Daqui, a Copa

Daqui, a Copa: futebol, política e espetáculo.

Eu pessoalmente não assisti à maioria dos jogos da Copa do Mundo. Foi uma decisão política. O Ibope é essencial para as maracutaias da FIFA, e eu simplesmente não apoio essa associação, sua maneira de proceder ou ainda, seus posicionamentos. Já não apoio a velha política do pão e circo para o povo. Menos ainda quando o torneio é parcialmente sediado pelos Estados Unidos de Donald Trump.

Não assisti assiduamente, porém fiz questão de acompanhar de perto. Pois não acompanhar seria uma forma de alienação. Afinal, trata‑se de um evento de amplitude mundial, que mobiliza culturas, economias, paixões e símbolos.

Não julgo absolutamente quem assistiu. Quem sou eu? Mesmo porque, como não vibrar com tantos momentos marcantes?

Mbappé e a recusa ética

Em minha opinião, um dos episódios mais emblemáticos foi a postura de Kylian Mbappé, que se opôs à utilização de sua imagem pela Federação Francesa de Futebol — e pela FIFA — para promover casas de apostas. Num ambiente dominado por contratos milionários, Mbappé foi uma das raras vozes a afirmar que jogadores têm responsabilidade social e que não devem ser usados para incentivar vícios que destroem vidas. Mesmo sem ser apaixonada pelo futebol, Mbappé virou meu herói quando lembrou ao mundo que futebol deve produzir consciência.

O torcedor congolês e a memória de Lumumba

Outro momento profundamente simbólico foi protagonizado por Moses Mugisha, torcedor da República Democrática do Congo. Ele tentou entrar no estádio com uma bandeira homenageando Patrice Lumumba, líder congolês assassinado em 1961, símbolo da luta anticolonial. A segurança inicialmente proibiu sua entrada, alegando “conteúdo político”. Após pressão nas redes sociais e apoio de torcedores africanos, Mugisha foi finalmente autorizado a assistir aos jogos em pé, segurando sua bandeira, como forma de respeito ao governante massacrado.

Com seu gesto forte, o senhor Mugisha nos mostrou que o futebol pode não somente ser político, mas também uma oportunidade de demonstração de amor à história de seu país.

O Jogo França X Marrocos

Aqui o jogo França x Marrocos carregava uma aura particular. A comunidade marroquina representa cerca de 3% da população francesa, e os franco‑marroquinos — cidadãos binacionais ou filhos de imigrantes — formam uma das maiores diásporas do país. Historicamente, algumas celebrações futebolísticas envolvendo seleções do Magrebe já resultaram em episódios de tensão, depredação ou confrontos.

Por isso, o jogo França x Marrocos pareceu um momento delicado para o país da igualdade, liberdade e fraternidade. A narrativa dominante previa um jogo carregado de tensão social, rivalidade identitária e risco de incidentes.

Mas o que se viu foi exatamente o contrário.Franceses, marroquinos e binacionais festejaram amplamente e em harmonia o resultado da partida. Nas grandes cidades — Paris, Lyon, Marseille, Lille — as imagens mostraram famílias misturadas, bandeiras dos dois países lado a lado, e uma celebração que contrariou todos os prognósticos alarmistas. Foi um outro momento raro de união, desta vez provocada pelo futebol.

França e Inglaterra: a pequena final que honrou o esporte

E então chegamos ao jogo que, na França, chamamos aqui de “pequena final”: França x Inglaterra. Assim como ao último jogo do Brasil na Copa esse eu fiz questão de assistir. E que espetáculo! Jogo limpo, zero violência, zero provocações, ritmo intenso, técnica refinada, e respeito absoluto entre as equipes.

Ao final, abraços, trocas de camisetas, felicitações. Uma demonstração de que o futebol pode sim federar e unir. Numa fase final marcada por tensões e comportamentos lamentáveis, França e Inglaterra ofereceram exatamente o que o esporte deveria ser: competição, beleza e civilidade.

E, por alguns instantes, o futebol lembrou ao mundo que o espírito esportivo pode ser maior do que a rivalidade, maior que a política, maior do que a FIFA, maior do que os interesses que o cercam. Show de bola.

O show do intervalo: Ronaldo e Ronaldinho

Também fiz questão de assistir ao show de meio tempo da final. Arte diverte, educa, une — mesmo quando financiada pela FIFA ou pelo comitê americano. Arte redime.

Ver Ronaldo e Ronaldinho ao lado de Madonna foi poético. Para o mundo, eram os maiores da bola. Para nós, brasileiros, conhecedores de seus percalços, havia ali um toque mambembe, humano, quase íntimo. Um lembrete de que nossos heróis são feitos de glória e de falhas — e que é justamente isso que os torna tão nossos.

Espanha: a campeã que mereceu o pódio

E o que dizer da Espanha? Ganhadora da Copa, tendo que aguentar provocações e um jogo do adversário extremamente táctil e grosseiro. A Espanha manteve a calma, a técnica e a estratégia. Lamine Yamal e sua equipe mereceram mais que ninguém chegar ao pódio.

Argentina

Eu não sei o que te reservou o algoritmo hoje, mas o meu não para de me enviar exemplos de falta de civismo e educação por parte de membros da equipe argentina e seus fãs presentes nos estádios. Isso não significa — e faço questão de afirmar — que todos os argentinos sejam assim. Mas a burguesia presente, os jogadores e torcedores realmente não deram uma boa imagem de sua nação.

Injusto? Sim. Mas assim se escreve a história: pelas mãos dos heróis e das elites.

Apesar dos pesares

Apesar da violência da Argentina no campo, apesar das injustiças cometidas contra equipes como a do Irã, apesar da expulsão injusta do árbitro da Somália, etc, etc, o final se mostrou satisfatório.

Ganhou a melhor equipe. Ganhou o espírito de união futebolístico.

Babado triste Anulaçao Gay Pride ParisLGBTQIA+ (Pride),

Babado Triste

Infelizmente, por causa da onda de calor que atinge Paris e boa parte da França, várias manifestações e festivais de verão estão sendo cancelados ou tendo suas programações reajustadas.

As consequências do fenômeno de extremo calor estão se agravando “aos poucos” no decorrer desta semana: hospitais saturados, serviços de emergência no limite, insolações, desidratações, paradas cardíacas, risco extremo de incêndios, além de episódios trágicos como crianças esquecidas em carros e afogamentos . Motoristas de ônibus e caminhões também vêm passando mal ao volante. A cada dia mais escolas fecham e até mesmo 8500 galinhas morreram em seu local de criação no norte da França.

As consequências do calor intenso parecem estar “caindo” como um verdadeiro efeito dominó.

Marcha do Orgulho LGBTQIA+ (Pride) adiada

Diante desse cenário, a Prefeitura de Polícia de Paris decidiu anular o festival musical Solidays e adiar a Marcha do Orgulho LGBTQIA+ (Pride), que aconteceria neste sábado, 27 de junho para setembro. Segundo o comunicado oficial, a presença de centenas de milhares de pessoas criaria um risco elevado de sobrecarga em um sistema hospitalar já no limite.

Os organizadores da Pride insistem que estavam preparados: mais de 50 socorristas, quatro ambulâncias, duas cisternas de água, brumizadores, distribuição gratuita de água e um posto médico climatizado estavam previstos. Mesmo assim, Paris considerou mais seguro proteger as 500 mil pessoas esperadas e evitar um colapso sanitário.

Nova medida: álcool proibido nas ruas a partir das 12h

Como parte das ações de emergência, a Prefeitura de Polícia também anunciou a proibição do consumo de álcool nas ruas a partir das 12h e a proibição da venda de bebidas alcoólicas a partir das 18h em toda a capital. A medida visa reduzir incidentes relacionados à desidratação, mal‑estar e comportamentos de risco agravados pelo calor extremo. O consumo permanece autorizado em bares e restaurantes, inclusive para quem quiser assistir ao jogo da França contra a Noruega, que acontece hoje às 21h (horário de Paris) pela Copa do Mundo 2026.”

A partir de segunda-feira dia 29 as temperaturas devem voltar ao normal, mas não sem risco de tempestades e inundações através do território nacional.

Calor em Paris: O que fazer

Não há quem não tenha ouvido falar da onda de calor em Paris. Talvez você tenha visto vídeos on-line de jovens pulando das pontes no Canal Saint-Martin ou escutado no noticiário sobre mortes por afogamento e desidratação. O fato é que não se fala de outra coisa quando o assunto é França — e até mesmo Europa.

E como aparentemente todo mundo já sabe o que está acontecendo, resta-me falar sobre o que fazer quando você está turistando na cidade durante esse fenômeno climático, que aqui chamamos de canicule. Sim, porque na cidade mais visitada do mundo o turismo não para — e não precisa parar. A seguir, 10 dicas práticas para enfrentar o calor na capital e em seu território.

Onda de Calor Dicas úteis

1.A primeira dica é evitar ficar no último andar do edifício, seja ele hotel ou alojamento, pois esses andares acumulam mais calor.

2.A segunda é não abrir as janelas durante o dia. Parece contraintuitivo, mas abrir a janela não refresca; ao contrário, deixa o ar quente entrar. A regra é simples: janelas e cortinas fechadas durante o dia, abrir somente à noite, quando a temperatura cai.

3. Economize: Traga seu cantil e use as bicas da cidade tranquilamente — Paris tem fontes potáveis por toda parte, gratuitas e seguras.

4. Fuja das multidões: Evite o imenso Louvre nos dias mais quentes. O museu está sempre lotado, e multidão com celulares em ambiente fechado é sinônimo de calor e cansaço. Prefira museus menores e mais frescos, como o Museu de Cluny, com suas termas romanas subterrâneas e amplo acervo Antigo e Medieval por exemplo. Paris tem inúmeros pequenos museus, com coleções exclusivas e sem multidões oferecendo condições mais intimistas para um visita.

5.Para desfrutar do charme arquitetônico do século XIX, com lojas tradicionais, alternativas e de criadores locais, as passagens cobertas ou galerias de Paris oferecem um percurso ventilado e pitoresco. Situadas entre os bairros 2, 9 e 10, não muito longe da Ópera, do Printemps e das Galeries Lafayette, elas revelam um charme parisiense como poucos lugares da capital.

6.Adegas e subsolos são outros segredos fresquinhos da cidade. Raramente acessíveis, incluem antigas pedreiras, catacumbas e espaços subterrâneos de imóveis históricos. As Catacumbas de Paris são famosas e abertas ao público, eu pessoalmente me sinto oprimida lá dentro e não optaria por essa visita em busca de frescor. Já o Museu do Vinho, instalado em uma antiga pedreira e com artefatos de mais de 2.000 anos de produção vinícola, ou ainda as Caves du Louvre, são tipos de subsolos pelos quais eu optaria.

7.Nadar no Rio Sena pode ser uma opção: a área autorizada para banho estará aberta de 5 de julho até 3 de agosto.

8. Mas mesmo que você não entre na água, um cruzeiro pelo Sena é obrigatório para aproveitar o frescor do rio e observar a população desfrutando de suas margens.

9. Para quem vem pela primeira vez ou quer garantir máximo conforto, um motorista e ar-condicionado superam todas as expectativas de sombra, amor e água fresca em termos de visita a Paris.

10. E, por fim, sair de Paris. Eu devo admitir que, embora vir à capital seja maravilhoso e um sonho para muita gente, neste momento, se vir a Paris é bom, sair de Paris é ainda melhor.

Show Noturno em Versalhes

Fontes magníficas, espetáculos de som e luz, música barroca, bosques iluminados e um grande show de fogos de artifício no final — um momento impressionante de pura poesia e frescor. Os espetáculos acontecem todos os sábados à noite, de 7 de junho a 20 de setembro de 2025.

O frescor e Art de Vivre franceses

Eu por exemplo, me retirei para Provins por alguns dias. Os muros espessos das casas, as pedras milenares, os inúmeros parques, rios e uma piscina pública de excelente qualidade me pareceram mais adequados para sobreviver à onda de calor. Afinal, eu já conheço bem a capital e o que significa ficar entre quatro paredes vendo o sol brilhar e torrar o asfalto la fora. Daqui, vou enfrentando o calor, mas também aproveitando da qualidade da vida local.

Se falta festa junina, não faltou festa medieval e da música, exposições de arte e animações. Amanhã por exemplo é dia de festa do branco em um dos castelos da região, o castelo de Motte Tilly. Apesar do frescor noturno , a festa promete ser quente.

No fim de semana seguinte, no maior estilo Monet, brunch campestre.

A onda de calor acaba em poucos dias, mas as dicas ainda podem ser úteis, afinal o verão está somente começando.