TURISMO DO BRASIL É PREJUDICADO POR MUDANÇAS CLIMÁTICAS


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A Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, realizou um estudo que revelou que as mudanças de temperatura, resultantes do aquecimento global, teriam reduzido a riqueza per capita em 17% a 30% nos países mais pobres do mundo, entre 1961 e 2010. Mesmo com a diminuição da desigualdade econômica entre os países ao longo das últimas décadas, a pesquisa afirma que essa diminuição teria ocorrido de maneira mais rápida caso essas mudanças não tivessem acontecido. E entre os cinco países mais prejudicados está o Brasil (atrás de Sudão, Índia, Nigéria e Indonésia). O estudo afirma que o PIB per capta brasileiro é 25% inferior ao que poderia ser se as mudanças climáticas não tivessem afetado a produção econômica.

De acordo com Burke, um dos cientistas envolvidos na pesquisa, os dados históricos revelam que as culturas são mais produtivas quando as temperaturas não são muito quentes nem muito frias. Logo, nos países mais quentes essas mudanças climáticas fazem com que as temperaturas fiquem distantes do ideal para o crescimento econômico. Em um cenário como esse, diversos setores são afetados, incluindo o turismo.

Ainda deve-se observar que muito tem sido falado sobre as políticas climáticas e as negociações entre os países acerca da responsabilidade por conter o aquecimento global. Nesse contexto parece que a economia pode ser, ao invés de inimiga, a solução para o desenvolvimento econômico; bastam políticas públicas e privadas efetivas. Qual melhor aliado para isso do que o turismo? Preserva natureza e cultura como seu principal ativo, gera empregos, traz divisas e incentiva investimentos. Por isso o turismo importa tanto para a economia brasileira.

Incêndio no Museu Nacional: como a tragédia impacta o turismo

 

 

 

 

 

Com 200 anos de existência, o Museu Nacional foi atingido por um incêndio de grandes proporções, na noite de ontem (2), no Rio de Janeiro. Por conter uma grande quantidade de material inflamável e boa parte da estrutura do prédio ser de madeira, o fogo se alastrou rapidamente. Com o incêndio a maior parte de seu acervo, que era composto por 20 milhões de itens, foi perdida. Causando um prejuízo imensurável na memória nacional.

Há alguns anos a instituição vinha sofrendo com a falta de recursos e apresentava sinais de má conservação. O museu operava com uma verba bastante reduzida e diversos danos em sua estrutura. Entre os itens destruídos pelo fogo estava o crânio de Luzia, o fóssil mais antigo das Américas.

 

O Museu e o Turismo

A instituição museológica é um local de preservação histórica e cultural, e exatamente por esse motivo ela é fomentadora do interesse turístico. Como reflexo da singularidade de um lugar, a manutenção de um museu torna-se algo de extrema importância. Garantindo a conservação da história local e, nos casos como os do Museu Nacional, da identidade de um país. Fazer-se valer desse recurso de extremo valor é algo que países da Europa, por exemplo, sabem muito bem. E com os quais nós precisamos aprender.

Museus são centros de convergência de turistas. Eles impulsionam estratégias no setor do turismo, sendo enxergados e utilizados como instrumentos fundamentais desse processo em diversos lugares do mundo. Nesse caso, o exercício de reconhecimento entre as partes se faz bastante necessário. Serve como ajuda mútua. O turismo incentiva a conservação dos museus e os museus impulsionam o turismo cultural. O acontecimento de ontem gerou um déficit imensurável no patrimônio nacional, afetando, por conseqüência, a área turística. Resta agora um trabalho conjunto a fim de recuperar o que pode ser recuperado e manter o que deve ser mantido.

Inspiração de 2016

Na agenda da cultura e do turismo brasileiro estão os grandes eventos esportivos. A integração do esporte com a cultura e o turismo irá colaborar para a geração de projetos comuns e para a internacionalização da cultura brasileira.

Em especial, a realização dos Jogos Rio 2016 traz em seu programa oficial as Olimpíadas Culturais: período que se inicia em 2013 e vai até 2016. Para termos uma idéia, o Festival Londres 2012 reuniu quase 20 milhões de pessoas em 12 semanas de eventos com cerca de 25 mil artistas se apresentando.

Eventos como o Revezamento da Tocha e a Cerimônia de Abertura trazem imensa visibilidade e um impacto de imagem imensuráveis.

Essa semana no Rio de Janeiro, damos seguimento a um projeto de intercâmbio com Londres. O Fórum Cultural Olímpico trará as experiências de Londres com a participação de líderes culturais e produtores ingleses, assim como de lideranças brasileiras. Queremos nos inspirar no espírito de transformação que lidera o espírito olímpico internacional.

Quer saber mais ? Veja: http://transform.britishcouncil.org.br/pt-br/content/forum-cultural-olimpico-e-paraolimpico

 

 

E a competitividade ?

Mais uma vez ela está ligada à infraestrutura e serviços de qualidade. Temos que melhorar e perseguir melhores condições de viagens no Brasil. Fui buscar no “The Travel & Tourism Competitiveness Report 2013 do WEF – World Economic Forum os principais pilares dos países que estão no topo da lista de competividade.

A Alemanha está em segundo lugar, tem abundante lista de recursos culturais ligada ao sítios históricos Patrimônio Mundial e recebe grande número de feiras e eventos anualmente. Os preços de hotéis são muito competitvos. Não precisa lembrar que recebeu a Copa do Mundo em 2006.

A Áustria que está em terceiro lugar tem melhorado seu posicionamento devido à melhorias na infraestrutura turística, por sua atitude de grande hospitalidade em relação aos visitantes e, o mais importante segundo o relatório, por sua rica base de recursos culturais.

A Espanha lidera o pilar de recursos culturais porque tem grande número de sítios Patrimônio Mundial, recursos culturais diversos e atrai grande número de feiras e exposições. O país também tem numerosos espaços esportivos em arenas e estádios.

E para citar mais um país, busquei dados do Reino Unido. Seu posicionamento está baseado nos excelentes recursos culturais, nos numerosos sítios históricos e também pela realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2012, além do Jubileu de Diamante da Rainha Elisabeth I.

 

Intangível ?

Quanto temos aproveitado de nosso patrimônio natural e cultural para diversificar a oferta de produtos e serviços no turismo ? Muitas vezes fica claro que o diferencial competitivo de uma país, além da infraestrutura ou da qualidade dos serviços, está nos atributos que o diferenciam. Natureza e cultura do Brasil, são as motivações de viagens a lazer ou um complemento importante aos negócios e eventos.

Para compartilhar algumas impressões sobre a cultura, já que sol e praia ou mesmo ecoturismo têm se tornado grandes atrativos do Brasil, faço alguns comentários.

O patrimônio nacional tangível, ou seja, prédios, sítios históricos, artesanato ou mesmo a gastronomia constituiem uma parte importante e mais visível daquilo que podemos oferecer como experiência aos visitantes. Lembramos das cidades mineiras, de Salvador, das Missões no Rio Grande do Sul. Lugares como Bonito ou a Amazônia se destacam na experiência sustentável e de aventura. Temos um artesanato regional cheio de surpresas e que atrai os visitantes; e uma gastronomia cada vez mais elaborada, saborosa e que começa a se tornar conhecida pela criatividade e utilização de produtos locais.

O que me parece cada vez mais evidente e necessário a conhecer e utilizar de forma objetiva é o patrimônio intagível. Estou falando daquilo que constitui a alma do Brasil. Valores, estilo de vida, tradições, pessoas observando pessoas no seu dia a dia. Emoções e jeito de ser e viver. Os eventos regionais, festas religiosas e atividades cotidianas que compõem nosso “viver” e proporcionam uma compreensão de elementos intangíveis da vida das pessoas e de nossa cultura.

Qual é o atributo intangível de destaque em seu destino ou produto ?