Aventura Egípcia no Parque Astérix

Falei brevemente em Dicas para Viver a Primavera Parisiense sobre as novidades do parque Astérix em 2026.

O terceiro parque mais visitado da França ficando atras somente dos dois parques da Disneyland Paris*, reabriu sua zona Egípcia completamente renovada.

Para apresentar a novidade que integra seus 34 hectares dedicados à diversão, o parque lançou dia 22 de maio um vídeo bem legal.

Assista abaixo e viaje um pouco você também.

No programa:

  • A Descida do Nilo: a oportunidade perfeita para se presentear com uma viagem aquática, risadas extras e sensações
  • O Voo de um Íbis: no meio de um jardim exuberante, uma experiência tão leve quanto revigorante
  • Les Comptoirs d’Épidemaïs (inauguração em 6 de junho de 2026): uma pausa gourmet é indispensável, especialmente para experimentar as especialidades do buffet com sabores orientais
  • As Ofertas de Cleópatra: a Rainha das Rainhas e seus servos convidam você para um grande show que mistura dança e música
  • OzIris: embarque em uma aventura em velocidade máxima, pés no ar, uma série de loops e giros garantidos
  • O Tour de Numérobis: uma atividade para amantes de escaladas vertiginosas e vistas panorâmicas surpreendentes!
  • Os Fasto do Nilo: Escolha entre um hambúrguer merguez e uma doçura de flor de laranjeira (ou não )
  • O Souk: uma parada obrigatória nesta loja para trazer uma lembrança

Entre novos recursos, tematização e uma atmosfera faraônica, a viagem à zona egípcia promete ser legendaria! ( fonte Parque Astérix)

conheça O PARQUE

O parque lançou também uma nova página em seu site que permite a visita virtual.

Visite virtuelle | Parc Astérix

Acesse e conheça o destino e as atrações que trazem com humor e criatividade a vida aos personagens e épocas retratadas nas revistas em quadrinhos de Uderzo e Goscinny.

Localizado a apensas 35 km de Paris, o parque merece a visita, seja on-line ou ainda melhor, pessoalmente.

Parque astérix Como chegar

Shuttle oficial Parc Astérix

  • Saída diária da Place du Louvre
  • Tempo médio: 45 minutos
  • Bilhetes podem ser comprados junto com a entrada do parque

PS *Classificação nacional 2024

  1. Disneyland Park – 10,2 milhões de visitantes
  2. Walt Disney Studios – 5,6 milhões de visitantes
  3. Parc Astérix – 2,842 milhões de visitantes
Pont Neuf embalada pelo artista Christo em 1985. Neste momento ele refaz uma nova embalagem

Paris: passado inspirador, presente vibrante

É sempre muito tentador escrever sobre as atualidades parisienses — elas são inúmeras e todas de grande interesse: a Noite dos Museus, dia 23 de maio de 2026, a instalação de JR no Pont Neuf, atualmente em realização, a Parada LGBTQIA+ de Paris dia 27 de junho de 2026, o Dia da Música, em 21 de junho de 2026

Abaixo: JR homenageia o artista Christo, que em 1985 embalou o Pont Neuf como na imagem acima. Em 2026 JR cria uma caverna sobre a ponte mais antiga da capital.

Mas nem só de atualidades festivas vive o homem. Especialmente neste momento em que certos dirigentes mundiais tentam apagar atualidades e histórias menos glamorosas, em que leis proíbem livros e centros de detenção são construídos em países miseráveis para acolher imigrantes, é mais importante do que nunca lembrar fatos históricos, sobretudo aqueles que mudaram o curso da história e que, com desfechos positivos, nos mostram quantas coisas boas nós, humanos, somos capazes. E como Paris e fonte inesgotável de inspiração para essas coisas

Histórias para contar ou Boas notícias de outrora

Quero contar hoje um evento muito emocionante e bonito que começou em Paris, se alastrou pela França e mudou o século XX, transformando as condições de vida de muita gente.

Paris vibrante, como chegamos aqui

Tudo começa por meados de 1934. O poder é detido por um partido anticlerical populista de centro esquerda que ora parece se importar com a classe trabalhadora, ora compactua com a elite capitalista emergente: o Partido Radical Socialista. A situação financeira do país não é boa, a crise de 1929 ainda ronda e, apesar do desenvolvimento fulgurante trazido pela Revolução Industrial, o povo vive miseravelmente, trabalhando mais de 48 horas por semana, pago muitas vezes segundo o rendimento diário. Quantos sacos de café você embalou? Quantas câmaras de pneus costurou ou encheu? E assim por diante. Nos campos, a situação não era melhor. A insatisfação era geral.

Os partidos de esquerda eram relativamente bem representados junto ao proletariado, porém estavam fortemente divididos: socialistas e comunistas tinham convicções próprias e brigavam farouchement. Já a direita estava dividida entre monarquistas, republicanos conservadores e facções mais radicais, como a associação Cruz de Fogo, que embora detestasse judeus e imigrantes, renegava tanto a cruz nazista quanto a foice e o martelo.

Na Alemanha, um certo Hitler, no poder desde 1933 impunha seus ideais políticos duvidosos. Na França e na Europa, as tensões políticas se aceleravam. Franco assumiria o poder na Espanha em 1939, Salazar já governava Portugal desde 1932, e na Itália Mussolini estava no comando desde 1922. Enquanto Citroën, pela primeira vez na história, iluminava a Torre Eiffel, nas fábricas e nos campos a situação não parecia tão brilhante.

Como paris escapa do fascismo

É nesse cenário que os partidos comunista e socialista marcam a data para uma manifestação memorável, dia 14 de julho de 1935— duas manifestações de partidos concorrentes (SFIO e PCF- Seção Francesa da Internacional Operária e Partido Comunista Francês ). E, de repente, os dois cortejos se encontram na Praça da Nação. Após um grande momento de dúvida e tensão pairando no ar, uma explosão de fraternidade e companheirismo invade as ruas da capital. O povo parou, pensou e de repente, se abraçou, compartilhando o que seria apenas o início de uma nova revolução.

Tal demonstração de força não ficou sem reação da direita, que aproveitou para se unir e se radicalizar ainda mais, intensificando seu discurso de medo e apontando os bodes expiatórios habituais. De um lado, temia‑se uma ditadura fascista como nos países vizinhos; do outro, temia‑se simplesmente caos.

Apesar do nome, o Partido Radical não demonstrava tendências radicais nem para um lado nem para o outro — apenas para a corrupção. Envolto em um grande escândalo e desacreditado, o então presidente Camille Chautemps foi obrigado renunciar e convocar novas eleições.

Paris 1936, como o povo toma o poder

E justamente foi aquele encontro entre os dois cortejos, onde o povo decidiu se unir que permitiu sua vitória. O novo presidente Léon Blum era líder da nova Frente Popular, nascida dos abraços inesperados entre membros do SFIO e do PCF na Praça da Nação. Aquele momento de união histórica evitou que a França também entrasse para a lista de países que adotariam o nazismo como ideologia política! E, no entanto, as boas notícias não terminam ai.

Em reação à “força vermelha” eleita, e como represália autoritária, o patronato demitiu sob pretextos falaciosos os operários mais ativos e militantes. A classe trabalhadora havia ganho as eleições, mas não sentia em seu cotidiano nada que indicasse reais melhorias. Na Citroën — orgulho nacional com seu nome brilhando no monumento mais famoso da cidade — as demissões foram o estopim. Os trabalhadores pararam, mas, para grande surpresa, não foram para casa: ocuparam a fábrica. No dia seguinte, a Michelin parava. E o gesto teve efeito dominó. A França parou e, dentro das fábricas, o movimento se organizou.

Durante duas semanas, com o auxílio de comerciantes e da comunidade, a França reivindicou — e em espírito de festa.

No momento em que o novo presidente Leon Blum convidou os parceiros sociais, trabalhadores e patronado para conversar, não foi necessário muito tempo para que um dos melhores regimes de proteção social fosse criado, tanto para operários quanto para agricultores: menos horas de trabalho, primeiras férias e remuneradas! Convenções coletivas, auxílios ao campo, nacionalizações estratégicas...

Primeiras férias da classe operária na França

E quando isso aconteceu? Quando dois grupos, inspirados por ideias de igualdade e conscientes das responsabilidades tanto do Estado quanto do patronado, se juntaram para reclamar o que era simplesmente justo.

Eu costumo dizer que, neste mundo, não há coincidências: Paris é uma cidade que vibra, e quando olhamos para o passado entendemos exatamente o porquê.

Feriado em Paris

Um feriado triste

O mês de maio na França é marcado por vários feriados nacionais:

1º de maio, Dia do Trabalhador,

8 de maio, fim da Segunda Guerra Mundial na Europa em 1945,

14 de maio, Ascensão (feriado móvel, 40 dias após a Páscoa)

e 25 de maio Segunda-feira de Pentecostes (feriado ou “jornada de solidariedade”, dependendo do ano)

Entre todos eles, é o 8 de maio que mais me interpela — um feriado que carrega uma tristeza profunda. Evidentemente, o fim de um dos maiores genocídios da história deve, sim, ser comemorado.

Dentre os poucos veteranos em vida atualmente, muitos comemoram, e merecem ser homenageados. Seria muito injusto para com os veteranos e desaparecidos chamar as comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial de algo negativo como “patéticas”.

É impotante destacar que, de maneira geral, os veteranos não participam das “festividades comemorativas” pelo reconhecimento, mas sobretudo pela memória: para manter viva a lembrança do absurdo, para reafirmar que um evento que mata, extermina e opõe cidadãos não deveria jamais voltar a existir.

Palavras como honra, coragem, generosidade, dedicação e superação deveriam ser as únicas presentes nesse dia.

Porém, ao meu ver, dirigentes transformaram essa data em um espelho da própria incapacidade — senão, da própria irresponsabilidade. E isso sim é patético!

Como aceitar que aqueles que ontem eram oprimidos possam hoje agir como opressores? Como celebrar o fim de uma guerra quando, ao mesmo tempo, o conflito na Ucrânia está causando perdas humanas significativas e incalculáveis e obrigando milhares de jovens a fugir para evitar o recrutamento forçado? Como festejar o fim de uma guerra enquanto Gaza, destruída, vive uma crise humanitária devastadora, com milhares de civis mortos? Como ignorar que o Líbano contabiliza vítimas diariamente em meio às tensões na fronteira? Ou que, entre ataques direcionados ao Hezbollah, até mesmo um padre católico foi morto recentemente? E quantas pessoas inocentes já perderam a vida no Irã desde o início da ação estadunidense?

Dia 8 de maio comemoramos o fim de uma Grande Guerra, o final de um terrível genocídio que fez mais de 6 milhões de vitímas. mas infelizmente, não o fim das guerras. Guerras que nem sempre aparecem nos noticiários, mas continuam acabando com vidas.

É ainda mais perturbador constatar que, nesses grandes conflitos televisionados e mediatizados, não há sequer um “lado bom” para torcer. Os protagonistas — Estados, governos, lideranças militares e coalizões armadas — não tem interesse em praticar diplomacia e bom-senso, não se importam com seus povos. Decisões são tomadas sob a influência direta de interesses predatórios, territoriais, industriais e bélicos, e não pela busca de soluções.

A incapacidade, para não dizer, falta de vontade, de negociar tornou‑se a marca registrada da geopolítica atual. Quando já não é possível manipular sorrateiramente uma situação à seu favor, alguns governantes recorrem à opção mais primitiva: invadir. Enquanto outros, coniventes, se calam. E então, eu me pergunto: tanto poder, tantos recursos, tantas instituições internacionais — tudo isso para chegar a esse ponto?

A sensação é de que, em vez de líderes, certos países tem reis brincando com vídeo-games. Operação Furia épica, Total Freedom, Swords of Iron?? PQP. E quem paga o preço são sempre os mesmos: civis, famílias, cidades inteiras que nada têm a ver com as ambições de quem aperta os botões.

Não vou me alongar aqui sobre a crise econômica global desencadeada por esses conflitos. A perda de poder de compra, a inflação e o aperto financeiro são reais — mas irrisórios quando comparados à perda de vidas humanas. Ainda assim, é impossível ignorar que as consequências econômicas já afetam milhões de pessoas e continuarão a afetar, para pior, nos próximos meses. O que me surpreende é o silêncio: como é possível que, diante de tantas vidas perdidas e impactos concretos no cotidiano, quase ninguém esteja falando sobre isso, muito menos exigindo dos governantes um caminho de paz?

Um feriado triste porém, tão necessário

Sim, o 8 de maio foi um feriado triste. Porém, talvez nunca tenha sido tão necessário quanto agora — porque a memória parece ser única munição que ainda temos para lutar contra a repetição do horror.

Palestinians inspect the damage following an Israeli airstrike on the El-Remal aera in Gaza City on October 9, 2023. Israel continued to battle Hamas fighters on October 10 and massed tens of thousands of troops and heavy armour around the Gaza Strip after vowing a massive blow over the Palestinian militants’ surprise attack. Photo by Naaman Omar\ apaimages
Continued Israeli airstrike of the Gaza Strip. © 2023 UNRWA Photo by Ashraf Amra

Decidi não incluir imagens de mortos ou feridos atuais — por respeito, por pudor e para nos poupar um sofrimento que não precisa ser explorado. Espero sinceramente que o sensacionalismo não seja necessário. Para bom entendedor, uma “pequena palavra” deve bastar.

Paz.


Lista não exaustiva fornecida por IA dos Conflitos Atuais .

  • Rússia x Ucrânia – guerra em grande escala desde 2022.
  • Sérvia x Kosovo – tensões recorrentes, confrontos esporádicos.
  • Armênia x Azerbaijão – disputa pelo Cáucaso, apesar do êxodo de 2023.

Oriente Médio

  • Israel x Hamas (Gaza) – conflito ativo, milhares de vítimas civis.
  • Israel x Hezbollah (Líbano) – confrontos diários na fronteira.
  • Síria – guerra civil desde 2011, múltiplas facções.
  • Iêmen – conflito entre governo, houthis e coalizão regional.
  • Irã – ataques externos, repressão interna e escalada regional.
  • Iraque – células remanescentes do ISIS e tensões sectárias.

Ásia (incluindo conflitos esquecidos pela mídia)

  • Mianmar (Birmânia) – guerra civil após o golpe de 2021.
  • Afeganistão – repressão do Talibã e ataques do ISIS‑K.
  • Paquistão – insurgências no Baluchistão e ataques do TTP.
  • Índia – conflitos em Caxemira e tensões étnicas no nordeste.
  • Filipinas – confrontos com grupos islâmicos no sul.
  • China x minorias uigures – repressão estatal (não guerra aberta, mas conflito grave).
  • Coreia do Norte x Coreia do Sul – estado técnico de guerra desde 1953, com incidentes militares.

África

  • Sudão – guerra entre Forças Armadas e RSF (uma das piores crises atuais).
  • República Democrática do Congo – exército x M23 e dezenas de milícias.
  • Somália – conflito com Al‑Shabaab.
  • Etiópia – tensões pós‑Tigray e conflitos étnicos.
  • Sahel (Mali, Burkina Faso, Níger) – insurgências jihadistas e golpes militares.
  • Nigéria – Boko Haram e conflitos intercomunitários.
  • Moçambique (Cabo Delgado) – insurgência islâmica.

Américas

  • Haiti – guerra urbana entre gangues armadas.
  • Colômbia – dissidências das FARC e ELN.
  • México – violência extrema ligada a cartéis (classificada por alguns institutos como conflito armado).
  • Peru – tensões internas e confrontos esporádicos.

Oceania

  • Papua-Nova Guiné – conflitos tribais e violência armada crônica.