Reservar um hotel inteiro: tendência na pandemia

Buyout: reservar hotel inteiro é tendência na pandemia

Como evitar encontrar desconhecidos hospedados no mesmo lugar que você? É só reservar o hotel inteiro, tendência na pandemia principalmente no segmento de luxo, e receber família e amigos como se estivesse em casa. Buyout é o termo em inglês usado no setor de viagens e turismo quando um único cliente fecha um hotel. Acontecia antes da pandemia, em viagens multigeracionais, eventos familiares ou empresariais, ou simplesmente para garantir privacidade a ricos e famosos. Com a pandemia, o buyout ganhou força. O jargão vem do mundo empresarial, onde buyout significa comprar uma empresa, ou parte dela, e assumir o controle.

Além ter acesso a todos os serviços normalmente oferecidos pelo hotel, quem faz buyout também customiza a hospedagem e tem experiências personalizadas. Se o grupo gosta de cozinhar, por exemplo, pode ser possível incluir no buyout o uso da cozinha do hotel. O buyout foi uma das tendências para 2021 que mais me chamou a atenção durante a ILTM, a maior e mais importante feira de viagens de luxo da qual participei mais uma vez em dezembro. Falei sobre buyout, staycation e outras tendências do mercado de turismo de luxo neste meu texto para o jornal O Globo, publicado no início de janeiro.

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Na Europa, o buyout aumentou no verão passado como contou na ILTM Kevin Triboulet, diretor de Vendas e Marketing do grupo francês Airelles:

“Tivemos muito buyout no verão europeu. Pan deï Palais, em Saint-Tropez, por exemplo, foi reservado várias vezes por famílias e grupos de amigos.”

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Ainda antes do início do verão de 2020 no Hemisfério Norte, a Virtuoso, associação global voltada para experiências de viagens de luxo, chamou a atenção para o buyout:

Buyout oferece privacidade, que frequentemente é uma prioridade para viajantes do segmento de luxo, assim como distanciamento social, que continuará a ter alta demanda por muito tempo depois de as restrições causadas pela pandemia terem sido suspensas”, disse em entrevista a Forbes Misty Belles, diretora geral de Relações Públicas da Virtuoso.

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No Brasil

A tendência chegou ao Brasil. Dois exemplos de hotéis no litoral que oferecem buyout são o cearense Casana (foto no início deste texto), na Praia do Preá, perto de Jericoacoara, e o potiguar Kilombo Villas, em Sibaúma, nos arredores de Pipa. O Casana tem apenas oito espaçosos bangalôs com vista para o mar, incluindo um com dois quartos e outro com beliches. O Kilombo oferece dez acomodações com decorações únicas, uma delas com 230 metros quadrados. Buyout é mais frequente no segmento de luxo, mas também é possível fechar uma pousada econômica.

Coworth Park: reservar um hotel inteiro é tendência na pandemia
North Lodge, casa com três quartos em Coworth Park, Ascot | Foto de divulgação

Pode entrar que a casa é sua

Como privacidade e distanciamento social não são problemas para a hotelaria de luxo, com a pandemia aumentou também o aluguel de villas, casas e apartamentos dentro de hotéis e resorts, com todos os serviços. Assim como no buyout, experiências podem ser personalizadas e incluir menus exclusivos, por exemplo. Uma das novidades apresentadas na ILTM foi o North Lodge, casa com três quartos, cozinha e jardim privativo no Coworth Park, da Dorchester Collection, em Ascot, a cerca de 15 km do Aeroporto de Heathrow.

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Do lado de cá do Oceano Atlântico há uma nova villa no Cheval Blanc St-Barth Isle de France, no Caribe. A Villa de France tem cinco quartos, cozinha, duas piscinas privativas e acesso à praia.

“É um novo produto com privacidade para o hóspede se sentir em casa, mas com todos os serviços do hotel”, disse durante a ILTM Anne-Laure Pandolfi, diretora de Relações Públicas e Inovação da marca Cheval Blanc, parte do conglomerado de luxo LVMH (Moët Hennessy Louis Vuitton) que deve inaugurar este ano um esperado hotel em Paris.

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‘Private retreats’

Em uma escala maior, a rede canadense Four Seasons tem hoje mais de 750 opções de hospedagem no que chama de private retreats: apartamentos, casas ou villas dentro dos hotéis. Recentemente, o grupo hoteleiro inaugurou cinco residências no Parque Nacional Serengeti, na Tanzânia. As novas villas do FS Safari Lodge Serengeti têm de um a três quartos e os hóspedes podem fazer safáris exclusivos. Para quem prefere praia, no FS Seychelles uma das novas villas tem sete quartos. Com vista para o Oceano Índico, piscina privativa de borda infinita e cozinha, acomoda até 14 pessoas. Já nas Maldivas a villa de sete quartos pode acomodar até 20 pessoas em uma ilha particular no FS Private Island at Voavah, Baa Atoll.

Residences DC Dubai: reservar um hotel inteiro é tendência na pandemia
Representação do terraço de um dos apartamentos das Residences DC Dubai | Divulgação
Residencial com serviço de hotel de luxo

Para além da hotelaria, o mercado imobiliário de alto padrão incorporou residenciais com grife e serviço de hotel de luxo, entre eles o de concierge. Há lançamentos a caminho neste segmento inclusive no Brasil, como o Rosewood São Paulo. A tendência dos residenciais de luxo com serviço de hotelaria é forte e grupos hoteleiros às vezes fazem o lançamento primeiro no mercado imobiliário. É o caso da Dorchester Collection com as Residences Dubai, previstas para este ano. O novo hotel de Dubai, o décimo do grupo, ficou para setembro de 2022. Em Londres a Dorchester Collection inaugurou recentemente as Mayfair Park Residences, ao lado do hotel 45 Park Lane.

“Sem dúvida os residenciais são um dos nossos focos para o futuro próximo”, disse na ILTM Christopher Cowdray, CEO da Dorchester Collection.

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Como é o novo safári camp Nimali Mara, na Tanzânia

A rede de camps de safári sustentáveis e focados em conservação e preservação da vida selvagem Nimali Africa tem um novo camp na Tanzânia. A rede, que possui também outros dois safári camps na Tanzânia (o Nimali Tarangire, no Parque Nacional Tarangire, a 4h de carro do aeroporto internacional Kilimanjaro, e o Nimali Central, na região central do Serengeti, e que passará por um super upgrade neste 2020), abriu na porção norte do Serengeti o Nimali Mara.

LEIA MAIS sobre o incrível Nimali Mara e safáris na Tanzânia aqui

O novo camp, localizado no parque nacional classificado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, quase na divisa com Maasai Mara (no Quênia), é o primeiro camp de luxo do grupo, com tendas, áreas comuns e serviço impecáveis. Tudo ali foi instalado de maneira 100% sustentável (da “construção” do camp ao dia-a-dia sem plásticos, sem desperdícios, energia solar, tratamento de água etc), respeitando a paisagem espetacular e tão pecuiiar da região. Ali as savanas são repletas de rochas e, das áreas comuns às tendas, tudo no camp levou a geografia local em consideração.

A proximidade com Maasai Mara garante muitos animais à vista e garante ter avistamentos ainda mais espetaculares durante a grande migração, que acontece de julho a setembro com literalmente milhões de animais passando por ali. Outra vantagem da localização é que a parte norte do Serengeti conta com pouquíssimos lodges e camps. Passei dias ali sem praticamente ver outros carros com turistas.

A equipe também merece destaque: das mais afinadas (em todos os sentidos) que já vi em lodges e camps africanos. Chama a atenção que a jovem gerente é a única mulher do grupo – mas lidera com muito carinho e doçura e dá pra ver que todos ali se tornaram uma grande família. E sabem manter os hóspedes satisfeitos e entretidos mesmo nos dias mais chuvosos (peguei muita chuva durante parte da minha estadia ali).

VEJA MAIS detalhes do Nimali Mara e dos safáris na Tanzânia aqui.

A deliciosa área externa das tendas. Foto: Mari Campos.

A beleza do camp chama mesmo a atenção. A arquitetura caprichosa criou dez tendas muito espaçosas, todas elas com uma das faces feita inteiramente de vidro, garantindo vista panorâmica para o Serengeti de absolutamente todos os cômodos. Cada tenda conta com saleta, closet, quarto, imensos banheiros (chuveiro duplo, pia duplo, banheiras de cobre abertas) e uma deliciosa varanda externa com lounge, mesa e cadeiras e uma deliciosa swing bed perfeita para descansar, namorar, ler, meditar.

Além da área de trabalho e das muitas tomadas e entradas USB, todas as tendas contam com wifi de ótima qualidade e – raridade nos camps de luxo similares – telefone e serviço de quarto. A cada manhã os hóspedes são despertados pessoalmente com café ou chá e cookies caseiros. Mas é possível também pedir para jantar no próprio quarto ou mesmo um rosé geladinho à tarde. E mais: como nos demais camps da Nimali, serviços de lavanderia estão sempre incluídos nas diárias.

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Nas áreas comuns, há living, um delicioso bar, piscina e restaurante, tudo com vista panorâmica para o parque. Os detalhes muito africanos incluem tecidos mil, muita madeira e muito cobre. A gastronomia é caprichadíssima (foram as melhores refeições de toda a minha última viagem à África). Mas eles vão além: ao invés de servir todas as refeições sempre no restaurante, a cada dia o staff do hotel vai criando também cenários diferentes ao longo da estadia de cada hóspede. Sempre uma surpresa diferente (e tudo ali dependendo do clima, é claro). Almoço em plena savana, jantar à luz de velas à beira da piscina, café da manhã no alto de uma das enormes rochas dos arredores… e sempre com capricho: mesas, cadeiras, copos, talheres, toalhas, e um serviço irretocável. Mas até nos dias mais chuvosos foram criativos.

A criatividade, verdade seja dita, parece ser marca registrada do grupo: as outras duas propriedades Nimali (Nimali Tarangire e Nimali Central) também se encarregaram de escolher as “locações” mais incríveis e bem decoradas para os meus sundowners enquanto estive com eles. De fato, dos mais bonitos que já vi (e olha que já fiz MUITO safári na vida).

SAIBA TUDO sobre safáris na África aqui.

Ponto importante na hora de reservar: ao contrário de outros camps similares, o Nimali Mara opera sempre com pensão completa (bebidas incluídas), mas game drives, sundowners e open bar só estão incluídos no sistema “game package”.  

Dá para ler mais sobre minhas aventuras africanas e os melhores camps e lodges de safári aqui.

Leia mais sobre hotelaria na África aqui.

A jornalista Mari Campos viajou a convite da Gamewatchers Safaris (que cuidou de todo o itinerário e logística da viagem), da Sariri Terra e da South African Airways.

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Great Plains Conservation abre novo camp de luxo no Quênia

A Great Plains Conservation, que reúne diferentes safari camps em distintos países africanos, abriu neste segundo semestre de 2019 sua mais nova propriedade de luxo no Quênia. O novo Mara Nyika Camp fica localizado na área de conservação Naboisho, adjacente à reserva nacional Maasai Mara, e conta com apenas quatro luxuosas e exclusivas tendas, com capacidade máxima de apenas oito hóspedes.

Durante uma longa viagem pela região nestas últimas semanas, tive o prazer de ser a primeira jornalista brasileira a se hospedar ali – e conheci em detalhes esta bela propriedade construída de maneira ética e sustentável.

O nome Nyika significa “grande planície” e combina perfeitamente com o terreno plano repleto de acácias.  “Cada vez que viemos ao local enquanto planejávamos o camp, nos deparamos acidentalmente com leões e leopardos. Encontramos um dos mais excitantes lugares da África”, diz Dereck Joubert, CEO e fundador da Great Plains Conservation, empresa focada em conservação e preservação da vida selvagem através do turismo sustentável que mantém com sua esposa, Beverly Joubert. O casal é também especializado em fotografia e documentários sobre vida selvagem no continente africano, com diversas produções em parceria com a National Geographic. 

Construído de maneira ética, o Mara Nyika é um camp de luxo que opera 100% com energia solar, trata e reaproveita a água que consome e já nasceu totalmente plastic-free. A caprichada cozinha da propriedade só utiliza ingredientes locais e sazonais, tem índices de desperdícios mínimos e praticamente tudo ali é hand made. 

A ideia ali é ensinar o hóspede a fazer uso ético, racional e sustentável de todos os recursos da propriedade, protegendo o ecossistema tão especial do qual se beneficia em sua visita, mas sem abrir mão do conforto nem dos serviços de hotelaria de primeira linha. 

A decoração honra o romantismo da África Oriental com tendas glamurosamente decoradas dispostas sobre charmosas passarelas de madeira reaproveitada de antigas ferrovias e construções africanas, entre belas acácias. Dentro de cada tenda, quatro áreas bem separadas: uma bela varanda ao ar livre, um charmoso living, o quarto propriamente dito e imensos banheiros, com duchas e banheiras em cobre – tudo com vista para a vida selvagem, é claro.  Todas as facilidades da hotelaria de luxo – roupões, safe box, amenidades de banho, água filtrada, café e chá cortesia – estão ali, acrescidas de charmosos detalhes, como óculos de leitura e câmeras DSLR com lentes objetivas emprestados sem custo para os hóspedes durante sua estadia. Os serviços de lavanderia diários também estão incluídos, assim como pensão completa, bar aberto e atividades na região. 

As passarelas de madeira que conectam cada uma das quatro tendas à área principal (living, restaurante, deck, boutique e wine lounge) dão um certo clima de “casa na árvore” ao local. O serviço geral é primoroso, com uma equipe local muito afinada, comandada com doçura pela adorável queniana Marietta Keru. 

Todos os dias, pela manhã cedinho e nos finais de tarde, os hóspedes têm a chance de sair em excitantes game drives pela região, com excelentes avistamentos de vida selvagem. Ali a gente quase não vê outros carros de safári e consegue aproveitar ao máximo cada saída. Os safáris de final de tarde terminam com impecáveis sundowners em plena savana, com direito a settings quase cinematográficos, incluindo bar completo, confortáveis cadeiras e fogueira enquanto a tarde cai. Com sorte, dá para degustar sua caprichada gin&tonic vendo o sol se por e ouvindo o rugido de leões à distância, como aconteceu comigo. 

Os hóspedes que ficam ali, além de explorarem os 50 mil acres da área de conservação e se aventurarem em safáris também pela reserva Maasai Mara, contribuem diretamente com o sustento das mais de 500 famílias Maasai assistidas pela propriedade. As taxas de conservação garantem a conservação da vida selvagem no ecossistema Maasai Mara. 

Para o ano que vem, o camp ganhará uma honeymoon suite, ainda maior e mais caprichada, que terá piscina privativa. Vale ficar de olho.

Leia mais sobre a Great Plains Conservation e seus luxury safari camps super sustentáveis aqui, aqui e também aqui.

Mari Campos viajou ao Quênia a convite de Sariri Terra, Gamewatchers Safaris e South African Airways.

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Hôtel Lutetia, em Paris, e um ‘grand tour’ pela Europa

São 11 os hotéis em Paris com a designação oficial de palácio. O Rosewood Hôtel de Crillon, reaberto há um ano, acaba de receber a distinção. O Ritz Paris, renovado e reaberto há dois anos, ainda está na fila. Além dele, a cidade pode vir a ter mais um em breve, o primeiro na margem esquerda do Rio Sena. O Hotel Lutetia, reinaugurado em Paris em 12 de julho de 2018, depois de quatro anos de obras e vários adiamentos, também já se candidatou à distinção, concedida pelo Ministério do Turismo francês para hotéis que vão além das cinco estrelas.

Atualização: O Hôtel Lutetia em Paris conquistou a distinção de palácio no final de 2019. E recebeu também cinco estrelas na edição 2020 do Forbes Travel Guide.

Leia mais: Como é um spa cinco estrelas na lista Forbes

Pelas fotos e os relatos de quem se hospedou lá nestes primeiros meses, a espera valeu a pena. Vamos conferir a reforma em breve. Enquanto isso, durante a ILTM North America, feira de viagens de luxo realizada no final do mês passado na Riviera Maya, no México, conversamos com Marie-Christine Bittencourt, brasileira que faz parte do departamento de Vendas, e James Baker, diretor de Vendas e Marketing para as Américas da Set Hotels.

A reabertura (e a abertura) do Hôtel Lutetia, em Paris

Os dois representantes do hotel fizeram questão de destacar que o Lutetia é voltado para a cidade. Para os moradores, que sempre frequentaram o elegante hotel no Boulevard Raspail, em Saint-Germain-des-Prés, e também para visitantes que não necessariamente estão hospedados ali. Este princípio orientou o perfil do restaurante principal do hotel, que optou por manter a Brasserie Lutetia. O menu será assinado pelo chef Gérald Passedat, com três estrelas Michelin em seu restaurante Le Petit Nice, em Marselha.

Bar Josephine Hotel Lutetia Paris
O Bar Josephine no Hôtel Lutetia, em Paris, projetado pelo arquiteto Jean-Michel Wilmotte | Foto de divulgação

Outra aposta no mesmo sentido é o Bar Josephine, em homenagem a Josephine Baker, frequentadora do Lutetia no passado. O bar já foi inaugurado (a brasserie ainda não tem data de reabertura marcada) e o novo design tem a assinatura do francês Jean-Michel Wilmotte, mesmo arquiteto do Mandarin Oriental Paris. Além de uma interessante carta de drinques, tendência que alcançou Paris e seus bares de vinho, o Josephine tem jazz ao vivo sete noites por semana.

Piscina Spa Hotel Lutetia Paris
A piscina do novo spa do Lutetia fica no subsolo, mas recebe luz natural através de uma claraboia | Foto de divulgação

Os brasileiros já redescobriram o hotel nestes três primeiros meses e estão entre os três maiores públicos, junto com os americanos e os próprios franceses.

“Esperamos ainda mais brasileiros, inclusive no bar e no restaurante, que oferecem uma experiência local, por mais clichê que pareça a frase. A ideia é fazer uma releitura da efervescência etílica-cultural que marcou o passado do Lutetia. E hoje o hotel está bem mais aberto para a cidade, mais iluminado. Até o spa, que não existia e foi instalado no subsolo, também recebe luz natural vinda da rua”, conta Marie-Christine.

Banheiro suíte Hotel Lutetia Paris
Banheiro com banheira em mármore e vista em uma das suítes do hotel na Rive Gauche | Foto de divulgação

Se dinheiro não for problema, vale esperar até 2019 para se hospedar no Lutetia, que faz parte da Leading Hotels of the World. As suítes que ficam nos andares mais altos do prédio do início do século 20 estão com a inauguração prevista para dezembro. Durantes as obras, as 230 acomodações originais foram reduzidas para 184. São os maiores quartos de hotel da Rive Gauche, com dimensões a partir de 28 metros quadrados e piso em madeira. Alguns dos banheiros têm banheiras em mármores que foram esculpidas no próprio hotel: as pedra vieram em blocos direto de Carrara, na Itália. E 95% dos banheiros têm janela com vista.

Sala Living Room Suite Hotel Lutetia Paris
Sala de estar de uma das novas suítes do Lutetia. Todos os quartos têm piso em madeira | Foto de divulgação

O ‘grand tour’ pela Europa organizado pelo Hôtel Lutetia, em Paris

O Lutetia agora faz parte do grupo The Set Hotels, junto com o Hotel Café Royal, em Londres, e o Conservatorium Hotel, em Amsterdã. Assim como a propriedade francesa, os outros dois hotéis ficam em belíssimos prédios históricos cheios de histórias para contar e com ambientes contemporâneos. Para promovê-los, a Set lançou uma versão século 21 do clássico grand tour pela Europa, com hospedagem nos três hotéis e experiências exclusivas.

“O hóspede faz os percursos entre as três cidades de trem, como era originalmente. E os concierges cuidam de toda a bagagem”, conta Baker.

O ‘grand tour’ em sua versão na África

Fairmont Kenya The Norfolk Bar
O bar do Norfolk, na cosmopolita Nairóbi: primeira escala de um grand tour pelo Quênia | Foto de divulgação

A ideia de um grand tour contemporâneo inspirou também outra rede de hotel presente na ILTM North America, a francesa AccorHotels, em outro continente, a África. Um roteiro pelo Quênia sugere um itinerário de oito dias com hospedagem nos três hotéis da marca Fairmont no país: o tradicional The Norfolk, na capital, Nairóbi; o Mount Kenya Safari Club, e o Mara Safari Club.

Fairmont Mount Kenya Safari Club - pool with mountain background
Piscina com vista para as montanhas no Fairmont Mount Kenya | Foto de divulgação

Não há ligação de trem entre as cidades, mas o Fairmont cuida das passagens aéreas internas, dos transfers de ida e volta para o aeroporto e de organizar alguns programas, como visitas a orfanatos de animais selvagens.

Mount Kenya animal orphanage bongo
Visita a um orfanato de antílopes na região do Mount Kenya | Foto de divulgação

“Com este nosso roteiro, o hóspede tem experiências diferentes: lifestyle, com arte e gastronomia, em Nairóbi, uma cidade cosmopolita; a paisagem da região montanhosa do Monte Quênia, e, claro, safári na reserva de Maasai Mara”, diz Guillaume Durand, diretor de Vendas e Marketing da Fairmont no Quênia.

Fairmont Mara Safari Club tent
Uma das tendas do Fairmont Mara Safari Club | Foto de divulgação

Leia mais

Shamwari Game Reserve, na África do Sul, alternativa ao Kruger Park

Outros hotéis de luxo apresentados na ILTM North America.

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Rinocerontes em safári na África do Sul

Safári na África do Sul: Shamwari, uma alternativa ao Kruger

Safári é uma das mais emocionantes experiências de viagens. Fiz, repeti, fui outras vezes e continuo querendo mais. Vejo um único problema em safári na África do Sul: o preço. Na minha viagem passada ao país conheci a Shamwari Game Reserve, na Costa Leste, uma alternativa ao safári no Kruger. Tem os cinco grandes (rinoceronte, leopardo, leão, elefante e búfalo) e lodges confortáveis. Os valores são menores que os das áreas do Kruger Park e do Greater Kruger, ainda que não muito. Mas pode ser aquela diferença que permite ficar mais uma noite. E a localização da Shamwari é mais conveniente para roteiros que incluem a Cidade do Cabo e a Rota Jardim.

Lodge em reserva de safári na África do Sul
Founders Lodge: o quarto original de Adrian Gardiner na reserva para safári na África do Sul | Foto de Carla Lencastre

Safári na África do Sul: o adorável Founders Lodge

A convite do South African Tourism, fiquei hospedada no Founders Lodge by Mantis, do conservacionista sul-africano Adrian Gardiner, criador da Shamwari (em 1992) e fundador do grupo hoteleiro Mantis Collection. A uma hora de carro de Port Elizabeth, no Cabo Oriental, o lodge foi aberto há dois anos. Como o nome indica, era a casa de Gardiner. Ele vendeu a Shamwari, mas manteve o imóvel. O safári na reserva é uma alternativa ao Kruger.

O Founders Lodge tem apenas seis quartos, todos com varanda e confortos modernos. Dois estão na casa original da década de 1940, com decoração clássica. Outros quatro estão em uma construção anexa recente e oferecem ambientes mais contemporâneos. A piscina ao livre encontra-se em meio a um bonito jardim. O ambiente low profile, o serviço atencioso e a sensação de exclusividade me conquistaram imediatamente.

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Lodge em reserva de safári na África do Sul
A área ao ar livre do lodge ao lado da Shamwari Game Reserve | Foto de Carla Lencastre

As diárias incluem dois safáris por dia e três refeições (com bebidas alcoólicas nacionais), como é comum neste tipo de hospedagem. O lodge mantém o jeito de casa, com lareira, livros por toda a parte, mesa de sinuca, poltronas e sofás confortáveis, obras de arte, vasos de flores. No bar, conheci um bom gim artesanal da Cidade do Cabo, o Cape Town Rooibos Red Gin. Nas refeições, servidas em um bufê caprichado, destacaram-se o pão assado no lodge, carnes e frutos do mar grelhados na hora e na frente dos hóspedes, a variedade de queijos e frutas frescas. As louças são feitas especialmente para o lodge e decoradas com desenhos de animais selvagens. Nos quartos, há uma garrafa de cristal com vinho de sobremesa. Perfeito para o fim de noite.

O mais importante: os safáris foram ótimos. Os quartos têm uma extensa lista com toda a fauna e a flora da região, que deixa claro os animais raros na área, como hipopótamos. Participei de dois games, um à noite e outro na manhã seguinte. Montanhas ao fundo criam um panorama diferente que é uma alternativa ao safári no Kruger e arredores. Em momento algum vimos mais do que um outro veículo com passageiros. Na maior parte do tempo, estávamos sozinhos. Dos Big Five, só não encontramos leopardos, mas eles estão por lá. Neste acaso, acho que o problema sou eu. Em mais de uma década de idas à África do Sul, com amplo currículo de safáris em diferentes áreas do país, o leopardo nunca apareceu para mim.

Rinocerontes em safári na África do Sul
Rinocerontes no safári de fim de tarde (os da imagem no alto foram vistos pela manhã) | Foto de Carla Lencastre

Os safáris do Founders Lodge não têm trackers. A ausência desta figura importante para uma expedição bem-sucedida é compensada por rangers da região. O que nos acompanhou era experiente e não hesitava em sair das trilhas em busca de guepardos, por exemplo. Sem abrir mão da segurança, o que é fundamental neste tipo de atividade. À noite, durante o jantar, contou histórias curiosas sobre a reserva e os arredores.

Os veículos do safári são abertos e o ranger organiza paradas para o café da manhã e os sundowners em meio à expedição, como acontece nos safáris dos lodges mais conhecidos do Kruger e do Great Kruger. No game drive no fim da tarde, a mesa ao ar livre tem vinhos sul-africanos branco e tinto, gim britânico, água tônica, frutas e frutos secos, chips salgados.

Há uma diferença importante em comparação a outros lodges mais luxuosos e integrados à savana. O Founders é cercado e fica em uma área adjacente à Shamwari, onde são feitos os safáris. Ou seja, não há possibilidade de ter elefante bebendo água na piscina. Dentro da reserva, há outras sete opções de hospedagem para diferentes perfis. Confira as outras opções para safáris na África do Sul, na Shamwari, clicando aqui. Como na maioria dos lodges de safáris, na Shamwari não são permitidas crianças menores de 4 anos.

Leão em safári na África do Sul
Não resisto à legenda clichê: acho que vi um gatinho… | Foto de Carla Lencastre

Safári no continente africano é como bangalô sobre as águas de Bora Bora, na Polinésia Francesa: você não espera que seja menos do que perfeito. E isso tem um custo. Safári não tem como ser barato. A inspector Mari Campos detalha o porquê neste post aqui (e recomenda também lodges incríveis na área do Kruger). Dá para economizar dirigindo seu próprio carro em um parque nacional. Fiz isso no Hluhluwe-iMfolozi e não indico. O motorista até era acostumado com a mão inglesa (o que seria um problema se eu estivesse dirigindo). Ainda assim achei estressantes tanto a sensação de insegurança (este elefante está entretido derrubando a árvore ou vai vir para cima do veículo?) quanto a falta de conforto da hospedagem econômica do parque.

O Founders Lodge foi uma surpresa de como gastar um pouco menos mantendo o conforto e a emoção de estar em meio à vida selvagem proporcionada por um bom safári.

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