3 rotas para o turismo sobre coronavirus

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O recente período quem que vivemos do surto de coronavirus na China e no mundo ainda nos traz muitas incertezas, e os impactos negativos na indústria do turismo já são imensos, como tratamos aqui nesse post. Mas eu considero importante engajar nossa indústria como parte da administração e da solução para o grande problema, alertando sobre danos maiores e buscando alternativas para ajudar hoje e amanhã nosso setor a superar tal episódio. Compartilho então 3 temas para nossa reflexão:

1 – Informação clara e atualizada: Para que não haja uma corrida sem medidas de cancelamentos de viagens, maiores dados em muitos países, é essencial que as entidades de turismo mundiais e locais, assim como lideranças e especialistas em turismo repassem informações claras e atualizadas sobre a disseminação da doença, formas de prevenção, recomendações básicas de higiene e dados precisos sobre o desenvolvimento da doença e seus desdobramentos. Sugerir que as pessoas leiam e divulguem dados oficiais e fontes sérias, nunca boatos e fontes desconhecidas, evita a propagação de mentiras e a criação de pânico desnecessário; além de preconceito ou visões distorcidas sobre os turistas chineses.

2 – Administração de crises: Essa não é a primeira nem a última crise que o turismo enfrenta em nível global ou até em pequenos destinos, por isso, é fundamental que os governos e entidades estejam preparados com ferramentas de relações públicas e protocolos a seguir para momentos de crise. Sei que isso é muito raro no turismo brasileiro, mas como há uma tendência de períodos turbulentos pela frente, principalmente ligados ao aquecimento global ou crises sociais (como estamos enfrentando em diversos países na América do Sul e que já diminui em 3% a chegada de estrangeiros) precisamos ampliar nosso entendimento diário sobre as consequências de temas macro em nossa indústria, entender como funcionam e impactam e, sobretudo, saber tratar de forma profissional, imediata e segura. Nossas equipes de imprensa e relações públicas precisam estar sempre preparadas e agir de forma rápida diante dos cenários adversos.

3 – Resiliência: “A resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, algum tipo de evento traumático, entre outros. Sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. Nas organizações, a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade” (Wikipedia). Nossa indústria é resiliente, resistente à crises e se recupera rápido em períodos de turbulência; nesse sentido, ter sempre em mente a autoconfiança e o foco voltado para a administração das adversidades e de sua solução é o caminho mais adequado.

Vamos acompanhar e compartilhar o assunto, buscando ter uma dimensão clara de sua repercussão, conhecendo seus reais impactos e trabalhando para que tudo possa voltar à normalidade o mais breve possível. Segundo estudo do WTTC, as crises provocadas por problemas sanitários no mundo e estudadas pelo setor de turismo, tiveram, em média, 19,4 meses para se recuperar, podendo esse período variar entre 10 a 34,9 meses. Seguimos de olho.

Coronavirus já afeta turismo mundial

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Mesmo diante das incertezas sobre a dimensão global do coronavirus, muitos destinos turísticos já perdem bilhões com a queda das viagens dos chineses pelo mundo e a ida de turistas àquele país. A China é o 4o país no mundo que mais recebe turistas (62,9 milhões em 2018); o país ainda é o 10o na entrada de divisas pelos gastos dos estrangeiros em seu território (US$ 40 bilhões em 2018), dados da OMT. O país já registra o cancelamento de voos de praticamente todas as empresas aéreas (40 empresas até 31 janeiro) e de cruzeiros; fechamento de atrações turísticas como a Disney; e enfrenta emissões de alertas de diversos países e proibição de empresas para que as pessoas não façam viagens ao país.

Já as viagens dos chineses ao exterior têm crescido dois dígitos, cerca de 15%, somando mais de 159 milhões de pessoas em 2019 (Global Data, 2019); é o maior emissor mundial de turistas, 12,2% do share mundial de viagens. Os chineses gastam US$ 276 bilhões em suas viagens ao exterior. Os destinos de quase 48% dos chineses são os países da região como Hong Kong, Macau e Taiwan; depois a Europa (a França esta entre os 10 destinos que mais recebem chineses), EUA, Austrália e Nova Zelândia aparecem como destinos preferidos. A cidade de Wuhan está entre as 10 que mais registram partidas de chineses ao exterior. Destaque nesse cenário também está o Brasil, com crescimento de 129% em 2018, assim como Argentina e México em nosso continente. Imagine o impacto que haverá com a diminuição dessa quantidade de viagens em países que recebem turistas chineses. Os gastos dos chineses no exterior ultrapassam os US$ 120 bilhões

O turismo mundial cresceu 4% em 2019, e as projeções da OMT dizem que em 2020 esse crescimento deve ficar entre 3% a 4% em relação ao ano passado. No entanto, mesmo antes da chegada do coronavirus algumas questões globais já eram citadas como prováveis problemas enfrentados pelo setor: guerra comercial EUA e China; BREXIT; tensões sociais e econômicas da América Latina, Ásia e Oriente Médio; dentre outros. Agora precisamos adicionar a essa lista os efeitos das chegadas e saídas da China depois do advento do novo vírus, além dos impactos no próprio turismo global enquanto não se tem ideia da dimensão do problema. Certamente existem muitos cancelamentos nesse primeiro momento para a China, mas também uma sensação de temor das pessoas em viajar internacionalmente sem conhecer as consequências da contaminação da doença em qualquer país do planeta.

Lembrando, finalmente, que os impactos vão muito além das viagens a lazer, atingem frontalmente as viagens a negócios, a realização de eventos e uma retração econômica de dimensões globais que ainda não se pode avaliar (em valores e em tempo de duração). Nesse momento, para aqueles que trabalham diretamente com o turismo, cabe acompanhar os fatos, orientar e informar as pessoas e trazer o melhor subsídio possível para que nossa indústria tenha minimizado o impacto negativo e, claro, que logo se encontre vacina ou cura para a doença que já afeta as pessoas de forma devastadora. Seguimos acompanhando, sempre na torcida para que o problema seja logo solucionado e possamos buscar a normalidade dessa indústria tão importante para a economia mundial. O turismo mundial vai enfrentar o desafio, certamente ! RESILIÊNCIA.

Década de receitas internacionais dormente

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O Brasil não cresceu nada nas receitas internacionais dos turistas que nos visitaram na última década, isso é pior do que crescer tão pouco o número de visitantes. As únicas pequenas exceções são 2014 e 2016 por causa da Copa da FIFA e do Jogos Olímpicos (mesmo assim o crescimento foi muito pequeno diante da oportunidade de sediar tais acontecimentos globais). Nós já falamos em mais detalhes sobre esse tema nesses estudos que fizemos sobre o histórico da entrada de receitas e sobre os números de entrada de turistas no Brasil.

A tabela abaixo mostra a “evolução” das receitas desde 2010, o que demonstra a fragilidade do turismo receptivo internacional e, possivelmente, a falta de competitividade em termos de produtos turísticos, da escassa oferta de produtos em nosso país. Não sabemos orientar o turista para que ele gaste mais em nossos destinos, nos contentamos em trazê-lo e pronto! Assim, os resultados da atividade turística para atrair mais divisas fica tímido diante do imenso potencial.

ANOReceitas em milhões de US$
2010    5.261 
2011    6.095 
2012    6.378 
2013    6.474 
2014    6.843 
2015    5.844 
2016    6.024 
2017    5.809 
2018    5.921 
2019    5.913 

Para o fechamento de 2019, os dados divulgados pelo MTur mostram uma queda de 0,13% no ano comparado com 2018. Os únicos meses em que os turistas gastaram mais em 2019 foram março (+4,26%), julho (+43,42%) e dezembro (+4,32%).

Diante desse cenário me pergunto? Por que insistimos tanto em dizer que temos poucos turistas (6.6 milhões) e não nos preocupamos com o efeito econômico, social e ambiental de sua visita? Pra mim um dos melhores exemplos de sucesso é a Austrália, ela é o 41o país no ranking de volume de chegadas, com 9,2 milhões de turistas, pouco né? Mas é o 7o. no mundo em receitas, com US$ 45 bilhões! Veja no quadro abaixo, da OMT, o ranking de países que mais recebem visitantes e daqueles que mais ganham com as receitas das viagens aos seus países.

Fonte: OMT, International Tourism Highlights 2019.

Com os dados divulgados hoje pelo MTur do fechamento de 2019 (-,13% no ano) e o estudo feito por nós sobre a década para as receitas dessa atividade de receptivo internacional fica o desafio aos gestores, entidades e empresários: ter mais produtos, oferecer melhores experiências, mostrar nosso diferencial e, fazer promoção e marketing de forma profissional, direcionada e com metas claras de aumento da estadia e dos gastos dos estrangeiros. O que você acha que poderíamos fazer para que as divisas com os gastos dos turistas em nosso país aumentem ?

Uma curiosidade, os gastos dos brasileiros no exterior caíram 3,68%, os únicos meses positivos para as despesas no exterior foram junho (+2,44%), julho (9,64%), setembro (11,83%) e dezembro (6,71%).

2,8% dos espanhóis buscam pelo Brasil

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Um levantamento inédito da empresa Fowardkeys sobre as viagens intercontinentais do espanhóis mostra seu comportamento em reservas antecipadas e buscas em 2019 e para o primeiro semestre de 2020.

Segundo a empresa, em 2019 o turismo emissivo espanhol cresceu somente 1,3%, e para o primeiro semestre desse ano as reservas feitas de forma antecipada estão 1,2% menores do que no mesmo período do ano passado. As Américas foram o continente preferido das viagens dos espanhóis em 2019, com 53% do total de reservas, mas o crescimento em relação a 2018 foi somente de 0,9%.

Já os dados de reservas antecipadas para o primeiro semestre de 2020 estão 5,7% menores do que no mesmo período de 2019, justificados pelos problemas por que passam diversos países sulamericanos como Argentina, Bolívia, Chile e Equador. Esse indicador é ruim para todo o continente, já que no imaginário das pessoas a situação em toda a Latino-América pode ser similar, então as reservas já estão sendo feitas para outros destinos.

Quando se trata de buscas, nesse mesmo primeiro semestre de 2020, em relação a 2019, os EUA têm 26,1% do total, a Argentina 4,3, o Brasil 2,8% e e a Colômbia 2,7% do total de buscas. Ou seja, a recuperação econômica e os ajustes dos problemas sociais na América do Sul são condições fundamentais para aumentar o número de visitantes espanhóis e certamente de outros ligares do mundo. O investimento na imagem do Brasil e em sua promoção no mercado espanhol são condição essencial para aumentar o fluxo e o gasto destes em nosso país e aproveitar as oportunidades do aumento da oferta de voos diretos ao Brasil.

Férias e feriados 2020: já sugeriu algo a seu cliente?

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Ao início de cada ano muitas pessoas costumam fazer novos planos pessoais, estabelecer metas e organizar quais serão suas prioridades. Eu então gostaria de fazer uma sugestão àqueles que vendem viagens: lembre e estimule seu cliente a colocar suas férias e outras escapadas mais rápidas nesse planejamento pessoal. Você pode enviar uma newsletter, usar suas redes sociais ou seu website, destaque sempre que as viagens são parte essencial de nossa qualidade de vida e podem fortalecer laços e melhorar o desempenho profissional. Bem, são infinitos os benefícios de uma viagem.

Aqui no Brasil ainda temos uma oportunidade de sugerir os feriados prolongados em nosso portfólio de produtos; não só dando ideia de onde as pessoas podem ir, mas também sugerindo que tipo de experiência elas podem ter de acordo com a data comemorativa no feriado, sua localização geográfica ou preferências de atividades durante os momentos de lazer. Como estamos em ano bissexto, de 366 dias, teremos 9 (nove) feriados prolongados, o dobro do ano passado; e o melhor caem em sextas, segundas, terças e quintas-feiras, confira abaixo:

Lista de feriados prolongados em 2020

25 de fevereiro (terça): Carnaval (ponto facultativo) 

10 de abril (sexta): Paixão de Cristo 

21 de abril (terça): Tiradentes 

1º de maio (sexta): Dia do Trabalhador 

11 de junho (quinta): Corpus Christi (ponto facultativo) 

7 de setembro (segunda): Dia da Independência 

12 de outubro (segunda): Dia de Nossa Senhora Aparecida 

2 de novembro (segunda): Finados 

25 de dezembro (sexta): Natal

10 de abril (sexta): Paixão de Cristo 

21 de abril (terça): Tiradentes 

1º de maio (sexta): Dia do Trabalhador 

11 de junho (quinta): Corpus Christi (ponto facultativo) 

7 de setembro (segunda): Dia da Independência 

12 de outubro (segunda): Dia de Nossa Senhora Aparecida 

2 de novembro (segunda): Finados 

25 de dezembro (sexta): Natal

Ainda, ao examinar o calendário, vi que as datas comemorativas são muitas, veja aqui, e você pode trabalhar com elas das mais diversas formas, sugerindo viagens nesses momentos especiais. Bem, as opções são muitas, agora é mão na massa e um planejamento que possa lembrar e convidar seus clientes a aproveitar esses períodos para viajar mais e colocar suas férias anuais no planejamento de 2020! Aliás. você já planejou as suas férias desse ano ?

5 responsabilidades de quem trabalha no turismo

Nunca é demais lembrar que o turismo responde por 10% do PIB mundial e tem uma contribuição total no PIB do Brasil de 8%. São quase 3 milhões de empregos diretos e 22 bilhões em gastos de turistas nacionais e internacionais por ano em nosso país (Fonte: WTTC, 2019). No dia mundial do turismo eu diria que empresários e governos têm suas responsabilidades em relação à indústria de viagens e turismo:

  • Trazer a inovação para políticas públicas e privadas para melhorar a experiência do turista e acelerar a competitividade do Brasil no cenário global
  • Ter espaços turísticos que permitam o conhecimento e a experiência genuína do visitante, mostrando e estimulando práticas sustentáveis em todos os níveis da viagem; fazendo interação com as comunidades locais
  • Concretizar parcerias público privadas para completar a atuação de toda a cadeia do turismo no desenvolvimento sustentável e no sucesso do turismo para destinos, empresas e comunidades locais
  • Garantir que o desenvolvimento do turismo beneficie a todos direta e indiretamente envolvidos, sobretudo na geração de emprego e renda, na captação de investimentos, na atração de divisas e na satisfação tanto do turista como do morador local
  • Tratar a indústria de viagens de turismo de forma profissional, planejada, com continuidade e inovação em políticas públicas, usando ferramentas eficazes na atuação de melhoria da oferta turística e nas políticas públicas

Podemos ou não ter mais estrangeiros ? (parte 1)

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Afinal, por que o Brasil não tem um número maior de visitantes estrangeiros? Vamos fazer alguns posts sobre o tema e adoraríamos ter as opiniões dos profissionais de turismo do país. Nossa conversa não tem cor, não tem julgamento, só busca a melhor compreensão.

Particularmente amo esse debate, porque ele parece simples, mas exige análises de diversos ângulos, depende de fatores ligados diretamente ao turismo e de outros sobre os quais não temos qualquer governança. E sua compreensão e solução, acima de tudo, depende da contribuição de diversos profissionais brasileiros que possuem experiência com o mercado internacional. Afinal, qual o objetivo de fazer esse bate papo? Atrair mais estrangeiros, gerar mais negócios para os que trabalham no setor, gerar empregos; fazer o turismo maior aliado na recuperação da economia nacional.

Vamos parar de fazer comparações esdrúxulas ou repetir versões equivocadas sobre o número de turistas que visitam a Torre Eiffel e o Brasil, ou que visitam a Espanha ou França e o Brasil; não dá para comparar, é preciso entender.


Junto com o debate do número de estrangeiros, é primordial fazer o debate sobre seus gastos nas viagens ao Brasil. Já está mais do que batido relembrar que somente o número de pessoas que chegam não pode ser um indicador de sucesso do turismo, somos nós, profissionais da área que precisamos enfocar esses aspectos. Estão espalhados pelo mundo diversos exemplos de lugares que NÃO QUEREM MAIS TURISTAS, ver sobre overtourism aqui. E ainda tem outro aspecto, os órgãos de turismo pelo planeta afora, e as empresas do setor, usam dados do passado (séries históricas) para entender o movimento temporal dos volumes de visitantes; mas o que vale hoje é antecipar a demanda, usar big data para saber sobre o futuro, planejar e manejar fluxos e comportamentos de visitantes. Na verdade, o Brasil praticamente não tem dados de séries históricas passadas sobre turismo, imagina quanto tempo levaremos para pensar e agir direcionados ao futuro.

Bem, mas aqui vai o debate. Quero iniciar com números, falando do volume de chegadas de estrangeiros ao Brasil, para nos próximos posts, falaremos dos principais temas importantes nesse problema que estamos tentando desvendar. Fui atrás dos dados existentes sobre a chegada de estrangeiros ao Brasil, que segundo o Ministério do Turismo iniciaram a ser compilados em 1989. Eis as informações que considero mais relevantes, lembrando que não vale analisar friamente o aumento de um ano para outro, o turismo trabalha com séries de no mínimo 5 e 10 anos. Números isolados podem ser chatos, mas são a base para começarmos nossa conversa; lembrando ainda, existem números e números…

  • em 1989 o Brasil recebeu 1,4 milhão de turistas e um ano depois, 1990, foi 1,91 milhão, um aumento de 22%
  • em 1995 foram quase 2 milhões
  • no ano 2000 recebemos 5,3 milhões de visitantes, aumento de 165% desde que os dados começaram a ser coletados
  • entre 2005 e 2010, ficamos na faixa dos 5,3 e 5,1 milhões a cada ano, depois começamos a aumentar em média 4% ao ano (2011 a 2013)
  • 2015: 6,3 milhões de turistas
  • 2018: 6,6 milhões de visitantes

Veja a tabela abaixo com os anos, volumes e percentuais de aumento ou diminuição. A elaboração é nossa em diversas fontes como MTUR, OMT.

FONTE: Pires Inteligência em Destinos e Eventos, 2018

Se fizermos uma média, desde 1989 até 2018, entre altos e baixos, teremos 16% de crescimento ao ano; no entanto, alguns anos deram saltos de 20%, 22% e até 33%. Outros anos, as quedas foram de 22%, 6% e 1%. A série que analisamos tem curvas ascendentes e descendentes bastante sinuosas, o que terá que nos remeter a uma análise de alguns períodos, como por exemplo: 2006 a Varig deixa de voar, e perdemos milhares de assentos no mercado internacional (-6% de turistas); em 2009 uma grave crise econômica mundial e a H1N1, caímos quase 5%. Em 2014 foi a Copa, crescemos 11%; em 2015 a diminuição de turistas foi quase de 2%. Em 2016 foram os Jogos Olímpicos, crescemos 3,8%.

Conclusão: entre 1989 e 2018 o volume de visitantes cresceu 372%, e entre 2010 e 2018 cresceu 28%. Nos últimos 4 anos crescemos 5%. Sei que são muitos dados, mas isso mostra os altos e baixos de fatores internos e externos que influenciam diretamente nos resultados do turismo do Brasil e de todos os países do mundo.

Para finalizar essa primeira compilação de dados, fizemos uma comparação do crescimento do turismo no mundo, na América do Sul e nos países emergentes no período entre 2010 e 2018. Em alguns anos, o Brasil cresceu muito mais do que a média mundial (2010, 2011, 2012, 2014 e 2016) e nos demais anos do período mencionado, muito menos do que a média mundial. O fato mais relevante nessa comparação mostra que em todo este período o Brasil cresceu menos do que a média da América Latina, isso é um dado preocupante, pois trata-se da maior economia da região com pior desempenho no turismo. Também, com anos de raras exceções, crescemos menos do que a média das economias emergentes.

Você pode nos ajudar a lembrar de fatores que influenciaram esses períodos de altos e baixos ? Tem mais informações para nos ajudar ? Compartilha aqui com a gente. P.S.: todos os textos com link abordam os temas em mais detalhes.

Veja a segunda parte dessa série aqui.

Brasil: quem é e de onde vem o estrangeiro?

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Foram divulgados pelo MTUR os resultados da Demanda Turística Internacional no Brasil, em 2018. A pesquisa revela dados a respeito do perfil, hábitos e percepção dos visitantes estrangeiros no território brasileiro.

O Brasil registrou 6.621.376 chegadas internacionais, um crescimento de 0,5% em relação ao ano anterior. E de acordo com os dados coletados, a América do Sul continua sendo o continente com o maior receptivo internacional no país (61,2%), sendo a Argentina o principal país emissor. No entanto, é importante dizer que, apesar da Argentina permanecer em primeiro lugar, houve um decréscimo de 4,7% em seu percentual em relação ao ano anterior, o que gerou a interrupção de uma série de 10 anos de crescimento. Na década de 2000, a Argentina representava 20% do fluxo total de turistas no Brasil e chegou a quase 38,9% em 2017, caindo para 37,7% em 2018; por outro lado, os Estados Unidos (8,1%) e o Chile (5,9%), que, entre os países emissores, ocupam o segundo e o terceiro lugar, respectivamente, tiveram um crescimento na faixa dos 13%.

Analisando as motivações das viagens, observou-se que o lazer responde pela maior parte das visitas (58,8%), em segundo lugar está visitas a amigos e parentes (24,1%) e, em terceiro, negócios, eventos e convenções (13,5%). Como esperado, dentro da motivação “lazer”, sol e praia continua predominando (71,7%), seguido de natureza, ecoturismo ou aventura, que vem ganhando espaço e atingiu a marca de 16,3% das viagens desse segmento. Entre as cidades mais visitadas, São Paulo (28,3%) e Rio de Janeiro (18,4%) mantiveram as duas primeiras posições, porém com motivações diferentes: São Paulo se destaca como o principal destino para negócios, eventos e convenções, e o Rio de Janeiro como o principal destino para lazer.

Por fim, em relação aos gastos dos turistas no país, observou-se uma leve queda do gasto médio per capita dia no Brasil de 2017 (US$ 55,78) para 2018 (US$53,96); sendo as maiores geradoras de receitas per capita/dia as viagens motivadas por negócios, eventos e convenções, um padrão que se manteve ao longo dos últimos anos. O que se manteve também foi o paradigma dos mercados mais distantes serem os que geram maiores gastos e permanência, por isso, os turistas de outros continentes se destacaram nos dois quesitos. Os turistas provenientes dos países europeus e dos Estados Unidos gastam, per capita, aproximadamente o dobro que os provenientes da América do Sul. Total dos gastos dos estrangeiros no Brasil em 2018 foi de USD 5.917 milhões, um aumento de 1,86% em relação a 2017; falamos mais sobre isso aqui.

TURISMO CRESCE O DOBRO DA ECONOMIA

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Mais uma vez os dados sobre o turismo no Brasil e no mundo comprovam sua importância econômica, seu impacto na chegada de divisas e na geração de empregos. No Brasil, o turismo cresceu o dobro da economia nacional em 2018.

O World Travel & Tourism Council – WTTC, divulgou os dados globais sobre o impacto da indústria de viagens e turismo na economia global (Fonte: Portal Panrotas). Em 2018 o crescimento foi de 3,9% contra 3,1% da economia do planeta. A geração de novos empregos também é destaque, segundo estudo da Oxford Economics 1 em cada 5 novos empregos que serão gerados no mundo nos próximos 5 anos virão da nossa atividade econômica de turismo.

Os dados divulgados sobre o Brasil, assim como da maioria dos países mostram também a resiliência do turismo em tempos de crise e sua rápida recuperação econômica, crescendo mais do que a economia. Em nosso país foi registrado um dos maiores crescimentos da América Latina, 3,1%, com impactos diretos e indiretos sobre nosso PIB, que representam 8,1% (US$ 152,5 bilhões). Sobre os empregos também há registro de forte influência: 6,9 milhões entre diretos, indiretos e induzidos pela atividade. Em 2018, as receitas diretas dos gastos dos estrangeiros no Brasil cresceram 1,56%, somando US$ 5.917 bilhões.

Todos esses e ainda outros dados colocam mais uma vez o turismo em evidência no cenário econômico nacional e global. Somente no carnaval de 2019, segundo estudo da CNC, as receitas do turismo somaram R$ 6,78 bilhões. Muitos dados né, sim. As lideranças e entidades que representam o setor devem divulgar, falar e compartilhar de forma incansável esses dados, mostrando a importância para nossa economia, principalmente para a geração de empregos. Investimentos em políticas públicas de incentivos às viagens dentro do país, de promoção internacional, em segurança, competitividade, infraestrutra e qualificação são alguns dos pilares que devemos insistir para que sejam desenvolvidos.


Os brasileiros pretendem gastar mais no verão?

Segundo uma pesquisa realizada pelo Booking.com 34% dos brasileiros pretendem gastar mais nas férias de verão. Uma porcentagem considerável, uma vez que a mesma pesquisa aponta que 60% dos brasileiros acreditam que a crise econômica vai afetar a viagem de alguma maneira.

O aumento dos gastos não deixa de ser um reflexo da predileção de boa parte dos brasileiros por essa época do ano. E, considerando que a maioria dessas viagens será realizada dentro do território nacional, a região mais beneficiada com esses gastos deverá ser a região Nordeste, que detém 60% da preferência dos viajantes como destino. Esses dados também mostram que, optando pelos destinos nacionais, os brasileiros aumentaram a possibilidade de gastos. A não necessidade de conversão da moeda, e uma provável consequente desvalorização, pode permitir mais dias de viagem e mais poder de compra.

Mas para além dos 34% citados, há um número expressivo de turistas que pretende manter o percentual de gastos ou, ainda, diminuí-los. No caso deles, existem algumas alternativas para economizar. Uma das possibilidades é a realização de viagens mais curtas. Hospedagens mais baratas também pode ser outra opção. Assim como, para os que vão viajar de avião, ficar atentos às promoções de passagens aéreas.