Origens de Paris: City tour no tunel do tempo

City tour de Paris- Falei no último texto sobre como novas tecnologias vêm mudando o turismo e oferecendo oportunidades de descobertas jamais antes vistas.
Se a Inteligência Artificial já surpreende pela capacidade de dialogar com o turista, a Realidade Virtual leva a experiência a outro nível: ela te dá a impressão de viajar no tempo.

Em Paris, uma das cidades mais ricas em história do mundo, essa tecnologia abre portas para uma vivência inédita, onde passado e presente se encontram diante dos olhos do visitante graças à experiência inovadora criada pela Timescope, intitulada Origens de Paris.

Timescope

A Timescope é uma start-up fundada em 2015 graças à visão de Basile Segalen e Adrien Sadaka. Os dois jovens tinham como ambição democratizar o acesso à História por meio das tecnologias imersivas. Graças a pesquisas relevantes e a uma equipe apaixonada tanto por história quanto por tecnologia de ponta, a empresa torna o patrimônio histórico e cultural acessível e ainda mais interessante.

Utilizando realidade virtual e aumentada, os projetos da start-up desvendam o passado como nunca antes.

Origens de Paris: City tour no tunel do tempo Totem Timescope
Totens Timescope com tecnologia 3D como esse podem ser encontrados no Grand Palais, no museu d’Orsay, no museu do Quais de Branly e outras cidades que fizeram apelo a start-up para valorizar seu patrimônio.

City tour DE PARIS no tunel do tempo

No Tunel do Tempo, anos 70 – Os cientistas Doug e Tony ficam presos e viajam na máquina do tempo

Em Origens de Paris, os visitantes percorrem, munidos de óculos de realidade virtual, um trajeto de 1,2 km com acesso a mais de 15 cenas que recriam diferentes épocas da cidade, da Antiguidade à Belle Époque.

O passeio de aproximadamente uma hora oferece uma viagem histórica única, combinando tecnologia 3D com narrativa guiada.

O ponto de partida para a visita virtual de Paris encontra-se abaixo da ponte Louis Phillippe, ao lado da prefeitura de Paris

Testando a atração mais divertida de Paris

Fui testar e posso dizer que foi uma das atrações mais divertidas que já realizei em Paris. Eu adoro história! Graças ao passado podemos ver a que ponto o ser humano é incrível; podemos nos surpreender com grandes realizações de outrora, mas também perceber o quanto evoluímos e desfrutamos de um conforto inigualável através dos tempos. Olhando o passado, eu me torno otimista quanto ao futuro.

E que passado mais bonito e intrigante que o de Paris, cidade que aparece pela primeira vez no livro A Guerra dos Gauleses, escrito por Júlio César, 50 anos antes de Cristo?! Na época, a região era habitada pela tribo celta dos Parísios, antes mesmo de se chamar Lutécia, nome adotado após a conquista romana. E é aí que nossa viagem com Origens de Paris começa.

Visita de Paris à pé com Origens de Paris, realidade virtual àas margens do Rio Sena

Uma vez munida de meu áudio guia e meus óculos 3D parti com um pequeno grupo e uma guia acompanhante para esse city tour ao passado. Ora eu estava em um barco gaulês, ora em um barco viking, ou ainda na fortaleza que defendia a cidade de ataques.

Visita A pé em Paris Origens de Paris, realidade virtual àas margens do Rio Sena
Caminhada de 1,2 km
Imagem Origens de Paris, realidade virtual àas margens do Rio Sena

Enquanto caminhava pelas margens do Rio Sena e colocava meus “binóculos temporais”, o cenário mudava diante de meus olhos e eu voltava ao passado para viver momentos marcantes e grandiosos da capital francesa, como a construção de Notre-Dame de Paris ou a passagem de Maria Antonieta a caminho da guilhotina. Tudo ao meu redor mudava, e a imagem 3D cria perfeitamente a imersão.

Grupo participantes Origens de Paris, realidade virtual àas margens do Rio Sena
Pequenos Grupos munidos de áudio guia e óculos 3D
Material 3 D passeio Origens de Paris, realidade virtual às margens do Rio Sena
A experiência 3D ao ar livre proporciona mudança de cenário diante de seus olhos

Cada vez que a voz do áudio guia dizia: “retire seus binóculos temporais” dava vontade de falar: – Nãoooo! Eu quero explorar mais cada época. (lembrei até da voz da minha mãe dizendo para desligar a televisão durante as aventuras dos cientistas Doug e Tony em Tunel do Tempo e me preparar para ir para a escola)

Construçao Notre Dame Origens de Paris, realidade virtual àas margens do Rio Sena

Para os amantes de viagens — e para aqueles que sempre sonharam em voltar ao passado — a experiência é quase como ter um sonho realizado. Origens de Paris oferece uma maneira prática, surpreendentemente e emocionante de ver e viver a história da Cidade Luz. Eu amei.

Origens de Paris, realidade virtual às margens do Rio Sena

Experiências imersivas- inovação e história

Experiências imersivas como Origens de Paris e guias virtuais como a Tootie apresentam novas formas de descobrir Paris. Práticos e agradáveis, os dispositivos tecnológicos ampliam as possibilidades de interação e imersão para o turista.

Finalmente, a combinação de inovação tecnológica, história e cultura permite ao usuário desfrutar de experiências inéditas, acessíveis e de altíssima qualidade. Tais recursos têm tudo para se tornarem protagonistas importantes do turismo atual.

Na capital francesa, turismos inteligente e virtual não são mais promessas distantes: eles já constituem formas incríveis de fazer um city tour de Paris e descobrir o destino.  

City tour em Paris com Tootie

A nova era do city tour em Paris: agora com IA

Paris – Para quem gosta de turistar, nada melhor que um city tour guiado para uma descoberta perfeita do destino escolhido.

Atualmente, além das visitas tradicionais realizadas por guias conferencistas, guias motoristas e muitos guias improvisados, novas maneiras muito legais de visitar a cidade estão surgindo e transformando a experiência do city tour em Paris. Iniciamos o ano como quem inicia uma viagem — falando de algumas delas.

Entre as novidades no universo das visitas guiadas, quero destacar hoje o uso inovador da Inteligência Artificial como guia turístico, oferecendo interatividade, personalização e informação em tempo real.

Tootie, City tour inteligente de tootbus

A empresa de ônibus sustentáveis Tootbus, conhecida por seus circuitos Hop On Hop Off lançou recentemente o primeiro guia virtual gerado por Inteligência Artificial: o Tootie. Mais que um guia, o instrumento é um verdadeiro assistente de bolso.

Desde 2022, a companhia oferece, com o Tootwalk, mapas e áudios informativos para os trechos realizados a pé durante o passeio. Agora, com o Tootie, os turistas interagem em tempo real, recebendo respostas e curiosidades adicionais sobre os pontos visitados e sobre a cidade. Além das informações obtidas virtualmente, Tootie utiliza também informações elaboradas por competentes guias locais, o que assegura autenticidade e profundidade às respostas.

Uma ferramenta que promete mudar o jeito de descobrir Paris

Para fazer um teste, perguntei para o grande emoji animado e saltitante na tela do celular quem era Josephine Baker e recebi uma ótima bibliografia, destacando aspectos interessantes e marcantes da vida da artista. Nada de voz robótica ou termos sucintos.

Perguntei sobre Josephine Baker porque sabia que a resposta deveria ser extensa e queria fazer provar a capacidade do instrumento, mas o visitante pode perguntar o que quiser — sobre pessoas, monumentos ou até mesmo o ponto mais próximo para comer um croissant.

City tour em Paris com inteligência artificial: quem disse que robôs não têm charme?

Usando Tootie eu tive quase a impressão de estar batendo um papo — e um papo generoso e inteligente. Tootie é simpático e bastante comunicativo, oferecendo respostas extensas e muito interessantes.

Ao baixar o aplicativo Tootbus, o usuário passa a ter acesso ao o assistente virtual que responde gratuitamente às cinco primeiras perguntas. A versão completa, normalmente vendida por nove euros, está disponível no momento por apenas 1€ em uma oferta promocional.

Visitar Paris e ter um assistente virtual e interativo, com informações precisas e à mão, não é mais um sonho do futuro, mas a nova era do turismo chegando. Apesar das minhas reticências quanto ao aspecto energívoro da IA, o resultado para o viajante é sinceramente incrível.

Post scriptum: disponível nos ônibus Tootbus em Paris, Londre, Bruxelas e Bath

A nova fronteira dos preços nos museus franceses

A partir de 14 de janeiro de 2026, um aumento tarifário no Museu do Louvre e outros monumentos franceses passa a ser aplicado aos visitantes não oriundos da Comunidade Europeia.

Como anunciado anteriormente pelo presidente Macron, o Museu do Louvre, o Castelo de Versalhes, a Sainte-Chapelle, a Conciergerie, assim como o Castelo de Chambord, terão tarifas mais caras para cidadãos não oriundos da União Europeia a partir de hoje.

Assim, apesar de seu lema Liberté, Égalité, Fraternité, a França “cria controles fronteiriços” em seus museus e redefine quem paga para ver arte.

A decisão, conduzida pelo Ministério da Cultura, responde a um duplo imperativo: preservar o patrimônio cultural e absorver uma frequência mundial em constante crescimento. A medida pretende, sobretudo, alavancar milhões de euros em receitas suplementares, que deverão ser destinadas a melhorias estruturais necessárias em um contexto orçamentário muito exigente.

Tarifas diferenciadas nos museus franceses: distinção baseada na origem

Segundo o comunicado publicado no site do Castelo de Versalhes, o sistema de tarifação dos visitantes está mudando de critério em diversos museus franceses. No Castelo de Versalhes, o bilhete de alta temporada chegará a 35 € para os visitantes de fora da União Europeia, enquanto os europeus pagarão 32 € nos períodos de maior demanda.

O Louvre fixará seu preço de entrada em 32 € para cidadãos de países externos ao Espaço Econômico Europeu — um acréscimo de 10 € em relação ao valor atual. O museu mais visitado do mundo espera que as novas tarifas gerem uma arrecadação adicional entre 15 e 20 milhões de euros. De fato, é sabido que o palácio necessita de investimentos significativos.

Louvre: “Liberté, Égalité, Fraternité“, onde está você?

No entanto, apesar do contexto orçamentário tenso e dos déficits públicos crônicos, o sindicato dos trabalhadores do museu, o SUD considera que o argumento de reabilitação do edifício, não justifica a aniquilação de dois séculos de universalismo do Louvre.

Obrigada SUD Solidaires, Unitaires, Démocratiques! Finalmente o bom senso ainda existe! Como não concordar com a posição do sindicato? Eu estou indignada, pois essa discriminação nega e despreza claramente a própria noção republicana de igualdade. Essa violação do princípio de igualdade é um grave retrocesso civilizatório e enfatiza a erosão do sonho de um universalismo cultural. Cade a Liberté, Égalité, Fraternité?

Os Estados seguem deslocando a Janela de Overton, onde práticas antes impensáveis — como diferenciar o acesso à cultura com base na origem do visitante — passam a ser tratadas como aceitáveis e até normais. Definitivamente, estes são tempos de vergonha alheia para muitas pessoas que ainda estão apegadas a princípios.