Hotéis para praticar turismo de isolamento

Há quatro meses e meio em casa e sem perspectivas reais de controle efetivo da pandemia no Brasil a curto prazo, alguns brasileiros começam a apostar em hotéis para praticar turismo de isolamento, seja individualmente ou em família.

A ideia principal deste tipo de turismo neste momento de pandemia é seguir em quarentena e zelar pelo distanciamento social, mas mudando de ares para recarregar suas energias. A expectativa de parte do mercado é que ele realmente se fortaleça nestes tempos e mantenha a tendência também no pós-pandemia.

Leia mais sobre o que é turismo de isolamento de fato aqui. 

Sejam campings, residências ou lodges remotos, os hotéis para praticar turismo de isolamento geralmente são rodeados por natureza, bem higienizados e permitem o menor contato possível com funcionários e outros viajantes.

Nós continuamos em casa, é claro; e recomendamos que você também fique em casa neste mês de agosto. Mas listamos aqui alguns hotéis para praticar o turismo de isolamento. Tudo com o máximo de cuidados, segurança e distanciamento social, para quando você puder retomar devagarinho suas viagens.

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Etnia Casa Hotel. Foto: Mari Campos

No Brasil

Etnia Casa Hotel

Localizado em Trancoso, na Bahia, o Etnia Casa Hotel ocupa um bosque tropical a meros 350 metros do Quadrado. Ali são apenas sete casas completas, todas elas isoladas umas das outras e completamente independentes. As casas passam agora por extremos protocolos de desinfeção e higienização, incluindo uso da solução de biossegurança Fog In Place (FIP). Cada casa tem autonomia completa, mas tem também direito, é claro, de usufruir de todo o premiado serviço de hotelaria da casa – inclusive o caprichado café da manhã diário à la carte. 

Casana Hotel

Localizado em Jericoacoara, Ceará, o Casana é outra ideia de hotel para praticar turismo de isolamento sem abrir mão do conforto: possui apenas oito bangalôs, todos isolados uns dos outros. A propriedade com acesso bastante restrito fica à beira-mar na praia do Preá e rodeada de verde. 

Leia sobre destinos para fazer turismo de isolamento no Brasil e no mundo.

Cristalino Lodge

Eleito um dos 25 melhores ecolodges do mundo pela National Geographic Traveler, o Cristalino Lodge fica na porção sul da Amazônia, na cidade de Alta Floresta, já no Mato Grosso. Turismo de isolamento é com ele mesmo: ocupa uma reserva particular com com mais de onze mil hectares e rodeado de vida selvagem. 

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Anavilhanas Jungle Lodge. Foto: Mari Campos

Anavilhanas Jungle Lodge 

Uma das melhores opções de selva a partir de Manaus, o Anavilhanas fica em pleno Parque Nacional homônimo, ao lado da cidade de Novo Airão. Tem acesso descomplicado de carro a partir da capital manauara, em viagem de duas horas. Instalado à beira-rio, tem serviço é atencioso, gostosas refeições à la carte e é todo focado em sustentabilidade. Os quartos são em sistema chalé ou bangalô, espaçados e imersos na floresta tropical, e com todos os passeios locais incluídos nas diárias.

Juma Amazon Lodge

Inteiramente construído sobre palafitas no rio homônimo, o Juma entende de isolamento. São quase quatro horas de viagem com dois trechos em carro e dois trechos em barco para conseguir chegar ao remoto hotel. Literalmente no meio da floresta, o hotel tem todos os quartos em formato de chalés rústicos com varanda e vista para a mata ou para o rio.

Entenda o que é turismo de isolamento.

The Brando Resort. Foto: Mari Campos

No exterior (em destinos abertos para brasileiros)

The Brando, Polinésia Francesa

Na Polinésia Francesa, talvez uma das opções que naturalmente sempre privilegiou o distanciamento social entre seus hóspedes seja o resort The Brando, a única construção de todo o arquipélago de Tetiaroa. Ali todos os quartos são em formato de villa, e todas as villas são isoladas umas das outras, com muita privacidade, espaço e acesso direto à praia privativa. Das refeições aos passeios, está tudo incluído e tudo pode ser feito sem contato. Das refeições entregues sem custos diretamente em cada villa aos passeios, tudo é sempre customizado e individualizado para cada villa. Hotel perfeito para praticar turismo de isolamento em pleno paraíso. 

Dá para ler mais sobre o The Brando aqui. 

Private Retreats

Em diferentes destinos mundo afora, o grupo Four Seasons criou a Private Retreats, uma coleção com mais 750 casas, villas e apartamentos que reúnem a segurança do isolamento social aos protocolos sanitários da John Hopkins Medicine International. Tudo isso associado, é claro, ao serviço premiado da rede, com o mínimo possível de contato. O aplicativo Four Seasons App permite solicitar qualquer serviço, em qualquer propriedade, sem nenhum tipo de interação. Alguns dos destinos abertos a brasileiros que contam com estas residências são México, Maldivas e Polinésia Francesa. 

Saiba mais sobre o Four Seasons App aqui. 

Anantara Kihavah. Foto: Mari Campos

Anantara Kihavah

Localizado no Baa Atol, nas Maldivas, o Anantara Kihavah garante privacidade e distanciamento em qualquer modelo de acomodação. O pavilhão dos bangalôs sobre o mar tem mesmo acomodações um pouco mais próximas umas das outras, mas dispostas de maneira que evite contato com outros hóspedes. As isoladas e completíssimas vilas pé na areia, com piscina privativa e cercadas de verde, são pretexto perfeito para praticar turismo de isolamento. 

Leia mais sobre hotelaria nas Maldivas aqui.

Soneva Fushi

Também nas Maldivas e também no Baa Atol, o Soneva Fushi já praticava distanciamento social desde antes da pandemia. Inteiramente composto de villas à beira-mar, o resort tem cada uma de suas poucas acomodações bem distante das demais, com total privacidade e infra-estrutura para quem nem quiser sair dela. Bicicletas são o meio de transporte oficial na ilha, para percorrer os deliciosos bosques e hortas do resort, e há também gostosas trilhas bastante fáceis. Todas as villas têm acesso direto ao mar e à incrível barreira de corais a poucos passos da areia.

Leia mais sobre hotéis nas Maldivas aqui.

Confira mais opções sobre onde praticar o turismo de isolamento aqui. 

Leia tudo que já publicamos sobre hotelaria em tempos de pandemia.

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Como estão funcionando os hotéis do Rio de Janeiro durante a pandemia

Com a quarentena sendo flexibilizada em todo o país, começaram a surgir nos termos de busca do Hotel Inspectors perguntas sobre a reabertura dos hotéis. E como estão funcionando os hotéis do Rio de Janeiro durante a pandemia? Duas pesquisas recentes mostram que o Rio está entre os destinos mais desejados do país para viagens em um futuro pós-isolamento.

Porém, com uma média de mais de mil pessoas morrendo todo dia no Brasil pela covid-19 (em um total até agora de mais de 87 mil mortes) e curvas de contágio sem sinais significativos de queda, taxas de ocupação da hotelaria urbana no país continuam baixas. Parece pouco provável que o quadro mude enquanto não houver redução importante de novos casos e mortes. Não por acaso a maioria dos hotéis cariocas mais conhecidos continua fechada.

O Rio como destino: expectativa x realidade

Pesquisa da Hoteis.com apresentada semana passada mostra o Rio entre os cinco destinos mais cobiçados do país para viagens futuras. Outra, da Booking, divulgada na primeira quinzena de julho e baseada nas listas de desejos de viagem dos usuários do site de reservas, apresenta o Rio em segundo lugar, atrás de Gramado (RS). Esta é a expectativa.

A realidade é outra. Também deste mês, um estudo do Hotéis Rio, sindicato patronal carioca, mostra que 66 hotéis da cidade continuam fechados, e 56% não têm data prevista de reabertura. O restante pretende retomar as atividades entre agosto e dezembro. Selecionei exemplos emblemáticos em Ipanema e Copacabana, os dois principais bairros turísticos, para mostrar como estão funcionando os hotéis no Rio de Janeiro durante a pandemia.

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Como estão funcionando os hotéis do Rio durante a pandemia: a piscina do Fasano Rio com vista para as Ilhas Cagarras não pode ser usada
Piscina do Fasano: somente as espreguiçadeiras podem ser usadas | Foto de Carla Lencastre
Fasano Rio

O Fasano Rio reabriu em 17 de julho e é um dos hotéis do Rio que estão funcionando durante a pandemia. Há mais de uma década em um endereço privilegiado no Arpoador, o trecho da praia entre Ipanema e Copacabana, o Fasano carioca, membro da Leading Hotel of the World, retomou as atividades com ocupação máxima de 50% e a certificação SafeGuard do prestigioso Bureau Veritas. Entre outras medidas, a limpeza segue padrão hospitalar, os quartos ficam 24 horas vazios com janelas abertas, e todas as pessoas têm a temperatura checada quando entram no hotel.

As espreguiçadeiras na área da piscina, uma das mais fotografadas do Rio (acima e no início do texto), podem ser usadas, mas não é permitido entrar na água. O restaurante funciona apenas para hóspedes e não reabrirá mais como Fasano Al Mare. Em meados de setembro, será a nova filial carioca do Gero (a filial original, também em Ipanema, volta em outubro como Gero Panini). Já o quiosque Marea, posto avançado no calçadão de Ipanema, está aberto em horário reduzido. Vale lembrar que no momento só é permitido ir às praias cariocas para praticar algum esporte seja na areia ou na água. O outro Fasano no Estado do Rio, em Angra dos Reis, a 200km de distância de Ipanema, reabre em 15 de agosto seguindo as mesmas orientações.

Leia mais: É seguro usar piscina de hotel durante a pandemia?

Terraço do Hotel Arpoador com vista para o Morro Dois Irmãos
Terraço do Arpoador: hotel ainda sem data de reabertura | Foto de Carla Lencastre
Hotel Arpoador

A menos de 300 metros do Fasano Rio, o charmoso Hotel Arpoador, o único pé na areia na Zona Sul carioca, reinaugurado no verão de 2019 depois de um retrofit, não tem data de reabertura. Enquanto isso, o hotel vende vouchers de diárias para uso até dezembro de 2021 com até 50% de desconto, incluindo pacotes para o próximo Ano Novo e diversas experiências no hotel, como café da manhã no Arp, ótimo restaurante de Roberta Sudbrack, ou yoga no terraço com vista para o mar. O dinheiro arrecado está sendo usado para pagar parte do salário dos funcionários.

Leia mais: Como é o Hotel Arpoador, pé na areia no Rio de Janeiro

Piscina do Fairmon Copacabana Rio de Janeiro com vista para o Pão de Açúcar
Uma das duas piscinas do Fairmont Copacabana | Foto de Carla Lencastre
Fairmont Copacabana

Menos de dez minutos de caminhada levam do Arpoador ao Posto 6, onde fica o Fairmont Copacabana. O mais novo hotel de luxo da cidade, inaugurado há menos de um ano, está com reabertura marcada para 1º de setembro com o selo AllSafe, certificação global criada pela AccorHotels também em parceria com o Bureau Veritas. Os protocolos são similares aos do Fasano, como temperatura medida na entrada do hotel e quarto vazio por 24 horas entre um hóspede e outro. Em princípio, as duas piscinas estarão abertas. O bufê de café da manhã no Marine Bistrô será substituído por serviço à la carte, com cardápio por QR Code.

Leia mais: Como é o Fairmont Rio, o primeiro da marca na América do Sul

Piscina do Miramar by Windsor com vista para o Pão de Açúcar
Miramar by Windsor: reabertura em setembro sem piscina | Foto de Carla Lencastre
Miramar by Windsor

Primeiro de setembro também é a data para a qual o elegante Miramar by Windsor, integrante da Preferred Hotels and Resorts no Posto 5, aceita reservas. A piscina no terraço, com vista panorâmica para a Praia de Copacabana e o Pão de Açúcar, em princípio não funcionará.

Leia mais: Hotel carbono neutro, a hospedagem que não deixa pegadas

Emiliano Rio: piscina com vista para o Pão de Açúcar
Emiliano Rio: mais uma piscina com vista para o Pão de Açúcar | Foto de Carla Lencastre
Emiliano Rio

Também no Posto 5, entre o Fairmont Copacabana e o Miramar, o Emiliano Rio está aceitando reservas para a partir de 14 de setembro. Quando retomar as atividades, terá o selo Safe&Clean, lançado este mês pela associação Circuito Elegante. A certificação foi criada por hoteleiros associados, apoiada pela Unilever e auditada pelo onipresente Bureau Veritas.

Leia mais: Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria

Como estão funcionando os hotéis do Rio na pandemia: piscina do Copacabana Palace
A mais famosa da cidade: a piscina do Copa em versão noturna | Foto de Carla Lencastre
Belmond Copacabana Palace

Na outra ponta da Praia de Copacabana a grande dama da hotelaria carioca, o Belmond Copacabana Palace, anunciou a retomada de atividades para 20 de agosto. Mesma data prevista para a reabertura do Belmond Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu.

Leia mais: Como será a hotelaria de luxo na era covid-19

Os pontos turísticos do Rio

Além de saber como estão funcionando os hotéis do Rio durante a pandemia, é importante ressaltar que as principais atrações turísticas do Rio de Janeiro continuam fechadas. Há previsão de reaberturas a partir de agosto, mas ainda sem datas confirmadas. Pão de Açúcar, Corcovado, AquaRio, a roda-gigante Rio Star, nada disso voltou a receber visitantes. Uma exceção é o Jardim Botânico, que retomou as atividades este mês com visitas com hora marcada. Os ingressos devem ser reservados online.

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Vista aérea do Soneva Jani, nas Maldivas

Hotel carbono neutro: quando a hospedagem não deixa pegadas

Um hotel deve ter como meta ser carbono neutro. Até porque quatro meses depois de declarada a pandemia, e passada a surpresa inicial com algumas imagens de recuperação do meio ambiente, está claro o efeito arrasador do novo coronavírus na sustentabilidade. E a preservação do meio ambiente terá cada vez mais importância na retomada da economia.

Resolver como a energia é gerada pode estar além das ações cotidianas. Mas valorizar uma propriedade que se preocupa em mitigar o impacto das emissões de carbono nas mudanças climáticas é algo que todos os viajantes podemos fazer quando for seguro viajar novamente.

Estudo publicado em maio na revista Nature Climate Change mostra que a pandemia diminuiu em 17% no mundo as emissões de carbono, que voltaram ao patamar de 2006. O dado é de abril de 2020 em relação a 2019. O número sem precedentes foi alcançado por conta das restrições à mobilidade e da redução do uso de energia elétrica. Como não reflete alterações estruturais, o efeito nas mudanças climáticas é mínimo. Mas diz muito sobre o quanto ainda precisamos reduzir nossas pegadas de carbono e tentar fazer viagens mais sustentáveis.

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No meu texto anterior, escrevi sobre como já estamos vendo um retrocesso na eliminação do plástico de uso único. Continuar investindo em redução e neutralização de carbono será mais um desafio. Economistas de diferentes escolas de pensamento apontam que a descarbonização do planeta é pilar fundamental para a retomada da economia em geral, viagens incluídas. E, provavelmente, nos próximos anos novas certificações globais serão criadas.

O que é um hotel carbono neutro

Ser carbono neutro não significa que o hotel não tem emissões de carbono. Uma propriedade carbono neutro se preocupa em reduzir pegadas e compensar as restantes. A neutralização pode ser feita com o plantio de árvores ou investindo em fazendas de energia eólica, por exemplo.

Hotéis que levam a sério a diminuição de pegadas de carbono também podem exigir baixas emissões de seus fornecedores. Como já acontece no caso de alguns programas da hotelaria para eliminação do plástico de uso único. O que não quer dizer que seja tarefa fácil: a cadeia de fornecedores é um dos maiores obstáculos para um hotel ser plastic free.

Leia mais: O difícil adeus ao plástico nos hotéis

Bons exemplos de grandes redes

Piscina do Sofitel Dubai The Palm,  hotel da Accor
Sofitel Dubai The Palm: hotel da Accor com energia renovável e baixas emissões de carbono Foto @SofitelDubaiPalm

Entre as grandes redes, a AccorHotels se destaca na neutralização de carbono. O grupo francês pretende que todos os prédios dos quais é proprietária (cerca de 30% de 4.800 hotéis) sejam carbono neutro até o final deste ano. Já todos os novos hotéis e os renovados, inclusive os que são apenas administrados pela rede, serão em construções com baixas emissões de carbono, privilegiando o uso de energia renovável como a solar ou a eólica. Um exemplo de hotel da Accor sustentável e que usa energia renovável atualmente é o Sofitel Dubai The Palm Resort & Spa.

NH Hotels, parte da tailandesa Minor Hotels, é outra rede a se destacar com metas de redução de carbono. No final do ano passado, o grupo NH anunciou que vai diminuir em 20% as pegadas até 2030. O objetivo pode parecer pouco ambicioso, mas a rede espanhola reduz emissões desde 2007. Em 2018, 70% da energia usada em seus 380 hotéis já era renovável.

Nos eventos
Salão de destas no Radisson Cartagena
Casamento no Radisson Cartagena: evento carbono neutro | Foto de divulgação

Desde 2019, o Radisson compensa as pegadas de carbono de todos os eventos em seus mais de 1.100 hotéis pelo mundo. Neutralizar as emissões de carbono de eventos também é o que faz o Aria Resort & Casino, como no Forbes Travel Guide Luxury Summit. Contei neste link como foi a compensação de carbono da conferência do FTG, que levou em conta o transporte dos participantes até Las Vegas, em fevereiro deste ano.

Entrada do Aria Resort & Casino em Las Vegas
Aria: reunião do FTG com emissões de carbono compensadas | Foto de Carla Lencastre

Pequenos grupos e hotéis independentes

O comprometimento de grandes empresas com baixas emissões e neutralização é fundamental para a descarbonização do planeta, mas todos os exemplos são importantes. O Soneva, com dois hotéis (a foto em destaque no início do texto é do Jani) e um iate nas Maldivas e um hotel na Tailândia, tem sólida história de mais de duas décadas de sustentabilidade. Atualmente o Soneva é 100% carbono neutro. O grupo de luxo descarboniza toda a operação, incluindo emissões indiretas como as do voos dos hóspedes.

Um exemplo bem recente chega do México. Foi inaugurado este mês em Playa del Carmen o Palmaïa, The House of Aïa, que nasce com o objetivo de ser carbono neutro em 2021. Para isso, o Palmaïa, membro da Preferred Hotels, anunciou que está instalando painéis de energia solar no resort e em diferentes áreas do país para compensar suas emissões.

Varanda com vista para o Caribe no Palmaïa, na Riviera Maya
Palmaïa: investimento em energia solar para neutralizar emissões | Foto de divulgação

No Brasil

Afinal, se no mundo ainda não há muitos hotéis independentes ou de pequenos grupos preocupados em compartilhar o que fazem para mitigar as emissões de carbono, nem certificações amplamente reconhecidas, no Brasil a quantidade é ainda menor. Mas há alguns exemplos.

Um deles fica no Estado do Rio. É a Pousada Águas de Paratii, que participou do Programa de Carbono Compensado do Lepac, Laboratório de Extensão da Unicamp em Paraty. Assim como o Go Inn, hotel econômico bem localizado no Centro de Manaus, reconhecido pelo Projeto Neutro de Carbono do Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN), organização sem fins lucrativos. Ambos investiram na redução das pegadas (usando energia solar e separando e reciclando o lixo, por exemplo) e compensaram as baixas emissões com o plantio de árvores. Como resultado, são carbono neutro.

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Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria: piscina do Mandarin Oriental Lake Como

Covid-19 prolonga o uso de plástico na hotelaria

A covid-19 afetará negativamente as metas de redução do plástico de uso único na hotelaria? Pelo menos a curto prazo, sim. A médio ou a longo termo ainda é cedo para dizer, até porque ainda não sabemos o que significa pouco ou muito tempo para o novo coronavírus. Todo ano a Euromonitor International, especializada em pesquisa de mercado, aponta tendências globais de consumo. Para 2020, os “revolucionários da reutilização” (“reuse revolutionaries” no original em inglês) empenhados em encontrar alternativas para produtos de plástico descartável estavam no top 10 de tendências. Era um mundo diferente do atual. Poucos meses depois, com a pandemia, a empresa revisou suas previsões.

Parece que demos um passo atrás na busca por um turismo mais sustentável e os “revolucionários da reutilização” ficaram em segundo plano. Com a covid-19, a prioridade é limpeza, e não redução de plástico descartável na hotelaria. Há propriedades reabrindo com toalhas embaladas em sacos de plástico, assim como controles remoto, talheres, alimentos. Hotéis adicionaram máscaras e luvas descartáveis, em invólucros plásticos, e frascos de álcool gel às amenidades de banheiro. E há os essenciais equipamentos de proteção individual dos funcionários, além de embalagens de produtos de limpeza e desinfetantes usados em quantidades maiores.

Leia mais: O difícil adeus ao plástico nos hotéis

O plástico aumenta a percepção de higiene e passa sensação de segurança sanitária. É barato, leve, fácil de produzir e de limpar. Mas o uso excessivo e o descarte irresponsável poluem os oceanos, matam espécies marinhas, incluindo aves, e fazem mal para a saúde. Reportagens na imprensa europeia anunciaram que conservacionistas franceses recolheram máscaras, luvas descartáveis e frascos de álcool gel no Mediterrâneo. Meio mundo adiante, em Hong Kong, também foram encontradas máscaras no mar. A publicação britânica The Economist destacou que a pandemia de poluição plástica chegou ao Rio Tâmisa, em Londres. Para dar ideia da dimensão do mar de problemas dos plásticos de uso único, as Nações Unidas estimaram, em 2018, que 13 milhões de toneladas de plástico chegam ao mar a cada ano.

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Leia mais: Hotel carbono neutro, hospedagem que não deixa pegadas

Piscina do Mandarin Oriental Lago di Como, reaberto mês passado
Piscina do Mandarin Oriental Lago di Como, reaberto mês passado | Foto de divulgação

Pandemia x ecologia: as metas de redução de plástico na hotelaria

Como já apontamos aqui, os ajustes por conta da covid-19 na hotelaria de luxo serão menores em várias áreas, inclusive no uso de plástico descartável. Amenidades de banho em embalagens de cerâmica ou de plástico em formatos maiores e não descartáveis, água em garrafas de vidro, sacos de lavanderia em tecido, iogurte em copos individuais de vidro, tudo isso já fazia parte da rotina de vários hotéis. Mas há novos desafios a serem enfrentados. A rede asiática Mandarin Oriental se comprometeu, no final do ano passado, a eliminar o plástico de uso único até 2021. Em maio deste ano, o grupo prestou contas do progresso já levando em conta a covid-19.

Por enquanto, a meta está mantida. Mas o grupo MO admite que novos protocolos de limpeza dos hotéis podem vir a atrasar o processo. O plástico descartável em estoque, como garrafas de água e amenidades de banheiro, vai demorar mais a acabar. A rede também ressalva que está enfrentando dificuldades em convencer fornecedores a mudar procedimentos.

Six Senses Con Dao, no Vietnã: alimentos em embalagens sustentáveis
Six Senses Con Dao, no Vietnã: alimentos em embalagens sustentáveis | Foto de divulgação

as dificuldades no caminho

O uso de plástico pela cadeia de fornecedores é um obstáculo que havia sido destacado, antes da pandemia, pela reconhecidamente sustentável rede Six Senses. Six Senses, que aboliu as garrafas de plástico na década de 1990, tem o ambicioso objetivo de ser plastic free em 2022.

Para uma propriedade que nasce com a preocupação de ser sustentável, talvez seja mais simples manter distância do plástico. Um hotel inaugurado este mês na Riviera Maya, Palmaïa, The House of Aïa, parte da coleção L.V.X. da Preferred Hotels, anunciou que não terá amenidades de banheiro em embalagens descartáveis nem garrafas de plástico na propriedade.

Leia mais: Cinco inovações que vão mudar a hotelaria

Covid-19 na hotelaria: banheiro sem amenidades em plástico no novo Palmaïa
Banheiro sem amenidades em plástico no novo Palmaïa | Foto de divulgação

O que as redes hoteleiras podem fazer agora

Não há comprovação de que uma garrafa de água de plástico seja mais segura em relação ao novo coronavírus do que uma de vidro. Mas redes hoteleiras realmente comprometidas com o meio ambiente podem se ver obrigadas a aumentar o consumo de plástico de uso único. Na situação excepcional de uma pandemia, ambientalistas dizem que uma das soluções a curto prazo é os hotéis se preocuparem cada vez mais com o descarte correto. EPIs devem ser incinerados. Frascos de álcool podem ser reciclados, ainda que custe mais caro reciclar plástico do que comprar um novo. Consumidores conscientes podem levar a própria garrafa de água e produtos de higiene em embalagens recicladas ou recicláveis. E, na hora de escolher onde gastar o dinheiro, priorizar hotéis que levam a sério a sustentabilidade.

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Como a hotelaria pode redesenhar empregos em tempos de pandemia

É fato que a Covid-19 caiu sobre a indústria turística – e sobre nossas vidas, um a um, sejamos francos – como um meteoro. A cada mês, desde março passado, vemos que seus impactos serão mais amplos, profundos e duradouros do que todos previmos no começo. O setor hoteleiro – assim como a indústria do turismo em geral – está sob imensa pressão com tantos hotéis fechados parcial ou totalmente.  E assim a hotelaria começa a redesenhar empregos – e a si mesma! – em tempos de pandemia.

Com tantas incertezas sobre como serão exatamente as demandas por quartos no futuro próximo, não é de estranhar que muitas propriedades estejam redirecionando, otimizando ou mesmo dando novos usos para algumas de suas áreas. Já comentamos aqui, por exemplo, como a rede Accor transformou os quartos de parte dos seus hotéis no Brasil em espaços de trabalho.

E assim também está acontecendo naturalmente com algumas das funções da hospitalidade. O primeiro impacto foi uma grande onda generalizada de demissões, sobretudo nas grandes redes internacionais. Para dar uma ideia dos impactos, aproximadamente 25% dos funcionários do grupo Hilton, por exemplo, já foram dispensados mundialmente.

Crédito: Accor/Divulgação

cautela para a retomada

Embora os aspectos econômicos justifiquem boa parte das dispensas do setor, enquanto a hotelaria começa a redesenhar empregos em tempos de pandemia algumas redes e propriedades podem ficar “descobertas” no momento da retomada. A carência de bons funcionários (e já devidamente treinados e conhecedores profundos daquele negócio em si) nesta fase pode ser fatal.

“É preciso que hotéis comecem a analisar quantos funcionários serão necessários para gerenciar certos níveis de ocupação, e planejar esses cenários para melhor entender de fato quando será necessário voltar a recrutar e entrevistar candidatos. O processo de recrutamento, se feito corretamente, pode levar tempo. E, como hoteleiros, precisamos reagir rápido a essas mudanças, para que o serviço não seja negativamente impactado”, diz Letícia Tavares, diretora de Excelência em Operações para a Marriott (e também criadora do blog Hospitality Vitae). Vale destacar aqui que as opiniões de Letícia são individuais e não em nome do grupo Marriott de nenhuma forma.

Leia aqui sobre como funcionam os hotéis reabertos em tempos de pandemia.

De todas maneiras, devagarinho o setor está percebendo que, enquanto parte da indústria de hospitalidade anda cortando tantos talentos de sua folha de pagamentos nesta pandemia, outras indústrias podem se beneficiar largamente destes profissionais. Afinal, hoteleiros costumam reunir um impressionante conjunto de habilidades (como atenção aos mínimos detalhes, empatia, capacidade natural de improvisação e antecipação) e são extremamente diplomáticos em geral. “Nós sabemos, melhor que ninguém, como prestar serviço com excelência. Vejo muitos hoteleiros serem candidatos incríveis para empregos ligados a serviço ao consumidor, como varejo”, defende Letícia.  

Foto: Mandarin Oriental/Divulgação

Novas atribuições e novas funções

Felizmente, nem só de demissões está vivendo o setor (nacional e internacionalmente) nesta fase em que a hotelaria começa a redesenhar empregos para a retomada em tempos de pandemia. Boa parte do mercado hoteleiro já entendeu que medidas relacionadas, por exemplo, aos novos protocolos de limpeza e segurança em saúde vieram mesmo para ficar. Mudanças que devem permanecer mesmo após a criação da tão esperada vacina contra o novo coronavírus.

Muitas redes hoteleiras – como Hilton, Four Seasons, Accor e tantas outras – não apenas estão redesenhando empregos em tempos de pandemia, como criaram inclusive novos departamentos que se dedicaram nos últimos meses exclusivamente a cuidar destes quesitos. Em muitos casos, departamentos criados para cuidar de parcerias com hospitais, clínicas de limpeza e centros de pesquisa para tal. O Baccarat Hotel New York, por exemplo, que ainda segue fechado, criou um novo cargo para uma profissional veterana da casa que agora se dedica inteiramente a supervisionar o novo protocolo de saúde e limpeza: diretor de saúde e segurança ambiental.

“Acho que, mais do que nunca, o profissional multi-facetado e generalista será requisitado na hotelaria. E quero dizer alguém que saiba operar em diversas funções do hotel – governança, alimentos & bebidas e recepção, por exemplo”, afirma Letícia.  “Funcionários, gerentes e diretores usarão diversos chapéus durante esse período, pois talvez tenham um staff reduzido, ou que será trazido de volta aos poucos. Portanto, não acho que cargos desaparecerão, mas sim que descrições de cargo serão modificadas para incluir mais responsabilidades”.

E Letícia não acha esse novo rol de tarefas dentro de cada função algo necessariamente ruim para que a hotelaria comece a se redesenhar empregos em tempos de pandemia. “O hoteleiro tem que olhar para o lado positivo: se você teve uma carreira mais focada em uma área, talvez este seja o momento para realmente aprender algo novo. E aprender ‘fazendo’ é uma das melhores maneiras de entender o negócio”. 

Leia aqui como pousadas brasileiras estão se preparando para a reabertura.

Foto: Mari Campos

Mudanças inevitáveis

Reabrir um hotel em tempos de pandemia, ainda à espera de uma vacina, é tarefa que pode mudar enormemente dependendo do destino no qual a propriedade está inserida. Mas, seja qual for o cenário local, a necessidade de adaptar estratégias e realizar mudanças operacionais que vão muito além dos protocolos de higiene é indiscutível. 

Em um cenário inicial de retomada de atividades turísticas, a indústria hoteleira vai se redesenhando lentamente funções para que a qualidade de serviço não seja comprometida. Até porque algumas mudanças já se mostram mesmo inevitáveis.

Com viajantes que podem não estar exatamente confortáveis em todos os passos de suas primeiras viagens pós quarentena (alguns podem mostrar-se inclusive bastante receosos), as funções de concierge e guest relations já se vêem ainda mais repletas de atribuições – e felizmente já começam a ganhar reforços em algumas propriedades. 

Com a necessidade de funcionalidades e serviços cada vez mais digitais e sem contato, as próprias atribuições dos concierges também estão mudando. E eis aí um aspecto bastante interessante deste momento em que hotelaria pode redesenhar empregos em tempos de pandemia. Algumas redes do mercado de luxo planejam inclusive aumentar sua equipe de colaboradores associados a esta função. A ideia é que parte deles fique 100% focada em responder prontamente cada mensagem enviada pelos hóspedes através de seus aplicativos, que devem ser mais utilizados do que nunca (falamos aqui sobre o amplo uso do serviço de chat pela rede Four Seasons desde muito antes da pandemia). Uma época curiosa em que “menos contato” com o hóspede e ocupação reduzida nos quartos temporariamente podem gerar, ao mesmo tempo, mais demanda por serviço. 

Clique aqui para ler tudo sobre hotelaria em tempos de coronavírus.

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