está na Europa. Mas foi em Las Vegas, na década de 1940 que nasceu o conceito de bufê americano moderno, o all-you-can-eat. Ou coma o quanto aguentar. No café, no almoço e no jantar.

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O Buffet at Wynn foi um dos primeiros da Strip (o Las Vegas Boulevard, onde estão os principais cassinos da cidade) a retomar as atividades, em meados de junho. O cliente fazia o pedido a um garçom, e o prato era trazido à mesa. O bufê-que-não-era-bufê fechou de novo menos de três meses depois, sem previsão de reabertura. Já o Caesars Palace pretendia reabrir o Bacchanal Buffet, com 600 lugares, em agosto. Pequenos pratos previamente montados seriam entregues por funcionários e vários itens seriam servidos diretamente nas mesas. A reabertura foi adiada para o fim do ano.

Atualização: Em meados de setembro de 2020 o Wynn Las Vegas anunciou que 548 funcionários testaram positivo para covid-19. Todos eram assintomáticos. Desde junho o Wynn já recebeu mais de 500 mil hóspedes.

E no Brasil, onde você aposta as suas fichas? Encontraremos alternativas mais seguras? Ou o bufê self-service de hotel e de restaurantes de comida a quilo seguirão como na era pré-Covid-19?

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Vista aérea do Soneva Jani, nas Maldivas

Hotel carbono neutro: quando a hospedagem não deixa pegadas

Um hotel deve ter como meta ser carbono neutro. Até porque quatro meses depois de declarada a pandemia, e passada a surpresa inicial com algumas imagens de recuperação do meio ambiente, está claro o efeito arrasador do novo coronavírus na sustentabilidade. E a preservação do meio ambiente terá cada vez mais importância na retomada da economia.

Resolver como a energia é gerada pode estar além das ações cotidianas. Mas valorizar uma propriedade que se preocupa em mitigar o impacto das emissões de carbono nas mudanças climáticas é algo que todos os viajantes podemos fazer quando for seguro viajar novamente.

Atualização: No início de 2021 escrevi para o Projeto #Colabora, site jornalístico especializado em desenvolvimento sustentável, sobre como podemos tornar mais leves as pegadas de carbono das nossa viagens.

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As emissões de carbono durante a pandemia

Estudo publicado em maio na revista Nature Climate Change mostra que a pandemia diminuiu em 17% no mundo as emissões de carbono, que voltaram ao patamar de 2006. O dado é de abril de 2020 em relação a 2019. O número sem precedentes foi alcançado por conta das restrições à mobilidade e da redução do uso de energia elétrica. Como não reflete alterações estruturais, o efeito nas mudanças climáticas é mínimo. Mas diz muito sobre o quanto ainda precisamos reduzir nossas pegadas de carbono e tentar fazer viagens mais sustentáveis.

No meu texto anterior, escrevi sobre como estamos vendo um retrocesso na eliminação do plástico de uso único. Continuar investindo em redução e neutralização de carbono será mais um desafio. Economistas de diferentes escolas de pensamento apontam que a descarbonização do planeta é pilar fundamental para a retomada da economia em geral, viagens incluídas. E, provavelmente, nos próximos anos novas certificações globais serão criadas.

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O que é um hotel carbono neutro

Ser carbono neutro não significa que o hotel não tem emissões de carbono. Uma propriedade carbono neutro se preocupa em reduzir pegadas e compensar as restantes. A neutralização pode ser feita com o plantio de árvores ou investindo em fazendas de energia eólica, por exemplo.

Hotéis que levam a sério a diminuição de pegadas de carbono também podem exigir baixas emissões de seus fornecedores. Como já acontece no caso de alguns programas da hotelaria para eliminação do plástico de uso único. O que não quer dizer que seja tarefa fácil: a cadeia de fornecedores é um dos maiores obstáculos para um hotel ser plastic free.

Leia também: O difícil adeus ao plástico nos hotéis

Bons exemplos de grandes redes

Piscina do Sofitel Dubai The Palm,  hotel da Accor
Sofitel Dubai The Palm: hotel da Accor com energia renovável e baixas emissões de carbono Foto @SofitelDubaiPalm

Entre as grandes redes, a AccorHotels se destaca na neutralização de carbono. O grupo francês pretende que todos os prédios dos quais é proprietária (cerca de 30% de 4.800 hotéis) sejam carbono neutro até o final deste ano. Já todos os novos hotéis e os renovados, inclusive os que são apenas administrados pela rede, serão em construções com baixas emissões de carbono, privilegiando o uso de energia renovável como a solar ou a eólica. Um exemplo de hotel da Accor sustentável e que usa energia renovável atualmente é o Sofitel Dubai The Palm Resort & Spa.

NH Hotels, parte da tailandesa Minor Hotels, é outra rede a se destacar com metas de redução de carbono. No final do ano passado, o grupo NH anunciou que vai diminuir em 20% as pegadas até 2030. O objetivo pode parecer pouco ambicioso, mas a rede espanhola reduz emissões desde 2007. Em 2018, 70% da energia usada em seus 380 hotéis já era renovável.

Leia também: Novos hotéis de luxo previstos para abrir em 2021

Nos eventos
Salão de destas no Radisson Cartagena
Casamento no Radisson Cartagena: evento carbono neutro | Foto de divulgação

Desde 2019, o Radisson compensa as pegadas de carbono de todos os eventos em seus mais de 1.100 hotéis pelo mundo. Neutralizar as emissões de carbono de eventos também é o que faz o Aria Resort & Casino, como no Forbes Travel Guide Luxury Summit. Contei neste texto como foi a compensação de carbono da conferência do FTG, que levou em conta o transporte dos participantes até Las Vegas, em fevereiro de 2020.

Entrada do Aria Resort & Casino em Las Vegas
Aria: reunião do FTG com emissões de carbono compensadas | Foto de Carla Lencastre

Pequenos grupos e hotéis independentes

O comprometimento de grandes empresas com baixas emissões e neutralização é fundamental para a descarbonização do planeta, mas todos os exemplos são importantes. O Soneva, com dois hotéis (a foto em destaque no início do texto é do Jani) e um iate nas Maldivas e um hotel na Tailândia, tem sólida história de mais de duas décadas de sustentabilidade. Atualmente o Soneva é 100% carbono neutro. O grupo de luxo descarboniza toda a operação, incluindo emissões indiretas como as dos voos dos hóspedes.

Outro modelo vindo das Maldivas é o Kudadoo, inaugurado em 2018 e reconhecido ano passado pela revista HD com o Hospitality Design Award na categoria Resort Sustentável. Com apenas 15 villas em uma ilha privativa, o Kudadoo Maldives usa somente energia solar e se preocupa em eliminar outras pegadas de carbono. A água é dessalinizada em uma ilha próxima, reduzindo as emissões do transporte. E é engarrafada em vidro, eliminando a garrafa de plástico de uso único.

Painéis de energia solar no Kudadoo Maldives
Alguns dos 984 painéis de energia solar no Kudadoo Maldives | Foto de divulgação

Um exemplo bem recente chega do México. Foi inaugurado este mês em Playa del Carmen o Palmaïa, The House of Aïa, que nasce com o objetivo de ser carbono neutro em 2021. Para isso, o Palmaïa, membro da Preferred Hotels, anunciou que está instalando painéis de energia solar no resort e em diferentes áreas do país para compensar suas pegadas.

Varanda com vista para o Caribe no Palmaïa, na Riviera Maya
Palmaïa: investimento em energia solar para neutralizar emissões | Foto de divulgação

No Brasil

Afinal, se no mundo ainda não há muitos hotéis independentes ou de pequenos grupos preocupados em compartilhar o que fazem para mitigar as emissões de carbono, nem certificações amplamente reconhecidas, no Brasil a quantidade é ainda menor. Mas há alguns bons exemplos.

Um deles fica no Estado do Rio. É a Pousada Águas de Paratii, que participou do Programa de Carbono Compensado do Lepac, Laboratório de Extensão da Unicamp em Paraty. Assim como o Go Inn, hotel econômico bem localizado no Centro de Manaus, reconhecido pelo Projeto Neutro de Carbono do Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN), organização sem fins lucrativos. Ambos investiram na redução das pegadas (usando energia solar e separando e reciclando o lixo, por exemplo) e compensaram as baixas emissões com o plantio de árvores. Como resultado, são carbono neutro.

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Lobby do Four Seasons New York

Cinco inovações que vão mudar a hotelaria

Listamos cinco prováveis ou possíveis inovações que vão mudar a hotelaria em tempos de distanciamento social e biossegurança: redesenho das áreas comuns, novas tecnologias de limpeza, experiências de baixo contato, chave do quarto digital e robôs para room service.

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1 Redesenho de áreas comuns
Inovações que vão mudar a hotelaria: lobby do Anaheim Marriott
Lobby do Anaheim Marriott pré-covid-19 | Foto de Carla Lencastre

Em muitos hotéis o lobby era um ponto de encontro, com espaços projetados para facilitar, e incentivar, a interação. Várias propriedades estão rearrumando e redesenhando áreas levando em conta a covid-19. Marriott International, a maior rede hoteleira do mundo, anunciou que vai remover móveis e reorganizar lobbies para permitir distanciamento social.

Inovações que vão mudar a hotelaria: quarto do Prince Hotel Hong Kong
Quarto do Prince Hotel Hong Kong | Foto de divulgação

Da Ásia, chega um exemplo significativo. O Prince Hong Kong, parte do grupo Marco Polo, já tinha uma renovação prevista para este ano que seria executada aos poucos, sem fechar. Com a crise, as atividades do hotel foram suspensas em fevereiro e a obra será feita de uma vez só. Mas, antes de começar, todos os planos foram revisados. Desenhos de espaços comuns como lobby e restaurante foram refeitos e revestimentos, repensados. No lounge executivo, a área será ampliada em 30%. Materiais mais fáceis de limpar e higienizar serão priorizados para pisos, balcões, mesas, cadeiras.

Leia também: Como será a hotelaria de luxo na era covid-19

2 Novas tecnologias de limpeza

Pulverizadores eletroestáticos e luz ultravioleta podem vir a fazer parte dos protocolos hoteleiros. O grupo Hilton avalia seguir os dois procedimentos. A rede Marriott pretende, nos próximos meses, adotar os sprays eletrostáticos. Esta é mais uma das inovações que vão mudar a hotelaria.

O Fórum Econômico Mundial diz que raios UV podem se tornar realidade na indústria da hospitalidade. A luz ultravioleta é a etapa final da limpeza; o efeito da descontaminação é reduzido se houver poeira, por exemplo. Usada em hospitais e transporte público, sua eficácia em relação ao novo coronavírus ainda está sendo estudada.

Leia também: Como será a limpeza dos hotéis na era covid-19

3 Experiências de baixo contato

Mesmo que o check-in seja no lobby, a tendência é o hóspede usar o próprio telefone e não tocar em nenhuma superfície. Hotéis de diferentes categorias já ofereciam check-in e check-out sem contato físico. Muitos outros vão seguir pelo mesmo caminho. A Marriott anunciou que check-in e pedidos de serviço de quarto por celular estarão disponíveis em mais de 3.200 de suas propriedades em todo o mundo (o grupo administra cerca de sete mil hotéis).

Inovações que vão mudar a hotelaria: check-in e check-out virtuais no Four Seasons New York
Suíte com vista para o Central Park no FS New York | Foto de divulgação/Peter Malinowski

O Four Seasons New York, que está recebendo profissionais da área de saúde durante a pandemia, adotou check-in e check-out virtuais. Vão crescer os aplicativos de redes hoteleiras, inclusive as luxo, como Four Seasons (a foto no alto do texto é do lobby do FSNY). O app oferece comunicação em tempo real, mantendo a qualidade do serviço.

Menus de room service estarão em QR code, tablets ou TVs. Os hotéis do grupo europeu La Réserve removeram os cardápios dos quartos e, também, de seus restaurantes. O pagamento por aproximação será ampliado. Incentivo ao meio eletrônico é um dos protocolos para a hotelaria do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC na sigla em inglês).

Elevadores touchless serão mais comuns. O Prince Hong Kong, com 394 quartos, incluiu painéis de controle de elevadores non-touch em seu projeto de renovação, por exemplo. Um mundo “beyond human” é a primeira das dez tendências de consumo apontadas pela Euromonitor International para 2020. No final de abril, a consultoria revisou a lista levando em conta a covid-19. Se no início do ano “além do humano” era um mundo onde a inteligência artificial poderia ser conveniente, agora é esperado rápido crescimento da automação no setor de serviços para evitar contato.

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4 Chave do quarto (e muito mais) no celular
Inovações que vão mudar a hotelaria: quarto do Hilton Denver City Center
Quarto do Hilton Denver City Center: chave digital pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

O grupo Hilton, um dos pioneiros em check-in sem interação física, anunciou que a partir de junho vai ampliar seu programa Digital Key para mais de 4.700 propriedades em todo o mundo (o grupo tem cerca de 6.100 hotéis). A inciativa é parte dos novos protocolos globais de limpeza da rede. O app Hilton Honors, onde fica a chave digital, permitirá também controlar iluminação, temperatura e televisão. O MGM Resorts terá chave digital na reabertura de seus 13 hotéis em Las Vegas. Além da chave no celular, o app permitirá fazer ckeck-in e check-out no próprio telefone.

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Cartões magnéticos continuarão a ser usados como chaves, mas terão que ser constantemente desinfetados como recomenda o WTTC em seus protocolos para o novo normal na hotelaria. Fico nervosa de pensar naquela situação nada rara em que o cartão não funciona. Você volta ao lobby, o cartão é limpo, reprogramado, desinfetado… Não era divertido antes (principalmente nos longos corredores dos hotéis em Vegas), imagina agora.

Leia também: Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria

5 Robôs para serviço de quarto
Inovações que vão mudar a hotelaria: Hannah, robô para serviço de quarto do H Hotel da Curio Collection by Hilton, em Los Angeles
Hannah, robô para serviço de quarto do H Hotel da Curio Collection by Hilton, em Los Angeles: na ativa desde antes da pandemia | Foto de Carla Lencastre

Em um mundo no qual o hóspede quer ter o mínimo possível de contato social e interação humana, pedidos de room service entregues por robôs podem se tornar mais comuns. Robôs para limpeza em hotéis não é usual, mas também pode vir a ser considerado. Um exemplo são os dispositivos que emitem raios ultravioleta, por enquanto usado em hospitais.

Escrevi também sobre as inovações vão mudar a hotelaria em um mundo com covid-19, e o setor de viagens em geral, para o Projeto #Colabora, site de jornalismo independente especializado em desenvolvimento sustentável. Clique aqui para ler mais sobre as novidades da área.

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St. Regis Bora Bora

Hotéis e spas cinco estrelas na lista Forbes 2020

O Forbes Travel Guide criou o conceito de hotel cinco estrelas há 62 anos, nos Estados Unidos. Ao longo destas seis décadas, sua lista de propriedades estreladas tornou-se uma das mais esperadas pela indústria de viagens de luxo. Quais são os novos hotéis e spas cinco estrelas na lista Forbes?

A edição 2020, anunciada às vésperas do carnaval, apresenta 70 novos hotéis em todo o mundo com a classificação máxima. O número chama mais atenção se comparado ao de 2019, quando foram apenas 21 os novos hotéis que entraram no grupo cinco estrelas. O guia reconhece ainda restaurantes e spas. Este ano, no total, são 107 novos premiados, entre os 432 estabelecimentos com cinco estrelas. O FTG analisa centenas de características de cada propriedade, sendo 75% serviço e 25% instalações.

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O único representante do Brasil, e da América do Sul, entre os hotéis cinco estrelas continua sendo o realmente ótimo Belmond Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu. Outros oito brasileiros, em São Paulo e no Rio de Janeiro, aparecem com quatro estrelas, entre eles o Four Seasons, ou recomendados, como Santa Teresa Hotel MGallery by Sofitel.

Leia mais: Sustentabilidade no Santa Teresa Hotel MGallery by Sofitel

A estreia na polinésia francesa e nas Maldivas

Fiquei particularmente feliz de ver que o Forbes Travel Guide chegou este ano a Polinésia Francesa, um dos 16 novos países contemplados na maior expansão global da história do guia. Depois de anos de queda no número de visitantes internacionais, e de hotelaria elegante porém decadente, o arquipélago no Pacífico Sul começa a dar sinais de recuperação. Entre os novos hotéis e spas cinco estrelas na lista Forbes está o St. Regis Bora Bora, que mantém o frescor depois de mais de uma década.

Estive lá e escrevi sobre o St. Regis e, também, sobre o Conrad Bora Bora Nui, na lista do FTG como recomendado, neste link. O outro cinco estrelas da Polinésia Francesa é The Brando. Ainda na Polinésia Francesa, o guia recomenda o InterContinental Bora Bora Resort & Thalasso Spa.

Maldivas é outro país estreante. Aparece na lista com nove hotéis com quatro estrelas ou recomendados e seis hotéis cinco estrelas, entre eles o Four Seasons at Kuda Huraa, que renovou recentemente as acomodações com um ou dois quartos e piscinas privativas do Beach Pavillion.

Leia mais: É seguro usar piscina de hotel e spa durante a pandemia?

HOTÉIS E SPAS CINCO ESTRELAS NA LISTA FORBES Suíte renovada no Beach Pavillion do Four Seasons Kuda Huraa, nas Maldivas
Suíte renovada no Beach Pavillion do Four Seasons Kuda Huraa | Foto de divulgação

marcas e cidades mais estreladas

Four Seasons é a marca recordista no FTG, com a maior quantidade de hotéis cinco estrelas (45, além de sete spas na categoria principal e mais 68 hotéis e spas com quatro estrelas ou recomendados). Peninsula Hotels é a única marca com todos as propriedades, dez no caso, cinco estrelas, além de quatro spas com classificação máxima (os outros são quatro estrelas).

Londres continua a cidade com maior número de hotéis cinco estrelas no guia, 19, o que não surpreende quem acompanha a movimentada e luxuosa cena hoteleira da cidade. Entre as novidades, destaque para o Brown’s, a Rocco Forte Hotel, um dos mais antigos da capital, e o relativamente novo Rosewood London, com um dos melhores bares de hotel de Londres.

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Entre os 24 novos spas com a classificação máxima, destaca-se a concentração de prêmios em Los Cabos, no México, que já tinha três spas com quatro e cinco estrelas. As novidades são os spas do One&Only Palmilla (experimentei o spa do O&O Palmilla e é mesmo divino, conto mais aqui), do Waldorf Astoria Pedregal e do Montage, o maior da região, com quase quatro mil metros quadrados. Membro da Preferred Hotels, o Montage Los Cabos ganhou ainda um prêmio inédito, criado este ano pelo guia: o de melhor conta no Instagram. Os critérios foram consistência na qualidade das imagens e em reforçar a marca, campanhas criativas e interação.

O prêmio foi anunciado semana passada durante o Forbes Travel Guide Luxury Summit, em Las Vegas, que reuniu mais de 600 pessoas em um evento carbono zero realizado no Aria Resort & Casino, com quatro estrelas no guia. O Wynn Resorts, com sete estabelecimentos na categoria principal, é recordista em estrelas em Vegas e no mundo. Em sintonia com o viajante consciente, o Aria calculou as pegadas de carbono deixadas pelo transporte e a hospedagem de todos os participantes da conferência e compensou financiando plantio de árvores e fazendas de energia eólica. Porque não dá mais para usar a cansada palavra sustentabilidade apenas no discurso.

A lista completa do Forbes Travel Guide com 1.898 propriedades, entre cinco e quatro estrelas e recomendados, está neste link.

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