Buscas pelo “similar” ou “Mais Barato”

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Fiquei com vontade de comentar com vocês sobre um estudo do Google que fala sobre o aumento das buscas por produtos e serviços por similaridade (cresceu 60% nos últimos 2 anos). Seria assim, tenho um grande desejo, aspiração de consumo X, mas sei que posso achar algo similar com preço mais acessível; então na minha busca coloco “produto X similar à marca tal ou parecido com algo”. Essa marca tal, ou tipo de produto, seria o objeto de desejo, a referência que tenho; minha busca é por algo parecido com ele.

Também tem a busca por menores preços: “pacote de turismo até R$ 2 mil”; “hotéis perto de mim até US$ 100”, dá pra ver que pode ser uma oportunidade para entendermos ainda mais nosso negócio, nossos concorrentes e entender o comportamento dos consumidores nesse cenário. Ajuda muito no trabalho de SEO. As sugestões do Google são 3:

  1. Avalie as aspirações, desejos que o público tem sobre seu produto e mostre seus diferenciais;
  2. Permita comparação de preços entre produtos de forma a beneficiar o seu produto;
  3. Otimize seu conteúdo e apareça quando as pessoas buscam por “similar”, “parecido”.

No turismo essa tendência faz muito sentido, primeiro porque temos sempre que entender os desejos do consumidor e mostrar que podemos atendê-los; segundo porque é preciso conhecer e acompanhar competidores para avaliar sempre o posicionamento e lugar que o destino está adotando; e por último, conteúdo em turismo é tudo, e não é tão difícil se posicionar para atender às pessoas que buscam por produtos similares ou chegar mais perto do concorrente nas buscas.

Já existem ferramentas de publicidade em turismo que funcionam assim, como na Amadeus, você define seus concorrentes, e quando eles são pesquisados na mesma hora aparece seu destino como opção. Outras ferramentas são bastante eficazes, como no site Para Onde Viajar, você coloca o orçamento disponível, tempo de viagem e origem e são apresentadas diversas opções dentro de seu orçamento.

Fiz 2 pesquisas rápidas, “destino similar/ parecido a Porto de Galinhas”, e aparecem opções como Fortaleza, Maragogi e Jericoacoara; ” destinos até 2 mil reais”, e aparecem diversas opções com todo tipo de preço, muitas dicas e opções. Adorei a dica, e você? Com quem se parece? Quem é seu concorrente? Já fez esse teste? Manda aqui para gente.

5 motivos que mostram o retrocesso da nova marca brasil

Quero aqui compartilhar alguns fatos e minha opinião acerca de polêmica da nova marca de promoção internacional do Brasil, merece atenção e discussão séria do setor de turismo. Não se trata de uma questão de gosto sobre a marca, mas do posicionamento do Brasil no mundo. A marca é do Brasil, do turismo, não é de governo.

O que você acha ?

  1. Apesar de “S” ou “Z” não ser a questão central, a língua representa nossa cultura, nossa forma de expressão, devemos portanto falar do BRASIL. Nos motores de busca e ferramentas de internet aí sim se usam palavras-chave usando o “Z”. (A Espanha usa em sua marca que tem 36 anos o nome em espanhol “ESPAÑA”, mais sobre aqui);
  2. Desde que a Marca Brasil foi criada, o governo federal (o Estado brasileiro) e outros governos estaduais e municipais investiram 15 anos de recursos públicos na consolidação, reconhecimento e posicionamento da marca atual. Jogar isso fora significa gastar muito mais para refazer tudo de novo nas ações de marketing, eventos, publicidade, internet, materiais, folders, etc. Significa pedir a milhares de parceiros internacionais e nacionais para tirar essa marca e colocar outra;
  3. A palavra “US” também é usada como sigla dos Estados Unidos, isso causa confusão deleitura, pode ser lido como “Brasil, visite e ame os United States/ US. Mas aqui tem uma grande inconsistência, uma marca turística é a identidade turística do país, é composta por um logotipo e uma mensagem permanente, essa mensagem (curta), deve sintetizar todos os atributos do país, atua como um qualificador da marca. Nessa marca, não há mensagem permanente, há um slogan de campanha publicitária; e é exatamente isso que diferencia marcas de longa vida daquelas com mensagens publicitárias, que são trocadas anualmente;
  4. E ainda, um tema muito sério. LOVE significa amor mas também pode ter conotação sexual. Foram décadas para tirar da imagem de nosso país que esteve já vinculada ao terrível chamado “turismo sexual”;
  5. Uma logo não significada nada em termos de posicionamento de mercado. Para atrair turistas precisamos mostrar o que temos de diferencial, de brasileiro; a partir daí, ter uma estratégia para promover esses produtos em determinados mercados. Com ferramentas diversas, usamos os recursos financeiros disponíveis para falar de nosso país e argumentar com as pessoas por que elas deveriam nos visitar. Todo esse processo, saber aonde estamos e aonde queremos chegar exige uma estratégia, persistência, continuidade e inteligência comercial. Os resultados? Aparecem no médio e longo prazos. Vamos começar tudo de novo? Será que à partir de agora cada novo governo vai voltar a querer fazer sua marca quando chegar ?

6 cidades com aumento de voos internacionais em 2019

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De janeiro a julho de 2019 Fortaleza aumenta 60% de sua oferta de assentos em voos internacionais diretos (comparado com o mesmo período de 2018).

A EMBRATUR divulgou dados que mostram o comportamento da oferta de assentos e voos internacionais diretos para as 24 cidades brasileiras entre janeiro e julho de 2019, comparando com o mesmo período de 2018. Somente 6 cidades aumentaram sua capacidade, prefiro falar em número de assentos do que de voos, pois mostram melhor o tamanho da capacidade de transporte. No ranking das cidades brasileiras se destaca Fortaleza, que aumentou 60,1% sua oferta de assentos; depois os maiores aumentos foram: Brasília (28%), Campinas (25,44%), Curitiba (20,92%), Salvador (4,8%) e Florianópolis (3,16%). Todas as demais cidades que recebem voos internacionais diretos tiveram queda na oferta.

RANKINGCIDADE%
1Fortaleza60
2Brasília28
3Campinas25
4Curitiba21
5Salvador 5
6Florianópolis 3

Os destinos que mais perderam oferta internacional direta de assentos foram: Porto Seguro (-69%), Navegantes (-62,66%), Foz do Iguaçu (-50,92%), Belo Horizonte (-40,28%) e João Pessoa (-39%). A Região Norte foi a que mais perdeu oferta, de -16,94%.

Vale destacar que ainda há grande discrepância entre as cidades brasileiras em relação ao volume de voos internacionais diretos que recebem. Para se ter uma ideia, São Paulo Guarulhos concentra 63,55% da capacidade de assentos, depois vem o Rio com 17%; seguido de Campinas (3,82%); Brasília e Recife com 2,49% cada; e Fortaleza com 2,2% da capacidade.

Agendas e ações que foram feitas por Pernambuco, Ceará e Bahia na redução de custos para as empresa aéreas nacionais são exemplos positivos que reforçam a malha nacional e internacional; enquanto alguns destinos não entendem que seus custos são altos e pouco competitivos. Finalmente, também é preciso promoção e marketing permanentes para manter esses voos; além da melhoria da qualidade dos produtos e experiências que estamos oferecendo ao mercado internacional.

Oferta de voos internacionais diretos em julho 2019, por região brasileira
Fonte: EMBRATUR

Brasil: quem é e de onde vem o estrangeiro?

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Foram divulgados pelo MTUR os resultados da Demanda Turística Internacional no Brasil, em 2018. A pesquisa revela dados a respeito do perfil, hábitos e percepção dos visitantes estrangeiros no território brasileiro.

O Brasil registrou 6.621.376 chegadas internacionais, um crescimento de 0,5% em relação ao ano anterior. E de acordo com os dados coletados, a América do Sul continua sendo o continente com o maior receptivo internacional no país (61,2%), sendo a Argentina o principal país emissor. No entanto, é importante dizer que, apesar da Argentina permanecer em primeiro lugar, houve um decréscimo de 4,7% em seu percentual em relação ao ano anterior, o que gerou a interrupção de uma série de 10 anos de crescimento. Na década de 2000, a Argentina representava 20% do fluxo total de turistas no Brasil e chegou a quase 38,9% em 2017, caindo para 37,7% em 2018; por outro lado, os Estados Unidos (8,1%) e o Chile (5,9%), que, entre os países emissores, ocupam o segundo e o terceiro lugar, respectivamente, tiveram um crescimento na faixa dos 13%.

Analisando as motivações das viagens, observou-se que o lazer responde pela maior parte das visitas (58,8%), em segundo lugar está visitas a amigos e parentes (24,1%) e, em terceiro, negócios, eventos e convenções (13,5%). Como esperado, dentro da motivação “lazer”, sol e praia continua predominando (71,7%), seguido de natureza, ecoturismo ou aventura, que vem ganhando espaço e atingiu a marca de 16,3% das viagens desse segmento. Entre as cidades mais visitadas, São Paulo (28,3%) e Rio de Janeiro (18,4%) mantiveram as duas primeiras posições, porém com motivações diferentes: São Paulo se destaca como o principal destino para negócios, eventos e convenções, e o Rio de Janeiro como o principal destino para lazer.

Por fim, em relação aos gastos dos turistas no país, observou-se uma leve queda do gasto médio per capita dia no Brasil de 2017 (US$ 55,78) para 2018 (US$53,96); sendo as maiores geradoras de receitas per capita/dia as viagens motivadas por negócios, eventos e convenções, um padrão que se manteve ao longo dos últimos anos. O que se manteve também foi o paradigma dos mercados mais distantes serem os que geram maiores gastos e permanência, por isso, os turistas de outros continentes se destacaram nos dois quesitos. Os turistas provenientes dos países europeus e dos Estados Unidos gastam, per capita, aproximadamente o dobro que os provenientes da América do Sul. Total dos gastos dos estrangeiros no Brasil em 2018 foi de USD 5.917 milhões, um aumento de 1,86% em relação a 2017; falamos mais sobre isso aqui.

AGORA SIM: ISSO É MEDIDA DE SUCESSO NO TURISMO GLOBAL

Os gastos doa turistas estrangeiros no mundo aumentou 4% em 2018, somente nas Américas os gastos não aumentaram (apesar do número de pessoas ter crescido). Segundo um novo relatório da Organização Mundial do Turismo (OMT), em 2018, as exportações (gastos dos turistas em viagens internacionais) geradas pelo turismo internacional alcançaram US$1,7 trilhão, um aumento de 4% em relação a 2017. Esse número equivale a 29% das exportações globais de serviços e 7% das exportações totais de bens e serviços; fazendo com que o turismo internacional se consolide como um dos cinco primeiros setores a contribuir com o PIB global.

Dentro do valor atingido pelas exportações totais do turismo internacional, no ano passado, estão os gastos dos turistas nos destinos, que chegaram a US$ 1,448 bilhão, e os serviços de transporte internacional de passageiros, com US$ 256 bilhões. Ainda vale ressaltar que esse valor alcançado pelas receitas do turismo internacional representou um aumento de cerca de US$ 100 bilhões em relação ao ano anterior.

Na análise por regiões, o relatório aponta que a Ásia e o Pacífico lideraram com um crescimento de 7% nas receitas do turismo internacional, seguido pela Europa, com 5% e Américas 0%. Já o Nordeste da Ásia e a Europa Central e Oriental (ambos + 9%) foram as sub-regiões com o maior crescimento. No Brasil, em 2018, os gastos dos estrangeiros chegaram a US$  5.917 milhões, um aumento de 1,86% em relação a 2017 (Mtur, 2019). Nossa balança comercial foi negativa em US$  12.346 milhões.

Entre os maiores “gastadores” estão a França e a Rússia liderando o crescimento, com uma média de 11% cada um, seguidos pela Austrália, que registrou um aumento de 10% e ocupa a 6ª posição entre os 10 principais mercados de origem do mundo. A China, país em que os habitantes mais gastam em turismo mundial chegou a US$ 277 bilhões em gastos internacionais, enquanto os Estados Unidos, o segundo maior, US$ 144 bilhões.

No mercado internacional, de cada 5 turistas, 4 viajaram dentro de sua própria região; entendo que o foco do Brasil no mercado internacional deve combinar o aumento do volume e, principalmente, do gasto na América do Sul. Quanto aos demais países, ficar de olho nos que mais gastam e que já vem ao Brasil: EUA, França, Alemanha, Reino Unido, Canadá e Itália, por exemplo. Esse relatório mostra a importância de ter uma melhor e mais diversificada oferta de produtos e serviços no Brasil, fazer os potenciais visitantes saber o que pode ser feito por aqui, e buscar aumentar a permanência e o gasto médio dos estrangeiros. Como comentei aqui, volume não é medida de sucesso na indústria de viagens e turismo.

Não queremos mais visitantes

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O overtourism e a sustentabilidade são temas que têm sido frequentemente discutidos por aqui, e isso não é por acaso. A superlotação em alguns destinos turísticos está degradando territórios e, consequentemente, minando a potencialidade turística desses locais; colocando esses assuntos nas pautas globais do turismo. Visitantes inconscientes da necessidade de preservação do ambiente, e do respeito à cultura local, fazem com que esses destinos percam suas fontes de negócios. É um problema de quantidade e, também, comportamento.

Isso vem acontecendo com Ibiza. De acordo com o observatório de sustentabilidade da ilha, o overtourism e a deterioração ambiental colocam em risco o potencial turístico do local, que sofre com esses problemas desde 2016. E as consequências do cenário de deterioramento se estendem também para o ambiente marinho. O relatório diz que nove das 48 áreas balneares da amostra estudada, antes classificadas como excelentes, hoje são classificadas como boas, suficientes e, até mesmo, insuficientes; revelando um prejuízo na qualidade das águas balneares ocorrido durante a última década.

Acredita-se que esses problemas são consequências do overtourism e, segundo o observatório, o crescimento no número de visitantes pode estar relacionado à ampliação na oferta de hospedagem, que triplicou nos últimos 6 anos e aumentou em 15% a superfície urbanizada do lugar. Um quadro que não poderá se sustentar assim por muito tempo. A ilha agora diz que quer ter menos visitantes, como já fez Palau e muitos outros lugares.

Na verdade considero um erro medir o sucesso de um destino turístico pelo número de pessoas que o visitam. A melhor conta seria: volume + permanência + gasto; isso é impacto econômico. Mas não para por aí, cada lugar, de acordo com seus produtos e perfis, tem realmente uma capacidade de carga e precisa conscientizar seus visitantes sobre o respeito ao local. O tema já é um grande problema mundial, que pode tomar dimensões insustentáveis se os destinos não trabalharem com planejamento, conscientização e preservação de seus ativos. De que serve um destino de praia se ela for poluída? O que fazer num destino de pesca sem peixes? Como visitar um museu se a quantidade de pessoas impedem a observação das obras? O que será de um destino que acaba com seus ativos e inviabiliza a visitação?

Foco na receptividade

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Conhecido como um povo acolhedor, os brasileiros saem na vantagem quando o assunto é hospitalidade. O Brasil, com sua gente cordial, tem nessa qualidade um dos principais atrativos para estrangeiros visitarem o país. Não é de estranhar, portanto, que o viajante brasileiro também dê importância a essa característica na hora de selecionar seu próximo destino.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Booking.com, 78% dos brasileiros acreditam que proporcionar um ambiente confortável é sinônimo de hospitalidade e 79% afirmam que é importante se sentirem em casa quando estão em uma viagem. No turismo, a hospitalidade pode contribuir no aumento da competitividade entre os destinos. Por isso, lugares que proporcionam uma boa receptividade certamente farão a experiência do turista ser mais calorosa e harmônica.

Nesta mesma pesquisa, depois da análise de 177 milhões de comentários de hóspedes, considerando as principais cidades em que os anfitriões tiveram as melhores pontuações, foram listadas as 10 cidades mais hospitaleiras do Brasil. O estado de São Paulo ficou em primeiro lugar, com três destinos na lista. Em seguida vem Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com duas cidades cada.

            As cidades mais hospitaleiras do Brasil são:

1 – Monte Verde, Minas Gerais
2 – Penha, Santa Catarina
3 – Gramado, Rio Grande do Sul
4 – Canela, Rio Grande do Sul
5 – Ilhabela, São Paulo
6 – Campos do Jordão, São Paulo
7 – Arraial do Cabo, Rio de Janeiro
8 – Ubatuba, São Paulo
9 – Bombinhas, Santa Catarina
10 – Jericoacoara, Ceará

Boa parte desses locais recebe um número considerável de turistas todos os anos. E o fator acolhimento não deve ser uma mera coincidência. Atender as expectativas dos viajantes não só através do que é fornecido mas também de como é fornecido é um diferencial com alto poder de atratividade. Além disso, o envolvimento da população nas ações do turismo trará mais comprometimento e envolvimento.