Lobby do Four Seasons New York

Cinco inovações que vão mudar a hotelaria

Como não poderia ser diferente, neste momento de reabertura de hotéis na Europa e na Ásia a prioridade é a saúde de funcionários e hóspedes. Procedimentos na hotelaria em tempos de distanciamento social e segurança sanitária vão levar a inovações, sejam de design ou tecnologia. A seguir, listamos cinco mudanças, prováveis ou possíveis, no mundo com covid-19.

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1 Redesenho de áreas comuns

Lobby do Anaheim Marriott
Lobby do Anaheim Marriott pré-covid-19 | Foto de Carla Lencastre

Em muitos hotéis o lobby era um ponto de encontro, com espaços projetados para facilitar, e incentivar, a interação. Não mais. Várias propriedades estão rearrumando e redesenhando áreas levando em conta o novo coronavírus. Marriott International, a maior rede hoteleira do mundo, anunciou que vai remover móveis e reorganizar lobbies para permitir distanciamento social.

Quarto do Prince Hotel Hong Kong
Quarto do Prince Hotel Hong Kong | Foto de divulgação

Da Ásia, chega um exemplo significativo. O Prince Hong Kong, parte do grupo Marco Polo, já tinha uma renovação prevista para este ano que seria executada aos poucos, sem fechar. Com a crise, as atividades foram suspensas em fevereiro e a obra será feita de uma vez só. Mas, antes de começar, o hotel revisou todos os planos. Desenhos de espaços comuns como lobby e restaurante foram refeitos e revestimentos, repensados. No lounge executivo, a área será ampliada em 30%. Materiais mais fáceis de limpar e higienizar serão priorizados para pisos, balcões, mesas, cadeiras.

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2 Novas tecnologias de limpeza

Pulverizadores eletroestáticos e luz ultravioleta podem vir a fazer parte dos protocolos hoteleiros. O grupo Hilton avalia seguir os dois procedimentos. A rede Marriott pretende, nos próximos meses, adotar os sprays eletrostáticos.

O Fórum Econômico Mundial diz que raios UV podem se tornar realidade na indústria da hospitalidade. A luz ultravioleta é a etapa final da limpeza; o efeito da descontaminação é reduzido se houver poeira, por exemplo. Usada em hospitais e transporte público, sua eficácia em relação ao novo coronavírus ainda está sendo estudada.

3 Experiências de baixo contato

Mesmo que o check-in seja no lobby, a tendência é o hóspede usar o próprio telefone e não tocar em nenhuma superfície. Hotéis de diferentes categorias já ofereciam check-in e check-out sem contato físico. Muitos outros vão seguir pelo mesmo caminho. A Marriott anunciou que check-in e pedidos de serviço de quarto por celular estarão disponíveis em mais de 3.200 de suas propriedades em todo o mundo (o grupo administra cerca de sete mil hotéis).

Suíte com vista para o Central Park no FS New York | Foto de divulgação/Peter Malinowski

O Four Seasons New York, que está recebendo profissionais da área de saúde durante a pandemia, adotou check-in e check-out virtuais. Vão crescer os aplicativos de redes hoteleiras, inclusive as luxo, como Four Seasons (a foto em destaque no alto do texto é do lobby do FSNY). O app oferece comunicação em tempo real, mantendo a qualidade do serviço.

Menus de room service estarão em tablets ou TVs. Os hotéis do grupo europeu La Réserve, que reabriram este mês, removeram os cardápios dos quartos e, também, de seus restaurantes na Suíça (onde já está permitido o funcionamento). O pagamento por aproximação será ampliado. Incentivo ao meio eletrônico é um dos protocolos para a hotelaria do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC na sigla em inglês).

Elevadores touchless serão mais comuns. O Prince Hong Kong, com 394 quartos, incluiu painéis de controle de elevadores non-touch em seu projeto de renovação, por exemplo. Um mundo “beyond human” é a primeira das dez tendências de consumo apontadas pela Euromonitor International para 2020. No final de abril, a consultoria revisou a lista levando em conta a covid-19. Se no início do ano “além do humano” era um mundo onde a inteligência artificial poderia ser conveniente, agora é esperado rápido crescimento da automação no setor de serviços para evitar contato.

4 Chave do quarto (e muito mais) no celular

Quarto do Hilton Denver City Center
Quarto do Hilton Denver City Center: chave digital pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

O grupo Hilton, um dos pioneiros em check-in sem interação física, anunciou que a partir de junho vai ampliar seu programa Digital Key para mais de 4.700 propriedades em todo o mundo (o grupo tem cerca de 6.100 hotéis). A inciativa é parte dos novos protocolos globais de limpeza da rede. O app Hilton Honors, onde fica a chave digital, permitirá também controlar iluminação, temperatura e televisão. O MGM Resorts terá chave digital na reabertura de seus 13 hotéis em Las Vegas. Além da chave no celular, o app permitirá fazer ckeck-in e check-out no próprio telefone.

Cartões magnéticos continuarão a ser usados como chaves, mas terão que ser constantemente desinfetados como recomenda o WTTC em seus protocolos para o novo normal na hotelaria. Fico nervosa de pensar naquela situação nada rara em que o cartão não funciona. Você volta ao lobby, o cartão é limpo, reprogramado, desinfetado… Não era divertido antes (principalmente nos longos corredores dos hotéis em Vegas), imagina agora.

5 Robôs para serviço de quarto

Hannah, robô para serviço de quarto do H Hotel da Curio Collection by Hilton, em Los Angeles
Hannah, robô para serviço de quarto do H Hotel da Curio Collection by Hilton, em Los Angeles: na ativa desde muito antes da pandemia | Foto de Carla Lencastre

Em um mundo no qual o hóspede quer ter o mínimo possível de contato social e interação humana, pedidos de room service entregues por robôs podem se tornar mais comuns. Robôs para limpeza em hotéis não é usual, mas também pode vir a ser considerado. Um exemplo são os dispositivos que emitem raios ultravioleta, por enquanto usado em hospitais.

Clique para ler todos os textos sobre o impacto da covid-19 na hotelaria

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St. Regis Bora Bora

Os novos hotéis e spas cinco estrelas na lista Forbes

O Forbes Travel Guide criou o conceito de hotel cinco estrelas há 62 anos, nos Estados Unidos. Ao longo destas seis décadas, sua lista de propriedades estreladas tornou-se uma das mais esperadas pela indústria de viagens de luxo. A edição 2020, anunciada às vésperas do carnaval, apresenta 70 novos hotéis em todo o mundo com a classificação máxima. O número chama mais atenção se comparado ao de 2019, quando foram apenas 21 os novos hotéis que entraram no grupo cinco estrelas. O guia reconhece ainda restaurantes e spas. Este ano, no total, são 107 novos premiados, entre os 432 estabelecimentos com cinco estrelas. O FTG analisa centenas de características de cada propriedade, sendo 75% serviço e 25% instalações.

O único representante do Brasil, e da América do Sul, entre os hotéis cinco estrelas continua sendo o realmente ótimo Belmond Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu. Outros oito brasileiros, em São Paulo e no Rio de Janeiro, aparecem com quatro estrelas, entre eles o Four Seasons, ou recomendados, como Santa Teresa Hotel MGallery by Sofitel.

Leia mais: Sustentabilidade no Santa Teresa Hotel MGallery by Sofitel

Fiquei particularmente feliz de ver que o Forbes Travel Guide chegou este ano a Polinésia Francesa, um dos 16 novos países contemplados este ano, na maior expansão global da história do guia. Depois de anos de queda no número de visitantes internacionais, e de hotelaria elegante, porém decadente, o arquipélago no Pacífico Sul começa a dar sinais de recuperação. Um dos seus dois hotéis cinco estrelas é o St. Regis Bora Bora, que mantém o frescor depois de mais de uma década.

Estive lá e escrevi sobre o St. Regis e, também, sobre o Conrad Bora Bora Nui, que entrou na lista do FTG como recomendado, neste link. O outro cinco estrelas da Polinésia Francesa é The Brando. A inspector Mari Campos fala um pouco sobre o hotel do ponto de vista da sustentabilidade neste link. Ainda na Polinésia Francesa, o guia recomenda também o InterContinental Bora Bora Resort & Thalasso Spa.

Suíte renovada no Beach Pavillion do Four Seasons Kuda Huraa, nas Maldivas
Suíte renovada no Beach Pavillion do Four Seasons Kuda Huraa | Foto de divulgação

Maldivas é outro país estreante. Aparece na lista com nove hotéis com quatro estrelas ou recomendados e seis hotéis cinco estrelas, entre eles o Four Seasons at Kuda Huraa, que renovou recentemente as acomodações com um ou dois quartos e piscinas privativas do Beach Pavillion.

Four Seasons é a marca recordista no FTG, com a maior quantidade de hotéis cinco estrelas (45, além de sete spas na categoria principal e mais 68 hotéis e spas com quatro estrelas ou recomendados). Já o Peninsula Hotels é a única marca com todos as suas propriedades, dez no caso, na categoria cinco estrelas, além de quatro spas com classificação máxima (os outros são quatro estrelas).

Londres continua a cidade com maior número de hotéis cinco estrelas no guia, 19, o que não surpreende quem acompanha a movimentada e luxuosa cena hoteleira da cidade. Entre as novidades, destaque para o Brown’s, a Rocco Forte Hotel, um dos mais antigos da capital, e o relativamente novo Rosewood London, com um dos melhores bares de hotel em Londres.

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Forbes Travel Guide também avalia spas

Entre os 24 novos spas com a classificação máxima, destaca-se a concentração de prêmios em Los Cabos, no México, que já tinha três spas com quatro e cinco estrelas. As novidades são os spas do One&Only Palmilla (já experimentei e é mesmo divino, vou contar mais em um post futuro), do Waldorf Astoria Pedregal e do Montage, o maior da região, com quase quatro mil metros quadrados. Membro da Preferred Hotels, o Montage Los Cabos ganhou ainda um prêmio inédito, criado este ano pelo guia: o de melhor conta no Instagram. Os critérios foram consistência na qualidade das imagens e em reforçar a marca, campanhas criativas e interação.

O prêmio foi anunciado semana passada durante o Forbes Travel Guide Luxury Summit, em Las Vegas, que reuniu mais de 600 pessoas em um evento carbono zero realizado no Aria Resort & Casino, com quatro estrelas no guia. O Wynn Resorts, com sete estabelecimentos na categoria principal, é recordista em estrelas em Vegas e no mundo. Em sintonia com o viajante consciente, o Aria calculou as pegadas de carbono deixadas pelo transporte e a hospedagem de todos os participantes e compensou financiando plantio de árvores e fazendas de energia eólica. Porque não dá mais para usar a cansada palavra sustentabilidade apenas no discurso.

A lista completa do Forbes Travel Guide com 1.898 propriedades, entre cinco e quatro estrelas e recomendados, está neste link.

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O difícil adeus ao plástico nos hotéis

Como é se hospedar no Park MGM, novo hotel em Las Vegas

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Fachada do Park MGM em Las Vegas

Como é se hospedar no Park MGM, o mais novo hotel de Las Vegas

Acabei de chegar de Las Vegas, onde participei da Wyndham Global Conference (para ler sobre a convenção, clique aqui). Quando o evento terminou, fiquei mais uns dias e, na hora de escolher o hotel, apostei na novidade, o Park MGM. Parte do grupo MGM Resorts, com uma dezena de outras propriedades na cidade, o Park MGM não é um hotel de luxo. Mas é bem localizado; tem boas opções gastronômicas, incluindo um Eataly, e os quartos são bonitos e confortáveis. Ótima relação custo x benefício.

Localização. O Park MGM é o antigo Monte Carlo, que aos 22 anos passou por dois anos de reforma em um rebranding de US$ 500 milhões. O novo nome do resort de três mil quartos foi adotado em maio de 2018, mas as obras só foram concluídas no final do ano. A boa localização continua a mesma: na porção Sul da Strip, como é conhecido o Las Vegas Boulevard, separado do New York New York por uma nova e bem-vinda área verde, The Park. O parque invade o lobby em mármore do hotel com uma escultura de galhos de árvores que se espalha pelo teto e se mistura aos lustres originais do Monte Carlo. Em vez de balcão de check-in, há diversas máquinas de autoatendimento e funcionários estão por ali para qualquer dificuldade.

Os pisos superiores da construção de 32 andares são ocupados pelos 292 quartos do NoMad Las Vegas. Um trem, que já existia, liga o Park MGM ao Aria (meu favorito, com ótima coleção de restaurantes), ao lindo centro comercial de luxo The Shops at Crystals e ao clássico Bellagio e suas fontes dançantes. O percurso também pode ser feito a pé. Entre o Park MGM e o Bellagio, ficam ainda o Waldford Astoria (ex-Mandarin Oriental), o Vdara e o Cosmopolitan, este também com bons bares e restaurantes.

Quarto do novo Park MGM Las Vegas | Foto de Carla Lencastre

Quartos. Vencido o longo corredor, um clássico de Vegas, o quarto bonito e espaçoso lembrava mais o de um charmoso hotel boutique em uma metrópole, e não em um cassino gigante no meio do deserto. O meu era em agradáveis tons fechados de verde (a cor predominante no hotel), mas vi que há também versões em vermelho. Ao longo da janela, fica a área de estar, com sofá com almofadas em veludo, poltrona estofada e mesa oval em madeira, tudo com um ar vintage, acolhedor e confortável. Nas paredes, desenhos e fotografias, que são diferentes em cada quarto. O banheiro é prático, com chuveiro walk-in, sem banheira ou roupão. O Wi-Fi funcionou perfeitamente e há tomadas e entradas USB em diferentes locais do quarto.

No 12º andar, eu tinha vista para parte das piscinas, os hotéis vizinhos e as montanhas do deserto, com direito ao pôr do sol. Pena que os vidros sujos impediam qualquer foto mais ambiciosa. O quarto não tem frigobar. Quando estava pesquisando sobre o hotel, antes de reservar, reparei que isso incomoda muita gente. Não é o meu caso, mas fica a ressalva. Também não há cafeteira. Água mineral na temperatura ambiente e snacks estão à disposição em uma bandeja que funciona no esquema pegou-pagou. Há um balde de gelo que pode ser abastecido na máquina perto dos elevadores.

A entrada do novo Eataly Las Vegas, no Park MGM | Foto de Carla Lencastre

Gastronomia. Um dos pontos altos do Park MGM. São muitas as novas opções: Primrose, opção para o café da manhã, com um terraço ao ar livre voltado para a área das piscinas; Bavette’s, steakhouse de Chicago; Juniper Cocktail Lounge, especializado em gim, com bons drinques e aberto para o cassino; a mezcaleria Mama Rabbit; o coreano Best Friend by Roy Choi, e o NoMad, restaurante e bar, entre outros, em diferentes faixas de preço.

A novidade mais impressionante é, sem dúvida, o novo Eataly Las Vegas, aberto há menos de um ano. São dois restaurantes e numerosos bares, com diferentes comes e bebes, de bar de cannoli a bar de negroni. Dá para passar uma semana no Park MGM sem repetir restaurante.

Serviços. O Park MGM tem spa e quatro piscinas, uma delas somente para adultos e outra exclusiva para os hóspedes do NoMad Las Vegas. O cassino está renovado, com alguns bons detalhes do Monte Carlo preservados, como lustres e vitrais. A transformação do Monte Carlo em Park MGM começou em dezembro de 2016, quando foi inaugurado o Park Theater, que tem 5.200 lugares e Lady Gaga como residente pelos próximos meses. Entre a Haus of Gaga e o New York New York Hotel fica o novo The Park, rara área verde ao ar livre com bares e restaurantes. Em abril de 2016, foi inaugurado no “bairro” a T-Mobile Arena, palco de shows e competições esportivas com capacidade para 20 mil pessoas. Fica em frente ao Park MGM.

No Instagram do Hotel Inspectors, no destaque Las Vegas, há outras imagens do Park MGM, incluindo vídeos.

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Os novos hotéis e spas cinco estrelas na edição 2020 do Forbes Travel Guide

Um hotel que é oásis de luxo no Vale da Morte, a duas horas de Las Vegas

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Las Vegas e as novidades da hotelaria

Já contei aqui sobre novidades da hotelaria e os hotéis premiados no Best of Best da Virtuoso Travel Week 2019. Mas os dias do evento em Las Vegas, nos EUA, trouxeram ainda mais novidades na hotelaria internacional, incluindo diversas excitantes aberturas esperadas até o comecinho de 2021. 

A Canyon Ranch, que tem no The Venetian o maior day spa do mundo –  abre em novembro uma nova propriedade no Sillicon Valley.  A Four Seasons Hotels and Resorts, que recentemente abriu nova propriedade em Atenas, na Grécia, ainda abre este ano novos hotéis em Madri e Los Cabos  e no ano que vem em Napa Valley. Uma segunda propriedade do grupo na Cidade do México abrirá suas portas em 2021. 

Detalhe da arquitetura do Aria. Foto: Mari Campos

A Accor Hotels, que acaba de abrir o Fairmont Rio, abre ainda entre 2019 e 2020 o Sofitel DC, o Legend Panama, o So Havana, o So Los Cabos e em 2021 o Fairmont Mexico City. Os luxuosos Robertson Lodges, na Nova Zelandia, inauguraram três novas villas de quatro dormitórios no Kauri Cliffs e passarão a incluir também almoço gratuito em suas diárias a partir de dezembro. Na Nova Zelandia chegam agora também os novos hotéis The Lindis Lodge e o Park Hyatt Auckland.

Los Cabos, no México, também marcou presença para celebrar as diversas aberturas hoteleiras entre este ano e o próximo, com destaque para Zadun, a Ritz-Carlton Reserve, Nobu Los Cabos, Aman Los Cabos, Four Seasons Los Cabos at Costa Palmas, Solaz Signature e, mais para a frente, também uma SoHo House

A entrada principal para o Eataly do novo Park MGM. Foto: Mari Campos.

A hotelaria em Las Vegas também está em constante evolução, tem diversas boas novidades neste 2019 e fiz questão de testar várias delas na última semana.  O grupo MGM Resorts International trouxe várias novidades recentemente, incluindo o novo hotel Park MGM, no coração da Strip. Com pegada mais jovem e focado nos Millennials, o Park MGM é repleto de boas opções para comer e beber – com destaque para um enorme Eataly e o novíssimo Juniper Cocktail Bar (imperdível, especializado em gim, com mais de 60 rótulos da bebida de diferentes partes do mundo).

Como é se hospedar no Park MGM, o mais novo hotel de Las Vegas

Anexo ao Park MGM fica o também novo NoMad Hotel Las Vegas, que tem um belíssimo bar e um dos mais bonitos restaurantes da cidade toda: o incrível NoMad Restaurant, que serve pratos e drinks impecáveis em um salão adornado com mais de 25 mil livros diferentes em suas paredes.

O Aria Resort & Casino (meu preferido pessoal em Las Vegas, por ser talvez o hotel da cidade com mais luz natural e pés direitos sempre muito altos) continua sendo o campeão em ofertas gastronômicas, com 16 bares e restaurantes dentro da propriedade – com destaque para sua nova (e linda!) Aria Patisserie aberta o dia todo e os sempre ótimos Catch e Juan Serrano Tapas. O Aria, aliás, renovou seu lounge (cujo acesso pode ser comprado no ato da reserva ou mesmo do check in no hotel), que agora se chama Resort Lounge, com acesso do piso térreo, aberto das 7 às 20h com comidinhas e bebidas, incluindo serviço completo de café da manhã até 11h. 

O Bellagio, que sediou a Virtuoso Week 2019, continua sendo uma atração por si mesmo, e há turistas passeando pelo hotel dia e noite, o tempo todo, em toda parte. O hotel renovou suas boas opções de gastronomia, incluindo o Sadelle’s, atualmente o principal hot spot para o brunch em Las Vegas, e seu Baccarat Bar, que foi recentemente remodelado. Os restaurantes Le Cirque e Picasso fazem do Bellagio o único resort nos EUA a ter dois restaurantes com 5 estrelas na Forbes sob o mesmo teto.

As concorridas piscinas do Bellagio. Foto: Mari Campos

As Bellagio Towers, parte do portfólio da Leading Hotels of The World, têm quartos com muito mais bossa e espaço que em outras alas do hotel – e muitos deles com vista panorâmica para as famosas fontes do Bellagio, a Strip e as montanhas do deserto, então vale cacifar a diferença. E há ainda seu sempre badalado conjunto de piscinas, uma interessante Gallery of Fine Art e o hotel vem se esforçando ultimamente nas iniciativas sustentáveis e na luta contra o desperdício, doando 66 mil refeições não servidas em seus restaurantes ao ano para instituições de caridade da cidade. 

O novo Delano Las Vegas também ficou lindo e definitivamente vale a visita, nem que seja para almoçar ou jantar no delicioso Rivea, de Alain Ducasse. Além da cozinha impecável e do ótimo serviço em um ambiente descontraído e bem contemporâneo, os terraços do restaurante têm seguramente uma das mais incríveis vistas de Las Vegas.

Na hora dos bons drinks, o The Chandelier 1.5 do Cosmopolitan Las Vegas segue sendo um clássico da cidade e trouxe mudanças em seu menu de coquetéis. O The Palazzo do The Venetian trouxe o Electra, um belo bar ao lado do cassino com excelentes mixologistas – que pode ser local do pre-dinner cocktail antes de ir jantar no irretocável cantonês Mott 32. Mas a melhor novidade para os fãs de coqueteleria talvez seja o adorável Vanderpump Cocktail Garden, um verdadeiro oásis e bom ambiente, boa playlist e ótimos drinks instalado em meio ao caos usual do piso térreo do Caesar’s Palace – imperdível.

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Oasis at Death Valley | Divulção

Como é dormir em um oásis no deserto do Vale da Morte, na Califórnia

Depois de quilômetros sem avistar uma única árvore, é reconfortante chegar ao Oasis at Death Valley e ver que o nome corresponde à realidade.  Com dois hotéis em uma área de palmeiras, devido a uma fonte de água subterrânea, o Oasis é de fato um oásis no quente e seco Vale da Morte, na Califórnia, quase Nevada. O deserto, ponto mais baixo da América do Norte, 86 metros abaixo do nível do mar, fica entre quatro e cinco horas de carro de Los Angeles e a duas horas de Las Vegas. Destino com paisagens áridas incríveis e pouco explorado por brasileiros, combina com uma road trip.

Conto mais sobre o Vale da Morte na revista Panrotas desta semana. Clique aqui para ler o texto na edição digital (a partir da página 14).

A piscina de água natural do Inn at Death Valley, no Vale da Morte, Califórnia
A piscina de água natural do Inn at Death Valley | Foto de Carla Lencastre

O Oasis at Death Valley terminou no final de 2018 uma renovação de US$ 100 milhões. O resort pertence ao grupo americano Xanterra Travel Collection, especializado em gestão de parques e com empresas como a Windstar Cruises no portfólio. São dois hotéis no Vale da Morte. The Inn at Death Valley é mais elegante, com 66 quartos e novas 11 casitas (com dois quartos cada). Ranch at Death Valley, com 224 quartos, é voltado para famílias. Ambos foram construídos pela Pacific Coast Borax Company entre as décadas de 1920 e 1930. A convite do Visit California, me hospedei mês passado no Inn, antes do IPW, feira de viagens dos EUA realizada este ano em Anaheim.

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Um resort que é um oásis no deserto californiano do Vale da Morte

O histórico Inn (vista área no início do post) foi construído pela PCBC no final da década de 1920, quando a companhia começou a transição da mineração (os lucros estavam diminuindo) para o turismo. Desde o começo, o resort com arquitetura inspirada nas missões espanholas recebeu celebridades de Hollywood, como Clark Gable e Carole Lombard e, mais tarde, Marlon Brando. O hotel foi erguido de frente para o vale e para as Panamint Mountains, onde fica o Telescope Peak (3.366 metros), ponto culminante do Death Valley National Park. Criado em 1994, é um dos maiores parques dos EUA. O Ranch surgiu em 1933, ano em que o Vale da Morte foi reconhecido como Monumento Nacional, e vem sendo ampliado ao longo das décadas.

Quarto do Inn at Death Valley, no Vale da Morte, na Califórnia
Um dos 66 quartos do Inn no Vale da Morte | Foto de Carla Lencastre

Os quartos do Inn seguem o estilo old school no décor, mas são acolhedores e estão em bom estado de conservação. Somente o ar-condicionado, tão importante na região, poderia ser um pouco menos vintage. Os banheiros são claros e modernos. Meu quarto tinha escrivaninha e mesinha com poltronas, closet, minigeladeira, cafeteira e garrafas de água toda noite.

Como o hotel está no meio do Vale da Morte, que por sua vez está no meio do nada, não conte com sinal de celular. Nos três dias em que estive por lá, não houve sinal para o meu telefone nem para o das pessoas que me acompanhavam, em diferentes redes. O hotel tem Wi-Fi razoável no lobby e nos quartos mais perto da entrada. Para evitar decepções, o melhor é ver a viagem ao Vale do Morte como oportunidade para um curto detox digital.

O cenário é absurdamente fotogênico, e investir na área em torno na recepção pode ser a solução para postar fotos do dia. O amplo lobby é dos mais charmosos, com diversos cantos bonitos e confortáveis para se sentar e travar a longa batalha com o Wi-Fi. De preferência com uma bebida ao lado. O novo bar tem carta surpreendentemente criativa para um lugar tão remoto. O restaurante de cozinha internacional é bom e contempla vegetarianos. O serviço, principalmente quando o bar e o restaurante estão cheios, pode ser um pouco confuso, mas sempre muito gentil.

Painéis de energia solar no Oasis at Death Valley, Vale da Morte, Califórnia
Painéis de energia solar no resort Oasis at Death Valley | Foto de divulgação

O Inn tem ainda um lindo pátio ao ar livre repleto de sofás confortáveis para o assistir ao nascer do sol ou contemplar as estrelas (o céu é um dos mais escuros do mundo, e dá para ver a Via Láctea). A piscina de água natural, com temperatura em torno dos 30 graus Celsius, da fonte subterrânea do oásis e com vista para as montanhas, é extensa o suficiente para algumas braçadas. Parece uma miragem. Como água no deserto é ouro, a piscina não tem cloro e a água pode ser usada para irrigação. Práticas sustentáveis em geral foram um dos focos da renovação dos dois hotéis do Oasis, com destaque para medidas de economia de água e energia. O Inn tem também spa, duas quadras de tênis e jardins aqui e ali. O contraste da vegetação verde do oásis com os tons de areia e terra do vale é mais uma das maravilhas do deserto.

Last Kind Words, restaurante no Ranch at Death Valley, Vale da Morte, Califórnia
Last Kind Words, restaurante no Ranch at Death Valley | Foto de Carla Lencastre

No Ranch as atrações são um campo de golfe 65 metros abaixo do nível do mar; quadras de tênis, basquete e vôlei; o Museu do Bórax, e uma boa loja que vende de tâmaras a camisetas. Fica perto do Furnace Creek, o Centro de Visitantes do Vale da Morte. Um dos destaques é o restaurante Last Kind Words Saloon, decorado como no Velho Oeste, com pôsteres antigos e antiguidades em geral. Há uma carta de cervejas artesanais e a comida é boa. Justifica uma refeição para apreciar os mil detalhes originais do ambiente.

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