Like garantido, mas banho proibido?

O turismo de sol e praia é um dos principais diferenciais do Brasil quando se trata de visitantes nacionais ou internacionais. Praias são, definitivamente e historicamente, o maior ativo da nossa atividade turística. Em um contexto de viajantes cada vez mais informados e exigentes, a qualidade ambiental deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito básico para a escolha de destinos.

Não basta um lugar ser divulgado como “turístico” ou apresentar altos números de visitantes. Aquele que muitas vezes chamamos de consumidor ou comprador atualmente tem o poder de observar, comprar e decidir com base na experiência real. E, quando falamos de destinos litorâneos, essa experiência começa pela pergunta mais simples e decisiva: a praia está própria para banho? A cor do mar é maravilhosa! 

Ter ou não ter praia, nesse cenário, não pode ser narrativa de post ou belas fotos. O que chamamos de experiência é a realidade que encontra e vivência quem chega pra desfrutar do sol e da praia. 

Praia limpa, sem lixo, própria para banho é atribuição da gestão pública, dos atores privados que levam e acompanham o visitante e dos órgãos que fiscalizam nossas praias e oceanos. Quando esses fatores apresentam irregularidades, o impacto não é apenas prejudicial à experiência de quem chega, de quem mora e aos ecossistemas locais, mas também é prejudicial economicamente e na reputação do lugar.

Essas informações são fundamentais para o planejamento do turismo, ignorá-las ou minimizá-las compromete a confiabilidade do destino, o turista que investe tempo e recursos em uma viagem espera segurança e transparência. Segundo a Folha de S.Paulo, apenas 30,2% das praias brasileiras estão próprias para banho, o que torna cada vez mais importante priorizar essa questão do cuidado com os espaços destinados ao lazer e à preservação da vida marinha. 

Você trabalha com turismo? Já deu uma olhada em como estão as praias da sua região?

Comenta aqui e conta pra gente como esse tema é tratado na sua praia?

O que a taxonomia muda no Turismo Brasileiro? – Parte 2

Como detalhamos na Parte 1, a taxonomia estabelece parâmetros objetivos para que empresas, investidores e governos identifiquem o que realmente contribui para metas climáticas, ambientais, sociais e econômicas. 

A implementação da TSB vai alterar três áreas críticas, inclusive no turismo, que vamos acompanhar de perto: 

1. Acesso a Financiamentos: Empreendimentos turísticos alinhados à taxonomia terão prioridade em editais e linhas de crédito verdes (BNDES, Banco Mundial, fundos climáticos), além de acesso a investidores ESG e fundos de desenvolvimento sustentável. 

2. Políticas Públicas e Fomento: O governo federal, progressivamente, vai incluir os critérios da TSB em todas as políticas públicas, incluindo PAC do Turismo, emendas parlamentares, incentivos fiscais e programas de capacitação; transformando a conformidade com a taxonomia em requisito estruturante. 

3. Valorização Competitiva: Empresas, hotéis, restaurantes e destinos enquadrados na TSB ganharão reconhecimento internacional, diferenciação no mercado consumidor, certificações globais e maior atratividade para investidores e turistas conscientes. 

Mesmo tratando-se de um processo de inclusão que vai privilegiar as empresas enquadradas na taxonomia, teremos mais detalhes a partir da regulamentação de cada atividade e de suas leis. O mais relevante é que teremos parâmetros claros e as empresas, destinos e profissionais saberão como fazer sua parte para a mitigação do processo de aquecimento global que impacta nosso setor de forma contundente (falaremos mais na Parte 3) 

Taxonomia Sustentável Brasileira: o papel do Turismo – Parte 1

O Brasil chega à COP 30, em Belém (10 a 21 de novembro de 2025), com um feito histórico: a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), recém-instituída pelo Decreto nº 12.705, que torna o Brasil o primeiro país do mundo a incluir o turismo de forma abrangente e integrada em sua taxonomia de sustentabilidade. Esta é uma decisão estratégica que não apenas ajuda a consolidar a liderança brasileira em turismo sustentável, mas também sinaliza uma transformação profunda na maneira como o setor opera, investe e contribui para o desenvolvimento sustentável do país. 

O que é a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB)? 

A TSB funciona como um “dicionário da sustentabilidade” – um sistema de classificação oficial que define, com critérios técnicos e científicos, quais atividades econômicas, projetos e ativos são realmente sustentáveis. Coordenada pelo Ministério da Fazenda a taxonomia estabelece parâmetros objetivos para que empresas, investidores e governos identifiquem o que realmente contribui para metas climáticas, ambientais, sociais e econômicas.  

A TSB é orientada por três objetivos estratégicos. O primeiro é: mobilizar e reorientar o financiamento e os investimentos públicos e privados para atividades com impactos positivos, visando desenvolvimento sustentável, inclusivo e regenerativo. Em segundo lugar promover o adensamento tecnológico voltado à sustentabilidade, com elevação de produtividade e competitividade em bases sustentáveis. E por último criar bases para produção de informações confiáveis dos fluxos de finanças sustentáveis, estimulando transparência, integridade e visão de longo prazo. 

Por que o Brasil incluiu o Turismo na TSB? 

O Brasil é o primeiro país no mundo a incluir o turismo na TSB, e isso não é por acaso. O setor é responsável por cerca de 7% do PIB brasileiro e emprega mais de 7 milhões de pessoas, sendo fundamental para a economia regional, especialmente em áreas com biodiversidade significativa e comunidades tradicionais. Ao integrar o turismo na taxonomia, o Brasil reconhece o setor como parte essencial da transformação ecológica, criando um marco regulatório que alinha competitividade com sustentabilidade. 

A decisão reforça o compromisso brasileiro com a Agenda 2030 da ONU e as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Acordo de Paris, posicionando o turismo como vetor de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, proteção da biodiversidade e geração de trabalho decente em comunidades. 

Brasil Lidera Recuperação Turística na América Sul 2025 | +14,6% Crescimento

O relatório World Tourism Barometer (Set 2025) da ONU Turismo (OMT), mostra dados de um cenário extraordinariamente favorável para o turismo brasileiro. Os indicadores mostram que superamos consistentemente as médias globais e que o Brasil é líder na recuperação turística das Américas. Os dados revelam não apenas números robustos, mas principalmente oportunidades que demandam mobilização imediata do setor privado, gestores de destinos e lideranças governamentais.

Performance Excepcional em Contexto Global Desafiador

Enquanto o turismo mundial cresceu 5% no primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou expansão de 14,6% nas chegadas internacionais, recebendo 6,8 milhões de visitantes estrangeiros. Este desempenho nos coloca acima da média global, e também, supera significativamente o crescimento das Américas (3%). Influente no dinamismo da América do Sul (14%), o Brasil colabora para a região que desponta como a mais pujante do continente.

A análise comparativa revela contrastes marcantes: enquanto América do Norte apresentou crescimento nulo e o Caribe estagnou, o Brasil consolidou-se como o segundo maior receptor de turistas nas Américas, atrás apenas do México. Esta posição estratégica, combinada com o crescimento sustentado acima de dois dígitos, sinaliza um momento decisivo para investimentos em infraestrutura turísticaqualificação profissional e desenvolvimento de produtos turísticos diferenciados.

Receitas Turísticas: O Diferencial Competitivo Brasileiro

O indicador mais impressionante e importante na análise desse contexto, vem das receitas: o Brasil registrou crescimento de 22,5% nos gastos de turistas internacionais, mais que o dobro da média global (10,6%) e da América do Sul (14,5%). Esta métrica crucial indica não apenas maior volume de visitantes, mas principalmente a capacidade do destino Brasil em gerar maior valor por turista, elemento fundamental para a sustentabilidade econômica do setor.

Para o setor privado, operadoras, redes hoteleiras e prestadores de serviços, estes números traduzem-se em oportunidades concretas de maior rentabilidade, desenvolvimento de experiências premium e segmentação de mercado. A elevação do ticket médio sugere espaço para produtos de maior valor agregado, desde roteiros de turismo de luxo até experiências imersivas em ecoturismo e turismo cultural.

Conectividade Aérea: Catalisador do Crescimento

O crescimento de 11% no transporte aéreo doméstico brasileiro, acima da média internacional, representa um facilitador crítico para a distribuição dos fluxos turísticos pelo território nacional. Para companhias aéreasaeroportosdestinos regionais, este indicador sinaliza a viabilidade de novas rotas, aumento de frequências e desenvolvimento de hubs regionais que potencializem a interiorização do turismo.

A recuperação da malha aérea doméstica cria condições favoráveis para o desenvolvimento de roteiros integrados, conectando destinos icônicos como Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu a destinos emergentes no interior, ampliando o tempo de permanência e o gasto médio dos visitantes internacionais.

Os dados do World Tourism Barometer delineiam uma agenda clara para o setor:

Para o Setor Privado:

  • Hotelaria e Hospedagem: Expansão da capacidade instalada em destinos de alta demanda, modernização de equipamentos e implementação de práticas que atendam ao turista consciente
  • Operadoras e Agências: Desenvolvimento de produtos segmentados para mercados emissores em crescimento e visitantes que precisam de experiências diferenciadas de outros concorrentes
  • Tecnologia e Inovação: Investimento em soluções digitais, plataformas de distribuição e ferramentas de big data para análise preditiva de demanda; além de melhor experiência do client

Para Gestores de Destinos:

  • Planejamento Integrado: Articulação entre municípios para criação de roteiros regionais que maximizem a permanência média
  • Sustentabilidade: Implementação de políticas de turismo regenerativo que preservem ativos naturais e culturais
  • Qualificação: Programas eficientes de capacitação profissional alinhados às demandas do turismo internacional

Os números do World Tourism Barometer não deixam dúvidas: o Brasil não apenas recuperou-se dos impactos da pandemia, mas emergiu mais forte e competitivo. O desafio agora é converter este desempenho excepcional em transformação estrutural do setor, garantindo que o turismo cumpra seu potencial como vetor de desenvolvimento econômicoinclusão social e preservação ambiental.


Fonte: World Tourism Barometer – UNWTO, Setembro 2025.

Que frase você ouviu quando se encontrou com seu time depois de 2 anos ?

Me recordo quando apareceram as tecnologias de reuniões à distância. Ainda não eram como o Zoom ou o Teams de hoje. Mas íamos para uma sala que tinha projetores e estrutura de transmissão de reuniões por vídeo. Os profissionais da indústria de eventos ficaram bem preocupados. Nossa, isso vai acabar com as reuniões e eventos presenciais. Pelo contrário, esse e outros avanços tecnológicos só aumentaram e melhoraram a possibilidade de conexões, interações e a imensa força do presencial. Nada substitui a interação direta e o chamado olho-no-olho.

Lá vem pandemia e já sabemos o que ocorreu. No caso das viagens a negócios e eventos, somente no começo de 2022 vimos uma volta dessa demanda. Mais lenta e com características bem diferentes. Novamente a tecnologia trazendo mais oportunidades. Trago aqui 3 reflexões sobre viagens a negócios ou a eventos que vejo como ainda mais fortes e como oportunidades para o setor de turismo. As consequências do home office, a combinação de negócios e lazer; e o privilégio de trabalhar em empresas com oportunidades de viajar. Serão 3 posts, lá vai o primeiro.

Home office é o novo presencial

Algumas empresas acabaram como o presencial, outras estão no híbrido, e outras, já nasceram no virtual e os colaboradores estão em casa. Muitas equipe ficaram 2 anos sem se encontrar, outras, nunca tinham se abraçado. Muitos novos profissionais entraram e saíram de empresas sem nem, sequer, encontrar seus times. E pode ser que esse home office seja uma nova oportunidade para diferentes tipos de viagens a trabalho.

Imagina uma equipe que não se encontrava há 2 anos, quando ocorreu o primeiro ou a segundo encontro on-line, a ansiedade e a emoção tomaram conta das relações. Os vínculos, conhecimento sobre a vida pessoal dos colegas, sua altura, seus talentos que não aparecem diante da tela passam a ser incorporados à imagem e afeição que as equipes vão construindo quando trabalham com paixão em seus projetos. As conquistas de time passam a ter outro valor, e a empresa consegue criar laços de compromisso humano que precisam do abraço, do sorriso cara-a-cara e de novas descobertas.

Também o fato das pessoas estarem sempre em trabalho remoto faz com que as empresas criem novas formas de encontros, reuniões e atividades presenciais. As viagens a trabalho e eventos ganham novos contornos e características. Times podem se mudar temporariamente para outras cidades e países, espaços de eventos terão novas configurações e necessidades para reuniões. As empresas estão revendo seus gastos, mas também a forma e valor dos investimentos em atividades presenciais que tragam colaboração e criatividade entre times e parceiros comerciais.

Frases que ouvimos

Frases que ouvimos: “Nossa, como você é alto”!; “A Fulana faz muitos exercícios, olha como é malhada”; “Gente, o Fulano era tão tímido nas reuniões on-line, e agora no jantar da equipe conta ótimas piadas”; “A Fulana estava sempre de câmera fechada mas agora adora fazer as dancinhas do TIKTOK”. “Essas meninas do México são muito simpáticas e alegres”; “Nossa, a gente se fala tanto on-line, estou tão feliz em te encontrar pessoalmente!”.

Quais foram as frases que você ouviu quando encontrou com colegas ou parceiros de trabalho ?

Recuperação do turismo: o que os números dizem?

Nada como alguns números para avaliarmos se realmente os voos domésticos e internacionais estão, de fato, construindo uma recuperação das viagens e do turismo. Muitos desafios no cenário global e nacional trazem um panorama flutuante. Ora o dólar e o euro estão super altos dificultando viagens aos exterior; ora baixam um pouco e, pronto! Sobem as buscas e as compras.

Fomos buscar algumas informações com a Forwardkeys, empresa espanhola que monitora demanda passada e futura nas viagens pelo planeta, ajudando empresas e destinos a atuar com bases em dados para planejar sejas vendas e seu marketing. As buscas internacionais para passagens aéreas com destino ao Brasil entre 3 de janeiro e 27 de março de 2022 mostram maior procura de norte-americanos e europeus do que sul-americanos. Os EUA, Portugal, Espanha, Alemanha e França lideram as procuras no período.

As chegadas de sulamericanos ao Brasil entre abril e junho de 2022 estão em 36% do montante que tínhamos em 2019. Argentina, Chile e Colômbia são os principais mercados de origem dessas reservas. Se olharmos para toda a demanda internacional de voos com base em abril desse ano, estamos a 67% do nível de 2019.

Cidades brasileiras que mais se recuperaram no internacional

As chegadas internacionais no Brasil entre abril e junho de 2022 mostram quais as cidades brasileiras são mais resilientes diante da crise, ou seja, em relação às chegadas que tinham no mesmo período em 2019, mostram a recuperação acima dos 65% médios do período no Brasil. Nos próximos 3 meses, Belo Horizonte e Brasília terão superado as chegadas em relação a 2019, respectivamente 127% e 110%. Curitiba e Porto Alegre, Fortaleza e São Paulo, estarão acima de média de recuperação nacional, respectivamente com ….%, 95%, 88% e 74% em relação aos níveis de 2019.

E as viagens dos brasileiros ao exterior ?

Para os próximos três meses, as partidas dos brasileiros ao exterior em viagens aéreas estão 65% quando comparadas a 2019 no mesmo período. Viagens com destino aos Emirados Árabes estão iguais e 2019. E partidas para o México estão a 93% e para a Colômbia estão a 80% dos níveis pré crise

Feriado de 21 de abril

Viagens entre 20 a 24 de abril de 2022 se comparadas aos níveis de 2021 estão bombando! Para as viagens internacionais é registrado um aumento de 335% e dentro do Brasil de +86% segundo os dados da Forwardkeys.

Para Juan Gómez, analista sênior da Forwardkeys, “O que os últimos dados demonstram e destacam é que o desejo de viajar é forte e se traduz em reservas confirmadas em todo o Brasil. O Brasil tinha uma base sólida de turismo doméstico para começar, mas agora podemos ver o retorno dos viajantes internacionais, especialmente ao Norte do Brasil, pois as restrições de viagem são aliviadas e a conectividade de vôo é melhorada para destinos como Espanha, Portugal e EUA”.


Turismo internacional, como tirar o Brasil do atraso ?

O tema sobre a chegada de visitantes estrangeiros ao Brasil é cercado de alguns paradigmas e também de vários fatores que ao longo da nossa história trazem o desafio de tornar nosso país um destino internacional.

Destaquei recentemente nesse post que em 2020 entramos em desvantagem na atração de estrangeiros porque no ano anterior. enquanto a média mundial de chegadas internacionais foi de +3.6%. o Brasil teve uma queda de 4.1%. Com todo o impacto da pandemia na restrição das viagens e, ainda, a maneira como o nosso país lidou com o tema sanitário e das vacinas, terão impacto de longo prazo em nosso cenário. Regredimos pelo menos 26 anos no número de estrangeiros que recebemos; assim como nas receitas desses visitantes.

Outro dado relevante, já que o ideal é olhar um determinado período de tempo quando avaliamos o desempenho de um destino turístico, é o fato de que entre 2000 e 2019 a média de crescimento das chegadas internacionais globais foi de +117%, enquanto o Brasil cresceu somente 20% no mesmo período (OMT, 2020). 

A pergunta que todos nós nos fazemos é: afinal como ter um trabalho de promoção do Brasil no cenário Internacional de forma a construir uma imagem que reflete o estilo de vida do brasileiro e proporciona aos visitantes uma experiência sensacional? Destaco aqui alguns pontos, podem até parecer simples mas são objetivos e óbvios:

O que fazer então?

  1. elaborar de forma participativa uma estratégia de inserção do Brasil na atração de estrangeiros com base em estudos dados e um posicionamento de longo prazo;
  2. inovar nas estratégias de marketing, deixando de conversar somente com os intermediários é determinar uma estratégia interativa com os visitantes potenciais nos principais mercados conectados ao Brasil;
  3. unificar o trabalho Internacional nas diversas esferas governamentais e privadas para somar esforços;
  4. aproveitar todas as tecnologias e ferramentas de comunicação e marketing digital disponíveis no mercado para mostrar as experiências culturais e naturais do Brasil, com destaque para o estilo de vida nacional e a brasilidade;
  5. estabelecer políticas públicas que tenham equipes técnicas via orçamento, e cooperação privada para que além de uma estratégia exista uma continuidade e uma permanente inovação na forma como podemos mostrar nosso país para o mundo.

Na sua opinião como podemos reverter esse quadro ? O que devemos fazer?

Inteligência no turismo, como é isso?

Ainda sobre o tema da digitalização do turismo, especialmente sobre o uso de dados para marketing e inteligência comercial, tive um bate-papo super esclarecedor com Jucelha Carvalho, CEO da Smart Tour.

o que é inteligência competitiva e inteligência de mercado?

Inteligência competitiva ou de mercado, são conceitos com muitas similaridades, e são diferenciados por dois aspectos principais, o foco da análise e a estratégia desejada.  A inteligência competitiva tem como objetivo avaliar de forma mais precisa a concorrência e fazer planejamento a longo prazo de forma a entender o cenário em que o turismo está inserido. Já a inteligência de mercado busca entender mais a fundo o comportamento dos consumidores em relação aos produtos e serviços turísticos. Podemos afirmar que os dois focos são importantes para a atividade turística, podem ser usados conjuntamente ou ainda com mais ênfase em um ou outro a depender dos objetivos de um destino ou de uma empresa específica.

A competitividade na atividade turística é tão forte atualmente que as organizações e empresas de ponta do setor investem cada vez mais em métodos e tecnologias que possam monitorar, entender e subsidiar esse ambiente disputado.  Os métodos e técnicas empregados utilizam a tecnologia para organizar e processar um conjunto de dados e informações que permitem fazer análises que propiciam às organizações desenvolverem uma escuta ativa e preventiva no ambiente de negócios.

O que isso muda em nosso negócio?

As grandes transformações do turismo mundial foram aceleradas a partir de 2020 com o advento da pandemia do novo Coronavírus, aumentando ainda mais as grandes mudanças que já vinham ocorrendo no comportamento dos consumidores e em seus hábitos de viagens. Pessoas ao redor do mundo ficaram mais tempo navegando nas redes sociais, aprendendo sobre novas tecnologias de comunicação online, e o comércio eletrônico vivenciou uma grande expansão para atender às necessidades das pessoas que se encontravam isoladas.  Este comportamento segue como uma tendência e uma realidade no consumo de viagens e turismo.

Todo esse cenário fez com que muitas transformações ocorressem na demanda turística global, tornando ainda mais difícil a projeção de cenários e trazendo cada vez mais a dependência de dados atualizados, informações em tempo real e estudos de demanda futura para o planejamento e a tomada de decisões dos destinos e das empresas ligadas à indústria. O uso da inteligência de mercado e da inteligência competitiva, é uma premissa para o sucesso dos destinos turísticos em todo o mundo.

Você pode ouvir mais sobre esse tema no podcast HUB TURISMO. Depois comenta aqui com a gente.

Aqui nesse post também falamos sobre esse tema, confere também.

Semelhanças entre 2021 e 2022

Desde que passamos a pensar como seria a recuperação do turismo esteve presente a reflexão de que enfrentaríamos períodos de altos e baixos. E os dados e análises de cenários vêm mostrando um caminho desafiador desde julho de 2020 quando esse debate começou de forma mais intensa. Falamos disso nesse post aqui.

Depois de vivermos 2020 como o pior da história do turismo desde os anos 90, com uma queda de 73% nas chegadas internacionais e de -63% nas receitas; 2021 também se revelou desafiador. Esses dados da OMT ainda mostram -72% (queda) nas chegadas internacionais em relação a 2019; e somente +4% em relação a 2020. Em fevereiro de 2021 a curva de chegadas parecia decolar de forma lenta, e em agosto já veio a queda apressada, conforme imagem abaixo. A curva de abril a novembro segue uma tendência nos 3 anos, com grandes diferenças nos quatro primeiros meses do ano.

Fonte: Barômetro da OMT, janeiro 2022.

Destaques de 2021:

O “bom” desempenho da Europa, Americas e do Caribe (com a melhor performance) são as evidências do ano passado. A recuperação da indústria internacionalmente foi fraca, e a confiança nas viagens vai melhorando na medida em que avança a vacinação. A facilitação nas fronteiras segue a vacinação e as testagens, o que vai trazendo condições de recuperação gradual. As viagens domésticas acabam tendo força no mundo inteiro, e as de curta distância prevalecem na Ásia Pacífico. A Ômicron já assume protagonismo pelo mundo.

Em 2021 a OMT registra um aumento nos gastos em viagens internacionais e permanências mais longas. O trabalho remoto vem se consolidando, o que facilita estar em qualquer lugar para aqueles profissionais que não precisam de presença. Não vejo essa tendência no Brasil com clareza.

DESAFIOS 2022:

Viver na gangorra parece ainda ser uma realidade desse ano, apesar de que as quedas parecem mais “previsíveis” depois do que vivemos em 2020 e 2021. Dados atualizados, acompanhamento diário de vendas e adaptabilidade ainda são as palavras que me parecem precisar de ênfase em nossos negócios. O contínuo crescimento das tecnologias sem toque, o comércio eletrônico e a certificação de COVID são as ferramentas mais eficientes no dia-a-dia de nosso trabalho no início de 2022. As projeções do Painel de Especialistas da OMT esse ano mostram mais otimismo com a recuperação da Europa e das Américas. O turismo internacional, na opinião da maioria dos especialistas, deve retomar aos níveis pré-pandemia em 2024; projeção também de associações globais de turismo.

Tendências

Segue o doméstico como rei, viagens mais próximas de casa. As tendências seguem com atividades de natureza, atividades ao ar livre e reservas mais próximas da data das viagens. Também experiências autênticas, responsabilidade ambiental e social seguem como preocupações e critérios de avaliação dos viajantes. De olho. O que você tem notado desde seu dia-a-dia?