Feriado em Paris

Um feriado triste

O mês de maio na França é marcado por vários feriados nacionais:

1º de maio, Dia do Trabalhador,

8 de maio, fim da Segunda Guerra Mundial na Europa em 1945,

14 de maio, Ascensão (feriado móvel, 40 dias após a Páscoa)

e 25 de maio Segunda-feira de Pentecostes (feriado ou “jornada de solidariedade”, dependendo do ano)

Entre todos eles, é o 8 de maio que mais me interpela — um feriado que carrega uma tristeza profunda. Evidentemente, o fim de um dos maiores genocídios da história deve, sim, ser comemorado.

Dentre os poucos veteranos em vida atualmente, muitos comemoram, e merecem ser homenageados. Seria muito injusto para com os veteranos e desaparecidos chamar as comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial de algo negativo como “patéticas”.

É impotante destacar que, de maneira geral, os veteranos não participam das “festividades comemorativas” pelo reconhecimento, mas sobretudo pela memória: para manter viva a lembrança do absurdo, para reafirmar que um evento que mata, extermina e opõe cidadãos não deveria jamais voltar a existir.

Palavras como honra, coragem, generosidade, dedicação e superação deveriam ser as únicas presentes nesse dia.

Porém, ao meu ver, dirigentes transformaram essa data em um espelho da própria incapacidade — senão, da própria irresponsabilidade. E isso sim é patético!

Como aceitar que aqueles que ontem eram oprimidos possam hoje agir como opressores? Como celebrar o fim de uma guerra quando, ao mesmo tempo, o conflito na Ucrânia está causando perdas humanas significativas e incalculáveis e obrigando milhares de jovens a fugir para evitar o recrutamento forçado? Como festejar o fim de uma guerra enquanto Gaza, destruída, vive uma crise humanitária devastadora, com milhares de civis mortos? Como ignorar que o Líbano contabiliza vítimas diariamente em meio às tensões na fronteira? Ou que, entre ataques direcionados ao Hezbollah, até mesmo um padre católico foi morto recentemente? E quantas pessoas inocentes já perderam a vida no Irã desde o início da ação estadunidense?

Dia 8 de maio comemoramos o fim de uma Grande Guerra, o final de um terrível genocídio que fez mais de 6 milhões de vitímas. mas infelizmente, não o fim das guerras. Guerras que nem sempre aparecem nos noticiários, mas continuam acabando com vidas.

É ainda mais perturbador constatar que, nesses grandes conflitos televisionados e mediatizados, não há sequer um “lado bom” para torcer. Os protagonistas — Estados, governos, lideranças militares e coalizões armadas — não tem interesse em praticar diplomacia e bom-senso, não se importam com seus povos. Decisões são tomadas sob a influência direta de interesses predatórios, territoriais, industriais e bélicos, e não pela busca de soluções.

A incapacidade, para não dizer, falta de vontade, de negociar tornou‑se a marca registrada da geopolítica atual. Quando já não é possível manipular sorrateiramente uma situação à seu favor, alguns governantes recorrem à opção mais primitiva: invadir. Enquanto outros, coniventes, se calam. E então, eu me pergunto: tanto poder, tantos recursos, tantas instituições internacionais — tudo isso para chegar a esse ponto?

A sensação é de que, em vez de líderes, certos países tem reis brincando com vídeo-games. Operação Furia épica, Total Freedom, Swords of Iron?? PQP. E quem paga o preço são sempre os mesmos: civis, famílias, cidades inteiras que nada têm a ver com as ambições de quem aperta os botões.

Não vou me alongar aqui sobre a crise econômica global desencadeada por esses conflitos. A perda de poder de compra, a inflação e o aperto financeiro são reais — mas irrisórios quando comparados à perda de vidas humanas. Ainda assim, é impossível ignorar que as consequências econômicas já afetam milhões de pessoas e continuarão a afetar, para pior, nos próximos meses. O que me surpreende é o silêncio: como é possível que, diante de tantas vidas perdidas e impactos concretos no cotidiano, quase ninguém esteja falando sobre isso, muito menos exigindo dos governantes um caminho de paz?

Um feriado triste porém, tão necessário

Sim, o 8 de maio foi um feriado triste. Porém, talvez nunca tenha sido tão necessário quanto agora — porque a memória parece ser única munição que ainda temos para lutar contra a repetição do horror.

Palestinians inspect the damage following an Israeli airstrike on the El-Remal aera in Gaza City on October 9, 2023. Israel continued to battle Hamas fighters on October 10 and massed tens of thousands of troops and heavy armour around the Gaza Strip after vowing a massive blow over the Palestinian militants’ surprise attack. Photo by Naaman Omar\ apaimages
Continued Israeli airstrike of the Gaza Strip. © 2023 UNRWA Photo by Ashraf Amra

Decidi não incluir imagens de mortos ou feridos atuais — por respeito, por pudor e para nos poupar um sofrimento que não precisa ser explorado. Espero sinceramente que o sensacionalismo não seja necessário. Para bom entendedor, uma “pequena palavra” deve bastar.

Paz.


Lista não exaustiva fornecida por IA dos Conflitos Atuais .

  • Rússia x Ucrânia – guerra em grande escala desde 2022.
  • Sérvia x Kosovo – tensões recorrentes, confrontos esporádicos.
  • Armênia x Azerbaijão – disputa pelo Cáucaso, apesar do êxodo de 2023.

Oriente Médio

  • Israel x Hamas (Gaza) – conflito ativo, milhares de vítimas civis.
  • Israel x Hezbollah (Líbano) – confrontos diários na fronteira.
  • Síria – guerra civil desde 2011, múltiplas facções.
  • Iêmen – conflito entre governo, houthis e coalizão regional.
  • Irã – ataques externos, repressão interna e escalada regional.
  • Iraque – células remanescentes do ISIS e tensões sectárias.

Ásia (incluindo conflitos esquecidos pela mídia)

  • Mianmar (Birmânia) – guerra civil após o golpe de 2021.
  • Afeganistão – repressão do Talibã e ataques do ISIS‑K.
  • Paquistão – insurgências no Baluchistão e ataques do TTP.
  • Índia – conflitos em Caxemira e tensões étnicas no nordeste.
  • Filipinas – confrontos com grupos islâmicos no sul.
  • China x minorias uigures – repressão estatal (não guerra aberta, mas conflito grave).
  • Coreia do Norte x Coreia do Sul – estado técnico de guerra desde 1953, com incidentes militares.

África

  • Sudão – guerra entre Forças Armadas e RSF (uma das piores crises atuais).
  • República Democrática do Congo – exército x M23 e dezenas de milícias.
  • Somália – conflito com Al‑Shabaab.
  • Etiópia – tensões pós‑Tigray e conflitos étnicos.
  • Sahel (Mali, Burkina Faso, Níger) – insurgências jihadistas e golpes militares.
  • Nigéria – Boko Haram e conflitos intercomunitários.
  • Moçambique (Cabo Delgado) – insurgência islâmica.

Américas

  • Haiti – guerra urbana entre gangues armadas.
  • Colômbia – dissidências das FARC e ELN.
  • México – violência extrema ligada a cartéis (classificada por alguns institutos como conflito armado).
  • Peru – tensões internas e confrontos esporádicos.

Oceania

  • Papua-Nova Guiné – conflitos tribais e violência armada crônica.
Street Art Paris

O que fazer em Paris: pot‑pourri cultural

Como costuma acontecer neste momento da semana, há sempre muita coisa a escrever quando se trata do que fazer em Paris — e a dificuldade de escolher apenas um tema para este texto não é pequena.

Sendo assim, a alternativa será fazer um pequeno, porém bastante diversificado pot-pourri de atividades em cartaz na capital com a expectativa de que cada leitor encontre uma de seu interesse. Ou ainda melhor, que tenha um gosto eclético como o meu e se interesse à todas.

ZOOART – Paris, epicentro da Street Art

Paris é referência mundial em street art: obras de Invader, JR, C215 e Obey transformam a cidade em um museu a céu aberto, repleto de imagens marcantes — muitas vezes efêmeras.

Para quem deseja ir além dos encontros furtivos com murais espalhados pela cidade e viver uma experiência verdadeiramente imersiva, a capital francesa apresenta a maior exposição interior de Street Art da Europa. Em um edifício no moderno bairro de La Défense, 4.000 m² acolhem cerca de 500 artistas e diferentes expressões da arte urbana.

A exposição é organizada por andares, cada um com uma atmosfera distinta:

  • Vandal Squat: imersão nas origens brutas do grafite (anos 80/90)
  • Streetart Maze: labirinto visual que recria o grafite e o street art dos anos 90/2000
  • Urban Playground: instalações digitais e imersivas
  • Art Show: galeria underground com artistas reconhecidos

Data: de 9 de janeiro a 28 de junho de 2026 Horários: de terça a domingo, das 10h00 às 18h00

Local: 4 Place de La Défense, ao lado do CNIT

A profusão de cores, estilos e imaginação torna a visita ideal para todas as idades.

Corps Vivants: Quando Rodin encontra Michelangelo

A história em quadrinhos assinada por Xavier Coste, Sculpter l’Éternité, revive momentos em que Rodin se questiona como artista, confronta a grandiosidade de Michelangelo e encontra inspiração para tornar-se um dos maiores escultores de sua época — assim como seu homólogo quatro séculos antes. Esse parece ser o fio condutor e a ignição da atual exposição do Louvre, intitulada Michel-Ange Rodin: Corps Vivants.

No entanto, esse é apenas o ponto de partida de uma narrativa onde, hoje, os dois artistas e seus personagens se encontram na sala do grande museu e parecem dialogar através de seus traços, volumes e expressões.

Datas: até 20 de julho de 2026 Horários:

  • Segunda: fechado
  • Terça a domingo: 9h00 – 18h00
  • Sexta: aberto até 21h45 (nocturne)

Local: Museu do Louvre – Ala Denon / Sully

O que fazer em Paris: Tous à L’Opera

Para a 19° edição do festival Tous à L’Opera, as Óperas Garnier e Bastille estarão abertas ao público gratuitamente para visitas e participação à ateliers de criação musical, projeções e encontros com artistas. O evento acontece dia 9 de maio. Embora gratuito a reserva é obrigatória, e o link para reservas estará disponível a partir do dia 5 de maio no site do evento Tous à l’Opéra ! Édition 2026 – Opéra national de Paris.

Horários 10h00 às 17h00

Ópera Garnier
Ópera Bastilha

Para o mesmo evento, o Castelo de Versalhes também abre as portas de sua grandiosa sala de espetáculos: a Opéra Royal do Palácio de Versalhes. Este cenário histórico, que acolheu festividades reais, apresentações e até debates parlamentares desde 1770, receberá visitantes gratuitamente para a descoberta do local, de instrumentos e danças barrocas, além de demonstrações de canto e exposições de trajes de cena.

Entrada livre e gratuita, sem necessidade de reserva

Horários

  • Sexta, 8 de maio de 2026: das 13h às 18h
  • Sábado, 9 de maio de 2026: das 11h às 18h (horários indicados como sujeitos a alterações)

Local / Entrada

  • Place Gambetta — Porte Sénat (grande porta amarela)

O evento é pontual, mas recorrente, então se você não está aqui este ano, quem sabe o ano que vem.

Festa da Natureza, em toda a França

Entre os dias 20 e 25 de maio, a França festeja a natureza. Feiras, encontros, ateliês, animações e atividades participativas animam o território e sua capital. Descobertas sensoriais, percursos sonoros, exploração da fauna e da flora para adultos e crianças fazem parte da agenda de atividades que pode ser consultada no site do evento Fête de la nature : du 20 au 25 mai 2026. Para saber o que fazer em Paris ou outra cidade utilize o dispositivo de busca no site do evento.

Durante os dias 23 e 24 de maio a festa promete ser grande no Jardim de Plantas de Paris combinando em um único local todas as atividades acima mencionadas, além da presença de especialistas e degustações. Saiba mais no link: Festa da Natureza na Jardin des Plantes : Fête de la Nature 2026

Enfim, termino aqui: embora a lista do que fazer em Paris pareça infindável, todo texto precisa chegar ao fim — e imagino que você também tenha outros afazeres. Ficam então as dicas de hoje, na esperança de que inspirem sua próxima venda do destino ou sua própria viagem, acompanhadas de meus votos de uma excelente semana.

Renascimento no Atelier des Lumières

Em seu imenso local situado em pleno centro de Paris, o Atelier des Lumières propõe ao visitante uma profunda imersão no coração da arte e da história.

Ateliê de Lumiéres _ 38 rue Saint Maur, Paris 75011


Através de projeções de vídeo e softwares de mapeamento que transformam o ambiente, criando ilusões de movimento e profundidade, a experiência vivida pelo espectador no Atelier des Lumières é extraordinária em seu gênero.

Para começar, o próprio espaço onde se encontra a exposição já garante uma cenografia única.

Atelier des Lumières: um espaço raro, de 1835 aos dias de hoje

Onde a antiga manufatura de fundição — a Fonderie du Chemin Vert — respondia às necessidades navais e ferroviárias da Revolução Industrial francesa no século XIX, hoje 140 projetores de vídeo e um sistema de som espacial, distribuídos pelos 3.300 m², colocam a revolução digital a serviço da criação artística.

Atelier des Lumières -Paris- Salão ou Les Halles

Como sou fã, sempre que posso vou ver a exposição da temporada. Recentemente tive a felicidade de assistir Renascimento: Da Vinci, Rafael, Michelangelo, que estará em cartaz até junho.

Vista a partir do mezzanino
Eu quase escrevi esse artigo sobre esses dois alegrins dourados, únicos sentados contra uma das superfícies de exposição, mas eles acabaram se integrando quase naturalmente às cenas

Para Renascimento, completando a alta tecnologia digital, o Atelier des Lumières integrou pela primeira vez efeitos atmosféricos — neblina, fumaça, lasers. Durante quase uma hora, obras e paisagens magistrais são apresentadas e desfilam ao seu redor em uma encenação tridimensional espetacular, enquanto a voz de um narrador coloca esporadicamente o visitante no contexto da época. O texto narrado em francês é discretamente projetado simultaneamente em inglês.

O resultado ficou fantástico! A arte e as obras dos grandes mestres italianos conseguem ficar ainda mais impressionantes! Uma explosão sensorial de puro deleite. Só vendo mesmo.

E como imagens valem mais que palavras, te convido a acessar o YouTube e assistir ao vídeo com cenas inéditas. Não é nem de longe a mesma coisa, claro, mas já dá para ter uma pequena, porém boa ideia.

Assista no Youtube.

Uma rica e diversificada trilha sonora acompanha a projeção e pode ser encontrada no Spotify sob o nome Renaissance, De Vinci, Raphaël, Michel-Ange. Deixei o reel abaixo com o som original para exemplificar


Atelier de Lumières , Renascimento: Narração em francês, com legendas em inglês.

PLANETA PRÉ-HISTÓRICO: DINOSSAUROS EM PARIS

Para fãs de pré-história, está também em cartaz no ateliê PLANETA PRÉ-HISTÓRICO: DINOSSAUROS EM PARIS

A publicidade promete uma viagem de volta a 66 milhões de anos e uma imersão fascinante na era dos dinossauros. O visitante percorre paisagens impressionantes da Terra pré-histórica e descobre sua extraordinária vida selvagem.

Não tenho dúvida que deve ser fascinante mesmo. Este é claramente o tipo de programa que teria sido obrigatório se meus filhos ainda fossem crianças.

PLANETA PRÉ-HISTÓRICO: DINOSSAUROS EM PARIS
De 19 de abril a 28 de junho. Quartas, sextas e domingos durante as férias escolares; domingos a partir de 4 de maio.

Atelier des Lumières Outros espaços

Além do espaço principal — a Halle, onde as obras ganham vida — o Atelier des Lumières dispõe de outras peças dedicadas a animações infantis e eventos pontuais.

A Oficina Infantil

Na sala animada por imagens interativas, as crianças exploram neste momento o mundo dos dinossauros e de Leonardo da Vinci por meio de dispositivos lúdicos e criativos. Depois de colorir, elas escaneiam seus desenhos, que ganham vida nas paredes da Oficina Infantil, em cenários pré-históricos ou inspirados em obras-primas renascentistas.

A Sala da Oficina pode também ser privatizada para diferentes ocasiões

A Cisterna

Localizada no coração do Atelier, a Cisterna oferece um ponto de vista diferente sobre as obras exibidas na Halle. As projeções são apresentadas na íntegra, acompanhadas de comentários e informações sobre os museus onde as obras originais estão expostas.

A Torre dos Espelhos

Como um caleidoscópio gigante, a Torre dos Espelhos convida o visitante a admirar o reflexo das obras em dezenas de superfícies espelhadas. É possível contemplar as imagens sem parar. fonte

Para terminar, um último detalhe: é possível privatizar todos os espaços para diferentes tipos de eventos — de grandes apresentações empresariais a recepções institucionais — com diversas opções de serviços tecnológicos e gastronômicos.

Atelier de Lumières – 38 rue Saint Maur, Metro Saint Maur 75011